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quarta-feira, 27 de maio de 2026

Ancestralidade Viva: Nerana Cunha Pereira - O Tempo que a Gente É!

Nerana Cunha Pereira é a segunda homenageada do Ancestralidade Viva #MaioCigano. Nasceu em 2 de novembro de 1952, em Patos de Minas-MG. Apesar de ter vindo embora ainda muito pequena, nos braços da mãe, carrega consigo o orgulho de suas origens ciganas e a memória afetiva da família.

Casada com Euripes Alves Pereira, construiu sua vida entre Cuiabá e Tangará da Serra. Diferente de muitas narrativas associadas ao povo cigano, conta que viajou pouco. Seu pai possuía terras e, depois do casamento, ela e o marido passaram a viver próximos da família, criando raízes sem abandonar a identidade Calon.

Ao longo da vida, trabalhou como vendedora, comercializando enxovais e outros produtos. Sempre reforça, porém, que acima de qualquer ocupação, o que nunca abandonou foi o orgulho de ser cigana. “Nunca neguei”, afirma, dizendo que gosta de sua origem. 

A família aparece como o maior valor em sua vida. Nerana teve três filhos, já falecidos, e fala deles com amor. Hoje, encontra continuidade nos cinco netos e nos dois bisnetos, Laura e Benjamin. 

Nerana é também uma guardiã da língua chibe. Ela conta que ensinou os filhos a falarem e que continua ensinando os netos e bisnetos, porque acredita que a tradição não pode desaparecer. Para ela, preservar a língua chibe é também preservar a identidade cigana.

Sua história é marcada pela saudade das pessoas queridas que perdeu ao longo da vida, mas também pela firmeza com que sustenta sua memória e pertencimento. Ao falar de si, Nerana ressalta: é cigana, sente orgulho disso e deseja que as próximas gerações continuem carregando essa herança.

TEXTO: LIVIA FREIRE
FOTOS: MARIA CLARA AQUINO E KAREN FERREIRA



sábado, 23 de maio de 2026

Tradição Cigana participa de comemoração do dia nacional dos ciganos em escola de Guiratinga

Programação em comemoração ao dia nacional dos povos ciganos contou ainda com cine debate 

A Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT) participou, no último dia 19 de maio (terça-feira) de programação em comemoração ao Dia Nacional dos Povos Ciganos (24 de Maio) da Escola em Tempo Integral Dona Maria de Lourdes Ribeiro Fragelli, no município de Guiratinga.

Realizada pelo grêmio estudantil União Jovem, o projeto Caminhos e Vozes dos Povos Ciganos, ocorreu no período da manhã e contou com a participação especial do grupo de Danças Tradição Cigana, de Rondonópolis. Integrando a rede estadual de ensino, o projeto foi coordenado pelos professores Joaquim Vilela Neto e Selma Ribeiro, esta última também cigana de etnia Calon e integrante da AEEC-MT.

A programação contou com apresentações de dança do Tradição Cigana e a presença do diretor da escola, das coordenadoras Clarice Terezinha Dallabrida e Neuracy trindade Santana, além do ator Ataíde Arcoverde, que é natural e morador de Guiratinga.

Assista ao vídeo da participação do grupo de Danças Tradição cigana na Escola Maria Fragelli:


Além da participação do grupo de danças Tradição Cigana, o evento contou com um cine-debate que exibiu o filme “Caminhos Ciganos” e dois episódios da websérie “Diva e As Calins de Mato Grosso”: episódio 1 Mestra Diva e episódio água Terezinha Alves.

Falando em nome da AEEC-MT, Nilva Rodrigues, que é coordenadora de mulheres da instituição reforçou algumas questões centrais acerca da cultura, das tradições, da identidade do tronco étnico Calon, bem como destacou o combate ao preconceito e ao racismo.

"Eu estou muito feliz com a escola que promove esse projeto, inspirado pela minha prima Selma. Parabéns para todos os alunos e alunas que estão aqui aprendendo mais sobre respeito, cidadania e uma cultura tradicional. Graças a Deus, nós ciganos, em Mato Grosso, deixamos de ser nômades e na segunda geração temos professores, jornalista, advogados, enfermeiros e muitas pessoas ciganas formadas, que alcançaram a educação superior".

Veja no vídeo o discurso de Nilva na íntegra:

 

De acordo com Selma Ribeiro, o público do projeto são os alunos do ensino fundamental II e ensino médio. Segundo ela, o objetivo geral do projeto é proporcionar aos alunos o contato com a história, tradições e lutas dos povos ciganos, destacando sua presença em Mato Grosso.

Além disso, o projeto teve como objetivos compreender a trajetória nômade e a fixação das comunidades em MT; valorizar o papel da mulher cigana (Calin) na preservação da cultura e na conquista de espaços acadêmicos e políticosç; e estimular o pensamento crítico sobre os direitos das comunidades tradicionais.

