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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Ancestralidade Viva: Maria Lucia Rodrigues Cunha - O tempo que a gente É!

Maria Lucia com os filhos Simone e Uilton. Foto de arquivo.

Sétima e última filha de Alda Alves Cunha e Ranulfo Rodrigues Cunha, Maria Lucia Rodrigues Cunha Nasceu em 01 de setembro de 1966 em Poxoreu, no sul de Mato Grosso.

Sempre muito orgulhosa em ser cigana, Lúcia como era mais conhecida na família, viveu parte da infância na vida tradicional cigana, de barraca, até que os pais e o seu grupo se mudou e fixou residência no município de Tangará da Serra, então ainda Distrito de Barra do Bugres, no ano de 1972.

No local, conheceu seu marido, Clarito Pereira, com quem teve três filhos, Uilton, Simone e Zezinho (in memorian), além de sete netos:

Kaiky Batista Rodrigues, kayo Eduardo Batista Oliveira, Vitor Hugo Rodrigues Borges, Joaquim Henrique Rodrigues Borges, Kauan Eduardo Fagundes oliveira, Maria Eduarda Fagundes oliveira e Anna Maria Rodrigues Brito.

Lucia e as irmãs Irandi, Nilva, Zilma e Orceni. Foto de Arquivo.

Versada na chibe, a língua dos Calon, Maria Lúcia era muito prendada na cozinha, com um tempero único que herdou da mãe Alda. Carinhosa e amorosa, herdou dos tios o traço da negociação e era uma verdadeira gambireira, de carros, de móveis, imóveis e o que aparecesse em suas mãos.

Sempre estava presente nas reuniões de família, sendo uma das primeiras a chegar e uma das últimas a sair. Tinha uma voz mansa, suave e sempre num tom baixo, que encantava qualquer um que a ouvia e raramente saia do sério ou ficava brava. Foi uma irmã e uma filha muito presente na vida dos pais e dos seis irmãos, especialmente, do mais novo, Ranulfinho.

Um dos seus lazeres favoritos era jogar baralho (truco, pife, bisca e qualquer outro jogo), além de dominó e fazer a fé num bingo. Também adorava pescar e sempre que podia estava na beira de um rio e da natureza. Outra paixão era a música sertaneja, com cantores como Amado Batista, Gino e Geno e Roberta Miranda.

Maria Lúcia faleceu no dia 19 de fevereiro de 2023, em decorrência da complicação de um câncer de pulmão e não tivemos tempo de fazer uma homenagem a ela enquanto viva, então, a AEEC-MT encerra a campanha Ancestralidade Viva – O tempo que a Gente É! Deste ano com uma homenagem póstuma à Lucia, com algumas fotos da família, cedidas pelos filhos Simone e Uilton.

Também postamos um vídeo com ela pescando, uma das coisas que mais gostava de fazer.

Viva Maria Lucia Rodrigues Cunha – Ancestralidade Viva!

TEXTO: ALUÍZIO DE AZEVEDO

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Ancestralidade Viva: Olga Alves de Matos - O tempo que a gente É!

Olga é um baluarte da cultura cigana em Cuiabá. Foto: Jeomara Viegas.

Olga Alves Pereira de Matos é filha de um cigano e de uma não cigana e viveu os primeiros anos da infância acompanhando a rotina itinerante da família. Naquele período, seu pai trabalhava com a compra, venda e troca de animais, levando a família por diferentes regiões até se estabelecerem em Mato Grosso. Criada em Guiratinga, mais tarde mudou-se para Cuiabá aos 18 anos, cidade onde vive até hoje,.

Ao lado das irmãs, trabalhou como empregada doméstica e, posteriormente, encontrou no bordado uma nova profissão após realizar um curso na área. Passou a atuar em uma fábrica de uniformes, atividade que considera uma etapa importante de sua vida.

Foi também na igreja que encontrou outro dos grandes pilares de sua história. Membro da Assembleia de Deus desde a infância, conheceu seu esposo, Adonias José de Matos, no coral da congregação. Os dois se aproximaram por meio das atividades da igreja e construíram uma união duradoura, formando uma família com os filhos Rosana e Raul.

