sábado, 11 de abril de 2026

Estudo da USP mapeará genética dos povos ciganos brasileiros

Genética das Populações Ciganas do Brasil:A História dos Ciganos recontada pela genética. Ministério da Saúde financia projeto.

Os povos ciganos brasileiros integrarão a próxima etapa do projeto de DNA do Brasil. Executada no país pela Universidade de São Paulo (USP), o projeto que iniciou em 2017 e visa realizar um mapeamento do genoma dos brasileiros, inclui suas principais diversidades e tem como meta é alcançar pelo menos 20 mil pessoas no país. O estudo conta com o financiamento do Ministério da Saúde do Brasil e o banco de dados tem gestão da USP com o órgão.

Capitaneado pelas cientistas Lygia da Veiga Pereira e Tábita Hünemeier, a pesquisa "DNA do Brasil" tem como objetivo mapear a diversidade genética do país e aprimorar a medicina personalizada baseada em genômica, quando aplicada a populações brasileiras de etnia mais plural.

Junto aos povos de etnias ciganas, os Calon, os Rom e os Sinti, a pesquisa tem como título "Desvendando a história populacional dos Ciganos americanos através da análise da diversidade de todo o genoma”.

Com essa população que está espalhada por todo o país e estão por aqui desde os primórdios da colonização portuguesa, especialmente os Calon, o projeto conta om a parceria da Davi Comas Matinez, da Universitat Pompeu Fabra (Barcelona-Espanha), que se dedica a estudar os povos ciganos da Europa, sua origem e saúde. A meta é coletar amostras de pelo menos 300 pessoas ciganas de vários estados e regiões brasileiras.

Para tratar sobre o mapeamento genético dos povos ciganos e explicar sobre o processo, Tábita Hünemeier, David Comas e outros pesquisadores do projeto realizaram nos últimos dias 08 e 09 de abril, no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, o seminário “Genética das Populações Ciganas do Brasil – História, Diversidade e Saúde”.

O encontro, que ocorreu no Dia Internacional dos Povos Ciganos, que se comemora a todo dia 08 de abril, reuniu ativistas do movimento cigano de vários Estados Brasileiros como Mato Grosso, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Bahia. Entre eles, o gestor de projetos da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), Aluízio de Azevedo.

O projeto busca desvendar as origens, a ancestralidade e os processos evolutivos únicos da população Cigana. A colaboração e o conhecimento compartilhado por lideranças e representantes locais são os pilares que garantem que esta pesquisa seja realizada de forma ética, respeitosa e com impacto positivo para os povos ciganos.

O principal objetivo do evento técnico-científico foi discutir detalhes sobre como será as coletas e autorizações para realização do mapeamento genético das etnias ciganas brasileiras.

O encontro também contou com a presença de outros 10 pesquisadores do projeto e na ocasião a equipe coordenadora apresentou o histórico do projeto do genoma brasileiro, que já teve resultados e publicações bastante interessantes, além de falar sobre um histórico de como foi o mapeamento genético dos povos ciganos europeus.

A partir da pesquisa em Espanha foi confirmada uma origem comum no noroeste da Índia, cuja migração iniciou por volta do ano mil da era cristã e depois no século XIII já estavam nos Balcãs, para na sequência se espalhar por todos os países europeu, incluindo Portugal e Espanha a partir do século XV.

Pesquisadores David Comas e Tábita Hünemeier (à direita de camisa branca)coordenam o projeto

Resultados do Brasil

Maior mapeamento feito até hoje sobre o DNA de brasileiros, o projeto DNA do Brasil sequenciou o genoma de 2.700 pessoas e revelou mais de 8,7 milhões de variantes de genes humanos que ainda não eram conhecidas. O trabalho, que mostra como a história do Brasil se imprimiu na biologia de sua população, ganhou destaque na edição desta semana da Science, a revista científica mais disputada do mundo.

A pesquisa, publicada nesta quinta-feira (15) na revista Science, analisou todas as bilhões de bases de cada uma das 2,7 mil pessoas. O resultado mostrou que o DNA do brasileiro é como um mosaico por causa das ancestralidades e, por isso, o mais diverso do mundo.

Para se ter uma ideia, os pesquisadores encontraram 8,7 milhões de variações genéticas que nunca tinham sido catalogadas. Entre elas, genes associados a doenças como pressão alta, colesterol alto, obesidade, malária, hepatite, gripe, tuberculose, salmonelose e leishmaniose.

Saiba mais: https://g1.globo.com/saude/noticia/2025/05/15/pesquisa-analisa-dna-do-brasileiro-e-descobre-que-pais-tem-a-maior-diversidade-genetica-do-mundo-veja-na-sua-regiao.ghtml

Texto: Aluízio de Azevedo

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC/MT

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