“O Dia Nacional do Povo Cigano (24 de maio) é uma oportunidade para desconstruir estereótipos e combater o preconceito histórico contra as etnias ciganas. Ao focar em figuras locais, como Mestra Diva e Terezinha Alves, o projeto humaniza a história, conectando o conteúdo acadêmico à realidade do estado de Mato Grosso e promovendo a educação para a diversidade e igualdade racial”, explica Selma, ao acrescentar que:

“Em Guiratinga, não poderia ser diferente, poderemos contar com a participação e mostrar da diversidade cultural destes povos através do grupo Tradição Cigana de Rondonópolis com danças típicas, o dialeto, as vestimentas, na etnobotânica, nos fitoterápicos, na transformação de metais como tachos de cobre, contribuição essencial ao comercio entre tantas outras contribuições”, finaliza Selma.


segunda-feira, 16 de junho de 2025

Líderes dos povos ciganos e aliados se mobilizam por direitos

Ações reivindicam garantias nas esferas política, social e jurídica

Letycia Bond - repórter da Agência Brasil, Publicado em 13/06/2025 - 07:02, São Paulo

O presidente administrativo da Associação Nacional das Etnias Ciganas (Anec), Wanderley da Rocha, lidera um trabalho para que os direitos de seu povo tenham visibilidade no Congresso Nacional e em outras esferas de poder no Estado Brasileiro. Membro da etnia calon, um dos três grupos do povo romani no Brasil, ele tenta convencer mais parlamentares a se sensibilizarem por suas bandeiras, como a produção de dados oficiais, a aprovação do Estatuto dos Povos Ciganos e a proteção contra a violência e o ódio.https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1645855&o=nodehttps://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1645855&o=node

"Sabemos que, na luta dos povos ciganos, hoje, no Brasil, não estamos pedindo nada a ninguém. Nós estamos cobrando o direito de ter direitos. Como autoridade, [os políticos] eles têm que fazer o que é certo”, disse em entrevista à Agência Brasil.

Rocha fundou a Anec, com o objetivo de reunir roma [como também são chamadas as pessoas do povo romani] de todo o país em uma entidade. Atualmente, a associação chega a mais de 30 grupos em 20 estados, incluindo as três etnias ─ rom, sinti e calon. O alagoano destaca que as três etnias não tinham, até pouco tempo atrás, tanto vínculo entre si, mas decidiram se unir para se proteger a partir da coesão.

"Sabemos que nós temos várias demandas, mas entendemos que a luta é só uma. Graças a Deus, tanto a etnia calon como os sinti, de uns anos para cá, fizeram um acordo, entenderam que o Estatuto [dos Povos Ciganos] valeria agora para a nossa geração presente e a vindoura", comemora.

Estatuto dos Povos Ciganos

Apresentado pelo senador Paulo Paim (PT-RS), o Projeto de Lei nº 1387/22 cria o estatuto a que Rocha se refere. A proposta já foi aprovada na Casa, mas estacionou na Câmara dos Deputados.

O debate sobre o estatuto no plenário do Senado Federal foi uma oportunidade para dar visibilidade a denúncias antigas do povo romani, como o racismo e discriminação, também chamada de romafobia ou ciganofobia. 

"Nesse dia, eles pediram a palavra. [Disseram:] 'Paim, nós somos praticamente invisíveis. Queremos o Estatuto", recordou o parlamentar à Agência Brasil. "O Estatuto é um passo importantíssimo na promoção de direitos e na valorização da cultura das comunidades ciganas no Brasil, é uma iniciativa vital para esse setor", sintetiza.

Paim concorda com a percepção de que o povo romani é, historicamente, alvo de discriminação, marginalização e violação de direitos. Outro avanço que a aprovação do texto poderia trazer, destaca o senador, diz respeito à participação das comunidades na formulação das políticas públicas.

Participação social

Para a fundadora e presidenta da Associação Internacional Maylê Sara Kalí (AMSK), Elisa Costa, o governo federal tem conduzido de forma problemática o delineamento do Plano Nacional de Política para Povos Ciganos, instituído em agosto de 2024, pois teria falhado ao não escutar seus beneficiários extensamente.

Ela questiona, por exemplo, que, entre as 20 entidades não governamentais que têm assento no Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial, 18 representam vertentes do movimento negro, e apenas uma, os roma, que é a Associação Nacional das Mulheres Ciganas. A outra instituição que é membro do conselho é a Central Única dos Trabalhadores (CUT).

"Nossa luta pela consulta pública [no Plano Nacional de Política para Povos Ciganos] é porque o governo não tem noção de quem somos", pontua. "A gente continuou sem dados, temos hoje microdados de análise. Se você pensar, temos uma população em situação de grande vulnerabilidade social", diz a líder da AMSK, que estima que a Bahia tem a maior população romani do Brasil.

A diretora de Políticas para Quilombolas e Ciganos, do Ministério da Igualdade Racial (MIR), Paula Balduino de Melo, afirma que a representação dos ciganos se dá pelo Comitê Gestor do Plano Nacional de Política para Povos Ciganos. O comitê tomou posse no final do mês passado. Foram eleitas, por meio de votação, figuras como Wanderley da Rocha, entrevistado nesta reportagem; Rosecler Winter, porta-voz dos sinti; e a calin ─ termo para designar mulheres e meninas do povo calon ─ Nardi Terezinha Casanova. Também foi eleito o líder dos rom Cláudio Domingos Iovanovitchi, porém ele morreu em março deste ano. 

