quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Uninter oferece curso sobre cultura cigana e direitos humanos

Iniciativa busca combater estereótipos, capacitar profissionais de diversas áreas e promover o respeito à diversidade cultural por meio de atividades presenciais e remotas.

CURITIBA — O Centro Universitário Internacional Uninter está com inscrições abertas para o curso de extensão "Cultura Cigana entre o imaginário, o anticiganismo e os direitos". 

Com carga horária de 20 horas e certificação gratuita para os participantes que obtiverem aproveitamento com nota igual ou superior a 70, a formação tem como principal objetivo conscientizar o público sobre os preconceitos enfrentados pelas comunidades ciganas e orientar acerca de seus direitos.

Sob a condução da Doutora Thiana Maria Becker, o curso propõe uma imersão crítica para além dos estereótipos tradicionais. 

A proposta pedagógica destaca que conhecer a história e a organização social, cultural e familiar dos povos ciganos é fundamental para compreender as dinâmicas da discriminação e ampliar a capacidade das instituições no oferecimento de um atendimento adequado e respeitoso.

Combate ao preconceito e fortalecimento de direitos

A programação acadêmica abordará de que maneira o conhecimento produzido e compartilhado pelas instituições pode atuar ativamente no combate ao preconceito institucional e no fortalecimento do acesso a direitos fundamentais.

A iniciativa é voltada tanto para o público interno da instituição quanto para a comunidade externa — incluindo estudantes, docentes, pesquisadores e profissionais, com enfoque naqueles que atuam ou atuarão diretamente com populações ciganas nas áreas de Educação, Saúde, Segurança Pública, Serviço Social e Direito, entre outras.

Estrutura curricular e formato híbrido

O curso está estruturado em três momentos formativos distintos, combinando transmissão digital e encontros presenciais em Curitiba. As atividades têm início com uma realização em estúdio transmitida via Zoom, possibilitando ampla participação interativa da comunidade acadêmica.

Na sequência, no dia 29 de outubro de 2026, ocorre a palestra presencial no Edifício UNINTER Polos Batel (Sala 24), aberta ao público interno e externo para fortalecer a visibilidade da temática.

Por fim, o ciclo é complementado por uma atividade presencial no Polo CIC, promovendo a aproximação direta com a comunidade local e expandindo os espaços de reflexão sobre as contribuições da cultura cigana para a sociedade.

Serviço

Evento: Curso de Extensão Cultura Cigana entre o imaginário, o anticiganismo e os direitos

Investimento: Gratuito

Carga horária: 20 horas

Certificação: Mediante participação e nota

Docente responsável: Doutora Thiana Maria Becker

Público-alvo: Público interno da Uninter e comunidade externa (estudantes, docentes, pesquisadores e profissionais, em especial das áreas de Educação, Saúde, Segurança Pública, Serviço Social e Direito)

Locais presenciais: Edifício UNINTER Polos Batel (Sala 24) e Polo Curitiba - CIC

Inscrições e Informações: Disponível no portal de extensão da UNINTER.

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT - Texto criado com ajuda de IA

 

Fundação Secretariado Gitano alerta que o anticiganismo continua vigente

A Fundação Secretariado Gitano alerta na Extremadura que o antigitanismo continua vigente e reclama um Pacto de Estado contra os discursos de ódio.

A diretora da Fundação Secretariado Cigano na Extremadura, Mercedes Moreno, sublinhou esta terça-feira que "o antigitanismo não é um problema do passado", mas uma realidade atual na qual "a discriminação" continua presente em relação à população cigana no acesso a bens e serviços, pelo que reivindicou a implementação de um Pacto de Estado contra os discursos de ódio que sofrem.

Moreno lançou este apelo durante a apresentação do XXI Relatório Anual "Discriminação e Comunidade Cigana" 2025, realizada na Assembleia da Extremadura. O documento compila 399 situações de discriminação contra pessoas ciganas em todo o território nacional, 25 delas na Extremadura, em um ano "especialmente relevante" em que se comemoravam 600 anos de presença do povo cigano na Península Ibérica.

O relatório detalha 118 casos de discursos de ódio nas redes sociais e 82 incidentes relacionados ao acesso a bens e serviços, com especial incidência em comércios e supermercados, onde ocorrem episódios de "hipervigilância" e "acusações infundadas" de roubo. Além disso, são registrados 48 casos de discriminação em meios de comunicação.

