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sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Programa de Ações Afirmativas da Unilab é aprovado e inclui etnias ciganas

Com a ação, Unilab é uma das universidades pioneiras no país a incluir povos ciganos


O Programa de Ações Afirmativas da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) foi instituído e aprovado em resolução do Conselho Universitário (Consuni), no último dia 20 de agosto. Entre os públicos beneficiados estão os estudantes cigan@s.

O Programa assegura, no âmbito da graduação e pós-graduação, políticas de ações afirmativas para o ensino, a extensão e a pesquisa, com a finalidade de promover o ingresso e a permanência de indígenas, negros, quilombolas, ciganos, povos e comunidades tradicionais, refugiados, pessoas com deficiência, pessoas com identidades trans, além de pessoas em situação de privação de liberdade ou egressas do sistema prisional.

A ação está sob a responsabilidade da Coordenação de Direitos Humanos, vinculada à Pró-Reitoria de Políticas Afirmativas e Estudantis, em parceria com a Pró-Reitoria de Graduação, a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, a Pró-Reitoria de Extensão, Arte e Cultura e a Pró-Reitoria de Relações Institucionais e Internacionais.

Entre as finalidades, o Programa visa, ainda, contribuir para eliminar as desigualdades e segregações, e também promover ações, projetos e programas para a educação das relações étnico-raciais e diversidade. O reitor da Unilab, professor Roque Albuquerque, destaca, na condição de cigano da etnia Calon, a importância dessa representatividade diversa na universidade e reforça o pedido de apoio mútuo de todos os grupos.

“Esse é um momento de união, no qual os grupos favorecidos pelas ações afirmativas, que possam fazer valer a excelência acadêmica nessa oportunidade; e aqueles que chamamos de não favorecidos, unam-se a nós para que a gente tenha condições de poder avançar na educação e dar uma oportunidade a quem certamente teria grandes dificuldades. Então peço unidade, é tudo que precisamos neste momento para apoiar uns aos outros e continuar crescendo na educação do Brasil”, afirma.

Para a vice-reitora, professora Cláudia Carioca, “a aprovação do Programa de Ações Afirmativas da Unilab concretiza mais uma vez a marca desta gestão que ‘diz e faz’. O compromisso dito várias vezes ao longo de 16 meses e que assumimos de fazer é agora apresentado à comunidade unilabiana como política institucional efetiva. É um momento histórico! Agora podemos ter pessoas marginalizadas e com histórico de exclusão ingressando em nossa universidade, pessoas que poderão escolher como querem viver suas vidas, o que antes não acontecia porque não lhes era dado o poder de escolha”, destaca.

A percepção de que esse programa representa um passo decisivo rumo a igualdade no acesso e na permanência das pessoas na universidade é compartilhada pelas professoras Eliane Costa Santos e Jaqueline Costa.

“Temos ciência de que a aprovação do Programa de Ações Afirmativa faz com que a Unilab, além de dar continuidade ao seu projeto inicial, confirma a ideia que interiorizar e internacionalizar significa também criar programas e políticas de permanência para o público que nela adentra. Assim, em nome de todas, todxs e todos representantes, que estiveram na construção desse Grupo de Trabalho, o qual presidimos, a saber, dos/das quilombolas, indígenas, internacionais, ciganos, LGBTQIA+, pessoas com deficiência, esperamos que este Programa de Ações Afirmativas seja um passo assertivo rumo à equidade no acesso e permanência das pessoas na Unilab, ao tempo que também esperamos que o Programa possa ser implementado, revisto, repensado, aperfeiçoado, a medida que esses públicos sintam a necessidade”, defendem.

Acesso e Permanência

Em relação ao acesso, o Programa de Ações Afirmativas traz, no caso da graduação, critérios de seleção – que será via Enem e processo seletivo especial -, e também especifica porcentagens de distribuição de vagas, como é o caso de 55% das vagas serem usadas para ingresso via Enem por meio do Sisu, incluindo reservas de vagas já presentes no Sisu. No caso da permanência, entre outros pontos, o Programa visa contribuir para o cumprimento do Plano Nacional de Assistência Estudantil, bem como para ações e planos internacionais, federais, estaduais e municipais, nas áreas de ações afirmativas e de permanência.

