quarta-feira, 15 de julho de 2026

Prefeitura de Ubaíra BA abre processo seletivo com 81 vagas e cotas para ciganos

Processo seletivo simplificado oferece 81 vagas e cadastro reserva em Saúde, Infraestrutura, Ação Social, Administração e Educação.

Autor: Redação Folha Dirigida - Publicado em:13/07/2026 às 14:54

A Prefeitura de Ubaíra, no Vale do Jiquiriçá BA, publicou o Edital nº 001/2026 do Processo Seletivo Simplificado, com vagas imediatas e formação de cadastro de reserva para níveis fundamental, médio/técnico e superior. As oportunidades abrangem as secretarias de Saúde, Infraestrutura, Ação Social, Administração e Educação. A seleção será realizada por prova de títulos.

As Inscrições estão abertas entre 13 a 23 de julho de 2026 (até 23h59), no site da organizadora Planejar Concursos. As taxas são de R$ 50 (nível superior), R$ 40 (nível médio/técnico) e R$ 30 (nível fundamental). A prova inclui etapa única de títulos, com pontuação mínima de 30 pontos para classificação. Os Salários vão até R$ 5.130,63; jornadas de 20 a 40 horas semanais.

Há Cotas de 5% para PcD e de 30% para PPICQ (pretos, pardos, indígenas, ciganos ou quilombolas). O resultado final está previsto para 17 de agosto de 2026.

Os cargos são variados e para distintas Secretarias Municipais, como de Saúde, de Infra estrutura, de ação social, de administração, de Educação.

Todos os comunicados oficiais, incluindo listas, recursos e resultados, serão publicados no site da organizadora e no mural da Sede Administrativa Municipal.

Requisitos gerais

  • Nacionalidade brasileira ou portuguesa; estrangeiros devem comprovar regularidade no país.
  • Idade mínima de 18 anos na data da contratação.
  • Escolaridade e, quando exigido, registro no respectivo conselho profissional.
  • Aptidão física e mental para o exercício do cargo.

Validade - O processo seletivo terá validade de 2 anos a partir da homologação, podendo ser prorrogado por igual período.

Sobre Ubaíra

Localizada no Vale do Jiquiriçá, Ubaíra integra um importante corredor de municípios do interior baiano com forte presença da agricultura familiar e do comércio regional. A rede municipal de saúde e educação está em expansão, o que explica a diversidade de funções abertas no processo seletivo.

Onde encontrar o edital e como acompanhar

Edital nº 001/2026: disponível no site oficial da Prefeitura de Ubaíra e no portal da organizadora. Organização: Planejar Concursos (inscrições e publicações oficiais).
Recomenda-se acompanhar diariamente os canais oficiais durante o período de inscrições e de análise de títulos.

Disponível em: https://folha.qconcursos.com/n/prefeitura-de-ubaira-ba-abre-processo-seletivo-com-81-vagas-imediatas

 

Inscrições abertas pra II Prêmio de Literatura Infantojuvenil Quilombola e Cigana

Edital permanece com inscrições abertas até o dia 03 de agosto de 2026. Foto: Maria Clara Aquino - AEEC-MT.

O Projeto “Fortalecimento Diversidade, Cultura e Território (FDCulT) para Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Povos de Terreiros e Ciganos”, resultante da parceria celebrada entre o Ministério da Igualdade Racial (MIR) e a Universidade Federal de Goiás (UFG), torna público o Edital do II Prêmio de Literatura Infantojuvenil Quilombola e Cigana.

Atenção autores e autoras quilombolas e ciganas de todo o Brasil! Inscrições abertas para o II Prêmio Nacional de Literatura Infantojuvenil Quilombola e Cigana, iniciativa realizada pelo Ministério da Igualdade Racial (MIR), em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG) por meio do Projeto FDCulT - Fortalecimento Diversidade, Cultura e Território para Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Povos de Terreiros e Ciganos.

