Mostrando postagens com marcador Ciência. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ciência. Mostrar todas as postagens

sábado, 11 de abril de 2026

Estudo da USP mapeará genética dos povos ciganos brasileiros

Genética das Populações Ciganas do Brasil:A História dos Ciganos recontada pela genética. Ministério da Saúde financia projeto.

Os povos ciganos brasileiros integrarão a próxima etapa do projeto de DNA do Brasil. Executada no país pela Universidade de São Paulo (USP), o projeto que iniciou em 2017 e visa realizar um mapeamento do genoma dos brasileiros, inclui suas principais diversidades e tem como meta é alcançar pelo menos 20 mil pessoas no país. O estudo conta com o financiamento do Ministério da Saúde do Brasil e o banco de dados tem gestão da USP com o órgão.

Capitaneado pelas cientistas Lygia da Veiga Pereira e Tábita Hünemeier, a pesquisa "DNA do Brasil" tem como objetivo mapear a diversidade genética do país e aprimorar a medicina personalizada baseada em genômica, quando aplicada a populações brasileiras de etnia mais plural.

Junto aos povos de etnias ciganas, os Calon, os Rom e os Sinti, a pesquisa tem como título "Desvendando a história populacional dos Ciganos americanos através da análise da diversidade de todo o genoma”.

Com essa população que está espalhada por todo o país e estão por aqui desde os primórdios da colonização portuguesa, especialmente os Calon, o projeto conta om a parceria da Davi Comas Matinez, da Universitat Pompeu Fabra (Barcelona-Espanha), que se dedica a estudar os povos ciganos da Europa, sua origem e saúde. A meta é coletar amostras de pelo menos 300 pessoas ciganas de vários estados e regiões brasileiras.

Para tratar sobre o mapeamento genético dos povos ciganos e explicar sobre o processo, Tábita Hünemeier, David Comas e outros pesquisadores do projeto realizaram nos últimos dias 08 e 09 de abril, no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, o seminário “Genética das Populações Ciganas do Brasil – História, Diversidade e Saúde”.

O encontro, que ocorreu no Dia Internacional dos Povos Ciganos, que se comemora a todo dia 08 de abril, reuniu ativistas do movimento cigano de vários Estados Brasileiros como Mato Grosso, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Bahia. Entre eles, o gestor de projetos da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), Aluízio de Azevedo.

O projeto busca desvendar as origens, a ancestralidade e os processos evolutivos únicos da população Cigana. A colaboração e o conhecimento compartilhado por lideranças e representantes locais são os pilares que garantem que esta pesquisa seja realizada de forma ética, respeitosa e com impacto positivo para os povos ciganos.

O principal objetivo do evento técnico-científico foi discutir detalhes sobre como será as coletas e autorizações para realização do mapeamento genético das etnias ciganas brasileiras.

O encontro também contou com a presença de outros 10 pesquisadores do projeto e na ocasião a equipe coordenadora apresentou o histórico do projeto do genoma brasileiro, que já teve resultados e publicações bastante interessantes, além de falar sobre um histórico de como foi o mapeamento genético dos povos ciganos europeus.

A partir da pesquisa em Espanha foi confirmada uma origem comum no noroeste da Índia, cuja migração iniciou por volta do ano mil da era cristã e depois no século XIII já estavam nos Balcãs, para na sequência se espalhar por todos os países europeu, incluindo Portugal e Espanha a partir do século XV.

Pesquisadores David Comas e Tábita Hünemeier (à direita de camisa branca)coordenam o projeto

Resultados do Brasil

Maior mapeamento feito até hoje sobre o DNA de brasileiros, o projeto DNA do Brasil sequenciou o genoma de 2.700 pessoas e revelou mais de 8,7 milhões de variantes de genes humanos que ainda não eram conhecidas. O trabalho, que mostra como a história do Brasil se imprimiu na biologia de sua população, ganhou destaque na edição desta semana da Science, a revista científica mais disputada do mundo.

A pesquisa, publicada nesta quinta-feira (15) na revista Science, analisou todas as bilhões de bases de cada uma das 2,7 mil pessoas. O resultado mostrou que o DNA do brasileiro é como um mosaico por causa das ancestralidades e, por isso, o mais diverso do mundo.

Para se ter uma ideia, os pesquisadores encontraram 8,7 milhões de variações genéticas que nunca tinham sido catalogadas. Entre elas, genes associados a doenças como pressão alta, colesterol alto, obesidade, malária, hepatite, gripe, tuberculose, salmonelose e leishmaniose.

Saiba mais: https://g1.globo.com/saude/noticia/2025/05/15/pesquisa-analisa-dna-do-brasileiro-e-descobre-que-pais-tem-a-maior-diversidade-genetica-do-mundo-veja-na-sua-regiao.ghtml

Texto: Aluízio de Azevedo

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC/MT

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

UEMG abre inscrições para o Vestibular 2025: reserva de vagas para ciganos

 

São mais de 8000 vagas para cursos presenciais de graduação de bacharelado e licenciatura, nas categorias de ampla concorrência, reserva de vagas e inclusão regional.

Vagas específicas para negros, indígenas, quilombolas, ciganos e outros egressos de escola pública que não se enquadrem na Inclusão Regional.

Por g1 Centro-Oeste de Minas — Divinópolis

27/11/2024 09h55  Atualizado há um dia

A Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) abre ao meio-dia desta quarta-feira (27) as inscrições para o Vestibular 2025.

Ao todo, são 4.811 vagas disponíveis, das quais 846 delas são para os campi de AbaetéCláudio e Divinópolis.

No Centro-Oeste de MG, as oportunidades são para cursos presenciais de graduação de bacharelado e licenciatura, nas categorias de ampla concorrência, reserva de vagas e inclusão regional. Veja mais abaixo os cursos disponíveis para as cidades da região.

