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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Artista de MT transforma herança cigana em arte reconhecida no mundo

 

Exposição organizada pela ONU reúne e reconhece artistas minoritários de vários países.

Helena Werneck - Especial para o GD - redacao@gazetadigital

O artista cigano mato-grossense Aluízio de Azevedo, 46, tem seu trabalho reconhecido internacionalmente com mostra em Genebra, na Suíça. Autodidata nas artes plásticas, ele teve obras selecionadas para a exposição “Arts, Minorités & Droits Humains” (Artes, Minorias e Direitos Humanos), na Organização das Nações Unidas (ONU), que foi aberta ao público no dia 31 de julho e segue exposta até o fim de agosto.

Nascido em Tangará da Serra e radicado em Cuiabá, o pintor, cineasta, jornalista, escritor e pesquisador transformou as raízes ciganas, a infância vivida na zona rural e a paixão pela arte em uma trajetória reconhecida dentro e fora do Brasil.

A arte entrou na vida de Aluízio antes mesmo da alfabetização. Ainda criança, aos três ou quatro anos, ele insistia para que os pais lessem contos e histórias ilustradas. Entre livros como Branca de Neve e Chapeuzinho Vermelho, nasceu um encantamento pelas imagens que, décadas mais tarde, atravessaria pinturas, filmes, poemas, contos, crônicas e pesquisas acadêmicas.

"Eu chorava para os meus pais lerem histórias para mim. Meu pai tinha uma coleção de livros dos clássicos da literatura. Eu ficava vendo aqueles desenhos, achava aquilo incrível e isso me inspirou muito", recorda.

O interesse pelo desenho ganhou força durante os primeiros anos escolares. Já a dedicação efetiva à pintura começou por volta dos 23 ou 24 anos. Aos 26, ele passou a encarar a produção artística de maneira mais profissional. A formação, no entanto, aconteceu principalmente pela experimentação, pela leitura e pela observação.

"Eu sempre fui muito autodidata. Nunca fiz nenhum curso. Já li muito sobre arte, adoro ler sobre história da arte e conheço os movimentos artísticos europeus. Alguns me inspiram muito, assim como a arte regional", revela.

Uma das pessoas decisivas nesse processo de aprofundamento e profissionalização foi a artista plástica Eliana Mara. A convivência com a pintora mostrou que aquilo que ainda ocupava o espaço de passatempo poderia se transformar em profissão.

"Ela me incentivou muito e me inspirou demais a começar de uma forma mais profissional, e não ser somente um hobby", conta.

Embora a pintura ocupe lugar central em sua trajetória, Aluízio se define como um multiartista. Além das artes visuais, atua na literatura, no cinema, na pesquisa acadêmica e no jornalismo.

"Eu pinto, desenho, faço poemas, contos e crônicas, escrevo, faço cinema, sou especialista em cinema, trabalho com roteiros e já fiz algumas consultorias para o teatro. Gosto muito de todas as artes", detalha

O jornalismo acabou se tornando a profissão responsável por garantir estabilidade financeira, mas ele admite que gostaria de viver exclusivamente da produção artística. "Se eu pudesse, seria só artista. Porém, é muito difícil se manter no mercado artístico e na indústria cultural, principalmente para os artistas independentes".

Educação abre portas 

A história de Aluízio começou em uma comunidade rural de Tangará da Serra, onde passou a infância sem energia elétrica e água encanada. A rotina era sustentada pela agricultura de subsistência e um rádio a pilha era praticamente o único contato com o mundo exterior.

"A gente vivia da subsistência daquela comunidade rural. Plantava, mas não tinha nada de luxo. A única tecnologia era um radinho", relembra o artista.

O caminho entre aquela realidade e a atuação profissional nas artes foi construído principalmente por meio da educação. Seus pais voltaram a estudar já adultos e se tornaram professores, mudança que transformou a realidade da família.

"Meus pais conseguiram romper essa bolha econômica e social. Estudaram depois de adultos. Minha mãe virou professora e meu pai também. Eu fiz graduação, mestrado, especialização em cinema, doutorado e pós-doutorado. A educação e a ciência foram abrindo portas e lugares que ajudaram a construir a minha trajetória como artista."

Arte como resistência

Tela Bandeira Cigana Revisitada é uma das obras que estão na exposição.

Sua produção artística também dialoga diretamente com a identidade cigana e com a luta contra o preconceito.

