quarta-feira, 4 de novembro de 2026

05 de Novembro é o dia Internacional da Língua Romani

Proclamada pela UNESCO, a data impulsiona ações de conservação das línguas ciganas e combate ao anticiganismo

Cuiabá (MT) — Celebrado anualmente no dia 5 de novembro, o Dia Internacional da Língua Romani representa um marco fundamental para a preservação cultural, a valorização linguística e o combate permanente ao anticiganismo. A data integra o calendário global como um instrumento de garantia dos direitos humanos e de salvaguarda do patrimônio imaterial da humanidade.

A data foi proclamada oficialmente durante a 38ª Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, atendendo a uma articulação histórica iniciada em 2009 na cidade de Zagreb, na Croácia. Na ocasião, pesquisadores, ativistas e lideranças ciganas formalizaram a necessidade urgente de proteger e documentar o idioma.

Para consultar o documento institucional e a página temática da instituição, acesse a publicação oficial da UNESCO sobre o Dia da Língua Romani (https://www.unesco.org/en/days/romani-language).

No Brasil, os órgãos federais de promoção da igualdade racial e as instâncias públicas de direitos humanos alinham-se a essa diretriz para respaldar as especificidades étnicas dos povos ciganos.

A trajetória histórica da língua romani reflete a própria jornada de sobrevivência dessas populações ao longo do tempo. Estudos da linguística histórica confirmam que o idioma possui matriz indo-europeia e derivação direta do antigo sânscrito.

A partir do século XI, com as intensas rotas migratórias originadas no subcontinente indiano em direção ao Oriente Médio e à Europa, o idioma incorporou vocábulos de diferentes regiões. Esse processo resultou nos desdobramentos e variantes linguísticas faladas atualmente em todo o mundo.

Salvaguarda da Memória e a Valorização do Chibe no Território

No contexto do Brasil, a Chibe, falada pelos Calon brasileiros, que é uma das variações do Romani com o Espanhol e Português, exerce a função primordial de pátria imaterial e também de proteção. Transmitido tradicionalmente pela oralidade ao longo de gerações, o idioma atua como o principal código de coesão comunitária, preservando valores morais, narrativas ancestrais e o sentimento profundo de pertencimento.

Em territórios como o Estado de Mato Grosso, onde as populações ciganas enfrentaram historicamente processos contínuos de invisibilização e violência simbólica, o fortalecimento do Chibe constitui uma estratégia central de autoafirmação e de defesa da memória coletiva.

Alinhada aos compromissos internacionais e às políticas públicas de promoção da equidade, a Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT) desenvolve ações diretas de salvaguarda linguística com impacto territorial imediato.

Exemplo marcante dessa atuação ocorreu no município de Tangará da Serra com a realização da Oficina de Chibe: Reavivando a Língua Calon - Módulo II. A iniciativa reuniu mestres da tradição oral, jovens e lideranças comunitárias para sistematizar saberes, incentivar o uso fluente do idioma no cotidiano e produzir material pedagógico próprio para o fortalecimento da identidade cultural.

A promoção e o respeito às línguas de tradição oral como o Chibe são indissociáveis da efetivação de políticas públicas estruturantes nas áreas de saúde, educação, cultura e assistência social. Reconhecer a relevância do 5 de novembro significa garantir a autonomia das comunidades ciganas na construção de sua própria história e no enfrentamento às desigualdades.

Para conhecer os projetos de preservação, as publicações institucionais e a agenda de ações desenvolvidas em todo o estado, visite o portal da AEEC-MT (https://www.aeec.org.br/).

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

AEEC leva demandas dos povos ciganos à presidente da Câmara de Cuiabá Paula Calil

 

Encontro aconteceu no gabinete da vereadora, na Câmara Municipal de Cuiabá.

A diretoria da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), representada pela presidente, Taize Aracelli Caiado Siqueira, participou na manhã desta quarta-feira, de reunião com a presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, a vereadora Paula Calil (PL).

A conselheira da AEEC-MT e o Assessor para Ciência e Comunicação da instituição, respectivamente, Fernanda Caiado e Aluízio de Azevedo, também participaram do encontro, que ocorreu no gabinete da presidente da Câmara, localizada na sede do legislativo municipal cuiabano, na Rua Barão de Melgaço, centro de Cuiabá.

