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sábado, 1 de agosto de 2026

Holocausto cigano será tema de debate na CDH na terça

Da Agência Senado | 31/07/2026, 10h38

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) vai debater na terça-feira (4), às 14h, a memória do holocausto cigano (também conhecido como holocausto romani). O enfrentamento ao anticiganismo e ao antissemitismo, as perseguições étnicas e a necessidade de preservação da memória histórica das vítimas do nazismo também estão na pauta do debate.

A audiência pública foi requerida pela presidente da comissão, senadora Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo a parlamentar, estima-se que entre 220 mil e 500 mil ciganos tenham sido mortos pelo regime nazista e seus aliados durante a 2ª Guerra Mundial.

Damares ressalta que, apesar da magnitude da tragédia, a memória das vítimas ciganas permaneceu por décadas à margem do debate público e dos esforços de memorialização.

“No Brasil, o debate sobre o holocausto cigano ainda é incipiente, e o enfrentamento ao anticiganismo (forma específica de racismo e perseguição étnica contra os povos ciganos) permanece como um desafio estrutural para as políticas públicas de direitos humanos, igualdade racial e memória histórica”, justifica a senadora.

Participam da audiência pública:

  • Aline Miklos, gerente de Advocacy, Assuntos Governamentais e Litígio Estratégico do Instituto Vladimir Herzog;
  • Carlos Reiss, coordenador-geral do Museu do Holocausto de Curitiba;
  • Igor Shimura, cientista social, professor universitário e presidente do Instituto PluriBrasil;
  • Hayanne Iovanovitchi, fundadora do Coletivo de Mulheres Ciganas do Brasil, idealizadora do Museu Virtual de Memórias da Imigração Cigana em Curitiba e coordenadora da Política de Povos e Comunidades Tradicionais da Secretaria de Estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa do Paraná;
  • Marcos Toyansk, coordenador do Grupo de Estudos Ciganos do Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação (USP);
  • Representante do Coletivo Cigano Juntos Somos Mais Fortes.

Como participar

O evento será interativo: qualquer pessoa pode enviar perguntas e comentários pelo telefone da Ouvidoria do Senado (0800 061 2211) ou pelo Portal e‑Cidadania. As mensagens podem ser lidas e respondidas pelos senadores e debatedores ao vivo. O Senado oferece uma declaração de participação, que pode ser usada como atividade complementar em curso universitário, por exemplo. Pelo Portal e‑Cidadania também é possível opinar sobre projetos e até sugerir novas leis.

Fonte: Agência Senado

Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/07/31/holocausto-cigano-sera-tema-de-debate-na-cdh-na-terca

 

quinta-feira, 5 de setembro de 2024

Curso online O Impacto do Holocausto Cigano na atualidade

(Foto: Memorial às vítimas Romanis do Nacional-Socialismo Berlim Dietmar Rabich  CC BY-SA 4.0)

O centro de Pesquisa e Formação do SESC SP realiza no próximo dia 11 de setembro (quarta-feira) o curso online “O Impacto do Holocausto Cigano na atualidade”.

Organizado de forma conjunta entre o escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, o curso integra os esforços da ONU no combate ao anticiganismo e as atividades em lembrança aos 80 anos do Holocausto Romani.

O encontro visa trazer uma reflexão sobre a rota do anticiganismo e o seu impacto no presente, observado no nível de exclusão e de violência que ainda assola o povo romani/cigano em diversas partes do mundo.

Com abertura prevista para ocorrer às 10h30, o evento conta com duas mesas temáticas: Memória e Anticiganismo na Europa (11h às 13h) e A Rota do anticiganismo na América do Sul: violência e perseguição.

Entre os palestrantes estão: Jucelho Dantas, Aline Miklos, Marcos Toyansk, Claude Cahn, Elisa Costa, Matíaz Domingues, Adèle Sutre, Rafael Buhigas Jiménez, Slawomir Kapralski e Mirjam Karoly.