"Sair desse lugar de exclusão social, ainda mais sendo cigano e trabalhando essas questões, é muito desafiador. Existe um racismo estrutural muito forte, preconceito e um imaginário social que a gente precisa quebrar", pontua o jornalista.

Para Aluízio, artista vai muito além de produzir belas imagens.

"Ser artista, para mim, é ser alguém visionário, que consegue olhar à frente do seu tempo, fazer leituras e críticas sociais, culturais, econômicas e políticas. O artista consegue transcender a mera realidade."

Carreira e trajetória

Um dos marcos de sua carreira foi o lançamento do documentário Calon: Olhares Ciganos, em 2012, obra que ampliou sua atuação no audiovisual. A carreira também o levou a Brasília, onde trabalha como servidor concursado do Ministério da Saúde, e ao Rio de Janeiro, onde realizou doutorado e pós-doutorado na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), antes de retornar a Mato Grosso.

O reconhecimento internacional veio em 2023, quando teve trabalhos selecionados para uma mostra promovida pelo Escritório de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, voltada a artistas pertencentes a grupos minorizados.

"Ter o meu trabalho reconhecido internacionalmente é uma maravilha, é uma consagração. É também uma forma de divulgar, estar em uma galeria internacional, conhecer outros artistas e fazer trocas culturais."

Mato Grosso é cultura

Ao falar sobre a produção cultural mato-grossense, Aluízio afirma que o Estado possui artistas capazes de ocupar qualquer circuito nacional ou internacional, mas ainda enfrenta dificuldades relacionadas ao financiamento e à valorização da cultura.

"Os artistas regionais, cuiabanos e de Mato Grosso são artistas de primeira linha. Não perdem em nada para produções nacionais e internacionais", garante.

Aluízio Indica

Questionado sobre quais artistas recomenda ao leitor conhecer, ele cita três nomes que considera fundamentais para compreender a arte produzida em Mato Grosso.

João Sebastião Costa (1949–2016) foi pintor, desenhista, professor e um dos maiores representantes das artes plásticas mato-grossenses. Conhecido pelas pinturas que retratam a fauna, a cultura popular e, especialmente, a onça-pintada, tornou-se uma referência para diferentes gerações de artistas. "O Sebastião Costa me toca muito. Trabalhei com ele em uma exposição em homenagem à Maria Taquara. Ele me inspira demais."

Gervane de Paula (1961–) é um dos principais nomes da arte contemporânea brasileira produzida em Mato Grosso. Pintor, escultor e curador, leva para suas obras temas ligados ao Pantanal, ao Cerrado, às questões sociais e à identidade regional. "Gervane de Paula é muito maravilhoso."

Adir Sodré (1962–2020) foi um dos artistas mais importantes da chamada geração contemporânea das artes plásticas mato-grossenses. Suas pinturas, marcadas por cores vibrantes e forte crítica social, tornaram-se referência nacional e ajudaram a consolidar Mato Grosso no circuito artístico brasileiro. "O Adir Sodré me inspira muito. É um artista incrível."

"A gente não perde nada para o circuito nacional. O que temos é menos dinheiro, menos reconhecimento e menos incentivo financeiro", conclui.

Exposição

Exposição abriu em 30 de julho e permanece até 30 de agosto no Lago Quai Wilson.

A exposição internacional “Arts, Minorités & Droits Humains” (Artes, Minorias e Direitos Humanos) é pública e apresenta o trabalho de 30 artistas pertencentes a grupos minoritários e oriundos de diversos países.

Todos os 30 artistas convidados, incluindo Aluízio de Azevedo, que também é ativista e Conselheiro Estadual de Promoção de Igualdade Racial de Mato Grosso (CNPIR/MT), foram vencedores de uma das cinco edições do prêmio para artistas minoritários, que também é organizado pelo Escritório de Direitos Humanos da ONU. O artista cigano brasileiro recebeu menção honrosa no prêmio em 2023.

A exposição estará disponível aos visitantes do lago a partir do dia 31 de julho e seguirá aberta até o dia 31 de agosto de 2026. 

A organização do evento programou visitas guiadas nos dias 02 (15h às 16h, horário local/) e 04 de agosto (18h à 19h, horário local).