As inscrições estão abertas de 22 de junho a 3 de agosto de 2026 e devem ser realizadas exclusivamente por meio de formulário eletrônico disponibilizado neste site.

O prêmio tem como objetivo reconhecer, valorizar e fortalecer a produção literária infantojuvenil quilombola e cigana, contribuindo para a revitalização da cultura, da memória, da oralidade e dos saberes de povos quilombolas e ciganos.

A iniciativa busca incentivar um diálogo qualificado com temas como ancestralidade, memória e oralidades; cultura e tradição; gênero e geração; diversidade e desigualdade; direitos humanos; território e territorialidade; meio ambiente; diversidade linguística; tecnologias ancestrais e contemporâneas; combate à violência; e, saberes e fazeres quilombolas e ciganos.

1. EDITAL Nº 02/2026 - II PRÊMIO NACIONAL DE LITERATURA INFANTOJUVENIL QUILOMBOLA E CIGANA

2. ANEXO I DO EDITAL Nº 02/2026 - DECLARAÇÃO DE PERTENCIMENTO CIGANO  

3. ANEXO II DO EDITAL Nº 02/2026 - DECLARAÇÃO DE PERTENCIMENTO QUILOMBOLA 

4. ANEXO III DO EDITAL Nº 02/2026 - DECLARAÇÃO DE LIDERANÇA CONFIRMANDO PERTENCIMENTO CIGANO

5. ANEXO IV DO EDITAL Nº 02/2026 - DECLARAÇÃO DE LIDERANÇA CONFIRMANDO PERTENCIMENTO QUILOMBOLA

6. ANEXO V DO EDITAL Nº 02/2026 - RECURSO ADMINISTRATIVO CONTRA INABILITAÇÃO

7. ANEXO VI DO EDITAL Nº 02/2026 - RECURSO ADMINISTRATIVO CONTRA DESCLASSIFICAÇÃO, PONTUAÇÃO OU JULGAMENTO DE MÉRITO

8. FORMULÁRIO DE INSCRIÇÃO NO EDITAL Nº 02/2026   

Disponível em: https://rosaparks.fcs.ufg.br/n/202085-edital-n-02-2026-edital-do-ii-premio-de-literatura-infantojuvenil-quilombola-e-cigana 

Cursos com bolsas de mil reais para lideranças quilombolas e ciganas recebem inscrições até 6 de agosto

Formações oferecem bolsas mensais de mil reais e contam com certificação da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) para os concluintes. Foto: MIR

Publicado em 13/07/2026 17h40 Atualizado em 13/07/2026 19h33

Estão abertas as inscrições para dois cursos de aperfeiçoamento voltados à formação de lideranças quilombolas e ciganas. Ao todo, são 70 vagas, com bolsas mensais de mil reais para os participantes selecionados. As iniciativas capacitam lideranças para atuar na gestão territorial, no controle social e na execução de políticas públicas de igualdade racial. 

As formações são destinadas a participantes de todo território nacional e contam com certificação da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) para os concluintes. 

O Curso de Participação e Controle Social para Lideranças Ciganas é voltado a integrantes de povos e comunidades ciganas com atuação em organizações, associações, coletivos, grupos familiares ou acampamentos. 

A formação de caráter extensionista oferece 30 vagas com carga horária de 180 horas e duração de até dez meses. 

>> Acesse o edital 

Já o Curso de Aperfeiçoamento em Gestão Territorial e Ambiental Quilombola, vinculado à Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola (PNGTAQ), disponibiliza 40 vagas para lideranças quilombolas e agentes comunitários indicados por suas organizações representativas.

 Também podem participar técnicos locais e agentes públicos que atuam em territórios quilombolas, desde que contribuam para a aplicação dos instrumentos da política. Com carga horária de 220 horas, o curso será desenvolvido ao longo de seis meses em regime de alternância, combinando atividades presenciais na universidade com ações desenvolvidas nos territórios. 

>> Acesse o edital 

As inscrições para os dois processos seletivos estão abertas até 6 de agosto de 2026 e devem ser feitas exclusivamente por meio do formulário eletrônico indicado nos respectivos editais. 