Na pauta da reunião, os representantes da AEEC-MT apresentaram o histórico e a realização de projetos sociais, culturais e atuação política e científica da instituição, que nasceu em 2017 e no ano que vem completa 10 anos de fundação. Também apresentaram as principais demandas e pautas dos povos ciganos em Cuiabá e Mato Grosso e presentearam a vereadora com um kit da AEEC-MT, com o livro "Calins do Cerrado - Medicina e Sabedorias Ciganas" (2025), uma garrafada preparada pela mestra da cultura mato-grossense, a raizeira Calin Maria Divina Cabral, a mestra Diva e um leque.

Uma das principais demandas foi o apoio do Legislativo Municipal Cuiabano à realização do VII Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso, que no ano que vem ocorrerá no mês de maio, em Cuiabá, marcando o Dia Nacional dos Povos Ciganos, que se comemora a todo dia 24 de maio.

Além disso, outra possibilidade foi a proposta da Vereadora Paula Calil em conceder o título de utilidade pública à AEEC-MT, por meio de uma solicitação do seu mandato ao Legislativo Municipal. De acordo com a presidente da AEEC-MT, “o encontro com a Paula foi muito produtivo”.

 “Conseguimos mostrar questões importantes para os povos ciganos e solicitar ajuda para quebrar estereótipos e preconceitos seculares contra nossas etnias. A vereadora acolheu nossas demandas, entendeu nossos propósitos e inclusive sugeriu esse reconhecimento público pelos trabalhos que estamos desenvolvendo há quase 10 anos pela AEEC-MT” no combate ao racismo contra as pessoas ciganas e a promoção da inclusão social de nossas etnias, destacou Taize.

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

terça-feira, 3 de novembro de 2026

Escritoras e escritores ciganos lançam 12 novos livros nos dias 10 e 11 de novembro

A iniciativa protagoniza autores ciganos de literatura infantojuvenil, reunindo narrativas de autores Sinti, Calon e Rom, acompanhada de rodas de conversa nos dias 10 e 11 de novembro na UFG


Nos próximos dias 10 e 11 de novembro de 2026 (terça e quarta-feira), o Centro de Cultura e Eventos Professor Ricardo Freua Bufáiçal, na Universidade Federal de Goiás sediará o lançamento da Coleção Tranças. Trata-se de uma iniciativa inédita que reúne 12 escritores e escritoras ciganos das etnias Sinti, Calon e Rom para apresentar suas primeiras obras de literatura infantojuvenil.
 
O evento contará com duas rodas de conversa abertas, das 10h30 às 12h, nas quais autores e autoras ciganas de diferentes territórios do país debaterão o resgate da memória oral, a cultura falada e a presença de suas vozes no mercado editorial brasileiro. Desta maneira, coloca lideranças, pesquisadores e guardiões da tradição cigana no centro da produção literária nacional, contribuindo para o reconhecimento da memória oral dos povos ciganos e para o reconhecimento de sua contribuição à cultura brasileira.

A publicação da coleção foi viabilizada por meio do I Prêmio Nacional de Literatura Infantojuvenil Quilombola e Cigana, resultado de uma parceria entre o Ministério da Igualdade Racial (MIR), a UFG, via Projeto FDCulT e a Editora Passarinho.

No dia 10, acontece a mesa "Saberes que vivem na oralidade" reunirá autores que abordam o resgate da memória e da cultura falada. A programação conta com a apresentação de Hayanne G. Iovanovitchi (Paramitcha Tsinorrendi, escrito com Cidy Iovanovitchi), além de apresentações sobre as obras de Neiva Camargo Iovanovitchi (O conto cigano de um mundo sem fronteiras), Cícero Pereira (A Melodia de Nina) e Francisca Ilda Mangueira Lacerda (As andanças de Dodô Véio, com apresentação de Suênia Soares).

Já no dia 11, a roda "Os caminhos das nossas histórias" trará reflexões sobre a escrita, identidades e vivências ciganas. A sessão contará com a participação de Lenilson Portela (Jatobá), Pedro Bernadone Lacerda Figueiredo (Super Calon – a jornada de Randu), Sara Macêdo Kali (Camelo), Francisco Soares Figueiredo (As contadeiras de estrela, apresentado por Suênia Soares) e Marcilânia Alcântara (Dom Ramon e seu violão em: o toco e a mãe da lua).

Vozes e histórias: os autores da Coleção Tranças

As obras da coleção traduzem a riqueza de vivências das comunidades Calon, Rom e Sinti por meio da escrita sensível de seus autores e autoras. Conheça-os:

· Camelo, de Sara Macêdo Kali (Calon, GO): Advogada, professora de Direito e ativista do Coletivo Ciganagens, Sara resgata a memória oral e a coragem das mulheres de sua família no interior de Goiás por meio do realismo fantástico tradicional Calon.

