Iniciativa
oferece 70 vagas com bolsas mensais de mil reais. Foto: Walisson Braga
Publicado
em 03/08/2026 17h44
Terminam,
na próxima quinta-feira (6) as inscrições para dois cursos de
aperfeiçoamento voltados à formação de lideranças quilombolas e ciganas.
Juntos, os editais oferecem 70 vagas com bolsas mensais de mil reais para os
participantes.
A
iniciativa tem o objetivo de capacitar lideranças para atuar na gestão
territorial, no controle social e na execução de políticas públicas de
igualdade racial.
Capacitações – O Curso de Participação e
Controle Social para Lideranças Ciganas é voltado a integrantes de povos e
comunidades ciganas com atuação em organizações, associações, coletivos, grupos
familiares ou acampamentos. A formação de caráter extensionista oferece 30
vagas com carga horária de 180 horas e duração de até dez meses.
Já o Curso
de Aperfeiçoamento em Gestão Territorial e Ambiental Quilombola, vinculado à
Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola (PNGTAQ),
disponibiliza 40 vagas para lideranças quilombolas e agentes comunitários
indicados por suas organizações representativas. Com carga horária de 220
horas, o curso será desenvolvido ao longo de seis meses em regime de
alternância, combinando atividades presenciais na universidade com ações
desenvolvidas nos territórios.
Inscrições para o prêmio vão até 15 de
abril de 2025
O I Prêmio Nacional de Literatura
Infantojuvenil para Quilombolas e Ciganos tem o objetivo de fomentar
as produções literárias infantojuvenis realizadas por pessoas quilombolas e
ciganas de todo território brasileiro, no intuito de enfatizar a importância da
memória, tradição, oralidade e esforço na produção de registros que assegurem a
valorização da história e cultura dos respectivos povos e comunidades
tradicionais.
As inscrições estão abertas até o dia 15 de abril de
2025. É possível acessar o edital para mais informações.
A premiação, além de fomentar a criação e circulação
de literaturas quilombolas e ciganas, pretende convocar a sociedade a conhecer
as culturas desses grupos sociais e, ao mesmo tempo, fortalecer os registros de
memórias e histórias.
Com as 36 obras literárias que serão premiadas haverá
oportunidade destas histórias chegarem a muitas pessoas, bem como a valorização
e fortalecimento de autores ciganos e quilombolas que estão iniciando ou já tem
uma carreira consolidada.
A premiação irá contemplar 36 autores e autoras de
livros infantojuvenil e o prêmio pode chegar até R$ 20 mil para cada pessoa
contemplada.
O Prêmio é promovido pela Universidade Federal do
Recôncavo da Bahia (UFRB), por meio do DIVERSIFICA - Inclusão e Diversidade, e
pelo Ministério da Igualdade Racial (MIR).
SERVIÇO
I Prêmio Nacional de Literatura Infantojuvenil para
Quilombolas e Ciganos
Colonizar um povo é como
adestrar um boi. Ambas ações consistem na remoção da identidade, mudança de
território e condenação do modo de vida alheio. Essa é a associação que Antônio
Bispo dos Santos, também conhecido como Nêgo Bispo, faz em "A Terra Dá, a
Terra Quer".
Lançado nesta segunda (29), o
livro desmancha conceitos como ecologia, desenvolvimento e decolonialidade —a contraposição ao
pensamento de perspectiva colonialista e eurocêntrica.
O autor propõe o que chama de
contracolonialismo, que seria a recusa de um povo à colonização, o que, segundo
ele, é praticado há séculos por africanos, indígenas e quilombolas.
Nascido na comunidade Saco do Curtume, no
Piauí, Bispo ganhou notoriedade em movimentos sociais, na década de 1990,
quando chegou a se filiar a partidos políticos, que abandonou anos depois.
Desde então, se voltou para a defesa dos povos quilombolas.
Novo livro de Antonio Bispo dos Santos já está disponível
Em
"A Terra Dá, a Terra Quer", o sr. critica o colonialismo e se opõe à
chamada decolonialidade, termo cada vez mais usado em contraposição ao
pensamento colonial. Em vez disso, fala em contracolonialismo. Por quê? Só
pode ser decolonizado quem foi colonizado. Qualquer pessoa que se sinta
colonizada pode lutar para ser um decolonial.
Mas decolonialidade é uma teoria,
não trajetória. Nunca existiu um movimento decolonial que tenha atuado de forma
resolutiva em prol de um povo. O contracolonialismo é diferente. Os quilombos
não foram colonizados.