Olga durante o VI Encontro de Cultura Cigana de MT, em Rondonópolis. Foto: Tami Lage

Olga descreve sua vida como abençoada. Recorda com carinho o esforço dos pais para garantir o sustento da família e destaca o cuidado do marido ao longo dos anos. Para ela, a convivência familiar sempre foi uma das suas maiores riquezas.

Entre as lembranças mais difíceis está a perda do neto Renato Vitor, falecido aos 18 anos em um acidente de moto. Mesmo diante da dor, encontrou na fé a força para seguir em frente. Segundo ela, foi Deus quem lhe deu paz nos momentos mais difíceis e a ajudou a transformar a angústia em esperança.

De sua herança cigana, guarda principalmente o valor da união familiar. Embora muitas tradições tenham se transformado ao longo das gerações, ela acredita que o amor entre os parentes e o gosto por reunir a família permanecem. Por isso, considera importantes os Encontros de Cultura Cigana, que ajudam a combater preconceitos ainda existentes.

Irandi, Olga, Coraci, Luzia e Cida: matriarcas da comunidade Calon de MT. Foto: Tami Lage

Quem convive com Olga logo percebe uma de suas características mais marcantes: a tranquilidade. Ela se define como uma pessoa de fácil convivência, que evita conflitos e prefere refletir antes de responder. Essa postura, segundo ela, acompanha sua vida desde a infância e é algo de que se orgulha.

Hoje, mesmo convivendo com o Parkinson, que afetou sua voz e parte de sua rotina, Olga segue participando da vida da igreja, acompanhando os encontros da comunidade e valorizando os momentos ao lado da família. Com gratidão, resume sua caminhada de forma simples: uma vida guiada pela fé, pelo amor e pela certeza de que foi cuidada por Deus em todos os momentos.

TEXTO: LÍVIA FREIRE

domingo, 31 de maio de 2026

Ancestralidade Viva: Francisca e Francisco Pereira - O Tempo que a gente É!

Francisco de Assis Santos nasceu em Bambuí, Minas Gerais, no dia 18 de outubro de 1953. Ainda jovem, aos 17 anos, deixou sua terra natal e veio para Mato Grosso, estado onde construiu sua vida e permanece até hoje. Trabalhador dedicado, iniciou sua carreira na zona rural. Mais tarde, mudou-se para a cidade, onde trabalhou por 23 anos na empresa Comercial Rio Negro.

Foi em Mato Grosso, na região de Guiratinga e Beira Rio, que Francisco conheceu Francisca Pereira dos Santos, nascida em 16 de outubro de 1956, em Guiratinga, Mato Grosso.

Filha de José Alves Pereira e Isaura Cabral, Francisca cresceu vivendo a tradição cigana ao lado de sua família. Até os 15 anos, viveu viajando com os pais, acompanhando a rotina cigana, até que seu pai comprou um sítio e a família passou a viver no interior.

Ela relembra que, por conta das dificuldades da época e da vida itinerante, não teve oportunidade de estudar, mas aprendeu desde cedo o valor do trabalho e da união familiar.

Foi nesse contexto que Francisco encontrou Francisca. Depois do casamento, passaram a viver em Rondonópolis, onde construíram a família. Casados há mais de 42 anos, Francisco e Francisca tiveram dois filhos, Antony e João Miguel. Ambos se formaram e deram ao casal seis netos, entre eles José Arthur, que também segue com os estudos.

Francisco afirma que, depois de mais de 43 anos convivendo junto da família cigana, também se considera cigano: “Eu já me considero cigano também e queria aproveitar para dizer que amo todos eles. É uma família muito boa, que me ajudou muito quando adoeci”.

Francisca também demonstra com convicção o amor por suas origens: “Eu amo ser cigana, eu tenho orgulho de ser cigana e eu amo a minha tradição cigana!”. Em seu relato, ela relembra com carinho a experiência de participar da peça de teatro “Dai Purim”, atuando pela primeira vez como atriz no grupo Rarripe, durante o VI Encontro de Cultura Cigana.

TEXTO: LÍVIA FREIRE

Ancestralidade Viva: Cida Alves - O tempo que a gente É!