· Maria do Chá, de Cauênya Vitória (Calon, PB): Jovem escritora sousense e apaixonada pelas raízes de seus antepassados, Cauênya compartilha as vivências, a força e a beleza da cultura cigana através da história de sua avó materna.

· Jatobá, de Lenilson Portela (Calon, PI): Doutorando em História do Brasil e pesquisador de temas ciganos, o autor piauiense alia o rigor acadêmico ao afeto para apresentar narrativas voltadas às infâncias e à cultura de seu povo.

· As Andanças de Dodô Veio, de Francisca Ilda (Calon, PB): Liderança feminina e guardiã das tradições ciganas em sua comunidade, Dona Ilda transmite afeto e identidade ao narrar as vivências de seus netos com foco no respeito à diversidade cultural.

· Paramitcha Tsinorrendi, de Hayanne Iovanovitchi (Rom, PR):
Advogada, pós-graduanda em Direito Penal e fundadora do Coletivo de Mulheres Ciganas do Brasil (COMCIB), a autora dedica sua escrita à preservação da memória e do patrimônio cultural Rom.

· O sonho da saia colorida, de Cândida Maria da Conceição Oliveira Cabral Teodoro (Calon, PB): Filha de lideranças ciganas de Sousa, a autora traduz em sua escrita o orgulho de sua origem, celebrando a dança e o cultivo das tradições ancestrais desde a infância.

· A menina do rancho, de Anderson Targino (Calon, RN): Advogado, mestrando em Antropologia Social e conselheiro estadual, Anderson articula sua atuação jurídica e cultural para defender os direitos do povo cigano e preservar sua memória histórica.

· A menor máscara do mundo, de Voria Stefanovsky (Sinti, Argentina/DF): Doutora em Literatura e primeira mulher romani a concluir um doutorado na América Latina, a autora resgata sua história de infância no circo para transformar memórias em literatura de superação.

· A melodia de Nina, de Cícero Romão Batista Pereira (Calon, PB): Fundador do site Raty Calon e diretor executivo nacional da Pastoral dos Nômades, Cícero utiliza a comunicação e o audiovisual para promover a inclusão e a valorização das infâncias ciganas.

· O conto cigano de um mundo sem fronteira, de Neiva Camargo Iovanovitchi (Rom, PR):
Artista circense desde a década de 1950, Neiva acumula décadas de dedicação às artes cênicas e à preservação da identidade e dos direitos históricos dos povos ciganos no Paraná.

· Super calon, de Pedro Bernadone Lacerda Figueiredo (Calon, PB): Educador físico, pedagogo e fundador da Rádio Sintonia Cigana, Pedro alia formação multidisciplinar e ativismo para difundir a identidade cigana e empoderar jovens leitores.

· A contadeira de estrela, de Francisco Soares Figueiredo (Calon, PB): Músico, escritor e liderança histórica de Sousa (PB), Francisco registra contos tradicionais e memórias da comunidade com a missão de manter vivas as raízes e os sonhos de seu povo.

Aluízio de Azevedo – Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT
Com informações do site da UFG

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Roda de diálogo Ciganos: nossa vida, nossa cultura, nossa saúde

Evento ocorreu no dia 28 de outubro integrando a programação da 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia Fiocruz

No dia 28 de outubro (quinta-feira), entre 10h e 11h, ocorreu no Salão de Referências da Biblioteca de Manguinhos da Fiocruz-RJ, a Roda de Diálogo "Ciganos: nossa vida, nossa cultura, nossa saúde".  

Aberta ao público, a Roda foi uma das atividades da 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia Fiocruz e reuniu participantes de uma pesquisa feita com uma equipe de pesquisadores ciganos.

A pesquisa “Interseccionalidades e (de) colonialidades na Política Nacional de Integração em Saúde dos Povos Ciganos: uma abordagem e um caminho para descolonizar o SUS” tem o apoio do VPPCB/PMA/Fiocruz e é coordenada pelo Laces – Laboratório de Comunicação do ICICT, sob coordenação geral da professora Inesita Araujo.

Cerca de 20 pessoas, entre elas 12 crianças, participaram da roda de diálogo, que contou com a presença de cinco pessoas ciganas da etnia Calón. Entre elas, Aluízio de Azevedo (Mato Grosso), jornalista, coordenador, que apresentou alguns resultados da pesquisa, que envolveu 100 pessoas de comunidades ciganas de cinco municípios: Camaçari (BA), Tangará da Serra (MT), Porto Real (RJ), Itumbiara (GO) e Sousa (PB).

