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sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Dois de Agosto: Dia Internacional em Memória ao Holocausto Romani

 
Marzahn, o primeiro campo de aprisionamento para os ciganos (Romanis) durante o Terceiro Reich. Alemanha. Foto de data incerta.

Dois de agosto, dia em Memória ao Holocausto Cigano/Romani, é uma data dolorosa para os povos ciganos, especialmente, os europeus. Isso porque ao mesmo tempo que mostra ao mundo a resistência dos povos ciganos, também marca e relembra todas as vítimas do genocídio cigano cometido pela Alemanha nazista e seus aliados durante a Segunda Guerra Mundial.

Embora haja incerteza sobre os números exatos, fala-se em 250 a 500 mil pessoas ciganas. Algo em torno de 25% e 50% dos 1 a 1,5 milhão de ciganos que viviam no continente europeu, provavelmente tenham sido mortos pelas mãos dos nazistas.

A data 02 de agosto foi escolhida devido a um trágico acontecimento ocorrido na noite desse dia, no ano de 1944 em Auschwitz-Birkenau, quando mais de 4 mil pessoas ciganas do local conhecido como “campo da família cigana” foram assassinadas nas câmaras de gás.

Evidentemente, não sem resistência, inclusive por parte das mulheres, idosos e crianças, que estavam entre as vítimas. Na manhã seguinte, a médica judia Lucie Adelsberger relatava:

"De repente, duas crianças de três e cinco anos, que tinham dormido durante todo o acontecimento, saíram da sua barraca, embrulhadas em cobertores, chorando por estarem abandonadas."

O genocídio cigano ficou conhecido entre alguns troncos étnicos ciganos de Europa, a data ficou conhecida como Porajmos (grande devoração) e entre outros como Samudaripen (o assassinato de todos).

Campo de trabalho escravo cigano (Romanis). Lety, Tchecoslováquia. Foto tirada durante a Guerra.

A Alemanha nazista utilizava diferentes formas de assassinatos: em campos de concentração e guetos, gás e fuzilamentos, fome, trabalhos forçados, doenças ou experimentos médicos.

Além disso, autoridades alemãs massacraram dezenas de milhares de ciganos nos territórios da União Soviética sob ocupação alemã e na Sérvia, bem como nos centros de extermínio como Chelmno, Belzec, Sobibor e Treblinka.

As SS e a polícia prenderam os roma nos campos de concentração de Bergen-Belsen, Sachsenhausen, Buchenwald, Dachau, Mauthausen, e Ravensbrück.

Tanto no chamado Grande Reich Alemão quanto no Generalgouvernement as autoridades civis nazistas administravam diversos campos de trabalho escravo onde mantinham os roma prisioneiros.

Deportação das famílias ciganas (Romanis) de Viena para a Polônia. Foto tirada na Áustria entre os meses de setembro a dezembro de 1939.

Para relembrar esses terrores e garantir que nunca mais voltarão a acontecer, em 2015, a União Europeia instituiu o 2 de agosto como Dia Europeu em Memória do Holocausto dos Sinti e Roma. Em 2024, passados 80 anos da noite do assassinato, participam dos eventos comemorativos sobreviventes, membros da minoria e políticos.

Perseguição Histórica – A perseguição do estado alemão aos povos ciganos é histórica, mas a questão foi regulamentada de forma severa, em 1936, quando foi criado o "Escritório Central de Combate ao Problema Cigano", em Munique. O órgão foi encarregado de "avaliar os resultados de pesquisas raciais-biológicas" sobre os ciganos.

Em 1938, ciganos dos grupos Sinti e Roma passaram a ser enviados para campos de concentração. Também foram privados de seus direitos civis. As crianças foram banidas das escolas públicas e os adultos dos empregos.

Em 1943, uma grande área do campo Auschwitz-Birkenau foi designada para os ciganos. O número de detidos é estimado em cerca de 23 mil. Muitos se tornaram vítimas de experimentos médicos; outros morreram de exaustão ou foram mortos nas câmaras de gás.