Disponível em: https://www.gazetadigital.com.br/editorias/cidades/artista-transforma-heranca-cigana-em-arte-reconhecida-no-mundo/854686

terça-feira, 28 de julho de 2026

Artista Cigano de MT participa de Exposição Artes Minorias e Direitos Humanos da ONU

 
Exposição será no Lago de Genebra, Suíça, entre 31 de julho e 31 de agosto

O multiartista cigano de etnia Calon de Mato Grosso, Aluízio de Azevedo, é um dos 30 artistas convidados a integrar a exposição internacional “Arts, Minorités & Droits Humains” (Artes, Minorias e Direitos Humanos), uma exposição pública que apresenta o trabalho de 30 artistas pertencentes a grupos minoritários e oriundos de diversos países.

Todos os 30 artistas convidados, incluindo Aluízio de Azevedo, que também é ativista e Conselheiro Estadual de Promoção de Igualdade Racial de Mato Grosso (CNPIR/MT), foram vencedores de uma das cinco edições do prêmio para artistas minoritários, que também é organizado pelo Escritório de Direitos Humanos da ONU. O artista cigano brasileiro recebeu menção honrosa no prêmio em 2023.

Realizada pelo Escritório de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), a vernissage de abertura do evento ocorrerá às 18h (horário local) dia 03 de agosto (segunda-feira), a beira do Lago Wilson (Quae Wilson), em Genebra (Suiça).

A exposição estará disponível aos visitantes do lago a partir do dia 31 de julho e seguirá aberta até o dia 31 de agosto de 2026.

A organização do evento programou visitas guiadas nos dias 02 (15h às 16h, horário local) e 04 de agosto (18h à 19h, horário local).

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Artista da AEEC integra exposição Frestas Trienal de Artes do Sesc Sorocaba

O Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT, Aluízio de Azevedo, é um dos 80 artistas convidados que integram a Frestas Trienal de Artes – Do Caminho um Rezo.

A vernissage de abertura da exposição, que é realizada pelo Sesc Sorocaba e ocorre por toda a unidade, ocorreu no último dia 27 de fevereiro (sexta-feira), com a participação de Aluízio.

Com curadoria de Naine Terena, Khadyg Fares e Luciara Ribeiro, a exposição reúne mais de 80 artistas e coletivos culturais nacionais e internacionais, que representam a diversidade étnica e regional brasileira, como indígenas, quilombolas, ciganos, LGBTs, povos tradicionais, entre outros periféricos.

Aluízio de Azevedo conta com cinco obras na exposição:

1 – João e Maria

2 – Bandeira Cigana Revisitada

3 – O Diplomata

4 – Totem de Mim LGBTQIAP Cigane

5 – Sem Título

Friestas abriu ao neste sábado (28/02) e prossegue até o mês de agosto. 

Os horários de visitação ocorrem de terças a sextas entre 9h e 21h30, aos sábados, de 10h às 20h e domingos e feriados, entre 10h e 18h30.

Saiba mais sobre Frestas do Caminho ao Rezo 

#frestastrienaldeartes #sescsorocaba #povosciganos #artes #artistas #povostradicionais #sorocaba #mt

quarta-feira, 16 de julho de 2025

Danillo Kalón integra exposição do SESC RJ

“Plantas dos pés, linhas das mãos: terra e território” ocorre em Nova Friburgo, Teresópolis e Três Rios com 10 obras do artista visual de etnia Calon

O artista visual Danillo Kalón, do Coletivo Ciganagens, é um dos artistas convidados que integram a Exposição “Plantas dos pés, linhas das mãos: terra e território”. A abertura da exposição, que faz parte da programação da 23ª edição do Festival Sesc de Inverno, ocorreu no último dia 11 de julho, no Sesc Nova Friburgo, onde ficará por cerca de 30 dias. A curadoria da exposição foi realizada pela mato-grossense Naine Terena.

Danillo, que participou da abertura da exposição em Nova Friburgo, conta com várias peças expostas. O artista visual de etnia Calon apresentou a série Mestpen, composta por seis desenhos/artes impressas em backlights: 01 - Povos Ciganos Existem; 02 - O tronco étnico no Brasil; 03 -  Etnia Cigana; 04 - Povos Ciganos Na luta 01; 05 - Povos Ciganos Na luta 02; e 06 - Brasil Cigano.