O povo da academia que se diz progressista e só lê autores europeus, sim,
precisa se decolonizar.
O
sr. também diz preferir usar ‘colonialismo’ a ‘racismo’. É bom discutir racismo, mas ele é apenas um dos elementos
colonialistas. Quando se fala em racismo, habitualmente as pessoas pensam na
sociedade eurocristã. O colonialismo vai além disso. É para todas as vidas
existentes.
Como
combater o colonialismo? Não
queremos matar os colonialistas. Por isso, falo ‘contracolonialismo’. É uma
fronteira que estamos estabelecendo entre nós e a sociedade eurocristã
monoteísta.
[O extinto
quilombo dos] Palmares poderia
ter destruído o Recife, mas não devemos destruir nada. Nossa proposta é dizer:
'Vivam do jeito de vocês e viveremos do nosso, mas, se porventura, perceberem
que o nosso é bom, nos deixem ensinar'.
Além do
contracolonialismo, o sr. destrincha o conceito de cosmofobia, que seria uma
desconexão entre a humanidade e a natureza. Se opondo a essa lógica, diz,
então, que não é humano, mas sim, quilombola. Em termos práticos, o que quer
dizer? O povo eurocristão
monoteísta tem medo do próprio Deus, da natureza, do cosmo. É tanto medo que
tem dificuldade de se relacionar com rios, terra, vento —daí a palavra
‘cosmofobia’.
Em Gênesis, quando Adão e Eva
estavam no caminho do Éden, interagiam com tudo, não precisavam trabalhar, se
submeter a uma ordem externa. Mas Deus humaniza eles, cria o terror e diz que a
terra será maldita porque comeram o fruto proibido. É a Bíblia que cria os
seres humanos —e quem está fora dela é selvagem.
Nós, quilombolas, convivemos em
harmonia com as demais vidas. Os quilombos são lugares de relacionamentos. As
cidades, de civilizações. Precisamos animalizar a humanidade e desumanizar a
animalidade.
Como
assim? Só os humanos usam a
linguagem escrita. Nós, outros seres, nos comunicamos de outras formas,
inclusive sonora. Passamos a vida ouvindo esse povo das escrituras dizer que
não sabemos ler. Ora, os humanos não sabem falar.
Ainda
nessa linha de escrita versus oralidade, o sr. diz que em comunidades
quilombolas as histórias são passadas de boca em boca, sem nenhuma monetização.
Por que decidiu se tornar escritor? Não
sou escritor. Sou uma pessoa que escreve para estabelecer uma fronteira entre
os saberes. Sou um lavrador que também lavra palavras.
Quando a escola escrita chegou à
nossa comunidade, no fim dos anos 1960, nosso povo se recusou a participar, mas
ao ver que perderia tudo se continuasse assim, colocou as crianças para estudar
a linguagem das escrituras. Entrei na escola para isso.
Me tornei um tradutor da
comunidade. Não vou negar que sei falar e escrever muito bem. Mas decidi
escrever somente três livros [dois foram lançados] porque sou mesmo da
oralidade.
Ao
traçar uma relação entre favelas e quilombos, o sr. critica programas como o
Minha Casa, Minha Vida e o antigo Fome Zero, os classificando como
colonialistas. Não há nada neles para elogiar? Nada é apenas bom ou apenas ruim. O problema desses
programas é que tiram das pessoas o direito de arquitetar, compor e plantar o
que querem. Claro, melhor ter Fome Zero do que deixar morrer de fome. É melhor
ter o Minha Casa, Minha Vida do que ficar na rua. Mas não são coisas para
festejar. São para escapar.
O Minha Casa, Minha Vida tirou a
laje das favelas. As casas são pequenas, não têm quintal. As pessoas ficaram
confinadas, sem festa.
No Piauí, o Fome Zero foi
lançado em Guaribas [município que, na época, era considerado um dos mais
pobres do país]. Nunca houve debate com as pessoas de lá. Falavam que ali era
pobre porque não tinha nem restaurante nem hotel, mas gente rica não precisa
disso.
O
sr. também critica alguns discursos ambientalistas. O que o levou a isso? Tem muito ambientalista que vive nas cidades mas quer
consertar a floresta. É engraçado. As cidades estão alagadas, cheias de lixo,
mas querem mexer onde não sabem viver.