O campo foi dissolvido em agosto de 1944. Muitos de seus prisioneiros foram assassinados ou transferidos para outros campos. Ao fim, pelo menos 21 mil homens, mulheres e crianças foram mortos.

Referências

Fotos: 

https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/article/genocide-of-european-roma-gypsies-1939-1945

Textos:

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/deutschewelle/2024/08/02/alemanha-relembra-80-anos-do-exterminio-dos-sinti-e-roma.htm?cmpid=copiaecola

https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/article/genocide-of-european-roma-gypsies-1939-1945

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-64381258

https://brasil.un.org/pt-br/138425-no-dia-em-mem%C3%B3ria-ao-holocausto-cigano-especialista-da-onu-exorta-governos-combater

Veja alguns Vídeos relacionados ao Holocausto Cigano

Acampamento de Ciganos Romani na Eslovênia

A Alemanha e seus aliados do Eixo invadiram a Iugoslávia em abril de 1941. Os alemães provavelmente fizeram este filme após ocuparem o sul da Eslovênia, logo em seguida ao armistício italiano em 1943. O filme foi encontrado nos arquivos da Ustasa (partido dos croatas fascistas) após a Segunda Guerra Mundial; ele mostra as terríveis condições de vida que os ciganos Romanis tiveram que enfrentar no norte da Iugoslávia ocupada pelos nazistas. Veja o vídeo em: https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/film/romani-gypsy-campsite-in-slovenia

 

Acampamento Cigano Romani perto de Berlim

Este filme mostra um acampamento de ciganos Romani perto de Berlim, na Alemanha, já no último ano da República de Weimar. Embora os romanis já enfrentassem perseguição na Alemanha antes da ascensão dos nazistas ao poder em 1933, os nazistas os consideravam inimigos raciais que deveriam ser identificados e mortos. Dezenas de milhares de romanis foram assassinados pelas Einsatzgruppen (unidades móveis de extermínio) no leste europeu ou então deportados para campos de extermínio na área da Polônia ocupada pelos alemães. Veja o vídeo em: https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/film/romani-gypsy-campsite-near-berlin

 

Crianças ciganas usadas em estudos raciais

Eva Justin era a assistente do Dr. Robert Ritter, o "especialista" em ciganos do Terceiro Reich. Ela estudava estas crianças como parte da sua dissertação sobre as características raciais daquele gruypo étnico. As crianças ficavam confinadas em St. Josefspflege, um orfanato Católico em Mulfingen, na Alemanha. Eva completou seus "estudos" logo após o final desta filmagem. As crianças foram deportadas para Auschwitz-Birkenau onde a maioria foi assassinada.

https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/film/romani-gypsy-children-used-in-racial-studies

 

Ciganos Romanis na Romênia

Cerca de um milhão de ciganos da etnia Romani viviam na Europa antes da Segunda Guerra Mundial. Sua maior comunidade – cerca de 300.000 pessoas – encontrava-se na Romênia. Este filme mostra uma comunidade romani em Moreni, uma pequena cidade a noroeste de Bucareste. Muitos romanis mantinham um estilo de vida nômade, e frequentemente trabalhavam como pequenos comerciantes, artesãos, vendedores, músicos ou eram obreiros temporários.

https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/film/roma-gypsies-in-romania

 

Ciganos trabalhando como escravizados

A foto mostra ciganos efetuando trabalho escravo para a construção de um campo de internação, provavelmente em Jasenovac, na Croácia, enquanto são policiados por fascistas croatas, membros da Ustase, e soldados alemães. A Ustase, foi aliada da Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, e também teve seu próprio programa de extermínio, assassinando aproximadamente 50.000 ciganos na Iugoslávia.

https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/film/romani-gypsy-men-at-forced-labor

Material disponível em: https://www.ushmm.org/pt-BR 

Conheça quatro pessoas ciganas sobreviventes ao nazismo

 