Disponível em: https://www.gov.br/igualdaderacial/pt-br/assuntos/noticias/cursos-de-aperfeicoamento-para-liderancas-quilombolas-e-ciganas-recebem-inscricoes-ate-6-de-agosto

terça-feira, 14 de julho de 2026

Nota de Pesar Pedro Augusto Pereira de Farias Esteves Cunha

Pedro era jogador do time Brasiliense e estava de férias em MT.

Com profundo pesar e consternação, a diretoria da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT) comunica o falecimento de Pedro Augusto Pereira de Farias Esteves Cunha, no último sábado (12.07), devido a um acidente de carro na BR que liga os municípios de Diamantino a Nova Mutum.

Natural de Rondonópolis, Pedro nasceu em 13/01/2004, é filho de Cleiton Esteves Cunha (in memorian) e Eliane Pereira de Farias e neto de duas das maiores lideranças ciganas Calon do município, Lourival Rodrigues Cunha (in memorian) e Zildinete Lopes Esteves.

Pedro atuava como jogador de base do time de futebol Brasiliense há mais de 3 anos morava em Brasília e estava em Mato Grosso passando férias. Ele realizou sua última viagem nessa terra indo para Nova Mutum com a namorada, Natty que era DJ e de quem era produtor. Ela também faleceu na tragédia.

A AEEC-MT presta sua homenagem a Pedro e deseja os sentimentos e os pesares a toda família enlutada!

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Prefeitura de Tangará da Serra cria vaga específica para povos ciganos no PNAB

Menino da comunidade cigana durante a realização do evento Oficina de Chibe: Reavivando a língua Calon, em Tangará, em maio de 2024. Foto: João Aquino.

A prefeitura de Tangará da Serra (MT), por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, criou, de maneira inédita entre os municípios mato-grossenses, uma vaga específica para povos ciganos em edital da Política Nacional Aldir Blanc de fomento a cultura (PNAB).

A categoria foi incluída no edital de chamamento público Nº 001/2026 – “Cidade das Artes”, na categoria “Circulação de Espetáculos (bandas, grupos e coletivos culturais)”, que prevê financiar projetos de até R$ 32.190,70.

Para inclusão da categoria houve um diálogo recíproco entre a Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT) e a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, por meio da equipe do Centro Cultural Municipal.

Tangará da Serra possui a terceira maior comunidade cigana fixa de Mato Grosso, com mais de 100 pessoas, residindo em diversos bairros, além de ser rota de acampamento e pouso de grupos ciganos itinerantes.

A categoria inclui projetos que executem ações artísticas e culturais em áreas da música (shows, concertos ou outros formatos), do teatro (teatro infanto juvenil, teatro musical, teatro documental, teatro performático, projetos sociais que utilizam predominantemente a linguagem do teatro) e da dança (dança contemporânea, danças urbanas, danças populares e tradicionais, dança moderna, dança clássica, projetos sociais que utilizam predominantemente a linguagem da dança) relacionados a grupos com, no mínimo, 3 (três) integrantes.

O projeto deve contemplar no mínimo de 2 (duas) apresentações gratuitas a serem realizadas obrigatoriamente em áreas periféricas, urbanas e rurais, bem como em áreas de povos e comunidades tradicionais em cumprimento com o inciso II do art. 7º da Lei nº 14.399/22.

As inscrições começaram no dia 29 de junho e permaneceram abertas até o dia 13 de julho. O edital e o formulário de inscrição, assim como os demais anexos, foram disponibilizados no site da prefeitura, que pode ser acessado no seguinte link: https://site.tangaradaserra.mt.gov.br/sigecs/editais/abff6c66-1c9c-46d8-8f67-d88d0cae5cf6

Para concorrer como pessoa cigana, é necessário preencher uma autodeclaração de pertencimento étnico e também incluir um vídeo com orientações específicas dadas pelo edital.

