sexta-feira, 29 de maio de 2026

Projeto da Escola Maria Fragelli com povos ciganos é selecionado pela Delegacia de Ensino de Rondonópolis

O projeto “Caminhos e Vozes dos Povos Ciganos”, realizado pelo grêmio estudantil da Escola Estadual de Tempo Integral Maria de Lourdes Ribeiro Fragelli, de Guiratinga, para comemorar o mês comemorativo à História e Cultura dos Povos Ciganos, foi um dos três selecionados na etapa regional do processo lançado pela Diretoria Regional de Ensino (DRE) de Rondonópolis e que visa a certificação do selo “Tereza de Benguela”.

O resultado foi anunciado nesta sexta-feira (30/05) pela DRE e, seguindo estritamente as diretrizes do documento Orientativo da instituição, o vídeo da Escola Maria Fragelli (e de outras duas escolas selecionadas: Escola Estadual Major Otávio Pitaluga e Escola Sagrado Coração de Jesus) foi publicado na página oficial da DRE e pode ser acessado no seguinte link: https://www.instagram.com/reels/DY7VENOx_IO/

De acordo com o comunicado da DRE, os avaliadores ficaram “profundamente impressionados com o engajamento, a criatividade e a sensibilidade demonstrada pelos nossos adolescentes/jovens na construção de cada material.  Parabenizamos cada estudante envolvido!”

O vídeo mostra como foi a programação da escola no último dia 19 de maio (terça-feira) em comemoração ao Dia Nacional dos Povos Ciganos (24 de Maio) e que contou com a parceria da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT).

Realizada pelo grêmio estudantil União Jovem, o projeto Caminhos e Vozes dos Povos Ciganos, ocorreu no período da manhã e contou com a participação especial do grupo de Danças Tradição Cigana, de Rondonópolis. Integrando a rede estadual de ensino, o projeto foi coordenado pelos professores Joaquim Vilela Neto e Selma Ribeiro, esta última também cigana de etnia Calon e integrante da AEEC-MT.

A programação contou com apresentações de dança do Tradição Cigana e a presença do diretor da escola, das coordenadoras Clarice Terezinha Dallabrida e Neuracy trindade Santana, além do ator Ataíde Arcoverde, que é natural e morador de Guiratinga.

Além da participação do grupo de danças Tradição Cigana, o evento contou com um cine-debate que exibiu o filme “Caminhos Ciganos” e dois episódios da websérie “Diva e As Calins de Mato Grosso”: episódio 1 Mestra Diva e episódio água Terezinha Alves. Falando em nome da AEEC-MT, Nilva Rodrigues, que é coordenadora de mulheres da instituição reforçou algumas questões centrais acerca da cultura, das tradições, da identidade do tronco étnico Calon, bem como destacou o combate ao preconceito e ao racismo.

De acordo com Selma Ribeiro, o público do projeto são os alunos do ensino fundamental II e ensino médio. Segundo ela, o objetivo geral do projeto é proporcionar aos alunos o contato com a história, tradições e lutas dos povos ciganos, destacando sua presença em Mato Grosso.

Além disso, o projeto teve como objetivos compreender a trajetória nômade e a fixação das comunidades em MT; valorizar o papel da mulher cigana (Calin) na preservação da cultura e na conquista de espaços acadêmicos e políticosç; e estimular o pensamento crítico sobre os direitos das comunidades tradicionais.

“O Dia Nacional do Povo Cigano (24 de maio) é uma oportunidade para desconstruir estereótipos e combater o preconceito histórico contra as etnias ciganas. Ao focar em figuras locais, como Mestra Diva e Terezinha Alves, o projeto humaniza a história, conectando o conteúdo acadêmico à realidade do estado de Mato Grosso e promovendo a educação para a diversidade e igualdade racial”, explica Selma.

Ancestralidade Viva: Alaor e Hélia - O Tempo que a gente É!

Tio Rei e tia Hélia são casados há mais de 56 anos e vivem em Rondonópolis.

