domingo, 17 de maio de 2026

Projeto Lacho Drom celebra dia nacional dos povos ciganos com monólogo de Taty Iovanovitch

Projeto Latcho Drom conta com peça protagonizada por Tatiane Iovanovitch e palestras que buscam valorizar e ressignificar a cultura cigana em homenagem ao maio cigano. Foto: Assessoria.

No dia 24 de maio é celebrado o Dia Nacional dos Povos Ciganos. Instituída há cerca de 20 anos, a data busca valorizar a cultura de um povo que faz parte da história do Brasil, mas que ainda hoje enfrenta invisibilidade, preconceitos e estigmas sociais. E para quebrar esses paradigmas, Curitiba recebe o projeto Latcho Drom, que na língua romani significa boa jornada e que, por meio de ações culturais trará a Curitiba uma série de atividades culturais gratuitas de 19 de maio a 4 de junho.

Na programação, o público poderá conferir um espetáculo solo protagonizado pela atriz Tatiane Iovanovitch, filha de um dos principais ativistas da causa cigana e um dos nomes mais representativos da cultura no Paraná, Cláudio Domingos Iovanovitch, falecido em março de 2025.

O espetáculo Paramitcha Calipe – dos Jazigos aos Berços, que tem dramaturgia coletiva, direção de Neiva Camargo e concepção cênica de Pedro Almeida, propõe um olhar íntimo, político e sensível sobre a realidade das mulheres ciganas no Brasil.

A peça, que será apresentada em duas temporadas, revisita memórias pessoais, experiências de violência, pertencimento e identidade para discutir os desafios enfrentados dentro e fora da comunidade cigana.

A montagem nasce do legado de Cláudio Domingos Iovanovitch, que idealizou inicialmente o projeto. Filha única do ativista, Tatiane decidiu levar a proposta adiante como forma de preservar a memória do pai e ampliar o debate sobre invisibilidade e representatividade dos povos ciganos. 

“Nós, povos ciganos, falamos pouco sobre nós mesmos. E o projeto e o espetáculo propõem justamente isso: uma perspectiva cigana sobre o nosso povo e a nossa cultura”, afirma a atriz.

Muito além do imaginário popular

Além do monólogo, o projeto traz também palestras com nomes da cultura cigana das mais diferentes áreas, com pesquisadores, artistas e ativistas da cultura cigana, como é o caso da palestra com o cigano da etnia Calon Aluízio de Azevedo Silva Júnior, que é doutor em Comunicação e Saúde dos Povos Ciganos de Brasil e Portugal pela Fiocruz. “Queremos ampliar esse debate e mostrar o quanto os povos ciganos contribuíram para a formação do povo brasileiro”, afirma Tatiane.

Ainda, o jornalista e artista Roy Rogeres Fernandes Filho, que pesquisa a participação da cultura cigana na arte circense brasileira e a ativista Hayanne Iovanovicth, idealizadora do projeto Museu Cigano Virtual Romano, estarão presentes na programação, que está distribuída em Santa Felicidade e no Memorial de Curitiba.

Mais do que reforçar imagens folclorizadas normalmente associadas aos povos ciganos, o projeto aposta na reflexão. “Estamos falando de uma programação muito longe daquele imaginário popular, ou seja, o público não vai encontrar dança e música o tempo inteiro. O monólogo, por exemplo, é sobre escuta, memória, silenciamento e realidade, e os debates querem trazer conhecimento ao público”, explica Tatiane.

A proposta é ampliar o diálogo com o público sobre identidade, preconceito e apagamento cultural. “A gente espera que o público venha com o coração aberto para entender um pouco mais dessa cultura”, finaliza.

Serviço:

PROGRAMAÇÃO do Pojeto Latcho Drom

Datas:

👉🏼19 a  21 de maio às 21h

Apresentações do espetáculo Paramitcha Calipe – dos Jazigos aos Berços, por Tatiane Iovanovitchi no Teatro do Espaço da Criança em Santa Felicidade

Rua Domingos Strapasson, 620

👉🏼1 a 4 de junho

Palestras sobre a cultura cigana no Teatro do Memorial de Curitiba

R. Dr. Claudino dos Santos, 79 - São Francisco

👉🏼30 de maio a 4 de junho às 21h

Apresentações do Espetáculo Paramitcha Calipe – dos Jazigos aos Berços por Tatiane Iovanovitchi no Teatro do Memorial de Curitiba.

