sexta-feira, 8 de maio de 2026

Projeto Rarripe leva vivência em teatro para comunidade Calon de Rondonópolis

Projeto fortalece o núcleo de artes cênicas da AEEC/MT, que também é composto pelo grupo de danças Tradição Cigana. Foto: Tami Lage.

O projeto “Rarripe – Ciganos em Cena” é uma vivência que leva formação em teatro para mulheres ciganas da comunidade de Rondonópolis, em Mato Grosso. Promovido pela Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel/MT), trata-se do primeiro grupo de teatro cigano composto exclusivamente por atrizes ciganas do Brasil.

O projeto teve início no dia 07 de fevereiro deste ano, com a participação de 13 pessoas. Desde então, os encontros ocorreram todos os sábados, no início na casa da liderança cigana Francisca Alves Santos, a tia Chica e a maior parte deles no Salão Comunitário do Jardim Iguassu. O primeiro módulo da vivência encerrou concomitante aos dias de realização do VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso, que ocorre em Rondonópolis (01, 02 e 03 de maio), quando o grupo o grupo fez uma participação especial apresentando os resultados do curso, com algumas intervenções teatrais no dia 01 de maio.

Composto por várias oficinas e temas relacionados às áreas técnicas do teatro e artes cênicas, como iluminação, som, cenário e figurino e de iniciação ao teatro, a ideia do curso é ter uma peça montada com a temática cigana para o grupo se apresentar em outros eventos artísticos e culturais.

A maioria das atrizes do grupo são mulheres com idades acima de 50 anos, mas o curso conta também com jovens como Amanda Pinheiro, que participou desde a primeira aula. Amanda destacou os benefícios do curso de teatro para o desenvolvimento corporal e criativo. “O curso é muito interessante. A gente não está muito acostumado a se movimentar, e o teatro acaba estimulando a criatividade e a concentração, além de fazer bem para o corpo e a mente”, afirmou.

Rarripe é uma ação vinculada ao convênio realizado pela AEEC-MT em parceria com a Secel/MT, para realização do “V Encontro de Cultura Cigana de MT”, cuja coordenação geral é de Rosana Cristina Alves de Matos Cruz e com coordenação pedagógica de Aluízio de Azevedo. Já a coordenação pedagógica do curso é executada pelo diretor de cultura da AEEC-MT, Rodrigo Zaiden e pelo teatrólogo e artista plástico, Tami Gondo Lage. A direção de atores foi realizada pelo professor de teatro, Ricardo Almeida.

Zaiden explica que começou a vislumbrar esse projeto em 2017, quando assistiu uma peça encenada por mulheres ciganas que não eram atrizes profissionais, em Portugal. “Aquilo me abriu um novo olhar sobre as possibilidades do teatro e pensei em levar essa experiência para Mato Grosso. Partimos de um grupo de dança já existente, até chegar ao teatro. Hoje, é muito emocionante ver a transformação dessas pessoas, tanto no corpo quanto na forma de se expressar, pensar e se relacionar. Mais do que preparar para apresentações, o teatro proporciona uma vivência profunda consigo mesmo, estimulando a criatividade, a reflexão e o convívio”.

Para o teatrólogo Tami Lage, o fato das 13 participantes serem mulheres mais velhas, torna o projeto ainda mais fascinante. “Temos trabalhado a dramaturgia a partir das vivências delas, criando uma conexão muito rica entre técnica e experiência de vida. O engajamento tem sido até maior do que esperávamos, o que torna essa jornada ainda mais especial, já que tudo é novo para elas — desde a leitura de texto até a compreensão da cena e da atuação. É um processo de descoberta, e esse desenvolvimento tem sido muito significativo”, destacou.

As integrantes do projeto também já participaram de oficinas com o pesquisador e doutorando cigano circense em Artes Cênicas (PPGAC/UFBA), Roy Rogeres Fernandes, com o título “Os laços inexoráveis entre os Povos Ciganos e o Circo-Teatro”; e com a doutoranda, Priscila Lima Freitas, com o tema “Iluminação no Teatro”.

Rarripe - na língua Chibe, do tronco étnico Calon, pode ser traduzida como “ilusão”, “ficção” ou “mentira”. O nome foi escolhido para quebrar os estereótipos e preconceitos seculares em torno das pessoas ciganas, que são grandes mentiras inventadas e que, infelizmente, ainda permeiam no senso comum e no imaginário da sociedade não-cigana.

O curso de teatro é integrado ao grupo de Danças Tradição Cigana. A maioria das pessoas participa das duas atividades. Os ensaios são voltados ao aperfeiçoamento e formação das artes cênicas no geral.  O Grupo de Danças Tradição Cigana nasceu pelo desejo da própria comunidade cigana de Rondonópolis, há cerca de 15 anos e realiza apresentações principalmente durante os eventos da AEEC-MT.

