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terça-feira, 10 de setembro de 2024

Pesquisa com povos ciganos analisa interseccionalidade e decolonialidade no SUS

 

Por Laboratório de Comunicação e Saúde/Icict/Fiocruz (Divulgação) (com Ascom Icict)

05/09/2024

Nos dias 15 e 16 de agosto, no campus da Fiocruz-Brasília, aconteceu o I Seminário Geral da pesquisa “Interseccionalidades e (de)colonialidades na Política Nacional de Integração em Saúde dos Povos Ciganos uma abordagem e um caminho para descolonizar o SUS”. O evento marcou o encerramento da fase de implementação da pesquisa, que tem em sua coordenação geral, Inesita Soares de Araujo, pesquisadora do Laboratório de Comunicação e Saúde (Laces)/Icict/Fiocruz e como coordenador adjunto Aluízio de Azevedo, do Ministério da Saúde.

Com o objetivo geral de identificar como se produz a prática colonial de anticiganismo nas instâncias do SUS, bem como as possíveis formas de descolonização, a investigação está sendo desenvolvida pelo Laboratório e conta com financiamento e apoio do Programa de Políticas Públicas e Modelos de Atenção e Gestão à Saúde (PMA), do Ministério da Saúde, por meio de aprovação na Chamada para submissão de propostas nº 01/2023, que privilegiou projetos que buscassem a descolonização do SUS. 

A pesquisa, que começou em março de 2024 e tem previsão de término até fevereiro de 2026, pauta sua atenção nas formas como a população cigana é percebida, acolhida e cuidada pelas instâncias do SUS. Sua principal premissa é a de que as políticas afirmativas atuais, mesmo criadas numa lógica decolonial, reparatória e de justiça social não encontram ressonância junto aos gestores e aos profissionais de saúde, além de serem em parte desconhecidas pelas próprias pessoas ciganas, o que faz com que suas condições de saúde continuem negligenciadas.  

Racismo em saúde

Em sua tese de doutorado defendida em 2018, o coordenador adjunto da pesquisa, Aluízio de Azevedo, cigano da etnia Calon, já havia denunciado práticas de racismo institucional presentes entre profissionais e serviços do SUS em várias dimensões. Há um desconhecimento generalizado de suas especificidades culturais e de gênero, diversidade étnico cultural, modos de vida e tradições. 

“Não se cumpre o princípio da equidade nos cuidados em saúde com os povos ciganos”, denuncia Aluízio, ao lembrar que “as pessoas dos três troncos étnicos ciganos (Calon, Rom e Sinti) não são contabilizadas pelo IBGE no censo populacional e não estão incluídas nos sistemas de informação do SUS, de maneira que na prática da assistência à saúde são discriminadas. A maioria está em exclusão, fora do mercado de trabalho e da educação formal, sem acesso à habitação e outros serviços cidadãos”.

Políticas Afirmativas

O registro da entrada da primeira família cigana Calon no Brasil, deportados de Portugal, justamente por serem ciganos, é de 1574. Tanto lá, quanto cá, foram aplicadas ao longo do tempo inúmeras leis colonialistas, racistas e persecutórias contra os ciganos,
como a proibição de falar a língua, praticar ofícios tradicionais, andar em grupo, viver juntos, entre outras. Também se construiu um imaginário estereotipado e preconceituoso, que permeia o senso comum, produtos artísticos e científicos. 

As primeiras políticas afirmativas para povos ciganos ocorreram a partir de 2011, com a portaria 940, que dispensa pessoas ciganas de apresentarem comprovante de endereço para serem atendidas nos serviços do SUS, devido a característica de itinerância de muitos desses grupos étnicos. Em 2006, o Decreto Presidencial de 25 de maio de 2006 criou o Dia Nacional dos Ciganos; em 2007, o Estado reconheceu os ciganos como Povos Tradicionais brasileiros, por meio da publicação do Decreto Presidencial 6.040. Finalmente, a portaria 4348, de 2018, criou a Política Nacional de Atenção Integral aos Povos Ciganos/Romani, estabelecendo objetivos e ações para os governos federal, estaduais e municipais. 