Stefan Moise, Data de Nascimento: 30 de janeiro de 1923, Iasi, Romênia

Stefan nasceu no seio de uma família cigana que vivia na capital da Moldávia [Iasi], no leste da Romênia. Eles moravam em um bairro onde moravam tanto ciganos quanto romenos. O pai de Stefan ganhava a vida tocando violino nos restaurantes locais. Quando criança, Stefan aprendeu a tocar violino e frequentemente fazia o acompanhamento musical do pai. Saiba Mais em: https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/id-card/stefan-moise


Maria Sava Moise, Data de Nascimento: 1 de junho de 1925, Iasi, Romênia

Maria era uma dos quatro filhos de um casal de ciganos pobres que vivia na capital da Moldávia [Iasi] no leste da Romênia. A família vivia em um bairro de população mista, onde viviam romenos e ciganos. Maria cresceu em uma casa com um pequeno quintal onde a família criava um porco e algumas galinhas. Seu pai ganhava a vida como cantor e como trabalhador braçal em algumas das inúmeras vinícolas espalhadas pela zona rural da Moldávia. Saiba Mais em: https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/id-card/maria-sava-moise


Karl Stojka, Data de Nascimento: 20 de abril de 1931, Wampersdorf, Áustria

Karl era o quarto dos seis filhos de uma família de ciganos católicos que vivia no povoado de Wampersdorf, leste da Áustria. Os Stojkas pertenciam a uma tribo cigana chamada Lowara Roma que vivia do comércio itinerante de cavalos. Eles moravam em carroças que transportavam famílias inteiras e passavam os invernos em Viena, capital da Áustria. Os antepassados de Karl haviam vivido na Áustria por mais de 200 anos. Saiba Mais em: https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/id-card/karl-stojka

 

Marie Sidi Stojka, Data de Nascimento: 1906, Áustria

Marie pertencia a etnia Lowara Roma, que viajava em uma caravana e vivia do comércio itinerante de cavalos. A caravana passava os invernos em Viena, capital da Áustria, e os verões na área rural daquele país. Quando Marie tinha 18 anos, ela se casou com Karl Stojka, da mesma etnia. A família de Marie era católica apostólica romana e seus antepassados já viviam na Áustria a mais de 200 anos. Saiba Mais em: https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/id-card/marie-sidi-stojka

Outras histórias e testemunhos de vida de sobreviventes ciganos ao holocausto nazista: https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/gallery/genocide-of-european-roma-gypsies-1939-1945-stories

Material disponível no Museu da Memória do Holocausto: https://www.ushmm.org/pt-BR 

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Samudaripen-Porrajmos-Genocidio Gitano: Luz, memoria y reparación

Auschwitz-Birkenau - campo de concentração

El 2 de agosto de 1944, aproximadamente unos 3.000 hombres, mujeres y niños gitanos, del llamado “Zigeunerlager” situado en el bloque 13 (campo de gitanos) fueron exterminados en las cámaras de gas de Auschwitz-Birkenau. Luz para sus almas.

Fueron las mismas y mismos que protagonizaron la revuelta y pelearon con uñas y dientes el día 16 de mayo (Día Internacional de la Resistencia Rromani) en el que se conmemora su lucha, resistencia y valentía ya que consiguieron que ese día los nazis no pudiesen llevar a cabo su solución final, que desgraciadamente se materializó ese fatídico 2 de agosto de 1944.

Durante el Samudaripen, se cree que la mayor parte de los asesinatos hacia los gitanos no se produjeron en los campos de exterminio. El Pueblo Rrom oponía mucha resistencia a los miembros de la SS, y como respuesta acababan fusilados en sus propios hogares. Para acabar con la imagen negativa y probablemente para conseguir que las familias gitanas fuesen prisioneros más “manejables” y “limpiar la imagen“ que proyectaba el régimen asesinando a sus ciudadanos en plena calle, se creó el Zigeunerlager, el campo gitano de Auschwitz. A diferencia de otros campos, en éste estaban recluidas familias enteras, así en medio de toda esa muerte, barbarie, miseria humana y dolor emergía la vida y nacieron alrededor de 370 criaturas gitanas.

Con el uso del miedo, la fuerza y el engaño, los nazis encerraron a unos 23.000 gitanos en distintos Zigeunerlager en marzo de 1943.