O
livro traz a ideia de que, na prática, não há diferença entre gestão de
esquerda e de direita. Nos últimos anos, o Brasil entrou numa crescente
polarização política. Como analisa isso? A direita e a esquerda são maquinistas que dirigem o
mesmo trem colonialista. Escolher o vagão permite decidir os passageiros com
quem você vai viajar. Mas a viagem é a mesma, vai para o mesmo caminho.
É preciso uma mudança estrutural.
Cabe a nós, quilombolas e indígenas, extrair tudo o que pudermos deste Estado
para criar nossas próprias estruturas.
Lula não fez reforma agrária
favorável aos agricultores familiares porque não teve coragem. Fez reforma
agrária para o agronegócio. Ele diz que acabou com a fome do povo e fará isso
de novo. Ora, o que acabou, acabou. Se voltou é porque não acabou.
E quanto à gestão
Bolsonaro? Não tive a oportunidade de
extrair tanto dele, mas pude conhecer melhor o Estado e certas pessoas. Foi um
governo sem máscaras, literalmente —nem contra Covid nem política.
Também serviu para quebrar
alguns intermediários. Tinham setores da esquerda que nunca protagonizavam a
própria vida mas queriam mexer na nossa.
Para nós, quilombolas, foi o
momento de preparar nossas defesas e refletir. Agora, ninguém trata Lula igual
das outras vezes.
Há semelhanças entre Lula e
Bolsonaro? Qual a diferença entre Bolsonaro
e um governo que autoriza a mineração em território quilombola sem cumprir os
protocolos da Convenção 169? Do ponto de vista da mineração, não há diferença.
Quem manda são as mineradoras.
O que quero dizer é que, sim,
Bolsonaro e Lula são diferentes, mas essas diferenças não são tão favoráveis.
O que Lula fez para o povo
quilombola? Criou o quê? Qual é o nosso espaço de poder dentro deste governo?
Pergunto porque é dos amigos que a gente deve cobrar o melhor acolhimento.
Apesar de hoje dizer que direita
e esquerda caminham juntas para o mesmo destino, o sr. já foi filiado ao PSB e
ao PT, considerados de esquerda. O que fez se desvincular desse meio? Atuei em movimento sindical, partido e
movimentos sociais por um bom tempo. Ao contrário da minha criação, me deparei
com um conhecimento todo escriturado. Tentaram me convencer de que a sociedade
era composta por duas classes, a trabalhadora e a patronal. Eu nasci e me criei
na roça, numa comunidade quilombola. Como lavrador, nunca fui ou tive patrão.
Também diziam que os quilombos
são formados por povos que fugiram da escravidão. Isso é muito pouco. [Na época
da escravidão] Você podia fugir e aceitar trabalhar na condição dos colonos,
mas não foi o que aconteceu com os quilombolas. Os quilombos continuam
resistindo ao sistema como um todo.
Desde então, qual sua relação
com a política? A última vez que votei foi em
1996, e em 1998, me desvinculei do movimento sindical. Hoje participo de uma
mobilização para estruturamos a nossa comunidade. Essa é a nossa grande luta de
defes
RAIO-X | ANTÔNIO BISPO DOS
SANTOS, 63
É membro da comunidade Saco do Curtume, no Piauí, onde atua em defesa dos povos
quilombolas. Seus livros lançados são "Colonização, Quilombos, Modos e
Significações" e "A Terra Dá, a Terra Quer".
Vice-presidente da Associação Estadual Cultural de Direitos e Defesa dos Povos Ciganos, Valdinalva Barbosa faz exame para detecção do coronavírusArquivo pessoal
Novo episódio do 'Outra estação', da Rádio UFMG
Educativa, mostra como ciganos, indígenas e quilombolas estão combatendo a
pandemia
Uma grande diversidade de modos de vida está contida na classe das
comunidades tradicionais, desde populações mais conhecidas, como as indígenas e
quilombolas, até outras pouco noticiadas, como os ciganos. São comunidades
distribuídas por todas as regiões do país com formas próprias de organização
social e que estão desprotegidas diante da ameaça da Covid-19, doença causada
pelo coronavírus.
Além de estarem expostos à contaminação pelo vírus, esses grupos têm
suas atividades econômicas e modos de vida diretamente impactados pela
pandemia. Um dos motivos é a falta de acesso dessas populações aos próprios
territórios, o que dificulta por exemplo o plantio de alimentos. O
enfraquecimento das políticas de direitos humanos nos últimos anos é outro
fator que contribui para a maior vulnerabilidade das populações tradicionais ao
coronavírus.
Essas e outras questões são
discutidas no novo episódio do Outra estação. O
programa ouviu indígenas, quilombolas e ciganos que contam como estão sendo
afetados pela Covid-19 e quais são as estratégias que vêm construindo para
enfrentar esse momento de pandemia. O programa também entrou em contato com uma
série de órgãos públicos para saber o que está sendo feito para atender às
demandas dos povos tradicionais e falou sobre as ações da UFMG voltadas para
esses grupos.
Direitos dos povos tradicionais
O primeiro bloco do programa explica
o conceito de povos e comunidades tradicionais no Brasil. Eles foram
reconhecidos formalmente pelo governo federal em 2007 por meio de um decreto que
criou a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e
Comunidades Tradicionais. O texto define esses grupos como sendo aqueles que
possuem formas próprias de organização social e que, na ocupação de seus
territórios, vivem suas diferenças econômicas, religiosas e culturais.
Cabe ao poder público garantir que as comunidades
tradicionais possam ocupar seus territórios e ter acesso aos recursos
naturais que utilizam como forma de garantir suas existências físicas,
econômicas e culturais. Porém, é comum que o direito não seja cumprido. A falta
de acesso integral a seus territórios é uma das razões para muitas
comunidades enfrentarem condições de vida precárias.
Os entrevistados nessa parte do programa foram o professor do
Departamento de Sociologia e Antropologia da UFMG Aderval Costa Filho, que foi
o responsável por coordenar a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável
dos Povos e Comunidades Tradicionais na época em que ela foi construída e
implementada e a superintendente de Participação e Diálogos Sociais da
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social, Ana Carolina Gusmão.
Em meio a essa crise provocada pela pandemia de Covid-19, os
gestores públicos devem definir junto com as comunidades tradicionais as formas
de auxiliá-las, tanto em questões de saúde, quanto para diminuir prejuízos
econômicos. A questão foi destacada pela pró-reitora de Extensão da UFMG
Cláudia Mayorga.
"Muitas vezes nós vemos uma relação
unilateral, a política pública vem com uma série de medidas, soluções,
propostas, que acabam desconsiderando os saberes e conhecimentos tradicionais,
o que acaba tendo um efeito de violência sobre esses povos"
A professora também falou sobre as ações que a UFMG têm desenvolvido
como o acompanhamento da situação dos povos indígenas maxacalis e a
produção de boletins semanais com campanhas de apoio a indígenas, quilombolas e
terreiros de axé.
Taxa de letalidade do vírus é alta
entre quilombolas
A
coordenadora da Conaq Givânia Silva:Arquivo pessoal
O primeiro bloco do programa destacou
ainda os impactos do coronavírus para os quilombolas. Até esta quarta-feira
(13), foram registradas 21 mortes por Covid-19 entre quilombolas, de um total
de 128 casos de infecção confirmados, segundo os dados levantados pela Coordenação
Nacional de de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).
Esses números indicam uma morte a cada 6 infecções entre quilombolas, enquanto
no país como um todo os registros giram em torno de uma morte a cada 14
infecções confirmada.
Uma das coordenadoras da Conaq, Givânia Silva, contou que vários
problemas de ordem socioeconômica dificultam que os quilombolas cumpram
recomendações feitas pelas pelas autoridades da área da saúde para frear a
Covid-19. Por exemplo, alguns moradores precisam ir à cidade para manter suas
rendas ou buscar serviços de saúde, já que várias comunidades carecem desse
tipo de atendimento. Eles também vêm enfrentando dificuldades para solicitar o
auxílio emergencial de 600 reais do governo federal, já que o pedido deve
ser feito, preferencialmente, pela internet.
"Em alguns lugares as pessoas não têm terra
para plantar. Como elas ficam em casa? Como elas vão lavar as mãos toda hora
se, às vezes, não têm água potável nem para beber?"
Sem terras demarcadas, indígenas têm
dificuldade de implantar medidas de isolamento social
O segundo bloco do Outra estação abordou as condições dos indígenas
brasileiros diante da pandemia. Segundo a plataforma de monitoramento da situação indígena na pandemia da
Covid-19 no Brasil, uma parceria entre o Instituto Socioambiental e
pesquisadores da UFMG, até esta quarta-feira foram registradas 277 infecções
por coronavírus entre indígenas e 19 mortes pela doença. Esses números se
referem à zona rural, já que, segundo o site, não há um levantamento oficial de
casos entre indígenas que vivem na área urbana.