Também participaram do evento: Sara Macedo (Goiás) advogada popular Desirèe Matos (Rio de Janeiro), professora, coordenadoras de campo, que abordaram sobre a saúde da mulher cigana; e Roi Rogeres (Bahia), artista circense e Danillo Kalón (Rio de Janeiro), artista visual, coordenadores de campo, falaram sobre arte e a cultura cigana.

O financiamento é realizado pelo Programa de Políticas Públicas e Modelos de Atenção e Gestão à Saúde (PMA) da Vice-presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB) da Fiocruz/RJ.

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

AEEC recebe certificado de parceira da Amaggi no evento Raízes que Sustentam

Presidente da AEEC-MT, Taize Aracelli Siqueira Caiado, recebe o certificado de parceira da Amaggi.  

A presidente da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), Taize Aracelli Caiado Siqueira, participou nesta quinta-feira (27/10) do Encontro Raízes que Sustentam – Pessoas, iniciativas e territórios que se movimentam”.

Realizado pela Fundação Amaggi, o evento ocorreu na Fecomércio e contou com a participação de representantes das 32 iniciativas, entre elas a AEEC-MT, que foram selecionadas e participaram do Edital de Apoio Institucional da organização, durante os anos de 2024, 2025 e 2026.

Na ocasião, a AEEC-MT e as outras 32 iniciativas que participaram do Edital receberam o certificado de parceira da Fundação Amaggi, além de participar de um dia cheio de atividades e programações, trocas de experiência, aprendizado e confraternização entre os participantes.

Representantes de iniciativas que participaram do evento Raízes que Sustentam.

O evento contou com a participação de várias analistas de projetos sociais da Amaggi, entre elas Josandra Rocha e Lupita Silva que acompanharam as iniciativas durante todo o percurso formativo e de incentivo financeiro para implementação de seus Planos de Desenvolvimentos Institucionais (PDIs) para os anos de 2025 e 2026.

Também contou com a participação da consultoria da empresa Ponte a Ponte, que fez o acompanhamento e monitoramento da Fundação Amaggi junto aos PDIs das iniciativas.

De acordo com a presidente da AEEC-MT, o encontro “foi maravilhoso”, pois teve a oportunidade de conhecer várias associações de Mato Grosso e de outros Estados como Rondônia. Para ela:

“Foi muito legal, muito interessante a história de cada uma, de muita luta, de pessoas e coletivos diferentes. Também conheci os gestores e analistas da Fundação Amaggi, que são todos maravilhosos, proporcionando um ambiente descontraído, de confraternização, mas também de muito aprendizado. E, pude mostrar um pouquinho da cultura cigana, lendo o Pai nosso em Chibe, a nossa língua da etnia Calon numa dinâmica do encontro”.

PDI AEEC-MT 2025/2026

A principal ação da AEEC-MT para implementação do seu PDI 2025/2026 foi o programa Gambira, que tem como objetivo principal a formação de pessoas ciganas para fortalecer a gestão e execução de projetos, captação e gestão de recursos, planejamento e melhoria de processos da instituição.

O Gambira vem sendo executado por meio de uma parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG) e foi didivido em quatro ciclos. O primeiro e o segundo ciclos foram executados em 2025, quando de forma online, foram ofertadas formações para 20 pessoas ciganas de todo o Brasil durante todo o ano.

Presidente da AEEC, com as analistas de projetos sociais da Fundação Amaggi, Josandra Rocha (esquerda) e Lupita Silva (direita), durante Encontro Raizes.

No primeiro semestre o programa focou em ofertar workshops e formações voltadas para gestão e planejamento e sustentabilidade de organizações sociais. No segundo ciclo, aprofundamos no audiovisual, com oficinas de direção, fotografia, roteiro, produção, edição. Também ofertamos uma oficina de acessibilidade em projetos sociais e culturais.

O terceiro e quarto ciclo do programa Gambira ocorrem neste ano de 2026. No primeiro semestre, ofertamos duas bolsas de estudos para os dois estudantes que mais presença tiveram no ano de 2025. Já neste segundo semestre, estamos ofertando aulas de dança para a comunidade cigana de Tangará da Serra e Rondonópolis e aulas de teatro para a comunidade cigana de Rondonópolis.