“Essa resolução é um avanço, uma conquista de todos dentro das ações de políticas afirmativas porque ela agora coloca todo o fluxo dentro de um contexto. Então a gente tem tanto o processo de entrada de aluno/a/e, e também consegue acompanhar a sua permanência, fazer algumas ponderações sobre o que é necessário para que estudantes permaneçam e obtenham êxito, que é a sua formatura”, afirma a pró-reitora de Políticas Afirmativas e Estudantis (Propae), professora. Larissa Nicolete.

Ela pontua também que, apesar da Propae ser fortemente vinculada ao auxílio estudantil, é preciso lembrar que o setor trabalha também para a permanência dessas comunidades dentro de um contexto mais amplo, ligado aos Direitos Humanos.

Construção Coletiva

Os objetivos do Programa englobam também fortalecer a criação de núcleos, centros e grupos de pesquisa, estudo e extensão afro-brasileiros e voltados às ações afirmativas; e, ainda, articular ações e fortalecer iniciativas interinstitucionais e comunitárias, com vistas à promoção de equidade étnico-racial, de gênero, de sexualidade, de origem, de religião e regionalidade.

“A Unilab, com essa aprovação, se torna uma universidade nova, porque muitas vezes a diversidade está nos seus documentos, mas não está na cara das pessoas, nos rostos das pessoas, está muitas vezes simplesmente no nosso discurso teórico. E o Programa de Ações Afirmativas vai ajudar a ir também para essa realidade prática”, aponta o professor. Evaldo Ribeiro Oliveira, coordenador da Coordenação de Direitos Humanos da Unilab (CDH).

Ele pontua que esse Programa é fruto de um sonho e construção, nos últimos dez anos, de um coletivo – estudantes, docentes, técnico-administrativos em educação e movimentos sociais organizados –, e que está aberto a sugestões e orientações vindas tanto da comunidade interna como externa.

No percurso de construção desse Programa, segundo aponta parecer da vice-reitora, professora Cláudia Carioca, a minuta de resolução encaminhada ao Consuni, para a adoção das políticas relacionadas às ações afirmativas da Unilab, consolidou-se com base nos documentos constantes nos autos do processo oriundos do Grupo de Trabalho, responsável pela elaboração das diretrizes legais para o Programa de Ações Afirmativas da Unilab.

O relatório apresentado ao final dos trabalhos do GT incluía, entre outros itens, a divulgação da Proposta de Programa de Ações Afirmativas. O Grupo de Trabalho – instituído por meio da portaria nº 438, de 19 de outubro de 2020 -, finalizou suas ações em fevereiro deste ano, após a entrega de relatório.

Houve, nessa trajetória de construção do Programa, um convite a dois pareceristas externos e quatro internos – que atuam com políticas afirmativas em suas respectivas universidades -, o que resultou na entrega de pareceres à Reitoria. “Então, diante dos pareceres, da proposta do GT e de toda a legislação competente referente à programa de ações afirmativas, à inclusão, à diversidade de alguns grupos socialmente marginalizados, constituímos uma proposta de Programa de Ações Afirmativas, aprovada no último Consuni”, contextualiza o coordenador da CDH, Evaldo Ribeiro Oliveira.

O Programa também inclui, como aponta Oliveira, a constituição de um comitê de acompanhamento da Política de ações afirmativas, presidido pela CDH e com a participação de pró-reitorias da Unilab, representação discente, docente e técnico-administrativo em educação, além de representantes dos segmentos sociais beneficiários das ações afirmativas. Entre as funções desse comitê está o de acompanhar a elaboração, a implementação, a avaliação e o aprimoramento do Programa; e elaborar um Plano de Ações Afirmativas, nos âmbitos do ensino, da pesquisa e da extensão, para o ingresso e a permanência das populações atendidas pelo Programa.