Programa.

Há 80 anos, entre os dias 2 e 3 de agosto de 1944, os administradores do campo de extermínio nazista Auschwitz-Birkenau decidem eliminar o "Zigeunerlager", a seção do campo onde estavam detidas as pessoas romanis. Durante esses dias, mais de 3.000 pessoas romanis, incluindo mulheres, crianças e idosos, foram assassinados. Por essa razão, o dia 2 de agosto foi escolhido para relembrar o Dia Internacional do Holocausto Romani.

No entanto, a perseguição e a exclusão do povo cigano/romani não se limitam ao período nazista e persistem até os dias atuais. Estudos recentes indicam que a comunidade romani tem enfrentado níveis significativos de discriminação e hostilidade tanto na Europa quanto nas Américas. Nos últimos anos, foram relatadas violações dos direitos humanos de pessoas ciganas/romani em praticamente todos os aspectos da vida, incluindo educação, saúde, moradia, emprego e acesso a serviços básicos. Essas violações são resultado do anticiganismo histórico que se iniciou na Europa e chegou no continente americano junto com o desembarque das primeiras famílias romanis.

O encontro visa trazer uma reflexão sobre a rota do anticiganismo e o seu impacto no presente, observado no nível de exclusão e de violência que ainda assola o povo romani/cigano em diversas partes do mundo. Para isto, contaremos com a participação de pesquisadores e ativistas romanis/ciganos e não-ciganos. Discutiremos sobre as perseguições contra o povo cigano/romani durante o Holocausto e suas repercussões em distintos países europeus, como a Alemanha, Áustria e inclusive a Espanha, cujo governo franquista manteve estreitas relações com as políticas de perseguição empreendidas pelo nazismo. Posteriormente, realizaremos um debate sobre as distintas formas de perseguição dos povos ciganos/romanis na América do Sul e o seu impacto no presente, com especial atenção ao tema da violência e da segurança pública.

Mais informações: https://centrodepesquisaeformacao.sescsp.org.br/atividade/o-impacto-do-holocausto-cigano-na-atualidade

 

  

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Dois de Agosto: Dia Internacional em Memória ao Holocausto Romani

 
Marzahn, o primeiro campo de aprisionamento para os ciganos (Romanis) durante o Terceiro Reich. Alemanha. Foto de data incerta.

Dois de agosto, dia em Memória ao Holocausto Cigano/Romani, é uma data dolorosa para os povos ciganos, especialmente, os europeus. Isso porque ao mesmo tempo que mostra ao mundo a resistência dos povos ciganos, também marca e relembra todas as vítimas do genocídio cigano cometido pela Alemanha nazista e seus aliados durante a Segunda Guerra Mundial.

Embora haja incerteza sobre os números exatos, fala-se em 250 a 500 mil pessoas ciganas. Algo em torno de 25% e 50% dos 1 a 1,5 milhão de ciganos que viviam no continente europeu, provavelmente tenham sido mortos pelas mãos dos nazistas.

A data 02 de agosto foi escolhida devido a um trágico acontecimento ocorrido na noite desse dia, no ano de 1944 em Auschwitz-Birkenau, quando mais de 4 mil pessoas ciganas do local conhecido como “campo da família cigana” foram assassinadas nas câmaras de gás.

Evidentemente, não sem resistência, inclusive por parte das mulheres, idosos e crianças, que estavam entre as vítimas. Na manhã seguinte, a médica judia Lucie Adelsberger relatava:

"De repente, duas crianças de três e cinco anos, que tinham dormido durante todo o acontecimento, saíram da sua barraca, embrulhadas em cobertores, chorando por estarem abandonadas."

O genocídio cigano ficou conhecido entre alguns troncos étnicos ciganos de Europa, a data ficou conhecida como Porajmos (grande devoração) e entre outros como Samudaripen (o assassinato de todos).