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

domingo, 25 de outubro de 2026

Nota de Pesar Fernando Carlos Angola

 
Fernando Carlos Angola: 05/10/1981 a 25/10/2026

Com muito pesar e consternação, a AEEC-MT comunica o falecimento de Fernando Carlos Angola, um de seus mais ativos e destacados membros.

Fernando fez a passagem neste domingo (25/10), após quatro dias internado, devido a complicações de um grave acidente de moto que sofreu na última quarta-feira (22/10).

Filho de Orceni Rodrigues Angola e Daniel Carlos Angola, duas das mais antigas lideranças da comunidade cigana de Tangará da Serra (240 km de Cuiabá), ele era professor da rede municipal de ensino de Juína (800 km da capital), de onde também foi diretor das escolas rurais por vários anos.

Expressamos os nossos mais sinceros sentimentos a toda família enlutada, em especial, aos dois filhos, Vitória e Samuel, as irmãs Adriana e Aldi e aos pais Orceni e Daniel.

Que Deus conforte os corações de toda família enlutada!

O velório será realizado uma parte em Juína, até por volta de 20h deste domingo, onde Fernando era muito querido por toda a cidade e outra parte, pela manhã de segunda-feira (26/10), no município de Tangará da Serra, onde ele nasceu em 05/10/1981, era uma referência e será enterrado.

A última participação de Fernando em um evento da AEEC-MT ocorreu no último sábado (17/10), na Oficina de Chibe: Reavivando a Língua Calon, que ocorreu em Tangará da Serra.

Como sempre, ele participou ativamente, brincando, interagindo com todas as pessoas, parecendo que estava se despedindo da sua comunidade e de seus parentes mais queridos.

Descanse em paz Fernando, sentiremos saudades eternas!

Diretoria da AEEC-MT


sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Roda de diálogo Ciganos: nossa vida, nossa cultura, nossa saúde

Evento ocorre no dia 28 de outubro entre 09h e 10h e integra a programação da 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia Fiocruz

No próximo dia 28 de outubro (quinta-feira), entre 09h e 10h, no Salão de Referências da Biblioteca de Manguinhos da Fiocruz-RJ, acontecerá a Roda de Diálogo "Ciganos: nossa vida, nossa cultura, nossa saúde".  

Aberta ao público, a Roda é uma atividade da 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia Fiocruz e reúne participantes de uma pesquisa feita com uma equipe de pesquisadores ciganos.

A pesquisa “Interseccionalidades e (de) colonialidades na Política Nacional de Integração em Saúde dos Povos Ciganos: uma abordagem e um caminho para descolonizar o SUS” tem o apoio do VPPCB/PMA/Fiocruz e é coordenada pelo Laces – Laboratório de Comunicação do ICICT.

Para conversar com os presentes, estarão na roda 5 pessoas ciganas da etnia Calón:

Aluízio de Azevedo (Mato Grosso), jornalista, coordenador, que falará sobre resultados da pesquisa, que envolveu 100 pessoas de comunidades ciganas de cinco municípios: Camaçari (BA), Tangará da Serra (MT), Porto Real (RJ), Itumbiara (GO) e Sousa (PB);  

Sara Macedo (Goiás) advogada popular Desirèe Matos (Rio de Janeiro), professora, coordenadoras de campo, que falarão sobre a saúde da mulher cigana;

Roi Rogeres (Bahia), artista circense e Danillo Kalón (Rio de Janeiro), artista visual, coordenadores de campo, falarão sobre arte e a cultura cigana.

O financiamento é realizado pelo Programa de Políticas Públicas e Modelos de Atenção e Gestão à Saúde (PMA) da Vice-presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB) da Fiocruz/RJ.

Serviço:

O quê: Roda de Diálogo — "Ciganos: nossa vida, nossa cultura, nossa saúde"

Quando: 28/10/2026 (quarta-feira), das 09h às 10h

Onde: Salão de Referências da Biblioteca de Manguinhos (Fiocruz – RJ)

Entrada: Aberta ao público

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Uninter oferece curso sobre cultura cigana e direitos humanos

Iniciativa busca combater estereótipos, capacitar profissionais de diversas áreas e promover o respeito à diversidade cultural por meio de atividades presenciais e remotas.

CURITIBA — O Centro Universitário Internacional Uninter está com inscrições abertas para o curso de extensão "Cultura Cigana entre o imaginário, o anticiganismo e os direitos". 

Com carga horária de 20 horas e certificação gratuita para os participantes que obtiverem aproveitamento com nota igual ou superior a 70, a formação tem como principal objetivo conscientizar o público sobre os preconceitos enfrentados pelas comunidades ciganas e orientar acerca de seus direitos.