Rua Doutor Claudino dos Santos, 79 - São Francisco, Curitiba - PR

🎫INGRESSOS GRATUITOS e disponíveis em: https://www.sympla.com.br/evento/paramitcha-calipe-dos-jazigos-aos-bercos/3424871?share_id=copiarlink

Saiba mais:https://www.instagram.com/paramitchacalipe?igsh=MWh6czNubzcxZmZpbA==

Campanha Ancestralidade Viva promove visibilidade e celebra cultura e história dos povos ciganos

Iniciativa da AEEC-MT utiliza as redes sociais para homenagear pessoas ciganas, buscando combater o anticiganismo por meio de informações fidedignas

Nesta segunda-feira (18 de maio), a Associação de Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT) inicia mais uma edição do projeto Ancestralidade Viva, este ano com o tema “O tempo que a gente é!” A ação, que faz parte da programação do projeto VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso, já é tradicional no evento pela valorização da história e da cultura cigana e ocupará as redes sociais da associação (@aeecmt) até o fim do mês de maio, em celebração ao Festival Maio Cigano, que marca o Dia Nacional dos Povos Ciganos (24).

Em 2026, a campanha homenageia 13 lideranças vivas e duas lideranças in memorian, todas de Mato Grosso, das cidades de Rondonópolis, Cuiabá e Tangará da Serra. A primeira delas é Maria Auxiliadora Alves de Anicézio, moradora de Cuiabá (foto acima).

Em 2025, as publicações focaram na valorização e reconhecimento da ancestralidade dos povos ciganos da etnia Calon e Rom, com homenagens a 12 lideranças vivas e 4 lideranças “in memorian”, que fizeram e fazem história na cultura cigana mato-grossense.

No ano passado, a campanha ultrapassou a marca de 50 mil visualizações no Insta da AEEC-MT (@aeecmt). A importância do engajamento, neste caso, está principalmente na ampliação da visibilidade junto a pessoas não-ciganas, que é o principal objetivo da ação.

A campanha “Ancestralidade Viva” procura cumprir um papel social: o combate ao anticiganismo (ou ciganofobia). Através de conteúdos que recordam e homenageiam lideranças e mestres da cultura cigana, as publicações levam o público a conhecer suas histórias e, consequentemente, as tradições ciganas, que por muito tempo, sofreram discriminações e preconceitos. Ao promover visibilidade às vozes e rostos de pessoas ciganas, a campanha ressalta todo o legado dos homenageados.

A campanha existe desde 2022 e em sua primeira edição teve o nome “Quem conhece não tem preconceito”, que ao longo do mês exibiu fotos de mais de 40 mulheres ciganas da exposição multimídia Calin (hiperlink). A cada edição, o projeto adota uma temática e uma estratégia de mobilização virtual. Exemplo disso é o documentário divulgado em 2023 Caminhos Ciganos, dirigido e roteirizado por Aluízio de Azevedo, um dos criadores da iniciativa.

“A ideia do Ancestralidade Viva é valorizar  as pessoas ciganas que são ciganas e que passaram por muitas experiências, que viveram muito tempo no nomadismo, que sofreram várias questões e que resistiram. Os mais velhos são lideranças nas suas comunidades, são o nosso poço de sabedoria, são os que detêm as práticas, histórias, memórias, enfim, a riqueza de vida, dos nossos modos de viver, dos nossos sistemas de ação, de organização social, da língua cigana. É muito rico esse movimento que a gente faz de reconhecimento dos nossos ancestrais que estão vivos”, ressalta Aluízio.

O VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso é realizado pela AEEC-MT, em parceria com a Secel-MT e com o Ministério da Igualdade Racial (MIR), em prol da preservação das tradições e bens imateriais ciganos. Com atividades presenciais em Cuiabá, Rondonópolis e Tangará da Serra, a iniciativa promove intercâmbio entre comunidades, estimula a troca de saberes entre diferentes gerações e fomenta a voz dos povos ciganos na luta por seus direitos.

Texto: Lívia Freire

Fotos e vídeos: Jeomara Viegas e Maria Clara Aquino

Artes: Tami Lage

 

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Cuiabá e Tangará recebem produções fotográficas e audiovisuais sobre a cultura cigana

 
Com entrada gratuita, a programação ocorre às sextas-feiras de maio (15, 22 e 29), das 16h às 21h, no Ateliê Kaiardon, em Cuiabá, e no Centro Cultural Pedro Alberto Tayano, em Tangará. Foto: Tami Lage

Por Andréa Haddad/Amanda Zanata* | Secel/MT - 14 de Maio de 2026 às 17:39

Produções fotográficas e audiovisuais da cultiva cigana são apresentadas na Mostra Calon Lachon e na Exposição Diquela, no Centro de Cuiabá, durante o VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso, contemplado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), no edital Pontos de Cultura – edição Política Nacional Aldir Blanc (Pnab). Com entrada gratuita, a programação ocorre às sextas-feiras de maio (15, 22 e 29), das 16h às 21h, no Ateliê Kaiardon.

