quarta-feira, 29 de abril de 2026

Seminário debate direitos humanos dos povos ciganos no VI Encontro de Cultura Cigana de MT

Evento reúne representantes do movimento social cigano e instituições públicas para discutir políticas voltadas às comunidades ciganas. Foto: Maria Clara Aquino.

Como novidade do VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso, o I Seminário Estadual de Direitos Humanos dos Povos Ciganos de MT marca a importância de discutirmos políticas públicas voltadas aos povos ciganos no estado. Executado em parceria com o Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH/MT) e o Conselho Estadual de Promoção de Igualdade Racial de Mato Grosso (CEPIR/MT), o seminário acontecerá na abertura do encontro no dia 1º de maio em Rondonópolis, às 9h.


O evento contará com a participação de representantes nacionais do movimento social cigano para os diálogos, com objetivo de analisar, discutir e propor soluções para a superação dos obstáculos estruturais, pela garantia de seus direitos.


No Brasil, povos ciganos de três etnias, Calons, Rons e Sintis, percorreram sua trajetória em várias regiões, contribuindo para a construção do país. Entretanto, seus modos de vida, linguagens, liberdade e tradições foram alvo de discriminação e preconceitos que percorreram até os dias atuais. Com idealizações errôneas sobre sua cultura, povos ciganos são vistos de forma estereotipada. Isso contribui não apenas para o racismo em sua forma mais visível, mas também para um apagamento histórico e a falta de acesso a políticas públicas que abracem a visão de mundo dos povos ciganos.


A cultura distorcida pela visão eurocêntrica no país e as políticas colonialistas no decorrer da história dos povos ciganos, prejudicaram a existência dessas comunidades. O nomadismo, que é frequentemente ligado à cultura cigana, por exemplo, foi na maioria das vezes, frutos da aplicação de leis e políticas de expulsão. Essa e outras violências ficaram obscurecidas na história do nosso país, evidenciando apenas as narrativas criadas por não-ciganos.

 

O I Seminário Estadual de Direitos Humanos dos Povos Ciganos de Mato Grosso almeja reparação histórica aos que resistem ainda hoje, acesso à educação, à saúde, à moradia digna e respeito às suas identidades culturais, considerando formas próprias de organização social e política. Apesar de já existir discussões de políticas públicas eficientes para comunidades tradicionais no Brasil, comunidades ciganas ainda são minoria no recebimento dessas iniciativas e não estão em evidência na maioria dos estudos e estatísticas nacionais.


Evento é realizado em parceria com o Conselho Estadual de Direitos Humanos de Mato Grosso (CEDH). Arte: Tami Gondo. 

Neste VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso, o Seminário receberá a conselheira nacional de Igualdade Racial, Edvalda Bispo dos Santos, a representante dos povos ciganos no Comitê Gestor criado para acompanhar o Plano Nacional de Políticas Públicas para Povos Ciganos, Lourdes Correia. Os dois órgãos são vinculados ao Ministério da Igualdade Racial, que neste ano é um dos patrocinadores principais do Encontro. Membros do Coletivo Ciganagens também participarão do evento: Roi Rógeres, Sara Macedo e Desirèe Almdeida. 

Desde 2017, o VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso, realizado pela AEEC-MT e, desde a 3ª edição (2021), em parceria com a Secel-MT, promove atividades como essa em Rondonópolis, Cuiabá e Tangará da Serra, com o objetivo de salvaguardar, valorizar, reconhecer, registrar e disseminar as culturas ciganas e seus bens imateriais. A iniciativa busca proporcionar intercâmbio cultural entre as comunidades ciganas, fortalecer as trocas intergeracionais entre crianças, jovens, adultos e anciãos, além de ampliar as discussões sobre seus direitos.

Texto: Lívia Freire
Foto: Maria Clara Aquino
Arte: Tami Gondo

VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso

Música, dança e teatro, seminário de direitos humanos, encontro de mulheres e atividades para o público infantil integram a programação do evento. Foto: Maria Clara Aquino

O Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso é um projeto guarda-chuva, que ocorre ao longo do ano, de forma presencial e virtual, nos três maiores municípios com comunidades ciganas de MT (Rondonópolis, Tangará da Serra e Cuiabá).  

As programações principais do evento são concentradas no mês de maio, marcando o Dia Nacional dos Povos Ciganos (24 de maio). Em 2026, a maior etapa presencial ocorrerá entre os dias 01, 02 e 03 de maio, no município de Rondonópolis (a 220 km de Cuiabá), com a presença de 150 convidados/as ciganos de seis municípios de MT, além de seis convidados ciganos nacionais, vindos de outros Estados.

O Encontro presencial em Rondonópolis terá uma programação recheada. Algumas delas já clássicas, como o IV Encontro de Mulheres Ciganas de Mato Grosso, que conta com a oficina de medicina tradicional com a mestra da cultura mato-grossense, Maria Divina Cabral. Outra programação no local será a Mostra Calon Lachon, que promove a exibição de filmes com a temática cigana e preferencialmente produzidos por pessoas ciganas. Pensando na participação integral das mães, o evento terá uma programação especial para crianças e adolescentes, com várias oficinas, como de natação e de fotografia.

Evento será a vertente política do VI Encontro de Cultura Cigana de MT. Arte: Tami Gondo.

Uma das novidades deste ano do encontro presencial em Rondonópolis, será a realização do I Seminário Estadual de Direitos Humanos dos Povos Ciganos de Mato Grosso. O evento paralelo é executado em parceria com o Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH/MT) e o Conselho Estadual de Promoção de Igualdade Racial de Mato Grosso (CEPIR/MT).