Sob a condução da Doutora Thiana Maria Becker, o curso propõe uma imersão crítica para além dos estereótipos tradicionais. 

A proposta pedagógica destaca que conhecer a história e a organização social, cultural e familiar dos povos ciganos é fundamental para compreender as dinâmicas da discriminação e ampliar a capacidade das instituições no oferecimento de um atendimento adequado e respeitoso.

Combate ao preconceito e fortalecimento de direitos

A programação acadêmica abordará de que maneira o conhecimento produzido e compartilhado pelas instituições pode atuar ativamente no combate ao preconceito institucional e no fortalecimento do acesso a direitos fundamentais.

A iniciativa é voltada tanto para o público interno da instituição quanto para a comunidade externa — incluindo estudantes, docentes, pesquisadores e profissionais, com enfoque naqueles que atuam ou atuarão diretamente com populações ciganas nas áreas de Educação, Saúde, Segurança Pública, Serviço Social e Direito, entre outras.

Estrutura curricular e formato híbrido

O curso está estruturado em três momentos formativos distintos, combinando transmissão digital e encontros presenciais em Curitiba. As atividades têm início com uma realização em estúdio transmitida via Zoom, possibilitando ampla participação interativa da comunidade acadêmica.

Na sequência, no dia 29 de outubro de 2026, ocorre a palestra presencial no Edifício UNINTER Polos Batel (Sala 24), aberta ao público interno e externo para fortalecer a visibilidade da temática.

Por fim, o ciclo é complementado por uma atividade presencial no Polo CIC, promovendo a aproximação direta com a comunidade local e expandindo os espaços de reflexão sobre as contribuições da cultura cigana para a sociedade.

Serviço

Evento: Curso de Extensão Cultura Cigana entre o imaginário, o anticiganismo e os direitos

Investimento: Gratuito

Carga horária: 20 horas

Certificação: Mediante participação e nota

Docente responsável: Doutora Thiana Maria Becker

Público-alvo: Público interno da Uninter e comunidade externa (estudantes, docentes, pesquisadores e profissionais, em especial das áreas de Educação, Saúde, Segurança Pública, Serviço Social e Direito)

Locais presenciais: Edifício UNINTER Polos Batel (Sala 24) e Polo Curitiba - CIC

Inscrições e Informações: Disponível no portal de extensão da UNINTER.

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT - Texto criado com ajuda de IA

 

Fundação Secretariado Gitano alerta que o anticiganismo continua vigente

A Fundação Secretariado Gitano alerta na Extremadura que o antigitanismo continua vigente e reclama um Pacto de Estado contra os discursos de ódio.

A diretora da Fundação Secretariado Cigano na Extremadura, Mercedes Moreno, sublinhou esta terça-feira que "o antigitanismo não é um problema do passado", mas uma realidade atual na qual "a discriminação" continua presente em relação à população cigana no acesso a bens e serviços, pelo que reivindicou a implementação de um Pacto de Estado contra os discursos de ódio que sofrem.

Moreno lançou este apelo durante a apresentação do XXI Relatório Anual "Discriminação e Comunidade Cigana" 2025, realizada na Assembleia da Extremadura. O documento compila 399 situações de discriminação contra pessoas ciganas em todo o território nacional, 25 delas na Extremadura, em um ano "especialmente relevante" em que se comemoravam 600 anos de presença do povo cigano na Península Ibérica.

O relatório detalha 118 casos de discursos de ódio nas redes sociais e 82 incidentes relacionados ao acesso a bens e serviços, com especial incidência em comércios e supermercados, onde ocorrem episódios de "hipervigilância" e "acusações infundadas" de roubo. Além disso, são registrados 48 casos de discriminação em meios de comunicação.

No âmbito laboral, foram detectados 35 casos, tanto por negativas a contratar como por não superar o período de experiência, e 25 no sistema educativo, na sua maioria pela não admissão de alunos ciganos em centros escolares "com todo tipo de desculpas".

O documento também registra 15 casos de discriminação no acesso à saúde e 45 relacionados com a habitação, principalmente pela negativa em alugar imóveis devido à condição de ciganos das pessoas solicitantes.

"Uma realidade cotidiana" que vulnera direitos

Durante sua intervenção, a responsável pela Fundação Secretariado Cigano na Extremadura destacou que "mais um ano" o relatório evidencia que "a discriminação e o antigitanismo não são um problema do passado, mas sim realidades cotidianas", quando "deveriam deixar de ser".

