quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Roda de diálogo Ciganos: nossa vida, nossa cultura, nossa saúde

Evento ocorreu no dia 28 de outubro integrando a programação da 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia Fiocruz

No dia 28 de outubro (quinta-feira), entre 10h e 11h, ocorreu no Salão de Referências da Biblioteca de Manguinhos da Fiocruz-RJ, a Roda de Diálogo "Ciganos: nossa vida, nossa cultura, nossa saúde".  

Aberta ao público, a Roda foi uma das atividades da 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia Fiocruz e reuniu participantes de uma pesquisa feita com uma equipe de pesquisadores ciganos.

A pesquisa “Interseccionalidades e (de) colonialidades na Política Nacional de Integração em Saúde dos Povos Ciganos: uma abordagem e um caminho para descolonizar o SUS” tem o apoio do VPPCB/PMA/Fiocruz e é coordenada pelo Laces – Laboratório de Comunicação do ICICT, sob coordenação geral da professora Inesita Araujo.

Cerca de 20 pessoas, entre elas 12 crianças, participaram da roda de diálogo, que contou com a presença de cinco pessoas ciganas da etnia Calón. Entre elas, Aluízio de Azevedo (Mato Grosso), jornalista, coordenador, que apresentou alguns resultados da pesquisa, que envolveu 100 pessoas de comunidades ciganas de cinco municípios: Camaçari (BA), Tangará da Serra (MT), Porto Real (RJ), Itumbiara (GO) e Sousa (PB).

Também participaram do evento: Sara Macedo (Goiás) advogada popular Desirèe Matos (Rio de Janeiro), professora, coordenadoras de campo, que abordaram sobre a saúde da mulher cigana; e Roi Rogeres (Bahia), artista circense e Danillo Kalón (Rio de Janeiro), artista visual, coordenadores de campo, falaram sobre arte e a cultura cigana.

O financiamento é realizado pelo Programa de Políticas Públicas e Modelos de Atenção e Gestão à Saúde (PMA) da Vice-presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB) da Fiocruz/RJ.

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

AEEC recebe certificado de parceira da Amaggi no evento Raízes que Sustentam

Presidente da AEEC-MT, Taize Aracelli Siqueira Caiado, recebe o certificado de parceira da Amaggi.  

A presidente da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), Taize Aracelli Caiado Siqueira, participou nesta quinta-feira (27/10) do Encontro Raízes que Sustentam – Pessoas, iniciativas e territórios que se movimentam”.

Realizado pela Fundação Amaggi, o evento ocorreu na Fecomércio e contou com a participação de representantes das 32 iniciativas, entre elas a AEEC-MT, que foram selecionadas e participaram do Edital de Apoio Institucional da organização, durante os anos de 2024, 2025 e 2026.

Na ocasião, a AEEC-MT e as outras 32 iniciativas que participaram do Edital receberam o certificado de parceira da Fundação Amaggi, além de participar de um dia cheio de atividades e programações, trocas de experiência, aprendizado e confraternização entre os participantes.

Representantes de iniciativas que participaram do evento Raízes que Sustentam.

O evento contou com a participação de várias analistas de projetos sociais da Amaggi, entre elas Josandra Rocha e Lupita Silva que acompanharam as iniciativas durante todo o percurso formativo e de incentivo financeiro para implementação de seus Planos de Desenvolvimentos Institucionais (PDIs) para os anos de 2025 e 2026.

Também contou com a participação da consultoria da empresa Ponte a Ponte, que fez o acompanhamento e monitoramento da Fundação Amaggi junto aos PDIs das iniciativas.

De acordo com a presidente da AEEC-MT, o encontro “foi maravilhoso”, pois teve a oportunidade de conhecer várias associações de Mato Grosso e de outros Estados como Rondônia. Para ela:

“Foi muito legal, muito interessante a história de cada uma, de muita luta, de pessoas e coletivos diferentes. Também conheci os gestores e analistas da Fundação Amaggi, que são todos maravilhosos, proporcionando um ambiente descontraído, de confraternização, mas também de muito aprendizado. E, pude mostrar um pouquinho da cultura cigana, lendo o Pai nosso em Chibe, a nossa língua da etnia Calon numa dinâmica do encontro”.