Pesquisa em outra perspectiva

Segundo Inesita Araujo, apesar de parecer simples “pesquisar com e não para e não sobre as pessoas envolvidas, pode parecer difícil por exigir desapego individual, mas também (e muito) institucional, de convicções e práticas arraigadas por tempo
demais que centralizam e conferem a poucos o monopólio da prerrogativa do fazer científico e da produção de conhecimentos. Exige coragem para desaprender e reaprender”, afirma.  

Como a perspectiva epistemológica que orienta a investigação é a do compartilhamento da produção de conhecimento entre pesquisadores, movimento social dos povos ciganos, trabalhadores e gestores da saúde, as pessoas ciganas, maiores interessadas nas políticas, participam ativamente da investigação em vários níveis: construção do projeto, escolhas metodológicas, processo analítico e produtos decorrentes, constituindo a grande maioria dos integrantes da equipe. Além de compartilharem a coordenação geral da pesquisa, coordenam a pesquisa de campo nos territórios envolvidos, atuam como interlocutores científicos e no campo das políticas públicas, também na atividade de produção e design gráfico. 

Decolonialidade na pesquisa

Participarão das atividades de campo 100 pessoas ciganas, de quatro estados – Goiás, Bahia, Rio de Janeiro e Paraíba – englobando assim as regiões Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste, além de profissionais e gestores de saúde que atuam junto a essas populações. Também serão incluídos gestores dos ministérios envolvidos na elaboração e aplicação das políticas afirmativas.

Uma das participantes é Desirèe Matos, filósofa cigana da etnia Calon, que vai coordenar o trabalho de campo na região Sudeste. Para ela, a pesquisa é inovadora desde a sua concepção até o compartilhamento de conhecimentos e resultados.

“O caráter decolonial com que se propõe tratar do tema saúde dos povos ciganos compreendendo-o não como um ‘objeto’ ou como uma citação estanque ou meramente ilustrativa, confere além de originalidade ao projeto, uma significativa e eficiente estratégia de resistência. Me encontro motivada para iniciar a pesquisa de campo e perceber que o ‘sujeito’ vai se construindo discursivamente, aprendendo as vozes sociais que constituem a realidade em que está imerso”, explica Desirèe.

I Seminário Geral da Pesquisa que ocorreu em Brasília nos dias 15 e 16 de agosto deste ano.

O cigano de etnia Calon e professor da Universidade de Feira de Santana, Jucelho Dantas, destaca que a pesquisa é importante para mostrar a realidade dos povos ciganos, diante da total invisibilidade histórica. Para Jucelho, uma das questões muito caras abordadas na pesquisa é a colonialidade no SUS.

“A colonialidade é muito forte dentro do SUS e não é somente com os ciganos. O tratamento que é dado à população que vai ser atendida no SUS é um tratamento universal. Ou seja, é um tratamento para um povo que é visto como homogêneo, que não tem diferenças nenhuma e a gente sabe que todos os seguimentos sociais e etnias têm suas particularidades. Para nós, ciganos, a imposição dessas normas, dessas regras chocam muito e existe uma repelência”, analisa o pesquisador, concluindo que: 

“Muitos ciganos não querem ir ao posto médico e ao serviço médico porque não se sentem ali abraçados e acolhidos, muito pelo contrário. Então, uma pesquisa como esta tem uma relevância gigantesca, principalmente porque está sendo aberto este canal da decolonialidade dentro de um sistema importantíssimo para nós brasileiros, o SUS, mas que precisa ser trabalhado e adaptado as condições do seu povo”. 

Segundo a coordenadora do projeto: “toda a equipe está muito animada e esperançosa de poder contribuir, através da pesquisa, não só para compreender quais dispositivos institucionais e comunicacionais do SUS operam no sentido da produção da colonialidade junto aos povos ciganos e como eles poderiam ser descolonizados, mas também para avançar um pouco mais no necessário movimento de descolonização da prática de pesquisa no campo da saúde coletiva. 