Sem dados

A falta de dados oficiais básicos, como a própria contagem populacional, é uma das críticas históricas das lideranças dos romani ao poder público. Segundo os ativistas, um dos argumentos já ouvidos é o de que a itinerância de alguns grupos dificulta a apuração dos dados. Apesar disso, a realidade é que o nomadismo não é uma característica inerente a todas as comunidades ciganas, e boa parte delas se mantém fixa em um mesmo endereço. 


"Agora, nós não temos dados sobre qual é a maior concentração no país, de uma forma geral. E não ter um levantamento oficial já é uma forma, inclusive, reproduzida e reconhecida por nós até no contexto internacional, de ampliação do anticiganismo, da romafobia", afirma Elisa Costa, que também é diretora do escritório da International Romani Union (IRU) no Brasil. 

Na falta de uma base de dados, a AMSK desagrega dados do Cadastro Único (CadÚnico) e do programa Bolsa Família para mensurar a população romani no país. A entidade verifica o total de pessoas que, mediante autodeclaração, dizem pertencer a Grupos Populacionais Tradicionais e Específicos (GPTE), com marcação “família cigana” em situação de vulnerabilidade social.

Também no final de maio deste ano, foi realizado em Brasília um seminário sobre o Mapeamento Inicial de Famílias Ciganas, Rotas e Redes de Acesso a Políticas Públicas, feito pelo MIR. A pesquisa também usou o CADÚnico, como a AMSK, somado a dados das pesquisas municipais/estaduais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (Munic e Estadic), da Secretaria Especial de Cultura e Artes Integradas (Secai) e do Sistema Único de Saúde (SUS), além de coletas de dados feitas em visitas a ranchos e acampamentos ciganos.

A diretora Paula Balduino de Melo diz que o IBGE participou da apuração dos dados do mapeamento. “Além disso, estamos firmando um acordo de cooperação técnica entre o MIR e o IBGE, que prevê a produção de dados relacionados aos povos ciganos”, antecipou, acrescentando que, caso exista um Censo específico, considera eventuais contribuições do instituto essenciais e que a pasta tem procurado salvaguardar as metas do PNPC, mesmo com cortes orçamentários.

Questionado sobre as críticas dos militantes roma, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não repondeu à reportagem. O problema da falta de pesquisas do instituto sobre esse tema também já foi apontado pelo Ministério Público Federal (MPF), que fez uma recomendação pedindo a inclusão do povo romani no último Censo Demográfico.

Ministério Público Federal

A atuação do Ministério Público na cobrança de maior visibilidade para o povo romani, como no caso do IBGE, é um indício de omissões do Estado nesse trabalho. Essa é a avaliação do subprocurador-geral da República Luciano Mariz Maia, que, em sua época de procurador, foi um aliado na luta pelos direitos dessa população. 

"Não havendo uma agência oficial, não havendo uma Funai [Fundação Nacional dos Povos Indígenas], uma Fundação Cultural Palmares para os ciganos, nós tivemos que construir informação antropológica sobre os grupos ciganos, informação sociológica também e um aprofundamento jurídico. Por isso, o MPF terminou se tornando, no Brasil, a instituição com o maior conjunto de informações antropológicas e jurídicas sobre os ciganos no país. De fato, foi uma mudança muito grande", ressalta. 

Mariz Maia começou a atuar nesse âmbito em 1991, depois de ganhar visibilidade com um projeto em favor dos indígenas potiguara, que vivem no estado em que ele atuava, a Paraíba, e também no Ceará, em Pernambuco e no Rio Grande do Norte.

"Houve uma grande repercussão e isso fez com que o senador Antonio Mariz, que, há muitos anos, defendia os ciganos, identificasse a possibilidade de o Ministério Público cuidar também dos ciganos, enquanto minoria. A experiência com os indígenas vinha de muito tempo já, mas a experiência com os ciganos não existia", comenta Mariz Maia, que também leciona na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e foi recentemente eleito para integrar o Subcomitê de Prevenção à Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes (SPT), da Organização das Nações Unidas (ONU).

"O senador disse assim: tem quem cuide de índio, tem quem cuide de negro, tem que cuide de homossexual, mas não tem quem cuide dos ciganos”, lembra o subprocurador-geral, que, então, perguntou o que teria de ser feito. “Ele disse: ‘vá você conhecer, que aí irá identificar’. Fui, conheci a comunidade dos ciganos em Sousa (PB), em agosto de 1991 e, desde então, temos caminhado juntos".

No sertão paraibano, a comunidade de Sousa, dos calon, é uma das maiores da América Latina e contou com o suporte do Ministério Público Federal (MPF) para a regularização fundiária. Em abril de 2021, o órgão ajuizou uma ação para que fosse declarada a usucapião coletiva de imóveis de quatro comunidades ciganas, em Sousa, distante 432 quilômetros da capital. 