Ficha Técnica

Realização: Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC/MT) e Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel/MT)

Coordenação Geral: Aluízio de Azevedo Silva Júnior

Coordenação Pedagógica e Projeto Pedagógico: Rodrigo Zaiden e Tami Gondo Laje

Produção Executiva: Rosana Cristina Alves de Matos Cruz e Fernanda Freitas Caiado

Direção de Produção: Kaiardon Produções

Professor de Teatro: Ricardo Almeida

Oficinas Complementares: Roi Rógeres e Priscila Lima Freitas

Figurino: Linscker Marim

Mulheres em Cena:

Ana Carolina Pereira Cabral

Audelena Dias Cabral

Amanda Alves Pinheiro

Cleide Alves Cabral

Dayane Cabral Vitorino Santos

Elidia Alves Cabral

Francisca Pereira Dos Santos

Leila Cabral Nunes

Maria Divina Cabral

Miryan Cabral Farias

Nilva Rodrigues Cunha

Normeci Rodrigues Cabral Pinheiro

Silvia Marques Cabral



quarta-feira, 6 de maio de 2026

IV Encontro de Mulheres Ciganas de Mato Grosso ocorre em Rondonópolis

Oficinas e troca de conhecimentos tradicionais mantêm a cultura Calon entre as gerações

Rondonópolis recebeu, no dia 2 de maio (sábado), o IV Encontro de Mulheres Ciganas de Mato Grosso. O evento integra a programação do VI Encontro de Cultura Cigana de MT e proporciona um diálogo entre gerações de mulheres ciganas sobre seus saberes tradicionais, manifestando a relevância feminina na cultura tradicional dos povos ciganos. 

Mulheres principalmente do tronco étnico Calon, vindas de cidades como Cuiabá, Várzea Grande, Tangará da Serra, Guiratinga, Nova Xavantina, Chapada dos Guimarães, Pedra Preta (MT), Mineiros, Itaberaí (GO), e Campo Grande (MS), se reuniram a partir das 08h15 para uma programação diversa durante toda a manhã.

Realizado pela Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel/MT) e o Ministério da Igualdade Racial (MIR) / Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Encontro se iniciou com uma apresentação do grupo Tradição Cigana (foto acima), seguido de roda de conversa sobre saúde da mulher cigana e oficina de medicina tradicional (foto abaixo). 

A Roda de Diálogo “Saúde da Mulher Cigana” contou com a participação da cigana Calon, Sara Macedo, do Coletivo Ciganagens, a assessora técnica da Coordenação Geral de Acesso e Equidade da Secretaria de Atenção Primária do Ministério da Saúde (CAEQ/SAPS/MS) e do ponto focal para saúde cigana da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES/MT), Milton Fleury.

O evento contou com a participação dos estudantes de direito da Universidade de Cuiabá (Unic): Anabell Araujo, Claudio Santiago, Emili Schmitz, Hadassa Gomes, Rosana Matos Cruz e Tchelsy Cardoso. O encontro contou ainda com a presença da presidente do Conselho Estadual das Mulheres, Cenira Benedita Evangelista.

Compostas majoritariamente por plantas do cerrado, principalmente raízes, um dos principais componentes da medicina tradicional Calon são as garrafadas. Elas são manipuladas para curar vários tipos de doenças, como diarreias, gripes e resfriados, problemas da saúde da mulher, equilíbrio corporal, entre outras. Como nos anos anteriores, a Oficina de Medicina Tradicional será ministrada pela mestra da cultura mato-grossense, a raizeira Maria Divina Cabral, a mestra Diva. 

Atividades como a ministrada pela Mestra Diva contribuem para levar a sabedoria ancestral cigana a adiante: “É um ato de valorização aos nossos antepassados, que resistiram e possibilitaram que hoje aqui estejamos”, explica a presidente da AEEC-MT, Rosana Matos Cruz.

Além disso, a iniciativa também já influencia diretamente o presente, ao possibilitar a união entre as mulheres da comunidade cigana de Mato Grosso. Fernanda, tesoureira da AEEC-MT, destaca a importância desse evento dentro da programação do Encontro de Cultura Cigana e afirma que ele veio para fazer ressurgir, entre as mulheres ciganas, o convívio:

“A gente passou a aprender muitas coisas que, na correria do dia a dia, acabaram sendo esquecidas ou não repassadas. Por exemplo, a minha avó fazia garrafada. Ela ensinou as filhas, mas as filhas não nos ensinaram. E, nesse encontro, temos a oportunidade de nos juntarmos a Mestra Diva, ensinando, falando sobre a importância da mulher.”

