quinta-feira, 12 de março de 2026

AEEC participa da 27a reunião do Conselho de Povos e Comunidades Tradicionais de MT

 
AEEC-MT representa os povos ciganos no Conselho

A presidente da AEEC-MT, Rosana Cristina Alves de Matos Cruz, participou nesta quarta e quinta (11 e 12 de março) da vigésima sétima reunião ordinária do Conselho Estadual de Povos e Comunidades Tradicionais de Mato Grosso (CEPCT-MT). 

Esta é a segunda reunião do conselho neste ano e a segunda em que Rosana, que é conselheira estadual do CEPCT-MT, participa representando os povos ciganos.

O encontro ocorreu no Hotel Mato Grosso Palace, no Centro de Cuiabá e contou com a presença de conselheiros representantes de vários segmentos da sociedade civil, como quilombolas, povos de terreiro, povos indígenas, reitireiros do Araguaia, ribeirinhos e pescadores, pantaneiros, entre outros.

A presidente da AEEC-MT, Rosana Cristina Alves de Matos Cruz, representa os povos ciganos no CEPCT/MT e participou da reunião.

A reunião contou com pautas importantes como: comendas de Honraria CEPCT, Informes sobre Editais de cultura que incluem PCTs, com a representante da Secel-MT, Keiko Okamura,  aplicação do protocolo contra o racismo e discussão do plano de engajemento dos PCTS junto ao programa REM.

Durante a reunião foi também retomada a discussão para realização da reuniões itinerantes do CEPCT/MT e Avaliação e encaminhamento do documento “Pedido de Providências” encaminhado pelos povos Pescadores da região de Cáceres.

#povosciganos #pcts #cepctmt #povostradicionais #matogrosso

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT



terça-feira, 10 de março de 2026

Calins do Cerrado Medicinas e Sabedorias Ciganas

Cerca de 30 pessoas participaram do lançamento da obra na Municipal Manoel Severino da Silva. Foto: Maria Clara Aquino

A noite do último dia 06 de fevereiro (sexta-feira) foi de bastante emoção para a comunidade cigana de Rondonópolis e para a AEEC-MT. Neste dia, a AEEC-MT, por meio de sua vice-presidente, Jéssika Lorrayne Alves Cabral Lima Leme, lançou o livro “Calins do Cerrado – Medicinas e Sabedorias Ciganas”.

Vice-presidente da AEEC-MT, Jéssika Lorrayne, de azul, autografa o livro para a prima Suiany Alves, na noite de lançamento, em Rondonópolis. Foto: Maria Clara Aquino.

Cerca de 30 pessoas compareceram ao lançamento, que ocorreu entre 19h e 22h na Biblioteca Municipal Manoel Severino da Silva, localizada na Vila Operária. Entre elas, a presidente da AEEC-MT, Rosana Cristina Alves de Matos Cruz, a tesoureira da instituição, Fernanda Caiado, e a mestra da cultura mato-grossense, Maria Divina Cabral, a Diva e a ativista, Nilva Rodrigues Cunha.

Da esquerda para direita; a mestra da cultura Mato-grossense, Maria Divina Cabral, a Mestra Diva, ao lado da prima Aparecida Alves de Cuiabá e do marido Jair Alves Cabral, conferem o livro impresso. Foto: Maria Clara Aquino.

O lançamento contou ainda com a presença do organizador, Aluízio de Azevedo e duas das autoras, o diretor de cultura da AEEC-MT, Rodrigo Zaiden, que também assinou a produção e a direção de arte da obra e o coordenador de povos tradicionais da prefeitura municipal de Rondonópolis, Djalma Santos.

Duas obras audiovisuais foram exibidas na programação de lançamento do livro: o episódio “Zilma” da minissérie Luzia e As Calins de Mato Grosso, que ainda está inédita e o vídeo institucional V Encontro de Cultura Cigana de MT, que retrata o último encontro realizado pela AEEC-MT, em 2025.

A programação do lançamento finalizou com noite de autógrafos e uma confraternização com coquetel para os presentes.

Aluízio de Azevedo, Aparecida Alves e Nilva Rodrigues Cunha, na noite de lançamento da obra. Foto: Maria Clara Aquino.

Publicado pela Editora Entrelinhas, o livro é financiado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel/MT), por meio do projeto “Mestra Diva – Ensinamentos e Sabedorias da Medicina Calon”, aprovado no Edital de Seleção Pública Viver Cultura – Identidades – Edição LPG 2023.

Um dos temas centrais é a ligação entre as tradições ciganas, como a medicina Calon e a natureza, mais especificamente o cerrado, no caso das Calins que vivem no Estado. O livro traz contos de cinco mulheres ciganas de quatro cidades de MT. Entre elas a Mestra da Cultura Mato-grossense, raizeira Maria Divina Cabral, a Mestra Diva, de Rondonópolis, que também é a entrevistada especial da edição.

O foco da publicação são os saberes tradicionais das mulheres ciganas de etnia Calon, que se autodenominam Calins. Foto: Maria Clara Aquino.

Além disso, participam da obra a professora aposentada Irandi Rodrigues Silva (Chapada dos Guimarães), a assistente social, Terezinha Alves (Cuiabá), a matriarca da comunidade Calon de Tangará da Serra, Venerana Rodrigues Cunha Pereira e a ativista Nilva Rodrigues Cunha (Rondonópolis).

De acordo com Jéssika Lorrayne, este é o primeiro livro publicado na literatura mato-grossense inteiramente produzido por pessoas ciganas. A obra conta ainda com audiodescrição.

Segundo a proponente, a obra é uma continuidade do projeto Diva e As Calins de Mato Grosso: Ontem, Hoje e Amanhã, que reconheceu e homenageou Maria Divina como mestra da Cultura Mato-grossense e se desdobrou na Exposição Multimídia Calin e na minissérie em 5 episódios Diva e As Calins de MT, que podem ser acessadas no seguinte link: www.galeriacalin.com .

#povosciganos #mulheresciganas #calins #literatura #secelmt #aeecmt

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

domingo, 8 de março de 2026

AEEC parabeniza as mulheres ciganas e gajins

As mulheres são prioridade na AEEC-MT, inclusive na diretoria: dos seis cargos, quatro são ocupados por Calins. Foto: Maria Clara Aquino.

A AEEC-MT, especialmente representada pelas quatro mulheres que fazem parte da diretoria, Rosana (presidente), Jéssika (vice-presidente), Fernanda (1ª Tesoureira) e Irandi (1ª Secretária), desejam a todas as Calins, Rommis e Sintis, um feliz dia internacional das mulheres!

O nosso trabalho em prol do fortalecimento das mulheres ciganas e de combate ao machismo, caminha junto com o trabalho de combate ao anticiganismo, o racismo estrutural contra as pessoas ciganas.

II Encontro de Mulheres Ciganas de MT, ocorrido em Cuiabá no ano de 2025. Foto: Maria Clara Aquino.

Na AEEC-MT, as mulheres ocupam lugar de decisão central. Desenvolvemos diversos projetos voltado para elas, como “Diva e As Calins de Mato Grosso: Ontem, Hoje e Amanhã” (2021).

O projeto reconheceu a raizeira Maria Divina Cabral, a Diva, como mestra da cultura mato-grossense. Além disso, se desdobrou em três produtos transmidiáticos que valorizaram os saberes femininos:

1) A exposição Multimídia Calin, que trouxe fotos de 35 mulheres ciganas de MT e pode ser acessada no link: www.galeriacalin.com

2) a minissérie em 5 episódios, Diva e As Calins de MT, que em cada episódio reverenciou uma Calin consideradas também como mestras da cultura cigana: Diva, Terezinha, Nilva, Irandi e Veneranda.

3)  o I Encontro de Mulheres Ciganas, que iniciou em 2021, em Rondonópolis e depois ganhou vida própria, este ano de 2026, chegando à IV edição.

As fotos que trazemos neste carrossel são do II Encontro de Mulheres ocorrido em Cuiabá em 2024 e do III Encontro de Mulheres, que aconteceu em Tangará em 2025.

Simone, Orceni, Zilma, Irandi, Fernanda e Abigail: mulheres, líderes, amadas.

Neste mês de fevereiro de 2026, lançamos o livro “Calins do Cerrado – Medicina e Sabedorias Ciganas”, uma continuidade do projeto Diva e As Calins de MT.

Na obra, trazemos contos e frases dessas cinco mulheres, além de uma entrevista em profundidade com a Mestra Diva.

Ambos os projetos foram financiados por meio de editais públicos da Secel-MT. Diva e As Calins de MT, por meio do edital Conexão Mestres da Cultura, da Lei Aldir Blanc; e o livro por meio do Edital Viver Cultura Identidades, Edição LPG 2023.

Viva as mulheres ciganas!

#mulheresciganas #diainternacionaldasmulheres #mulheres #calin #rommi #aeecmt

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Artista da AEEC integra exposição Frestas Trienal de Artes do Sesc Sorocaba

O Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT, Aluízio de Azevedo, é um dos 80 artistas convidados que integram a Frestas Trienal de Artes – Do Caminho um Rezo.

A vernissage de abertura da exposição, que é realizada pelo Sesc Sorocaba e ocorre por toda a unidade, ocorreu no último dia 27 de fevereiro (sexta-feira), com a participação de Aluízio.

Com curadoria de Naine Terena, Khadyg Fares e Luciara Ribeiro, a exposição reúne mais de 80 artistas e coletivos culturais nacionais e internacionais, que representam a diversidade étnica e regional brasileira, como indígenas, quilombolas, ciganos, LGBTs, povos tradicionais, entre outros periféricos.

Aluízio de Azevedo conta com cinco obras na exposição:

1 – João e Maria

2 – Bandeira Cigana Revisitada

3 – O Diplomata

4 – Totem de Mim LGBTQIAP Cigane

5 – Sem Título

Friestas abriu ao neste sábado (28/02) e prossegue até o mês de agosto. 

Os horários de visitação ocorrem de terças a sextas entre 9h e 21h30, aos sábados, de 10h às 20h e domingos e feriados, entre 10h e 18h30.

Saiba mais sobre Frestas do Caminho ao Rezo 

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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

MT rompe séculos de silenciamento literário e publica livro com sabedorias das mulheres ciganas

Editada pela Editora Entrelinhas, a obra traz contos e frases de cinco mulheres Calins e uma entrevista especial com a Mestra da cultura mato-grossense, Maria Divina Cabral

A Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), a Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel/MT) e a Editora Entrelinhas lançam, no próximo dia 06 de fevereiro (sexta-feira), em Rondonópolis, o livro “Calins do Cerrado – Medicinas e Sabedorias Ciganas”. Rompendo com séculos de invisibilidade e silenciamento na história oficial e na literatura mato-grossense, essa é a primeira obra literária publicada abordando o universo cigano no Estado.

A cerimônia de lançamento ocorre a partir de 19h, na Biblioteca Pública Municipal Manoel Severino da Silva, localizada na Vila Operária (Quadra 20A, Lote 1131, Avenida Filinto Muller).  O evento contará com programação que engloba a exibição do episódio “Zilma” da minissérie Luzia e As Calins de Mato Grosso, que ainda está inédita; e declamação da poesia “Sol”, que encerra o livro, de autoria da vice-presidente da AEEC-MT, Jéssika Lorrayne Alves Cabral Lima Leme, também a proponente e produtora executiva do livro.

O livro foi publicado por meio do projeto “Mestra Diva – Ensinamentos e Sabedorias da Medicina Calon”, aprovado no Edital de Seleção Pública Viver Cultura – Identidades – Edição LPG 2023 da Secel/MT. Um dos temas centrais é a ligação entre as tradições ciganas, como a medicina Calon e a natureza, mais especificamente o cerrado, no caso das Calins que vivem no Estado.

A proponente do projeto do livro, Jéssika Lorrayne e sua avó, Mestra Diva.

Organizado pelo cigano de etnia Calon, Aluízio de Azevedo Silva Júnior, que também pesquisou a educação ambiental dos povos ciganos em seu mestrado no Programa de Pós-graduação em Educação (PPGE) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT); o livro traz contos de cinco mulheres ciganas de quatro cidades de MT. Entre elas a Mestra da Cultura Mato-grossense, raizeira Maria Divina Cabral, a Mestra Diva, de Rondonópolis, que também é a entrevistada especial da edição.

Além disso, participam da obra a professora aposentada Irandi Rodrigues Silva (Chapada dos Guimarães), a assistente social, Terezinha Alves (Cuiabá), a matriarca da comunidade Calon de Tangará da Serra, Venerana Rodrigues Cunha Pereira e a ativista Nilva Rodrigues Cunha (Rondonópolis).

De acordo com Jéssika Lorrayne, este é o primeiro livro publicado na literatura mato-grossense inteiramente produzido por pessoas ciganas. Segundo a proponente, a obra é uma continuidade do projeto Diva e As Calins de Mato Grosso: Ontem, Hoje e Amanhã, que reconheceu e homenageou Maria Divina como mestra da Cultura Mato-grossense e se desdobrou na Exposição Multimídia Calin e na minissérie em 5 episódios Diva e As Calins de MT, que podem ser acessadas no seguinte link: www.galeriacalin.com .

“É muito importante a gente conseguir registrar em forma de contos, frases e fotos um pouco do que foi a história de nossas mulheres mais velhas, como a minha vó Diva e as tias Nerana, Terezinha, Irandi e Nilva, que estão no livro. No caso da minha vó ainda fica mais significativo, pois ela nunca teve a oportunidade de frequentar a escola, mas agora tem um livro que traz seus ensinamentos e sabedorias de vida”, emociona-se Jéssika, ao lembrar que as mulheres do tronco étnico Calon, se autodenominam como “Calins”, palavra na língua Chibe que pode ser traduzida como “Ciganas”.

Irandi Rodrigues (a esquerda), uma das autoras do livro e sua irmã Zilma Rodrigues (in memorian) que estrela um dos episódios da série Luzia e As Calins, que será exibido também no evento. Foto: Karen Ferreira.

Em uma das questões da entrevista, perguntada se “a cultura cigana tem sabedoria”, mestra Diva responde: “Tem sabedoria sim, o estudo deles vem de Deus. Olha, eu não tenho estudo, mas a minha medicina veio de Deus para mim”. Em outro trecho, ela revela a vontade de ter estudado:

“Eu aprendi muito na vida, o que é bom, o que é ruim. O que é mal fica pra lá, o que é bom, você traz pra você. Tudo que você faz hoje aqui na terra, Jesus te acolhe. Se você fazer o mal, você vai plantar arroz e colher feijão? Não! Você vai plantar, você tem que plantar o arroz e colher o arroz. Se você plantar ruindade, você vai colher ruindade. Se você vai plantar amor, você vai colher amor. Eu tinha uma vontade louca de estudar. Eu sei ler o abc, de cor, de trás pra frente e não sei decifrar”.

Conforme explica Aluízio de Azevedo, o trabalho é um híbrido entre literatura popular e livro-reportagem, organizado a partir de entrevistas em audiovisual com cada uma das autoras e depois um processo de transcrição e adaptação para a linguagem escrita. “Tudo isso, respeitando sotaques e modos de falar, inclusive o que na norma culta seria considerado como erro ortográfico. Fizemos questão de manter esse aspecto, para também ser um ato de resistência à colonização da língua”, pondera o autor.

Segundo Aluízio, o material vai preencher um vácuo no âmbito editorial, tanto da literatura mato-grossense, quanto brasileira, pois praticamente não há obras acerca da história e cultura dos povos ciganos e menos ainda obras produzidas por autores de origem cigana.

Para a editora da obra, Maria Teresa Carrión Carracedo, “A publicação de “Calins do Cerrado: Medicina e Sabedorias Ciganas”, livro organizado por Aluízio de Azevedo, é de grande importância para a cultura Cigana em Mato Grosso e para o registro da diversidade sociocultural neste território. As narrativas de lideranças ciganas apresentadas no livro trazem conhecimento ancestral de grande interesse, em edição que recebeu muita atenção em todo os processos. Estou muito feliz por ter sido convidada a participar desse lindo e importante projeto.”

Terezinha Alves, da comunidade cigana de Cuiabá, é uma das autoras do livro. Foto: Karen Ferreira.

Calins do Cerrado – Ensinamentos e Sabedorias Ciganas conta com direção de produção da Kaiardon Produções, direção de arte e consultoria de textos de Rodrigo Zaiden, que também assina a identidade visual do projeto. As fotografias são de Karen Ferreira, Maria Clara Aquino (da comunidade Calon de Tangará da Serra) e arquivos da AEEC-MT.

O projeto contou com Rafael Carracedo Ozelame e Manoel Carrecedo Ozelame como assistentes de edição e o projeto gráfico e arte-finalização é de Ricardo Miguel Carrión Carracedo.

A obra está dividida em 12 capítulos, incluindo a introdução, com o título “Cuidar entre as Calins”, por Aluízio de Azevedo, cinco contos, uma entrevista aprofundada com a mestra Diva, uma poesia e dois tópicos mais contextuais ao final: “Origens e Diásporas dos Povos Ciganos” e “Conheça a AEEC-MT: destaque internacional na defesa dos povos ciganos”.

Irandi Rodrigues Silva apresenta o conto “Lagarta, cobra, chuvas e dentes, da benzeção à vida!”; Terezinha Alves o conto “Árvores que Seguram o Vento”; Nilva Rodrigues Cunha a crônica “Minha mãe fazia fogo no chão”; Venerana Rodrigues Cunha Pereira o conto “As matas respondiam”; e, Mestra Diva a crônica “Na hora que você precisou de mim”.

Respeitando às pessoas que têm baixa visão, cegueira ou dificuldade de leitura, o projeto disponibilizou uma versão do livro em audiodescrição, que pode ser baixado no seguinte link:

Em breve o livro poderá ser acessado no site da Exposição Muiltimídia Calin, no endereço www.galeriacalin.com .

SERVIÇO:

O que: Lançamento do livro Calins do Cerrado – Medicina e Sabedorias Ciganas

Quando: 06/02/2026 – sexta-feira

Horário: 19h

Onde: Biblioteca Pública Municipal Manoel Severino da Silva, localizada à Avenida Filinto Muller, Quadra 20A, Lote 1131, Vila Operária, Rondonópolis-MT.

TEXTO: ASSESSORIA DE IMPRENSA

FOTOS: KAREN FERREIRA E MARIA CLARA AQUINO



sábado, 31 de janeiro de 2026

Atriz de La Casa de Papel expõe racismo contra ciganos na Espanha

Alba Flores relata estigmatização em entrevista e critica associações automáticas com criminalidade

Por O Globo — Rio de Janeiro - 26/01/2026 

Conhecida mundialmente pelo papel de Nairóbi na série La Casa de Papel, a atriz espanhola Alba Flores denunciou episódios de preconceito e estigmatização por ser de ascendência cigana. O relato foi feito durante entrevista ao programa Lo de Évole, exibido pela emissora La Sexta.

Durante a conversa, Alba contou que, após cinco anos morando no mesmo prédio, ouviu comentários preconceituosos de vizinhos apenas por sua origem. Segundo a atriz, ao se mudar, soube que parte dos moradores acreditava que ela causaria confusão, barulho e festas constantes — algo que jamais ocorreu.

— No meu último dia, o porteiro disse que eu tinha sido uma ótima vizinha, que não causei problemas. Mas quando cheguei, ouvi que diziam: “Ela vai dar festas, fazer barulho, criar confusão” — relatou.

A atriz participou do programa ao lado da prima Elena Furiase, filha da cantora Lolita Flores. Em determinado momento, Elena sugeriu que o preconceito poderia estar relacionado ao fato de Alba ser uma artista conhecida. A resposta foi imediata.

— Não, querida. Não acho que isso aconteça com outras atrizes. Não é porque somos artistas, é porque somos ciganas — afirmou.

Alba Flores também chamou atenção para a forma como o povo cigano é frequentemente retratado e nomeado no discurso público. Segundo ela, a linguagem utilizada pela sociedade ajuda a reforçar estereótipos históricos ligados à criminalidade e à marginalização.

— Quem tem o privilégio de não ser afetado por isso precisa ter muito cuidado com a forma como nomeia as coisas. A linguagem gera pensamento e constrói imaginários — disse.

A atriz chegou a discordar de comentários feitos pelo próprio apresentador Jordi Évole, que mencionou a ideia de que famílias ciganas seriam organizadas em clãs ou lideradas por patriarcas. Para Alba, esse tipo de generalização contribui para um rótulo externo que reforça o preconceito.

— Isso vem de fora e nos é atribuído como se fosse algo natural. Está associado à criminalidade e cria um imaginário coletivo que nos estigmatiza — concluiu.

Disponível em: https://oglobo.globo.com/cultura/televisao/noticia/2026/01/26/atriz-de-la-casa-de-papel-expoe-racismo-contra-o-povo-cigano-na-espanha-e-um-imaginario-coletivo-que-nos-estigmatiza.ghtml