Insistiu que "a discriminação continua presente" em relação às pessoas ciganas no acesso a bens e serviços, nas redes sociais e no mercado de trabalho, o que, em sua opinião, "limita os projetos de vida de milhares de pessoas pelo mero fato de sua origem étnica".

Os 399 casos documentados em 2025 "refletem que apesar do avanço normativo e dos compromissos das instituições, a igualdade real e efetiva continua sendo uma meta a ser alcançada", ressaltou Moreno, que avisou que "cada caso registrado representa uma violação de direitos e uma experiência de exclusão" que afeta uma pessoa cigana e "coarta oportunidades".

Nessa linha, sublinhou que o relatório "não só recolhe cifras e casos", mas constitui "um chamado à ação para que todas as instituições públicas e a sociedade como um todo redobrem o esforço na defesa dos direitos humanos e da igualdade de tratamento".

Moreno lembrou que "por trás de cada caso e cada porcentagem sempre há um rosto e há uma família a quem são vulneradas as dignidades humanas", e apontou que existem muitas formas de discriminação que não são denunciadas e que "acontecem todos os dias", como quando o vigilante de um supermercado segue uma pessoa cigana ou quando uma criança não tem acesso à escola que deseja.

Diante desse cenário, a Fundação Secretariado Cigano reafirmou seu "compromisso com a defesa dos direitos fundamentais, a igualdade de tratamento e a erradicação do antigitanismo", ao mesmo tempo que reconheceu que "embora tenha havido avanços significativos, especialmente no reconhecimento institucional e na sensibilização social", ainda persistem "desafios estruturais".

Por isso, Moreno pediu "o enfrentamento dos discursos de ódio, especialmente os de caráter antigitano", e defendeu que "é fundamental aplicar de forma efetiva a Lei de Serviços Digitais para prevenir e sancionar a propagação de discursos de ódio nas redes sociais", espaços onde "o antigitanismo se amplifica e se normaliza com demasiada frequência".

Finalmente, reivindicou a aprovação de um Pacto de Estado contra os discursos de ódio que permita "coordinar ações" entre Administrações, meios de comunicação, plataformas digitais e sociedade civil, "garantindo um marco comum de proteção frente a esta grave vulneração de direitos".

Quintana pede "não normalizar os preconceitos"

O delegado do Governo na Extremadura, José Luis Quintana, reconheceu o "trabalho constante em favor da igualdade" que desenvolve a Fundação Secretariado Gitano, e assinalou que o relatório é "muito mais" do que uma compilação de dados, já que lembra que "uma sociedade democrática não se mede unicamente pelas leis que aprova, mas pelos direitos que garante e pela igualdade de oportunidades".

Quintana indicou que o documento recolhe "nada mais e nada menos" que 400 casos de discriminação contra pessoas ciganas e que por trás de cada um "há uma experiência de rejeição e uns direitos que não foram respeitados", em situações que ocorrem "em âmbitos tão cotidianos como o emprego, a educação, a habitação, o acesso aos serviços", e também "de maneira indigna muitas vezes nas redes sociais".

Por isso, o delegado do Governo chamou a não "normalizar os preconceitos nem os discursos de ódio tão comuns nestes últimos tempos", especialmente nas redes sociais, e defendeu a necessidade de contar com "instituições comprometidas, políticas públicas que sejam eficazes, mecanismos de proteção para as vítimas e uma sociedade que não olhe para o outro lado diante de nenhuma forma de discriminação".

Sánchez Vera reclama visibilizar os obstáculos

A secretária geral de Igualdade da Junta de Extremadura, Ara Sánchez Vera, valorizou que o trabalho da Fundação Secretariado Gitano "não só contribui para melhorar a vida de muitas pessoas, mas também ajuda a construir uma sociedade mais justa e mais inclusiva".

Sánchez Vera considerou que os dados do relatório devem servir à sociedade para "refletir sobre uma realidade que não podemos ignorar", uma vez que "é um fato inegável que as pessoas ciganas encontram muitos obstáculos em sua vida", questões que "precisam ser visibilizadas".

Por este motivo, incentivou a denunciar os casos de discriminação para poder "corrigir as condutas, punir os culpados", assim como "educar e sensibilizar para que não se repitam esse tipo de comportamento".

Insistiu na responsabilidade das administrações públicas, porque "a igualdade de oportunidades não pode depender do gênero, da orientação sexual, da origem ou da classe social", e advertiu que "a discriminação nem sempre se manifesta de maneira evidente", mas "às vezes se esconde atrás de uma negativa injustificada, de uma oportunidade que nunca chega, de um olhar ruim ao entrar em um estabelecimento".