De acordo com o MPF, 522 famílias ciganas tinham fixado residência lá, há 40 anos, "por questões de sobrevivência". Eram, ao todo, 1.845 pessoas, a maior comunidade cigana geograficamente fixada do Nordeste brasileiro, e a área que pleiteavam tinha 171.319,08 m² e fazia parte de um território maior reivindicado.

Ter desempenhado função semelhante em prol dos indígenas potiguaras e, seguidamente, dos ciganos demonstrou a Mariz Maia que os dois enfrentam dificuldades diferentes apesar de algumas semelhanças, pois cada minoria étnica tem suas particularidades. 

"Enquanto indígenas e quilombolas são vinculados à terra, e a terra recebe deles a identidade e também dá a eles a identidade, os ciganos são grupos étnicos que constroem suas fronteiras identitárias por outras razões. Pelo modo de se expressar, eles têm sua língua própria, pelo modo de construir seus hábitos e se organizarem coletivamente, de manterem, de maneira geral e muito intensa, os casamentos dentro da comunidade", explica.

Ao comparar os contextos, o docente paraibano qualifica como "muito mais judicializada" a atuação do MPF no caso dos ciganos. "Nossa atuação acaba sendo de articulação, de coordenação, de um empoderamento das lideranças locais, fazendo com que possamos mediar contatos com prefeituras, secretarias de estado, lideranças governamentais dos vários níveis, para que os ciganos possam localizar suas demandas. Nós damos o respaldo para apresentar a base jurídica dessas demandas e poderem se converter em políticas públicas", detalha Mariz Maia.

Diversidade e violência


Também da Paraíba, o procurador da República José Godoy dá continuidade ao trabalho de acolher as queixas e necessidades do povo romani, em especial, dos calon. Em 2017, fez uma viagem para conhecer as comunidades de Sousa e Patos, que ficam a três horas de carro uma da outra. Na oportunidade, foi apresentado por Mariz Maia e esteve em Condado, que fica entre as duas cidades.

Godoy concorda que o fato de os povos ciganos serem atendidos pelo MPF já expõe o vazio deixado pelas gestões municipais e estaduais. 

"Isso já é sintomático, porque os órgãos locais não os atendem, a não ser que a gente chame. A Defensoria Pública, nos casos em que eles são vítimas, e infelizmente, até nisso tem dificuldade de fazer a defesa deles, quando são criminalizados nas suas atuações. Então, a atuação do MPF já demonstra que não têm acesso a outros órgãos, que deveriam fazer seu papel”. 

Com uma rede de contatos que vai além de seu estado, ele se mantém atualizado sobre o que passa em comunidades de todo o país. "Acho que os povos ciganos, no Brasil, têm uma diversidade muito grande. Não só de moradia, mas diria um pouco quanto a se organizar e até as condições sociais. Aqui no Nordeste, há ciganos muito pobres. Na Bahia, nem tanto, há povos ciganos com uma condição financeira não tão vulnerável. Em São Paulo, tem alguns com condição financeira até interessante. Então, vai ter uma variação", diz ele.

"A única coisa que os une realmente é o preconceito e a violência policial contra eles. Eles sofrem muito preconceito, mais do que qualquer outro [grupo minorizado] com o qual eu tenha trabalhado. Nenhum chega ao nível de preconceito que os ciganos sofrem. E violência policial. Os ciganos da Bahia não são pobres, mas sofreram um processo de assassinato brutal pela polícia. Aqui na Paraíba, tem histórico de violências terríveis. Em todos os espaços, eles são muito violentados", assinala.

Na Bahia, os roma foram vítimas recorrentes de crimes nos últimos anos. Em 2021, uma chacina deixou oito vítimas, executadas por policiais. Em 2022, pelo menos cinco ciganos foram assassinados no estado, e, em 2023, seis pessoas foram mortas dentro de casa, das quais quatro eram do povo romani. 

Perseguição por poderes locais

Godoy acredita que essa atmosfera de perseguição e ódio fez, há algum tempo, com que muitos ciganos quisessem passar despercebidos por não ciganos. Nos últimos anos, entretanto, o procurador acredita que eles intensificaram a luta para serem atores e sujeitos de direitos e não objetos dos preconceitos e das violências.

Para Godoy, os povos ciganos estão legalmente ainda mais desamparados do que os indígenas e os quilombolas. 

"Os povos ciganos ficam à margem do Direito, à margem da cidadania. Há cidades, muitas cidades, que têm legislação contra cigano. É surreal. É inconstitucional? É, mas a força dos poderes locais atua contra eles."

Em 2023, o procurador interveio ao saber que a prefeitura de São João do Rio do Peixe (PB), de gestão de Luiz Claudino de Carvalho Florêncio (PSB) e Regilanio Geraldo de Morais (PSB), havia expulsado ciganos da cidade. Em 2024, Florêncio e Morais, mais conhecidos como Luiz Claudino e Regis Morais, foram reeleitos no primeiro turno, com 82,79% dos votos, e continuam no comando da cidade. A Agência Brasil procurou a prefeitura municipal de São João do Rio do Peixe, mas não teve retorno até o fechamento desta reportagem.

Alguns entrevistados confirmaram à reportagem a existência de leis contra os roma em certas localidades, mas tiveram receio de que a divulgação desses municípios aumentasse o número de apoiadores dessas medidas.

Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2025-06/lideres-romani-e-nao-ciganos-aliados-se-mobilizam-por-direitos

quinta-feira, 22 de maio de 2025

Ancestralidade Viva: Nilva Rodrigues Cunha

Nilva estrela um dos cinco episódios da minissérie Diva e As Calins de MT

Filha de Alda Alves e Ranulfo Rodrigues Cunha, primos de etnia Calon, Nilva Rodrigues Cunha nasceu na barraca, em Mineiros, Goiás, em 20/12/1963.

Durante toda a infância viveu de forma itinerante e vida tradicional Calon, entre diversas cidades de Mato Grosso e Goiás.

Dona de uma beleza memorável, tem seis irmãos, três filhos, Anderson, Andressa e Alfredo e cinco netos. É viúva de Alfredo Macedo, com quem formava uma dupla sertaneja e tinham prazer de cantar.

Tia Nilva, como é mais conhecida pelos muitos sobrinhos, desde há uns 30 anos reside no município de Rondonópolis, onde é uma destacada ativista política, não apenas da comunidade cigana, como participa ativamente das eleições e partidos locais.

Já trabalhou em diversas profissões, como vendedora de enxovais, cozinheira, serviços gerais no Posto de Atendimento em Saúde e corretora.

Além de respeitada pela comunidade mato-grossense por guardar as tradições ciganas, como saber falar a Chibe, é querida por que se preocupa com todos, sempre auxiliando, especialmente em questões de saúde.

Desde a fundação da AEEC-MT é sua diretora de mulheres, participou de eventos do CECT-MT, estrelou um episódio da Minissérie em cinco episódios Diva e As Calins de MT (2022), que pode ser acessado no seguinte link:

https://www.youtube.com/watch?v=aVsRzV9uUYM&t=31s

Viva Nilva! Viva a Ancestralidade Calon!

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quarta-feira, 21 de maio de 2025

Ancestralidade Viva: Francisco Lacerda

 

Atual representante dos povos ciganos no Comitê criado pelo MIR para acompanhar o Plano Nacional de Políticas Públicas para Povos Ciganos

De etnia Calon e líder máximo da maior comunidade cigana fixa da América Latina, na cidade de Sousa (que reúne em torno de 3 mil pessoas), Francisco Lacerda, mais conhecido como Bozzano, é um dos maiores ativistas ciganos hoje do país.

Nasceu na barraca e conhece a vida cigana itinerante nos lombos dos burros e dos cavalos. Despertou o interesse político desde menino, curioso que era, de ver primeiro o avô e depois o pai, seu Coronel, liderarem suas comunidades e famílias.

Passou muitas dificuldades, exclusão e preconceito na infância, mas superou todos os obstáculos, com a força e a resistência da cultura e da identidade Calon.

Sempre admirou os mais velhos e gostava de ouvir as histórias dos comandantes seus ancestrais. O pai tocava violão, era negociante de equinos e fazia artesanato de couro como arreio, chinelo de couro, etc, de quem também herdou esses dons.

Casou-se cedo e formou família. Não frequentou a escola e trabalhou desde cedo. Hoje orgulha-se de ter alguns dos mais de 10 irmãos, terem concluído ensino superior.

Passou a ser o chefe geral das quatro comunidades ciganas locais no período do início da pandemia, em 2021. 

Tem um ótimo trânsito junto ao movimento cigano nacional, e órgãos governamentais como o Ministério da Igualdade Racial (MIR) e o Ministério Público Federal (MPF).

Acabou de ser eleito como membro do Comitê que o Ministério da Igualdade Racial (MIR) criou para acompanhar o Plano Nacional de Políticas Públicas para Povos Ciganos, com 32 votos, sendo o mais votado.

A sabedoria a gente aprende com o sofrimento, com as batalhas e no dia a dia. Nós sabemos conversar e conquistar as pessoas.

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segunda-feira, 19 de maio de 2025

Ancestralidade Viva: Mio Vacite

 

Fundador da primeira associação cigana na década de 1990, Mio Vacite foi embaixador da cultura cigana no Brasil e músico consagrado

Violinista e ativista de etnia Rom, Mio Vacite (in memorian) foi um dos pioneiros no movimento cigano brasileiro.

Tendo nascido e vivido no Rio de Janeiro (RJ), foi fundador do grupo Mio Vacite e o Encanto Cigano (1990), que incluía dois de seus filhos, Marcelo e Ricardo Vacite.

Como ativista participou de inúmeros eventos, incluindo o Brasil Cigano (2012/2013), de conferências de igualdade racial e direitos humanos e foi indicado pela International Federation Roma Inc, que tem estatuto consultivo na ONU, como representante da cultura cigana do Brasil.

Também no início da década de 1990 foi o primeiro cigano brasileiro a fundar uma associação, a União Cigana do Brasil (UCB), que hoje está ativa e em continuidade com a articulação de Marcelo e Ricardo.