Campo de trabalho escravo cigano (Romanis). Lety, Tchecoslováquia. Foto tirada durante a Guerra.

A Alemanha nazista utilizava diferentes formas de assassinatos: em campos de concentração e guetos, gás e fuzilamentos, fome, trabalhos forçados, doenças ou experimentos médicos.

Além disso, autoridades alemãs massacraram dezenas de milhares de ciganos nos territórios da União Soviética sob ocupação alemã e na Sérvia, bem como nos centros de extermínio como Chelmno, Belzec, Sobibor e Treblinka.

As SS e a polícia prenderam os roma nos campos de concentração de Bergen-Belsen, Sachsenhausen, Buchenwald, Dachau, Mauthausen, e Ravensbrück.

Tanto no chamado Grande Reich Alemão quanto no Generalgouvernement as autoridades civis nazistas administravam diversos campos de trabalho escravo onde mantinham os roma prisioneiros.

Deportação das famílias ciganas (Romanis) de Viena para a Polônia. Foto tirada na Áustria entre os meses de setembro a dezembro de 1939.

Para relembrar esses terrores e garantir que nunca mais voltarão a acontecer, em 2015, a União Europeia instituiu o 2 de agosto como Dia Europeu em Memória do Holocausto dos Sinti e Roma. Em 2024, passados 80 anos da noite do assassinato, participam dos eventos comemorativos sobreviventes, membros da minoria e políticos.

Perseguição Histórica – A perseguição do estado alemão aos povos ciganos é histórica, mas a questão foi regulamentada de forma severa, em 1936, quando foi criado o "Escritório Central de Combate ao Problema Cigano", em Munique. O órgão foi encarregado de "avaliar os resultados de pesquisas raciais-biológicas" sobre os ciganos.

Em 1938, ciganos dos grupos Sinti e Roma passaram a ser enviados para campos de concentração. Também foram privados de seus direitos civis. As crianças foram banidas das escolas públicas e os adultos dos empregos.

Em 1943, uma grande área do campo Auschwitz-Birkenau foi designada para os ciganos. O número de detidos é estimado em cerca de 23 mil. Muitos se tornaram vítimas de experimentos médicos; outros morreram de exaustão ou foram mortos nas câmaras de gás.

O campo foi dissolvido em agosto de 1944. Muitos de seus prisioneiros foram assassinados ou transferidos para outros campos. Ao fim, pelo menos 21 mil homens, mulheres e crianças foram mortos.

Referências

Fotos: 

https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/article/genocide-of-european-roma-gypsies-1939-1945

Textos:

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/deutschewelle/2024/08/02/alemanha-relembra-80-anos-do-exterminio-dos-sinti-e-roma.htm?cmpid=copiaecola

https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/article/genocide-of-european-roma-gypsies-1939-1945

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-64381258

https://brasil.un.org/pt-br/138425-no-dia-em-mem%C3%B3ria-ao-holocausto-cigano-especialista-da-onu-exorta-governos-combater

Veja alguns Vídeos relacionados ao Holocausto Cigano

Acampamento de Ciganos Romani na Eslovênia

A Alemanha e seus aliados do Eixo invadiram a Iugoslávia em abril de 1941. Os alemães provavelmente fizeram este filme após ocuparem o sul da Eslovênia, logo em seguida ao armistício italiano em 1943. O filme foi encontrado nos arquivos da Ustasa (partido dos croatas fascistas) após a Segunda Guerra Mundial; ele mostra as terríveis condições de vida que os ciganos Romanis tiveram que enfrentar no norte da Iugoslávia ocupada pelos nazistas. Veja o vídeo em: https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/film/romani-gypsy-campsite-in-slovenia

 

Acampamento Cigano Romani perto de Berlim

Este filme mostra um acampamento de ciganos Romani perto de Berlim, na Alemanha, já no último ano da República de Weimar. Embora os romanis já enfrentassem perseguição na Alemanha antes da ascensão dos nazistas ao poder em 1933, os nazistas os consideravam inimigos raciais que deveriam ser identificados e mortos. Dezenas de milhares de romanis foram assassinados pelas Einsatzgruppen (unidades móveis de extermínio) no leste europeu ou então deportados para campos de extermínio na área da Polônia ocupada pelos alemães. Veja o vídeo em: https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/film/romani-gypsy-campsite-near-berlin

 

Crianças ciganas usadas em estudos raciais

Eva Justin era a assistente do Dr. Robert Ritter, o "especialista" em ciganos do Terceiro Reich. Ela estudava estas crianças como parte da sua dissertação sobre as características raciais daquele gruypo étnico. As crianças ficavam confinadas em St. Josefspflege, um orfanato Católico em Mulfingen, na Alemanha. Eva completou seus "estudos" logo após o final desta filmagem. As crianças foram deportadas para Auschwitz-Birkenau onde a maioria foi assassinada.

https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/film/romani-gypsy-children-used-in-racial-studies

 

Ciganos Romanis na Romênia

Cerca de um milhão de ciganos da etnia Romani viviam na Europa antes da Segunda Guerra Mundial. Sua maior comunidade – cerca de 300.000 pessoas – encontrava-se na Romênia. Este filme mostra uma comunidade romani em Moreni, uma pequena cidade a noroeste de Bucareste. Muitos romanis mantinham um estilo de vida nômade, e frequentemente trabalhavam como pequenos comerciantes, artesãos, vendedores, músicos ou eram obreiros temporários.

https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/film/roma-gypsies-in-romania

 

Ciganos trabalhando como escravizados

A foto mostra ciganos efetuando trabalho escravo para a construção de um campo de internação, provavelmente em Jasenovac, na Croácia, enquanto são policiados por fascistas croatas, membros da Ustase, e soldados alemães. A Ustase, foi aliada da Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, e também teve seu próprio programa de extermínio, assassinando aproximadamente 50.000 ciganos na Iugoslávia.

https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/film/romani-gypsy-men-at-forced-labor

Material disponível em: https://www.ushmm.org/pt-BR 

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Samudaripen-Porrajmos-Genocidio Gitano: Luz, memoria y reparación

Auschwitz-Birkenau - campo de concentração

El 2 de agosto de 1944, aproximadamente unos 3.000 hombres, mujeres y niños gitanos, del llamado “Zigeunerlager” situado en el bloque 13 (campo de gitanos) fueron exterminados en las cámaras de gas de Auschwitz-Birkenau. Luz para sus almas.

Fueron las mismas y mismos que protagonizaron la revuelta y pelearon con uñas y dientes el día 16 de mayo (Día Internacional de la Resistencia Rromani) en el que se conmemora su lucha, resistencia y valentía ya que consiguieron que ese día los nazis no pudiesen llevar a cabo su solución final, que desgraciadamente se materializó ese fatídico 2 de agosto de 1944.

Durante el Samudaripen, se cree que la mayor parte de los asesinatos hacia los gitanos no se produjeron en los campos de exterminio. El Pueblo Rrom oponía mucha resistencia a los miembros de la SS, y como respuesta acababan fusilados en sus propios hogares. Para acabar con la imagen negativa y probablemente para conseguir que las familias gitanas fuesen prisioneros más “manejables” y “limpiar la imagen“ que proyectaba el régimen asesinando a sus ciudadanos en plena calle, se creó el Zigeunerlager, el campo gitano de Auschwitz. A diferencia de otros campos, en éste estaban recluidas familias enteras, así en medio de toda esa muerte, barbarie, miseria humana y dolor emergía la vida y nacieron alrededor de 370 criaturas gitanas.

Con el uso del miedo, la fuerza y el engaño, los nazis encerraron a unos 23.000 gitanos en distintos Zigeunerlager en marzo de 1943.