Também estão na exposição quatro modelos diferentes de ecobags em serigrafia e algodão cru: 01 – MESTPEN; 02 - Povos Ciganos Existem; 03 - O tronco étnico no Brasil; e 04 -  Etnia Cigana. Além do Sesc Friburgo, a exposição percorre também Teresópolis e Três Rios, até o dia 26/10. Cada unidade exibe um recorte diferente, com narrativas sobre territórios, identidades e subjetividades.

De acordo com Danillo Kallon, as obras reafirmam as identidades e culturas ciganas. “Apesar de mais de 400 anos de diásporas da população cigana ao território brasileiro e de sua contribuição na formação da diversidade étnica e cultural do país, a comunidade segue ainda invisível e a margem, inexistentes para alguns e para outros uma representação errônea, pois nem sempre o que dizem vir dos povos ciganos, de fato vem”, explica.

Assim, segundo Danillo, “As peças seguem um conjunto que afirmam a existência e etnicidade dos ciganos, os três principais grupos étnicos no território brasileiro e a palavra MESTPEN, que significa LIBERDADE, porta esse anseio,  da liberdade a partir da dignidade, do acesso, da oportunidade.

Festival SESC de Inverno - a 23ª edição do Festival Sesc de Inverno, um dos mais importantes eventos multilinguagem do país. Serão mais de 700 horas de programação artística em 25 localidades do estado, com mais de 200 atividades em diversas linguagens e mais de mil artistas envolvidos. A maior parte da programação é gratuita – mais de 95% –, e as atrações pagas terão preços populares.

A 23ª edição do festival propõe uma reflexão a partir do tema “Nosso Lugar”, que parte da ideia de que a terra não é algo a ser possuído, mas sim um lugar ao qual se pertence. Dentro deste conceito, o território é um espaço onde a relação com a terra vai além da posse, tornando-se uma conexão profunda, simbólica, acolhedora e, sobretudo, afetiva.

Por meio das mais de setecentas horas de programação cultural, essa abordagem amplia o debate para além da ecologia dos territórios, no sentido geográfico, explorando a ecologia que permeia o fazer artístico, os territórios afetivos e artístico-culturais.

Programação completa do festival e informações sobre visitações à exposição no site: festivalsescdeinverno.com.br

 

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Artista de MT é convidado a apresentar curta sobre povos ciganos em exposição da ONU na Suíça

Aluízio de Azevedo vê na arte uma forma de desmitificar os estereótipos e preconceitos contra a cultura cigana e e a comunidade LGBTQIAPN+.

Por Jardes Johnson, g1 MT

05/11/2024 21h52  Atualizado há 13 horas

O multiartista mato-grossense, Aluízio de Azevedo, de 44 anos, natural de Tangará da Serra, a 242 km de Cuiabá, é um dos convidados da Exposição Artes Minorias e Direitos Humanos, que ocorrerá no Centro de Artes da Escola Internacional de Genebra, a partir desta quarta-feira (6), na Suíça. O evento é promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Leia aqui também reportagem publicada no site da Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT).

O convite surgiu após Aluízio ter se inscrito no Concurso Internacional de Arte para Artistas Minoritários da ONU, em 2023. Ele expôs cinco telas e exibiu a websérie 'Diva e as calins de Mato Grosso', feita em conjunto com a Associação Estadual das Etnias Ciganas (AEEC-MT), que retrata a vida de mulheres ciganas do estado em cinco episódios, sendo premiado pela comissão de curadores com menção honrosa (assista ao teaser abaixo).

Teaser da websérie 'Diva e as calins de Mato Grosso'

Este ano, a ONU está realizando uma retrospectiva com 22 vencedores das três edições do concurso, entre eles, o Aluízio. Desta vez, o diretor, roteirista e artista plástico apresentará duas obras, o curta-metragem 'Caminhos Ciganos', que aborda a vivência da comunidade cigana em locais como Portugal, França e em Mato Grosso, e a tela 'Totem de Mim LGBTQIAPN+ Cigane'.

Tela 'Totem de Mim LGBTQIAPN+ Cigane' — Foto: Aluízio de Azevedo

Aluízio, que é cigano da etnia Calon, contou ao g1 que o contato com a arte vem desde cedo, sempre aliado à cultura cigana. A família dele passou cerca de 80 anos como nômades até fixar residência em Mato Grosso. Segundo ele, cerca 400 familiares e pertencentes da comunidade estão espalhadas pelos municípios. Hoje, ele vê na arte, uma forma de desmitificar os estereótipos e preconceitos contra os povos ciganos.