Desde 2024, o IV Encontro de Mulheres Ciganas tem realizado atividades que mantêm suas tradições em circulação através de rodas de conversas, oficinas e exibição de produções audiovisuais, como a websérie etnodocumental “Diva e as Calins de Mato Grosso”, disponível no canal do YouTube da AEEC-MT e no link: www.galeriacalin.com. Cada episódio da minissérie traz o relato de uma mulher cigana do mesmo tronco étnico sobre sua história de vida, abrangendo também outros elementos da cultura, como a língua, a filosofia, costumes e expressões artísticas.

Com uma equipe composta majoritariamente por pessoas ciganas, o VI Encontro de Cultura Cigana idealiza projetos como esse para garantir que as manifestações culturais ciganas sejam viabilizadas e difundidas, em combate ao anticiganismo e em valorização às tradições. A programação estende-se por todo o mês de maio, celebrando o Dia Nacional dos Povos Ciganos (24 de maio) e ocorre nos três municípios com maiores comunidades ciganas de MT: Tangará da Serra, Rondonópolis e Cuiabá. 

Programação Infantil - O VI Encontro de Mulheres Ciganas de MT e o VI Encontro de Cultura Cigana de MT contaram com programação infantil. Os menores contaram com oficina de pintura, com Tami Lage e oficina de fotografia, com Gabriela Marques. Além disso, também puderam utilizar a piscina com professor acompanhante e os três dias contaram com um animador infantil.



terça-feira, 5 de maio de 2026

Mostra Calon Lachon começa em Cuiabá com filme Debaixo das Lonas Tudo é mais Bonito

Média-metragem Debaixo das Lonas, Tudo é mais bonito! , dirigido por Roi Rógeres, estreia hoje em Cuiabá, no circo Leite de Pedras, centro. Foto: Barbara Jardim.

A Mostra Calon Lachon, parte do catálogo de atividades do VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso, tem início hoje (05.05), em Cuiabá. O evento,  que integra a programação do VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso, ocorre a partir de 19h, no Circo Leite de Pedras, centro de Cuiabá.

A mostra promove exibições gratuitas de produções audiovisuais ciganas em Rondonópolis, Cuiabá e Tangará da Serra ao longo do mês de maio. A iniciativa reúne filmes e vídeos produzidos por cineastas ciganos de Mato Grosso e de outros locais do país como Bahia,,  além de contar com a exibição de filmes com a temática cigana, produzidos em conjunto com pessoas ciganas e não-ciganas.. 

Esta é a 4ª edição do projeto Calon Lachon, que significa “Cigano Bom” na língua Romanó-Caló. Nasceu com o objetivo de registrar (vídeos, áudio, fotos, documentos escritos) os saberes e tradições das comunidades ciganas contadas por elas mesmas e difundir os resultados audiovisuais. Durante os anos de execução, o projeto tem contribuído para o combate à invisibilização e ao anticiganismo, ao mesmo tempo que incentiva o olhar artístico e a presença de povos ciganos no cinema regional e nacional.

Em Rondonópolis, a mostra ocorreu na programação do encontro presencial durante três dias, a partir de 01 de maio. Em Cuiabá, as exibições têm início no dia 05 de maio, no Circo Leite de Pedras, e seguem nos dias 15, 22 e 29 de maio, no Ateliê Kaiardon, localizado no centro da cidade, sempre às 19h.

No primeiro dia de Mostra em Cuiabá, dia 05, será exibido o curta Caminhos Ciganos (2023/2024, 25’), dirigido por Aluízio de Azevedo, Rodrigo Zaiden e Karen Ferreira, e o média-metragem Debaixo das Lonas, Tudo é mais bonito! (2022, 35’), do diretor cigano circense Roi Rógeres, que participa de um debate com o público após a sessão.

Ainda na abertura, um cortejo cultural do Circo Leite de Pedras e apresentações do grupo de Maracatu de Baque Virado Buriti Nagô na Praça da Mandioca e do cantor Cris Chaves, no Mandioca Bar, animam a noite de terça-feira (05). Em Tangará da Serra, a mostra acontece no Centro Cultural, no dia 05 de junho, ao final da programação.

A Mostra Calon Lachon é um dos programas do VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso, principal ação da AEEC-MT, que desde 2017 trabalha para a valorização das culturas ciganas no estado. A programação reúne diversas atividades culturais, formativas e políticas. O evento é realizado pela Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel/MT) e o Ministério da Igualdade Racial (MIR), com financiamento por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). O projeto também conta com convênio direto da Secel/MT.

A iniciativa tem parceria com o Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH/MT) e a Secretaria de Estado de Trabalho, Assistência Social e Cidadania (SETASC/MT), além do apoio do Conselho Estadual de Igualdade Racial (CEPIR/MT), da Prefeitura de Tangará da Serra e do Instituto Cultural das Etnias Ciganas em Mato Grosso.


