O projeto “Rarripe – Ciganos em Cena” é uma vivência que leva formação em teatro para mulheres ciganas da comunidade de Rondonópolis, em Mato Grosso. Promovido pela Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel/MT), trata-se do primeiro grupo de teatro cigano composto exclusivamente por atrizes ciganas do Brasil.
O projeto teve início no dia 07 de fevereiro deste ano, com a participação de 13 pessoas. Desde então, os encontros ocorreram todos os sábados, no início na casa da liderança cigana Francisca Alves Santos, a tia Chica e a maior parte deles no Salão Comunitário do Jardim Iguassu. O primeiro módulo da vivência encerrou concomitante aos dias de realização do VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso, que ocorre em Rondonópolis (01, 02 e 03 de maio), quando o grupo o grupo fez uma participação especial apresentando os resultados do curso, com algumas intervenções teatrais no dia 01 de maio.
Composto por várias oficinas e temas relacionados às áreas técnicas do teatro e artes cênicas, como iluminação, som, cenário e figurino e de iniciação ao teatro, a ideia do curso é ter uma peça montada com a temática cigana para o grupo se apresentar em outros eventos artísticos e culturais.
A maioria das atrizes do grupo são mulheres com idades acima de 50 anos, mas o curso conta também com jovens como Amanda Pinheiro, que participou desde a primeira aula. Amanda destacou os benefícios do curso de teatro para o desenvolvimento corporal e criativo. “O curso é muito interessante. A gente não está muito acostumado a se movimentar, e o teatro acaba estimulando a criatividade e a concentração, além de fazer bem para o corpo e a mente”, afirmou.
Rarripe é uma ação vinculada ao convênio realizado pela AEEC-MT em parceria com a Secel/MT, para realização do “V Encontro de Cultura Cigana de MT”, cuja coordenação geral é de Rosana Cristina Alves de Matos Cruz e com coordenação pedagógica de Aluízio de Azevedo. Já a coordenação pedagógica do curso é executada pelo diretor de cultura da AEEC-MT, Rodrigo Zaiden e pelo teatrólogo e artista plástico, Tami Gondo Lage. A direção de atores foi realizada pelo professor de teatro, Ricardo Almeida.
Zaiden explica que começou a vislumbrar esse projeto em 2017, quando assistiu uma peça encenada por mulheres ciganas que não eram atrizes profissionais, em Portugal. “Aquilo me abriu um novo olhar sobre as possibilidades do teatro e pensei em levar essa experiência para Mato Grosso. Partimos de um grupo de dança já existente, até chegar ao teatro. Hoje, é muito emocionante ver a transformação dessas pessoas, tanto no corpo quanto na forma de se expressar, pensar e se relacionar. Mais do que preparar para apresentações, o teatro proporciona uma vivência profunda consigo mesmo, estimulando a criatividade, a reflexão e o convívio”.
Para o teatrólogo Tami Lage, o fato das 13 participantes serem mulheres mais velhas, torna o projeto ainda mais fascinante. “Temos trabalhado a dramaturgia a partir das vivências delas, criando uma conexão muito rica entre técnica e experiência de vida. O engajamento tem sido até maior do que esperávamos, o que torna essa jornada ainda mais especial, já que tudo é novo para elas — desde a leitura de texto até a compreensão da cena e da atuação. É um processo de descoberta, e esse desenvolvimento tem sido muito significativo”, destacou.
As integrantes do projeto também já participaram de oficinas com o pesquisador e doutorando cigano circense em Artes Cênicas (PPGAC/UFBA), Roy Rogeres Fernandes, com o título “Os laços inexoráveis entre os Povos Ciganos e o Circo-Teatro”; e com a doutoranda, Priscila Lima Freitas, com o tema “Iluminação no Teatro”.
Rarripe - na língua Chibe, do tronco étnico Calon, pode ser traduzida como “ilusão”, “ficção” ou “mentira”. O nome foi escolhido para quebrar os estereótipos e preconceitos seculares em torno das pessoas ciganas, que são grandes mentiras inventadas e que, infelizmente, ainda permeiam no senso comum e no imaginário da sociedade não-cigana.
O curso de teatro é integrado ao grupo de Danças Tradição Cigana. A maioria das pessoas participa das duas atividades. Os ensaios são voltados ao aperfeiçoamento e formação das artes cênicas no geral. O Grupo de Danças Tradição Cigana nasceu pelo desejo da própria comunidade cigana de Rondonópolis, há cerca de 15 anos e realiza apresentações principalmente durante os eventos da AEEC-MT.
Ficha Técnica
Realização: Associação
Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC/MT) e Secretaria de Estado de
Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel/MT)
Coordenação Geral:
Aluízio de Azevedo Silva Júnior
Coordenação Pedagógica e
Projeto Pedagógico: Rodrigo Zaiden e Tami Gondo Laje
Produção Executiva:
Rosana Cristina Alves de Matos Cruz e Fernanda Freitas Caiado
Direção de Produção:
Kaiardon Produções
Professor de Teatro:
Ricardo Almeida
Oficinas Complementares:
Roi Rógeres e Priscila Lima Freitas
Figurino: Linscker Marim
Mulheres em Cena:
Ana Carolina Pereira
Cabral
Audelena Dias Cabral
Amanda Alves Pinheiro
Cleide Alves Cabral
Dayane Cabral Vitorino
Santos
Elidia Alves Cabral
Francisca Pereira Dos
Santos
Leila Cabral Nunes
Maria Divina Cabral
Miryan Cabral Farias
Nilva Rodrigues Cunha
Normeci Rodrigues Cabral
Pinheiro
Silvia Marques Cabral







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