O Seminário contará com a participação de representantes nacionais do movimento social cigano, como a conselheira nacional de Igualdade Racial, Edvalda Bispo dos Santos e a representante dos povos ciganos no Comitê Gestor criado para acompanhar o Plano Nacional de Políticas Públicas para Povos Ciganos, Lourdes Correia. 

Os dois órgãos são vinculados ao Ministério da Igualdade Racial (MIR), que neste ano é um dos patrocinadores principais do Encontro, por meio de aprovação no Processo Seletivo do Edital nº 01/2025, no âmbito Secretaria de Políticas Para Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Povos de Terreiros e Ciganos do Ministério da Igualdade Racial/PNUD BRA/24/009 – Apoio à implementação da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola, e fortalecimento dos povos ciganos, de matriz africana e de terreiros. 

Membros do Coletivo Ciganagens, o cigano circense, Roi Rógeres (Salvador - BA), a advogada popular, Sara Macedo (Goiânia - GO)  e Desirèe Almdeida Matos (Rio de Janeiro - RJ) também participarão do evento.

Os encontros de cultura cigana de MT ocorrem anualmente, sempre no mês de maio, entre Rondonópolis, Tangará (foto) e Cuiabá. Foto: Ju Queiroz.

Núcleo de Artes Cênicas – Tradição Cigana - Outra novidade da programação do VI Encontro de Cultura Cigana de MT neste ano, em Rondonópolis, será a participação especial das integrantes do Projeto de Formação em Teatro “Rarripe – Ciganos em Cena”. A vivência reúne 13 mulheres ciganas da comunidade de Rondonópolis. Este é o primeiro grupo de teatro cigano composto exclusivamente por atrizes ciganas do Brasil.

Os encontros do Rarripe ocorrem desde o dia 07 de fevereiro deste ano, todos os sábados, encerrando o primeiro módulo no dia 30 de abril, com pelo menos 12 encontros presenciais. Já está prevista a continuidade do curso no segundo semestre deste ano, por meio de um convênio de apoio direto da Secel/MT.

13 mulheres ciganas da comunidade de Rondonópolis estão experimentando o teatro pela primeira vez. Foto: Aluízio de Azevedo.

A vivência é composta por várias oficinas e temas relacionados às áreas técnicas do teatro e artes cênicas, como iluminação, som, cenário e figurino e de iniciação ao teatro. Ao final, será construída uma peça montada com a temática cigana para o grupo se apresentar em eventos não apenas ciganos, como também outros eventos artísticos e culturais.

As pessoas participantes do Rarripe farão algumas intervenções teatrais durante a programação do evento no município, entre os dias 01 e 02 de maio. A maioria das atrizes do grupo são mulheres com idades acima de 50 anos.“Rarripe” na língua Chibe do tronco étnico Calon pode ser traduzida como “ilusão” ou “ficção” ou “mentira”. O nome foi escolhido, para também quebrar os estereótipos e preconceitos seculares em torno das pessoas ciganas, que são grandes mentiras inventadas e que, infelizmente, ainda permeiam o senso comum e o imaginário da sociedade não-cigana.

Além disso, também já está prevista a participação do grupo de danças Tradição Cigana, que vem ensaiando desde março para apresentar de forma coletiva e com apresentações individuais.

Núcleo de artes cênicas ofertou vivência em teatro e curso de dança cigana no primeiro semestre de 2026. Foto: Aluízio de Azevedo.

Ancestralidade Viva – Do ponto de vista virtual, o principal produto é a campanha Maio Cigano, que ocorre durante os 30 dias do mês e tem como objetivo valorizar a história e cultura ciganas, bem como combater estereótipos, preconceitos e racismo contra os povos ciganos – o anticiganismo ou ciganofobia. Na campanha em 2025 (quinta edição) alcançamos a incrível marca de 50.000 views na página do Insta da AEEC/MT (https://www.instagram.com/aeecmt/). Neste ano, a meta é ultrapassar as 60 mil visualizações.

Objetivos - Já tradicional no Estado, o encontro nasceu em Cuiabá em 2017, com o nascimento da AEEC-MT e desde a 3ª edição (2021) conta com parceria fixa e anual da Secel-MT. Neste ano, parte do evento é realizado com recursos de um convênio direto da pasta e também por meio do Edital de Seleção Pública Nº 24/2024/SECEL/MT – Rede Estadual de Pontos de Cultura de Mato Grosso – Cultura Viva do Tamanho do Brasil – Fomento à Projetos Continuados de Pontos de Cultura – Edição Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura – PNAB I, Processo – Secel-PRO-2024/09183, Termo de Compromisso Cultural Nº 24/2025/01731.

Evento entrou no calendário cultural do Estado. Arte: Tami Gondo.

Trata-se da principal ação para cumprir a missão da AEEC-MT, que é justamente salvaguardar, valorizar, reconhecer, registrar e disseminar as culturas ciganas e seus bens imateriais, saberes, histórias, memórias, modos de vida e organização socioculturais, organização política, rituais e mitologias.

Um dos objetivos principais é garantir aos diversos públicos ciganos mato-grossenses o acesso a meios de fruição e aparatos de lazer e cultura. A ideia é proporcionar intercâmbio cultural entre as comunidades ciganas e facilitar intercâmbio intergeracional, entre nossas crianças, jovens, adultos e anciãos, despertando o orgulho em ser cigano nas comunidades.