Alaor, carinhosamente conhecido como “Tio Rei”, e Hélia formam um dos casais mais antigos e queridos de Rondonópolis. Lideranças anciãs da comunidade cigana Calon e queridos por todos, tiveram a construção de uma vida inteira dedicada à família e ao trabalho. 

Nascido em 13 de janeiro de 1947, Alaor veio ao mundo em Patos de Minas, Minas Gerais. Filho de José Alves Pereira e Isaura Cabral, cresceu entre as mudanças da família até chegar em Mato Grosso ainda pequeno. Seu pai trabalhava em empreitas e fazia todo tipo de serviço para sustentar a família, carregando consigo a força do trabalho que também marcou a vida de Alaor.

A família passou por Alto Garças e Guiratinga, até se estabelecer em Rondonópolis, cidade onde grande parte dos parentes ciganos vindos de Minas Gerais também construíram suas vidas. 

Foi em Guiratinga que Alaor conheceu Hélia Marcel Pereira, nascida em 28 de março de 1948, em Minas Gerais, na região de Dianópolis. Os dois são primos, se casaram ainda jovens e seguem juntos há 56 anos, construindo uma história de muita parceria.

Depois do casamento, vieram para Rondonópolis, onde vivem há décadas. Somente na casa onde residem atualmente já são 28 anos de memórias construídas. Juntos, tiveram dois filhos, Fábio e Neide, e também os netos Joyce e Gean.

Ao lembrar da própria história, Alaor resume com orgulho aquilo que é característica marcante do casal: “Somos ciganos, somos trabalhador e lutador”. Alaor e Hélia seguem sendo símbolos da memória, da resistência e da presença da cultura cigana Calon em Mato Grosso. Viva Alaor e Hélia!

#MaioCigano #AncestralidadeViva

TEXTO: LÍVIA FREIRE

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Ancestralidade Viva: Nerana Cunha Pereira - O Tempo que a Gente É!

Nerana Cunha Pereira é a segunda homenageada do Ancestralidade Viva #MaioCigano. Nasceu em 2 de novembro de 1952, em Patos de Minas-MG. Apesar de ter vindo embora ainda muito pequena, nos braços da mãe, carrega consigo o orgulho de suas origens ciganas e a memória afetiva da família.

Casada com Euripes Alves Pereira, construiu sua vida entre Cuiabá e Tangará da Serra. Diferente de muitas narrativas associadas ao povo cigano, conta que viajou pouco. Seu pai possuía terras e, depois do casamento, ela e o marido passaram a viver próximos da família, criando raízes sem abandonar a identidade Calon.

Ao longo da vida, trabalhou como vendedora, comercializando enxovais e outros produtos. Sempre reforça, porém, que acima de qualquer ocupação, o que nunca abandonou foi o orgulho de ser cigana. “Nunca neguei”, afirma, dizendo que gosta de sua origem. 

A família aparece como o maior valor em sua vida. Nerana teve três filhos, já falecidos, e fala deles com amor. Hoje, encontra continuidade nos cinco netos e nos dois bisnetos, Laura e Benjamin. 

Nerana é também uma guardiã da língua chibe. Ela conta que ensinou os filhos a falarem e que continua ensinando os netos e bisnetos, porque acredita que a tradição não pode desaparecer. Para ela, preservar a língua chibe é também preservar a identidade cigana.

Sua história é marcada pela saudade das pessoas queridas que perdeu ao longo da vida, mas também pela firmeza com que sustenta sua memória e pertencimento. Ao falar de si, Nerana ressalta: é cigana, sente orgulho disso e deseja que as próximas gerações continuem carregando essa herança.

TEXTO: LIVIA FREIRE
FOTOS: MARIA CLARA AQUINO E KAREN FERREIRA



terça-feira, 26 de maio de 2026

UFMT recebe Mostra Calon Lachon e VI Encontro de Cultura Cigana de MT nesta quarta

Cena do Episódio 1 - Jalemos Situque - comunidade de Tangará da Serra. 

O Festival Maio Cigano – VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso, chega nesta quarta-feira (27/05) à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

No período entre 14h e 17h ocorrerá no Instituto de Educação (IE), sala 123, programação da Mostra Calon Lachon de Audiovisual, com o pré-lançamento da série em três episódios, Calon Lachon, que tem o mesmo nome da mostra.