La vida de los Rromanies en Auschwitz fue un verdadero infierno: epidemias, desnutrición, violencia y maltratos eran fenómenos cotidianos que mataban física y espiritualmente al pueblo gitano. Especial mención merece el doctor Mengele, conocido como el ángel de la muerte por el aparente buen trato que mostraba hacia los niños para que éstos confiaran en él y posteriormente fueran víctimas de sus múltiples experimentos científicos. Este fenómeno no era aislado. En 1940, 250 niños gitanos fueron asesinados durante experimentos que tenían el objetivo de comprobar la eficacia mortífera del gas ziklon B. El “delito” de todos estos ciudadanos, de todos estos niños, era ser gitanos, seres racialmente inferiores y asociales, siguiendo los argumentos del Instituto para el Estudio de la Higiene Racial.

El miércoles 15 de abril de 2015 el Parlamento Europeo reconoció solemnemente el hecho histórico del genocidio de los Rromanies que tuvo lugar durante la Segunda Guerra Mundial y aprobó el 2 de agosto, día elegido por las organizaciones gitanas, para conmemorar a todas las víctimas Rromanies de este genocidio.

¿Qué es la memoria?

El Diccionario de la Lengua de la Real Academia Española la define así: “Facultad psíquica por medio de la cual se retiene y recuerda el pasado”. Memoria: nombre. Recuerdo en relación con una cosa en particular. La acción de recordar. Un memorial o registro de un hecho, persona, etc.

El diccionario de Inglés Oxford define la memoria como “Memoria es lo que nos moldea. Memoria es lo que nos enseña”

La memoria y los derechos humanos

Las graves violaciones de los derechos humanos, atrocidades como los Genocidios la trata de esclavos, las guerras y la depuración étnica, no se olvidan o se perdonan fácilmente por quienes se ven afectados. Sin embargo, la memoria es más que simplemente recordar: la memoria trata de hacer que nosotros mismos mantengamos una memoria viva, o al menos no permitir que vuelvan a pasar por alto los horrores del pasado.

Cuando la memoria está organizada por la sociedad o a nivel oficial por los gobiernos, a menudo a las personas se les pide recordar algo que ni siquiera han vivido directamente. Las víctimas o quienes se ven afectados no necesitan recordatorios artificiales: son generalmente incapaces de olvidar. La memoria oficial suele estar organizada para que el resto de la sociedad, aquellos que no fueron directamente afectados, estén informados y reconozcan públicamente el sufrimiento de las víctimas.

Memorial de Auschwitz Birkenau, botes del producto Zyklon B utilizado por la Alemania nazi durante el Genocidio para asesinar a millones de personas en cámaras de gas.

La memoria oficial puede ayudar a las personas que se han visto afectadas por un terrible suceso ocurrido en el pasado, a que la sociedad como un todo reconozca su dolor, condene las acciones que ha llevado a esto, y ofrezca algunas garantías de que tales acciones no se repetirán en el futuro. La memoria puede ayudar de esta forma a dar un sentido de cierre a las víctimas, a fin de que puedan superar el pasado.

Pero la memoria oficial de dichos eventos también puede ser importante para la sociedad en su conjunto. Es necesario que la sociedad “recuerde” su propia historia, incluidos aquellos acontecimientos que han perturbado la vida de muchos, con el fin de aprender del pasado y no repetir los errores. La memoria, cuando se hace correctamente, puede servir como una señal de advertencia a la sociedad: se puede mostrar como la acción o la inacción, la intolerancia, el racismo, y otras actitudes relativamente comunes que pueden llevar, en ciertas circunstancias, a hechos que son verdaderamente terribles.

La información en esta sección abarca las cuestiones relativas a lo que las sociedades deben hacer para recordar colectivamente terribles acontecimientos en los que se produjeron violaciones masivas de los derechos humanos.

No hay ningún derecho humano conectado directamente al hecho de la memoria, pero el tipo de eventos que la sociedad siente la necesidad de recordar casi siempre son aquellos en que los derechos humanos de ciertos grupos de personas han sido ignorados. Recordamos el Holocausto/Genocidio nazi por el que los judíos, gitanos, discapacitados, homosexuales, personas de todo credo político, y las personas de nacionalidad eslava fueron tratados inhumanamente y sufrieron la violación de casi cada uno de sus derechos humanos.

Recordamos las guerras, sobre todo porque son tiempos en los que la muerte visita de forma masiva tanto a los civiles como a los participantes en la lucha. Recordamos las deportaciones o las “depuraciones étnicas” no solo por el hecho de que las víctimas sufrieron violaciones sistemáticas de los derechos humanos, sino también porque las violaciones fueron dirigidas a estos grupos en particular, y por el hecho de que fueron considerados como subhumanos, como personas indignas de todo el abanico de derechos humanos. Recordamos los genocidios porque son ocasiones en los que la eliminación de todo un pueblo se lleva a cabo deliberadamente. La eliminación es terrible, pero también la planificación, la intención de eliminar, la dejación de los principios más elementales de los derechos humanos: que todas las personas deben ser consideradas como iguales en dignidad y derechos.

Compensar

Desde la Segunda Guerra Mundial, Alemania ha promulgado una serie de leyes para indemnizar a las personas que sufrieron persecución a manos de los nazis. En 1951 Konrad Adenauer, canciller de la primera República Federal de Alemania, dijo: “en nuestro nombre, incalificables crímenes se han cometido y exigen compensación y restitución, tanto moral como material, a las personas y las propiedades de los judíos, que han sido tan gravemente perjudicadas…”. Sin embargo, hasta 1979 no se reconoció la persecución nazi de los Rroma por motivos raciales. A pesar de que se tiene derecho a solicitar una indemnización por el sufrimiento, la realidad es que muchos de ellos ya han muerto.

¿No deberíamos reconocer el sufrimiento de los discapacitados, los homosexuales y los gitanos? Sin embargo, estos tres grupos siguen siendo algunos de los más discriminados de toda Europa.

Sin el reconocimiento, la condena, la compensación y el recuerdo, es probable que la memoria de la injusticia y las violaciones masivas de los derechos humanos se usen para justificar acciones. La manipulación de memorias colectivas en beneficio de los programas políticos nacionales sigue siendo una grave amenaza en toda Europa.

Para no extenderme más y poner un cierre de reflexión, dejo las palabras de la tía Philomena Franz Escritora sinti. Deportada a Auschwitz, sobrevivió a este y otros campos de concentración y exterminio, donde perdió a la mayoría de su familia. A partir de 1945, reconstruyó su vida en medio del desprecio oficial hacia las víctimas romaníes del Holocausto que imperó en la Alemania postnazi. El prolongado racismo contra los gitanos sepultó bajo un pesado silencio a quienes lo sufrieron, pero la autora consiguió romperlo con Entre el amor y el odio. Una vida gitana (1985), las primeras memorias publicadas por un superviviente romaní del Genocidio nazi, que afortunadamente están ya traducidas al castellano.

Mira y no olvides.

Luz, memoria y reparación.

Redacción e imágenes: Celia Montoya Coordinadora de Rromani Pativ
Fuentes: Manual de Educación en los Derechos Humanos con jóvenes Compass – Observatorio Proxi – Parlamento Europeo


Disponível em: https://rromanipativ.info/rromani-pativ-en-los-medios/rromani-pativ-rromani-pativ-en-los-medios/samudaripen-porrajmos-genocidio-gitano-luz-memoria-y-reparacion/?fbclid=IwAR27WfMhtPoRUllI-9VcQpXWCcavc3wha_PNHCwzxnBdKE8AaL-dGa6vaDM

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Artigo: Os ciganos, o genocídio esquecido da Segunda Guerra Mundial



Barbara Warnock e Toby Simpson escrevem sobre o genocídio dos ciganos a propósito da exposição que organizam na Biblioteca Wiener sobre o Holocausto.