Vitrine principal da AEEC, os Encontros de Cultura são produzidos por uma equipe composta em sua maioria por profissionais de origem cigana, inclusive as coordenações geral e adjunta. Garantimos que pelo menos 50% dos profissionais contratados para execução do projeto pertencem às etnias ciganas.

Outro objetivo importante é estimular o protagonismo social das pessoas ciganas, valorizando artistas e mestres da cultura, de maneira a visibilizar as manifestações culturais ciganas já existentes nas comunidades e potencializá-las financeiramente e comunicacionalmente, na sua divulgação.

Além disso, o projeto visa: construir novos e melhorados imaginários sociais acerca dos povos ciganos, a partir dos próprios olhares e vozes ciganas, com o registro e difusão de suas memórias, narrativas, iniciativas identitárias, valores e tradições, quebrando estereótipos e preconceitos e ampliando os instrumentos de combate ao racismo contra os povos ciganos, definido como anticiganismo.

Uma das principais ações do evento é a campanha Ancestralidade Viva que valoriza os anciãos e anciãs ciganas, como a Calin Olga Alves de Matos Cruz (vestido de bolinha). Foto: Jeomara Viegas.

Programação Diversificada - Os eventos agregam uma programação diversificada, com ações paralelas, como a “Mostra Calon Lachon de Audiovisual (quarta edição)”, a “Exposição Diquela” (segunda edição), a campanha de comunicação para as redes sociais “Maio Cigano” (sexta edição) e um grande encontro presencial reunindo em torno de 150 pessoas nas quatro últimas edições (2023, 2024, 2025 e 2026).

Em 2026, o grande encontro do Festival será em Rondonópolis, quando ocorrerão movimentos políticos, discussões sobre políticas públicas e oficinas de saberes ciganos, como medicina tradicional, dança cigana e língua cigana, etc. A Mostra Calon Lachon, em 2026, ocorrerá em Cuiabá e em Rondonópolis, reunindo os principais filmes e vídeos produzidos por cineastas ciganos de MT e de outros Estados. Em Rondonópolis, a mostra acontece durante três dias integrando a programação do grande encontro presencial.

Em Cuiabá, a Mostra começará no dia 05 de maio, com uma exibição no Circo Leite de Pedras, a partir de 19h, com a presença do Diretor cigano circense, Roi Rógeres Fernandes Filho. Além disso, a mostra ocorrerá em outras três datas, sempre às sextas-feiras do mês de maio: 15, 22 e 29, sempre às 19h, no Ateliê Kaiardon, localizado no Centro de Cuiabá.

Exposição ocorre pelo segundo ano consecutivo, em Cuiabá (foto de 2024) e pela primeira vez em Tangará da Serra. Foto: Maria Clara Aquino.

Aliás, o espaço também receberá a Exposição Diquela durante o mês de maio, quando nesses dias também estará aberta à visitação pública. A Abertura também ocorrerá no dia 05 de maio, a partir das 16h. Integrando a Exposição Diquela e a Mostra Calon Lachon, no mesmo dia, a partir de 18h30 acontecerá um cortejo que sairá do ateliê e irá até o Circo Leite de Pedras.

Já em Tangará da Serra, tanto a Exposição Diquela quanto a Mostra Calon Lachon, acontecerão no Centro Cultural da cidade, acolhendo trabalhos fotográficos, instalações, poesias e videoarte com a temática cigana e que, preferencialmente, sejam de autoria de pessoas ciganas. A exposição abrirá no dia 04 de maio e permanecerá aberta no município até o dia 05 de junho, quando encerra com exibição de filmes da Mostra Calon Lachon, no anfiteatro do Centro Cultural.

Texto: Aluízio de Azevedo

sábado, 11 de abril de 2026

Estudo da USP mapeará genética dos povos ciganos brasileiros

Genética das Populações Ciganas do Brasil:A História dos Ciganos recontada pela genética. Ministério da Saúde financia projeto.

Os povos ciganos brasileiros integrarão a próxima etapa do projeto de DNA do Brasil. Executada no país pela Universidade de São Paulo (USP), o projeto que iniciou em 2017 e visa realizar um mapeamento do genoma dos brasileiros, inclui suas principais diversidades e tem como meta é alcançar pelo menos 20 mil pessoas no país. O estudo conta com o financiamento do Ministério da Saúde do Brasil e o banco de dados tem gestão da USP com o órgão.

Capitaneado pelas cientistas Lygia da Veiga Pereira e Tábita Hünemeier, a pesquisa "DNA do Brasil" tem como objetivo mapear a diversidade genética do país e aprimorar a medicina personalizada baseada em genômica, quando aplicada a populações brasileiras de etnia mais plural.

Junto aos povos de etnias ciganas, os Calon, os Rom e os Sinti, a pesquisa tem como título "Desvendando a história populacional dos Ciganos americanos através da análise da diversidade de todo o genoma”.

Com essa população que está espalhada por todo o país e estão por aqui desde os primórdios da colonização portuguesa, especialmente os Calon, o projeto conta om a parceria da Davi Comas Matinez, da Universitat Pompeu Fabra (Barcelona-Espanha), que se dedica a estudar os povos ciganos da Europa, sua origem e saúde. A meta é coletar amostras de pelo menos 300 pessoas ciganas de vários estados e regiões brasileiras.

Para tratar sobre o mapeamento genético dos povos ciganos e explicar sobre o processo, Tábita Hünemeier, David Comas e outros pesquisadores do projeto realizaram nos últimos dias 08 e 09 de abril, no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, o seminário “Genética das Populações Ciganas do Brasil – História, Diversidade e Saúde”.