A programação reúne a Mostra Calon Lachon, com exibição de curtas e longas-metragens produzidos por povos ciganos, além da Exposição Diquela, formada por registros fotográficos de comunidades ciganas do Brasil, especialmente ligadas ao tronco étnico Calon.

Foto: Tami Lage.

Esta é a quarta edição do projeto, que surgiu para registrar, por meio de vídeos, fotografias, áudios e documentos escritos, histórias e tradições das comunidades ciganas, contadas por elas mesmas, além de ampliar a circulação das produções audiovisuais.

Já a Exposição Diquela apresenta obras produzidas pelas fotógrafas Karen Ferreira, Maria Clara Aquino e Ju Queiroz. As imagens retratam elementos culturais e o cotidiano de comunidades ciganas brasileiras, especialmente do povo Calon. O nome da exposição vem da língua Chibe e pode ser traduzido como “Veja”.

“A escolha por este nome para representar a exposição se deu justamente para que quem não é cigano ‘veja’ que existem pessoas e comunidades ciganas circulando e vivendo em Mato Grosso há quase 100 anos”, explica o curador da exposição, Aluízio de Azevedo.

Além de Cuiabá, a Exposição Diquela também pode ser visitada em Tangará da Serra, no Centro Cultural Pedro Alberto Tayano, das 8h às 17h.

Jaque Roque prestigiou a abertura da exposição Diquela, no último dia 05 de maio. Foto: Tami Lage.

Confira abaixo todos os detalhes da programação completa:

EXPOSIÇÃO DIQUELA - CUIABÁ

Quando: Dias 15, 22 e 29 (sextas).

Onde: Ateliê Kaiardon (Centro de Cuiabá, Rua Engenheiro Ricardo Franco, 427)

Horário: 16h às 21h

EXPOSIÇÃO DIQUELA - TANGARÁ DA SERRA

Onde: Centro Cultural Pedro Alberto Tayano

Horário comercial: 08h às 17h

PROGRAMAÇÃO MOSTRA CALON LACHON – CUIABÁ

15 de maio (sexta-feira)

19h30 – Exibição do curta Tarabatara (2007, 23’), direção de Júlia Zakia

19h50 – Exibição do curta Adeus Calon (2022, 20’), direção de João Borges

20h10 - Exibição dos primeiros cortes dos episódios da série Calon Lachon (2026, 26’), direção de Aluízio de Azevedo

22 de maio (sexta-feira)

19h30 – Exibição do longa Rio Cigano (2012, 1h19), direção de Júlia Zakia

29 de maio (sexta-feira)

19h30 – Exibição do curta Fernanda (2025, 12’), direção de Rodrigo Zaiden e Aluízio de Azevedo

19h45 – Exibição do curta Luzia (2025, 12’), direção de Rodrigo Zaiden e Aluízio de Azevedo

20h – Exibição do curta Encontros e Cultura Cigana (2025, 14’), direção de Maria Clara Aquino

*Sob supervisão de Andréa Haddad

Disponível emhttps://www.secel.mt.gov.br/w/cuiab%C3%A1-e-tangar%C3%A1-da-serra-recebem-produ%C3%A7%C3%B5es-fotogr%C3%A1ficas-e-audiovisuais-sobre-a-cultura-cigana 

AEEC-MT apresenta várias fotos de arquivo. Foto: Tami Lage

terça-feira, 12 de maio de 2026

Mostra Calon Lachon e Exposição Diquela apresentam produções artísticas sobre a cultura cigana

Exibições gratuitas de produções audiovisuais ciganas e exposição fotográfica da comunidade Calon 

Fotografias e filmes sobre a cultura cigana movimentam o Ateliê Kaiardon, em Cuiabá, durante o VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso, evento anual da AEEC-MT criado para dar visibilidade às narrativas dos povos ciganos no estado. A programação gratuita apresenta a Mostra Calon Lachon, com exibição de curtas e longas-metragens ciganos, e a Exposição Diquela, com fotografias de comunidades ciganas, abertas ao público nas sextas-feiras de maio (15, 22 e 29), das 16h às 21h, no espaço localizado na Rua Engenheiro Ricardo Franco, 427, no centro da cidade. 