PDI AEEC-MT 2025/2026

A principal ação da AEEC-MT para implementação do seu PDI 2025/2026 foi o programa Gambira, que tem como objetivo principal a formação de pessoas ciganas para fortalecer a gestão e execução de projetos, captação e gestão de recursos, planejamento e melhoria de processos da instituição.

O Gambira vem sendo executado por meio de uma parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG) e foi didivido em quatro ciclos. O primeiro e o segundo ciclos foram executados em 2025, quando de forma online, foram ofertadas formações para 20 pessoas ciganas de todo o Brasil durante todo o ano.

Presidente da AEEC, com as analistas de projetos sociais da Fundação Amaggi, Josandra Rocha (esquerda) e Lupita Silva (direita), durante Encontro Raizes.

No primeiro semestre o programa focou em ofertar workshops e formações voltadas para gestão e planejamento e sustentabilidade de organizações sociais. No segundo ciclo, aprofundamos no audiovisual, com oficinas de direção, fotografia, roteiro, produção, edição. Também ofertamos uma oficina de acessibilidade em projetos sociais e culturais.

O terceiro e quarto ciclo do programa Gambira ocorrem neste ano de 2026. No primeiro semestre, ofertamos duas bolsas de estudos para os dois estudantes que mais presença tiveram no ano de 2025. Já neste segundo semestre, estamos ofertando aulas de dança para a comunidade cigana de Tangará da Serra e Rondonópolis e aulas de teatro para a comunidade cigana de Rondonópolis.

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

domingo, 25 de outubro de 2026

Nota de Pesar Fernando Carlos Angola

 
Fernando Carlos Angola: 05/10/1981 a 25/10/2026

Com muito pesar e consternação, a AEEC-MT comunica o falecimento de Fernando Carlos Angola, um de seus mais ativos e destacados membros.

Fernando fez a passagem neste domingo (25/10), após quatro dias internado, devido a complicações de um grave acidente de moto que sofreu na última quarta-feira (22/10).

Filho de Orceni Rodrigues Angola e Daniel Carlos Angola, duas das mais antigas lideranças da comunidade cigana de Tangará da Serra (240 km de Cuiabá), ele era professor da rede municipal de ensino de Juína (800 km da capital), de onde também foi diretor das escolas rurais por vários anos.

Expressamos os nossos mais sinceros sentimentos a toda família enlutada, em especial, aos dois filhos, Vitória e Samuel, as irmãs Adriana e Aldi e aos pais Orceni e Daniel.

Que Deus conforte os corações de toda família enlutada!

O velório será realizado uma parte em Juína, até por volta de 20h deste domingo, onde Fernando era muito querido por toda a cidade e outra parte, pela manhã de segunda-feira (26/10), no município de Tangará da Serra, onde ele nasceu em 05/10/1981, era uma referência e será enterrado.

A última participação de Fernando em um evento da AEEC-MT ocorreu no último sábado (17/10), na Oficina de Chibe: Reavivando a Língua Calon, que ocorreu em Tangará da Serra.

Como sempre, ele participou ativamente, brincando, interagindo com todas as pessoas, parecendo que estava se despedindo da sua comunidade e de seus parentes mais queridos.

Descanse em paz Fernando, sentiremos saudades eternas!

Diretoria da AEEC-MT


sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Roda de diálogo Ciganos: nossa vida, nossa cultura, nossa saúde

Evento ocorre no dia 28 de outubro entre 09h e 10h e integra a programação da 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia Fiocruz

No próximo dia 28 de outubro (quinta-feira), entre 09h e 10h, no Salão de Referências da Biblioteca de Manguinhos da Fiocruz-RJ, acontecerá a Roda de Diálogo "Ciganos: nossa vida, nossa cultura, nossa saúde".  

Aberta ao público, a Roda é uma atividade da 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia Fiocruz e reúne participantes de uma pesquisa feita com uma equipe de pesquisadores ciganos.

A pesquisa “Interseccionalidades e (de) colonialidades na Política Nacional de Integração em Saúde dos Povos Ciganos: uma abordagem e um caminho para descolonizar o SUS” tem o apoio do VPPCB/PMA/Fiocruz e é coordenada pelo Laces – Laboratório de Comunicação do ICICT.