Exposição Diquela começa em Cuiabá e Tangará da Serra nesta terça (05.05)

Evento reúne obras fotográficas das comunidades ciganas de Tangará da Serra (foto), Cuiabá e Rondonópolis. Foto: Ju Queiroz.

Neste mês de maio, os municípios de Tangará da Serra e de Cuiabá receberão uma verdadeira caravana cigana. Trata-se da Exposição Diquela, que chega aos dois municípios marcando o dia Nacional dos Povos Ciganos (que se comemora a todo dia 24 de maio), brindando o público com obras fotográficas com pessoas de três comunidades ciganas de Mato Grosso, incluindo dos dois municípios e de Rondonópolis. A exposição reúne também pinturas em tela do artista plástico cigano, Aluízio de Azevedo.

Realizada pela Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), a Exposição Diquela integra a programação do projeto guarda-chuva VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso (2026) e também traz fotos da comunidade Nova Canaã, em Brasília e da comunidade do Bairro das Pedreiras, em Beja, Portugal.

São obras produzidas por três fotógrafas: Karen Ferreira, Ju Queiroz e Maria Clara Aquino, essa última da comunidade Calon de Tangará da Serra. Elas trazem a diversidade brasileira, além de elementos culturais marcantes dessa cultura, especialmente vinculada ao tronco étnico Calon.

Na Capital mato-grossense, a exposição ocorrerá no Ateliê Kaiardon, localizado no Centro de Cuiabá e em Tangará da Serra no Centro Cultural Pedro Alberto Tayano. E estará disponível ao público em quatro dias durante o mês de maio: 05, 15, 22 e 29.

A vernissage de abertura ocorrerá a partir de 16h, no dia 05 de maio, no Ateliê Kaiardon, Centro de Cuiabá (Rua Engenheiro Ricardo Franco, 427). Nesse dia, em específico, a exposição encerrará às 18h30, com cortejo que sai do Ateliê e segue até o Circo Leite de Pedras, também no Centro de Cuiabá, onde às 19h está prevista para começar outra programação do VI Encontro de Cultura Cigana de MT: a Mostra Calon Lachon de cinema cigano.

Já em Tangará da Serra, a abertura da Exposição Diquela será online, por meio de divulgação nas redes. As obras serão instaladas no corredor e na sala de oficinas do Centro Cultural Pedro Alberto Tayano e estarão disponíveis para visitação pública a partir do dia 04 de maio.

O encerramento da exposição ocorre no dia 05 de junho, quando haverá uma cerimônia com projeção de três filmes da Mostra Calon Lachon de Audiovisual Cigano e uma confraternização regada a coquetel. 

Selma e Cleyde da comunidade cigana de Rondonópolis. Foto: Karen Ferreira.

A Exposição Diquela tem curadoria de Rodrigo Zaiden e Aluízio de Azevedo, Direção de Arte e Artes de Tami Lage. Em Tangará da Serra, a produção local é de Aldi Rodrigues e em Cuiabá de Ebun.

Um dos eventos paralelos que integram a programação do VI Encontro de Cultura Cigana de MT ocorrem todos os anos com programações executadas nos três municípios com maiores comunidades ciganas de MT: Tangará da Serra, Rondonópolis e Cuiabá.

“A palavra Diquela na língua do tronco étnico Calon, a Chibe, pode ser traduzida como “Veja”. A escolha por este nome para representar a exposição que apresentamos como parte da programação do VI Encontro de Cultura Cigana de MT, edição 2026, se deu justamente para que quem é não-cigano “veja” que existem pessoas e comunidades ciganas circulando e vivendo em Mato Grosso há quase 100 anos”, explica o curador da exposição, Aluízio de Azevedo.

O projeto é patrocinado por meio de parceria da Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso (Secel-MT) e o Ministério da Igualdade Racial (MIR), por meio de parceria com o PNUD/ONU.

Serviço: Lançamento Exposição Diquela em Cuiabá

Quando: Vernissage de abertura entre 16h às 18h30 no dia 05 de maio (terça-feira) e nos dias 15, 22 e 29 (sextas), entre 16h e 21h.

Onde: Ateliê Kaiardon (Centro de Cuiabá, Rua Engenheiro Ricardo Franco, 427)

Horário: 16h

Serviço: Abertura Exposição Diquela Tangará da serra

Quando: 04 de maio (segunda-feira)

Onde: Centro Cultural Pedro Alberto Tayano

Horário comercial: 08h às 17h



quarta-feira, 29 de abril de 2026

Seminário debate direitos humanos dos povos ciganos no VI Encontro de Cultura Cigana de MT

Evento reúne representantes do movimento social cigano e instituições públicas para discutir políticas voltadas às comunidades ciganas. Foto: Maria Clara Aquino.