Esta é a 4ª edição do projeto Calon Lachon, que significa “Cigano Bom” na língua Romanó-Caló. Nasceu com o objetivo de registrar (vídeos, áudio, fotos, documentos escritos) a história e as tradições das comunidades ciganas contadas por elas mesmas e difundir os resultados audiovisuais. Durante os anos de execução, o projeto tem contribuído para o combate à invisibilização e ao anticiganismo, ao mesmo tempo que incentiva o olhar artístico e a presença de povos ciganos no cinema regional e nacional. 

Na Exposição Diquela, as obras foram produzidas por três fotógrafas: Karen Ferreira, Maria Clara Aquino e Ju Queiroz. Elas trazem a diversidade brasileira, além de elementos culturais marcantes dessa cultura, especialmente vinculada ao tronco étnico Calon. A palavra Diquela na língua da etnia Calon chamada Chibe, pode ser traduzida como “Veja”. 

“A escolha por este nome para representar a exposição se deu justamente para que quem não é cigano ‘veja’ que existem pessoas e comunidades ciganas circulando e vivendo em Mato Grosso há quase 100 anos”, explica o curador da exposição, Aluízio de Azevedo. 

A exposição também acontece em Tangará da Serra, no Centro Cultural Pedro Alberto Tayano, aberta das 08h às 17h. 

A Mostra Calon Lachon e a Exposição Diquela são alguns dos programas do VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso, principal ação da AEEC-MT, que desde 2017 trabalha para a valorização das culturas ciganas no estado, especialmente em Cuiabá, Tangará da Serra e Rondonópolis. A programação reúne diversas atividades culturais, formativas e políticas. O evento é realizado pela Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel/MT) e o Ministério da Igualdade Racial (MIR), com financiamento por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). O projeto também conta com convênio direto da Secel/MT.

A iniciativa tem parceria com o Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH/MT) e a Secretaria de Estado de Trabalho, Assistência Social e Cidadania (SETASC/MT), além do apoio do Conselho Estadual de Igualdade Racial (CEPIR/MT), da Prefeitura de Tangará da Serra e do Instituto Cultural das Etnias Ciganas em Mato Grosso.

EXPOSIÇÃO DIQUELA - CUIABÁ

Quando: Dias 15, 22 e 29 (sextas).

Onde: Ateliê Kaiardon (Centro de Cuiabá, Rua Engenheiro Ricardo Franco, 427)

Horário: 16h às 21h

EXPOSIÇÃO DIQUELA - TANGARÁ DA SERRA

Onde: Centro Cultural Pedro Alberto Tayano

Horário comercial: 08h às 17h

PROGRAMAÇÃO MOSTRA CALON LACHON – CUIABÁ

15 de maio (sexta-feira)
19h30 – Exibição do curta Tarabatara (2007, 23’), direção de Júlia Zakia
19h50 – Exibição do curta Adeus Calon (2022, 20’), direção de João Borges

20h10 - Exibição dos primeiros cortes dos episódios da série Calon Lachon (2026, 26’), direção de Aluízio de Azevedo

22 de maio (sexta-feira)
19h30 – Exibição do longa Rio Cigano (2012, 1h19), direção de Júlia Zakia

29 de maio (sexta-feira)
19h30 – Exibição do curta Fernanda (2025, 12’), direção de Rodrigo Zaiden e Aluízio de Azevedo
19h45 – Exibição do curta Luzia (2025, 12’), direção de Rodrigo Zaiden e Aluízio de Azevedo
20h – Exibição do curta Encontros e Cultura Cigana (2025, 14’), direção de Maria Clara Aquino


Texto: Lívia Freire
Fotos: Tami Lage


sexta-feira, 8 de maio de 2026

Projeto Rarripe leva vivência em teatro para comunidade Calon de Rondonópolis

Projeto fortalece o núcleo de artes cênicas da AEEC/MT, que também é composto pelo grupo de danças Tradição Cigana. Foto: Tami Lage.

O projeto “Rarripe – Ciganos em Cena” é uma vivência que leva formação em teatro para mulheres ciganas da comunidade de Rondonópolis, em Mato Grosso. Promovido pela Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel/MT), trata-se do primeiro grupo de teatro cigano composto exclusivamente por atrizes ciganas do Brasil.