Os interessados em concorrer a uma das vagas precisam se inscrever pelo site vestibular.uemg.br. O valor da taxa de inscrição é de R$ 40, que deve ser paga até o dia 27 de dezembro. Poderão solicitar a isenção do pagamento os candidatos de baixa renda ou que sejam egressos de escola pública.

Reserva de vagas e inclusão regional

Os candidatos interessados no Vestibular UEMG 2025 poderão disputar vagas em três categorias: reserva de vagas, inclusão regional e ampla concorrência.

O sistema de reserva de vagas, conhecido como Procan, é destinado a pessoas com deficiência e a candidatos que comprovem carência financeira e sejam egressos de escolas públicas.

Dentro dessa categoria, há subcategorias específicas para negros, indígenas, quilombolas, ciganos e outros egressos de escola pública que não se enquadrem na Inclusão Regional.

A categoria de Inclusão Regional oferece vagas para candidatos que tenham cursado todo o Ensino Médio em escolas públicas das redes federal, estadual ou municipal e que comprovem residência em Minas Gerais.

Os candidatos que não se qualificarem nas categorias anteriores poderão pagar a taxa de inscrição e participar da seleção pela ampla concorrência.

Detalhes sobre o cronograma, distribuição de vagas e documentos necessários estão disponíveis no edital. Em caso de dúvidas, os candidatos podem entrar em contato pelo telefone 0800 299 3232 ou pelo e-mail vestibularuemg@msconcursos.com.br.

Disponível em: https://g1.globo.com/mg/centro-oeste/noticia/2024/11/27/uemg-abre-inscricoes-para-o-vestibular-2025-com-mais-de-800-vagas-para-divinopolis-claudio-e-abaete.ghtml

terça-feira, 22 de outubro de 2024

UEFS oferta especialização EAD em Educação na Cultura Digital com cotas para ciganos

 

A Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) está recebendo inscrições para o processo seletivo para a especialização EAD em  Educação na Cultura Digital, para ingresso no primeiro semestre letivo de 2025.

Serão 150 vagas e formação de cadastro reserva para a especialização EAD em Educação na Cultura Digital, devendo ser asseguradas as seguintes reservas para o total de vagas:

  • No mínimo, 15 vagas serão destinadas para o quadro de servidores técnico-administrativos e docentes do quadro permanente da UEFS;
  • Serão reservadas 50% das vagas, excetuando a reserva institucional de vagas (UEFS), para candidatos pertencentes a grupos historicamente excluídos: 70% para candidatos autodeclarados negros e 30% para candidatos indígenas, quilombolas, ciganos, pessoas trans e pessoas com deficiência.

As vagas para o curso EAD em Educação na Cultura Digital são distribuídas entre os seguintes polos de apoio presencial – UAB:

  • Alagoinhas – Centro: 25 vagas;
  • Feira de Santana – Centro: 51 vagas;
  • Ipirá – Centro: 26 vagas;
  • Pintadas – Centro: 24 vagas;
  • Rio Real – Centro: 24 vagas.

Acesse também: UFSM oferta 110 vagas para especializações gratuitas 2025

  • Professores e demais profissionais que atuam na área de Educação, portadores de diploma de curso superior reconhecido pelo MEC.

Como se inscrever no processo seletivo para a especialização EAD em Educação na Cultura Digital

As inscrições para o processo seletivo para a especialização em Educação na Cultura Digital podem ser realizadas até o dia 31/10 através do site: http://csa.uefs.br/index.php/uab2411/verificar_inscricao.

Seleção

A seleção para a especialização em Educação na Cultura Digital ocorrerá no período de 1º/11 a 16/12 e constará de duas etapas de caráter classificatório:

  • 1ª Etapa – Análise curricular (Prova de títulos);
  • 2ª Etapa – Análise da Carta de Intenção (plano profissional).

O resultado de homologação das inscrições será publicado até as 19h do dia 12/11. A Análise do Currículo Lattes acontecerá de 19 a 28/11, e a Análise da Carta de Intenção será feita de 03 a 09/12.

Mais informações no Edital 11/2024 – Educação na Cultura Digital.

Disponível em: https://www.horabrasil.com.br/2024/10/22/uefs-especializacao-ead-em-educacao-na-cultura-digital-oferta-150-vagas

quinta-feira, 12 de setembro de 2024

Com apoio do Estado ciganos, quilombolas e indígenas ingressam na universidade

10 estudantes de etnias ciganas Calon e Rom foram aprovados no processo seletivo, entre eles, a Calin de Rondonópolis, Andressa Rodrigues. Estudantes receberão bolsas integrais para realizar seus cursos de nível superior na instituição.

DA AEN

O Governo do Estado celebrou o ingresso no ensino superior de 60 candidatos quilombolas, indígenas e ciganos. Eles participaram, nesta quinta-feira (9), da 1ª Calourada da Diversidade, do Centro Universitário Internacional (Uninter), que oferta bolsas para este público, por meio de parceria com a Secretaria de Estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa, permitindo o ingresso na universidade.

O evento marcou, também, o início do Programa de Cotas da instituição, destinado a esses povos. Após as provas online, foram destinadas 50 bolsas para quilombolas e indígenas, e 20 bolsas, sendo 10 de graduação e 10 para a Educação de Jovens e Adultos (EJA), para a comunidade cigana das etnias Rom, Calon e Sinti.

A ação é em parceria com a Semipi, com a Associação de Preservação da Cultura Cigana (Apreci), a Confederação Brasileira Cigana e Coletivo das Mulheres Ciganas do Brasil (Comcib).

REPRESENTATIVIDADE – Lideranças quilombolas, indígenas e ciganas celebraram a possibilidade de mudanças nas suas realidades. Kretã Kaingang, cacique da Terra Indígena Tupã Nhe e Kretã e um dos fundadores da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil/Sul, disse que presenciou um momento diferente e especial. “Essa oportunidade de acesso marca um novo modelo de educação superior no Brasil para nós, povos indígenas, que é a EaD. A expectativa é que a cada ano os nossos jovens possam buscar cursos como esse e que não desistam”, relatou.