Como novidade do VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso, o I Seminário Estadual de Direitos Humanos dos Povos Ciganos de MT marca a importância de discutirmos políticas públicas voltadas aos povos ciganos no estado. Executado em parceria com o Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH/MT) e o Conselho Estadual de Promoção de Igualdade Racial de Mato Grosso (CEPIR/MT), o seminário acontecerá na abertura do encontro no dia 1º de maio em Rondonópolis, às 9h.


O evento contará com a participação de representantes nacionais do movimento social cigano para os diálogos, com objetivo de analisar, discutir e propor soluções para a superação dos obstáculos estruturais, pela garantia de seus direitos.


No Brasil, povos ciganos de três etnias, Calons, Rons e Sintis, percorreram sua trajetória em várias regiões, contribuindo para a construção do país. Entretanto, seus modos de vida, linguagens, liberdade e tradições foram alvo de discriminação e preconceitos que percorreram até os dias atuais. Com idealizações errôneas sobre sua cultura, povos ciganos são vistos de forma estereotipada. Isso contribui não apenas para o racismo em sua forma mais visível, mas também para um apagamento histórico e a falta de acesso a políticas públicas que abracem a visão de mundo dos povos ciganos.


A cultura distorcida pela visão eurocêntrica no país e as políticas colonialistas no decorrer da história dos povos ciganos, prejudicaram a existência dessas comunidades. O nomadismo, que é frequentemente ligado à cultura cigana, por exemplo, foi na maioria das vezes, frutos da aplicação de leis e políticas de expulsão. Essa e outras violências ficaram obscurecidas na história do nosso país, evidenciando apenas as narrativas criadas por não-ciganos.

 

O I Seminário Estadual de Direitos Humanos dos Povos Ciganos de Mato Grosso almeja reparação histórica aos que resistem ainda hoje, acesso à educação, à saúde, à moradia digna e respeito às suas identidades culturais, considerando formas próprias de organização social e política. Apesar de já existir discussões de políticas públicas eficientes para comunidades tradicionais no Brasil, comunidades ciganas ainda são minoria no recebimento dessas iniciativas e não estão em evidência na maioria dos estudos e estatísticas nacionais.


Evento é realizado em parceria com o Conselho Estadual de Direitos Humanos de Mato Grosso (CEDH). Arte: Tami Gondo. 

Neste VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso, o Seminário receberá a conselheira nacional de Igualdade Racial, Edvalda Bispo dos Santos, a representante dos povos ciganos no Comitê Gestor criado para acompanhar o Plano Nacional de Políticas Públicas para Povos Ciganos, Lourdes Correia. Os dois órgãos são vinculados ao Ministério da Igualdade Racial, que neste ano é um dos patrocinadores principais do Encontro. Membros do Coletivo Ciganagens também participarão do evento: Roi Rógeres, Sara Macedo e Desirèe Almdeida. 

Desde 2017, o VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso, realizado pela AEEC-MT e, desde a 3ª edição (2021), em parceria com a Secel-MT, promove atividades como essa em Rondonópolis, Cuiabá e Tangará da Serra, com o objetivo de salvaguardar, valorizar, reconhecer, registrar e disseminar as culturas ciganas e seus bens imateriais. A iniciativa busca proporcionar intercâmbio cultural entre as comunidades ciganas, fortalecer as trocas intergeracionais entre crianças, jovens, adultos e anciãos, além de ampliar as discussões sobre seus direitos.

Texto: Lívia Freire
Foto: Maria Clara Aquino
Arte: Tami Gondo

VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso

Música, dança e teatro, seminário de direitos humanos, encontro de mulheres e atividades para o público infantil integram a programação do evento.
Foto: Maria Clara Aquino

O Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso é um projeto guarda-chuva, que ocorre ao longo do ano, de forma presencial e virtual, nos três maiores municípios com comunidades ciganas de MT (Rondonópolis, Tangará da Serra e Cuiabá).  

As programações principais do evento são concentradas no mês de maio, marcando o Dia Nacional dos Povos Ciganos (24 de maio). Em 2026, a maior etapa presencial ocorrerá entre os dias 01, 02 e 03 de maio, no município de Rondonópolis (a 220 km de Cuiabá), com a presença de 150 convidados/as ciganos de seis municípios de MT, além de seis convidados ciganos nacionais, vindos de outros Estados.

O Encontro presencial em Rondonópolis terá uma programação recheada. Algumas delas já clássicas, como o IV Encontro de Mulheres Ciganas de Mato Grosso, que conta com a oficina de medicina tradicional com a mestra da cultura mato-grossense, Maria Divina Cabral. Outra programação no local será a Mostra Calon Lachon, que promove a exibição de filmes com a temática cigana e preferencialmente produzidos por pessoas ciganas. Pensando na participação integral das mães, o evento terá uma programação especial para crianças e adolescentes, com várias oficinas, como de natação e de fotografia.

Evento será a vertente política do VI Encontro de Cultura Cigana de MT. Arte: Tami Gondo.

Uma das novidades deste ano do encontro presencial em Rondonópolis, será a realização do I Seminário Estadual de Direitos Humanos dos Povos Ciganos de Mato Grosso. O evento paralelo é executado em parceria com o Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH/MT) e o Conselho Estadual de Promoção de Igualdade Racial de Mato Grosso (CEPIR/MT).

O Seminário contará com a participação de representantes nacionais do movimento social cigano, como a conselheira nacional de Igualdade Racial, Edvalda Bispo dos Santos e a representante dos povos ciganos no Comitê Gestor criado para acompanhar o Plano Nacional de Políticas Públicas para Povos Ciganos, Lourdes Correia. 

Os dois órgãos são vinculados ao Ministério da Igualdade Racial (MIR), que neste ano é um dos patrocinadores principais do Encontro, por meio de aprovação no Processo Seletivo do Edital nº 01/2025, no âmbito Secretaria de Políticas Para Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Povos de Terreiros e Ciganos do Ministério da Igualdade Racial/PNUD BRA/24/009 – Apoio à implementação da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola, e fortalecimento dos povos ciganos, de matriz africana e de terreiros. 

Membros do Coletivo Ciganagens, o cigano circense, Roi Rógeres (Salvador - BA), a advogada popular, Sara Macedo (Goiânia - GO)  e Desirèe Almdeida Matos (Rio de Janeiro - RJ) também participarão do evento.

Os encontros de cultura cigana de MT ocorrem anualmente, sempre no mês de maio, entre Rondonópolis, Tangará (foto) e Cuiabá. Foto: Ju Queiroz.

Núcleo de Artes Cênicas – Tradição Cigana - Outra novidade da programação do VI Encontro de Cultura Cigana de MT neste ano, em Rondonópolis, será a participação especial das integrantes do Projeto de Formação em Teatro “Rarripe – Ciganos em Cena”. A vivência reúne 13 mulheres ciganas da comunidade de Rondonópolis. Este é o primeiro grupo de teatro cigano composto exclusivamente por atrizes ciganas do Brasil.

Os encontros do Rarripe ocorrem desde o dia 07 de fevereiro deste ano, todos os sábados, encerrando o primeiro módulo no dia 30 de abril, com pelo menos 12 encontros presenciais. Já está prevista a continuidade do curso no segundo semestre deste ano, por meio de um convênio de apoio direto da Secel/MT.

13 mulheres ciganas da comunidade de Rondonópolis estão experimentando o teatro pela primeira vez. Foto: Aluízio de Azevedo.

A vivência é composta por várias oficinas e temas relacionados às áreas técnicas do teatro e artes cênicas, como iluminação, som, cenário e figurino e de iniciação ao teatro. Ao final, será construída uma peça montada com a temática cigana para o grupo se apresentar em eventos não apenas ciganos, como também outros eventos artísticos e culturais.

As pessoas participantes do Rarripe farão algumas intervenções teatrais durante a programação do evento no município, entre os dias 01 e 02 de maio. A maioria das atrizes do grupo são mulheres com idades acima de 50 anos.“Rarripe” na língua Chibe do tronco étnico Calon pode ser traduzida como “ilusão” ou “ficção” ou “mentira”. O nome foi escolhido, para também quebrar os estereótipos e preconceitos seculares em torno das pessoas ciganas, que são grandes mentiras inventadas e que, infelizmente, ainda permeiam o senso comum e o imaginário da sociedade não-cigana.

Além disso, também já está prevista a participação do grupo de danças Tradição Cigana, que vem ensaiando desde março para apresentar de forma coletiva e com apresentações individuais.

Núcleo de artes cênicas ofertou vivência em teatro e curso de dança cigana no primeiro semestre de 2026. Foto: Aluízio de Azevedo.

Ancestralidade Viva – Do ponto de vista virtual, o principal produto é a campanha Maio Cigano, que ocorre durante os 30 dias do mês e tem como objetivo valorizar a história e cultura ciganas, bem como combater estereótipos, preconceitos e racismo contra os povos ciganos – o anticiganismo ou ciganofobia. Na campanha em 2025 (quinta edição) alcançamos a incrível marca de 50.000 views na página do Insta da AEEC/MT (https://www.instagram.com/aeecmt/). Neste ano, a meta é ultrapassar as 60 mil visualizações.

Objetivos - Já tradicional no Estado, o encontro nasceu em Cuiabá em 2017, com o nascimento da AEEC-MT e desde a 3ª edição (2021) conta com parceria fixa e anual da Secel-MT. Neste ano, parte do evento é realizado com recursos de um convênio direto da pasta e também por meio do Edital de Seleção Pública Nº 24/2024/SECEL/MT – Rede Estadual de Pontos de Cultura de Mato Grosso – Cultura Viva do Tamanho do Brasil – Fomento à Projetos Continuados de Pontos de Cultura – Edição Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura – PNAB I, Processo – Secel-PRO-2024/09183, Termo de Compromisso Cultural Nº 24/2025/01731.

Evento entrou no calendário cultural do Estado. Arte: Tami Gondo.

Trata-se da principal ação para cumprir a missão da AEEC-MT, que é justamente salvaguardar, valorizar, reconhecer, registrar e disseminar as culturas ciganas e seus bens imateriais, saberes, histórias, memórias, modos de vida e organização socioculturais, organização política, rituais e mitologias.

Um dos objetivos principais é garantir aos diversos públicos ciganos mato-grossenses o acesso a meios de fruição e aparatos de lazer e cultura. A ideia é proporcionar intercâmbio cultural entre as comunidades ciganas e facilitar intercâmbio intergeracional, entre nossas crianças, jovens, adultos e anciãos, despertando o orgulho em ser cigano nas comunidades.

Vitrine principal da AEEC, os Encontros de Cultura são produzidos por uma equipe composta em sua maioria por profissionais de origem cigana, inclusive as coordenações geral e adjunta. Garantimos que pelo menos 50% dos profissionais contratados para execução do projeto pertencem às etnias ciganas.

Outro objetivo importante é estimular o protagonismo social das pessoas ciganas, valorizando artistas e mestres da cultura, de maneira a visibilizar as manifestações culturais ciganas já existentes nas comunidades e potencializá-las financeiramente e comunicacionalmente, na sua divulgação.

Além disso, o projeto visa: construir novos e melhorados imaginários sociais acerca dos povos ciganos, a partir dos próprios olhares e vozes ciganas, com o registro e difusão de suas memórias, narrativas, iniciativas identitárias, valores e tradições, quebrando estereótipos e preconceitos e ampliando os instrumentos de combate ao racismo contra os povos ciganos, definido como anticiganismo.

Uma das principais ações do evento é a campanha Ancestralidade Viva que valoriza os anciãos e anciãs ciganas, como a Calin Olga Alves de Matos Cruz (vestido de bolinha). Foto: Jeomara Viegas.

Programação Diversificada - Os eventos agregam uma programação diversificada, com ações paralelas, como a “Mostra Calon Lachon de Audiovisual (quarta edição)”, a “Exposição Diquela” (segunda edição), a campanha de comunicação para as redes sociais “Maio Cigano” (sexta edição) e um grande encontro presencial reunindo em torno de 150 pessoas nas quatro últimas edições (2023, 2024, 2025 e 2026).

Em 2026, o grande encontro do Festival será em Rondonópolis, quando ocorrerão movimentos políticos, discussões sobre políticas públicas e oficinas de saberes ciganos, como medicina tradicional, dança cigana e língua cigana, etc. A Mostra Calon Lachon, em 2026, ocorrerá em Cuiabá e em Rondonópolis, reunindo os principais filmes e vídeos produzidos por cineastas ciganos de MT e de outros Estados. Em Rondonópolis, a mostra acontece durante três dias integrando a programação do grande encontro presencial.

Em Cuiabá, a Mostra começará no dia 05 de maio, com uma exibição no Circo Leite de Pedras, a partir de 19h, com a presença do Diretor cigano circense, Roi Rógeres Fernandes Filho. Além disso, a mostra ocorrerá em outras três datas, sempre às sextas-feiras do mês de maio: 15, 22 e 29, sempre às 19h, no Ateliê Kaiardon, localizado no Centro de Cuiabá.

Exposição ocorre pelo segundo ano consecutivo, em Cuiabá (foto de 2024) e pela primeira vez em Tangará da Serra. Foto: Maria Clara Aquino.

Aliás, o espaço também receberá a Exposição Diquela durante o mês de maio, quando nesses dias também estará aberta à visitação pública. A Abertura também ocorrerá no dia 05 de maio, a partir das 16h. Integrando a Exposição Diquela e a Mostra Calon Lachon, no mesmo dia, a partir de 18h30 acontecerá um cortejo que sairá do ateliê e irá até o Circo Leite de Pedras.

Já em Tangará da Serra, tanto a Exposição Diquela quanto a Mostra Calon Lachon, acontecerão no Centro Cultural da cidade, acolhendo trabalhos fotográficos, instalações, poesias e videoarte com a temática cigana e que, preferencialmente, sejam de autoria de pessoas ciganas. A exposição abrirá no dia 04 de maio e permanecerá aberta no município até o dia 05 de junho, quando encerra com exibição de filmes da Mostra Calon Lachon, no anfiteatro do Centro Cultural.