O projeto teve início no dia 07 de fevereiro deste ano, com a participação de 13 pessoas. Desde então, os encontros ocorreram todos os sábados, no início na casa da liderança cigana Francisca Alves Santos, a tia Chica e a maior parte deles no Salão Comunitário do Jardim Iguassu. O primeiro módulo da vivência encerrou concomitante aos dias de realização do VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso, que ocorre em Rondonópolis (01, 02 e 03 de maio), quando o grupo o grupo fez uma participação especial apresentando os resultados do curso, com algumas intervenções teatrais no dia 01 de maio.

Composto por várias oficinas e temas relacionados às áreas técnicas do teatro e artes cênicas, como iluminação, som, cenário e figurino e de iniciação ao teatro, a ideia do curso é ter uma peça montada com a temática cigana para o grupo se apresentar em outros eventos artísticos e culturais.

A maioria das atrizes do grupo são mulheres com idades acima de 50 anos, mas o curso conta também com jovens como Amanda Pinheiro, que participou desde a primeira aula. Amanda destacou os benefícios do curso de teatro para o desenvolvimento corporal e criativo. “O curso é muito interessante. A gente não está muito acostumado a se movimentar, e o teatro acaba estimulando a criatividade e a concentração, além de fazer bem para o corpo e a mente”, afirmou.

Rarripe é uma ação vinculada ao convênio realizado pela AEEC-MT em parceria com a Secel/MT, para realização do “V Encontro de Cultura Cigana de MT”, cuja coordenação geral é de Rosana Cristina Alves de Matos Cruz e com coordenação pedagógica de Aluízio de Azevedo. Já a coordenação pedagógica do curso é executada pelo diretor de cultura da AEEC-MT, Rodrigo Zaiden e pelo teatrólogo e artista plástico, Tami Gondo Lage. A direção de atores foi realizada pelo professor de teatro, Ricardo Almeida.

Zaiden explica que começou a vislumbrar esse projeto em 2017, quando assistiu uma peça encenada por mulheres ciganas que não eram atrizes profissionais, em Portugal. “Aquilo me abriu um novo olhar sobre as possibilidades do teatro e pensei em levar essa experiência para Mato Grosso. Partimos de um grupo de dança já existente, até chegar ao teatro. Hoje, é muito emocionante ver a transformação dessas pessoas, tanto no corpo quanto na forma de se expressar, pensar e se relacionar. Mais do que preparar para apresentações, o teatro proporciona uma vivência profunda consigo mesmo, estimulando a criatividade, a reflexão e o convívio”.

Para o teatrólogo Tami Lage, o fato das 13 participantes serem mulheres mais velhas, torna o projeto ainda mais fascinante. “Temos trabalhado a dramaturgia a partir das vivências delas, criando uma conexão muito rica entre técnica e experiência de vida. O engajamento tem sido até maior do que esperávamos, o que torna essa jornada ainda mais especial, já que tudo é novo para elas — desde a leitura de texto até a compreensão da cena e da atuação. É um processo de descoberta, e esse desenvolvimento tem sido muito significativo”, destacou.

As integrantes do projeto também já participaram de oficinas com o pesquisador e doutorando cigano circense em Artes Cênicas (PPGAC/UFBA), Roy Rogeres Fernandes, com o título “Os laços inexoráveis entre os Povos Ciganos e o Circo-Teatro”; e com a doutoranda, Priscila Lima Freitas, com o tema “Iluminação no Teatro”.

Rarripe - na língua Chibe, do tronco étnico Calon, pode ser traduzida como “ilusão”, “ficção” ou “mentira”. O nome foi escolhido para quebrar os estereótipos e preconceitos seculares em torno das pessoas ciganas, que são grandes mentiras inventadas e que, infelizmente, ainda permeiam no senso comum e no imaginário da sociedade não-cigana.

O curso de teatro é integrado ao grupo de Danças Tradição Cigana. A maioria das pessoas participa das duas atividades. Os ensaios são voltados ao aperfeiçoamento e formação das artes cênicas no geral.  O Grupo de Danças Tradição Cigana nasceu pelo desejo da própria comunidade cigana de Rondonópolis, há cerca de 15 anos e realiza apresentações principalmente durante os eventos da AEEC-MT.