O encontro, que ocorreu no Dia Internacional dos Povos Ciganos, que se comemora a todo dia 08 de abril, reuniu ativistas do movimento cigano de vários Estados Brasileiros como Mato Grosso, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Bahia. Entre eles, o gestor de projetos da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), Aluízio de Azevedo.

O projeto busca desvendar as origens, a ancestralidade e os processos evolutivos únicos da população Cigana. A colaboração e o conhecimento compartilhado por lideranças e representantes locais são os pilares que garantem que esta pesquisa seja realizada de forma ética, respeitosa e com impacto positivo para os povos ciganos.

O principal objetivo do evento técnico-científico foi discutir detalhes sobre como será as coletas e autorizações para realização do mapeamento genético das etnias ciganas brasileiras.

O encontro também contou com a presença de outros 10 pesquisadores do projeto e na ocasião a equipe coordenadora apresentou o histórico do projeto do genoma brasileiro, que já teve resultados e publicações bastante interessantes, além de falar sobre um histórico de como foi o mapeamento genético dos povos ciganos europeus.

A partir da pesquisa em Espanha foi confirmada uma origem comum no noroeste da Índia, cuja migração iniciou por volta do ano mil da era cristã e depois no século XIII já estavam nos Balcãs, para na sequência se espalhar por todos os países europeu, incluindo Portugal e Espanha a partir do século XV.

Pesquisadores David Comas e Tábita Hünemeier (à direita de camisa branca)coordenam o projeto

Resultados do Brasil

Maior mapeamento feito até hoje sobre o DNA de brasileiros, o projeto DNA do Brasil sequenciou o genoma de 2.700 pessoas e revelou mais de 8,7 milhões de variantes de genes humanos que ainda não eram conhecidas. O trabalho, que mostra como a história do Brasil se imprimiu na biologia de sua população, ganhou destaque na edição desta semana da Science, a revista científica mais disputada do mundo.

A pesquisa, publicada nesta quinta-feira (15) na revista Science, analisou todas as bilhões de bases de cada uma das 2,7 mil pessoas. O resultado mostrou que o DNA do brasileiro é como um mosaico por causa das ancestralidades e, por isso, o mais diverso do mundo.

Para se ter uma ideia, os pesquisadores encontraram 8,7 milhões de variações genéticas que nunca tinham sido catalogadas. Entre elas, genes associados a doenças como pressão alta, colesterol alto, obesidade, malária, hepatite, gripe, tuberculose, salmonelose e leishmaniose.

Saiba mais: https://g1.globo.com/saude/noticia/2025/05/15/pesquisa-analisa-dna-do-brasileiro-e-descobre-que-pais-tem-a-maior-diversidade-genetica-do-mundo-veja-na-sua-regiao.ghtml

Texto: Aluízio de Azevedo

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC/MT

quinta-feira, 2 de abril de 2026

AEEC solicita à Secel salvaguarda da Medicina Calon em MT

 
Secretário Adjunto de Cultura de MT, Jan Moura recebe Livro As Calins do Cerrado, do organizador do livro, o gestor de projetos da AEEC/MT, Aluízio de Azevedo

O gestor de projetos da AEEC-MT, Aluízio de Azevedo, esteve na última sexta-feira (27/03) na Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso (AEEC/MT), ocasião em que se reuniu com o secretário adjunto de cultura do Estado, Jan Moura e a superintendente de Desenvolvimento Criativo, Keiko Okamura.

Na ocasião, Aluízio entregou cinco edições do livro “Calins do Cerrado – Medicina e Sabedorias Ciganas”, publicado em 2025 pela Editora Entrelinhas, por meio do Edital Viver Cultura e com proposição da vice-presidente da AEEC-MT, Jessika Lorrayne Alves Cabral Lima Leme.

Além de Jan e Keiko, também foram presenteados o secretário de Estado de Cultura, David Moura e a Assessoria de Imprensa da Secel/MT, representada pelas maravilhosas Cida Rodrigues e Andéa Haddad, parceiros de primeira hora dos povos ciganos de MT.

Durante o encontro com o Secretário Jan Moura, ficou acertado que o Estado será um grande parceiro para registrar a medicina tradicional cigana (um dos itens principais do livro) como patrimônio cultural e imaterial de Mato Grosso.

Aguardem que vem novidades boas por aí!

#povosciganos #secelmt #aeecmt #mt #calon #rom #sinti

Aluízio de Azevedo e superintendente Keiko Okamura

quarta-feira, 25 de março de 2026

CEPCT-MT lança edital para conceder comendas a representantes de Povos e Comunidades Tradicionais de MT

Inscrições seguem abertas até o dia 13 de abril. Formulário de inscrição pode ser solicitado pelo e-mail cepctmt@setasc.mt.gov.br

O Conselho Estadual de Povos e Comunidades Tradicionais de Mato Grosso (CEPCT-MT) lançou o Edital de Chamamento Público nº 01/2026, que institui a Comenda “Expoentes dos Povos e Comunidades Tradicionais de Mato Grosso”. A honraria é destinada a reconhecer e dar visibilidade a pessoas, iniciativas e trajetórias que contribuem para a defesa, valorização e fortalecimento desses povos no Estado e inclui povos ciganos.