Para conversar com os presentes, estarão na roda 5 pessoas ciganas da etnia Calón:

Aluízio de Azevedo (Mato Grosso), jornalista, coordenador, que falará sobre resultados da pesquisa, que envolveu 100 pessoas de comunidades ciganas de cinco municípios: Camaçari (BA), Tangará da Serra (MT), Porto Real (RJ), Itumbiara (GO) e Sousa (PB);  

Sara Macedo (Goiás) advogada popular Desirèe Matos (Rio de Janeiro), professora, coordenadoras de campo, que falarão sobre a saúde da mulher cigana;

Roi Rogeres (Bahia), artista circense e Danillo Kalón (Rio de Janeiro), artista visual, coordenadores de campo, falarão sobre arte e a cultura cigana.

O financiamento é realizado pelo Programa de Políticas Públicas e Modelos de Atenção e Gestão à Saúde (PMA) da Vice-presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB) da Fiocruz/RJ.

Serviço:

O quê: Roda de Diálogo — "Ciganos: nossa vida, nossa cultura, nossa saúde"

Quando: 28/10/2026 (quarta-feira), das 09h às 10h

Onde: Salão de Referências da Biblioteca de Manguinhos (Fiocruz – RJ)

Entrada: Aberta ao público

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Uninter oferece curso sobre cultura cigana e direitos humanos

Iniciativa busca combater estereótipos, capacitar profissionais de diversas áreas e promover o respeito à diversidade cultural por meio de atividades presenciais e remotas.

CURITIBA — O Centro Universitário Internacional Uninter está com inscrições abertas para o curso de extensão "Cultura Cigana entre o imaginário, o anticiganismo e os direitos". 

Com carga horária de 20 horas e certificação gratuita para os participantes que obtiverem aproveitamento com nota igual ou superior a 70, a formação tem como principal objetivo conscientizar o público sobre os preconceitos enfrentados pelas comunidades ciganas e orientar acerca de seus direitos.

Sob a condução da Doutora Thiana Maria Becker, o curso propõe uma imersão crítica para além dos estereótipos tradicionais. 

A proposta pedagógica destaca que conhecer a história e a organização social, cultural e familiar dos povos ciganos é fundamental para compreender as dinâmicas da discriminação e ampliar a capacidade das instituições no oferecimento de um atendimento adequado e respeitoso.

Combate ao preconceito e fortalecimento de direitos

A programação acadêmica abordará de que maneira o conhecimento produzido e compartilhado pelas instituições pode atuar ativamente no combate ao preconceito institucional e no fortalecimento do acesso a direitos fundamentais.

A iniciativa é voltada tanto para o público interno da instituição quanto para a comunidade externa — incluindo estudantes, docentes, pesquisadores e profissionais, com enfoque naqueles que atuam ou atuarão diretamente com populações ciganas nas áreas de Educação, Saúde, Segurança Pública, Serviço Social e Direito, entre outras.

Estrutura curricular e formato híbrido

O curso está estruturado em três momentos formativos distintos, combinando transmissão digital e encontros presenciais em Curitiba. As atividades têm início com uma realização em estúdio transmitida via Zoom, possibilitando ampla participação interativa da comunidade acadêmica.

Na sequência, no dia 29 de outubro de 2026, ocorre a palestra presencial no Edifício UNINTER Polos Batel (Sala 24), aberta ao público interno e externo para fortalecer a visibilidade da temática.

Por fim, o ciclo é complementado por uma atividade presencial no Polo CIC, promovendo a aproximação direta com a comunidade local e expandindo os espaços de reflexão sobre as contribuições da cultura cigana para a sociedade.

Serviço

Evento: Curso de Extensão Cultura Cigana entre o imaginário, o anticiganismo e os direitos

Investimento: Gratuito

Carga horária: 20 horas

Certificação: Mediante participação e nota

Docente responsável: Doutora Thiana Maria Becker

Público-alvo: Público interno da Uninter e comunidade externa (estudantes, docentes, pesquisadores e profissionais, em especial das áreas de Educação, Saúde, Segurança Pública, Serviço Social e Direito)

Locais presenciais: Edifício UNINTER Polos Batel (Sala 24) e Polo Curitiba - CIC

Inscrições e Informações: Disponível no portal de extensão da UNINTER.

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT - Texto criado com ajuda de IA

 

Fundação Secretariado Gitano alerta que o anticiganismo continua vigente

A Fundação Secretariado Gitano alerta na Extremadura que o antigitanismo continua vigente e reclama um Pacto de Estado contra os discursos de ódio.

A diretora da Fundação Secretariado Cigano na Extremadura, Mercedes Moreno, sublinhou esta terça-feira que "o antigitanismo não é um problema do passado", mas uma realidade atual na qual "a discriminação" continua presente em relação à população cigana no acesso a bens e serviços, pelo que reivindicou a implementação de um Pacto de Estado contra os discursos de ódio que sofrem.

Moreno lançou este apelo durante a apresentação do XXI Relatório Anual "Discriminação e Comunidade Cigana" 2025, realizada na Assembleia da Extremadura. O documento compila 399 situações de discriminação contra pessoas ciganas em todo o território nacional, 25 delas na Extremadura, em um ano "especialmente relevante" em que se comemoravam 600 anos de presença do povo cigano na Península Ibérica.

O relatório detalha 118 casos de discursos de ódio nas redes sociais e 82 incidentes relacionados ao acesso a bens e serviços, com especial incidência em comércios e supermercados, onde ocorrem episódios de "hipervigilância" e "acusações infundadas" de roubo. Além disso, são registrados 48 casos de discriminação em meios de comunicação.

No âmbito laboral, foram detectados 35 casos, tanto por negativas a contratar como por não superar o período de experiência, e 25 no sistema educativo, na sua maioria pela não admissão de alunos ciganos em centros escolares "com todo tipo de desculpas".

O documento também registra 15 casos de discriminação no acesso à saúde e 45 relacionados com a habitação, principalmente pela negativa em alugar imóveis devido à condição de ciganos das pessoas solicitantes.

"Uma realidade cotidiana" que vulnera direitos

Durante sua intervenção, a responsável pela Fundação Secretariado Cigano na Extremadura destacou que "mais um ano" o relatório evidencia que "a discriminação e o antigitanismo não são um problema do passado, mas sim realidades cotidianas", quando "deveriam deixar de ser".

Insistiu que "a discriminação continua presente" em relação às pessoas ciganas no acesso a bens e serviços, nas redes sociais e no mercado de trabalho, o que, em sua opinião, "limita os projetos de vida de milhares de pessoas pelo mero fato de sua origem étnica".

Os 399 casos documentados em 2025 "refletem que apesar do avanço normativo e dos compromissos das instituições, a igualdade real e efetiva continua sendo uma meta a ser alcançada", ressaltou Moreno, que avisou que "cada caso registrado representa uma violação de direitos e uma experiência de exclusão" que afeta uma pessoa cigana e "coarta oportunidades".

Nessa linha, sublinhou que o relatório "não só recolhe cifras e casos", mas constitui "um chamado à ação para que todas as instituições públicas e a sociedade como um todo redobrem o esforço na defesa dos direitos humanos e da igualdade de tratamento".

Moreno lembrou que "por trás de cada caso e cada porcentagem sempre há um rosto e há uma família a quem são vulneradas as dignidades humanas", e apontou que existem muitas formas de discriminação que não são denunciadas e que "acontecem todos os dias", como quando o vigilante de um supermercado segue uma pessoa cigana ou quando uma criança não tem acesso à escola que deseja.

Diante desse cenário, a Fundação Secretariado Cigano reafirmou seu "compromisso com a defesa dos direitos fundamentais, a igualdade de tratamento e a erradicação do antigitanismo", ao mesmo tempo que reconheceu que "embora tenha havido avanços significativos, especialmente no reconhecimento institucional e na sensibilização social", ainda persistem "desafios estruturais".

Por isso, Moreno pediu "o enfrentamento dos discursos de ódio, especialmente os de caráter antigitano", e defendeu que "é fundamental aplicar de forma efetiva a Lei de Serviços Digitais para prevenir e sancionar a propagação de discursos de ódio nas redes sociais", espaços onde "o antigitanismo se amplifica e se normaliza com demasiada frequência".

Finalmente, reivindicou a aprovação de um Pacto de Estado contra os discursos de ódio que permita "coordinar ações" entre Administrações, meios de comunicação, plataformas digitais e sociedade civil, "garantindo um marco comum de proteção frente a esta grave vulneração de direitos".

Quintana pede "não normalizar os preconceitos"

O delegado do Governo na Extremadura, José Luis Quintana, reconheceu o "trabalho constante em favor da igualdade" que desenvolve a Fundação Secretariado Gitano, e assinalou que o relatório é "muito mais" do que uma compilação de dados, já que lembra que "uma sociedade democrática não se mede unicamente pelas leis que aprova, mas pelos direitos que garante e pela igualdade de oportunidades".

Quintana indicou que o documento recolhe "nada mais e nada menos" que 400 casos de discriminação contra pessoas ciganas e que por trás de cada um "há uma experiência de rejeição e uns direitos que não foram respeitados", em situações que ocorrem "em âmbitos tão cotidianos como o emprego, a educação, a habitação, o acesso aos serviços", e também "de maneira indigna muitas vezes nas redes sociais".

Por isso, o delegado do Governo chamou a não "normalizar os preconceitos nem os discursos de ódio tão comuns nestes últimos tempos", especialmente nas redes sociais, e defendeu a necessidade de contar com "instituições comprometidas, políticas públicas que sejam eficazes, mecanismos de proteção para as vítimas e uma sociedade que não olhe para o outro lado diante de nenhuma forma de discriminação".

Sánchez Vera reclama visibilizar os obstáculos

A secretária geral de Igualdade da Junta de Extremadura, Ara Sánchez Vera, valorizou que o trabalho da Fundação Secretariado Gitano "não só contribui para melhorar a vida de muitas pessoas, mas também ajuda a construir uma sociedade mais justa e mais inclusiva".

Sánchez Vera considerou que os dados do relatório devem servir à sociedade para "refletir sobre uma realidade que não podemos ignorar", uma vez que "é um fato inegável que as pessoas ciganas encontram muitos obstáculos em sua vida", questões que "precisam ser visibilizadas".

Por este motivo, incentivou a denunciar os casos de discriminação para poder "corrigir as condutas, punir os culpados", assim como "educar e sensibilizar para que não se repitam esse tipo de comportamento".

Insistiu na responsabilidade das administrações públicas, porque "a igualdade de oportunidades não pode depender do gênero, da orientação sexual, da origem ou da classe social", e advertiu que "a discriminação nem sempre se manifesta de maneira evidente", mas "às vezes se esconde atrás de uma negativa injustificada, de uma oportunidade que nunca chega, de um olhar ruim ao entrar em um estabelecimento".

Neste ponto, Ara Sánchez Vera aludiu de forma especial à realidade das mulheres ciganas, que "enfrentam obstáculos derivados tanto de sua condição de mulheres quanto dos preconceitos associados à sua pertença étnica", uma situação que "exige respostas específicas" e políticas que impulsionem sua autonomia, sua formação, seu acesso ao emprego e sua participação na vida social.

Por último, o vice-presidente primeiro da Assembleia da Extremadura, Domingo Expósito, ressaltou que o relatório lembra que "ainda há caminho a percorrer para conseguir uma sociedade na qual a igualdade de oportunidades acabe sendo uma verdadeira realidade para todos".

Expósito apontou que o primeiro passo é "reconhecer que esse problema existe" e não olhar para o outro lado, e assegurou que a Assembleia da Extremadura continuará sendo "um espaço de encontro, de diálogo e de defesa de direitos".

Disponível em: https://www.democrata.es/pt/extremadura/fundacao-secretariado-gitano-na-extremadura-alerta-que-o-antigitanismo-continua-vigente-e-nao-ficou-para-tras/

Oficina de Chibe valoriza mestres da língua Calon

 
Evento é realizado pela AEEC, com patrocínio da Secel-MT. Foto: Aluízio de Azevedo

Mais de 50 pessoas da comunidade cigana do tronco étnico Calon de Tangará da Serra, município que reúne a terceira maior comunidade cigana de Mato Grosso, participaram no último sábado (17/10) da Oficina de Chibe: Reavivando a Língua Calon.

Este é o segundo módulo do projeto, que tem como objetivo principal salvaguardar a Chibe, nome como as pessoas ciganas Calon denominam sua língua própria, também conhecida entre os ciganos Calon de Portugal como Romanon e entre os ciganos de Espanha como Kalé.

Realizado pela Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), o evento ocorreu entre 08h e 17h na Chácara WR, em Tangará da Serra. O evento tem como proponente o multiartista e produtor cultural de etnia Calon, Aluízio de Azevedo e o projeto é realizado por meio de aprovação no Edital Viver Cultura Identidades – Edição Lei Paulo Gustavo, da Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel/MT).

Grupo de Danças Calins do Cerrado, da comunidade cigana de Tangará, realizou uma mostra do trabalho que vêm realizando. Foto: Aluízio de Azevedo

Além de fortalecer e conservar a Chibe na comunidade ciganas de Tangará, a iniciativa valoriza mestres da cultura que dominam fluentemente a língua. Os oficineiros do evento foram 15 anciãos e anciãs que vivem na cidade. Outro objetivo foi despertar nos mais jovens o desejo de conservar a Chibe e o orgulho de pertencer à etnia Calon.

A programação foi realizada de forma muito leve e divertida, pensada com carinho para um público variado, com idades que vão de cinco a 80 anos.

Levando-se em consideração que a maioria dos mais velhos e mais velhas da etnia Calon não frequentaram a sala de aula e que a Chibe é uma língua oral, transmitida de geração em geração há milênios, a oficina foi estruturada em formato de gincana.

A metodologia da oficina foi elaborada pedagogicamente em diálogo com a cultura, a tradição e a identidade Calon, o que inclui a criação de materiais didáticos inéditos desenvolvidos especialmente para o evento por uma equipe de consultoria pedagógica formada por mestres da Chibe.

15 anciãos e anciãs da comunidade Calon de Tangará foram os oficineiros da Chibe. Foto: Aluízio de Azevedo

Entre esses materiais estão o caderno de atividades em Chibe, o bingo dialetal, o Pai nosso em Chibe (“Bato Nusca) e a tradução da música “Bute Pilon”, dos cantores de etnia Calon, Eddy Brito e Samuel.

O ‘Caderno de Atividades em Chibe, que conta com vários exercícios linguísticos de fixação, como caça-palavras, complete e ligue as frases, numerais e dicas de gênero (feminino e masculino).

O evento contou com a participação da diretoria da AEEC-MT, incluindo a presidente da AEEC-MT, Taize Aracelli Caiado Siqueira, da primeira secretária, Irandi Rodrigues Silva e da sua segunda secretária, Orceni Rodrigues Angola, ambas integrantes da comunidade de Tangará da Serra. As duas últimas estavam entre as pessoas que ministraram a oficina de chibe.

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

domingo, 18 de outubro de 2026

Secel apoia realização do segundo módulo de língua cigana em Tangará da Serra

Encontro promove resgate da língua Chibe para reforçar o pertencimento e a identidade da comunidade cigana de Mato Grosso

Andréa Haddad | Secel-MT, 16 de Outubro de 2026 às 15:29

A programação foi elaborada pedagogicamente em diálogo com a cultura e a identidade Calon. O projeto conta com materiais didáticos inéditos desenvolvidos por uma equipe de consultoria pedagógica formada por mestres do idioma.

“A oficina foi estruturada em formato de gincana. A programação está muito leve e divertida, pensada com carinho para um público com idades entre cinco e 80 anos. Um dos materiais é o Caderno de Atividades em Chibe, que conta com exercícios linguísticos de fixação, como caça-palavras, complete e ligue as frases, numerais e dicas de gênero”, explica Aluízio.

De acordo com a presidente da AEEC-MT, Taize Aracelli Alves Caiado, o Chibe é um dos principais patrimônios culturais imateriais dos ciganos Calon e precisa ser reconhecido nos inventários de línguas brasileiras. “Esta é a segunda edição do projeto em Tangará da Serra, e queremos levar a iniciativa a outros municípios do Estado, principalmente Cuiabá e Rondonópolis, que reúnem grandes comunidades e também precisam fortalecer essa tradição”, ressalta.