O estudo deverá resultar, dentre outros produtos, em dois guias nos formatos impresso e digital: um dedicado a gestores, conselheiros e profissionais do SUS, com informações qualificadas sobre a população cigana, suas características, necessidades e direitos; outro, para o movimento e população cigana em geral, sobre seus direitos cidadãos em saúde, protocolos e recursos disponíveis e outras informações cuja relevância foi tenha sido evidenciada na pesquisa. Também está prevista uma proposta de monitoramento das políticas públicas voltadas para as pessoas ciganas.

Novo Plano Nacional é lançado

O Ministério da Igualdade Racial lançou na sexta-feira (2/08) o Plano Nacional de Políticas para Povos Ciganos, que visa “promover medidas intersetoriais para a garantia dos direitos dos povos ciganos”. Ao todo, o plano está estruturado em dez objetivos, que envolvem combate ao anticiganismo, reconhecimento da territorialidade própria dos povos ciganos, direito à cidade, educação, saúde, documentação civil básica, segurança e soberania alimentar, trabalho, emprego e renda e valorização da cultura. O lançamento contou com a presença de representantes de diversos ministérios. (saiba mais, aqui).

Disponível em: https://www.icict.fiocruz.br/content/interseccionalidade-e-decolonialidade-no-sus-em-pesquisa-do-icict-com-povos-ciganos

Disponível em: https://portal.fiocruz.br/noticia/2024/09/pesquisa-com-povos-ciganos-analisa-interseccionalidade-e-decolonialidade-no-sus

domingo, 8 de setembro de 2024

MS lança livro abordando relação saúde e cultura no SUS: ensaio aborda povos ciganos

 
Como a Antropologia da Saúde pode ajudar a pensar o SUS hoje? já está disponível para download gratuito

Acaba de ser lançado o livro Como a Antropologia da Saúde pode ajudar a pensar o SUS hoje?, uma obra que promete transformar a maneira como entendemos o Sistema Único de Saúde (SUS).

Publicada pela Editora do Ministério da Saúde e parte do projeto Encontros de Cultura, Saúde e Humanidades, a coletânea oferece uma base sólida para novas reflexões e práticas, promovendo uma visão humanizada e inclusiva do SUS.

A obra marca o quarto livro da série, com o quinto já em desenvolvimento.

Baixe aqui o livro.

Voltado para profissionais da saúde, estudantes e demais interessados, o livro reúne textos de palestras disponíveis no canal do projeto no YouTube, disseminando conhecimentos valiosos sobre a antropologia da saúde.

Um dos capítulos do livro, “Para além da diversidade cultural, a perspectiva êmica e ética nos caminhos para humanização e pesquisa na saúde cigana”, foi escrito pelo Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT, Aluízio de Azevedo. Ele também participa do vídeo de Lançamento do livro.

Confira no vídeo de lançamento os destaques da publicação através das palavras dos próprios autores.

Confira o resumo do ensaio escrito por Aluízio:

Quais desafios e oportunidades a relação entre os campos da saúde pública e da antropologia podem proporcionar no âmbito da saúde cigana? Que camadas de diálogos interculturais se estabelecem entre pesquisadores(as) e pessoas ciganas, ou entre usuários(as) ciganos(as) e profissionais de saúde? Quais perspectivas os contextos culturais apresentam na visão das determinações sociais da saúde? Essas e outras questões são abordadas de forma ensaística neste texto, que busca reforçar a importância do foco na perspectiva êmica do campo antropológico para o campo da saúde pública (estudos e práticas) e das políticas afirmativas de saúde para os povos ciganos”.

Relação Saúde e Cultura - A publicação nasceu da iniciativa do Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS/CGDI/SAA/SE) e do Laboratório Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas em Antropologia da Saúde, do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Liepas/Unirio) e conta com a parceria da Rede Conexão Inovação Pública – RJ. A curadoria é de Ildenê Loula e Rosamélia Cunha.

Composta por 11 ensaios, a obra explora diversas intersecções entre cultura, saúde e antropologia. O ensaio inicial oferece uma análise sobre como a experiência da doença e as práticas terapêuticas não convencionais são vistas através da lente da antropologia da saúde. Outros textos abordam temas como as memórias do encarceramento devido à hanseníase no Brasil, as políticas de saúde para a população cigana e as iniciativas digitais de promoção de saúde em comunidades de baixa renda.  

