Nesta segunda-feira (18 de maio), a Associação de Etnias
Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT) inicia mais uma edição do projeto
Ancestralidade Viva, este ano com o tema “O tempo que a gente é!” A ação, que
faz parte da programação do projeto VI Encontro de Cultura Cigana de Mato
Grosso, já é tradicional no evento pela valorização da história e da cultura
cigana e ocupará as redes sociais da associação (@aeecmt) até o fim do mês de
maio, em celebração ao Festival Maio Cigano, que marca o Dia Nacional dos Povos
Ciganos (24).
Em 2026, a campanha homenageia 13 lideranças vivas e duas lideranças in memorian, todas de Mato Grosso, das cidades de Rondonópolis, Cuiabá e Tangará da Serra. A primeira delas é Maria Auxiliadora Alves de Anicézio, moradora de Cuiabá (foto acima).
Em 2025, as publicações focaram na valorização e
reconhecimento da ancestralidade dos povos ciganos da etnia Calon e Rom, com
homenagens a 12 lideranças vivas e 4 lideranças “in memorian”, que fizeram e
fazem história na cultura cigana mato-grossense.
No ano passado, a campanha ultrapassou a marca de 50 mil
visualizações no Insta da AEEC-MT (@aeecmt). A importância do engajamento,
neste caso, está principalmente na ampliação da visibilidade junto a pessoas
não-ciganas, que é o principal objetivo da ação.
A campanha “Ancestralidade Viva” procura cumprir um papel
social: o combate ao anticiganismo (ou ciganofobia). Através de conteúdos que
recordam e homenageiam lideranças e mestres da cultura cigana, as publicações
levam o público a conhecer suas histórias e, consequentemente, as tradições
ciganas, que por muito tempo, sofreram discriminações e preconceitos. Ao
promover visibilidade às vozes e rostos de pessoas ciganas, a campanha ressalta
todo o legado dos homenageados.
A campanha existe desde 2022 e em sua primeira edição teve o
nome “Quem conhece não tem preconceito”, que ao longo do mês exibiu fotos de
mais de 40 mulheres ciganas da exposição multimídia Calin (hiperlink). A cada
edição, o projeto adota uma temática e uma estratégia de mobilização virtual.
Exemplo disso é o documentário divulgado em 2023 Caminhos Ciganos,
dirigido e roteirizado por Aluízio de Azevedo, um dos criadores da iniciativa.
“A ideia do Ancestralidade Viva é valorizar as pessoas ciganas que são ciganas e que
passaram por muitas experiências, que viveram muito tempo no nomadismo, que
sofreram várias questões e que resistiram. Os mais velhos são lideranças nas
suas comunidades, são o nosso poço de sabedoria, são os que detêm as práticas,
histórias, memórias, enfim, a riqueza de vida, dos nossos modos de viver, dos
nossos sistemas de ação, de organização social, da língua cigana. É muito rico
esse movimento que a gente faz de reconhecimento dos nossos ancestrais que
estão vivos”,
ressalta Aluízio.
O VI Encontro de Cultura Cigana de
Mato Grosso é realizado pela AEEC-MT, em parceria com a Secel-MT e com o
Ministério da Igualdade Racial (MIR), em prol da preservação das tradições e
bens imateriais ciganos. Com atividades presenciais em Cuiabá, Rondonópolis e
Tangará da Serra, a iniciativa promove intercâmbio entre comunidades, estimula
a troca de saberes entre diferentes gerações e fomenta a voz dos povos ciganos
na luta por seus direitos.
Texto: Lívia Freire
Fotos e vídeos: Jeomara Viegas e Maria Clara Aquino
Artes: Tami Lage


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