"Existe uma visão muito estereotipada de que os ciganos são bandidos, trapaceiros que vão roubar, então poder demonstrar que os ciganos têm uma cultura milenar vinda do Egito, que por onde passamos, fomos agregando coisas culturais, levar a nossa arte, é maravilhoso", declarou.

Bastidores do curta-metragem 'Caminhos Ciganos'

Lideranças Calon da Comunidade Cigana em Tangará da Serra. Foto: Karen Ferreira.

quinta-feira, 10 de outubro de 2024

Exposição Artes, Minorias e Direitos Humanos em Genebra terá obras de artista da AEEC-MT

A vernissage acontecerá na quarta-feira, 6 de novembro, às 18:00.

Artes visuais

A arte é um meio poderoso para aumentar a conscientização social sobre direitos humanos e justiça, e para abrir a discussão sobre questões sociais urgentes em escala global. Os 22 artistas apresentados nesta exposição agem, cada um à sua maneira, como defensores dos direitos humanos.

Desde 2022, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHR) e seus parceiros Minority Rights Group International (MRG) e Freemuse organizam o Concurso Internacional de Arte para Artistas Minoritários, em parceria com a Cidade de Genebra. O concurso visa apoiar artistas minoritários comprometidos com a defesa dos direitos humanos ao redor do mundo. 

Organizada como parte do Centenário da Ecolint, esta exposição destacará as jornadas, o comprometimento e as obras de arte dos 22 laureados das edições de 2022, 2023 e 2024 do concurso. 

Os artistas cujas obras serão expostas são: Zahra Hassan Marwan, Abdullah, Jean Philippe Moiseau, Mawa Rannahr, Naser Moradi, Amin Taasha, Babatunde “Tribe” Akande, Bianca Batlle Nguema, Mehdi Rajabian, Karthoum Dembele, Aluízio de Azevedo Silva Júnior, Tufan Chakma, Andrew Wong, Elahe Zivardar, Bianca Broxton, Joel Pérez Hernández, Francis Estrada, Laowu Kuang, Jayatu Chakma, André Fernandes, Maganda Shakul e Chuu Wai.

O Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT, Aluízio de Azevedo, foi um dos laureados do Concurso Internacional de Arte para Artistas Minoritários no ano de 2023

Vindo de diferentes países e com origens minoritárias diversas, os artistas participantes desta exposição se distinguem por seu comprometimento artístico, sua interpretação altamente pessoal de experiências íntimas e coletivas, e sua representação de temas ligados às suas identidades e direitos como minorias nacionais, linguísticas, religiosas ou étnicas.

Eles usam uma variedade de mídias artísticas, incluindo fotografia, escultura, desenho, pintura, arte digital, música e criação de documentários, para explorar temas que são vivenciados na vida cotidiana de muitas comunidades minoritárias ao redor do mundo, particularmente em relação à apatridia, discriminação múltipla e interseccional, e o papel da memória no presente.

A exposição é gratuita e está disponível em inglês e francês.

Créditos da imagem: Zahra Hassan Marwan

Disponível em: https://www.ecolint-cda.ch/en/our-events/arts-minorities-and-human-rights

segunda-feira, 12 de agosto de 2024

Em Genebra artista plástico busca apoio para representar cultura cigana em exposição da ONU

O filme "Caminhos Ciganos" (2023) e a minissérie "Diva e As Calins de Mato Grosso" (2022), dirigidos e roteirizados por Aluízio, foram selecionados para a mostra devido ao seu reconhecimento na edição passada do “Concurso Internacional de Arte para Artistas Minoritários

Por Ana Barros, Jornal Folha do Estado, 12/08/2024

O cineasta e artista plástico Aluízio de Azevedo, responsável por duas produções audiovisuais que exploram a cultura e o estilo de vida cigano, está buscando apoio financeiro para cobrir as despesas de sua participação em uma exposição da ONU, que ocorrerá em Genebra, Suíça, em novembro. 

O filme "Caminhos Ciganos" (2023) e a minissérie "Diva e As Calins de Mato Grosso" (2022), dirigidos e roteirizados por Aluízio, foram selecionados para a mostra devido ao seu reconhecimento na edição passada do “Concurso Internacional de Arte para Artistas Minoritários”.