A ída da Mostra Calon Lachon para a UFMT ocorreu por meio de parceria entre a AEEC-MT e o Coletivo Kilombo Cassangue, do curso de Psicologia da UFMT.

Portugal, Brasil e França estão na série. Fotos: Karen Ferreira.

A série Calon Lachon é dirigida por Aluízio de Azevedo, com com co-direção de Rodrigo Zaiden e Karen Ferreira.

Aluízio e Zaiden estarão presentes no evento, que contará com debate após a exibição dos três episódios.

São três episódios: Jalemos Situque (vamos embora), Chiba Calin (Fala Cigana) e Fé em Duvele (Deus).

Peregrinação de Santa Sara Kali, em França. Frame do Episódio 3.

Jalemos Situque mostra a conexão audiovisual entre dois grupos ciganos de etnia Calon, a comunidade de Tangará da Serra (MT) e a comunidade Nova Canaã (Brasília – DF).

Chiba Calin foca nos registros audiovisuais de ciganos portugueses de cidades como Beja, Lisboa, Águeda e Porto.



Fé em Duvele traz a fé e a espiritualidade cigana, começando pela festa de Santa Sara Kali, que ocorre todo ano em Saintes-Maries-De-La-Mer, França, passando pela larga influência da Igrela Filaldéfia em Portugal e o movimento pentecostal da Assembleia de Deus em Brasil.

A serie Calon Lachon é patrocinada por meio do edital Cine Motion – Desenvolvimento de Roteiro da Secel/MT.  Já a Mostra Calon Lachon e o VI Encontro de Cultura Cigana de MT, além do patrocínio da Secel/MT, também tem o patrocínio do Ministério da Igualdade Racial (MIR) / PNUD.

#povosciganos #calonlachon #ufmt #cuiaba #psicologia

Frame Episódio 1, Nova Canaã - Brasília (DF).

sábado, 23 de maio de 2026

Tradição Cigana participa de comemoração do dia nacional dos ciganos em escola de Guiratinga

Programação em comemoração ao dia nacional dos povos ciganos contou ainda com cine debate 

A Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT) participou, no último dia 19 de maio (terça-feira) de programação em comemoração ao Dia Nacional dos Povos Ciganos (24 de Maio) da Escola em Tempo Integral Dona Maria de Lourdes Ribeiro Fragelli, no município de Guiratinga.

Realizada pelo grêmio estudantil União Jovem, o projeto Caminhos e Vozes dos Povos Ciganos, ocorreu no período da manhã e contou com a participação especial do grupo de Danças Tradição Cigana, de Rondonópolis. Integrando a rede estadual de ensino, o projeto foi coordenado pelos professores Joaquim Vilela Neto e Selma Ribeiro, esta última também cigana de etnia Calon e integrante da AEEC-MT.

A programação contou com apresentações de dança do Tradição Cigana e a presença do diretor da escola, das coordenadoras Clarice Terezinha Dallabrida e Neuracy trindade Santana, além do ator Ataíde Arcoverde, que é natural e morador de Guiratinga.

Assista ao vídeo da participação do grupo de Danças Tradição cigana na Escola Maria Fragelli:


Além da participação do grupo de danças Tradição Cigana, o evento contou com um cine-debate que exibiu o filme “Caminhos Ciganos” e dois episódios da websérie “Diva e As Calins de Mato Grosso”: episódio 1 Mestra Diva e episódio água Terezinha Alves.

Falando em nome da AEEC-MT, Nilva Rodrigues, que é coordenadora de mulheres da instituição reforçou algumas questões centrais acerca da cultura, das tradições, da identidade do tronco étnico Calon, bem como destacou o combate ao preconceito e ao racismo.

"Eu estou muito feliz com a escola que promove esse projeto, inspirado pela minha prima Selma. Parabéns para todos os alunos e alunas que estão aqui aprendendo mais sobre respeito, cidadania e uma cultura tradicional. Graças a Deus, nós ciganos, em Mato Grosso, deixamos de ser nômades e na segunda geração temos professores, jornalista, advogados, enfermeiros e muitas pessoas ciganas formadas, que alcançaram a educação superior".