De natureza honorífica, a premiação contemplará pesquisadores, ativistas, lideranças comunitárias e agentes públicos que tenham desenvolvido ações ou projetos com impacto relevante junto às Comunidades e Povos tradicionais. Os selecionados receberão Medalha de Honra ao Mérito e Diploma de Reconhecimento Público durante cerimônia solene prevista para ocorrer no dia 26 de junho de 2026, em Cuiabá.

A iniciativa é considerada inédita no estado e estabelece critérios formais para identificar e reconhecer experiências que promovam direitos, preservação cultural e desenvolvimento sustentável nos territórios tradicionais de Mato Grosso.

As iniciativas inscritas serão avaliadas em seis modalidades:

·         Social e Direitos Humanos – ações voltadas à melhoria da qualidade de vida, defesa de direitos territoriais e enfrentamento de vulnerabilidades sociais;

·         Saberes e Culturas Ancestrais – projetos de preservação da memória, educação diferenciada, línguas maternas e manifestações culturais tradicionais;

·         Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente – iniciativas de gestão territorial, proteção da biodiversidade e práticas extrativistas sustentáveis;

·         Economia Solidária e Geração de Renda – ações de fortalecimento produtivo, cooperativismo e comercialização ética de produtos das comunidades;

·         Inovação e Tecnologias Sociais – soluções criativas adaptadas à realidade local para enfrentar desafios estruturais;

·         Juventude – projetos voltados à inclusão e formação de jovens lideranças.

Processo de inscrição

O edital foi estruturado para ampliar a participação de comunidades localizadas em diferentes regiões de Mato Grosso. Para isso, o processo de inscrição contará com mecanismos de acessibilidade inéditos, permitindo que as candidaturas sejam apresentadas por escrito, por áudio ou por vídeo, com duração de até cinco minutos.

Segundo o presidente do conselho, Marcos Antônio Camargo, a medida busca garantir que lideranças de territórios remotos ou comunidades com tradição predominantemente oral também possam participar do processo em igualdade de condições.

“A proposta é reconhecer trajetórias e iniciativas que muitas vezes permanecem invisibilizadas, mas que desempenham papel fundamental na proteção dos territórios, na transmissão de saberes e na construção de alternativas sustentáveis para o estado”, destacou.

As inscrições e o edital completo estão disponíveis nos canais oficiais do CEPCT-MT e o formulário de inscrição pode ser solicitado pelo e-mail cepctmt@setasc.mt.gov.br

Sobre o Conselho

Criado pela Lei Estadual nº 12.371/2023, o Conselho Estadual de Povos e Comunidades Tradicionais de Mato Grosso é um órgão colegiado de caráter consultivo e propositivo voltado à promoção de políticas públicas para esses segmentos. O conselho possui composição paritária, com 24 membros, sendo 12 representantes de secretarias e órgãos da estrutura governamental e 12 representantes de entidades da sociedade civil.

Os povos e comunidades representados no colegiado são: Povos Indígenas, Povos de Terreiro e Matrizes Africanas, Quilombolas, Pescadores artesanais, Benzedeiras, Retireiros do Araguaia, Pantaneiros, Morroquianos, Ribeirinhos, Extrativistas, Raizeiros e Ciganos.

Por: Marcos Antônio Camargo

Disponível em: https://espiaaqui.com.br/comenda-expoentes-dos-povos-conselho-lanca-edital-para-reconhecer-iniciativas-que-fortalecem-os-povos-e-comunidades-tradicionais-de-mato-grosso


quinta-feira, 12 de março de 2026

AEEC participa da 27a reunião do Conselho de Povos e Comunidades Tradicionais de MT

 
AEEC-MT representa os povos ciganos no Conselho

A presidente da AEEC-MT, Rosana Cristina Alves de Matos Cruz, participou nesta quarta e quinta (11 e 12 de março) da vigésima sétima reunião ordinária do Conselho Estadual de Povos e Comunidades Tradicionais de Mato Grosso (CEPCT-MT). 

Esta é a segunda reunião do conselho neste ano e a segunda em que Rosana, que é conselheira estadual do CEPCT-MT, participa representando os povos ciganos.

O encontro ocorreu no Hotel Mato Grosso Palace, no Centro de Cuiabá e contou com a presença de conselheiros representantes de vários segmentos da sociedade civil, como quilombolas, povos de terreiro, povos indígenas, reitireiros do Araguaia, ribeirinhos e pescadores, pantaneiros, entre outros.

A presidente da AEEC-MT, Rosana Cristina Alves de Matos Cruz, representa os povos ciganos no CEPCT/MT e participou da reunião.

A reunião contou com pautas importantes como: comendas de Honraria CEPCT, Informes sobre Editais de cultura que incluem PCTs, com a representante da Secel-MT, Keiko Okamura,  aplicação do protocolo contra o racismo e discussão do plano de engajemento dos PCTS junto ao programa REM.

Durante a reunião foi também retomada a discussão para realização da reuniões itinerantes do CEPCT/MT e Avaliação e encaminhamento do documento “Pedido de Providências” encaminhado pelos povos Pescadores da região de Cáceres.

#povosciganos #pcts #cepctmt #povostradicionais #matogrosso

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT



terça-feira, 10 de março de 2026

Calins do Cerrado Medicinas e Sabedorias Ciganas

Cerca de 30 pessoas participaram do lançamento da obra na Municipal Manoel Severino da Silva. Foto: Maria Clara Aquino

A noite do último dia 06 de fevereiro (sexta-feira) foi de bastante emoção para a comunidade cigana de Rondonópolis e para a AEEC-MT. Neste dia, a AEEC-MT, por meio de sua vice-presidente, Jéssika Lorrayne Alves Cabral Lima Leme, lançou o livro “Calins do Cerrado – Medicinas e Sabedorias Ciganas”.