“O acolhimento por meio dessas bolsas de estudo ofertadas vem celebrar essa e muitas outras vitórias que virão, até mesmo para que o povo cigano consiga ocupar, realmente, o seu espaço de fala”, observou Nardi Casanova, cigana Calon e secretária-executiva nacional da Confederação Brasileira Cigana.

Para Benedito Florindo de Freitas Junior, quilombola de Adrianópolis, é um marco significativo para as comunidades tradicionais do Paraná. “A iniciativa é um passo crucial para a formação e melhoria da vida dos quilombolas, permitindo que eles próprios possam contar suas histórias e desenvolver projetos, como ter professores e profissionais na comunidade”, ressaltou. “A expectativa é que facilite a integração e a evolução dentro da sociedade globalizada, possibilitando a contribuição da cultura quilombola no contexto acadêmico”, disse.

DIVERSIDADE NA UNIVERSIDADE – O ingresso no ensino superior é um importante passo para realização dos sonhos dos alunos e a vontade de mudar o ambiente que os cercam. Aline de Souza de Castro, quilombola da comunidade Varzeão, no município de Doutor Ulysses, foi aprovada em Engenharia Agronômica e falou das expectativas.

“Escolhi esse curso porque na nossa região existe muita produção de poncã, pinus, etc. A parte de agricultura é muito forte e é necessário um profissional nessa área. Estão montando uma cooperativa na nossa comunidade, que atenderá em torno de 40 famílias que vivem lá”, explicou. “Tenho certeza que com a minha formação poderei contribuir de forma significativa”.

Para Lucas Stefanovich, cigano da etnia Rom, de Curitiba, aprovado em Tecnologia em Marketing, o curso vai proporcionar as ferramentas e o conhecimento necessários para fazer a diferença tanto na vida dele quanto na comunidade. “Ter uma graduação é algo que eu sempre vi como essencial, então essa oportunidade realmente expandiu meus horizontes. Essa conquista não é só pessoal, mas é um passo importante para devolver para a comunidade o aprendizado e o sucesso que a gente tanto quer obter”, ressaltou.

A secretária da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa, Leandre Dal Ponte, celebrou o projeto. “É uma parceria pioneira entre o Governo do Estado e a Uninter, para implementar políticas públicas que visam transformar a vida das pessoas, especialmente das comunidades tradicionais do Paraná. A iniciativa cria oportunidades de acesso ao ensino superior para aqueles que historicamente tiveram menos possibilidades”, reforçou.

Leandre disse que o governador Ratinho JUnior estabeleceu uma Secretaria de Estado para apoiar essa política, e que a colaboração com a instituição de ensino é um passo crucial para potencializar e dar continuidade a esses esforços. “A expectativa é que essa parceria sirva de modelo para outras instituições e ajude a quitar uma dívida histórica com essas comunidades”, completou.

O pró-reitor da Uninter, Rodrigo Berté, destacou que esse processo seletivo é a evolução de uma parceria iniciada há dois anos entre a instituição e comunidades indígenas, que começou com um projeto de internacionalização envolvendo indígenas do Canadá e levou à identificação da necessidade de formar professores indígenas.

“A iniciativa expandiu para incluir quilombolas e ciganos, com a criação de um edital de bolsas de estudo integral para essas comunidades. A instituição enfatiza a importância de um olhar social e inclusivo, buscando democratizar o acesso ao ensino superior e apoiar a diversidade. A parceria com o Estado é positiva e está alinhada com o compromisso da Uninter com a inclusão e a socialização do conhecimento”, afirmou.

Disponível em: https://p1news.com.br/destaque/com-apoio-do-estado-ciganos-quilombolas-e-indigenas-ingressam-na-universidade/

terça-feira, 10 de setembro de 2024

Pesquisa com povos ciganos analisa interseccionalidade e decolonialidade no SUS

 

Por Laboratório de Comunicação e Saúde/Icict/Fiocruz (Divulgação) (com Ascom Icict)

05/09/2024

Nos dias 15 e 16 de agosto, no campus da Fiocruz-Brasília, aconteceu o I Seminário Geral da pesquisa “Interseccionalidades e (de)colonialidades na Política Nacional de Integração em Saúde dos Povos Ciganos uma abordagem e um caminho para descolonizar o SUS”. O evento marcou o encerramento da fase de implementação da pesquisa, que tem em sua coordenação geral, Inesita Soares de Araujo, pesquisadora do Laboratório de Comunicação e Saúde (Laces)/Icict/Fiocruz e como coordenador adjunto Aluízio de Azevedo, do Ministério da Saúde.

Com o objetivo geral de identificar como se produz a prática colonial de anticiganismo nas instâncias do SUS, bem como as possíveis formas de descolonização, a investigação está sendo desenvolvida pelo Laboratório e conta com financiamento e apoio do Programa de Políticas Públicas e Modelos de Atenção e Gestão à Saúde (PMA), do Ministério da Saúde, por meio de aprovação na Chamada para submissão de propostas nº 01/2023, que privilegiou projetos que buscassem a descolonização do SUS. 

A pesquisa, que começou em março de 2024 e tem previsão de término até fevereiro de 2026, pauta sua atenção nas formas como a população cigana é percebida, acolhida e cuidada pelas instâncias do SUS. Sua principal premissa é a de que as políticas afirmativas atuais, mesmo criadas numa lógica decolonial, reparatória e de justiça social não encontram ressonância junto aos gestores e aos profissionais de saúde, além de serem em parte desconhecidas pelas próprias pessoas ciganas, o que faz com que suas condições de saúde continuem negligenciadas.  

Racismo em saúde

Em sua tese de doutorado defendida em 2018, o coordenador adjunto da pesquisa, Aluízio de Azevedo, cigano da etnia Calon, já havia denunciado práticas de racismo institucional presentes entre profissionais e serviços do SUS em várias dimensões. Há um desconhecimento generalizado de suas especificidades culturais e de gênero, diversidade étnico cultural, modos de vida e tradições. 