O resultado final do edital ocorrerá no dia 28 de agosto e será divulgado por meio do site da prefeitura. 

sábado, 11 de julho de 2026

Ultradireita de Portugal escolhe povos ciganos como alvo preferencial de discursos xenófobos

 
No Dia Nacional da Pessoa Cigana, comunidade recorre à arte para frear discursos preconceituosos do partido Chega. Etnia relata explosão de ataques com a popularidade de André Ventura, mas avança no acesso a universidades

João Gabriel de Lima - Lisboa

Com sua fusão de música luso-flamenca, rumba e pop, o DJ Jorge Syllvah foi a estrela do Dia Nacional da Pessoa Cigana, comemorado em 24 de junho no bairro de Padre Cruz, em Lisboa.

Padre Cruz é conhecido pelas ruas com nomes de rios portugueses –Rio Ave, Rio Tâmega, Rio Cávado– e por abrigar uma das mais tradicionais comunidades ciganas da cidade, com cerca de 500 pessoas.

Syllvah é um ídolo em seu nicho musical, com 52 mil seguidores no YouTube –número próximo da totalidade da comunidade cigana no país lusitano, estimado em cerca de 60 mil pessoas.

"Em Portugal não é fácil ser cigano, há muito racismo e preconceito", diz Syllvah. "A música, uma linguagem universal, é um jeito de nos integrar à sociedade."

Antes de Syllvah, apresentou-se no mesmo palco Claudia Pargana, bailarina e professora de flamenco. Ela dá aulas de música e dança cigana em cinco escolas da rede pública lisboeta. "Com a arte mostramos a força da nossa criatividade, e os mais jovens tomam contato com nossa cultura desde pequenos", diz.

A comunidade cigana portuguesa vive um pesadelo desde que o partido político Chega, representante da ultradireita em Portugal, a escolheu como alvo preferencial de seu discurso xenófobo.

Seu líder, André Ventura, vocifera contra povos ciganos desde a fundação da legenda, em 2019, e aumentou o tom das críticas ao ver que geravam engajamento em redes sociais.

"O discurso da extrema direita tirou do armário os que tinham preconceito contra os ciganos. Hoje sentimos a discriminação em lugares públicos, como restaurantes, e também na internet", diz Bruno Oliveira, líder da Associação Intercultural Cigana, organizadora da celebração de 24 de junho.

Um dos mantras de Ventura é a expressão "subsidiodependência". O líder da ultradireita costuma acusar os povos ciganos de viver à custa do Estado português e de ter privilégios na aquisição de moradias populares.

"O que ocorreu, na verdade, é que fomos expulsos do centro para a periferia das cidades", diz a atriz e ativista Maria Gil, referência no movimento feminista português. "Meus avós viviam na região central da cidade do Porto e eram integrados e respeitados no bairro. Hoje muitos de nós vivem confinados em guetos".

A pressão da ultradireita, no entanto, estimulou a união e a organização dos povos ciganos portugueses. De acordo com a socióloga Maria Manuela Mendes, pesquisadora na Universidade de Lisboa, existem de duas a três dezenas de associações de povos ciganos em Portugal.

Essas organizações vêm conseguindo vitórias importantes. A mais noticiada, em tempos recentes, foi a decisão judicial que obrigou o Chega a retirar cartazes com mensagens xenófobas durante a última campanha presidencial. Na propaganda, uma foto do candidato André Ventura aparecia ao lado dos dizeres "os ciganos têm que cumprir a lei".

Em sua decisão exigindo a retirada dos cartazes, a juíza Ana Barão sustentou que "a frase foi pensada para causar um específico impacto relativamente a um grupo social".

Para o advogado Ricardo Sá Fernandes, que representou as associações ciganas no processo, a decisão teve um efeito pedagógico. "Espero que ninguém mais afixe cartazes discriminatórios e vexatórios para qualquer comunidade, como exige a defesa da dignidade de todos", disse ele em entrevista ao jornal Diário de Notícias.

