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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Inscrições para formação de lideranças quilombolas e ciganas entram na reta final

Iniciativa oferece 70 vagas com bolsas mensais de mil reais. Foto: Walisson Braga

Publicado em 03/08/2026 17h44

Terminam, na próxima quinta-feira (6) as inscrições para dois cursos de aperfeiçoamento voltados à formação de lideranças quilombolas e ciganas. Juntos, os editais oferecem 70 vagas com bolsas mensais de mil reais para os participantes.

A iniciativa tem o objetivo de capacitar lideranças para atuar na gestão territorial, no controle social e na execução de políticas públicas de igualdade racial.

>> Acesse o edital

Capacitações – O Curso de Participação e Controle Social para Lideranças Ciganas é voltado a integrantes de povos e comunidades ciganas com atuação em organizações, associações, coletivos, grupos familiares ou acampamentos. A formação de caráter extensionista oferece 30 vagas com carga horária de 180 horas e duração de até dez meses.

Já o Curso de Aperfeiçoamento em Gestão Territorial e Ambiental Quilombola, vinculado à Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola (PNGTAQ), disponibiliza 40 vagas para lideranças quilombolas e agentes comunitários indicados por suas organizações representativas. Com carga horária de 220 horas, o curso será desenvolvido ao longo de seis meses em regime de alternância, combinando atividades presenciais na universidade com ações desenvolvidas nos territórios.

Disponível em: https://www.gov.br/igualdaderacial/pt-br/assuntos/noticias/inscricoes-para-cursos-de-formacao-de-liderancas-quilombolas-e-cigana-entram-na-reta-final

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Inscrições abertas pra II Prêmio de Literatura Infantojuvenil Quilombola e Cigana

Edital permanece com inscrições abertas até o dia 03 de agosto de 2026. Foto: Maria Clara Aquino - AEEC-MT.

O Projeto “Fortalecimento Diversidade, Cultura e Território (FDCulT) para Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Povos de Terreiros e Ciganos”, resultante da parceria celebrada entre o Ministério da Igualdade Racial (MIR) e a Universidade Federal de Goiás (UFG), torna público o Edital do II Prêmio de Literatura Infantojuvenil Quilombola e Cigana.

Atenção autores e autoras quilombolas e ciganas de todo o Brasil! Inscrições abertas para o II Prêmio Nacional de Literatura Infantojuvenil Quilombola e Cigana, iniciativa realizada pelo Ministério da Igualdade Racial (MIR), em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG) por meio do Projeto FDCulT - Fortalecimento Diversidade, Cultura e Território para Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Povos de Terreiros e Ciganos.

As inscrições estão abertas de 22 de junho a 3 de agosto de 2026 e devem ser realizadas exclusivamente por meio de formulário eletrônico disponibilizado neste site.

O prêmio tem como objetivo reconhecer, valorizar e fortalecer a produção literária infantojuvenil quilombola e cigana, contribuindo para a revitalização da cultura, da memória, da oralidade e dos saberes de povos quilombolas e ciganos.

A iniciativa busca incentivar um diálogo qualificado com temas como ancestralidade, memória e oralidades; cultura e tradição; gênero e geração; diversidade e desigualdade; direitos humanos; território e territorialidade; meio ambiente; diversidade linguística; tecnologias ancestrais e contemporâneas; combate à violência; e, saberes e fazeres quilombolas e ciganos.

1. EDITAL Nº 02/2026 - II PRÊMIO NACIONAL DE LITERATURA INFANTOJUVENIL QUILOMBOLA E CIGANA

2. ANEXO I DO EDITAL Nº 02/2026 - DECLARAÇÃO DE PERTENCIMENTO CIGANO  

3. ANEXO II DO EDITAL Nº 02/2026 - DECLARAÇÃO DE PERTENCIMENTO QUILOMBOLA 

4. ANEXO III DO EDITAL Nº 02/2026 - DECLARAÇÃO DE LIDERANÇA CONFIRMANDO PERTENCIMENTO CIGANO

5. ANEXO IV DO EDITAL Nº 02/2026 - DECLARAÇÃO DE LIDERANÇA CONFIRMANDO PERTENCIMENTO QUILOMBOLA

6. ANEXO V DO EDITAL Nº 02/2026 - RECURSO ADMINISTRATIVO CONTRA INABILITAÇÃO

7. ANEXO VI DO EDITAL Nº 02/2026 - RECURSO ADMINISTRATIVO CONTRA DESCLASSIFICAÇÃO, PONTUAÇÃO OU JULGAMENTO DE MÉRITO

8. FORMULÁRIO DE INSCRIÇÃO NO EDITAL Nº 02/2026   

Disponível em: https://rosaparks.fcs.ufg.br/n/202085-edital-n-02-2026-edital-do-ii-premio-de-literatura-infantojuvenil-quilombola-e-cigana 

Cursos com bolsas de mil reais para lideranças quilombolas e ciganas recebem inscrições até 6 de agosto

Formações oferecem bolsas mensais de mil reais e contam com certificação da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) para os concluintes. Foto: MIR

Publicado em 13/07/2026 17h40 Atualizado em 13/07/2026 19h33

Estão abertas as inscrições para dois cursos de aperfeiçoamento voltados à formação de lideranças quilombolas e ciganas. Ao todo, são 70 vagas, com bolsas mensais de mil reais para os participantes selecionados. As iniciativas capacitam lideranças para atuar na gestão territorial, no controle social e na execução de políticas públicas de igualdade racial. 

As formações são destinadas a participantes de todo território nacional e contam com certificação da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) para os concluintes. 

O Curso de Participação e Controle Social para Lideranças Ciganas é voltado a integrantes de povos e comunidades ciganas com atuação em organizações, associações, coletivos, grupos familiares ou acampamentos. 

A formação de caráter extensionista oferece 30 vagas com carga horária de 180 horas e duração de até dez meses. 

>> Acesse o edital 

Já o Curso de Aperfeiçoamento em Gestão Territorial e Ambiental Quilombola, vinculado à Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola (PNGTAQ), disponibiliza 40 vagas para lideranças quilombolas e agentes comunitários indicados por suas organizações representativas.

 Também podem participar técnicos locais e agentes públicos que atuam em territórios quilombolas, desde que contribuam para a aplicação dos instrumentos da política. Com carga horária de 220 horas, o curso será desenvolvido ao longo de seis meses em regime de alternância, combinando atividades presenciais na universidade com ações desenvolvidas nos territórios. 

>> Acesse o edital 

As inscrições para os dois processos seletivos estão abertas até 6 de agosto de 2026 e devem ser feitas exclusivamente por meio do formulário eletrônico indicado nos respectivos editais. 

Disponível em: https://www.gov.br/igualdaderacial/pt-br/assuntos/noticias/cursos-de-aperfeicoamento-para-liderancas-quilombolas-e-ciganas-recebem-inscricoes-ate-6-de-agosto

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Ouvidoria do MIR debate direitos e desafios dos povos ciganos

 
Encontro reuniu lideranças ciganas e representantes do governo em torno da escuta, participação social e promoção da igualdade racial

O Ministério da Igualdade Racial (MIR) realizou, na última quarta-feira (27), mais uma edição do Café com Ouvidoria. Com o tema “Povos Ciganos: escuta, diálogos e avanços”, o encontro reuniu lideranças, representantes institucionais e integrantes de comunidades ciganas para debater direitos, desafios históricos e políticas públicas voltadas aos povos ciganos no Brasil.

A iniciativa integra o ciclo de debates promovido pela Ouvidoria do MIR e tem como objetivo fortalecer a escuta ativa, ampliar os canais de participação social e aproximar as demandas da sociedade civil da construção de políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial e dos direitos humanos.

Durante a abertura, o ouvidor do MIR, Fábio Bruni, destacou a importância da participação social para o fortalecimento da atuação da área. “As manifestações que chegam à Ouvidoria demonstram a importância de fortalecimento desse canal de diálogo. Quanto mais as pessoas conhecem os serviços disponíveis, maior é a participação social e a possibilidade de construirmos respostas mais efetivas às demandas apresentadas”, afirmou.

Representando a Diretoria de Políticas para Quilombolas e Ciganos do MIR, Fabiano Bechelany, apresentou reflexões sobre os avanços e os desafios das políticas públicas voltadas aos povos ciganos e destacou a importância do fortalecimento do debate em torno do Estatuto dos Povos Ciganos.

Em sua fala, liderança cigana da etnia Calon, Edvalda Bispo, que também é presidenta da Associação Nacional de Mulheres Ciganas e conselheira nacional de promoção da igualdade racial, ressaltou os desafios históricos relacionados ao acesso e à permanência na educação e defendeu a garantia dos direitos humanos como instrumento fundamental para o enfrentamento da discriminação e o fortalecimento da autonomia das comunidades ciganas.

Já a pesquisadora e representante cigana da etnia Rom, Hayanne Iovanovitchi, destacou a relevância do mapeamento nacional dos povos ciganos para dar visibilidade à presença dessas comunidades em todo o território brasileiro. Idealizadora do Museu Virtual de Memórias da Imigração Cigana, a pesquisadora também apontou a segurança pública como uma das principais preocupações das comunidades ciganas, destacando situações de preconceito e criminalização de práticas culturais tradicionais.

Foto: Maysa Lannah

Disponível em: https://www.gov.br/igualdaderacial/pt-br/assuntos/noticias/cafe-com-ouvidoria-debate-direitos-desafios-e-avancos-para-os-povos-ciganos

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Ancestralidade Viva: Maria Lucia Rodrigues Cunha - O tempo que a gente É!