No âmbito laboral, foram detectados 35 casos, tanto por negativas a contratar como por não superar o período de experiência, e 25 no sistema educativo, na sua maioria pela não admissão de alunos ciganos em centros escolares "com todo tipo de desculpas".

O documento também registra 15 casos de discriminação no acesso à saúde e 45 relacionados com a habitação, principalmente pela negativa em alugar imóveis devido à condição de ciganos das pessoas solicitantes.

"Uma realidade cotidiana" que vulnera direitos

Durante sua intervenção, a responsável pela Fundação Secretariado Cigano na Extremadura destacou que "mais um ano" o relatório evidencia que "a discriminação e o antigitanismo não são um problema do passado, mas sim realidades cotidianas", quando "deveriam deixar de ser".

Insistiu que "a discriminação continua presente" em relação às pessoas ciganas no acesso a bens e serviços, nas redes sociais e no mercado de trabalho, o que, em sua opinião, "limita os projetos de vida de milhares de pessoas pelo mero fato de sua origem étnica".

Os 399 casos documentados em 2025 "refletem que apesar do avanço normativo e dos compromissos das instituições, a igualdade real e efetiva continua sendo uma meta a ser alcançada", ressaltou Moreno, que avisou que "cada caso registrado representa uma violação de direitos e uma experiência de exclusão" que afeta uma pessoa cigana e "coarta oportunidades".

Nessa linha, sublinhou que o relatório "não só recolhe cifras e casos", mas constitui "um chamado à ação para que todas as instituições públicas e a sociedade como um todo redobrem o esforço na defesa dos direitos humanos e da igualdade de tratamento".

Moreno lembrou que "por trás de cada caso e cada porcentagem sempre há um rosto e há uma família a quem são vulneradas as dignidades humanas", e apontou que existem muitas formas de discriminação que não são denunciadas e que "acontecem todos os dias", como quando o vigilante de um supermercado segue uma pessoa cigana ou quando uma criança não tem acesso à escola que deseja.

Diante desse cenário, a Fundação Secretariado Cigano reafirmou seu "compromisso com a defesa dos direitos fundamentais, a igualdade de tratamento e a erradicação do antigitanismo", ao mesmo tempo que reconheceu que "embora tenha havido avanços significativos, especialmente no reconhecimento institucional e na sensibilização social", ainda persistem "desafios estruturais".

Por isso, Moreno pediu "o enfrentamento dos discursos de ódio, especialmente os de caráter antigitano", e defendeu que "é fundamental aplicar de forma efetiva a Lei de Serviços Digitais para prevenir e sancionar a propagação de discursos de ódio nas redes sociais", espaços onde "o antigitanismo se amplifica e se normaliza com demasiada frequência".

Finalmente, reivindicou a aprovação de um Pacto de Estado contra os discursos de ódio que permita "coordinar ações" entre Administrações, meios de comunicação, plataformas digitais e sociedade civil, "garantindo um marco comum de proteção frente a esta grave vulneração de direitos".

Quintana pede "não normalizar os preconceitos"

O delegado do Governo na Extremadura, José Luis Quintana, reconheceu o "trabalho constante em favor da igualdade" que desenvolve a Fundação Secretariado Gitano, e assinalou que o relatório é "muito mais" do que uma compilação de dados, já que lembra que "uma sociedade democrática não se mede unicamente pelas leis que aprova, mas pelos direitos que garante e pela igualdade de oportunidades".

Quintana indicou que o documento recolhe "nada mais e nada menos" que 400 casos de discriminação contra pessoas ciganas e que por trás de cada um "há uma experiência de rejeição e uns direitos que não foram respeitados", em situações que ocorrem "em âmbitos tão cotidianos como o emprego, a educação, a habitação, o acesso aos serviços", e também "de maneira indigna muitas vezes nas redes sociais".

Por isso, o delegado do Governo chamou a não "normalizar os preconceitos nem os discursos de ódio tão comuns nestes últimos tempos", especialmente nas redes sociais, e defendeu a necessidade de contar com "instituições comprometidas, políticas públicas que sejam eficazes, mecanismos de proteção para as vítimas e uma sociedade que não olhe para o outro lado diante de nenhuma forma de discriminação".

Sánchez Vera reclama visibilizar os obstáculos

A secretária geral de Igualdade da Junta de Extremadura, Ara Sánchez Vera, valorizou que o trabalho da Fundação Secretariado Gitano "não só contribui para melhorar a vida de muitas pessoas, mas também ajuda a construir uma sociedade mais justa e mais inclusiva".

Sánchez Vera considerou que os dados do relatório devem servir à sociedade para "refletir sobre uma realidade que não podemos ignorar", uma vez que "é um fato inegável que as pessoas ciganas encontram muitos obstáculos em sua vida", questões que "precisam ser visibilizadas".

Por este motivo, incentivou a denunciar os casos de discriminação para poder "corrigir as condutas, punir os culpados", assim como "educar e sensibilizar para que não se repitam esse tipo de comportamento".

Insistiu na responsabilidade das administrações públicas, porque "a igualdade de oportunidades não pode depender do gênero, da orientação sexual, da origem ou da classe social", e advertiu que "a discriminação nem sempre se manifesta de maneira evidente", mas "às vezes se esconde atrás de uma negativa injustificada, de uma oportunidade que nunca chega, de um olhar ruim ao entrar em um estabelecimento".

Neste ponto, Ara Sánchez Vera aludiu de forma especial à realidade das mulheres ciganas, que "enfrentam obstáculos derivados tanto de sua condição de mulheres quanto dos preconceitos associados à sua pertença étnica", uma situação que "exige respostas específicas" e políticas que impulsionem sua autonomia, sua formação, seu acesso ao emprego e sua participação na vida social.

Por último, o vice-presidente primeiro da Assembleia da Extremadura, Domingo Expósito, ressaltou que o relatório lembra que "ainda há caminho a percorrer para conseguir uma sociedade na qual a igualdade de oportunidades acabe sendo uma verdadeira realidade para todos".

Expósito apontou que o primeiro passo é "reconhecer que esse problema existe" e não olhar para o outro lado, e assegurou que a Assembleia da Extremadura continuará sendo "um espaço de encontro, de diálogo e de defesa de direitos".

Disponível em: https://www.democrata.es/pt/extremadura/fundacao-secretariado-gitano-na-extremadura-alerta-que-o-antigitanismo-continua-vigente-e-nao-ficou-para-tras/

Oficina de Chibe valoriza mestres da língua Calon

 
Evento é realizado pela AEEC, com patrocínio da Secel-MT. Foto: Aluízio de Azevedo

Mais de 50 pessoas da comunidade cigana do tronco étnico Calon de Tangará da Serra, município que reúne a terceira maior comunidade cigana de Mato Grosso, participaram no último sábado (17/10) da Oficina de Chibe: Reavivando a Língua Calon.

Este é o segundo módulo do projeto, que tem como objetivo principal salvaguardar a Chibe, nome como as pessoas ciganas Calon denominam sua língua própria, também conhecida entre os ciganos Calon de Portugal como Romanon e entre os ciganos de Espanha como Kalé.

Realizado pela Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), o evento ocorreu entre 08h e 17h na Chácara WR, em Tangará da Serra. O evento tem como proponente o multiartista e produtor cultural de etnia Calon, Aluízio de Azevedo e o projeto é realizado por meio de aprovação no Edital Viver Cultura Identidades – Edição Lei Paulo Gustavo, da Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel/MT).

Grupo de Danças Calins do Cerrado, da comunidade cigana de Tangará, realizou uma mostra do trabalho que vêm realizando. Foto: Aluízio de Azevedo

Além de fortalecer e conservar a Chibe na comunidade ciganas de Tangará, a iniciativa valoriza mestres da cultura que dominam fluentemente a língua. Os oficineiros do evento foram 15 anciãos e anciãs que vivem na cidade. Outro objetivo foi despertar nos mais jovens o desejo de conservar a Chibe e o orgulho de pertencer à etnia Calon.

A programação foi realizada de forma muito leve e divertida, pensada com carinho para um público variado, com idades que vão de cinco a 80 anos.

Levando-se em consideração que a maioria dos mais velhos e mais velhas da etnia Calon não frequentaram a sala de aula e que a Chibe é uma língua oral, transmitida de geração em geração há milênios, a oficina foi estruturada em formato de gincana.

A metodologia da oficina foi elaborada pedagogicamente em diálogo com a cultura, a tradição e a identidade Calon, o que inclui a criação de materiais didáticos inéditos desenvolvidos especialmente para o evento por uma equipe de consultoria pedagógica formada por mestres da Chibe.

15 anciãos e anciãs da comunidade Calon de Tangará foram os oficineiros da Chibe. Foto: Aluízio de Azevedo

Entre esses materiais estão o caderno de atividades em Chibe, o bingo dialetal, o Pai nosso em Chibe (“Bato Nusca) e a tradução da música “Bute Pilon”, dos cantores de etnia Calon, Eddy Brito e Samuel.