Veja no vídeo o discurso de Nilva na íntegra:

 

De acordo com Selma Ribeiro, o público do projeto são os alunos do ensino fundamental II e ensino médio. Segundo ela, o objetivo geral do projeto é proporcionar aos alunos o contato com a história, tradições e lutas dos povos ciganos, destacando sua presença em Mato Grosso.

Além disso, o projeto teve como objetivos compreender a trajetória nômade e a fixação das comunidades em MT; valorizar o papel da mulher cigana (Calin) na preservação da cultura e na conquista de espaços acadêmicos e políticosç; e estimular o pensamento crítico sobre os direitos das comunidades tradicionais.

“O Dia Nacional do Povo Cigano (24 de maio) é uma oportunidade para desconstruir estereótipos e combater o preconceito histórico contra as etnias ciganas. Ao focar em figuras locais, como Mestra Diva e Terezinha Alves, o projeto humaniza a história, conectando o conteúdo acadêmico à realidade do estado de Mato Grosso e promovendo a educação para a diversidade e igualdade racial”, explica Selma, ao acrescentar que:

“Em Guiratinga, não poderia ser diferente, poderemos contar com a participação e mostrar da diversidade cultural destes povos através do grupo Tradição Cigana de Rondonópolis com danças típicas, o dialeto, as vestimentas, na etnobotânica, nos fitoterápicos, na transformação de metais como tachos de cobre, contribuição essencial ao comercio entre tantas outras contribuições”, finaliza Selma.


sexta-feira, 22 de maio de 2026

Câmara dos Deputados debate criação do Estatuto dos Povos Ciganos no próximo dia 26 de maio

Audiência será interativa; envie suas perguntas. Elza Fiúza / Agência Brasil

Fonte: Agência Câmara de Notícias

A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados promove na terça-feira (26) audiência pública para discutir o Projeto de Lei 1387/22, do Senado, que cria o Estatuto dos Povos Ciganos.

A reunião será realizada às 17 horas, em plenário a ser definido.

O debate atende a pedido do deputado Luiz Couto (PT-PB). Segundo ele, o projeto reconhece, valoriza e protege direitos dos povos ciganos no Brasil.

"Apesar da presença histórica no país, essa população ainda enfrenta invisibilidade institucional, discriminação, preconceito e dificuldade de acesso a direitos fundamentais, como educação, saúde, moradia, trabalho e participação em políticas públicas", afirma.

O parlamentar acrescenta que a criação do Estatuto dos Povos Ciganos é uma medida necessária para enfrentar desigualdades históricas e fortalecer a proteção legal dessas comunidades, respeitando suas especificidades culturais e modos de vida.

Da Redação – MO

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias/1274966-comissao-debate-criacao-do-estatuto-dos-povos-ciganos-participe/

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Projeto desenvolve Roteiro de montagem e primeiros cortes de série com ciganos de Brasil e Portugal

Financiado pela Secel-MT, roteiro conta com três episódios inéditos, incluindo participantes de comunidades de Mato Grosso como Tangará da Serra e Cuiabá

Ocorre nesta sexta-feira (22/05), em Cuiabá, às 19h30, no Ateliê Kaiardon, mais uma exibição do pré-lançamento do projeto Calon Lachon – roteiro de série documental. Realizado pelo multi-artista de etnia Calon, Aluízio de Azevedo, o projeto constitui-se em um roteiro de montagem de uma série documental em três episódios com a temática dos povos ciganos de Brasil e de Portugal, especialmente, do tronco Calon, maioria das comunidades ciganas nos dois países.

A exibição e o pré-lançamento do roteiro de montagem da série, que tem como título “Calon Lachon” na língua Chibe significa “Bom Cigano” ou “Cigano Bom”, ocorrerá por meio de parceria com a Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), em comemoração ao Dia Nacional dos Ciganos (24 de maio). Na última sexta (15/05), os episódios também foram exibidos no mesmo local.