Asperg, deportação de Roms e Sinti. Maio de 1940. Foto de Das Bundesarchiv/wikicommons

Em comparação com o Holocausto, o assassinato em massa de meio milhão de membros das comunidades Roms e Sinti europeias permanece desconhecido e não reconhecido. Esta ausência e a perseguição de que continuam a ser alvo levantam questões às quais ainda temos dificuldades em responder.

É o “genocídio esquecido” da Segunda Guerra Mundial: à volta 500 mil ciganos da Europa foram assassinados pelos nazis e seus colaboradores durante a Segunda Guerra Mundial, no seguimento da implementação de políticas que visavam persegui-los. Porque é que o genocídio dos ciganos foi amplamente esquecido? Porque é que o reconhecimento, ainda que parcial, das suas mortes demorou tanto tempo? Que obstáculos nos impedem ainda hoje de reconhecer completamente a importância deste genocídio?

A exposição atual da Biblioteca Wiener sobre o Holocausto, em Londres, Vítimas Esquecidas: O genocídio nazi dos Sinti e Roms, é consagrada à análise da destruição da vida dos ciganos pelos nazis, ao exame das políticas que precederam o massacre e ao esclarecimento dos aspetos desta história que continuaram escondidos e amplamente desconhecidos durante décadas.

Os Roms e Sinti foram vítimas de preconceitos e de discriminações na Alemanha antes de 1933, mas a chegada ao poder dos nazis correspondeu a uma intensificação das perseguições.

Em meados dos anos 1930, os ciganos são impedidos de exercer certas profissões e muitos foram obrigados a viver em campos de internamento. No final dos 1930, a ideologia racial nazi foi ampliada para englobar a noção segundo a qual os ciganos eram de “sangue estrangeiro” e representariam uma ameaça para a força racial da “raça superior ariana”.

No quadro do desenvolvimento destas ideias, os ciganos foram submetidos a um programa massivo de investigações pseudo-científicas. Foram igualmente marcados para esterilização forçada.

Durante a Segunda Guerra Mundial, os ciganos dos territórios ocupados pela Alemanha nazi foram deportados para campos e ghettos, obrigados a trabalho forçado e mortos pela fome, pelos maus tratos, pelos fuzilamentos de massa e os gaseamentos nos campos como o de Chelmno e o de Auschwitz. Regimes colaboracionistas, como os Ustashe na Croácia, perpetraram assassinatos de massa contra as suas populações judaica e cigana.

Num relato oferecido à biblioteca Wiener, o Dr Max Benjamin, um sobrevivente judeu de Auschwitz, descreveu o testemunho da “liquidação” do “campo de ciganos” em 2 e 3 de agosto de 1944: neste noite, “de um só golpe, todos os ciganos representavam a população deste campo foram enfiados nas câmaras de gás.”

Apesar dos sofrimentos e das injustiças aterradoras sofridas pela população cigana da Europa durante o período nazi, o genocídio dos ciganos foi frequentemente negligenciado ou minimizado. Uma das principais razões desta situação são as múltiplas camadas de preconceitos, de discriminação e de marginalização com as quais os sobreviventes roms e sinti continuam a ser confrontados depois da libertação. A hostilidade e os estereótipos negativos relativamente aos ciganos persistiram. Em numerosos países, a exclusão permanente dos ciganos da representação política e do poder económico impediu a sua capacidade de fazer campanha pelo seu reconhecimento.

Esta marginalização revela-se através da ausência de acusações contra os autores de crimes contra os ciganos nos primeiros processos por crimes de guerra. Na Alemanha Ocidental do pós-guerra, reinava um clima de negação da amplitude dos horrores cometidos contra as vítimas ciganas que frequentemente não recebiam as compensações atribuídas às outras vítimas das perseguições raciais nazis. Os numerosos monumentos comemorativos construídos nas décadas que se seguiram à guerra não reconheciam as vítimas ciganas.

Foi apenas em 1982 que a Alemanha reconheceu oficialmente os crimes nazis contra os ciganos como um genocídio; as primeiras desculpas da França pela sua colaboração nos crimes nazis contra os Roms e os Sinti foram apresentadas em 2016.