Ficha Técnica

Realização: Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC/MT) e Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel/MT)

Coordenação Geral: Aluízio de Azevedo Silva Júnior

Coordenação Pedagógica e Projeto Pedagógico: Rodrigo Zaiden e Tami Gondo Laje

Produção Executiva: Rosana Cristina Alves de Matos Cruz e Fernanda Freitas Caiado

Direção de Produção: Kaiardon Produções

Professor de Teatro: Ricardo Almeida

Oficinas Complementares: Roi Rógeres e Priscila Lima Freitas

Figurino: Linscker Marim

Mulheres em Cena:

Ana Carolina Pereira Cabral

Audelena Dias Cabral

Amanda Alves Pinheiro

Cleide Alves Cabral

Dayane Cabral Vitorino Santos

Elidia Alves Cabral

Francisca Pereira Dos Santos

Leila Cabral Nunes

Maria Divina Cabral

Miryan Cabral Farias

Nilva Rodrigues Cunha

Normeci Rodrigues Cabral Pinheiro

Silvia Marques Cabral



quarta-feira, 6 de maio de 2026

IV Encontro de Mulheres Ciganas de Mato Grosso ocorre em Rondonópolis

Oficinas e troca de conhecimentos tradicionais mantêm a cultura Calon entre as gerações

Rondonópolis recebeu, no dia 2 de maio (sábado), o IV Encontro de Mulheres Ciganas de Mato Grosso. O evento integra a programação do VI Encontro de Cultura Cigana de MT e proporciona um diálogo entre gerações de mulheres ciganas sobre seus saberes tradicionais, manifestando a relevância feminina na cultura tradicional dos povos ciganos. 

Mulheres principalmente do tronco étnico Calon, vindas de cidades como Cuiabá, Várzea Grande, Tangará da Serra, Guiratinga, Nova Xavantina, Chapada dos Guimarães, Pedra Preta (MT), Mineiros, Itaberaí (GO), e Campo Grande (MS), se reuniram a partir das 08h15 para uma programação diversa durante toda a manhã.

Realizado pela Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel/MT) e o Ministério da Igualdade Racial (MIR) / Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Encontro se iniciou com uma apresentação do grupo Tradição Cigana (foto acima), seguido de roda de conversa sobre saúde da mulher cigana e oficina de medicina tradicional (foto abaixo). 

A Roda de Diálogo “Saúde da Mulher Cigana” contou com a participação da cigana Calon, Sara Macedo, do Coletivo Ciganagens, a assessora técnica da Coordenação Geral de Acesso e Equidade da Secretaria de Atenção Primária do Ministério da Saúde (CAEQ/SAPS/MS) e do ponto focal para saúde cigana da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES/MT), Milton Fleury.

O evento contou com a participação dos estudantes de direito da Universidade de Cuiabá (Unic): Anabell Araujo, Claudio Santiago, Emili Schmitz, Hadassa Gomes, Rosana Matos Cruz e Tchelsy Cardoso. O encontro contou ainda com a presença da presidente do Conselho Estadual das Mulheres, Cenira Benedita Evangelista.

Compostas majoritariamente por plantas do cerrado, principalmente raízes, um dos principais componentes da medicina tradicional Calon são as garrafadas. Elas são manipuladas para curar vários tipos de doenças, como diarreias, gripes e resfriados, problemas da saúde da mulher, equilíbrio corporal, entre outras. Como nos anos anteriores, a Oficina de Medicina Tradicional será ministrada pela mestra da cultura mato-grossense, a raizeira Maria Divina Cabral, a mestra Diva. 

Atividades como a ministrada pela Mestra Diva contribuem para levar a sabedoria ancestral cigana a adiante: “É um ato de valorização aos nossos antepassados, que resistiram e possibilitaram que hoje aqui estejamos”, explica a presidente da AEEC-MT, Rosana Matos Cruz.

Além disso, a iniciativa também já influencia diretamente o presente, ao possibilitar a união entre as mulheres da comunidade cigana de Mato Grosso. Fernanda, tesoureira da AEEC-MT, destaca a importância desse evento dentro da programação do Encontro de Cultura Cigana e afirma que ele veio para fazer ressurgir, entre as mulheres ciganas, o convívio:

“A gente passou a aprender muitas coisas que, na correria do dia a dia, acabaram sendo esquecidas ou não repassadas. Por exemplo, a minha avó fazia garrafada. Ela ensinou as filhas, mas as filhas não nos ensinaram. E, nesse encontro, temos a oportunidade de nos juntarmos a Mestra Diva, ensinando, falando sobre a importância da mulher.”

Desde 2024, o IV Encontro de Mulheres Ciganas tem realizado atividades que mantêm suas tradições em circulação através de rodas de conversas, oficinas e exibição de produções audiovisuais, como a websérie etnodocumental “Diva e as Calins de Mato Grosso”, disponível no canal do YouTube da AEEC-MT e no link: www.galeriacalin.com. Cada episódio da minissérie traz o relato de uma mulher cigana do mesmo tronco étnico sobre sua história de vida, abrangendo também outros elementos da cultura, como a língua, a filosofia, costumes e expressões artísticas.