“Não se cumpre o princípio da equidade nos cuidados em saúde com os povos ciganos”, denuncia Aluízio, ao lembrar que “as pessoas dos três troncos étnicos ciganos (Calon, Rom e Sinti) não são contabilizadas pelo IBGE no censo populacional e não estão incluídas nos sistemas de informação do SUS, de maneira que na prática da assistência à saúde são discriminadas. A maioria está em exclusão, fora do mercado de trabalho e da educação formal, sem acesso à habitação e outros serviços cidadãos”.

Políticas Afirmativas

O registro da entrada da primeira família cigana Calon no Brasil, deportados de Portugal, justamente por serem ciganos, é de 1574. Tanto lá, quanto cá, foram aplicadas ao longo do tempo inúmeras leis colonialistas, racistas e persecutórias contra os ciganos,
como a proibição de falar a língua, praticar ofícios tradicionais, andar em grupo, viver juntos, entre outras. Também se construiu um imaginário estereotipado e preconceituoso, que permeia o senso comum, produtos artísticos e científicos. 

As primeiras políticas afirmativas para povos ciganos ocorreram a partir de 2011, com a portaria 940, que dispensa pessoas ciganas de apresentarem comprovante de endereço para serem atendidas nos serviços do SUS, devido a característica de itinerância de muitos desses grupos étnicos. Em 2006, o Decreto Presidencial de 25 de maio de 2006 criou o Dia Nacional dos Ciganos; em 2007, o Estado reconheceu os ciganos como Povos Tradicionais brasileiros, por meio da publicação do Decreto Presidencial 6.040. Finalmente, a portaria 4348, de 2018, criou a Política Nacional de Atenção Integral aos Povos Ciganos/Romani, estabelecendo objetivos e ações para os governos federal, estaduais e municipais. 

Pesquisa em outra perspectiva

Segundo Inesita Araujo, apesar de parecer simples “pesquisar com e não para e não sobre as pessoas envolvidas, pode parecer difícil por exigir desapego individual, mas também (e muito) institucional, de convicções e práticas arraigadas por tempo
demais que centralizam e conferem a poucos o monopólio da prerrogativa do fazer científico e da produção de conhecimentos. Exige coragem para desaprender e reaprender”, afirma.  

Como a perspectiva epistemológica que orienta a investigação é a do compartilhamento da produção de conhecimento entre pesquisadores, movimento social dos povos ciganos, trabalhadores e gestores da saúde, as pessoas ciganas, maiores interessadas nas políticas, participam ativamente da investigação em vários níveis: construção do projeto, escolhas metodológicas, processo analítico e produtos decorrentes, constituindo a grande maioria dos integrantes da equipe. Além de compartilharem a coordenação geral da pesquisa, coordenam a pesquisa de campo nos territórios envolvidos, atuam como interlocutores científicos e no campo das políticas públicas, também na atividade de produção e design gráfico. 

Decolonialidade na pesquisa

Participarão das atividades de campo 100 pessoas ciganas, de quatro estados – Goiás, Bahia, Rio de Janeiro e Paraíba – englobando assim as regiões Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste, além de profissionais e gestores de saúde que atuam junto a essas populações. Também serão incluídos gestores dos ministérios envolvidos na elaboração e aplicação das políticas afirmativas.

Uma das participantes é Desirèe Matos, filósofa cigana da etnia Calon, que vai coordenar o trabalho de campo na região Sudeste. Para ela, a pesquisa é inovadora desde a sua concepção até o compartilhamento de conhecimentos e resultados.

“O caráter decolonial com que se propõe tratar do tema saúde dos povos ciganos compreendendo-o não como um ‘objeto’ ou como uma citação estanque ou meramente ilustrativa, confere além de originalidade ao projeto, uma significativa e eficiente estratégia de resistência. Me encontro motivada para iniciar a pesquisa de campo e perceber que o ‘sujeito’ vai se construindo discursivamente, aprendendo as vozes sociais que constituem a realidade em que está imerso”, explica Desirèe.

I Seminário Geral da Pesquisa que ocorreu em Brasília nos dias 15 e 16 de agosto deste ano.

O cigano de etnia Calon e professor da Universidade de Feira de Santana, Jucelho Dantas, destaca que a pesquisa é importante para mostrar a realidade dos povos ciganos, diante da total invisibilidade histórica. Para Jucelho, uma das questões muito caras abordadas na pesquisa é a colonialidade no SUS.

“A colonialidade é muito forte dentro do SUS e não é somente com os ciganos. O tratamento que é dado à população que vai ser atendida no SUS é um tratamento universal. Ou seja, é um tratamento para um povo que é visto como homogêneo, que não tem diferenças nenhuma e a gente sabe que todos os seguimentos sociais e etnias têm suas particularidades. Para nós, ciganos, a imposição dessas normas, dessas regras chocam muito e existe uma repelência”, analisa o pesquisador, concluindo que: 

“Muitos ciganos não querem ir ao posto médico e ao serviço médico porque não se sentem ali abraçados e acolhidos, muito pelo contrário. Então, uma pesquisa como esta tem uma relevância gigantesca, principalmente porque está sendo aberto este canal da decolonialidade dentro de um sistema importantíssimo para nós brasileiros, o SUS, mas que precisa ser trabalhado e adaptado as condições do seu povo”. 

Segundo a coordenadora do projeto: “toda a equipe está muito animada e esperançosa de poder contribuir, através da pesquisa, não só para compreender quais dispositivos institucionais e comunicacionais do SUS operam no sentido da produção da colonialidade junto aos povos ciganos e como eles poderiam ser descolonizados, mas também para avançar um pouco mais no necessário movimento de descolonização da prática de pesquisa no campo da saúde coletiva. 

O estudo deverá resultar, dentre outros produtos, em dois guias nos formatos impresso e digital: um dedicado a gestores, conselheiros e profissionais do SUS, com informações qualificadas sobre a população cigana, suas características, necessidades e direitos; outro, para o movimento e população cigana em geral, sobre seus direitos cidadãos em saúde, protocolos e recursos disponíveis e outras informações cuja relevância foi tenha sido evidenciada na pesquisa. Também está prevista uma proposta de monitoramento das políticas públicas voltadas para as pessoas ciganas.

Novo Plano Nacional é lançado

O Ministério da Igualdade Racial lançou na sexta-feira (2/08) o Plano Nacional de Políticas para Povos Ciganos, que visa “promover medidas intersetoriais para a garantia dos direitos dos povos ciganos”. Ao todo, o plano está estruturado em dez objetivos, que envolvem combate ao anticiganismo, reconhecimento da territorialidade própria dos povos ciganos, direito à cidade, educação, saúde, documentação civil básica, segurança e soberania alimentar, trabalho, emprego e renda e valorização da cultura. O lançamento contou com a presença de representantes de diversos ministérios. (saiba mais, aqui).

Disponível em: https://www.icict.fiocruz.br/content/interseccionalidade-e-decolonialidade-no-sus-em-pesquisa-do-icict-com-povos-ciganos

Disponível em: https://portal.fiocruz.br/noticia/2024/09/pesquisa-com-povos-ciganos-analisa-interseccionalidade-e-decolonialidade-no-sus

quinta-feira, 29 de agosto de 2024

Uneb abre inscrições para o vestibular 2025 com sobrevagas para ciganos

Sobrevagas de 5% para povos ciganos, quilombolas, indígenas, pessoas trans (transexuais, travestis e transgêneros), pessoas com deficiência, com transtorno do espectro autista e com altas habilidades

A Universidade do Estado da Bahia (Uneb) divulgou o edital para o Vestibular 2025, oferecendo 6.346 vagas em diversos cursos de graduação. As inscrições estarão abertas entre os dias 9 de setembro e 7 de outubro e devem ser realizadas no site oficial do vestibular.

Do total de vagas, 4.371 são para cursos presenciais e 1.975 para cursos na modalidade a distância, oferecidos pelo Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB). 

Para se inscrever, os candidatos devem acessar o site do Vestibular UNEB 2025, onde poderão realizar o cadastro, escolher a modalidade de ensino, as opções de curso e a língua estrangeira, além de indicar se desejam concorrer às vagas de cotas. 

A taxa de inscrição é de R$ 90, e o pagamento deve ser efetuado até a data de vencimento indicada no boleto bancário.

O edital também estabelece a reserva de 40% das vagas para candidatos negros, seguindo a política de cotas da universidade. Além disso, 5% das sobrevagas serão destinadas a indígenas, quilombolas, ciganos, pessoas trans (transexuais, travestis e transgêneros), pessoas com deficiência, com transtorno do espectro autista e com altas habilidades. 

Para concorrer a essas vagas, é necessário que o candidato se autodeclare pertencente a um dos grupos mencionados e que tenha cursado todo o Ensino Fundamental II e o Ensino Médio em escolas públicas, além de atender aos requisitos de renda e demais critérios do edital.

As provas do vestibular serão realizadas nos dias 15 e 16 de dezembro. O edital completo, com detalhes sobre os cursos, o número de vagas, as informações sobre as provas e o cronograma completo do processo seletivo, está disponível no site oficial do Vestibular UNEB 2025.

Isenção da Taxa de Inscrição

A Uneb também abrirá inscrições para isenção da taxa de inscrição nos dias 9 e 10 de setembro. Podem solicitar o benefício candidatos que tenham concluído ou estejam concluindo o Ensino Médio em escolas públicas da Bahia, ou que tenham feito o Ensino Médio por meio de Exames Supletivos ou cursos equivalentes também em escolas públicas do estado. 

Servidores das Universidades Públicas Estaduais da Bahia e seus dependentes também têm direito ao benefício.

A lista preliminar dos candidatos que obtiverem a isenção será divulgada em 13 de setembro. Os selecionados devem comparecer à segunda etapa nos dias 18 e 19 de setembro, levando os documentos exigidos. A lista final dos beneficiados será divulgada até 1º de outubro.

Candidatos que não conseguirem a isenção, mas desejarem participar do processo seletivo, poderão acessar o site do vestibular, consultar seu status e realizar o pagamento da taxa de inscrição durante o período estipulado.

Disponível em: https://salvadornoticia.com/uneb-abre-inscricoes-para-o-vestibular-2025-com-mais-de-6-mil-vagas/

sábado, 27 de julho de 2024

Primo perceba quando estiver sendo utilizado como objeto de pesquisa

Texto: Sara Macedo

Arte: Danillo Kalón

Coletivo Ciganagens

É preciso estar atento para que o pensamento de pessoas não-ciganas não contribua para o projeto colonial de nos objetificar, povos ciganos. Estudos nomeados de decoloniais acadêmicos têm colocado que a colonização se deu nos mesmos moldes para todo mundo.


Isso não é verdade, é uma falsa simetria racial. E se uma teoria legitima os esmagamentos e silenciamentos, ela precisa ser questionada. Pois, afinal, são essas teorias que vêm casadas com um tom decolonial, quando adentram nossos saberes e territórios, acabam por se tornarem coloniais em suas práticas. 


Aquilo que acontece com um cigano apenas, nos atinge coletivamente. Para pessoas não racializadas, isso não acontece. Então, há que se estar muito atento ao que é escrito e narrado sobre nós, sem que haja autorização livre e consciente. 


Que condição é esta em que a utilização espontânea ou o trabalho não remunerado podem ser convertidos em indicadores passíveis de objetificação?


Condição que sempre está destinada a povos racializados, essa a de ser um compartilhador de seus conhecimentos em posição gratuita, pois também, nossos saberes não teriam prestígio para remuneração ou então não poderíamos tecer análises teóricas ou conceituais, uma vez que não nos consideram como produtores de conhecimento. 