Entre os problemas enfrentados pelos indígenas estão a falta de
demarcação das terras, o que cria entraves para o isolamento dessas populações.
A questão foi levantada pelo estudante de medicina da UFMG Otávio Kaxixó, que é
o coordenador estudantil do Programa de Educação Tutorial Indígena da
universidade.
Otávio também falou sobre o projeto de prevenção e combate ao novo coronavírus
em aldeias indígenas que está sendo desenvolvido por ele e outros alunos de
graduação em parceria com a professora Lívia Pancrácio, coordenadora do
Colegiado Especial do Programa de Vagas Suplementares para Estudantes Indígenas
na UFMG. A ideia é não apenas conhecer os diversos meios que as comunidades têm
adotado para se proteger, mas também passar orientações para líderes indígenas
e equipes de saúde que atuam nas aldeias.
"Existem algumas dificuldades em fechar as
aldeias porque ainda não temos nossos territórios demarcados".
Outro entrevistado foi Dinamam Tuxá, um dos coordenadores executivos da
Articulação dos Povos Indígenas no Brasil (Apib). Ele falou sobre o aumento das
invasões nas terras indígenas durante o período de pandemia e sobre a falta de
participação dos indígenas no planos de combate à Covid-19 elaborados pelos
governos estaduais.
"A questão primordial é a vulnerabilidade dos
indígenas em termos de imunidade. O risco do coronavírus dentro das aldeias é
de um verdadeiro genocídio".
Coronavírus já
atinge acampamentos ciganos
Outra população tradicional que vem enfrentando dificuldades neste
período de pandemia de Covid-19 são os ciganos. Boa parte deles vive em
acampamentos que são formados por barracas, não possui saneamento básico,
e muito menos, banheiros, o que dificulta o acesso à água para seguir as
recomendações de higiene tão necessárias para o combate ao coronavírus. A
pandemia também têm deixado os ciganos sem renda.
Os relatos sobre a situação dos ciganos foram feitos pelo doutor em
Informação e Comunicação em Saúde e Assessor para Ciência e Comunicação da
Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso, Aluízio de Azevedo Silva
Júnior, pelo presidente da Associação Estadual Cultural de Direitos
e Defesa dos Povos Ciganos, Itamar Pena Soares e pela vice-presidente da
Associação Estadual Cultural de Direitos e Defesa dos Povos Ciganos, Valdinalva
Barbosa. Ela mora em Ibirité, na região metropolitana de
BH, e foi infectada pelo coronavírus.
"Sou do grupo de risco, tenho
diabetes. Fiquei mais de 20 dias sem poder sair da barraca, me sentia
muito mal. Nós não temos saneamento básico. O mato é o nosso banheiro".
Para saber mais sobre o tema
Entrevista completa com doutor em Informação e Comunicação em Saúde e
Assessor para Ciência e Comunicação da Associação Estadual das Etnias Ciganas
de Mato Grosso, Aluízio de Azevedo Silva Júnior.
O episódio 40 do programa Outra estação é apresentado por Beatriz
Kalil, a produção é de Breno Benevides, Tiago de Holanda e Arthur
Bugre, a edição é de Tiago de Holanda, os trabalhos técnicos são de
Breno Rodrigues e a coordenação de jornalismo é de Paula
Alkmim.
O programa inseriu trechos de três
músicas. A primeira é cantada pela mestra Makota Valdina, de um terreiro
localizado em Salvador (BA) -- a gravação completa pode ser ouvida no no canal Saberes Tradicionais UFMG no YouTube. A
segunda música é um canto do grupo indígena Kaxixó e foi gravada em um encontro
de jovem indígenas desse grupo. A gravação foi enviada à Rádio
UFMG Educativa por Otávio Kaxixó. A terceira música se chama “Bute
Pilon”, é cantada em uma língua cigana e sua inclusão no programa também foi
sugerida pelos entrevistados. A gravação utilizada foi feita pela dupla Edy
Britto e Samuel.
O Outra estação aborda,
semanalmente, um tema de interesse social. Na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM),
vai ao ar às quintas-feiras, às 18h, com reprise às sextas, às 7h30. O conteúdo
também está disponível nos aplicativos de podcast, como o Spotify.