La vida de los Rromanies en Auschwitz fue un verdadero infierno: epidemias, desnutrición, violencia y maltratos eran fenómenos cotidianos que mataban física y espiritualmente al pueblo gitano. Especial mención merece el doctor Mengele, conocido como el ángel de la muerte por el aparente buen trato que mostraba hacia los niños para que éstos confiaran en él y posteriormente fueran víctimas de sus múltiples experimentos científicos. Este fenómeno no era aislado. En 1940, 250 niños gitanos fueron asesinados durante experimentos que tenían el objetivo de comprobar la eficacia mortífera del gas ziklon B. El “delito” de todos estos ciudadanos, de todos estos niños, era ser gitanos, seres racialmente inferiores y asociales, siguiendo los argumentos del Instituto para el Estudio de la Higiene Racial.

El miércoles 15 de abril de 2015 el Parlamento Europeo reconoció solemnemente el hecho histórico del genocidio de los Rromanies que tuvo lugar durante la Segunda Guerra Mundial y aprobó el 2 de agosto, día elegido por las organizaciones gitanas, para conmemorar a todas las víctimas Rromanies de este genocidio.

¿Qué es la memoria?

El Diccionario de la Lengua de la Real Academia Española la define así: “Facultad psíquica por medio de la cual se retiene y recuerda el pasado”. Memoria: nombre. Recuerdo en relación con una cosa en particular. La acción de recordar. Un memorial o registro de un hecho, persona, etc.

El diccionario de Inglés Oxford define la memoria como “Memoria es lo que nos moldea. Memoria es lo que nos enseña”

La memoria y los derechos humanos

Las graves violaciones de los derechos humanos, atrocidades como los Genocidios la trata de esclavos, las guerras y la depuración étnica, no se olvidan o se perdonan fácilmente por quienes se ven afectados. Sin embargo, la memoria es más que simplemente recordar: la memoria trata de hacer que nosotros mismos mantengamos una memoria viva, o al menos no permitir que vuelvan a pasar por alto los horrores del pasado.

Cuando la memoria está organizada por la sociedad o a nivel oficial por los gobiernos, a menudo a las personas se les pide recordar algo que ni siquiera han vivido directamente. Las víctimas o quienes se ven afectados no necesitan recordatorios artificiales: son generalmente incapaces de olvidar. La memoria oficial suele estar organizada para que el resto de la sociedad, aquellos que no fueron directamente afectados, estén informados y reconozcan públicamente el sufrimiento de las víctimas.

Memorial de Auschwitz Birkenau, botes del producto Zyklon B utilizado por la Alemania nazi durante el Genocidio para asesinar a millones de personas en cámaras de gas.

La memoria oficial puede ayudar a las personas que se han visto afectadas por un terrible suceso ocurrido en el pasado, a que la sociedad como un todo reconozca su dolor, condene las acciones que ha llevado a esto, y ofrezca algunas garantías de que tales acciones no se repetirán en el futuro. La memoria puede ayudar de esta forma a dar un sentido de cierre a las víctimas, a fin de que puedan superar el pasado.

Pero la memoria oficial de dichos eventos también puede ser importante para la sociedad en su conjunto. Es necesario que la sociedad “recuerde” su propia historia, incluidos aquellos acontecimientos que han perturbado la vida de muchos, con el fin de aprender del pasado y no repetir los errores. La memoria, cuando se hace correctamente, puede servir como una señal de advertencia a la sociedad: se puede mostrar como la acción o la inacción, la intolerancia, el racismo, y otras actitudes relativamente comunes que pueden llevar, en ciertas circunstancias, a hechos que son verdaderamente terribles.

La información en esta sección abarca las cuestiones relativas a lo que las sociedades deben hacer para recordar colectivamente terribles acontecimientos en los que se produjeron violaciones masivas de los derechos humanos.