Há que se refletir sobre a prática de sempre acessar e pegar o que se houve em comunidades e da boca de povos tradicionais, e se coloca em trabalhos, para financiar projetos egocêntricos e individuais sem referência, autoria, troca, retorno, conectividade.


Pura apropriação, mas disfarçada de projeto do diverso e do decolonial. Entretanto, sem nenhum tipo de retorno às comunidades. A categoria “decolonial”, em si própria uma antítese, tem demonstrado que não existe essa história de descolonização. 


“Por que não pergunto a esses povos o que eles querem e desejam que seja pesquisado?”


“Onde nasce esse fascínio antropológico e ascético de sempre precisar retratar, representar, tutelar e “dar voz” a um povo do qual não pertenço?”


Estamos aqui, recusando a partir de agora, migalhas de reconhecimento e afeto pela colonialidade, pois é uma “máscara que cai” e não favorece e dá autonomia para nenhum de nossos primos. Estão acostumados a nos chamar de analfabetos e de pouca sabedoria. Que não entremos nessa grande cilada que criaram para nós. 


quarta-feira, 24 de julho de 2024

Pessoas ciganas terão 2% da reserva de vagas no vestibular 2025 da UEMG

Universidade é uma das pioneiras no Brasil na implementação de políticas afirmativas para povos ciganos

23 de julho de 2024

BELO HORIZONTE – A Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) vai destinar 75% das vagas em cursos em 2025 por meio do vestibular, que contempla as categorias do Programa de Reserva de Vagas (Procan), de inclusão regional e da ampla concorrência. Os outros 25% serão destinados ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

De acordo com a Resolução nº 631/2024, aprovada pelo Conselho Universitário da Uemg, o Vestibular 2025 prevê 50% de vagas pelo Procan, 20% para inclusão regional e 5% para ampla concorrência.

Atualmente, o programa reserva vagas no Vestibular para candidatos com deficiência (5% das vagas) e de outras cinco categorias que devem, simultaneamente, terem cursado escola pública e comprovarem baixa renda: negros (24%), egressos de escola pública (13%), quilombolas (3%), indígenas (3%) e ciganos (2%).

A expectativa é que o edital do Vestibular 2025 seja anunciado até o final deste ano, após a escolha da empresa responsável pela organização.
A categoria será escolhida pelo candidato no momento da inscrição. Cada uma possui critérios próprios e exigem comprovações específicas, que serão detalhados no edital do Vestibular a ser publicado.

A resolução também define critérios para remanejamento das vagas eventualmente não preenchidas entre as categorias do Procan.

O Programa de Reserva de Vagas da Uemg foi instituído em 2004, atendendo à Lei Estadual nº 15.259, com o objetivo de democratizar o acesso ao ensino superior.

A modalidade Inclusão regional foi criada em adição ao Procan, com a proposta de fortalecer o ingresso ao ensino superior gratuito das comunidades dos municípios nos quais a Uemg possui oferta de cursos presenciais.

Para ter direito a concorrer nessa categoria, os candidatos precisarão comprovar, ao mesmo tempo, residirem no estado de Minas Gerais e terem cursado o ensino médio em instituições de ensino da rede pública municipal, estadual ou federal.

Disponível em: https://clicfolha.com.br/uemg-define-75-das-vagas-para-vestibular-e-25-pelo-sisu/

terça-feira, 23 de julho de 2024

Chibe Calon é aceita na UFBA como segunda língua estrangeira

 

De maneira inédita no Brasil, Programa de pós-graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia aprovou primeiro cigano de etnia Calon e tradição circense no Brasil, Roi Rogeres, em curso de doutorado. Foto: Barbara Jardim

O curso de Doutorado em Artes Cênicas (PPGAC), da Universidade Federal da Bahia (Ufba), aprovou no seu  processo seletivo de 2024.2, o primeiro cigano da etnia Calon e de tradição Circense no Brasil.

O feito foi alcançado pelo jornalista e multiartista Roi Rogeres Fernandes Filho, oriundo da Família Fernandes -  uma das maiores e mais tradicionais circenses do país. Mas não para por aí, com o inovador edital que contempla línguas tradicionais na etapa de avaliação das línguas estrangeiras, o PPG aceitou o Romanó-Kaló, do tronco étnico cigano Calon, na avaliação desta etapa.

Conhecida em Portugal como Romanon e no Brasil como Chibe, a língua Calon é uma das principais tradições ciganas e serve tanto como forma de reconhecimento entre os diferentes grupos, como também em situações de defesa.

No edital deste ano, o PPGAC/UFBA destacou no item k), que  para comprovar proficiência em língua estrangeira em nível instrumental, “candidatos/as indígenas, ou de comunidades tradicionais afrodescendentes, serão isentos/as de comprovar proficiência em uma língua estrangeira, desde que apresentem uma declaração da comunidade de origem como sendo falante da sua língua ou guardiã da memória e/ou da herança da língua ou de línguas em processos de retomada, mediante aprovação da comissão de seleção”.

O resultado final do processo seletivo do PPGAC foi divulgado no final deste semestre, e o recém mestre também pela Ufba, conquistou a vaga com o anteprojeto de pesquisa “CIGANENSES NU ESPELHO: A Tradição Circense entre os Povos Ciganos Calóns e a sua contribuição para a cultura do Circo no Brasil”.

O novo doutorando obteve nota 10 na prova oral e assegurou um lugar entre cinco primeiros colocados, de um total de 10 selecionados, sendo o primeiro doutorando de origem Cigana-Circense no Brasil. A família Fernandes conta hoje com diversos circos pelo Brasil, a exemplo do  Holiday, Miraculous, Las Vegas, Big Brother, Indianápolis, Irmãos Fernandes e Circo do Palhaço Futuca.

“Apesar de todos os meus familiares Ciganos-Circenses já serem mais do que PHDs nas artes e tradições do Circo, vou em busca desse título concedido por uma Universidade Federal não somente por mim, mas por todos os/as ancestrais encantados/as e vivos/as, que lutaram e lutam cotidianamente para manter viva e acesa a chama do Circo e das nossas tradições” comemorou Roi.