Patrocinado por meio de seleção no Edital de seleção pública 04/2023/Secel/MT – Cinemotion Edital de Desenvolvimento de Roteiro – Edição Lei Paulo Gustavo da Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel/MT), a serie Calon Lachon já está em adiantado processo de pós-produção e agora procura novos recursos para ser finalizada e comercializada no circuito de exibição.

Diretor e roteirista da série, Aluízio de Azevedo. Foto: Karen Ferreira

“Diferente de outros projetos de roteiros que ainda vão ser produzidos, o projeto se destaca por ser um roteiro de montagem, executado a partir de materiais que já foram captados, durante os mais de 10 anos de pesquisa que venho desenvolvendo com os povos ciganos”, explica Aluízio, reforçando que boa parte desse material, que soma mais de uma centena de horas de gravação e inclui 40 entrevistas com pessoas ciganas de Brasil e de Portugal, foi gravado em 2017, ano em que imergiu em comunidades brasileiras e portuguesas para o seu trabalho de campo de doutorado e cuja metodologia fílmica orientou todo o processo de produção e captação fílmica.

Esse material ficou guardado durante esse período e, quando em 2023, surgiu o edital para desenvolvimento de roteiro para produção de uma série audiovisual, Aluízio de Azevedo, aproveitou a oportunidade e propôs o desenvolvimento de roteiro de montagem de uma série. Assim, ao invés de apenas um roteiro de produção, o roteiro de montagem escrito a partirdo projeto e com a consultoria dos quatro consultores de roteiro, vem acompanhado com um primeiro corte de montagem dos três episódios da série. 

O projeto para desenvolvimento do roteiro de montagem da Calon Lachon ocorreu durante todo o ano de 2025 e contou com a participação de quatro consultores: Rodrigo Zaiden, Karen Ferreira, Diego Baraldi e Irandi Rodrigues Silva. Esta última, consultora de cultura cigana da comunidade Calon de Tangará da Serra e uma das personagens centrais da série. Já Zaiden e Karen também estiveram presentes no processo de captação fílmica do material captado em 2017 e são codiretores da série.

O tema principal da série é o universo cigano, narrado e autorrepresentado pelas próprias pessoas ciganas. Por meio de uma escuta aprofundada, a obra revela transformações culturais, identidades múltiplas e distintas formas de integração/exclusão, mostrando suas relações, contradições e resistências. A serie aborda esse universo a partir de uma perspectiva dinâmica e intimista, cuja linha condutora são as viagens e vozes das pessoas encontradas pelo caminho, que apresentam seus mundos de dentro para fora. 

Segundo Rodrigo Zaiden, o que está em foco são os encontros e a conexão das pessoas ciganas, que apesar dos séculos e os milhares de quilômetros que as separam, se reconhecem enquanto pertencentes ao tronco Calon, que mantém tradições, “r-existindo” à modernidade/colonialidade, sem perder o time da atualidade.

Abordamos o tema de forma inédita, revelando nuances, manifestações culturais, memórias e identidades culturais de maneira única e dentro de uma perspectiva própria que rompe com imaginários estereotipados e visões racistas históricas que insistem em permanecer contra os povos ciganos”, pondera o codiretor e consultor de roteiro de montagem.

SERVIÇO:

O que: lançamento do roteiro de montagem da série Calon Lachon

Quando: 15 de maio e 22 de maio (sexta-feira)

Onde: Ateliê Kaiardon, Rua Eng. Ricardo Franco, 427, Centro de Cuiabá

Horário: 19h30

Sinopses dos Episódios

Episódio 1 - Jalemos Situque

"Jalemos Situque" (Vamos embora) estabelece o território brasileiro como ponto de partida. Através de um intercâmbio audiovisual entre comunidades de Mato Grosso e o acampamento Nova Canaã, o episódio desvela os marcadores culturais específicos do Calon no Brasil. A música de raiz e a cultura das “gambiras” (negociações) surgem como elementos de resiliência, enquanto a narrativa aborda a transição do nomadismo secular para a fixação territorial e os impactos ambientais no Cerrado. O episódio destaca a memória dos antepassados, a preservação da tradição oral e a importância da união política para a conquista de direitos públicos específicos.

Episódio 2 – “Chiba Calin”

Em "Chiba Calin" (Fala Cigana) a lente expande-se para as comunidades ciganas portuguesas. O episódio cria um espaço de "recados" e olhares recíprocos, unindo líderes brasileiros, com Wanderley da Rocha, em Nova Canaã, a figuras como Adérito Montes, em Lisboa. Passando por cenários que vão das margens do Tejo ao Bairro das Pedreiras, em Beja, documentamos um contraste gritante: a preservação orgulhosa da língua e das tradições familiares em face de uma exclusão extrema. O cotidiano de crianças que brincam entre trailers e a denúncia da falta de água encanada e habitação digna revelam que os desafios do racismo atravessam fronteiras nacionais, exigindo uma luta coletiva que conecte a Europa ao Brasil.

Episódio 3 – “Fé em Duvele”

O episódio final, "Fé em Duvele" (Deus), tece a tapeçaria espiritual desses povos que, embora muitas vezes forçados, estão em constante movimento. A peregrinação a Saintes-Maries-de-la-Mer em honra a Santa Sara Kali fornece a espinha dorsal rítmica e visual, simbolizando uma reunião da diáspora cigana. Esta devoção tradicional é colocada em tensão dialética com a crescente influência evangélica entre os Calon, manifestada em cultos domésticos em Cuiabá e celebrações rítmicas na Igreja Filadélfia, em Portugal. A obra investiga como o sagrado se molda a novos ritos, desde a rumba gospel até as pregações das Testemunhas de Jeová no Distrito Federal, mas sem deixar de manter alguns de seus fundamentos centrais, como a liberdade interior e a paz de espírito.

FICHA TÉCNICA

- Realização: Edital de seleção pública 04/2023/Secel/MT – Cinemotion Edital de Desenvolvimento de Roteiro – Edição Lei Paulo Gustavo da Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel/MT)

- Proponente: Aluízio de Azevedo Silva Júnior

- Codireção: Rodrigo Zaiden e Karen Ferreira

- Pesquisa, Roteiro e Direção: Aluízio de Azevedo Silva Júnior

- Consultoria de Roteiro de Cultura Cigana: Irandi Rodrigues Silva

- Consultoria de Roteiro: Rodrigo Zaiden, Karen Ferreira e Diego Baraldi

- Direção de Produção: Rodrigo Zaiden

- Direção de Fotografia: Karen Ferreira

- Imagens complementares: Aluízio de Azevedo e Rodrigo Zaiden

- Montagem e edição dos primeiros cortes dos episódios: Aluízio de Azevedo

- Produção Local Mato Grosso: Fernanda Caiado

- Produção Local Portugal: Pimènio Ferreira

- Designer Gráfico e Direção de Arte: Rodrigo Zaiden

- Assessoria de Comunicação e Imprensa: Aluízio de Azevedo

Ancestralidade Viva: Maria Auxiliadora Alves de Anicézio - O Tempo que a Gente é!

 

Moradora de Cuiabá, Dora é um dos esteios da comunidade Calon no município. Foto: Jeomara Viegas

A primeira homenageada da campanha Ancestralidade Viva: o tempo que a gente é, neste #MaioCigano, é dona Auxiliadora Alves de Anicézio, ou simplesmente Dora, como é chamada carinhosamente por toda família.

Filha de mãe gadjin (mulher não-cigana em Chibe, a língua dos Calon) e pai cigano Calon, Dora nasceu em Roraima e viveu uma infância itinerante, viajando a cavalo por diferentes cidades até chegar em Mato Grosso.

Em Guiratinga, construiu sua vida ao lado do marido, Arcelino Avelino, com quem está há mais de cinquenta anos. Juntos tiveram quatro filhos: Eliezer, guardado com amor em sua memória, além de Eliane, Edézio e Edilson, dos quais fala com muito orgulho. A família cresceu com netos e bisnetos, sendo unida e presente em sua vida.

Mesmo tendo sido semianalfabeta durante grande parte da vida, Dora concluiu os estudos e com 35 anos, formou-se em Biblioteconomia e se dedicou ao trabalho até se aposentar!

Hoje, em Cuiabá, mantém uma rotina dedicada à família, à igreja e à convivência com a comunidade. Para ela, o povo cigano é alegre, acolhedor e unido, acostumado a repartir o que possui. Ela também valoriza  e ressalta a força das mulheres ciganas.

A campanha Ancestralidade Viva integra o projeto guarda-chuva "Maio Cigano - VI Encontro de Cultura Cigana de MT", realizado pela AEEC-MT, por meio de patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel/MT) e o Ministério da Igualdade Racial (MIR) / PNUD.

Conheça mais sobre a história da Dora assistindo ao vídeo da campanha no Insta da AEEC-MT: https://www.instagram.com/p/DYedVzWyWT2/

Viva, Dora! Viva a Ancestralidade Viva: o tempo que a gente é!


quarta-feira, 20 de maio de 2026

AEEC solicita apoio à Secretaria Municipal de Cultura de Rondonópolis

 

Dayana e Nilva da AEEC-MT realizam reunião com secretário Jeth Wilson e coordenador de povos tradicionais da prefeitura de Rondonópolis, Djalma Santos

A Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT) esteve reunida no último dia 12 de maio com o secretário adjunto de Cultura da prefeitura de Rondonópolis, Jeth Wilson e com o coordenador de povos tradicionais da pasta, Djalma Santos.

Nilva Rodrigues Cunha e Dayane Cabral, da comunidade local, levaram ao secretário um ofício solicitando apoio para o fortalecimento de ações culturais que a AEEC-MT vem desenvolvendo no município, a exemplo do Grupo de Danças Tradição Cigana e da vivência em Teatro Rarripe – Ciganas em Cena.

“Entre as demandas, solicitamos a contratação do professor de teatro, Ricardo Almeida, para continuar a realizar formações do Rarripe – Ciganas em Cena nos meses de julho, agosto, setembro, outubro e novembro. Também pedimos a contratação de um/a professor/a de danças ciganas para continuar as formações do grupo de Danças Tradição Cigana, duas vezes por semana, nos meses de julho, agosto, setembro, outubro e novembro e recursos para construção de figurinos do grupo”, explica Nilva.

“Outra demanda solicitada à prefeitura de Rondonópolis, foi a reforma e cedência, por meio de termo de comodato, o salão comunitário do Cidade Alta para administração da AEEC-MT, onde poderíamos desenvolver, além dessas duas atividades, outras formações, como aulas de instrumentos musicais, aulas de dança circular, aulas de corte e costura, entre outras, atendendo, além da comunidade cigana, outras pessoas do bairro e das imediações”, complemanta Dayana.

Além disso, durante a visita, a AEEC-MT solicitou ao secretário Jeth Wilson a inclusão dos povos ciganos, por meio da AEEC-MT, no Conselho Municipal de Cultura, bem como criar ações e cotas específicas para o seguimento povos ciganos nos editais lançados pela prefeitura para a área da cultura.

Na ocasião, o secretário Jeth Wilton garantiu ouvir os pleitos da comunidade. “Estamos recebendo aqui na nossa scretaria hoje representantes da comunidade cigana em Rondonópolis, onde podemos ouvir um pouquinho da demanda e entender a realidade dessa comunidade tão tradicional e conhecida no Brasil e que inclusive é patrimônio da Unesco. Com certeza, nós estreitamos os laços e vem parceiras boas por aí”, concluiu.

domingo, 17 de maio de 2026

Projeto Lacho Drom celebra dia nacional dos povos ciganos com monólogo de Taty Iovanovitch

Projeto Latcho Drom conta com peça protagonizada por Tatiane Iovanovitch e palestras que buscam valorizar e ressignificar a cultura cigana em homenagem ao maio cigano. Foto: Assessoria.

No dia 24 de maio é celebrado o Dia Nacional dos Povos Ciganos. Instituída há cerca de 20 anos, a data busca valorizar a cultura de um povo que faz parte da história do Brasil, mas que ainda hoje enfrenta invisibilidade, preconceitos e estigmas sociais. E para quebrar esses paradigmas, Curitiba recebe o projeto Latcho Drom, que na língua romani significa boa jornada e que, por meio de ações culturais trará a Curitiba uma série de atividades culturais gratuitas de 19 de maio a 4 de junho.

Na programação, o público poderá conferir um espetáculo solo protagonizado pela atriz Tatiane Iovanovitch, filha de um dos principais ativistas da causa cigana e um dos nomes mais representativos da cultura no Paraná, Cláudio Domingos Iovanovitch, falecido em março de 2025.

O espetáculo Paramitcha Calipe – dos Jazigos aos Berços, que tem dramaturgia coletiva, direção de Neiva Camargo e concepção cênica de Pedro Almeida, propõe um olhar íntimo, político e sensível sobre a realidade das mulheres ciganas no Brasil.

A peça, que será apresentada em duas temporadas, revisita memórias pessoais, experiências de violência, pertencimento e identidade para discutir os desafios enfrentados dentro e fora da comunidade cigana.

A montagem nasce do legado de Cláudio Domingos Iovanovitch, que idealizou inicialmente o projeto. Filha única do ativista, Tatiane decidiu levar a proposta adiante como forma de preservar a memória do pai e ampliar o debate sobre invisibilidade e representatividade dos povos ciganos. 

“Nós, povos ciganos, falamos pouco sobre nós mesmos. E o projeto e o espetáculo propõem justamente isso: uma perspectiva cigana sobre o nosso povo e a nossa cultura”, afirma a atriz.

Muito além do imaginário popular

Além do monólogo, o projeto traz também palestras com nomes da cultura cigana das mais diferentes áreas, com pesquisadores, artistas e ativistas da cultura cigana, como é o caso da palestra com o cigano da etnia Calon Aluízio de Azevedo Silva Júnior, que é doutor em Comunicação e Saúde dos Povos Ciganos de Brasil e Portugal pela Fiocruz. “Queremos ampliar esse debate e mostrar o quanto os povos ciganos contribuíram para a formação do povo brasileiro”, afirma Tatiane.

Ainda, o jornalista e artista Roy Rogeres Fernandes Filho, que pesquisa a participação da cultura cigana na arte circense brasileira e a ativista Hayanne Iovanovicth, idealizadora do projeto Museu Cigano Virtual Romano, estarão presentes na programação, que está distribuída em Santa Felicidade e no Memorial de Curitiba.

Mais do que reforçar imagens folclorizadas normalmente associadas aos povos ciganos, o projeto aposta na reflexão. “Estamos falando de uma programação muito longe daquele imaginário popular, ou seja, o público não vai encontrar dança e música o tempo inteiro. O monólogo, por exemplo, é sobre escuta, memória, silenciamento e realidade, e os debates querem trazer conhecimento ao público”, explica Tatiane.

A proposta é ampliar o diálogo com o público sobre identidade, preconceito e apagamento cultural. “A gente espera que o público venha com o coração aberto para entender um pouco mais dessa cultura”, finaliza.

Serviço:

PROGRAMAÇÃO do Pojeto Latcho Drom

Datas:

👉🏼19 a  21 de maio às 21h

Apresentações do espetáculo Paramitcha Calipe – dos Jazigos aos Berços, por Tatiane Iovanovitchi no Teatro do Espaço da Criança em Santa Felicidade

Rua Domingos Strapasson, 620

👉🏼1 a 4 de junho

Palestras sobre a cultura cigana no Teatro do Memorial de Curitiba

R. Dr. Claudino dos Santos, 79 - São Francisco

👉🏼30 de maio a 4 de junho às 21h

Apresentações do Espetáculo Paramitcha Calipe – dos Jazigos aos Berços por Tatiane Iovanovitchi no Teatro do Memorial de Curitiba.

Rua Doutor Claudino dos Santos, 79 - São Francisco, Curitiba - PR

🎫INGRESSOS GRATUITOS e disponíveis em: https://www.sympla.com.br/evento/paramitcha-calipe-dos-jazigos-aos-bercos/3424871?share_id=copiarlink

Saiba mais:https://www.instagram.com/paramitchacalipe?igsh=MWh6czNubzcxZmZpbA==