Vice-presidente da AEEC-MT, Jéssika Lorrayne, de azul, autografa o livro para a prima Suiany Alves, na noite de lançamento, em Rondonópolis. Foto: Maria Clara Aquino.

Cerca de 30 pessoas compareceram ao lançamento, que ocorreu entre 19h e 22h na Biblioteca Municipal Manoel Severino da Silva, localizada na Vila Operária. Entre elas, a presidente da AEEC-MT, Rosana Cristina Alves de Matos Cruz, a tesoureira da instituição, Fernanda Caiado, e a mestra da cultura mato-grossense, Maria Divina Cabral, a Diva e a ativista, Nilva Rodrigues Cunha.

Da esquerda para direita; a mestra da cultura Mato-grossense, Maria Divina Cabral, a Mestra Diva, ao lado da prima Aparecida Alves de Cuiabá e do marido Jair Alves Cabral, conferem o livro impresso. Foto: Maria Clara Aquino.

O lançamento contou ainda com a presença do organizador, Aluízio de Azevedo e duas das autoras, o diretor de cultura da AEEC-MT, Rodrigo Zaiden, que também assinou a produção e a direção de arte da obra e o coordenador de povos tradicionais da prefeitura municipal de Rondonópolis, Djalma Santos.

Duas obras audiovisuais foram exibidas na programação de lançamento do livro: o episódio “Zilma” da minissérie Luzia e As Calins de Mato Grosso, que ainda está inédita e o vídeo institucional V Encontro de Cultura Cigana de MT, que retrata o último encontro realizado pela AEEC-MT, em 2025.

A programação do lançamento finalizou com noite de autógrafos e uma confraternização com coquetel para os presentes.

Aluízio de Azevedo, Aparecida Alves e Nilva Rodrigues Cunha, na noite de lançamento da obra. Foto: Maria Clara Aquino.

Publicado pela Editora Entrelinhas, o livro é financiado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel/MT), por meio do projeto “Mestra Diva – Ensinamentos e Sabedorias da Medicina Calon”, aprovado no Edital de Seleção Pública Viver Cultura – Identidades – Edição LPG 2023.

Um dos temas centrais é a ligação entre as tradições ciganas, como a medicina Calon e a natureza, mais especificamente o cerrado, no caso das Calins que vivem no Estado. O livro traz contos de cinco mulheres ciganas de quatro cidades de MT. Entre elas a Mestra da Cultura Mato-grossense, raizeira Maria Divina Cabral, a Mestra Diva, de Rondonópolis, que também é a entrevistada especial da edição.

O foco da publicação são os saberes tradicionais das mulheres ciganas de etnia Calon, que se autodenominam Calins. Foto: Maria Clara Aquino.

Além disso, participam da obra a professora aposentada Irandi Rodrigues Silva (Chapada dos Guimarães), a assistente social, Terezinha Alves (Cuiabá), a matriarca da comunidade Calon de Tangará da Serra, Venerana Rodrigues Cunha Pereira e a ativista Nilva Rodrigues Cunha (Rondonópolis).

De acordo com Jéssika Lorrayne, este é o primeiro livro publicado na literatura mato-grossense inteiramente produzido por pessoas ciganas. A obra conta ainda com audiodescrição.

Segundo a proponente, a obra é uma continuidade do projeto Diva e As Calins de Mato Grosso: Ontem, Hoje e Amanhã, que reconheceu e homenageou Maria Divina como mestra da Cultura Mato-grossense e se desdobrou na Exposição Multimídia Calin e na minissérie em 5 episódios Diva e As Calins de MT, que podem ser acessadas no seguinte link: www.galeriacalin.com .

#povosciganos #mulheresciganas #calins #literatura #secelmt #aeecmt

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

domingo, 8 de março de 2026

AEEC parabeniza as mulheres ciganas e gajins

As mulheres são prioridade na AEEC-MT, inclusive na diretoria: dos seis cargos, quatro são ocupados por Calins. Foto: Maria Clara Aquino.

A AEEC-MT, especialmente representada pelas quatro mulheres que fazem parte da diretoria, Rosana (presidente), Jéssika (vice-presidente), Fernanda (1ª Tesoureira) e Irandi (1ª Secretária), desejam a todas as Calins, Rommis e Sintis, um feliz dia internacional das mulheres!

O nosso trabalho em prol do fortalecimento das mulheres ciganas e de combate ao machismo, caminha junto com o trabalho de combate ao anticiganismo, o racismo estrutural contra as pessoas ciganas.

II Encontro de Mulheres Ciganas de MT, ocorrido em Cuiabá no ano de 2025. Foto: Maria Clara Aquino.

Na AEEC-MT, as mulheres ocupam lugar de decisão central. Desenvolvemos diversos projetos voltado para elas, como “Diva e As Calins de Mato Grosso: Ontem, Hoje e Amanhã” (2021).

O projeto reconheceu a raizeira Maria Divina Cabral, a Diva, como mestra da cultura mato-grossense. Além disso, se desdobrou em três produtos transmidiáticos que valorizaram os saberes femininos:

1) A exposição Multimídia Calin, que trouxe fotos de 35 mulheres ciganas de MT e pode ser acessada no link: www.galeriacalin.com

2) a minissérie em 5 episódios, Diva e As Calins de MT, que em cada episódio reverenciou uma Calin consideradas também como mestras da cultura cigana: Diva, Terezinha, Nilva, Irandi e Veneranda.