Com uma equipe composta majoritariamente por pessoas ciganas, o VI Encontro de Cultura Cigana idealiza projetos como esse para garantir que as manifestações culturais ciganas sejam viabilizadas e difundidas, em combate ao anticiganismo e em valorização às tradições. A programação estende-se por todo o mês de maio, celebrando o Dia Nacional dos Povos Ciganos (24 de maio) e ocorre nos três municípios com maiores comunidades ciganas de MT: Tangará da Serra, Rondonópolis e Cuiabá. 

Programação Infantil - O VI Encontro de Mulheres Ciganas de MT e o VI Encontro de Cultura Cigana de MT contaram com programação infantil. Os menores contaram com oficina de pintura, com Tami Lage e oficina de fotografia, com Gabriela Marques. Além disso, também puderam utilizar a piscina com professor acompanhante e os três dias contaram com um animador infantil.



terça-feira, 5 de maio de 2026

Mostra Calon Lachon começa em Cuiabá com filme Debaixo das Lonas Tudo é mais Bonito

Média-metragem Debaixo das Lonas, Tudo é mais bonito! , dirigido por Roi Rógeres, estreia hoje em Cuiabá, no circo Leite de Pedras, centro. Foto: Barbara Jardim.

A Mostra Calon Lachon, parte do catálogo de atividades do VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso, tem início hoje (05.05), em Cuiabá. O evento,  que integra a programação do VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso, ocorre a partir de 19h, no Circo Leite de Pedras, centro de Cuiabá.

A mostra promove exibições gratuitas de produções audiovisuais ciganas em Rondonópolis, Cuiabá e Tangará da Serra ao longo do mês de maio. A iniciativa reúne filmes e vídeos produzidos por cineastas ciganos de Mato Grosso e de outros locais do país como Bahia,,  além de contar com a exibição de filmes com a temática cigana, produzidos em conjunto com pessoas ciganas e não-ciganas.. 

Esta é a 4ª edição do projeto Calon Lachon, que significa “Cigano Bom” na língua Romanó-Caló. Nasceu com o objetivo de registrar (vídeos, áudio, fotos, documentos escritos) os saberes e tradições das comunidades ciganas contadas por elas mesmas e difundir os resultados audiovisuais. Durante os anos de execução, o projeto tem contribuído para o combate à invisibilização e ao anticiganismo, ao mesmo tempo que incentiva o olhar artístico e a presença de povos ciganos no cinema regional e nacional.

Em Rondonópolis, a mostra ocorreu na programação do encontro presencial durante três dias, a partir de 01 de maio. Em Cuiabá, as exibições têm início no dia 05 de maio, no Circo Leite de Pedras, e seguem nos dias 15, 22 e 29 de maio, no Ateliê Kaiardon, localizado no centro da cidade, sempre às 19h.

No primeiro dia de Mostra em Cuiabá, dia 05, será exibido o curta Caminhos Ciganos (2023/2024, 25’), dirigido por Aluízio de Azevedo, Rodrigo Zaiden e Karen Ferreira, e o média-metragem Debaixo das Lonas, Tudo é mais bonito! (2022, 35’), do diretor cigano circense Roi Rógeres, que participa de um debate com o público após a sessão.

Ainda na abertura, um cortejo cultural do Circo Leite de Pedras e apresentações do grupo de Maracatu de Baque Virado Buriti Nagô na Praça da Mandioca e do cantor Cris Chaves, no Mandioca Bar, animam a noite de terça-feira (05). Em Tangará da Serra, a mostra acontece no Centro Cultural, no dia 05 de junho, ao final da programação.

A Mostra Calon Lachon é um dos programas do VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso, principal ação da AEEC-MT, que desde 2017 trabalha para a valorização das culturas ciganas no estado. A programação reúne diversas atividades culturais, formativas e políticas. O evento é realizado pela Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel/MT) e o Ministério da Igualdade Racial (MIR), com financiamento por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). O projeto também conta com convênio direto da Secel/MT.

A iniciativa tem parceria com o Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH/MT) e a Secretaria de Estado de Trabalho, Assistência Social e Cidadania (SETASC/MT), além do apoio do Conselho Estadual de Igualdade Racial (CEPIR/MT), da Prefeitura de Tangará da Serra e do Instituto Cultural das Etnias Ciganas em Mato Grosso.