Aluízio, que recebeu uma menção honrosa na edição de 2023 do concurso, destacou-se tanto por suas obras audiovisuais quanto por cinco pinturas que abordam a interseccionalidade e a percepção dos ciganos na sociedade. Apesar de ser o único cigano premiado nas três edições do concurso e o primeiro brasileiro a conquistar tal reconhecimento, ele não conseguiu recursos para comparecer à exposição no ano passado.


Agora, com o apoio da Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT) para as passagens, Aluízio espera estar presente no evento, que ocorrerá de 5 a 10 de novembro no "Center for Arts of the International School of Geneva in Switzerland". Ele ainda precisa de patrocínio para cobrir as despesas de hospedagem, alimentação e transporte.

A presença de Aluízio na exposição da ONU é especialmente significativa, dada a escassez de artistas ciganos com visibilidade internacional. Ele acredita que a invisibilidade histórica, o racismo estrutural e o preconceito são barreiras que impedem uma maior representação. Além disso, ele ressalta que as representações ciganas na arte muitas vezes reforçam estereótipos prejudiciais, o que ele busca desconstruir por meio de seu trabalho.

As obras de Aluízio oferecem uma visão autêntica da cultura cigana. A minissérie "Diva e As Calins de MT" homenageia a raizeira e benzedeira cigana Maria Divina Cabral e outras quatro mulheres da etnia Calon, reconhecidas como mestras da cultura mato-grossense. Já o curta "Caminhos Ciganos" documenta a jornada de Aluízio em 2017 para reconectar-se com suas raízes, explorando comunidades ciganas no Brasil, Portugal e França.

Aluízio é Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT e dirigiu e roteirizou a minissérie Diva e As Calins de MT (Imagem das fotos), que estará na Exposição em 2024 da ONU, em Genebra

A participação de Aluízio na exposição da ONU representa não apenas uma conquista pessoal, mas também uma vitória para os povos ciganos demonstrando a riqueza e a contribuição dessas culturas para a arte e a sociedade. 

Disponível em: https://www.folhadoestado.com.br/cidades/artista-plastico-busca-apoio-para-representar-cultura-cigana-em-exposicao-da-onu/607378

quinta-feira, 8 de agosto de 2024

Artista de MT leva cultura cigana para exposição da ONU em Genebra

  

Reportagem de Capa do Caderno Vida do Jornal A Gazeta deste domingo (04 de agosto) repercute participação do Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC em exposição da ONU

Por Luiz Fernando Vieira, Editor do Caderno Vida, Jornal A Gazeta, 04 de agosto de 2024

Duas produções audiovisuais mato-grossenses que abordam a cultura e o movo de vida cigano farão parte de uma exposição a ser realizada em novembro pela Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, na Suíça. O filme Caminhos Ciganos (2023) e a minissérie Diva e As Calins de Mato Grosso (2022), dirigidos e roteirizados por Aluízio de Azevedo, integram a seleção por conta da premiação do realizador na edição do ano passado do “Concurso Internacional de Arte para Artistas Minoritários”, que em sua segunda mostra incluiu a temática da intersecionalidade.

Aluizio conquistou a menção honrosa na edição 2023, com a minissérie e cinco pinturas intituladas: “Árvore Taça do Tarot”, “Príncipe Espadarte”, “Bandeira Cigana/romani revisitada”, “Bau de Pérolas do Ser Cigane LGBTQIAPN+” e “Totem de Mim LGBTQIAPN+ Cigane”. Audiovisual e telas formam um conjunto importante para viabilização de questões ligadas tanto à forma como os ciganos são vistos pelas demais populações, como à aceitação de uma relação que não seja a heteronormativa dentro dessa comunidade.

“Acho que esse aspecto da interseccionalidade é interessante discutir, porque isso ainda é um tabu dentro das comunidades ciganas. O machismo é algo transversal a todas as comunidades e os homens ciganos são duplamente afetados, tanto pela racialidade, quanto pela força do patriarcado que existe na sociedade majoritária, que acaba impulsionando isso para dentro das comunidades, onde também tem coisas como LGBTfobia. É uma questão muito delicada que precisa ser abordada, precisa ser tratada”, frisa Aluízio.

“Eu fiquei muito feliz de participar, porque fui o único cigano premiado das três edições. E acho que sou o único brasileiro premiado por esse concurso da ONU”, comemora. Além disso, foi pioneiro ao ser laureado pela participação com produção audiovisual além das telas. Isso fez com que ele tivesse a oportunidade, agora em 2024, de mostrar não um, mas dois trabalhos.

Catálogo da Exposição ocorrida em 2023, com a tela Bandeira Cigana Revisitada

Visibilidade necessária – apesar da premiação, Aluízio não conseguiu recursos em 2023 para ir à Suíça participar do evento. Convidado novamente, este ano ele pretende marcar presença na exposição, que ocorre de 05 a 10 de novembro, no “Center for Arts of the International School of Geneva in Switzerland”, em Genebra. Já conseguiu patrocínio para as passagens via Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT) e agora busca auxílio para as demais despesas, como hospedagem, alimentação e translado.

Sua participação ganha ainda mais relevância porque não há muitos artistas ciganos mostrando seus trabalhos, o que ele acredita ser por conta de uma invisibilidade histórica, do racismo estrutural e do preconceito muito presentes, tanto na sociedade brasileira, como nas demais, lamenta.

Aluízio lembra que se trata de uma comunidade também muito estereotipada e isso acaba se estendendo às artes produzidas por pessoas não ciganas. “Quando vêm, por exemplo, representações, são sempre a da cigana sensual, como Capitu, ou então da feiticeira. São sempre aspectos ou romantizados ou eles são os bandidos perigosos, os trapaceiros, os ladrões, sequestradores”, denuncia.

Essa invisibilização não é por falta de pessoas dessas comunidades que produzem arte. Aluízio afirma que há muitos artistas ciganos talentosos, como por exemplo Ceija Stojka, que inclusive foi sobrevivente do regime nazista. Aproveitando a deixa, ele lembra que 02 de agosto é o Dia Internacional em Memória ao Holocausto Cigano. “Foram mais ou menos 500 mil pessoas ciganas mortas no nazismo e ninguém sabe disso. A Ceija esteve na Bienal de São Paulo do ano passado com obras que inclusive retratam esse período”, ressalta.

Aluízio, no entanto, reconhece que essa ausência pode ter raízes internas. “Acho que as pessoas ciganas naturalmente, também têm uma tendência a formarem comunidades fechadas. Até por autoproteção. Mas, ao mesmo tempo, eu vejo que elas estão se abrindo muito nos últimos tempos, até porque é impossível viver de forma fechada em uma sociedade pautada pela comunicação, pelas tecnologias pela conexão e pela globalização”, opina.

Por tudo isso, Aluízio considera de suma importância participar e estar presente na exposição. Vejo como um momento super importante, tanto individual como artista e profissional cigane LGBTQIAPN+, quanto de forma coletiva para os povos ciganos brasileiros e para as pessoas LGBTQIAPN+ de uma forma em geral. As pessoas que passam por intersecção sofrem duplamente. No meu caso por ser cigano e por ser homem gay. E quando tem alguém individualmente alcançando uma visibilidade internacional, por meio de um reconhecimento da ONU, isso mostra que somos capazes, que temos culturas ricas e milenares e que colaboramos para as artes, a cultura e a sociedade brasileira”, salienta.

Aluízio participou em 2023 de forma online da abertura da Exposição que ocorreu ano passado também realizada pela ONU

As produções – A minissérie Diva e As Calins de MT, realizada pela Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), com direção de Aluízio de Azevedo, é um dos produtos transmídia de um projeto que premiou a raizeira e benzedeira cigana Maria Divina Cabral, a Diva, como mestra da cultura mato-grossense. Ela retrata a história de vida de Diva e outras quatro mulheres ciganas Nerana, Terezinha, Irandi e Nilva, todas de sua idade e também consideradas como mestras da cultura cigana da etnia Calon, da qual o diretor faz parte.

Diva e As Calins de MT no catálogo da exposição em 2023

O curta Caminhos Ciganos registra a longa viagem do cineasta realizada em 2017 no intuito de conhecer e fortalecer sua identidade e ancestralidade. “Percorremos inúmeras cidades brasileiras, portuguesas e francesas, no intuito de conhecer outras comunidades ciganas, conviver com elas e imergir em seus cotidianos. Passamos por quatro cidades no Brasil, 10 cidades em Portugal e uma em França. Cruzamos e conversamos com personagens da vida romani, que encantam pela visão, sabedoria e simplicidade e contam como acontecem suas relações com os não-ciganos, a hibridação e/ou a manutenção das identidades Romani”, lembra Aluízio.