"Nossa estratégia de luta é usar sempre as armas da democracia", afirma Bruno Gonçalves, presidente da associação cigana Letras Nômadas. Ele lembra que os povos ciganos estão em Portugal há mais de 500 anos. Sua presença está registrada até no teatro, na peça "Farsa das Ciganas", do dramaturgo Gil Vicente (1465-1536).

"Também lutamos contra os espanhóis pela independência de Portugal, em 1640, mas fatos como estes não aparecem nos livros de história", diz Gonçalves.

"Atualmente, os ciganos portugueses são um grupo diverso e difícil de quantificar", afirma a socióloga Maria Manuela Mendes.

Ela foi uma das coordenadoras do único estudo acadêmico aprofundado sobre comunidades ciganas em Portugal, em 2014, e agora está à frente de um projeto semelhante, cuja conclusão está prevista para 2027. Mendes estima que existam pelo menos 60 mil ciganos em Portugal –o censo do país lusitano, como ocorre em várias nações europeias, não inclui etnia em seus questionários.

O novo retrato produzido por ela deverá mostrar mudanças na organização social e melhorias na área da educação. Devido às leis da monarquia, povos ciganos não podiam se estabelecer em cidades portuguesas acima de um tempo determinado.

"Éramos obrigados a ser nômades, e isso teve um impacto na escolarização", diz Bruno Gonçalves. Recentemente, Portugal passou a seguir uma política europeia de integração das populações ciganas, o que trouxe acesso a bolsas de estudo. Começam a aparecer os primeiros integrantes dessas comunidades com mestrado e doutorado nas universidades portuguesas.

As lideranças ciganas temem que esses avanços sejam limitados pelo crescimento da ultradireita. "Um dos nossos problemas é a ausência de representação institucional", diz Maria Gil, que já concorreu à Câmara Municipal do Porto, mas não se elegeu.

"Temos atividade política nas organizações, mas pouca presença dentro dos partidos, à direita e à esquerda. Precisamos dessa participação porque, quando André Ventura começou a pregar o anticiganismo, ficou claro que tínhamos entrado numa guerra."

O nome "cigano" surgiu como uma designação genérica e pejorativa atribuída a grupos étnicos que se instalaram na Península Ibérica. Organizações europeias e movimentos de afirmação recomendem o uso dos termos "roma" e "romani" para designar esses povos, enquanto em Portugal fala-se em "pessoas de etnia cigana" ou "comunidade cigana", dando ênfase à cidadania e pluralidade desses grupos.

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/07/ultradireita-de-portugal-escolhe-povos-ciganos-como-alvo-preferencial-de-discursos-xenofobos.shtml

 

 

quinta-feira, 4 de junho de 2026

MPPE recomenda ampliar identificação e atendimento de povos ciganos em Caruaru

 

Orientação é direcionada às secretarias municipais de Saúde, Educação e Assistência Social. (Foto: Reprodução)

Por Mirelly Rodrigues, Redação - 4 de junho de 2026 às 10h33min

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) recomendou à Prefeitura de Caruaru a adoção de medidas para ampliar a identificação e o atendimento da população cigana nos serviços públicos de saúde, assistência social e educação. A recomendação foi expedida pela 6ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania de Caruaru e tem como objetivo garantir maior acesso a direitos e fortalecer a elaboração de políticas públicas voltadas a essas comunidades.

Segundo o MPPE, a falta de informações sobre os povos ciganos dificulta a formulação de ações específicas para atender suas necessidades sociais, educacionais e de saúde. Em Pernambuco, a população cigana é formada pelas etnias Calon, Rom e Sinti, que podem apresentar modos de vida nômades, seminômades ou sedentários.

Na área da assistência social, a recomendação orienta a Secretaria Municipal de Assistência Social e Combate à Fome a identificar corretamente as famílias ciganas no Cadastro Único, por meio da autodeclaração, sem exigir comprovante de residência para grupos em situação de itinerância. Também foi solicitada a realização de busca ativa em áreas tradicionalmente ocupadas por comunidades ciganas no município.