Ele acrescentou que “nesse sentido, essa vitória tem um sabor especial com a contemplação da nossa língua-mãe, a Chib, a qual tanto nos orgulhamos e segue nos salvando de tantas violências e nos unindo. Todo povo de tradição e comunidades étnicas, devem ter suas oralidades e línguas valorizadas, reconhecidas e consideradas, assim, o PPGAC dá um exemplo relevante e certamente frutífero,  de como um edital de processo seletivo deve considerar os Povos Tradicionais do Brasil. Em nosso processo de retomada, são iniciativas como essa que fortalecem as nossas lutas”.

O PPGAC-Ufba é um dos pioneiros do Brasil na área das Artes Cênicas, e avaliado com nota máxima na CAPES.

“Precisamos ser tratados como SUJEITOS e AUTORES, e não mais como meros OBJETOS de pesquisas, como até aqui têm sido feito muitos/as pesquisadores/as, e sei que no PPGAC a minha pesquisa irá florescer e dar muitos bons frutos ainda para nosso Povo Cigano e para a universidade brasileira. Sermos contemplados nas ações afirmativas do mesmo é o próximo passo em que irei reivindicar, já que as nossas contribuições para as diversas linguagens artísticas,  artes cênicas, música, artes visuais, o próprio circo, para a dramaturgia, são incomensuráveis e precisamos atuar para esse reconhecimento !”,finalizou Fernandes.

Trajetória – Roi Rogeres nasceu em Pernambuco, e é o quarto de seis filhos, tendo cada um nascido em um Estado diferente do Brasil em itinerância com os circos. Na adolescência, deixou a vida itinerante para fixar acampamento e estudar em Feira de Santana, onde cursou Jornalismo na Faculdade Anísio Teixeira (FAT), com bolsa integral do Programa Universidade para Todos (Prouni). Esteve educando em Artes Cênicas na Ufba, onde concluiu em 2023 o mestrado em Estudos Interdisciplinares Sobre a Universidade (PPGEISU), na linha de pesquisa Políticas Públicas, Cultura, Gestão, e Bases Históricas e Conceituais da Universidade, com um estudo autoetnográfico acerca das políticas públicas do ensino superior – ações afirmativas – para os Povos Ciganos. 


UFBA terá primeiro Cigano Calón de Tradição Circense em um curso de Doutorado no Brasil

O curso de Doutorado em Artes Cênicas (PPGAC), da Universidade Federal da Bahia (Ufba), terá entre seus estudantes o primeiro cigano da etnia Calón e de tradição Circense no Brasil. O feito foi alcançado pelo jornalista e multiartista Roi Rogeres Fernandes Filho, oriundo de uma das maiores e mais tradicionais famílias circenses do país, que conta hoje com diversos circos pelo Brasil, dentre esses o Holiday, Miraculous, Las Vegas, Big Brother, Indianápolis, Irmãos Fernandes e Circo do Palhaço Futuca.

O resultado final do processo seletivo do PPGAC foi divulgado nesta quarta-feira (12). Com o anteprojeto de pesquisa “CIGANENSES NU ESPELHO: A Tradição Circense entre os Povos Ciganos Calóns e a sua contribuição para a cultura do Circo no Brasil”, o estudante obteve nota 10 na prova oral e assegurou a aprovação entre os cinco primeiros colocados, de um total de 10 selecionados, se tornando o primeiro doutorando de origem Cigana-Circense no Brasil.

“Apesar de todos os meus familiares Ciganos-Circenses já serem mais do que PHDs nas artes e tradições do Circo, vou em busca desse título concedido por uma Universidade Federal não somente por mim, mas por todos os/as ancestrais encantados/as e vivos/as, que lutaram e lutam cotidianamente para manter viva e acesa a chama do Circo e das nossas tradições. Para documentar essa história linda e de superação, além de ocupar esses espaços de formação e poder, não para dar voz ou ser voz, pois as suas são mais do que suficientes, mas para ser também mais uma voz ativa em lugares que não foram pensados e criados para nós, para ecoar a riqueza da contribuição incomensurável dos nossos Povos Ciganos para o Circo, além da formação cultural, identitária, social e histórica do nosso Brasil, que é também Cigano-Circense- CIGANANENSE, tem que aceitar! ”, comemorou Roi Rogeres.

“Essa aprovação só foi possível porque os meus ancestrais permitiram e fizeram florescer em mim esse desejo pulsante de fazer retornar o que lhes pertencem, e seguir lutando de formas outras pelo reconhecimento e projeção que merecem. Para que sejamos tratados como SUJEITOS e AUTORES, e não mais como meros OBJETOS de pesquisas, como até aqui têm sido feito muitos/as pesquisadores/as. Que muitos outros Ciganos, especialmente de tradição circense, ocupem esses lugares e espaços se quiserem, pois infelizmente são raros/as os/as doutores/as ciganos/as, possíveis de serem contados nos dedos, e quando acessamos fortalecemos as diversas lutas de nosso povo!”, complementou.

Trajetória – Roi Rogeres nasceu em Pernambuco, e é o quarto de seis filhos, tendo cada um nascido em um Estado diferente do Brasil em itinerância com os circos. Na adolescência, deixou a vida itinerante para fixar acampamento e estudar em Feira de Santana, onde cursou Jornalismo na Faculdade Anísio Teixeira (FAT), com bolsa integral do Programa Universidade para Todos (Prouni). Esteve educando em Artes Cênicas na Ufba, onde concluiu em 2023 o mestrado em Estudos Interdisciplinares Sobre a Universidade (PPGEISU), na linha de pesquisa Políticas Públicas, Cultura, Gestão, e Bases Históricas e Conceituais da Universidade, com um estudo autoetnográfico acerca das políticas públicas do ensino superior – ações afirmativas – para os Povos Ciganos.