Recebeu vários títulos e homenagens: Título de cidadão benemérito de Niterói, Moção de Aplausos, além de carta do Ex – ministro da justiça Dr. Nelson Jobim, por ocasião do I Prêmio de Direitos Humanos.

Pertenceu a Sinfônica Nacional e foi Titular do grupo Violinos do Rio, tocou em Brasília para os Presidentes Sarney e Geisel. Foi membro consultivo da Ordem dos Músicos do Brasil, e conselheiros do Clube do Museu dos Poetas e Compositores do Brasil.

Com o grupo Encanto Cigano, conquistou o Brasil e também fez participações em diversas novelas e programas televisivos, incluindo na rede Globo, tendo sido consultor  músico da novela Explode Coração, de Glória Perez.

Viva Mio Vacite! Viva a Ancestralidade Rom!

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domingo, 18 de maio de 2025

Ancestralidade Viva: Mirian Stanescon Batuli

Mirian foi uma das primeiras ciganas a cursar nivel superio no Brasil, formando-se em direito nos anos de 1970 e foi quem indicou  24 de maio como dia nacional dos ciganos

De etnia Rom Kalderash, brasileira, viúva, mãe de cinco filhos, neta de Nicolas Michael Stanescon e Iordana Stanescon, filha de Lhuba Stanescon - conhecida como BIBI LHUBA.

Técnica em contabilidade, formada pelo Instituto Filgueiras, Rio de Janeiro, e Advogada formada pela Universidade Gama Filho (UGF), uma das primeiras mulheres ciganas a cursar nível superior no Brasil.

Autora do livro “Lilá Romaí – Cartas Ciganas. Delegada Nacional dos Direitos Humanos representando o Povo Cigano e Delegada Nacional da 1ª Conferência de Discriminação e Promoção de Igualdade Racial.

Foi Indicada pela Coordenação Geral da UNESCO, no Rio de Janeiro, como Embaixatriz da Paz. Fundadora da Fundação Santa Sara Kalí, criou 1º templo de Sara Kali na América Latina.

No dia 25 de maio de 2006, em audiência com o Presidente LULA, conseguiu a aprovação do dia Nacional dos Povos Cignaos (24 de maio - Dia de Santa Sara Kalí).

De 2008 à 2012 representou os povos ciganos como Conselheira da CNPIR – Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial.

Escritora da CARTILHA CIGANA: “POVO CIGANO – O DIREITO EM SUAS MÃOS”, a convite da Secretaria de Direitos Humanos do Governo Federal.

Recebeu várias premiações como: medalha de Ordem ao Mérito Cultural 2014, pela Presidente Dilma Rouseff; e Moção e troféu DESTAQUE da Câmara Municipal do Rio de Janeiro..

No mesmo ano, aceitou o convite para integrar a Comissão do Conselho e cadeira de Delegada da OAB/RJ.

Em 2013, teve seu livro “Lila Romaí” como fonte de pesquisa para o Enredo “Cavalo Fiela” da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis.

Em 2019, instituiu no Rio de Janeiro, o Dia Estadual do Cigano e conseguiu o Tombamento da Gruta de Santa Sara Kali, em Patrimônio Histórico-Cultural.

Foi Consultora da Comissão Nacional de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil e da Subcomissão de Povos e Comunidades Tradicionais da OAB Nacional.

Em 06 de setembro de 2022, Mirian fez sua passagem deixando na Terra o legado de seu árduo e importante trabalho.

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quinta-feira, 15 de maio de 2025

Ancestralidade Viva: Venerana Rodrigues Cunha Pereira

 

Tia Nerana estrelou o Episódio Terra da minissérie Diva e As Calins de MT, em 2022.

Venerana Rodrigues Cunha, a “tia Nerana”, nasceu em uma barraca, no município de São Roque de Minas (MG), no dia 02 de novembro de 1951.

Filha de Anésio Rodrigues Cunha e Madalena Maria de Jesus, primos e de etnia Calon, tem 12 irmãos e irmãs.

Viveu muitos anos ao estilo de vida itinerante e desde cedo manifestou o dom do amor, como uma cuidadora nata das sobrinhas.

Casou-se também com seu primo Calon, Eurípedes Alves Pereira no dia 17 de maio de 1969, já vivendo na cidade de Rondonópolis em Mato Grosso.

Com Eurípedes (in memorian), teve três filhos: Romeu, Eurides e Eunice e tem cinco netos: Roger, Rafaela, Lara, Eduardo e Otávio e dois bisnetos, Laura e Benjamim.

Tia nerana e Tio Eurípedes viveram em várias cidades de Mato Grosso como Cuiabá, Juscimeira, até fixarem residência há cerca de 30 anos em Tangará da Serra.

Sempre trabalhou na vida rural, como agricultora com o esposo, até muito recentemente, quando de sua passagem no ano de 2024.

Tia Nerana é uma das mais respeitadas matriarcas calin em MT e é  reconhecida pela amorosidade, pela generosidade, pelo cuidado com as pessoas e as mãos boas para as plantas e para cozinha.

