domingo, 17 de maio de 2026

Campanha Ancestralidade Viva promove visibilidade e celebra cultura e história dos povos ciganos

Iniciativa da AEEC-MT utiliza as redes sociais para homenagear pessoas ciganas, buscando combater o anticiganismo por meio de informações fidedignas

Nesta segunda-feira (18 de maio), a Associação de Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT) inicia mais uma edição do projeto Ancestralidade Viva, este ano com o tema “O tempo que a gente é!” A ação, que faz parte da programação do projeto VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso, já é tradicional no evento pela valorização da história e da cultura cigana e ocupará as redes sociais da associação (@aeecmt) até o fim do mês de maio, em celebração ao Festival Maio Cigano, que marca o Dia Nacional dos Povos Ciganos (24).

Em 2026, a campanha homenageia 13 lideranças vivas e duas lideranças in memorian, todas de Mato Grosso, das cidades de Rondonópolis, Cuiabá e Tangará da Serra. A primeira delas é Maria Auxiliadora Alves de Anicézio, moradora de Cuiabá (foto acima).

Em 2025, as publicações focaram na valorização e reconhecimento da ancestralidade dos povos ciganos da etnia Calon e Rom, com homenagens a 12 lideranças vivas e 4 lideranças “in memorian”, que fizeram e fazem história na cultura cigana mato-grossense.

No ano passado, a campanha ultrapassou a marca de 50 mil visualizações no Insta da AEEC-MT (@aeecmt). A importância do engajamento, neste caso, está principalmente na ampliação da visibilidade junto a pessoas não-ciganas, que é o principal objetivo da ação.

A campanha “Ancestralidade Viva” procura cumprir um papel social: o combate ao anticiganismo (ou ciganofobia). Através de conteúdos que recordam e homenageiam lideranças e mestres da cultura cigana, as publicações levam o público a conhecer suas histórias e, consequentemente, as tradições ciganas, que por muito tempo, sofreram discriminações e preconceitos. Ao promover visibilidade às vozes e rostos de pessoas ciganas, a campanha ressalta todo o legado dos homenageados.

A campanha existe desde 2022 e em sua primeira edição teve o nome “Quem conhece não tem preconceito”, que ao longo do mês exibiu fotos de mais de 40 mulheres ciganas da exposição multimídia Calin (hiperlink). A cada edição, o projeto adota uma temática e uma estratégia de mobilização virtual. Exemplo disso é o documentário divulgado em 2023 Caminhos Ciganos, dirigido e roteirizado por Aluízio de Azevedo, um dos criadores da iniciativa.

“A ideia do Ancestralidade Viva é valorizar  as pessoas ciganas que são ciganas e que passaram por muitas experiências, que viveram muito tempo no nomadismo, que sofreram várias questões e que resistiram. Os mais velhos são lideranças nas suas comunidades, são o nosso poço de sabedoria, são os que detêm as práticas, histórias, memórias, enfim, a riqueza de vida, dos nossos modos de viver, dos nossos sistemas de ação, de organização social, da língua cigana. É muito rico esse movimento que a gente faz de reconhecimento dos nossos ancestrais que estão vivos”, ressalta Aluízio.

O VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso é realizado pela AEEC-MT, em parceria com a Secel-MT e com o Ministério da Igualdade Racial (MIR), em prol da preservação das tradições e bens imateriais ciganos. Com atividades presenciais em Cuiabá, Rondonópolis e Tangará da Serra, a iniciativa promove intercâmbio entre comunidades, estimula a troca de saberes entre diferentes gerações e fomenta a voz dos povos ciganos na luta por seus direitos.

Texto: Lívia Freire

Fotos e vídeos: Jeomara Viegas e Maria Clara Aquino

Artes: Tami Lage

 

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