Disponível em: https://ihac.ufba.br/pt/48870/ 

  

quinta-feira, 6 de junho de 2024

Luzia e As Calins integra programação cultural do Intercom Centro Oeste

Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT participa da mesa de encerramento do evento, que ocorre entre 05 e 07 de junho na UFG, em Goiânia

A serie Luzia e As Calins do Cerrado, produzida pela AEEC-MT via edital Mulheres em Movimento 2023 do Fundo Elas +, terá sua estreia nacional na próxima sexta-feira (07.06) como programação cultural do Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom) etapa região Centro-Oeste.

O episódio exibido no evento, que ocorre entre 05 e 07 de maio na Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia (GO), é o estrelado pela Calin Zilma Rodrigues, do município de Rondonópolis (MT).

O Intercom inicia a partir de 08h, no Auditório Biblioteca Central - Campus Samambaia e a exibição do episódio é a primeira programação do dia, após informes sobre a greve das universidades federais.

No mesmo dia, o Diretor da serie Luzia e As Calins do Cerrado, Aluízio de Azevedo, que também é assessor de comunicação da AEEC-MT, participará da mesa de encerramento do evento, com o título “Jornalismo e Povos originários: experiências transfronteiras e o papel da comunicação popular”.

A Mesa será composta também por Maria de Fatima Pereira Tertuliano - Kalunga e Jornalista (Prefeitura de Cavalcante - GO); Dr. Edson Silva - Jornalista e Professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul; Anapuaka Tupinambá - Rádio Yandê. A Mediação será feita pelo Dr. Nilton José - professor da UFG (Laboratório Magnífica Mundi / FIC / UFG)

Calins - Essa é a segunda temporada da minissérie produzida pela AEEC-MT abordando as mulheres do tronco étnico Calon. Denominada Diva e as Calins de MT, a primeira temporada contou com cinco episódios com ciganas de três municípios de MT: Tangará da Serra, Cuiabá e Rondonópolis.

A nova temporada tambem conta cinco episódios, todos estrelados por mulheres Calin que vivem em dois Estados do cerrado. Além de Zilma Rodrigues, temos também Audelena Dias Cabral (Rondonópolis), Sara Macedo (Goiânia – GO), Fernanda Caiado (Cuiabá) e Luzia Alves Porto (Sinop).

Os cinco episódios da nova temporada serão lançados no segundo semestre no Canal do YouTube da AEEC-MT.

Intercom - O Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação reúne, tradicionalmente, alunos de graduação e pós-graduação, pesquisadores e profissionais da área. No evento, são debatidos tópicos de jornalismo, relações públicas, publicidade, rádio, televisão, cinema, produção editorial e de conteúdo para mídias digitais e políticas públicas de Comunicação, entre outros. 

A partir de 2024, os Congressos Regionais da Intercom têm suas programações baseadas no tripé de sustentação do ensino superior – ou seja, pesquisa-ensino-extensão. Além disso, os encontros também visam trazer para a associação científica, cada vez mais, estudantes de graduação, mestrandos, doutorandos, professores e coordenadores de cursos de graduação, e profissionais do mercado.

Este ano, o Intercom Centro-Oeste será realizado na Faculdade de Informação e Comunicação (FIC) da Universidade Federal de Goiás (UFG) de 5 a 7 de junho, no Campus Samambaia. O tema é "Outros saberes para a comunicação do amanhã: Culturas, Tempos e Tecnologias".

sábado, 18 de maio de 2024

Artigo Saúde mental dos povos ciganos

Acaba de sair publicado na Revista Ciência & Saúde da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), artigo que aborda a Saúde Mental dos Povos Ciganos.

O artigo é assinado por Anna Brandão, Aluízio de Azevedo (Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT), Judit Balázs e Cristiane Andrade.

Para baixar a obra, que aborda a saúde mental como um direito humano básico, correlacionando a questão com os processos de pobreza, discriminações étnicas, raciais e desigualdades, basta acessar o site da Revista:

https://cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/saude-mental-dos-povos-ciganos-revisao-de-literatura-integrativa/19195?id=19195

Acompanhe abaixo o resumo:

Tema:

Os povos ciganos são considerados socioeconomicamente em situação de vulnerabilidade, sendo expostos a processos de exclusão e violência históricos, que ainda se fazem presentes.

A saúde mental é um componente essencial da saúde, um direito humano fundamental e central nas correlações das análises sobre pobreza, discriminações étnicas e raciais e desigualdades.

Objetivo:

Por meio dessa revisão integrativa, buscou-se conceber o estado da arte a respeito da saúde mental dos povos ciganos.

Método:

A busca seguiu as diretrizes do PRISMA e foi realizada em seis bases de dados (BVS, ProQuest, PsycInfo, PubMed, Scopus e Web of Science); 27 artigos compuseram a amostra final.

Sete categorias de análise foram construídas: transtornos mentais, suicídio, infância e adolescência, aspectos psicológicos, fatores de risco e proteção, gênero e prevenção em saúde mental.

Resultados:

Os estudos apontam para diversas situações de vulnerabilidades na experiência das pessoas ciganas no que diz respeito à saúde mental.

Destacamos o papel excludente de sociedades majoritárias supremacistas em relegar as comunidades ciganas a um lugar de marginalização e invisibilidade, que se expressa, por exemplo, através da baixa produção científica a respeito dessas comunidades, especialmente no contexto latino-americano.

Palavras-chave: Romani. Ciganos. Saúde Mental em Grupos Étnicos.

Referência e acesso:

Brandao, A., Silva Júnior, A. de A., Balázs, J., Andrade, C. B.. Saúde mental dos povos ciganos: revisão de literatura integrativa. Cien Saude Colet [periódico na internet] (2024/Abr). [Citado em 18/05/2024]. Está disponível em: http://cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/saude-mental-dos-povos-ciganos-revisao-de-literatura-integrativa/19195?id=19195

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT