Os povos ciganos brasileiros integrarão a próxima etapa do projeto de DNA do Brasil. Executada no país pela Universidade de São Paulo (USP), o projeto que iniciou em 2017 e visa realizar um mapeamento do genoma dos brasileiros, inclui suas principais diversidades e tem como meta é alcançar pelo menos 20 mil pessoas no país. O estudo conta com o financiamento do Ministério da Saúde do Brasil e o banco de dados tem gestão da USP com o órgão.
Capitaneado
pelas cientistas Lygia da Veiga Pereira e Tábita Hünemeier, a pesquisa
"DNA do Brasil" tem como objetivo mapear a diversidade genética do
país e aprimorar a medicina personalizada baseada em genômica, quando aplicada
a populações brasileiras de etnia mais plural.
Junto
aos povos de etnias ciganas, os Calon, os Rom e os Sinti, a pesquisa tem como título
"Desvendando a história populacional dos Ciganos americanos através da
análise da diversidade de todo o genoma”.
Com essa população que está espalhada por todo o país e estão por aqui desde os primórdios da colonização portuguesa, especialmente os Calon, o projeto conta om a parceria da Davi Comas Matinez, da Universitat
Pompeu Fabra (Barcelona-Espanha), que se dedica a estudar os povos ciganos da
Europa, sua origem e saúde. A meta é coletar amostras de pelo menos 300 pessoas
ciganas de vários estados e regiões brasileiras.
Para
tratar sobre o mapeamento genético dos povos ciganos e explicar sobre o
processo, Tábita Hünemeier, David Comas e outros pesquisadores do projeto
realizaram nos últimos dias 08 e 09 de abril, no Hospital de Clínicas de Porto
Alegre, o seminário “Genética das Populações Ciganas do Brasil – História,
Diversidade e Saúde”.
O
encontro, que ocorreu no Dia Internacional dos Povos Ciganos, que se comemora a
todo dia 08 de abril, reuniu ativistas do movimento cigano de vários Estados
Brasileiros como Mato Grosso, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Bahia. Entre
eles, o gestor de projetos da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato
Grosso (AEEC-MT), Aluízio de Azevedo.
O
projeto busca desvendar as origens, a ancestralidade e os processos evolutivos
únicos da população Cigana. A colaboração e o conhecimento compartilhado por
lideranças e representantes locais são os pilares que garantem que esta
pesquisa seja realizada de forma ética, respeitosa e com impacto positivo para
os povos ciganos.
O
principal objetivo do evento técnico-científico foi discutir detalhes sobre
como será as coletas e autorizações para realização do mapeamento genético das
etnias ciganas brasileiras.
O
encontro também contou com a presença de outros 10 pesquisadores do projeto e
na ocasião a equipe coordenadora apresentou o histórico do projeto do genoma
brasileiro, que já teve resultados e publicações bastante interessantes, além
de falar sobre um histórico de como foi o mapeamento genético dos povos ciganos
europeus.
A
partir da pesquisa em Espanha foi confirmada uma origem comum no noroeste da
Índia, cuja migração iniciou por volta do ano mil da era cristã e depois no
século XIII já estavam nos Balcãs, para na sequência se espalhar por todos os
países europeu, incluindo Portugal e Espanha a partir do século XV.
Resultados
do Brasil
Maior
mapeamento feito até hoje sobre o DNA de brasileiros, o projeto DNA do Brasil
sequenciou o genoma de 2.700 pessoas e revelou mais de 8,7 milhões de variantes
de genes humanos que ainda não eram conhecidas. O trabalho, que mostra como a
história do Brasil se imprimiu na biologia de sua população, ganhou destaque na
edição desta semana da Science, a revista científica mais disputada do mundo.
A
pesquisa, publicada nesta quinta-feira (15) na revista Science, analisou todas
as bilhões de bases de cada uma das 2,7 mil pessoas. O resultado mostrou que o
DNA do brasileiro é como um mosaico por causa das ancestralidades e, por isso,
o mais diverso do mundo.
Para
se ter uma ideia, os pesquisadores encontraram 8,7 milhões de variações
genéticas que nunca tinham sido catalogadas. Entre elas, genes associados a
doenças como pressão alta, colesterol alto, obesidade, malária, hepatite,
gripe, tuberculose, salmonelose e leishmaniose.
Texto:
Aluízio de Azevedo
Assessoria
para Ciência e Comunicação da AEEC/MT


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