Quer saber mais da história da tia Nerana e também de narrativas ciganas? Basta acessar o episódio Terra da minissérie Diva e As Calins do Cerrado, que ela estrela no Canal do YouTube da AEEC-MT: https://www.youtube.com/watch?v=hm2c3L4ESaE&t=156s

Viva Tia Nerana!  Viva a Ancestralidade Calon!

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quarta-feira, 14 de maio de 2025

AEEC prepara programação especial em comemoração ao Dia Nacional dos Ciganos

Lançamentos audiovisuais, encontro de mulheres e lançamento de campanha nas redes sociais marcam programação do V Encontro de Cultura Cigana de MT

Neste mês de maio, mais especificamente no dia 24 (sábado), comemoramos no Brasil o Dia Nacional dos Povos Ciganos. Para comemorar a data, a Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), preparou uma programação especial de valorização e reconhecimento à contribuição dos três troncos étnicos ciganos, os Calon, os Rom e os Sinti, às culturas e às sociedades mato-grossense e brasileira.

Denominadas como “Maio Cigano – V Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso”, as comemorações ao Dia Nacional dos Povos Ciganos já são tradicionais na AEEC-MT desde sua fundação em 2017. O evento é composto por várias atividades paralelas e ocorre ao longo do ano, com ações concentradas em datas importantes para os povos ciganos. Neste ano, em maio, por exemplo, conta com três ações importantes, sendo duas presenciais e uma online.

A primeira ação, que iniciou no dia 01 de maio, é a Campanha de Valorização dos Povos Ciganos e combate aos preconceitos, racismo e estereótipos, que vem sendo veiculada nas redes sociais da AEEC-MT (@aeecmt). Realizada desde 2021, neste ano o tema da campanha é “Ancestralidade Viva!”, numa referência e homenagem a lideranças ciganas qu contribuíram e contribuem, pois ainda estão vivas, ao movimento social cigano brasileiro e/ou ás comunidades ciganas mato-grossenses.

A atividade ocorre durante todo o mês, com publicações com informações verdadeiras sobre os povos ciganos e biografias das pessoas homenageadas na campanha. Além disso, outras duas programações ocorrerão no município de Tangará da Serra (a 240 km de Cuiabá), entre os dias 23 e 25 de maio. São elas: o III Encontro de Mulheres Ciganas de Mato Grosso e a Mostra Calon Lachon de Audiovisual.

O objetivo principal do V Encontro de Cultura Cigana de MT e também do Encontro de Mulheres Ciganas de MT (que neste ano conta também com o patrocínio do Fundo Casa), é valorizar a ancestralidade dos povos ciganos, especialmente, as mulheres e as lideranças mais antigas, reconhecendo em vida as contribuições e construções que fizeram para a manutenção das culturas, tradições, modos de vida e do patrimônio imaterial ciganos.

“Nas filosofias de vida ciganas, as pessoas mais velhas são respeitadas e valorizadas, pois são os nossos mestres e mestras, que mantiveram tradições e o orgulho em sermos ciganos. Assim, escolhemos lideranças pioneiras, tanto nas comunidades mato-grossenses, quanto em nível nacional, para homenageá-las e reconhecer a contribuição e o reconhecimento dessas pessoas em vida. É também um ato de valorização aos nossos antepassados, que resistiram e possibilitaram que hoje aqui estejamos”, explica a presidente da AEEC-MT, Rosana Matos Cruz.

Mulheres Ciganas

O III Encontro de Mulheres Ciganas de MT deve reunir em torno de 80 a 100 pessoas ciganas em Tangará da Serra, em sua maioria mulheres. Neste ano, com a novidade que terá algumas convidadas ciganas nacionais, que virão de outros Estados especialmente, para participarem do evento.

Entre elas, a Conselheira Nacional de Promoção de Igualdade Racial (CNPIR), representando os povos ciganos, Edvalda Bispo Santos (Bahia), a coordenadora da Roda Cigana – Rede Humanitária e representante dos povos ciganos no Comitê que acompanha o Plano Nacional de Políticas Públicas para Povos Ciganos do Ministério da Igualdade Racial (MIR), Lourdes Côrrea (São Paulo) e a advogada popular Sara Macedo (Goiás).

Já está confirmada também a participação de aproximadamente 30 pessoas da comunidade cigana de Rondonópolis no encontro, sendo uma boa parte delas integrantes do grupo de danças Tradição Cigana, que estão na programação cultural do evento. A programação terá a participação de representantes de instituições como a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) e Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), parceiras e apoiadoras do projeto.

A programação do III Encontro de Mulheres Ciganas, contará ainda com apresentações culturais com artistas ciganos, oficinas de medicina tradicional cigana, com a Mestra da Cultura Mato-grossense, Maria Divina Cabral, a Mestra Diva e oficinas de danças ciganas, com Sara Macedo (Goiânia), e oficina de circo para crianças com Jaque Roque (Cuiabá).

Mostra Calon Lachon – Outro ponto alto deste mês de maio será a exibição de várias produções audiovisuais que abordam a temática dos povos ciganos, na Mostra Calon Lachon de Audiovisual, que ocorre também nos dias 23 e 24 de maio, em Tangará da Serra, complementando a programação cultural do III Encontro de Mulheres ciganas de MT.

A programação da mostra conta com o lançamento de seis curtas metragens produzidos pela AEEC-MT nos últimos dois anos, dos quais cinco são episódios da minissérie “Luzia e As Calins do Cerrado” e sexto é o vídeo “Chibe”. O média-metragem convidado especial da mostra será “De Baixo Das Lonas, Tudo É Mais Bonito!” (2022), dirigido pelo cineasta Calon circense, Roy Rógeres (Bahia). Essa última obra cinematográfica projeta luz para as culturas e tradições do povo cigano e circense ao descortinar a história de Irisma Fernandes, mais conhecida como “Tati, à Cigana”.

Pertencente a etnia “Calon”, Tati é artista da terceira geração dos Fernandes – uma das maiores e mais tradicionais famílias Ciganas e Circenses do Brasil – viveu itinerante em mais de vinte circos, passando por diversos estados brasileiros, até que para assegurar a formação escolar das filhas abdicou da vida nos circos e fixou acampamento na comunidade “Umburaninha”, povoado “Crenguenhem”, na região de Tucano-Bahia/Território Identitário do SISAL, onde as cenas foram gravadas.

Filha primogênita dentre seis, Irisma Fernandes assumiu grandes responsabilidades após a morte precoce do pai – Roy Rogeres Fernandes, assassinado aos 33 anos, durante o espetáculo de matinê do Circo Mexicano. A ela coube manter e repassar as tradições ciganas e circenses aprendidas com o pai, avós, tios e tias para filhos, irmãos e netos.


Luzia e As Calins do Cerrado - Patrocinada pelo Fundo Elas +, a minissérie Luzia e As Calins do Cerrado (2025). aborda em cinco episódios a relação das mulheres do tronco étnico Calon, as Calin, com a natureza e a cultura cigana, consideradas por elas como inseparáveis e únicas. Esta relação inclui a medicina tradicional cigana, um conhecimento transmitido de geração em geração pelas mulheres Calins em Mato Grosso.

A série abre sua temporada no episódio 1, com a matriarca, Luzia Alves Porto, que atualmente reside no município de Sinop. Ela é uma das anciãs mais respeitadas da comunidade Calon mato-grossense. O episódio dois é estrelado com muito bom humor por Zilma Rodrigues Cunha, de Rondonópolis.  O episódio 3 traz os esforços de Audelena Dias Cabral, sua mãe Elídia e sua sogra Francisca, de manterem as tradições ciganas. Elas também vivem em Rondonópolis.

No episódio quatro temos a novidade desta segunda temporada, com a participação especial da ativista e advogada popular de Goiânia (GO), Sara Macedo. Encerrando a temporada, trazemos a empresária e ativista, Fernanda Caiado, de Cuiabá.

Chibe - O último lançamento audiovisual, é o vídeo “Chibe”, que traz um registro da I Oficina de Chibe: Reavivando A Língua Calon”, realizada nas comemorações do Maio Cigano em 2024, também no município de Tangará da Serra.

A programação do V Encontro de Cultura Cigana de MT neste mês de maio, conta ainda com a realização da Assembleia Geral Ordinária da associação, no dia 25 de maio, também em Tangará da Serra, no período entre 08h e 09h. Das programações, apenas as da Mostra Calon Lachon são abertas ao público. As demais são exclusivas para pessoas ciganas e convidadas.

Serviço

O que: V Encontro de Cultura Cigana de MT

Quando: Maio Cigano, concentrado nos dias 23, 24 e 25 de maio

Onde: Chácara WR, Tangará da Serra

Horário: 23/05 – 19h; 24/05 – 08h às 22h; 25/04 – 08h às 09h.

Outras informações:

Redes da AEEC-MT: @aeecmt

Email: aeecmt@gmail.com

Contato de whats: (65) 99911-3473 – Aluízio de Azevedo, Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

Ficha Técnica:

- Realização: Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT) e Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT)

- Presidente da AEEC-MT e produção Executiva: Rosana Cristina Alves de Matos Cruz

- Coordenação Geral e Assessoria de Comunicação: Aluízio de Azevedo

- Tesoureira da AEEC-MT e produção Executiva: Fernanda Caiado

- Coordenação Pedagógica e Direção de Produção: Rodrigo Zaiden

- Produção: kaiardon Produções

- Assistente de Produção Executiva: Jéssika Lorrayne Cabral Lima Leme

- Produções Locais: Aldi Rodrigues, Adriana Angola, Leida Rodrigues Cunha

- Direção de Arte e Designer Gráfica: Tami Gondo

- Assistente de Produção: Kamila Amorim

- Assistente de Produção Local: Simonte Carla Rodrigues

- Fotografia: Maria Clara Aquino

- Mestra da Cultura Mato-grossense: Maria Divina Cabral

- Coordenação de Alimentação: Orceni Rodrigues e Daniel Angola