Para a Secretaria Municipal de Saúde, o MPPE recomenda que os profissionais realizem o registro da identificação étnica nos sistemas de cadastro da Atenção Primária, respeitando a autodeclaração dos usuários. A orientação também prevê a garantia de atendimento mesmo para pessoas sem residência fixa e o respeito às práticas tradicionais de cuidado utilizadas pelas comunidades ciganas, desde que não representem riscos à saúde.

Já na área da educação, a recomendação inclui a inserção da autodeclaração étnica no momento da matrícula escolar, além da garantia de continuidade dos estudos para crianças e adolescentes em situação de deslocamento. O documento também sugere a criação ou o encaminhamento para turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) que atendam às demandas das comunidades ciganas, respeitando suas características culturais.

As secretarias municipais têm prazo de 30 dias para informar ao MPPE se irão acatar a recomendação e apresentar as providências adotadas ou o cronograma de implementação das medidas.

A recomendação é assinada pelo promotor de Justiça Itapuan de Vasconcelos Sobral Filho e foi publicada no Diário Oficial do MPPE em 2 de junho de 2026.

Disponível em: https://cidade997.com.br/mppe-recomenda-medidas-para-ampliar-identificacao-e-atendimento-de-povos-ciganos-em-caruaru/

Ouvidoria do MIR debate direitos e desafios dos povos ciganos

 
Encontro reuniu lideranças ciganas e representantes do governo em torno da escuta, participação social e promoção da igualdade racial

O Ministério da Igualdade Racial (MIR) realizou, na última quarta-feira (27), mais uma edição do Café com Ouvidoria. Com o tema “Povos Ciganos: escuta, diálogos e avanços”, o encontro reuniu lideranças, representantes institucionais e integrantes de comunidades ciganas para debater direitos, desafios históricos e políticas públicas voltadas aos povos ciganos no Brasil.

A iniciativa integra o ciclo de debates promovido pela Ouvidoria do MIR e tem como objetivo fortalecer a escuta ativa, ampliar os canais de participação social e aproximar as demandas da sociedade civil da construção de políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial e dos direitos humanos.

Durante a abertura, o ouvidor do MIR, Fábio Bruni, destacou a importância da participação social para o fortalecimento da atuação da área. “As manifestações que chegam à Ouvidoria demonstram a importância de fortalecimento desse canal de diálogo. Quanto mais as pessoas conhecem os serviços disponíveis, maior é a participação social e a possibilidade de construirmos respostas mais efetivas às demandas apresentadas”, afirmou.

Representando a Diretoria de Políticas para Quilombolas e Ciganos do MIR, Fabiano Bechelany, apresentou reflexões sobre os avanços e os desafios das políticas públicas voltadas aos povos ciganos e destacou a importância do fortalecimento do debate em torno do Estatuto dos Povos Ciganos.

Em sua fala, liderança cigana da etnia Calon, Edvalda Bispo, que também é presidenta da Associação Nacional de Mulheres Ciganas e conselheira nacional de promoção da igualdade racial, ressaltou os desafios históricos relacionados ao acesso e à permanência na educação e defendeu a garantia dos direitos humanos como instrumento fundamental para o enfrentamento da discriminação e o fortalecimento da autonomia das comunidades ciganas.

Já a pesquisadora e representante cigana da etnia Rom, Hayanne Iovanovitchi, destacou a relevância do mapeamento nacional dos povos ciganos para dar visibilidade à presença dessas comunidades em todo o território brasileiro. Idealizadora do Museu Virtual de Memórias da Imigração Cigana, a pesquisadora também apontou a segurança pública como uma das principais preocupações das comunidades ciganas, destacando situações de preconceito e criminalização de práticas culturais tradicionais.

Foto: Maysa Lannah

Disponível em: https://www.gov.br/igualdaderacial/pt-br/assuntos/noticias/cafe-com-ouvidoria-debate-direitos-desafios-e-avancos-para-os-povos-ciganos

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Ancestralidade Viva: Maria Lucia Rodrigues Cunha - O tempo que a gente É!