O ‘Caderno de Atividades em Chibe, que conta com vários exercícios linguísticos de fixação, como caça-palavras, complete e ligue as frases, numerais e dicas de gênero (feminino e masculino).

O evento contou com a participação da diretoria da AEEC-MT, incluindo a presidente da AEEC-MT, Taize Aracelli Caiado Siqueira, da primeira secretária, Irandi Rodrigues Silva e da sua segunda secretária, Orceni Rodrigues Angola, ambas integrantes da comunidade de Tangará da Serra. As duas últimas estavam entre as pessoas que ministraram a oficina de chibe.

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

domingo, 18 de outubro de 2026

Secel apoia realização do segundo módulo de língua cigana em Tangará da Serra

Encontro promove resgate da língua Chibe para reforçar o pertencimento e a identidade da comunidade cigana de Mato Grosso

Andréa Haddad | Secel-MT, 16 de Outubro de 2026 às 15:29

A programação foi elaborada pedagogicamente em diálogo com a cultura e a identidade Calon. O projeto conta com materiais didáticos inéditos desenvolvidos por uma equipe de consultoria pedagógica formada por mestres do idioma.

“A oficina foi estruturada em formato de gincana. A programação está muito leve e divertida, pensada com carinho para um público com idades entre cinco e 80 anos. Um dos materiais é o Caderno de Atividades em Chibe, que conta com exercícios linguísticos de fixação, como caça-palavras, complete e ligue as frases, numerais e dicas de gênero”, explica Aluízio.

De acordo com a presidente da AEEC-MT, Taize Aracelli Alves Caiado, o Chibe é um dos principais patrimônios culturais imateriais dos ciganos Calon e precisa ser reconhecido nos inventários de línguas brasileiras. “Esta é a segunda edição do projeto em Tangará da Serra, e queremos levar a iniciativa a outros municípios do Estado, principalmente Cuiabá e Rondonópolis, que reúnem grandes comunidades e também precisam fortalecer essa tradição”, ressalta.

Além da presidente da AEEC-MT, a oficina contará com a participação da primeira-secretária e da segunda-secretária da instituição, Irandi Rodrigues Silva e Orceni Rodrigues Angola, ambas integrantes da comunidade local. A programação cultural inclui apresentação especial do grupo de dança “Calins do Cerrado” e a exibição do documentário “Oficina de Chibe”, que registra a primeira edição do projeto, realizada em 2024.

 

Em respeito às diretrizes das lideranças locais de não ensinar o Chibe a não ciganos, o curso é exclusivo para cerca de 50 integrantes da comunidade, entre adultos, crianças e adolescentes. Uma das participantes é Aldi Rodrigues, produtora e mediadora do evento, que destaca o valor imaterial do idioma.

“O Chibe carrega a expressão genuína do sentimento do nosso povo. É a perpetuação da nossa história de sobrevivência, cumplicidade e conexão com os antepassados. Para existir, é preciso proteger e perpetuar”, afirma.

Para Simone Carla Rodrigues, também produtora local, a iniciativa incentiva a troca de conhecimentos entre gerações. “Este segundo encontro acontece justamente porque nossos filhos, sobrinhos e até nós, adultos, ainda não temos o domínio completo do Chibe. Entendemos algumas expressões, mas falamos poucas palavras. Como a língua vem de uma tradição oral, esses encontros nos permitem reviver memórias e fortalecer nossa identidade”, conclui.

Com informações da assessoria 

Disponível em: https://www.secel.mt.gov.br/w/secel-apoia-realiza%C3%A7%C3%A3o-do-segundo-m%C3%B3dulo-de-l%C3%ADngua-cigana-em-tangar%C3%A1-da-serra


quinta-feira, 15 de outubro de 2026

AEEC participa do ReConexões Mato Grosso

AEEC-MT participa do evento, que é realizado pelo IBRAM, como Ponto de Memória. Foto: Taize Aracelli. 

A Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), enquanto Ponto de Memória e por meio de sua presidente, Taize Aracelli Alves Caiado e do seu Assessor para Ciência e Comunicação, Aluízio de Azevedo, participa do evento (Re)Conexões Mato Grosso. 

Em Mato Grosso, o evento é organizado pelo Escritório Estadual do Ministério da Cultura (Minc) em Mato Grosso e ocorre entre 15 e 16 de outubro, no Auditório da Receita Federal em Cuiabá e é organizado pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), reunindo representantes de museus e pontos de memória.