Texto: Aluízio de Azevedo

sábado, 11 de abril de 2026

Estudo da USP mapeará genética dos povos ciganos brasileiros

Genética das Populações Ciganas do Brasil:A História dos Ciganos recontada pela genética. Ministério da Saúde financia projeto.

Os povos ciganos brasileiros integrarão a próxima etapa do projeto de DNA do Brasil. Executada no país pela Universidade de São Paulo (USP), o projeto que iniciou em 2017 e visa realizar um mapeamento do genoma dos brasileiros, inclui suas principais diversidades e tem como meta é alcançar pelo menos 20 mil pessoas no país. O estudo conta com o financiamento do Ministério da Saúde do Brasil e o banco de dados tem gestão da USP com o órgão.

Capitaneado pelas cientistas Lygia da Veiga Pereira e Tábita Hünemeier, a pesquisa "DNA do Brasil" tem como objetivo mapear a diversidade genética do país e aprimorar a medicina personalizada baseada em genômica, quando aplicada a populações brasileiras de etnia mais plural.

Junto aos povos de etnias ciganas, os Calon, os Rom e os Sinti, a pesquisa tem como título "Desvendando a história populacional dos Ciganos americanos através da análise da diversidade de todo o genoma”.

Com essa população que está espalhada por todo o país e estão por aqui desde os primórdios da colonização portuguesa, especialmente os Calon, o projeto conta om a parceria da Davi Comas Matinez, da Universitat Pompeu Fabra (Barcelona-Espanha), que se dedica a estudar os povos ciganos da Europa, sua origem e saúde. A meta é coletar amostras de pelo menos 300 pessoas ciganas de vários estados e regiões brasileiras.

Para tratar sobre o mapeamento genético dos povos ciganos e explicar sobre o processo, Tábita Hünemeier, David Comas e outros pesquisadores do projeto realizaram nos últimos dias 08 e 09 de abril, no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, o seminário “Genética das Populações Ciganas do Brasil – História, Diversidade e Saúde”.

O encontro, que ocorreu no Dia Internacional dos Povos Ciganos, que se comemora a todo dia 08 de abril, reuniu ativistas do movimento cigano de vários Estados Brasileiros como Mato Grosso, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Bahia. Entre eles, o gestor de projetos da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), Aluízio de Azevedo.

O projeto busca desvendar as origens, a ancestralidade e os processos evolutivos únicos da população Cigana. A colaboração e o conhecimento compartilhado por lideranças e representantes locais são os pilares que garantem que esta pesquisa seja realizada de forma ética, respeitosa e com impacto positivo para os povos ciganos.

O principal objetivo do evento técnico-científico foi discutir detalhes sobre como será as coletas e autorizações para realização do mapeamento genético das etnias ciganas brasileiras.

O encontro também contou com a presença de outros 10 pesquisadores do projeto e na ocasião a equipe coordenadora apresentou o histórico do projeto do genoma brasileiro, que já teve resultados e publicações bastante interessantes, além de falar sobre um histórico de como foi o mapeamento genético dos povos ciganos europeus.

A partir da pesquisa em Espanha foi confirmada uma origem comum no noroeste da Índia, cuja migração iniciou por volta do ano mil da era cristã e depois no século XIII já estavam nos Balcãs, para na sequência se espalhar por todos os países europeu, incluindo Portugal e Espanha a partir do século XV.

Pesquisadores David Comas e Tábita Hünemeier (à direita de camisa branca)coordenam o projeto

Resultados do Brasil

Maior mapeamento feito até hoje sobre o DNA de brasileiros, o projeto DNA do Brasil sequenciou o genoma de 2.700 pessoas e revelou mais de 8,7 milhões de variantes de genes humanos que ainda não eram conhecidas. O trabalho, que mostra como a história do Brasil se imprimiu na biologia de sua população, ganhou destaque na edição desta semana da Science, a revista científica mais disputada do mundo.

A pesquisa, publicada nesta quinta-feira (15) na revista Science, analisou todas as bilhões de bases de cada uma das 2,7 mil pessoas. O resultado mostrou que o DNA do brasileiro é como um mosaico por causa das ancestralidades e, por isso, o mais diverso do mundo.

Para se ter uma ideia, os pesquisadores encontraram 8,7 milhões de variações genéticas que nunca tinham sido catalogadas. Entre elas, genes associados a doenças como pressão alta, colesterol alto, obesidade, malária, hepatite, gripe, tuberculose, salmonelose e leishmaniose.

Saiba mais: https://g1.globo.com/saude/noticia/2025/05/15/pesquisa-analisa-dna-do-brasileiro-e-descobre-que-pais-tem-a-maior-diversidade-genetica-do-mundo-veja-na-sua-regiao.ghtml

Texto: Aluízio de Azevedo

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC/MT