Na URSS e na Europa de Leste, as experiências dos ciganos durante o genocídio foram igualmente amplamente ignoradas. Os ciganos que desejavam permanecer nómadas foram obrigados a instalar-se em casas. No período pós-comunista, a discriminação face aos ciganos aumentou, enquanto que as suas condições de vida e o acesso a serviços diminuíram fortemente.

A nossa exposição tenta abordar a amnésia coletiva que envolve o genocídio dos ciganos. A Biblioteca Wiener sobre o Holocausto possui importantes coleções sobre este tema, nomeadamente os primeiros testemunhos de sobreviventes roms [https://blog.ehri-project.eu/author/cschmidt/](link is external) recolhidos no quadro de um projeto desenvolvido pela Drª Eva Reichmann a partir dos anos 1950. A Biblioteca prevê publicar alguns destes testemunhos mais tarde ainda durante este ano.

Possuímos igualmente material recolhido aquando do primeiro projeto de investigação que tentou documentar sistematicamente o genocídio, um projeto conduzido por Donald Kenrick e Grattan Puxon no final dos anos 1960. Um certo número de elementos desta coleção incluindo resumos de testemunhos de sobreviventes são apresentados na exposição.

Um outro elemento impressionante da exposição é uma fotografia do pós-guerra de Margarete Kraus. A tatuagem do número do campo no seu antebraço esquerdo é pouco visível: Margarete Kraus era uma sobrevivente rom checa de Auschwitz, onde tinha sido vítima de experiências médicas forçadas. O retrato de Kraus foi feito pelo jornalista leste-alemão Reimar Gilsenbach nos anos 1960. Gilsenbach investigou a perseguição dos ciganos durante o período nazi.

Uma peça bastante diferente é um documento intitulados “Interdições publicadas relativamente a polacos, judeus e ciganos” submetida mais tarde no processo por crimes de guerra de Nuremberga como prova dos crimes nazis. Data de 10 de março de 1944, trata-se de uma circular enviada por Heinrich Himmler a um grupo de altos funcionários do Estado, informando-os que “terminada a evacuação e o isolamento” dos judeus e ciganos isso significava que não eram necessárias novas diretivas.

“Evacuação” e “isolamento” neste contexto significavam que a vasta maioria dos judeus, Sinti e Roma da grande Alemanha tinham já sido deportados para ghettos e campos e assassinados. A terminologia usada aqui exemplifica a “pesada matéria de facto” da linguagem burocrática dos SS, memoravelmente descrita pelo historiador Mark Roseman como uma “diabólica paródia da precisão administrativa”.

Outra história contada na exposição é a de Hans Braun, um homem Sinti alemão nascido em Hannover em 1923. Braun sobreviveu aos campos de Auschwitz e Flossenbürg. A maior parte da sua família morreu em Auschwitz. Quando em 1950 reclamou uma compensação do Estado alemão, a polícia local decidiu pelo contrário abrir uma investigação contra ele – buscando provas espúrias de que Braun tinha sido preso enquanto “criminoso” - como fundamento para rejeitar a sua petição.

O facto de que a verdadeira natureza e escala do genocídio cigano tenha sido negado, minimizado ou ignorado por tantos durante tanto tempo foi doloroso e enfurecedor para as vítimas e as suas famílias.
Apesar de ser tarde demais para retificar as injustiças que eles experienciaram, não é tarde demais para lidarmos com a marginalização e discriminação que enfrentam as comunidades ciganas hoje em dia em lugares como a Hungria, nos quais a discriminação e hostilidade contra os ciganos é comum, e a Ucrânia, onde grupos fascistas levaram a cabo muitos ataques violentos contra ciganos nos últimos anos. Talvez esta exposição marque um começo, por reconhecer aquilo a que a discriminação e o preconceito podem conduzir.

Artigo publicado(link is external) no A l'encontre. Tradução de Carlos Carujo
Toby Simpson é diretor da Biblioteca Wiener sobre o Holocausto da Biblioteca de Londres.
Barbara Warnock é curadora e responsável pelo setor educativo. É a responsável pela exposição: As vítimas esquecidas: exposição sobre o genocídio nazi dos Roms e Sinti.