Exposição Diquela começa em Cuiabá e Tangará da Serra nesta terça (05.05)

Evento reúne obras fotográficas das comunidades ciganas de Tangará da Serra (foto), Cuiabá e Rondonópolis. Foto: Ju Queiroz.

Neste mês de maio, os municípios de Tangará da Serra e de Cuiabá receberão uma verdadeira caravana cigana. Trata-se da Exposição Diquela, que chega aos dois municípios marcando o dia Nacional dos Povos Ciganos (que se comemora a todo dia 24 de maio), brindando o público com obras fotográficas com pessoas de três comunidades ciganas de Mato Grosso, incluindo dos dois municípios e de Rondonópolis. A exposição reúne também pinturas em tela do artista plástico cigano, Aluízio de Azevedo.

Realizada pela Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), a Exposição Diquela integra a programação do projeto guarda-chuva VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso (2026) e também traz fotos da comunidade Nova Canaã, em Brasília e da comunidade do Bairro das Pedreiras, em Beja, Portugal.

São obras produzidas por três fotógrafas: Karen Ferreira, Ju Queiroz e Maria Clara Aquino, essa última da comunidade Calon de Tangará da Serra. Elas trazem a diversidade brasileira, além de elementos culturais marcantes dessa cultura, especialmente vinculada ao tronco étnico Calon.

Na Capital mato-grossense, a exposição ocorrerá no Ateliê Kaiardon, localizado no Centro de Cuiabá e em Tangará da Serra no Centro Cultural Pedro Alberto Tayano. E estará disponível ao público em quatro dias durante o mês de maio: 05, 15, 22 e 29.

A vernissage de abertura ocorrerá a partir de 16h, no dia 05 de maio, no Ateliê Kaiardon, Centro de Cuiabá (Rua Engenheiro Ricardo Franco, 427). Nesse dia, em específico, a exposição encerrará às 18h30, com cortejo que sai do Ateliê e segue até o Circo Leite de Pedras, também no Centro de Cuiabá, onde às 19h está prevista para começar outra programação do VI Encontro de Cultura Cigana de MT: a Mostra Calon Lachon de cinema cigano.

Já em Tangará da Serra, a abertura da Exposição Diquela será online, por meio de divulgação nas redes. As obras serão instaladas no corredor e na sala de oficinas do Centro Cultural Pedro Alberto Tayano e estarão disponíveis para visitação pública a partir do dia 04 de maio.

O encerramento da exposição ocorre no dia 05 de junho, quando haverá uma cerimônia com projeção de três filmes da Mostra Calon Lachon de Audiovisual Cigano e uma confraternização regada a coquetel. 

Selma e Cleyde da comunidade cigana de Rondonópolis. Foto: Karen Ferreira.

A Exposição Diquela tem curadoria de Rodrigo Zaiden e Aluízio de Azevedo, Direção de Arte e Artes de Tami Lage. Em Tangará da Serra, a produção local é de Aldi Rodrigues e em Cuiabá de Ebun.

Um dos eventos paralelos que integram a programação do VI Encontro de Cultura Cigana de MT ocorrem todos os anos com programações executadas nos três municípios com maiores comunidades ciganas de MT: Tangará da Serra, Rondonópolis e Cuiabá.

“A palavra Diquela na língua do tronco étnico Calon, a Chibe, pode ser traduzida como “Veja”. A escolha por este nome para representar a exposição que apresentamos como parte da programação do VI Encontro de Cultura Cigana de MT, edição 2026, se deu justamente para que quem é não-cigano “veja” que existem pessoas e comunidades ciganas circulando e vivendo em Mato Grosso há quase 100 anos”, explica o curador da exposição, Aluízio de Azevedo.

O projeto é patrocinado por meio de parceria da Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso (Secel-MT) e o Ministério da Igualdade Racial (MIR), por meio de parceria com o PNUD/ONU.

Serviço: Lançamento Exposição Diquela em Cuiabá

Quando: Vernissage de abertura entre 16h às 18h30 no dia 05 de maio (terça-feira) e nos dias 15, 22 e 29 (sextas), entre 16h e 21h.

Onde: Ateliê Kaiardon (Centro de Cuiabá, Rua Engenheiro Ricardo Franco, 427)

Horário: 16h

Serviço: Abertura Exposição Diquela Tangará da serra

Quando: 04 de maio (segunda-feira)

Onde: Centro Cultural Pedro Alberto Tayano

Horário comercial: 08h às 17h