Neste ponto, Ara Sánchez Vera aludiu de forma especial à realidade das mulheres ciganas, que "enfrentam obstáculos derivados tanto de sua condição de mulheres quanto dos preconceitos associados à sua pertença étnica", uma situação que "exige respostas específicas" e políticas que impulsionem sua autonomia, sua formação, seu acesso ao emprego e sua participação na vida social.

Por último, o vice-presidente primeiro da Assembleia da Extremadura, Domingo Expósito, ressaltou que o relatório lembra que "ainda há caminho a percorrer para conseguir uma sociedade na qual a igualdade de oportunidades acabe sendo uma verdadeira realidade para todos".

Expósito apontou que o primeiro passo é "reconhecer que esse problema existe" e não olhar para o outro lado, e assegurou que a Assembleia da Extremadura continuará sendo "um espaço de encontro, de diálogo e de defesa de direitos".

Disponível em: https://www.democrata.es/pt/extremadura/fundacao-secretariado-gitano-na-extremadura-alerta-que-o-antigitanismo-continua-vigente-e-nao-ficou-para-tras/

Oficina de Chibe valoriza mestres da língua Calon

 
Evento é realizado pela AEEC, com patrocínio da Secel-MT. Foto: Aluízio de Azevedo

Mais de 50 pessoas da comunidade cigana do tronco étnico Calon de Tangará da Serra, município que reúne a terceira maior comunidade cigana de Mato Grosso, participaram no último sábado (17/10) da Oficina de Chibe: Reavivando a Língua Calon.

Este é o segundo módulo do projeto, que tem como objetivo principal salvaguardar a Chibe, nome como as pessoas ciganas Calon denominam sua língua própria, também conhecida entre os ciganos Calon de Portugal como Romanon e entre os ciganos de Espanha como Kalé.

Realizado pela Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), o evento ocorreu entre 08h e 17h na Chácara WR, em Tangará da Serra. O evento tem como proponente o multiartista e produtor cultural de etnia Calon, Aluízio de Azevedo e o projeto é realizado por meio de aprovação no Edital Viver Cultura Identidades – Edição Lei Paulo Gustavo, da Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel/MT).

Grupo de Danças Calins do Cerrado, da comunidade cigana de Tangará, realizou uma mostra do trabalho que vêm realizando. Foto: Aluízio de Azevedo

Além de fortalecer e conservar a Chibe na comunidade ciganas de Tangará, a iniciativa valoriza mestres da cultura que dominam fluentemente a língua. Os oficineiros do evento foram 15 anciãos e anciãs que vivem na cidade. Outro objetivo foi despertar nos mais jovens o desejo de conservar a Chibe e o orgulho de pertencer à etnia Calon.

A programação foi realizada de forma muito leve e divertida, pensada com carinho para um público variado, com idades que vão de cinco a 80 anos.

Levando-se em consideração que a maioria dos mais velhos e mais velhas da etnia Calon não frequentaram a sala de aula e que a Chibe é uma língua oral, transmitida de geração em geração há milênios, a oficina foi estruturada em formato de gincana.

A metodologia da oficina foi elaborada pedagogicamente em diálogo com a cultura, a tradição e a identidade Calon, o que inclui a criação de materiais didáticos inéditos desenvolvidos especialmente para o evento por uma equipe de consultoria pedagógica formada por mestres da Chibe.

15 anciãos e anciãs da comunidade Calon de Tangará foram os oficineiros da Chibe. Foto: Aluízio de Azevedo

Entre esses materiais estão o caderno de atividades em Chibe, o bingo dialetal, o Pai nosso em Chibe (“Bato Nusca) e a tradução da música “Bute Pilon”, dos cantores de etnia Calon, Eddy Brito e Samuel.

O ‘Caderno de Atividades em Chibe, que conta com vários exercícios linguísticos de fixação, como caça-palavras, complete e ligue as frases, numerais e dicas de gênero (feminino e masculino).

O evento contou com a participação da diretoria da AEEC-MT, incluindo a presidente da AEEC-MT, Taize Aracelli Caiado Siqueira, da primeira secretária, Irandi Rodrigues Silva e da sua segunda secretária, Orceni Rodrigues Angola, ambas integrantes da comunidade de Tangará da Serra. As duas últimas estavam entre as pessoas que ministraram a oficina de chibe.

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT