sábado, 31 de janeiro de 2026

Atriz de La Casa de Papel expõe racismo contra ciganos na Espanha

Alba Flores relata estigmatização em entrevista e critica associações automáticas com criminalidade

Por O Globo — Rio de Janeiro - 26/01/2026 

Conhecida mundialmente pelo papel de Nairóbi na série La Casa de Papel, a atriz espanhola Alba Flores denunciou episódios de preconceito e estigmatização por ser de ascendência cigana. O relato foi feito durante entrevista ao programa Lo de Évole, exibido pela emissora La Sexta.

Durante a conversa, Alba contou que, após cinco anos morando no mesmo prédio, ouviu comentários preconceituosos de vizinhos apenas por sua origem. Segundo a atriz, ao se mudar, soube que parte dos moradores acreditava que ela causaria confusão, barulho e festas constantes — algo que jamais ocorreu.

— No meu último dia, o porteiro disse que eu tinha sido uma ótima vizinha, que não causei problemas. Mas quando cheguei, ouvi que diziam: “Ela vai dar festas, fazer barulho, criar confusão” — relatou.

A atriz participou do programa ao lado da prima Elena Furiase, filha da cantora Lolita Flores. Em determinado momento, Elena sugeriu que o preconceito poderia estar relacionado ao fato de Alba ser uma artista conhecida. A resposta foi imediata.

— Não, querida. Não acho que isso aconteça com outras atrizes. Não é porque somos artistas, é porque somos ciganas — afirmou.

Alba Flores também chamou atenção para a forma como o povo cigano é frequentemente retratado e nomeado no discurso público. Segundo ela, a linguagem utilizada pela sociedade ajuda a reforçar estereótipos históricos ligados à criminalidade e à marginalização.

— Quem tem o privilégio de não ser afetado por isso precisa ter muito cuidado com a forma como nomeia as coisas. A linguagem gera pensamento e constrói imaginários — disse.

A atriz chegou a discordar de comentários feitos pelo próprio apresentador Jordi Évole, que mencionou a ideia de que famílias ciganas seriam organizadas em clãs ou lideradas por patriarcas. Para Alba, esse tipo de generalização contribui para um rótulo externo que reforça o preconceito.

— Isso vem de fora e nos é atribuído como se fosse algo natural. Está associado à criminalidade e cria um imaginário coletivo que nos estigmatiza — concluiu.

Disponível em: https://oglobo.globo.com/cultura/televisao/noticia/2026/01/26/atriz-de-la-casa-de-papel-expoe-racismo-contra-o-povo-cigano-na-espanha-e-um-imaginario-coletivo-que-nos-estigmatiza.ghtml

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