Maria Lucia com os filhos Simone e Uilton. Foto de arquivo.

Sétima e última filha de Alda Alves Cunha e Ranulfo Rodrigues Cunha, Maria Lucia Rodrigues Cunha Nasceu em 01 de setembro de 1966 em Poxoreu, no sul de Mato Grosso.

Sempre muito orgulhosa em ser cigana, Lúcia como era mais conhecida na família, viveu parte da infância na vida tradicional cigana, de barraca, até que os pais e o seu grupo se mudou e fixou residência no município de Tangará da Serra, então ainda Distrito de Barra do Bugres, no ano de 1972.

No local, conheceu seu marido, Clarito Pereira, com quem teve três filhos, Uilton, Simone e Zezinho (in memorian), além de sete netos:

Kaiky Batista Rodrigues, kayo Eduardo Batista Oliveira, Vitor Hugo Rodrigues Borges, Joaquim Henrique Rodrigues Borges, Kauan Eduardo Fagundes oliveira, Maria Eduarda Fagundes oliveira e Anna Maria Rodrigues Brito.

Lucia e as irmãs Irandi, Nilva, Zilma e Orceni. Foto de Arquivo.

Versada na chibe, a língua dos Calon, Maria Lúcia era muito prendada na cozinha, com um tempero único que herdou da mãe Alda. Carinhosa e amorosa, herdou dos tios o traço da negociação e era uma verdadeira gambireira, de carros, de móveis, imóveis e o que aparecesse em suas mãos.

Sempre estava presente nas reuniões de família, sendo uma das primeiras a chegar e uma das últimas a sair. Tinha uma voz mansa, suave e sempre num tom baixo, que encantava qualquer um que a ouvia e raramente saia do sério ou ficava brava. Foi uma irmã e uma filha muito presente na vida dos pais e dos seis irmãos, especialmente, do mais novo, Ranulfinho.

Um dos seus lazeres favoritos era jogar baralho (truco, pife, bisca e qualquer outro jogo), além de dominó e fazer a fé num bingo. Também adorava pescar e sempre que podia estava na beira de um rio e da natureza. Outra paixão era a música sertaneja, com cantores como Amado Batista, Gino e Geno e Roberta Miranda.

Maria Lúcia faleceu no dia 19 de fevereiro de 2023, em decorrência da complicação de um câncer de pulmão e não tivemos tempo de fazer uma homenagem a ela enquanto viva, então, a AEEC-MT encerra a campanha Ancestralidade Viva – O tempo que a Gente É! Deste ano com uma homenagem póstuma à Lucia, com algumas fotos da família, cedidas pelos filhos Simone e Uilton.

Também postamos um vídeo com ela pescando, uma das coisas que mais gostava de fazer.

Viva Maria Lucia Rodrigues Cunha – Ancestralidade Viva!

TEXTO: ALUÍZIO DE AZEVEDO

Nota de Pesar Paulo Alves Cabral

 

A diretoria da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC/MT) comunica com pesar a morte de seu filiado, Paulo Alves Cabral, hoje, por volta de 11h, no município de Rondonópolis.

Filho de Elza Alves Pereira e Otelemista Cabral de Melo, Paulo sofria de Alzheimer há alguns anos e estava sob os cuidados da irmã, Silvia Cabral e do filho adotivo e sobrinho, Denis Alves Cabral.

Viúvo de Ilda Alves Cabral, Paulo não deixa filhos, mas era muito querido na comunidade cigana de Rondonópolis, com vários irmãos e irmãs, cunhados e cunhados, sobrinhos/as e sobrinhos/netos, primos e primas.

Os sentimentos à toda família enlutada, especialmente, à Silvia e Dênis e a toda comunidade cigana de Rondonópolis.

Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso

Paulo e a esposa Ilda Alves Cabral. Foto de arquivo da família.