Aparecida Alves, durante a Assembleia Geral Ordinária da AEEC-MT que ocorreu em 01 de maio. Foto: Tami Lage.

Aparecida Alves nasceu no ano de 1956, em Jatai-GO. Filha de pai cigano e mãe não cigana, passou a infância em barracas, viajando em tropas até cerca dos 10 anos de idade, quando seu pai decidiu deixar a vida itinerante e se estabelecer como morador.

Começou a trabalhar muito cedo como empregada doméstica, profissão que exerceu durante grande parte da vida, assim como algumas de suas irmãs. Teve três filhos, um deles, infelizmente, partiu cedo, aos seis anos de idade.

Mais tarde, encontrou um companheiro com quem viveu por dezoito anos. Durante esse relacionamento, criou também uma filha do coração, Delícia, por quem guarda enorme carinho e consideração. Ao longo da vida, trabalhou em diferentes áreas: além do trabalho doméstico, teve uma mercearia, vendeu roupas e roupas de cama e também trabalhou em escritório de empresa. 

Mãe, avó e bisavó, considera a família uma das maiores bênçãos de sua vida. Há mais de uma década dedica grande parte do seu tempo ao cuidado de seu neto.

Aparecida afirma que sempre carregou consigo os ensinamentos do pai: ser honesta, trabalhadora e manter a união familiar. Também guarda lembranças afetivas da infância nas barracas, das noites ao redor da fogueira e da mãe lendo romances para a família ouvir antes de dormir.

Acredita que, apesar do preconceito histórico enfrentado pelos ciganos, atualmente existe um reconhecimento maior da cultura e das lutas de seu povo. Os encontros culturais da AEEC-MT, segundo ela, são um dos fatores que têm fortalecido o sentimento de união e pertencimento.

Viva Cida! Viva os povos ciganos!

TEXTO: LÍVIA FREIRE

Ancestralidade Viva: Anésio Divino Rodrigues Cunha - O tempo que a gente É!

Anésio é morador de Tangará da Serra desde os 15 anos. Foto: Maria Clara Aquino.

Anésio Divino Rodrigues nasceu em Alto Garças no dia 20 de abril de 1959 e é pai de cinco filhos, Vitor, John Lennon, Hélida, Samuel e Isadora, e avô de um neto. 

Anésio tem muito respeito por suas origens. Para ele, todos os ciganos merecem sua consideração. Agradecido a Deus por ser cigano, afirma que nunca desfez de ninguém e que sempre buscou agir de forma honrada. Segundo ele, por onde passou conquistou o carinho das pessoas e se tornou alguém respeitado na comunidade em que vive.

Sua história em Tangará da Serra começou aos 15 anos de idade. Quando chegou à cidade, a realidade era bem diferente da atual: não havia energia elétrica como hoje, apenas motor de luz, as ruas não eram asfaltadas e as casas de alvenaria eram raras, predominando as construções de madeira ou “casa de tábua”, como diz ele. 

Anésio Rodrigues foi um dos oficneiros da Oficina de Chibe, 
que ocorreu em Tangará da Serra em maio de 2024. Foto: João Aquino.

Foi ali que permaneceu e construiu sua vida. Até hoje vive em Tangará da Serra, onde formou sua família e conquistou sua independência trabalhando como corretor.

Ao falar de sua atuação, faz questão de pontuar sua honestidade. Segundo ele, seus negócios são feitos de forma correta, sem “sacanagem” ou “negócio torto”, sempre de maneira alinhada e transparente. E mais: com sucesso! Anésio é bom de venda.

Nosso homenageado de hoje é um grande homem, trabalhador, querido por todos e muito orgulhoso em ser cigano. Viva, Anésio!

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Ancestralidade Viva: Nerana Cunha Pereira - O Tempo que a Gente É!

Nerana Cunha Pereira é a segunda homenageada do Ancestralidade Viva #MaioCigano. Nasceu em 2 de novembro de 1952, em Patos de Minas-MG. Apesar de ter vindo embora ainda muito pequena, nos braços da mãe, carrega consigo o orgulho de suas origens ciganas e a memória afetiva da família.

Casada com Euripes Alves Pereira, construiu sua vida entre Cuiabá e Tangará da Serra. Diferente de muitas narrativas associadas ao povo cigano, conta que viajou pouco. Seu pai possuía terras e, depois do casamento, ela e o marido passaram a viver próximos da família, criando raízes sem abandonar a identidade Calon.

Ao longo da vida, trabalhou como vendedora, comercializando enxovais e outros produtos. Sempre reforça, porém, que acima de qualquer ocupação, o que nunca abandonou foi o orgulho de ser cigana. “Nunca neguei”, afirma, dizendo que gosta de sua origem. 

A família aparece como o maior valor em sua vida. Nerana teve três filhos, já falecidos, e fala deles com amor. Hoje, encontra continuidade nos cinco netos e nos dois bisnetos, Laura e Benjamin. 

Nerana é também uma guardiã da língua chibe. Ela conta que ensinou os filhos a falarem e que continua ensinando os netos e bisnetos, porque acredita que a tradição não pode desaparecer. Para ela, preservar a língua chibe é também preservar a identidade cigana.

Sua história é marcada pela saudade das pessoas queridas que perdeu ao longo da vida, mas também pela firmeza com que sustenta sua memória e pertencimento. Ao falar de si, Nerana ressalta: é cigana, sente orgulho disso e deseja que as próximas gerações continuem carregando essa herança.

TEXTO: LIVIA FREIRE
FOTOS: MARIA CLARA AQUINO E KAREN FERREIRA



quarta-feira, 29 de abril de 2026

VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso

Música, dança e teatro, seminário de direitos humanos, encontro de mulheres e atividades para o público infantil integram a programação do evento.
Foto: Maria Clara Aquino

O Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso é um projeto guarda-chuva, que ocorre ao longo do ano, de forma presencial e virtual, nos três maiores municípios com comunidades ciganas de MT (Rondonópolis, Tangará da Serra e Cuiabá).  

As programações principais do evento são concentradas no mês de maio, marcando o Dia Nacional dos Povos Ciganos (24 de maio). Em 2026, a maior etapa presencial ocorrerá entre os dias 01, 02 e 03 de maio, no município de Rondonópolis (a 220 km de Cuiabá), com a presença de 150 convidados/as ciganos de seis municípios de MT, além de seis convidados ciganos nacionais, vindos de outros Estados.

O Encontro presencial em Rondonópolis terá uma programação recheada. Algumas delas já clássicas, como o IV Encontro de Mulheres Ciganas de Mato Grosso, que conta com a oficina de medicina tradicional com a mestra da cultura mato-grossense, Maria Divina Cabral. Outra programação no local será a Mostra Calon Lachon, que promove a exibição de filmes com a temática cigana e preferencialmente produzidos por pessoas ciganas. Pensando na participação integral das mães, o evento terá uma programação especial para crianças e adolescentes, com várias oficinas, como de natação e de fotografia.

Evento será a vertente política do VI Encontro de Cultura Cigana de MT. Arte: Tami Gondo.

Uma das novidades deste ano do encontro presencial em Rondonópolis, será a realização do I Seminário Estadual de Direitos Humanos dos Povos Ciganos de Mato Grosso. O evento paralelo é executado em parceria com o Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH/MT) e o Conselho Estadual de Promoção de Igualdade Racial de Mato Grosso (CEPIR/MT).

O Seminário contará com a participação de representantes nacionais do movimento social cigano, como a conselheira nacional de Igualdade Racial, Edvalda Bispo dos Santos e a representante dos povos ciganos no Comitê Gestor criado para acompanhar o Plano Nacional de Políticas Públicas para Povos Ciganos, Lourdes Correia. 

Os dois órgãos são vinculados ao Ministério da Igualdade Racial (MIR), que neste ano é um dos patrocinadores principais do Encontro, por meio de aprovação no Processo Seletivo do Edital nº 01/2025, no âmbito Secretaria de Políticas Para Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Povos de Terreiros e Ciganos do Ministério da Igualdade Racial/PNUD BRA/24/009 – Apoio à implementação da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola, e fortalecimento dos povos ciganos, de matriz africana e de terreiros. 

Membros do Coletivo Ciganagens, o cigano circense, Roi Rógeres (Salvador - BA), a advogada popular, Sara Macedo (Goiânia - GO)  e Desirèe Almdeida Matos (Rio de Janeiro - RJ) também participarão do evento.

Os encontros de cultura cigana de MT ocorrem anualmente, sempre no mês de maio, entre Rondonópolis, Tangará (foto) e Cuiabá. Foto: Ju Queiroz.

Núcleo de Artes Cênicas – Tradição Cigana - Outra novidade da programação do VI Encontro de Cultura Cigana de MT neste ano, em Rondonópolis, será a participação especial das integrantes do Projeto de Formação em Teatro “Rarripe – Ciganos em Cena”. A vivência reúne 13 mulheres ciganas da comunidade de Rondonópolis. Este é o primeiro grupo de teatro cigano composto exclusivamente por atrizes ciganas do Brasil.

Os encontros do Rarripe ocorrem desde o dia 07 de fevereiro deste ano, todos os sábados, encerrando o primeiro módulo no dia 30 de abril, com pelo menos 12 encontros presenciais. Já está prevista a continuidade do curso no segundo semestre deste ano, por meio de um convênio de apoio direto da Secel/MT.

13 mulheres ciganas da comunidade de Rondonópolis estão experimentando o teatro pela primeira vez. Foto: Aluízio de Azevedo.

A vivência é composta por várias oficinas e temas relacionados às áreas técnicas do teatro e artes cênicas, como iluminação, som, cenário e figurino e de iniciação ao teatro. Ao final, será construída uma peça montada com a temática cigana para o grupo se apresentar em eventos não apenas ciganos, como também outros eventos artísticos e culturais.

As pessoas participantes do Rarripe farão algumas intervenções teatrais durante a programação do evento no município, entre os dias 01 e 02 de maio. A maioria das atrizes do grupo são mulheres com idades acima de 50 anos.“Rarripe” na língua Chibe do tronco étnico Calon pode ser traduzida como “ilusão” ou “ficção” ou “mentira”. O nome foi escolhido, para também quebrar os estereótipos e preconceitos seculares em torno das pessoas ciganas, que são grandes mentiras inventadas e que, infelizmente, ainda permeiam o senso comum e o imaginário da sociedade não-cigana.

Além disso, também já está prevista a participação do grupo de danças Tradição Cigana, que vem ensaiando desde março para apresentar de forma coletiva e com apresentações individuais.

Núcleo de artes cênicas ofertou vivência em teatro e curso de dança cigana no primeiro semestre de 2026. Foto: Aluízio de Azevedo.

Ancestralidade Viva – Do ponto de vista virtual, o principal produto é a campanha Maio Cigano, que ocorre durante os 30 dias do mês e tem como objetivo valorizar a história e cultura ciganas, bem como combater estereótipos, preconceitos e racismo contra os povos ciganos – o anticiganismo ou ciganofobia. Na campanha em 2025 (quinta edição) alcançamos a incrível marca de 50.000 views na página do Insta da AEEC/MT (https://www.instagram.com/aeecmt/). Neste ano, a meta é ultrapassar as 60 mil visualizações.

Objetivos - Já tradicional no Estado, o encontro nasceu em Cuiabá em 2017, com o nascimento da AEEC-MT e desde a 3ª edição (2021) conta com parceria fixa e anual da Secel-MT. Neste ano, parte do evento é realizado com recursos de um convênio direto da pasta e também por meio do Edital de Seleção Pública Nº 24/2024/SECEL/MT – Rede Estadual de Pontos de Cultura de Mato Grosso – Cultura Viva do Tamanho do Brasil – Fomento à Projetos Continuados de Pontos de Cultura – Edição Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura – PNAB I, Processo – Secel-PRO-2024/09183, Termo de Compromisso Cultural Nº 24/2025/01731.

Evento entrou no calendário cultural do Estado. Arte: Tami Gondo.

Trata-se da principal ação para cumprir a missão da AEEC-MT, que é justamente salvaguardar, valorizar, reconhecer, registrar e disseminar as culturas ciganas e seus bens imateriais, saberes, histórias, memórias, modos de vida e organização socioculturais, organização política, rituais e mitologias.