Além da presidente da AEEC-MT, a oficina contará com a participação da primeira-secretária e da segunda-secretária da instituição, Irandi Rodrigues Silva e Orceni Rodrigues Angola, ambas integrantes da comunidade local. A programação cultural inclui apresentação especial do grupo de dança “Calins do Cerrado” e a exibição do documentário “Oficina de Chibe”, que registra a primeira edição do projeto, realizada em 2024.

 

Em respeito às diretrizes das lideranças locais de não ensinar o Chibe a não ciganos, o curso é exclusivo para cerca de 50 integrantes da comunidade, entre adultos, crianças e adolescentes. Uma das participantes é Aldi Rodrigues, produtora e mediadora do evento, que destaca o valor imaterial do idioma.

“O Chibe carrega a expressão genuína do sentimento do nosso povo. É a perpetuação da nossa história de sobrevivência, cumplicidade e conexão com os antepassados. Para existir, é preciso proteger e perpetuar”, afirma.

Para Simone Carla Rodrigues, também produtora local, a iniciativa incentiva a troca de conhecimentos entre gerações. “Este segundo encontro acontece justamente porque nossos filhos, sobrinhos e até nós, adultos, ainda não temos o domínio completo do Chibe. Entendemos algumas expressões, mas falamos poucas palavras. Como a língua vem de uma tradição oral, esses encontros nos permitem reviver memórias e fortalecer nossa identidade”, conclui.

Com informações da assessoria 

Disponível em: https://www.secel.mt.gov.br/w/secel-apoia-realiza%C3%A7%C3%A3o-do-segundo-m%C3%B3dulo-de-l%C3%ADngua-cigana-em-tangar%C3%A1-da-serra


quinta-feira, 15 de outubro de 2026

AEEC participa do ReConexões Mato Grosso

AEEC-MT participa do evento, que é realizado pelo IBRAM, como Ponto de Memória. Foto: Taize Aracelli. 

A Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), enquanto Ponto de Memória e por meio de sua presidente, Taize Aracelli Alves Caiado e do seu Assessor para Ciência e Comunicação, Aluízio de Azevedo, participa do evento (Re)Conexões Mato Grosso. 

Em Mato Grosso, o evento é organizado pelo Escritório Estadual do Ministério da Cultura (Minc) em Mato Grosso e ocorre entre 15 e 16 de outubro, no Auditório da Receita Federal em Cuiabá e é organizado pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), reunindo representantes de museus e pontos de memória.

O encontro é voltado para uma série de ações objetivando o incentivo à participação social no campo museal, pretendendo facilitar o diálogo e a gestão integrada entre museus, que podem ser públicos e privados.

Também tem como objetivo priorizar políticas públicas alinhadas com os anseios da comunidade cultural e da sociedade, onde o papel dos museus assume fundamental importância para a valorização do patrimônio como dispositivo estratégico de aprimoramento dos processos democráticos.

“Nesse sentido, o programa (Re)Conexões tem por objetivo promover a participação ampliada de museus, redes, coletivos e pontos de memória etc, nos debates e apresentação de propostas do Mato Grosso, referente a reestruturação do Sistema Brasileiro de Museus, implementação do Sistema de Participação Social e a normatização do Fórum Nacional de Cultura”, explica Lígia da Silva Viana, coordenadora do Escritório Estadual do Ministério da Cultura (Minc) em Mato Grosso, instituição que organiza o evento.

De acordo com a presidente da AEEC-MT, Taize Aracelli Alves Caiado, "o encontro foi muito proveitoso e de grande valia para os nossos povos ciganos, que não têm visibilidade. Então, assim, é mais uma chance da gente ser inserido na história oficial brasileira. Também é uma oportunidade de reforçar a importância de conservar as nossas memórias, tradições, nossos patrimônios materiais e imateriais, arqueológicos e culturais", pondera.

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

terça-feira, 13 de outubro de 2026

História e Resistência da Língua Chibe entre os Calon

Mergulho na história milenar da língua tradicional cigana, o papel estratégico dos anciãos/as na defesa e luta pela salvaguarda desse patrimônio imaterial Calon. Foto João Aquino.

Mais do que um sistema de comunicação, uma língua é um arquivo vivo de afetos, dores, estratégias de sobrevivência e cosmovisões. O pesquisador de comunicação e linguagem, Pierre Bourdieu, afirma que é a língua que estrutura o pensamento de um povo. Daí a sua extrema importância para a cultura, a comunicação e as outras linguagens.