O encontro é voltado para uma série de ações objetivando o incentivo à participação social no campo museal, pretendendo facilitar o diálogo e a gestão integrada entre museus, que podem ser públicos e privados.

Também tem como objetivo priorizar políticas públicas alinhadas com os anseios da comunidade cultural e da sociedade, onde o papel dos museus assume fundamental importância para a valorização do patrimônio como dispositivo estratégico de aprimoramento dos processos democráticos.

“Nesse sentido, o programa (Re)Conexões tem por objetivo promover a participação ampliada de museus, redes, coletivos e pontos de memória etc, nos debates e apresentação de propostas do Mato Grosso, referente a reestruturação do Sistema Brasileiro de Museus, implementação do Sistema de Participação Social e a normatização do Fórum Nacional de Cultura”, explica Lígia da Silva Viana, coordenadora do Escritório Estadual do Ministério da Cultura (Minc) em Mato Grosso, instituição que organiza o evento.

De acordo com a presidente da AEEC-MT, Taize Aracelli Alves Caiado, "o encontro foi muito proveitoso e de grande valia para os nossos povos ciganos, que não têm visibilidade. Então, assim, é mais uma chance da gente ser inserido na história oficial brasileira. Também é uma oportunidade de reforçar a importância de conservar as nossas memórias, tradições, nossos patrimônios materiais e imateriais, arqueológicos e culturais", pondera.

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

terça-feira, 13 de outubro de 2026

História e Resistência da Língua Chibe entre os Calon

Mergulho na história milenar da língua tradicional cigana, o papel estratégico dos anciãos/as na defesa e luta pela salvaguarda desse patrimônio imaterial Calon. Foto João Aquino.

Mais do que um sistema de comunicação, uma língua é um arquivo vivo de afetos, dores, estratégias de sobrevivência e cosmovisões. O pesquisador de comunicação e linguagem, Pierre Bourdieu, afirma que é a língua que estrutura o pensamento de um povo. Daí a sua extrema importância para a cultura, a comunicação e as outras linguagens.

Para o povo cigano Calon, tronco étnico cigano de forte presença histórica na Península Ibérica, no Brasil e países da América Latina, a Chibe, também conhecida entre os ciganos portugueses como Romanon e na Espanha como Kalé, é um dos pilares mais sagrados da identidade cigana. Longe de ser apenas um vocabulário alternativo, a Chibe é um território de soberania construído ao longo de séculos de diáspora, perseguição e resistência cultural.

Historicamente, a trajetória linguística do povo Calon é marcada por uma profunda capacidade de adaptação sem a perda de seus sentidos mais básicos. Os ciganos absorveram elementos estruturais e palavras das línguas faladas nos territórios por onde transitaram, sobretudo o português e o espanhol, fundindo-os a uma base de vocabulário de origem romani. E, ao mesmo tempo, também influenciaram na base linguística por onde passaram, especialmente, português e espanhol.

Esse sincretismo gerou uma língua própria, fluida e transmitida essencialmente pela oralidade, de geração em geração, nos acampamentos, nas rodas de conversa e no cotidiano familiar. A Chibe não nasceu para os compêndios acadêmicos ou para as gramáticas escolares; ela pertence ao espaço íntimo da comunidade, onde cada termo carrega o peso de uma ancestralidade que se recusa a ser apagada.

Ao longo dos séculos de marginalização e racismo institucional enfrentados pelos ciganos na Europa e nas Américas, falar a Chibe cumpriu duas funções vitais e indissociáveis: serviu como um identificador cultural imediato, permitindo o reconhecimento de ciganos entre si em qualquer lugar do mundo. Também operou como um escudo, funcionando como um código seguro de comunicação interna, para blindar e proteger as famílias contra violências e perseguições externas.

A Soberania dos Mais Velhos e o Trabalho da AEEC-MT



Uma das decisões políticas mais importantes e firmes tomadas pelas lideranças, anciões e anciãs das comunidades Calon é a diretriz histórica de não ensinar a Chibe a pessoas não-ciganas (gadjons). Longe de ser isolamento, essa escolha representa o ápice da autonomia cultural e da soberania política e da contracolonialidade, especialmente, num mundo que historicamente tentou expropriar, folclorizar ou destruir a cultura cigana e sua língua.

Portugal e Brasil editou inúmeras leis inclusive proibindo-nos de falar a Chibe. Assim, manter a língua restrita à comunidade garante que a intimidade de um povo milenar não pertença ao mercado e que a preservação de seu patrimônio imaterial permaneça sob o controle exclusivo de seus legítimos detentores.

É exatamente dentro desse cenário de valorização da história, da memória e da soberania política que se insere o trabalho contínuo de salvaguarda desenvolvido pelo movimento social cigano. No estado de Mato Grosso, a Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT) tem liderado iniciativas pioneiras de fortalecimento da língua, como o projeto de oficinas de Chibe, desenvolvidas em diálogo direto com mestres, anciãos e lideranças locais.

Os encontros são espaços seguros e lúdicos onde crianças, jovens e adultos podem vivenciar a língua por meio de cadernos de atividades, músicas e do registro de memórias dos mais velhos, provando que a Chibe continua pulsante e fundamental na identidade Calon. O modulo II da Oficina de Chibe, ocorrerá em Tangará da Serra no próximo dia 17 de outubro (sábado), entre 08h e 17h. Na ocasião, 50 pessoas da comunidade local passarão o dia rememorando, falando, estudando a Chibe e fortalecendo o orgulho em ser Calon.

O projeto é financiado por meio do Edital Viver Cultura Identidades – Edição Lei Paulo Gustavo – na categoria povos ciganos, da Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel/MT). O primeiro modulo ocorreu em maio de 2024, também em Tangará da Serra, com o patrocínio da Secel/MT, dentro da programação do IV Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso.  O projeto tem a proponência do pesquisador, ativista e multiartista de etnia Calon, Aluízio de Azevedo, este que vos fala.

Aluízio de Azevedo, Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT e proponent do projeto Oficina de Chibe: Reavivando a Língua Calon – Módulo II.

Parte dos presentes no módulo I da oficina em Tangará (2024). Foto: João Aquino.

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Módulo II da Oficina de Chibe ocorre em Tangará da Serra para fortalecer a língua Calon

 
Projeto tem como objetivo conservar a “Chibe”, modo como os ciganos de etnia Calon denominam sua língua no Brasil

Com o objetivo principal de garantir a salvaguarda da “Chibe”, a língua do tronco étnico cigano Calon, será realizado no próximo dia 17 de outubro (sábado), na Chácara WR, em Tangará da Serra, o segundo módulo da Oficina de Chibe: Reavivando a Língua Calon. “Chibe” é o nome como as pessoas ciganas brasileiras dessa etnia denominam sua língua própria — também conhecida entre os ciganos portugueses como Romanon e, na Espanha, como Kalé.

O evento tem como proponente o multiartista e produtor cultural — também de etnia Calon — Aluízio de Azevedo, e conta com a parceria da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT). O projeto é realizado por meio de aprovação no Edital Viver Cultura Identidades – Edição Lei Paulo Gustavo, da Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel/MT).

Além de fortalecer e conservar a Chibe entre as comunidades ciganas de Mato Grosso, especialmente em Tangará da Serra, município que reúne a terceira maior comunidade cigana do Estado, a iniciativa valoriza mestres da cultura que dominam fluentemente a língua, despertando nos mais jovens o desejo de conservá-la e o orgulho de pertencer à etnia Calon.

A programação foi elaborada pedagogicamente em diálogo com a cultura, a tradição e a identidade Calon, o que inclui a criação de materiais didáticos inéditos desenvolvidos especialmente para o evento por uma equipe de consultoria pedagógica formada por mestres da Chibe.

Oficina é exclusiva para pessoas ciganas de Tangará da Serra. Foto: João Aquino

“A oficina foi estruturada em formato de gincana. A programação está muito leve e divertida, pensada com carinho para um público variado, com idades que vão de cinco a 80 anos. Um dos materiais é o ‘Caderno de Atividades em Chibe, que conta com vários exercícios linguísticos de fixação, como caça-palavras, complete e ligue as frases, numerais e dicas de gênero (feminino e masculino)”, explica Aluízio de Azevedo, coordenador pedagógico do projeto.

De acordo com a presidente da AEEC-MT, Taize Aracelli Alves Caiado, a Chibe é um dos principais patrimônios culturais imateriais dos ciganos Calon e precisa ser conservada e reconhecida nos inventários estadual e nacional de línguas brasileiras. “Esta é a segunda edição do projeto em Tangará, e queremos levar a iniciativa a outros locais do Estado, principalmente, Cuiabá e Rondonópolis, que reúnem grandes comunidades ciganas e que também precisam fortalecer essa tradição”, ressalta.

O evento contará também com a participação da primeira e da segunda-secretárias da instituição, Irandi Rodrigues Silva e Orceni Rodrigues Angola, ambas integrantes da comunidade de Tangará da Serra.

Produção ressalta conservação da Chibe como patrimônio imaterial Calon

Segundo o diretor de produção do evento, Rodrigo Zaiden, além do caderno de atividades, outras dinâmicas foram desenvolvidas. “Uma delas é o jogo de Bingo Dialetal, que estimula a fixação da língua por meio do lúdico. A programação também inclui a tradução da música Bute Pilon, dos cantores de etnia Calon, Eddy Brito e Samuel, o registro de histórias e memórias dos anciãos e anciãs da comunidade, além de uma avaliação final”, detalha.

As crianças ciganas também participam do evento. Foto: João Aquino.

Respeitando o indicativo de lideranças locais e do movimento social cigano de não ensinar a Chibe a não-ciganos, o curso é exclusivo para cerca de 50 pessoas ciganas, incluindo crianças e adolescentes. Entre os participantes está Aldi Rodrigues, uma das produtoras e mediadoras do evento, que pondera sobre a importância da língua Calon:

“A Chibe carrega a expressão genuína do sentimento de nosso povo. É a perpetuação de nossa história de sobrevivência, cumplicidade e conexão com nossos antepassados. Para existir, é preciso proteger e perpetuar”, destaca.

Para Simone Carla Rodrigues, também produtora local, o encontro incentiva o aprendizado intergeracional. “Esse segundo encontro acontece justamente porque os meus filhos, os filhos dos meus primos, os sobrinhos e até mesmo nós adultos não temos tanto domínio da Chibe. Entendemos algumas coisas e sabemos falar poucas palavras. Sinto que a cultura acaba se enfraquecendo. Como a Chibe vem de uma tradição oral, sem registro em dicionários, esses encontros nos permitem reviver momentos e fortalecer nossa identidade”, aponta.

A coordenadora de produção local, Adriana Rodrigues, reforça que um dos grandes impactos do projeto é a geração de emprego e renda dentro da própria comunidade cigana de Tangará da Serra. Foram criados mais de 30 postos de trabalho diretos, englobando equipes de comunicação, produção local e alimentação, com a contratação de 15 anciãos e anciãs como oficineiros da Chibe — três dos quais são pessoas com deficiência (PCDs).

Evento, que prevê a participação de 50 pessoas, é financiado pela Secel/MT, por meio do Edital Viver Cultura Identidades - Edição LPG, categoria Povos Ciganos. Foto: João Aquino.

Adriana destaca ainda que o segundo encontro da oficina é fundamental para a comunidade cigana tangaraense. “Nossa língua é viva, aprendida no diálogo cotidiano com pais, avós e tios. Como não temos uma gramática escrita formal para ser aprendida de forma escolarizada, o aprendizado se dá na fala”.

Para a produtora Calon, com a globalização e a mudança no modo de vida, em que as famílias já não vivem em acampamentos tradicionais e moram mais distantes umas das outras, a prática diária da Chibe diminui. “Isso faz com que os mais novos acabem não aprendendo. Assim, considero este encontro importantíssimo para preservar nossa língua, evitar que ela desapareça e garantir que um dos nossos maiores patrimônios continue existindo no futuro”, conclui.

Kaiardon Produções - Assessoria de Comunicação 

Anciãos são os oficineiros da oficina de Chibe. Foto: João Aquino.

Ficha Técnica

Realização: Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT)

Proponente do projeto e Coordenação Geral: Aluízio de Azevedo Silva Júnior

Produção Executiva e Consultoria de Chibe e Língua Cigana: Irandi Rodrigues Silva

Direção de Produção e Direção de Arte: Rodrigo Zaiden

Coordenação de Produção: Adriana Rodrigues

Produção Local: Aldi Rodrigues e Simone Rodrigues

Mediação da Oficina: Aldi Rodrigues e Aluízio de Azevedo Silva Júnior

Fotografia e audiovisual: Maria Clara Aquino

Identidade Visual: Tami Lage

Técnico de Som: João Aquino

Mestres da Chibe

Estroécio Rodrigues Cunha

Orceni Rodrigues Angola

Venerana Rodrigues Cunha Pereira

Anésio Divino Rodrigues Cunha

Leida Alves Cunha

Daniel Rodrigues Angola

Luzia Laceni

Aluízio de Azevedo Silva

Irandi Rodrigues Silva

Terezinha Alves

Ranulfo Rodrigues Cunha

Taize Aracelli Alves Caiado

Nilva Rodrigues Cunha

Anderson Souza Lobo

Adevair Rodrigues Cunha

Maria Barbosa Cunha

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Blog da AEEC ultrapassa os 300 mil acessos

O Blog da AEEC-MT é hoje o principal canal de comunicação da AEEC-MT e um dos canais mais ativos da temática cigana no Brasil

O Blog da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT) registrou nesta sexta-feira (02/10) a marca de mais de 300 mil acessos.