Peregrinação de Santa Sara Kali, em Saintes-Maries-De-La-Mer, França, maio de 2017

Disponível em: https://flip.gazetadigital.com.br/pub/jornalagazeta/?numero=11527#page/20

sábado, 4 de novembro de 2023

Concurso Internacional de Arte para Artistas Minoritários que Trabalham Temas de Interseccionalidade 2023

Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT recebeu menção honrosa no prêmio

Anúncio dos vencedores

Os Direitos Humanos das Nações Unidas (ACNUDH), o Freemuse e o Minority Rights Group International (MRG) têm o orgulho de anunciar os vencedores da Segunda Edição do Concurso Internacional de Arte para Artistas Minoritários. 

A edição de 2023 convida a candidaturas de artistas minoritários que trabalham em  temas relacionados com a interseccionalidade e formas agravadas de discriminação .

Laureados com o Prêmio Internacional de Artista Minoritário 2023 :

Laureados do Prêmio Internacional de Artista Minoritário 2023: Categoria Jovem:

Menção honrosa:

Um catálogo completo do trabalho dos artistas está disponível aqui . 

O catálogo também fornece informações sobre artistas minoritários, defensores dos direitos humanos, artes e direitos humanos, interseccionalidade, bem como detalhes do Painel de Juízes de 2023.


Fundo

Por ocasião do  Dia da Discriminação Zero,  celebrado mundialmente em 1º de março de 2023, e para lançar o início do  Mês da Justiça Racial , o  Escritório de Direitos Humanos da ONU  (ACNUDH) uniu forças com as organizações não governamentais  Minority Rights Group International , Freemuse  and the City de Genebra para organizar a Segunda Edição do Concurso Internacional de Arte para Artistas Minoritários. 

A edição de 2023 convida a candidaturas de artistas minoritários que trabalham em  temas relacionados com a interseccionalidade e formas agravadas de discriminação .

Parte da comemoração do 75º aniversário da adoção da Declaração Universal dos Direitos Humanos liderada pela ONU Direitos Humanos, a segunda edição do Concurso Internacional de Arte visa celebrar artistas minoritários que expuseram, exploraram ou abordaram assuntos relacionados a formas interseccionais de discriminação através das suas obras de arte e a sensibilizar para os direitos humanos de indivíduos e grupos pertencentes a minorias e que enfrentam formas agravadas de discriminação.

Artistas minoritários foram convidados a enviar até cinco obras de arte relacionadas à interseccionalidade e formas interseccionais de discriminação. 

As candidaturas foram avaliadas por um painel de juízes  independente composto por especialistas de diferentes países, disciplinas e horizontes, que foram selecionados pela sua notável experiência e compromisso nas áreas das artes, direitos culturais e direitos das minorias. 

O Painel de Juízes de 2023 é:

  • Yvonne Apiyo Brändle-Amolo, artista, membro do Parlamento Suíço e ex-bolsista do ACNUDH;
  • Carine Ayélé Durand, Diretora do Museu de Etnografia de Genebra (MEG);
  • Abdullah, fotógrafo Rohingya radicado em Bangladesh e premiado no Concurso Internacional de Arte para Artistas Minoritários 2022;
  • Zahra Hassan Marwan, autora, ilustradora e premiada do Concurso Internacional de Arte para Artistas Minoritários 2022;
  • Alexandra Xanthaki, Relatora Especial das Nações Unidas na Área dos Direitos Culturais.

De um total de 80 inscrições de artistas minoritários de mais de 35 países ao redor do mundo, o Painel de Juízes selecionou quatro laureados com o Minority Artist Award, incluindo um laureado com o Youth Minority Artist, e concedeu quatro menções honrosas. 

Em 2 de novembro de 2023, num evento híbrido de gala em Genebra e online.

Mais informações, inclusive sobre o processo e critérios para a premiação, estão disponíveis em: 
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Planos para o desenvolvimento de Artistas Minoritários pelos Direitos Humanos: Ação Artística Global 2024-2028, incluindo como VOCÊ pode se envolver, estão disponíveis aqui .

 Disponível em: https://www.ohchr.org/en/minorities/minority-artists-voice-and-dissidence