3)  o I Encontro de Mulheres Ciganas, que iniciou em 2021, em Rondonópolis e depois ganhou vida própria, este ano de 2026, chegando à IV edição.

As fotos que trazemos neste carrossel são do II Encontro de Mulheres ocorrido em Cuiabá em 2024 e do III Encontro de Mulheres, que aconteceu em Tangará em 2025.

Simone, Orceni, Zilma, Irandi, Fernanda e Abigail: mulheres, líderes, amadas.

Neste mês de fevereiro de 2026, lançamos o livro “Calins do Cerrado – Medicina e Sabedorias Ciganas”, uma continuidade do projeto Diva e As Calins de MT.

Na obra, trazemos contos e frases dessas cinco mulheres, além de uma entrevista em profundidade com a Mestra Diva.

Ambos os projetos foram financiados por meio de editais públicos da Secel-MT. Diva e As Calins de MT, por meio do edital Conexão Mestres da Cultura, da Lei Aldir Blanc; e o livro por meio do Edital Viver Cultura Identidades, Edição LPG 2023.

Viva as mulheres ciganas!

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sábado, 28 de fevereiro de 2026

Artista da AEEC integra exposição Frestas Trienal de Artes do Sesc Sorocaba

O Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT, Aluízio de Azevedo, é um dos 80 artistas convidados que integram a Frestas Trienal de Artes – Do Caminho um Rezo.

A vernissage de abertura da exposição, que é realizada pelo Sesc Sorocaba e ocorre por toda a unidade, ocorreu no último dia 27 de fevereiro (sexta-feira), com a participação de Aluízio.

Com curadoria de Naine Terena, Khadyg Fares e Luciara Ribeiro, a exposição reúne mais de 80 artistas e coletivos culturais nacionais e internacionais, que representam a diversidade étnica e regional brasileira, como indígenas, quilombolas, ciganos, LGBTs, povos tradicionais, entre outros periféricos.

Aluízio de Azevedo conta com cinco obras na exposição:

1 – João e Maria

2 – Bandeira Cigana Revisitada

3 – O Diplomata

4 – Totem de Mim LGBTQIAP Cigane

5 – Sem Título

Friestas abriu ao neste sábado (28/02) e prossegue até o mês de agosto. 

Os horários de visitação ocorrem de terças a sextas entre 9h e 21h30, aos sábados, de 10h às 20h e domingos e feriados, entre 10h e 18h30.

Saiba mais sobre Frestas do Caminho ao Rezo 

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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

MT rompe séculos de silenciamento literário e publica livro com sabedorias das mulheres ciganas

Editada pela Editora Entrelinhas, a obra traz contos e frases de cinco mulheres Calins e uma entrevista especial com a Mestra da cultura mato-grossense, Maria Divina Cabral

A Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), a Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel/MT) e a Editora Entrelinhas lançam, no próximo dia 06 de fevereiro (sexta-feira), em Rondonópolis, o livro “Calins do Cerrado – Medicinas e Sabedorias Ciganas”. Rompendo com séculos de invisibilidade e silenciamento na história oficial e na literatura mato-grossense, essa é a primeira obra literária publicada abordando o universo cigano no Estado.

A cerimônia de lançamento ocorre a partir de 19h, na Biblioteca Pública Municipal Manoel Severino da Silva, localizada na Vila Operária (Quadra 20A, Lote 1131, Avenida Filinto Muller).  O evento contará com programação que engloba a exibição do episódio “Zilma” da minissérie Luzia e As Calins de Mato Grosso, que ainda está inédita; e declamação da poesia “Sol”, que encerra o livro, de autoria da vice-presidente da AEEC-MT, Jéssika Lorrayne Alves Cabral Lima Leme, também a proponente e produtora executiva do livro.

O livro foi publicado por meio do projeto “Mestra Diva – Ensinamentos e Sabedorias da Medicina Calon”, aprovado no Edital de Seleção Pública Viver Cultura – Identidades – Edição LPG 2023 da Secel/MT. Um dos temas centrais é a ligação entre as tradições ciganas, como a medicina Calon e a natureza, mais especificamente o cerrado, no caso das Calins que vivem no Estado.

A proponente do projeto do livro, Jéssika Lorrayne e sua avó, Mestra Diva.

Organizado pelo cigano de etnia Calon, Aluízio de Azevedo Silva Júnior, que também pesquisou a educação ambiental dos povos ciganos em seu mestrado no Programa de Pós-graduação em Educação (PPGE) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT); o livro traz contos de cinco mulheres ciganas de quatro cidades de MT. Entre elas a Mestra da Cultura Mato-grossense, raizeira Maria Divina Cabral, a Mestra Diva, de Rondonópolis, que também é a entrevistada especial da edição.

Além disso, participam da obra a professora aposentada Irandi Rodrigues Silva (Chapada dos Guimarães), a assistente social, Terezinha Alves (Cuiabá), a matriarca da comunidade Calon de Tangará da Serra, Venerana Rodrigues Cunha Pereira e a ativista Nilva Rodrigues Cunha (Rondonópolis).

De acordo com Jéssika Lorrayne, este é o primeiro livro publicado na literatura mato-grossense inteiramente produzido por pessoas ciganas. Segundo a proponente, a obra é uma continuidade do projeto Diva e As Calins de Mato Grosso: Ontem, Hoje e Amanhã, que reconheceu e homenageou Maria Divina como mestra da Cultura Mato-grossense e se desdobrou na Exposição Multimídia Calin e na minissérie em 5 episódios Diva e As Calins de MT, que podem ser acessadas no seguinte link: www.galeriacalin.com .