Para o povo cigano Calon, tronco étnico cigano de forte presença histórica na Península Ibérica, no Brasil e países da América Latina, a Chibe, também conhecida entre os ciganos portugueses como Romanon e na Espanha como Kalé, é um dos pilares mais sagrados da identidade cigana. Longe de ser apenas um vocabulário alternativo, a Chibe é um território de soberania construído ao longo de séculos de diáspora, perseguição e resistência cultural.

Historicamente, a trajetória linguística do povo Calon é marcada por uma profunda capacidade de adaptação sem a perda de seus sentidos mais básicos. Os ciganos absorveram elementos estruturais e palavras das línguas faladas nos territórios por onde transitaram, sobretudo o português e o espanhol, fundindo-os a uma base de vocabulário de origem romani. E, ao mesmo tempo, também influenciaram na base linguística por onde passaram, especialmente, português e espanhol.

Esse sincretismo gerou uma língua própria, fluida e transmitida essencialmente pela oralidade, de geração em geração, nos acampamentos, nas rodas de conversa e no cotidiano familiar. A Chibe não nasceu para os compêndios acadêmicos ou para as gramáticas escolares; ela pertence ao espaço íntimo da comunidade, onde cada termo carrega o peso de uma ancestralidade que se recusa a ser apagada.

Ao longo dos séculos de marginalização e racismo institucional enfrentados pelos ciganos na Europa e nas Américas, falar a Chibe cumpriu duas funções vitais e indissociáveis: serviu como um identificador cultural imediato, permitindo o reconhecimento de ciganos entre si em qualquer lugar do mundo. Também operou como um escudo, funcionando como um código seguro de comunicação interna, para blindar e proteger as famílias contra violências e perseguições externas.

A Soberania dos Mais Velhos e o Trabalho da AEEC-MT



Uma das decisões políticas mais importantes e firmes tomadas pelas lideranças, anciões e anciãs das comunidades Calon é a diretriz histórica de não ensinar a Chibe a pessoas não-ciganas (gadjons). Longe de ser isolamento, essa escolha representa o ápice da autonomia cultural e da soberania política e da contracolonialidade, especialmente, num mundo que historicamente tentou expropriar, folclorizar ou destruir a cultura cigana e sua língua.

Portugal e Brasil editou inúmeras leis inclusive proibindo-nos de falar a Chibe. Assim, manter a língua restrita à comunidade garante que a intimidade de um povo milenar não pertença ao mercado e que a preservação de seu patrimônio imaterial permaneça sob o controle exclusivo de seus legítimos detentores.

É exatamente dentro desse cenário de valorização da história, da memória e da soberania política que se insere o trabalho contínuo de salvaguarda desenvolvido pelo movimento social cigano. No estado de Mato Grosso, a Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT) tem liderado iniciativas pioneiras de fortalecimento da língua, como o projeto de oficinas de Chibe, desenvolvidas em diálogo direto com mestres, anciãos e lideranças locais.

Os encontros são espaços seguros e lúdicos onde crianças, jovens e adultos podem vivenciar a língua por meio de cadernos de atividades, músicas e do registro de memórias dos mais velhos, provando que a Chibe continua pulsante e fundamental na identidade Calon. O modulo II da Oficina de Chibe, ocorrerá em Tangará da Serra no próximo dia 17 de outubro (sábado), entre 08h e 17h. Na ocasião, 50 pessoas da comunidade local passarão o dia rememorando, falando, estudando a Chibe e fortalecendo o orgulho em ser Calon.

O projeto é financiado por meio do Edital Viver Cultura Identidades – Edição Lei Paulo Gustavo – na categoria povos ciganos, da Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel/MT). O primeiro modulo ocorreu em maio de 2024, também em Tangará da Serra, com o patrocínio da Secel/MT, dentro da programação do IV Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso.  O projeto tem a proponência do pesquisador, ativista e multiartista de etnia Calon, Aluízio de Azevedo, este que vos fala.

Aluízio de Azevedo, Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT e proponent do projeto Oficina de Chibe: Reavivando a Língua Calon – Módulo II.

Parte dos presentes no módulo I da oficina em Tangará (2024). Foto: João Aquino.