Um dos objetivos principais é garantir aos diversos públicos ciganos mato-grossenses o acesso a meios de fruição e aparatos de lazer e cultura. A ideia é proporcionar intercâmbio cultural entre as comunidades ciganas e facilitar intercâmbio intergeracional, entre nossas crianças, jovens, adultos e anciãos, despertando o orgulho em ser cigano nas comunidades.

Vitrine principal da AEEC, os Encontros de Cultura são produzidos por uma equipe composta em sua maioria por profissionais de origem cigana, inclusive as coordenações geral e adjunta. Garantimos que pelo menos 50% dos profissionais contratados para execução do projeto pertencem às etnias ciganas.

Outro objetivo importante é estimular o protagonismo social das pessoas ciganas, valorizando artistas e mestres da cultura, de maneira a visibilizar as manifestações culturais ciganas já existentes nas comunidades e potencializá-las financeiramente e comunicacionalmente, na sua divulgação.

Além disso, o projeto visa: construir novos e melhorados imaginários sociais acerca dos povos ciganos, a partir dos próprios olhares e vozes ciganas, com o registro e difusão de suas memórias, narrativas, iniciativas identitárias, valores e tradições, quebrando estereótipos e preconceitos e ampliando os instrumentos de combate ao racismo contra os povos ciganos, definido como anticiganismo.

Uma das principais ações do evento é a campanha Ancestralidade Viva que valoriza os anciãos e anciãs ciganas, como a Calin Olga Alves de Matos Cruz (vestido de bolinha). Foto: Jeomara Viegas.

Programação Diversificada - Os eventos agregam uma programação diversificada, com ações paralelas, como a “Mostra Calon Lachon de Audiovisual (quarta edição)”, a “Exposição Diquela” (segunda edição), a campanha de comunicação para as redes sociais “Maio Cigano” (sexta edição) e um grande encontro presencial reunindo em torno de 150 pessoas nas quatro últimas edições (2023, 2024, 2025 e 2026).

Em 2026, o grande encontro do Festival será em Rondonópolis, quando ocorrerão movimentos políticos, discussões sobre políticas públicas e oficinas de saberes ciganos, como medicina tradicional, dança cigana e língua cigana, etc. A Mostra Calon Lachon, em 2026, ocorrerá em Cuiabá e em Rondonópolis, reunindo os principais filmes e vídeos produzidos por cineastas ciganos de MT e de outros Estados. Em Rondonópolis, a mostra acontece durante três dias integrando a programação do grande encontro presencial.

Em Cuiabá, a Mostra começará no dia 05 de maio, com uma exibição no Circo Leite de Pedras, a partir de 19h, com a presença do Diretor cigano circense, Roi Rógeres Fernandes Filho. Além disso, a mostra ocorrerá em outras três datas, sempre às sextas-feiras do mês de maio: 15, 22 e 29, sempre às 19h, no Ateliê Kaiardon, localizado no Centro de Cuiabá.

Exposição ocorre pelo segundo ano consecutivo, em Cuiabá (foto de 2024) e pela primeira vez em Tangará da Serra. Foto: Maria Clara Aquino.

Aliás, o espaço também receberá a Exposição Diquela durante o mês de maio, quando nesses dias também estará aberta à visitação pública. A Abertura também ocorrerá no dia 05 de maio, a partir das 16h. Integrando a Exposição Diquela e a Mostra Calon Lachon, no mesmo dia, a partir de 18h30 acontecerá um cortejo que sairá do ateliê e irá até o Circo Leite de Pedras.

Já em Tangará da Serra, tanto a Exposição Diquela quanto a Mostra Calon Lachon, acontecerão no Centro Cultural da cidade, acolhendo trabalhos fotográficos, instalações, poesias e videoarte com a temática cigana e que, preferencialmente, sejam de autoria de pessoas ciganas. A exposição abrirá no dia 04 de maio e permanecerá aberta no município até o dia 05 de junho, quando encerra com exibição de filmes da Mostra Calon Lachon, no anfiteatro do Centro Cultural.

Texto: Aluízio de Azevedo