Maria Lucia com os filhos Simone e Uilton. Foto de arquivo.

Sétima e última filha de Alda Alves Cunha e Ranulfo Rodrigues Cunha, Maria Lucia Rodrigues Cunha Nasceu em 01 de setembro de 1966 em Poxoreu, no sul de Mato Grosso.

Sempre muito orgulhosa em ser cigana, Lúcia como era mais conhecida na família, viveu parte da infância na vida tradicional cigana, de barraca, até que os pais e o seu grupo se mudou e fixou residência no município de Tangará da Serra, então ainda Distrito de Barra do Bugres, no ano de 1972.

No local, conheceu seu marido, Clarito Pereira, com quem teve três filhos, Uilton, Simone e Zezinho (in memorian), além de sete netos:

Kaiky Batista Rodrigues, kayo Eduardo Batista Oliveira, Vitor Hugo Rodrigues Borges, Joaquim Henrique Rodrigues Borges, Kauan Eduardo Fagundes oliveira, Maria Eduarda Fagundes oliveira e Anna Maria Rodrigues Brito.

Lucia e as irmãs Irandi, Nilva, Zilma e Orceni. Foto de Arquivo.

Versada na chibe, a língua dos Calon, Maria Lúcia era muito prendada na cozinha, com um tempero único que herdou da mãe Alda. Carinhosa e amorosa, herdou dos tios o traço da negociação e era uma verdadeira gambireira, de carros, de móveis, imóveis e o que aparecesse em suas mãos.

Sempre estava presente nas reuniões de família, sendo uma das primeiras a chegar e uma das últimas a sair. Tinha uma voz mansa, suave e sempre num tom baixo, que encantava qualquer um que a ouvia e raramente saia do sério ou ficava brava. Foi uma irmã e uma filha muito presente na vida dos pais e dos seis irmãos, especialmente, do mais novo, Ranulfinho.

Um dos seus lazeres favoritos era jogar baralho (truco, pife, bisca e qualquer outro jogo), além de dominó e fazer a fé num bingo. Também adorava pescar e sempre que podia estava na beira de um rio e da natureza. Outra paixão era a música sertaneja, com cantores como Amado Batista, Gino e Geno e Roberta Miranda.

Maria Lúcia faleceu no dia 19 de fevereiro de 2023, em decorrência da complicação de um câncer de pulmão e não tivemos tempo de fazer uma homenagem a ela enquanto viva, então, a AEEC-MT encerra a campanha Ancestralidade Viva – O tempo que a Gente É! Deste ano com uma homenagem póstuma à Lucia, com algumas fotos da família, cedidas pelos filhos Simone e Uilton.

Também postamos um vídeo com ela pescando, uma das coisas que mais gostava de fazer.

Viva Maria Lucia Rodrigues Cunha – Ancestralidade Viva!

TEXTO: ALUÍZIO DE AZEVEDO

terça-feira, 2 de junho de 2026

Ancestralidade Viva: Orceni Rodrigues Angola - O Tempo que a gente É!

Orceni Rodrigues Angola tem 65 anos e nasceu em 22/05/1961, em Guiratinga, Mato Grosso. De família cigana, passou a infância acompanhando os pais em mudanças e viagens a cavalo pelo interior. Em determinado período, a família viveu em Rio Verde, onde os pais trabalhavam na produção de arroz e milho. Enquanto os pais e a irmã mais velha trabalhavam na lavoura, Orceni ajudava nos afazeres domésticos ao lado da irmã caçula.

Mais tarde, o pai vendeu as terras que possuía e a família se mudou para Tangará da Serra. Após a mudança, ele comprou um ônibus e passou a trabalhar com transporte de passageiros. Foi nesse período que Orceni iniciou os estudos, mas não concluiu a formação escolar porque se casou jovem com Daniel.

Do casamento nasceram três filhos: Fernando, Aldinéia e Adriana. Ao longo dos anos, a família também cresceu com a chegada dos netos Maria Clara, Isabela, Vitória e Samuel. Para contribuir com a renda da casa, Orceni trabalhou em serviços domésticos e na venda de produtos como cosméticos e enxovais, enquanto o marido trabalhava em fazendas da região.



Ela afirma que sempre soube de sua origem cigana, pois os pais falavam sobre isso dentro de casa. No entanto, durante muitos anos evitou comentar sua identidade por receio do preconceito. Era comum que os ciganos fossem alvo de críticas e julgamentos. Com o passar do tempo, passou a falar mais abertamente sobre suas origens: “Hoje temos mais liberdade para falar sobre quem somos e mostrar nossa história”.

Com sua mãe, aprendeu a preparar doces, requeijão e diversos pratos tradicionais. Até hoje participa do preparo de alimentos em eventos da comunidade cigana, contribuindo com receitas transmitidas entre gerações, como o arroz com carne seca e pequi, mandioca, frango e diversos doces. Quem prova, derrama elogios a ela.

Ao recordar a infância, também menciona as viagens realizadas com os pais, avós e tios. Andavam a cavalo e ao se instalar, sua mãe preparava uma pequena fogueira para cozinhar nas barracas, enquanto seu pai fazia negócios. Ela e sua irmã Nilva carregavam os pertences, com tempo para também brincar e correr. São memórias que guarda com amor.

Foram tempos difíceis, mas também tempos de muitas boas lembranças para Orceni. Hoje ela olha para trás com gratidão por tudo o que viveu e por toda a história que sua família construiu.

No Ancestralidade Viva de hoje, conheça a história de Orceni Rodrigues!

TEXTO: LÍVIA FREIRE

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Ancestralidade Viva: Olga Alves de Matos - O tempo que a gente É!

Olga é um baluarte da cultura cigana em Cuiabá. Foto: Jeomara Viegas.

Olga Alves Pereira de Matos é filha de um cigano e de uma não cigana e viveu os primeiros anos da infância acompanhando a rotina itinerante da família. Naquele período, seu pai trabalhava com a compra, venda e troca de animais, levando a família por diferentes regiões até se estabelecerem em Mato Grosso. Criada em Guiratinga, mais tarde mudou-se para Cuiabá aos 18 anos, cidade onde vive até hoje,.

Ao lado das irmãs, trabalhou como empregada doméstica e, posteriormente, encontrou no bordado uma nova profissão após realizar um curso na área. Passou a atuar em uma fábrica de uniformes, atividade que considera uma etapa importante de sua vida.

Foi também na igreja que encontrou outro dos grandes pilares de sua história. Membro da Assembleia de Deus desde a infância, conheceu seu esposo, Adonias José de Matos, no coral da congregação. Os dois se aproximaram por meio das atividades da igreja e construíram uma união duradoura, formando uma família com os filhos Rosana e Raul.

Olga durante o VI Encontro de Cultura Cigana de MT, em Rondonópolis. Foto: Tami Lage

Olga descreve sua vida como abençoada. Recorda com carinho o esforço dos pais para garantir o sustento da família e destaca o cuidado do marido ao longo dos anos. Para ela, a convivência familiar sempre foi uma das suas maiores riquezas.

Entre as lembranças mais difíceis está a perda do neto Renato Vitor, falecido aos 18 anos em um acidente de moto. Mesmo diante da dor, encontrou na fé a força para seguir em frente. Segundo ela, foi Deus quem lhe deu paz nos momentos mais difíceis e a ajudou a transformar a angústia em esperança.

De sua herança cigana, guarda principalmente o valor da união familiar. Embora muitas tradições tenham se transformado ao longo das gerações, ela acredita que o amor entre os parentes e o gosto por reunir a família permanecem. Por isso, considera importantes os Encontros de Cultura Cigana, que ajudam a combater preconceitos ainda existentes.

Irandi, Olga, Coraci, Luzia e Cida: matriarcas da comunidade Calon de MT. Foto: Tami Lage

Quem convive com Olga logo percebe uma de suas características mais marcantes: a tranquilidade. Ela se define como uma pessoa de fácil convivência, que evita conflitos e prefere refletir antes de responder. Essa postura, segundo ela, acompanha sua vida desde a infância e é algo de que se orgulha.

Hoje, mesmo convivendo com o Parkinson, que afetou sua voz e parte de sua rotina, Olga segue participando da vida da igreja, acompanhando os encontros da comunidade e valorizando os momentos ao lado da família. Com gratidão, resume sua caminhada de forma simples: uma vida guiada pela fé, pelo amor e pela certeza de que foi cuidada por Deus em todos os momentos.

TEXTO: LÍVIA FREIRE

domingo, 31 de maio de 2026

Ancestralidade Viva: Francisca e Francisco Pereira - O Tempo que a gente É!

Francisco de Assis Santos nasceu em Bambuí, Minas Gerais, no dia 18 de outubro de 1953. Ainda jovem, aos 17 anos, deixou sua terra natal e veio para Mato Grosso, estado onde construiu sua vida e permanece até hoje. Trabalhador dedicado, iniciou sua carreira na zona rural. Mais tarde, mudou-se para a cidade, onde trabalhou por 23 anos na empresa Comercial Rio Negro.

Foi em Mato Grosso, na região de Guiratinga e Beira Rio, que Francisco conheceu Francisca Pereira dos Santos, nascida em 16 de outubro de 1956, em Guiratinga, Mato Grosso.

Filha de José Alves Pereira e Isaura Cabral, Francisca cresceu vivendo a tradição cigana ao lado de sua família. Até os 15 anos, viveu viajando com os pais, acompanhando a rotina cigana, até que seu pai comprou um sítio e a família passou a viver no interior.

Ela relembra que, por conta das dificuldades da época e da vida itinerante, não teve oportunidade de estudar, mas aprendeu desde cedo o valor do trabalho e da união familiar.

Foi nesse contexto que Francisco encontrou Francisca. Depois do casamento, passaram a viver em Rondonópolis, onde construíram a família. Casados há mais de 42 anos, Francisco e Francisca tiveram dois filhos, Antony e João Miguel. Ambos se formaram e deram ao casal seis netos, entre eles José Arthur, que também segue com os estudos.

Francisco afirma que, depois de mais de 43 anos convivendo junto da família cigana, também se considera cigano: “Eu já me considero cigano também e queria aproveitar para dizer que amo todos eles. É uma família muito boa, que me ajudou muito quando adoeci”.

Francisca também demonstra com convicção o amor por suas origens: “Eu amo ser cigana, eu tenho orgulho de ser cigana e eu amo a minha tradição cigana!”. Em seu relato, ela relembra com carinho a experiência de participar da peça de teatro “Dai Purim”, atuando pela primeira vez como atriz no grupo Rarripe, durante o VI Encontro de Cultura Cigana.

TEXTO: LÍVIA FREIRE

Ancestralidade Viva: Estroécio Rodrigues Cunha - O Tempo que a gente É!

Mais conhecido na família como tio Toesse, viveu a vida itinerante na juventude e depois como negociante fazendo gambira. Foto: Tami Lage

Estroécio Rodrigues Cunha nasceu em Jataí, no dia 28 de agosto de 1955. Cigano, relembra seus tempos com a família nas andanças entre Goiás e Mato Grosso, considera que teve uma infância muito boa. 

Em 1975, mudou-se para Tangará da Serra. Depois viveu em Juscimeira, em 1979, e, no ano seguinte, se casou com sua esposa, com quem construiu uma união de 46 anos. Juntos, moraram em Rondonópolis por 35 anos e formaram uma grande família.

Estroécio é pai de quatro filhos, André, Jonathan, Adriana e Italo, além de avô de quatro netos e bisavô de três bisnetos. Hoje, vive em Tangará da Serra novamente, há 11 anos.

Grande parte de sua história profissional foi construída através dos negócios. Trabalhou fazendo gambira: comprando, vendendo e trocando mercadorias. Também trabalhou na roça em alguns períodos da vida. “Eu criei minha família só no negócio”, relembra.

Além disso, Tio Toesse, como Estroécio é mais conhecido na família, é o principal falante hoje da língua Chibe, do tronco étnico Calon, nas comunidades ciganas de Mato Grosso, sendo um dos principais oficineiros em projetos de oficina de chibe realizados pela AEEC-MT.

Estroécio demonstra gratidão pelo projeto Encontro de Cultura Cigana realizado pela AEEC-MT:

“Esse evento é uma bênção de Deus. Meu sobrinho é caprichoso com nós. Ele acha que nós, ciganos, merecemos. Ele é abençoado por Deus. E a família dele também: a mãe, o pai, a irmã. A sobrinhada que eu tenho é muito inteligente, graças a Deus.”

TEXTO: LÍVIA FREIRE

Ancestralidade Viva: Cida Alves - O tempo que a gente É!

Aparecida Alves, durante a Assembleia Geral Ordinária da AEEC-MT que ocorreu em 01 de maio. Foto: Tami Lage.

Aparecida Alves nasceu no ano de 1956, em Jatai-GO. Filha de pai cigano e mãe não cigana, passou a infância em barracas, viajando em tropas até cerca dos 10 anos de idade, quando seu pai decidiu deixar a vida itinerante e se estabelecer como morador.

Começou a trabalhar muito cedo como empregada doméstica, profissão que exerceu durante grande parte da vida, assim como algumas de suas irmãs. Teve três filhos, um deles, infelizmente, partiu cedo, aos seis anos de idade.

Mais tarde, encontrou um companheiro com quem viveu por dezoito anos. Durante esse relacionamento, criou também uma filha do coração, Delícia, por quem guarda enorme carinho e consideração. Ao longo da vida, trabalhou em diferentes áreas: além do trabalho doméstico, teve uma mercearia, vendeu roupas e roupas de cama e também trabalhou em escritório de empresa. 

Mãe, avó e bisavó, considera a família uma das maiores bênçãos de sua vida. Há mais de uma década dedica grande parte do seu tempo ao cuidado de seu neto.

Aparecida afirma que sempre carregou consigo os ensinamentos do pai: ser honesta, trabalhadora e manter a união familiar. Também guarda lembranças afetivas da infância nas barracas, das noites ao redor da fogueira e da mãe lendo romances para a família ouvir antes de dormir.

Acredita que, apesar do preconceito histórico enfrentado pelos ciganos, atualmente existe um reconhecimento maior da cultura e das lutas de seu povo. Os encontros culturais da AEEC-MT, segundo ela, são um dos fatores que têm fortalecido o sentimento de união e pertencimento.

Viva Cida! Viva os povos ciganos!

TEXTO: LÍVIA FREIRE

Ancestralidade Viva: Anésio Divino Rodrigues Cunha - O tempo que a gente É!

Anésio é morador de Tangará da Serra desde os 15 anos. Foto: Maria Clara Aquino.

Anésio Divino Rodrigues nasceu em Alto Garças no dia 20 de abril de 1959 e é pai de cinco filhos, Vitor, John Lennon, Hélida, Samuel e Isadora, e avô de um neto. 

Anésio tem muito respeito por suas origens. Para ele, todos os ciganos merecem sua consideração. Agradecido a Deus por ser cigano, afirma que nunca desfez de ninguém e que sempre buscou agir de forma honrada. Segundo ele, por onde passou conquistou o carinho das pessoas e se tornou alguém respeitado na comunidade em que vive.

Sua história em Tangará da Serra começou aos 15 anos de idade. Quando chegou à cidade, a realidade era bem diferente da atual: não havia energia elétrica como hoje, apenas motor de luz, as ruas não eram asfaltadas e as casas de alvenaria eram raras, predominando as construções de madeira ou “casa de tábua”, como diz ele. 

Anésio Rodrigues foi um dos oficneiros da Oficina de Chibe, 
que ocorreu em Tangará da Serra em maio de 2024. Foto: João Aquino.

Foi ali que permaneceu e construiu sua vida. Até hoje vive em Tangará da Serra, onde formou sua família e conquistou sua independência trabalhando como corretor.

Ao falar de sua atuação, faz questão de pontuar sua honestidade. Segundo ele, seus negócios são feitos de forma correta, sem “sacanagem” ou “negócio torto”, sempre de maneira alinhada e transparente. E mais: com sucesso! Anésio é bom de venda.

Nosso homenageado de hoje é um grande homem, trabalhador, querido por todos e muito orgulhoso em ser cigano. Viva, Anésio!

Ancestralidade Viva: Terezinha Alves - O Tempo que a gente É!

Foto: Karen Ferreira.

Terezinha Alves nasceu no dia 07 de outubro de 1961, em Guiratinga-MT. Passou a infância em fazendas da região, onde cresceu ao lado dos pais e das seis irmãs, em um ambiente de fartura, com muita água e plantações cultivadas por eles. Em família, viviam de forma muito unida, iam juntos à igreja, cantavam hinos e liam a Bíblia.

Ela e as irmãs não frequentavam a escola, mas um vizinho contratou uma professora que as alfabetizou. Durante a infância, a família se mudou diversas vezes entre áreas rurais e a cidade de Guiratinga, onde pôde estudar até a 3ª série. Mas seus estudos foram interrompidos pelas mudanças e, aos 12 anos, foi para Cuiabá para trabalhar como babá e empregada doméstica.

Aos 22 anos, retomou os estudos com incentivo do marido na época, hoje seu ex-marido e amigo. Concluiu o supletivo, se formou técnica em Contabilidade e ingressou no curso de Serviço Social, tornando-se a primeira mulher cigana de que se tem registro a concluir o ensino superior no Brasil.

Foto de Arquivo de Terezinha Alves.

Após a formação, participou de conselhos de direitos, chegando à presidência do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Cuiabá. Posteriormente fundou a Arca Assessoria e Consultoria Social, empresa com a qual trabalhou durante 23 anos desenvolvendo projetos de habitação e infraestrutura em municípios de Mato Grosso. Também realizou especializações e concluiu um mestrado em Educação Superior na Argentina. Depois de encerrar as atividades da empresa, passou a atuar como mediadora no Tribunal de Justiça, função que exerce atualmente.

Mãe de duas filhas, Fernanda e Taiza, e avó de três netos, Rafaela, Arthur e Valentina, Terezinha construiu sua vida acreditando na educação e incentivou todos ao seu redor a seguirem esse caminho. Viajou muito, foi pioneira em muitos de seus feitos e dá grande valor à liberdade, ao amor e à união, heranças de sua origem cigana.

TEXTO: LÍVIA FREIRE

sábado, 30 de maio de 2026

Inscrições do Prêmio Puron Jandon e Purô Harano estão abertas até dia 12 de junho

Estão abertas as inscrições para o Prêmio Puron Jandon e Purô Harano.  O prêmio é uma iniciativa do Ministério da Igualdade Racial (MIR) em parceria com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (URFB), por meio do Projeto Encruza 2.

Interessados ciganos das três etnias, Calon, Rom e Sinti, têm até o próximo dia 12 de junho para fazer a inscrição, que é toda online, pelo site Prosas. A iniciativa busca reconhecer e premiar mestras e mestres ciganos que atuam na preservação das tradições em suas comunidades.

Para mais informações e fazer inscrições, basta acessar o site do Prosas, no seguinte link: https://prosas.com.br/editais/17678-premio-puron-jandon-e-puro-harano?subdominio=prosas  

Serão premiados 10 (dez) Mestras e Mestres ciganos, conforme critérios previstos neste edital e seus anexos, no valor de R$ 30.000,00 (Trinta Mil Reais) cada prêmio. A ação integra o Plano Nacional de Políticas para Povos Ciganos.

Para os fins do Edital, serão reconhecidas como lideranças comunitárias as pessoas pertencentes a um dos três agrupamentos ciganos do país anteriormente indicados, sendo o pertencimento étnico um critério exclusivo para esse reconhecimento. 



Para participar e ser reconhecido no âmbito deste Edital, o candidato deverá:

I. Obter pontuação dentro dos Critérios de Avaliação (ainda será disponibilizada a Barema nos próximos dias), relacionado ao histórico de atuação da Mestre ou Mestra Cigana.

II. Avaliação a ser realizada pela Comissão de Seleção a partir do portfólio de no máximo 10 MB (relatório com material de comprovação das atividades) OU de vídeo de apresentação (máximo de 15 minutos de apresentação).

Obs1.: A inscrição por vídeo ou portfólio, poderá ser feita por terceiro, em favor do concorrente a premiação, caso haja dificuldade no manuseio das tecnologias.

Obs2.: No caso de inscrição feita com ajuda de terceiro, a inscrição realizada deverá ocorrer mediante autorização expressa do candidato, preferencialmente por meio de declaração simples ou instrumento equivalente, subscrita pelo próprio concorrente, de modo a resguardar a autenticidade da manifestação de vontade do participante e evitar questionamentos quanto à legitimidade da inscrição ou à veracidade das informações apresentadas.

III. Preenchimento da ficha eletrônica de inscrição (Anexo I) e demais conteúdos e documentos enviados pela pessoa física.

IV. Autodeclaração de pessoa pertencente aos povos ciganos do Brasil (seus grupos e subgrupos), assinada e firmada por 2 (duas) outras lideranças de povos ciganos do Brasil indicada pelo participante (Conforme anexo que será disponibilizado nos próximos dias).

Obs1.: Os nomes das 2 (duas) lideranças da etnia devem vir conjuntamente com número de telefone, informações referente a CPF (Cadastro de Pessoa Física) à título de confirmação das informações repassadas.

Obs2.: Entre essas 2 (duas) lideranças que irão firmar o documento, no mínimo 1 (uma) delas, necessitará constar fora da família do candidato.

Obs3.: Entende-se por liderança de pertencimento étnico cigano, pessoas já reconhecidas coletivamente pelas comunidades, de notório saber tradicional e trajetória no meio a que pertence. 

QUEM PODE PARTICIPAR DO EDITAL?

I. Mestras e Mestres ciganos representantes de povos ciganos acima de 40 (quarenta) anos, do Brasil (com seus grupos e subgrupos), com propostas que evidenciem suas contribuições coletivas e comunitárias, o estímulo à preservação da memória coletiva, demonstrando as práticas e conhecimentos transmitidos por essas lideranças, assim como de seu pertencimento étnico ancestral.

Para dúvidas relacionadas ao regulamento do Edital e conteúdo para preenchimento no formulário, deverá entrar em contato com o e-mail premiopuronjandonepuroharano@cahl.ufrb.edu.br 

Para se candidatar, o proponente ou quem vai inscrever o mestre no edital necessita fazer um cadastro na plataforma Prosas.

Disponível em: https://prosas.com.br/editais/17678-premio-puron-jandon-e-puro-harano?subdominio=prosas#!#tab_vermais_descricao 


Ancestralidade Viva: Leila Cabral Nunes - O Tempo que a gente É!

Leila Cabral Nunes, conhecida como Tia Leila, nasceu em 31 de agosto de 1961, em Alto Garças (MT), onde seu pai, José Alves Pereira, era fazendeiro. Filha de José e Isaura Cabral Pereira, passou os primeiros anos de vida acompanhando a família pelas mudanças.

Após a venda da fazenda em Alto Garças, a família mudou-se para Guiratinga, onde Leila foi criada até os quatro anos de idade. Mais tarde, seguiram para Rondonópolis, acompanhando o pai, que continuou trabalhando com fazendas na região. 

Foi nesse período, já na região de Juscimeira, que conheceu seu namorado, com quem mais tarde se casou. Dessa união nasceram seus dois filhos, Albericle e Dayane, que ela considera os presentes mais preciosos que Deus lhe deu.

Com o passar dos anos, a família cresceu com a chegada dos netos Adryan, Ryan, Myrian e Davi. Infelizmente, seu filho Albericle se foi cedo, faleceu aos 39 anos, vítima da COVID-19. Hoje está guardado com amor na memória de Leila e de seus familiares.

Leila vive em Rondonópolis há tantos anos que nem consegue calcular. Ao longo da vida trabalhou muito, construiu sua família e acompanhou a vida dos filhos, entre eles Dayane, que se tornou enfermeira. Hoje, é casada com um professor de Educação Física, onde vivem juntos na cidade.

Aos 64 anos, Tia Leila é feliz com a vida que leva: “Tô aqui, velhinha já, com a graça de Deus, vivendo minha vidinha de cigana. Adoro ser cigana! É minha vida ser cigana!". Uma mulher orgulhosa de suas origens e de tudo o que construiu.

TEXTO: LIVIA FREIRE

FOTOS: TAMI LAGE

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Ancestralidade Viva: Alaor e Hélia - O Tempo que a gente É!

Tio Rei e tia Hélia são casados há mais de 56 anos e vivem em Rondonópolis.

Alaor, carinhosamente conhecido como “Tio Rei”, e Hélia formam um dos casais mais antigos e queridos de Rondonópolis. Lideranças anciãs da comunidade cigana Calon e queridos por todos, tiveram a construção de uma vida inteira dedicada à família e ao trabalho. 

Nascido em 13 de janeiro de 1947, Alaor veio ao mundo em Patos de Minas, Minas Gerais. Filho de José Alves Pereira e Isaura Cabral, cresceu entre as mudanças da família até chegar em Mato Grosso ainda pequeno. Seu pai trabalhava em empreitas e fazia todo tipo de serviço para sustentar a família, carregando consigo a força do trabalho que também marcou a vida de Alaor.

A família passou por Alto Garças e Guiratinga, até se estabelecer em Rondonópolis, cidade onde grande parte dos parentes ciganos vindos de Minas Gerais também construíram suas vidas. 

Foi em Guiratinga que Alaor conheceu Hélia Marcel Pereira, nascida em 28 de março de 1948, em Minas Gerais, na região de Dianópolis. Os dois são primos, se casaram ainda jovens e seguem juntos há 56 anos, construindo uma história de muita parceria.

Depois do casamento, vieram para Rondonópolis, onde vivem há décadas. Somente na casa onde residem atualmente já são 28 anos de memórias construídas. Juntos, tiveram dois filhos, Fábio e Neide, e também os netos Joyce e Gean.

Ao lembrar da própria história, Alaor resume com orgulho aquilo que é característica marcante do casal: “Somos ciganos, somos trabalhador e lutador”. Alaor e Hélia seguem sendo símbolos da memória, da resistência e da presença da cultura cigana Calon em Mato Grosso. Viva Alaor e Hélia!

#MaioCigano #AncestralidadeViva

TEXTO: LÍVIA FREIRE

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Ancestralidade Viva: Nerana Cunha Pereira - O Tempo que a Gente É!

Nerana Cunha Pereira é a segunda homenageada do Ancestralidade Viva #MaioCigano. Nasceu em 2 de novembro de 1952, em Patos de Minas-MG. Apesar de ter vindo embora ainda muito pequena, nos braços da mãe, carrega consigo o orgulho de suas origens ciganas e a memória afetiva da família.

Casada com Euripes Alves Pereira, construiu sua vida entre Cuiabá e Tangará da Serra. Diferente de muitas narrativas associadas ao povo cigano, conta que viajou pouco. Seu pai possuía terras e, depois do casamento, ela e o marido passaram a viver próximos da família, criando raízes sem abandonar a identidade Calon.

Ao longo da vida, trabalhou como vendedora, comercializando enxovais e outros produtos. Sempre reforça, porém, que acima de qualquer ocupação, o que nunca abandonou foi o orgulho de ser cigana. “Nunca neguei”, afirma, dizendo que gosta de sua origem. 

A família aparece como o maior valor em sua vida. Nerana teve três filhos, já falecidos, e fala deles com amor. Hoje, encontra continuidade nos cinco netos e nos dois bisnetos, Laura e Benjamin. 

Nerana é também uma guardiã da língua chibe. Ela conta que ensinou os filhos a falarem e que continua ensinando os netos e bisnetos, porque acredita que a tradição não pode desaparecer. Para ela, preservar a língua chibe é também preservar a identidade cigana.

Sua história é marcada pela saudade das pessoas queridas que perdeu ao longo da vida, mas também pela firmeza com que sustenta sua memória e pertencimento. Ao falar de si, Nerana ressalta: é cigana, sente orgulho disso e deseja que as próximas gerações continuem carregando essa herança.

TEXTO: LIVIA FREIRE
FOTOS: MARIA CLARA AQUINO E KAREN FERREIRA