Mostrando postagens com marcador Acampamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Acampamento. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Conselho Nacional de Saúde recomenda ações à saúde de comunidades itinerantes durante a pandemia


Documento pede o cumprimento da portaria 940 de 2011 e evidencia a importância do acolhimento em saúde com equidade no atendimento as comunidades

O Conselho Nacional de Saúde (CNS) aprovou nesta segunda-feira (11/05) um documento aos Ministérios da Saúde (MS) e da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MDH) com recomendações para a implementação de medidas que garantam o atendimento à saúde dos povos ciganos, diante da pandemia provocada pelo Novo Coronavírus.

A recomendação tem entre os objetivos garantir que as famílias que estão em situação de trânsito e itinerância, sem condição de voltarem aos seus estados, possam ter assegurados os seus atendimentos sem preconceito e discriminação quanto a etnia.

O documento recomenda que o MS oriente as secretarias estaduais e municipais de Saúde, assim como os Conselhos de Saúde Estaduais, Municípios e do Distrito Federal, para o cumprimento da Portaria nº 940, de 2011, que isenta os povos ciganos e nômades sobre apresentação de comprovante de residência para cadastro e atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS).

A recomendação também é para que estados e municípios priorizem a vacinação contra a gripe e H1N1 para as populações itinerantes, que estão em acampamentos e ranchos, assegurando principalmente a proteção para idosos, crianças e mulheres grávidas.

A Comissão Intersetorial de Promoção de Políticas da Equidade (Cippe) do CNS, que elaborou o documento e acompanha com preocupação a situação das populações vulneráveis, considera, neste caso, as dificuldades que se apresentam para os deslocamentos em todo o país.

“Com sua organização no modelo circular, onde comunidades inteiras dividem áreas comuns, é fundamental revisitar a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da População Cigana/Romani e potencializar medidas que assegurem a proteção, a prevenção e a assistência dessa comunidade tradicional”, avalia a conselheira nacional de saúde e coordenadora da Cippe, Altamira Simões.

A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Povo Cigano/Romani consta na Portaria nº 4.384, do Ministério da Saúde, e observa o conceito de saúde integral com vistas à equidade na atenção à Saúde do povo cigano. A recomendação do CNS também considera o Decreto nº 6.040, de 2007, que instituiu a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais.

Os povos ciganos e as famílias itinerantes, que estão afastados dos seus núcleos familiares, enfrentam grandes dificuldades para aquisição de produtos de higiene, alimentação e materiais de prevenção, ficando mais expostos aos riscos da contaminação causada pelo vírus SARS-CoV-2, Novo Coronavírus.

O CNS solicita que o MDH indique como será feita a utilização dos recursos que devem ser destinados aos povos ciganos referentes às máscaras de proteção, materiais de higiene pessoal e residencial e álcool gel.

“Nesse momento de gravidade na saúde, provocada pela pandemia, é fundamental voltar o olhar para essa população e buscar estratégias de proteção e cuidados que possibilitem barrar o avanço do Covid entre eles”, completa Altamira.


Texto: Ascom CNS


domingo, 9 de fevereiro de 2020

Na mídia: Famílias de ciganos acampam nos trilhos da NOB e geram medo e fascínio aos três-lagoenses


Poder público disse que Assistência Social não pode inferir e deduzir como, 
onde e de que forma devem viver os ciganos.

Por: Deyvid Santos
Rádio Caçula FM

TRÊS LAGOAS (MS) – Dezenas de ciganos estão utilizando uma parte da estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) como lar temporário em Três Lagoas. O grupo montou acampamento na última semana e pretende continuar no município até o dia 15 de fevereiro.

Recentemente diversos três-lagoenses entraram em contato com a Rádio e TV Web Caçula para denunciar o povo cigano. Muitos apontaram para a falta de segurança que o acampamento traz ao local. Outros citaram que o grupo estava acompanhado de crianças, que não frequentam escolas. Mas, a principal queixa foi o fato de estarem utilizando antigos vagões como banheiros.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura Municipal de Três Lagoas para saber o que poderia ser feito no caso. Através de nota, o poder público disse que Assistência Social não pode inferir e deduzir como, onde e de que forma devem viver os ciganos, mas que no caso de solicitação ações como acolhidas, oficinas com as famílias, ações comunitárias, particularizadas e encaminhamentos poderão ser realizados.

"É importante ressaltar que as atividades não devem estereotipar a cultura cigana, devem ser pensadas para eliminar preconceitos e garantir direitos a esses povos", diz parte da nota.

O CRAS (Centro de Referência em Assistência Social) São João realizou visita e orientações as famílias, que informaram estar apenas de passagem no município com pretensão de saída prevista para antes do dia 15 de fevereiro. Afirmaram ainda que no momento estão vendendo enxoval (como guardanapos e outros) na cidade e não estão em situação de insegurança alimentar e financeira.

A reportagem também falou com moradores da região da Vila dos Ferroviários. Enquanto alguns se disseram incomodados com os constantes "pedidos de favores" – como água e carregar celular - outros demonstraram ser indiferente ao acampamento.

As famílias informaram que estão recebendo doação de água advinda da antiga Citocal para manuseio nas necessidades básicas e também se utilizam das instalações sanitárias na Praça Ramez Tebet, negando fazer uso dos vagões abandonados como banheiros. A equipe da secretaria não informou se foi identificado algum vestígio de que os vagões estivessem sendo utilizados com esse propósito.

Na última semana, o Conselho Tutelar do município também esteve no local para orientações às famílias. Caso permaneçam em Três Lagoas deverão matricular as crianças e adolescentes na escola.
Medo e fascínio acompanham a vida cigana em qualquer cidade por onde passam. E o princípio norteador do atendimento às famílias ciganas desenvolvido pela Assistência Social de Três Lagoas – que seguem as diretrizes do Ministério do Desenvolvimento Social - é o respeito a identidade étnica e a autodeterminação, respeito às tradições e manifestações culturais, às formas próprias de organização social, às formas de cuidados com os filhos, respeito a religiosidade e a situação itinerante, quando for o caso.