Disponível em: https://unilab.edu.br/2021/08/25/programa-de-acoes-afirmativas-da-unilab-e-aprovado/ 

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Ciganos serão incluídos em políticas afirmativas de cotas na Unilab do Ceará

Após portaria da Instituição, Grupo de Trabalho é criado para elaborar ações inclusivas e determinar grupos identitários contemplados e quantidade de vagas a serem disponibilizadas

A comunidade cigana foi incluída nas políticas de cotas da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab). O Grupo de Trabalho (GT) para elaboração do projeto de políticas afirmativas estudantis da Unilab no Ceará foi criado após a portaria de número 438 ser assinada pelo reitor Roque do Nascimento Albuquerque, na última segunda-feira (19). Tendo como objetivo elaborar ações inclusivas na Instituição, a proposta é pioneira no Estado por incluir os ciganos dentro dos grupos contemplados.

Segundo a portaria, o GT é responsável pela “elaboração das diretrizes, critérios de seleção, vagas e permanência das populações contempladas no Programa de Ações Afirmativas da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira”.

Na perspectiva do presidente do Instituto Cigano Brasil (ICB), cigano Calon, Rogério Ribeiro, essa ação é de “extrema importância” para reduzir desigualdades históricas, inspirar a proposta em outras Instituições de ensino superior e incentivar a entrada e permanência desse grupo em espaços do ensino superior.

Conforme aponta, somente da etnia Calon são contabilizados cerca de 20 mil ciganos no Ceará, distribuídos em pelo menos 60 municípios. Porém, há somente duas estudantes autointituladas ciganas na Instituição.

“Cerca de 70% dos ciganos são analfabetos. Então isso é um incentivo e grandeza de uma instituição como a Unilab atender também o povo cigano”, compartilha.

Inclusão

A cigana do subgrupo Rom, Kalderash, Flor Fontenele, vê essa inclusão como “uma conquista tremenda, enorme”. Sendo uma das duas estudantes autointituladas ciganas que está na Unilab Ceará, cursando o 4º semestre de Bacharelado em Humanidades, compreende que há uma dificuldade de conseguir ocupar o ensino superior e permanecer.

Para além de estudante, ela também está compondo o GT e busca ajudar a identificar o número de ciganos com ensino médio concluído, pois “serão os futuros estudantes que poderão acessar essas cotas”. Além disso, deseja acompanhar as reuniões durante o processo para traçar as diretrizes de seleção. “A nossa defesa nesse momento é que seja um edital específico, ou seja, que ciganos concorram com outros ciganos por essas vagas”, finaliza.

De acordo com o reitor da Unilab, Roque Albuquerque, cigano da etnia Calon, o foco da ação é poder dar assistência a grupos em situação de vulnerabilidade e historicamente excluídos do ensino superior. 

Os ciganos, por sua história, também foram contemplados para o programa de cotas e essa inclusão, para ele, é “de suma importância”.

“Eu sou um cigano e me tornei o primeiro reitor cigano em uma universidade pública no Brasil. Incluir os ciganos é uma correção histórica, é importante que saibam que estamos aqui e que existimos. Somos capazes. Se eu cheguei, outros podem chegar. É marco”, declara.

Grupo de Trabalho

Segundo o pró-reitor de Políticas Afirmativas e Estudantis da Instituição, James Moura, durante a fase inicial de planejamento, serão definidos os critérios de seleção dos grupos específicos. Além dos ciganos, devem ser contemplados outros grupos identitários, como indígenas e quilombolas.

“As ações afirmativas têm um papel de um processo de reparação histórica das desigualdades de acesso de ensino. Apesar das políticas de cotas existirem, precisa avançar e contemplar outros grupos que também foram historicamente marginalizados no sentido de acesso ao ensino superior”, declara.

O GT possui um prazo de 60 dias para apresentar um documento a fim de direcionar, de modo mais prático, as políticas afirmativas. Após a finalização do GT em janeiro, as propostas ainda passarão por trâmites internos e jurídicos dentro da Unilab, não havendo, portanto, um prazo efetivo para o início de adoção das cotas.

Disponível em: agenciabr.com.br/ciganos-serao-incluidos-em-politicas-afirmativas-de-cotas-na-unilab-do-ceara/