Mais antigo canal de comunicação da AEEC-MT, o Blog foi criado em Fevereiro de 2017, em conjunto com a articulação para a criação da própria Associação, cuja Assembleia Geral de Fundação ocorreu em Setembro de 2017. 

No entanto, o canal permaneceu pouco atualizado até o ano de 2020, quando conquistamos o registro do nosso CNPJ. Desde então, vem sendo atualizado de forma semanal, trazendo não apenas as principais ações, projetos e programas da AEEC-MT, como também registrando as principais notícias e informações relativas aos povos ciganos no Brasil.

De lá para cá, o nosso ecossistema de comunicação cresceu. Mantemos um Site institucional que congrega nossas principais institucionalidades (www.aeec.org.br) e o site da Exposição Multimídia Calin (www.galericalin.com), que enfoca nos saberes, tradições e representatividade das mulheres ciganas.

Além disso, participamos ativamente nas rede s sociais. Mantemos canais no Instagram (@aeecmt), que tem mais de 2,6 mil seguidores, no Facebook (com 926 seguidores) e no YouTube (https://www.youtube.com/@aeecmt7993)m, com 214 inscritos.

Mesmo com toda essa diversidade midiática, o Blog, sem dúvidas, continua sendo o nosso principal meio de registro e de informações qualificadas com o público não apenas cigano, mas principalmente, o público em geral.

Até hoje já foram publicadas no Blog 497 notícias e logo alcançaremos a marca das 500 notícias publicadas, todas filtradas a partir de um olhar de dentro, trazendo uma outra perspectiva acerca da cultura, da história, das lutas e das demandas dos povos ciganos no Brasil.

Quando conseguimos, também trazemos notícias referentes aos povos ciganos de outros lugares do mundo, conectando com a realidade global.

Acreditamos que hoje o nosso Blog é o principal canal ativo acerca da temática cigana no país e um dos principais canais mundiais. Tanto assim, que recebemos visitas de outros países, tão diversos, como Estados Unidos, Hong Kong, Singapura e Alemanha, que são os que mais nos visitam, atrás, é claro do Brasil.

Vida longa ao Blog da AEEC-MT!

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT


quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Última semana para inscrições no vestibular da UNEB com cotas para ciganos

 

Atenção pessoas ciganas interessadas em cursar ensino superior, terminam no próxio dia 8 de outubro de 2026 as inscrições para o Processo Seletivo do Vestibular da Universidade do Estado da Bahia (UNEB).

O certame da institução oferece programa de políticas afirmativas para povos ciganos, por meio de sobrevagas e também outras minorias como indígenas, quilombolas, pessoas negras, com deficiência, transexuais, travestis e transgêneros, ampliando o acesso e a permanência de grupos historicamente marginalizados no ensino superior público.

O procedimento deve ser realizado exclusivamente pela internet, exigindo atenção redobrada quanto aos prazos e ao envio da documentação comprobatória para a validação das respectivas cotas étnicas, raciais e sociais.

Para outras informações, cronograma completo e inscrições, acesse o Portal Oficial do Vestibular UNEB pelo seguinte link: https://www.vestibular.uneb.br

O documento integral pode ser consultado no link para Baixar o Edital Oficial da UNEB: https://portal.uneb.br/

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

Resultado do II Prêmio de Literatura Infantojuvenil Quilombola e Cigana é divulgado

Relação das obras selecionadas está disponível na página da UFG

Publicado em 30/09/2026 12h34 Atualizado em 01/10/2026 14h51

resultado do II Prêmio de Literatura Infantojuvenil Quilombola e Cigana foi divulgado nessa quarta-feira (30), iniciativa realizada pelo Ministério da Igualdade Racial (MIR) em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG). 

>>Acesse aqui o resultado

A seleção contempla mais de 40 obras de literatura infantojuvenil de autoria quilombola e cigana, com propostas relacionadas às culturas, memórias, saberes e tradições dos povos tradicionais.

Disponível em: https://www.gov.br/igualdaderacial/pt-br/assuntos/noticias/resultado-do-ii-premio-de-literatura-infantojuvenil-quilombola-e-cigana-e-divulgado