“É muito importante a gente conseguir registrar em forma de contos, frases e fotos um pouco do que foi a história de nossas mulheres mais velhas, como a minha vó Diva e as tias Nerana, Terezinha, Irandi e Nilva, que estão no livro. No caso da minha vó ainda fica mais significativo, pois ela nunca teve a oportunidade de frequentar a escola, mas agora tem um livro que traz seus ensinamentos e sabedorias de vida”, emociona-se Jéssika, ao lembrar que as mulheres do tronco étnico Calon, se autodenominam como “Calins”, palavra na língua Chibe que pode ser traduzida como “Ciganas”.

Irandi Rodrigues (a esquerda), uma das autoras do livro e sua irmã Zilma Rodrigues (in memorian) que estrela um dos episódios da série Luzia e As Calins, que será exibido também no evento. Foto: Karen Ferreira.

Em uma das questões da entrevista, perguntada se “a cultura cigana tem sabedoria”, mestra Diva responde: “Tem sabedoria sim, o estudo deles vem de Deus. Olha, eu não tenho estudo, mas a minha medicina veio de Deus para mim”. Em outro trecho, ela revela a vontade de ter estudado:

“Eu aprendi muito na vida, o que é bom, o que é ruim. O que é mal fica pra lá, o que é bom, você traz pra você. Tudo que você faz hoje aqui na terra, Jesus te acolhe. Se você fazer o mal, você vai plantar arroz e colher feijão? Não! Você vai plantar, você tem que plantar o arroz e colher o arroz. Se você plantar ruindade, você vai colher ruindade. Se você vai plantar amor, você vai colher amor. Eu tinha uma vontade louca de estudar. Eu sei ler o abc, de cor, de trás pra frente e não sei decifrar”.

Conforme explica Aluízio de Azevedo, o trabalho é um híbrido entre literatura popular e livro-reportagem, organizado a partir de entrevistas em audiovisual com cada uma das autoras e depois um processo de transcrição e adaptação para a linguagem escrita. “Tudo isso, respeitando sotaques e modos de falar, inclusive o que na norma culta seria considerado como erro ortográfico. Fizemos questão de manter esse aspecto, para também ser um ato de resistência à colonização da língua”, pondera o autor.

Segundo Aluízio, o material vai preencher um vácuo no âmbito editorial, tanto da literatura mato-grossense, quanto brasileira, pois praticamente não há obras acerca da história e cultura dos povos ciganos e menos ainda obras produzidas por autores de origem cigana.

Para a editora da obra, Maria Teresa Carrión Carracedo, “A publicação de “Calins do Cerrado: Medicina e Sabedorias Ciganas”, livro organizado por Aluízio de Azevedo, é de grande importância para a cultura Cigana em Mato Grosso e para o registro da diversidade sociocultural neste território. As narrativas de lideranças ciganas apresentadas no livro trazem conhecimento ancestral de grande interesse, em edição que recebeu muita atenção em todo os processos. Estou muito feliz por ter sido convidada a participar desse lindo e importante projeto.”

Terezinha Alves, da comunidade cigana de Cuiabá, é uma das autoras do livro. Foto: Karen Ferreira.

Calins do Cerrado – Ensinamentos e Sabedorias Ciganas conta com direção de produção da Kaiardon Produções, direção de arte e consultoria de textos de Rodrigo Zaiden, que também assina a identidade visual do projeto. As fotografias são de Karen Ferreira, Maria Clara Aquino (da comunidade Calon de Tangará da Serra) e arquivos da AEEC-MT.

O projeto contou com Rafael Carracedo Ozelame e Manoel Carrecedo Ozelame como assistentes de edição e o projeto gráfico e arte-finalização é de Ricardo Miguel Carrión Carracedo.

A obra está dividida em 12 capítulos, incluindo a introdução, com o título “Cuidar entre as Calins”, por Aluízio de Azevedo, cinco contos, uma entrevista aprofundada com a mestra Diva, uma poesia e dois tópicos mais contextuais ao final: “Origens e Diásporas dos Povos Ciganos” e “Conheça a AEEC-MT: destaque internacional na defesa dos povos ciganos”.

Irandi Rodrigues Silva apresenta o conto “Lagarta, cobra, chuvas e dentes, da benzeção à vida!”; Terezinha Alves o conto “Árvores que Seguram o Vento”; Nilva Rodrigues Cunha a crônica “Minha mãe fazia fogo no chão”; Venerana Rodrigues Cunha Pereira o conto “As matas respondiam”; e, Mestra Diva a crônica “Na hora que você precisou de mim”.

Respeitando às pessoas que têm baixa visão, cegueira ou dificuldade de leitura, o projeto disponibilizou uma versão do livro em audiodescrição, que pode ser baixado no seguinte link:

Em breve o livro poderá ser acessado no site da Exposição Muiltimídia Calin, no endereço www.galeriacalin.com .

SERVIÇO:

O que: Lançamento do livro Calins do Cerrado – Medicina e Sabedorias Ciganas

Quando: 06/02/2026 – sexta-feira

Horário: 19h

Onde: Biblioteca Pública Municipal Manoel Severino da Silva, localizada à Avenida Filinto Muller, Quadra 20A, Lote 1131, Vila Operária, Rondonópolis-MT.

TEXTO: ASSESSORIA DE IMPRENSA

FOTOS: KAREN FERREIRA E MARIA CLARA AQUINO