No hay ningún derecho humano conectado directamente al hecho de la memoria, pero el tipo de eventos que la sociedad siente la necesidad de recordar casi siempre son aquellos en que los derechos humanos de ciertos grupos de personas han sido ignorados. Recordamos el Holocausto/Genocidio nazi por el que los judíos, gitanos, discapacitados, homosexuales, personas de todo credo político, y las personas de nacionalidad eslava fueron tratados inhumanamente y sufrieron la violación de casi cada uno de sus derechos humanos.

Recordamos las guerras, sobre todo porque son tiempos en los que la muerte visita de forma masiva tanto a los civiles como a los participantes en la lucha. Recordamos las deportaciones o las “depuraciones étnicas” no solo por el hecho de que las víctimas sufrieron violaciones sistemáticas de los derechos humanos, sino también porque las violaciones fueron dirigidas a estos grupos en particular, y por el hecho de que fueron considerados como subhumanos, como personas indignas de todo el abanico de derechos humanos. Recordamos los genocidios porque son ocasiones en los que la eliminación de todo un pueblo se lleva a cabo deliberadamente. La eliminación es terrible, pero también la planificación, la intención de eliminar, la dejación de los principios más elementales de los derechos humanos: que todas las personas deben ser consideradas como iguales en dignidad y derechos.

Compensar

Desde la Segunda Guerra Mundial, Alemania ha promulgado una serie de leyes para indemnizar a las personas que sufrieron persecución a manos de los nazis. En 1951 Konrad Adenauer, canciller de la primera República Federal de Alemania, dijo: “en nuestro nombre, incalificables crímenes se han cometido y exigen compensación y restitución, tanto moral como material, a las personas y las propiedades de los judíos, que han sido tan gravemente perjudicadas…”. Sin embargo, hasta 1979 no se reconoció la persecución nazi de los Rroma por motivos raciales. A pesar de que se tiene derecho a solicitar una indemnización por el sufrimiento, la realidad es que muchos de ellos ya han muerto.

¿No deberíamos reconocer el sufrimiento de los discapacitados, los homosexuales y los gitanos? Sin embargo, estos tres grupos siguen siendo algunos de los más discriminados de toda Europa.

Sin el reconocimiento, la condena, la compensación y el recuerdo, es probable que la memoria de la injusticia y las violaciones masivas de los derechos humanos se usen para justificar acciones. La manipulación de memorias colectivas en beneficio de los programas políticos nacionales sigue siendo una grave amenaza en toda Europa.

Para no extenderme más y poner un cierre de reflexión, dejo las palabras de la tía Philomena Franz Escritora sinti. Deportada a Auschwitz, sobrevivió a este y otros campos de concentración y exterminio, donde perdió a la mayoría de su familia. A partir de 1945, reconstruyó su vida en medio del desprecio oficial hacia las víctimas romaníes del Holocausto que imperó en la Alemania postnazi. El prolongado racismo contra los gitanos sepultó bajo un pesado silencio a quienes lo sufrieron, pero la autora consiguió romperlo con Entre el amor y el odio. Una vida gitana (1985), las primeras memorias publicadas por un superviviente romaní del Genocidio nazi, que afortunadamente están ya traducidas al castellano.

Mira y no olvides.

Luz, memoria y reparación.

Redacción e imágenes: Celia Montoya Coordinadora de Rromani Pativ
Fuentes: Manual de Educación en los Derechos Humanos con jóvenes Compass – Observatorio Proxi – Parlamento Europeo


Disponível em: https://rromanipativ.info/rromani-pativ-en-los-medios/rromani-pativ-rromani-pativ-en-los-medios/samudaripen-porrajmos-genocidio-gitano-luz-memoria-y-reparacion/?fbclid=IwAR27WfMhtPoRUllI-9VcQpXWCcavc3wha_PNHCwzxnBdKE8AaL-dGa6vaDM