Destacam-se relatos de experiências significativas, como o do Centro de Convivência Antônio Diogo e do Memorial Leprosaria Canafístula no Ceará, e a criação do Laboratório Internet, Saúde e Sociedade (LaISS) na Fiocruz, que combate a exclusão digital. O projeto Eu Quero Entrar na Rede, vinculado ao Centro de Atenção Psicossocial Carlos Augusto Magal, também é retratado, mostrando a integração entre saúde mental e tecnologias de informação.

A publicação ainda discute a luta contra o câncer de colo do útero no Brasil, os desafios do Antropoceno para a saúde planetária e a democratização do SUS através de uma perspectiva decolonial.  

Os ensaios coletivos ou individuais são assinados por acadêmicos e profissionais de saúde, oferecendo uma rica diversidade de perspectivas e experiências. Os outros textos são escritos por: Ana Paula Cavalcante, Tânia Cristina Valente, André Pereira Neto, Bruna Vanessa Dantas Ribeiro, Débora Diniz, Elionária de Lima, Francisco Guedes, Milena Araújo, Rosiane Pereira, Luís Teixeira e Luís Araújo Neto, Renzo Taddei, Stélio Marras, Edilma do Nascimento Souza, Angela Donini, Valéria Wilke.

“Com uma escrita carregada por sotaques, visões de mundo e pertencimentos diversos, os 11 artigos congregam a percepção de um SUS em movimento. Esse mesmo SUS, que salva vidas ao garantir o acesso ao direito à saúde em zonas urbanas e nas distintas paisagens brasileiras fora dos grandes centros, precisa superar uma perspectiva biomédica para se humanizar e encontrar um novo sentido no acolhimento das demandas dos cidadãos”, enfatiza Ildenê.

“A publicação tem o potencial de servir como obra de referência para os debates na área de antropologia da saúde, vindo a se juntar à escassa produção acadêmica brasileira nesse campo do saber”, conta Rosamélia. “A coletânea oferta um embasamento para refletir sobre a complexidade de construir novas formas de pensar e agir no SUS. Aqui fincamos a bandeira da antropologia da saúde como uma das tantas formas possíveis de problematizar, refletir e projetar (e sonhar) esses desafios, para tornar o SUS ainda mais democrático, inclusivo e acessível aos brasileiros”, complementa Rosamélia. 

Encontros de Cultura, Saúde e Humanidades 

O projeto Encontros de Cultura e Saúde, que posteriormente passou a se chamar Encontros de Cultura, Saúde e Humanidades, foi realizado por um coletivo de trabalhadores e trabalhadoras das áreas de saúde, comunicação, educação e por pessoas com interesse pelo assunto que nele se engajaram. Seus principais objetivos são: fortalecer e defender o SUS por meio da produção de informações relevantes, viabilizando sua difusão e produzir, coletivamente, conteúdos em saúde, cultura e arte, disponibilizando-os como apoio ao fortalecimento do ensino em saúde. As lives seguem disponíveis no canal do YouTube. Confira tudo em: youtube.com/EncontrosCulturaeSaude
 

Texto: Flávia Menna Barreto 

Disponível em: http://www.ccms.saude.gov.br/noticias/lancado-livro-com-nova-perspectiva-sobre-o-sus

quarta-feira, 7 de agosto de 2024

Territórios Ciganos na Paraíba recebem visita técnica intersetorial de Saúde

 

Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), recebeu, nessa terça-feira (6), representantes do Ministério da Saúde (MS) para um diálogo sobre a saúde dos povos ciganos no estado. O encontro ainda contou com a Gerência Racial da Secretaria de Estado da Mulher e Diversidade Humana (SEMDH), Secretaria de Estado de Desenvolvimento Humano (SEDH) e Secretaria de Estado da Educação (SEE).

O objetivo da reunião é realizar uma escuta qualificada para traçar ações entre a SES e o MS para promover o processo de implementação da Política Nacional de Saúde Integral do Povo Cigano/Romani e, após a reunião intersetorial, as equipes das secretarias realizaram visita técnica na maior comunidade cigana da América Latina, localizada em Sousa.

De acordo com a gerente executiva de Atenção à Saúde da SES, Izabel Sarmento, o encontro foi para planejar a articulação e fazer um levantamento das dificuldades e potencialidades para promover o fortalecimento do cuidado a essa população, desde a atenção primária à saúde (APS) até a média e alta complexidade, no acesso à saúde dos povos ciganos.

“A reunião com o Ministério da Saúde foi extremamente importante para que a SES, juntamente com as demais Secretarias, apresentasse as ações realizadas pela Paraíba, direcionadas a essa população. A partir dessa escuta, o Ministério trouxe algumas perspectivas de fortalecimento da política, não só no âmbito da Paraíba, mas também de todo o País, inclusive buscando perspectivas de financiamento para melhorias de ações e de políticas voltadas para essa população”, explicou.


Na visita técnica nos territórios ciganos na Paraíba, a Coordenação do Acesso e Equidade e a Coordenação de Apoio Estratégico do MS buscam entender o cenário de saúde dessas comunidades ciganas para obterem informações com o objetivo de implementar uma política de saúde específica para os povos ciganos, levando em consideração questões como o racismo e o impacto do anti-ciganismo nos corpos das pessoas.

O Ministério da Saúde pretende obter um olhar mais qualificado às futuras ações voltadas aos povos ciganos, a partir de todas as ações que a SES está realizando. Dessa forma, a Paraíba se torna referência para os demais estados que queiram se espelhar nas ações desenvolvidas nos territórios paraibanos para estruturar e direcionar ações à população cigana de todo o Brasil. A agenda do MS na Paraíba inclui diversas reuniões em diferentes territórios.

Disponível em: https://paraiba.pb.gov.br/noticias/territorios-ciganos-na-paraiba-recebem-visita-tecnica-intersetorial-de-saude

domingo, 21 de julho de 2024

Conferência Livre Nacional de Equidade no Trabalho e Seminário Equidade em Pauta

Eventos contaram com a participação de gestores, profissionais e conselheiros nacionais de saúde, além de movimentos sociais organizados

A AEEC-MT esteve entre as entidades sociais que participou nos dias 08 e 09 de julho, em Brasília, de dois eventos para debater a saúde: o “Seminário Equidade em Pauta” e “1ª Conferência Livre Nacional de Equidade no Trabalho, na Educação e na Comunicação na Saúde”. Os eventos objetivaram garantir que a equidade se efetive enquanto um princípio estruturador e transversal a todas as áreas, campos e serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), valorizando, reconhecendo e promovendo as políticas de equidade. 

Os eventos reuniram mais de 100 pessoas de diversos segmentos como população negra, LGBTQIAPN+, povos e comunidades tradicionais, quilombolas, indígenas, entre outros. A participação da AEEC nos dois eventos ocorreu por intermédio do Assessor para Ciência e Comunicação, Aluízio de Azevedo. No seminário “Seminário Equidade em Pauta”, que ocorreu na Contag no dia 08, ele participou da mesa Práticas tradicionais e populares na produção do Cuidado Emancipatório”, que contou com a educadora popular e agricultora familiar, Josefa Ataíde e a integrante da Rede Nacional de religiões Afro-brasileiras e Saúde (Renafro), Mãe Nilce.

Também no Seminário, foi exibido o Episódio Mestra Diva da Minissérie Diva e As Calins de Mato Grosso, produzida e lançada em 2023, pela AEEC-MT, em parceria com a Secel-MT. Veja aqui os cinco episódios da Minissérie.

Realizado pelo Conselho Nacional de Saúde, em parceria com o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Gestão do trabalho e Educação em Saúde (SGTES) e da Coordenação-Geral de Acesso e Equidade da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (Caeq/Saps) do órgão, o Seminário reuniu em torno de 100 pessoas, entre movimentos sociais, conselheiros nacionais, gestores e profissionais de saúde, oriundos de diversos estados e regiões brasileiras participaram do Seminário.

A programação do evento contou com mesa de abertura com a participação da secretária adjunta da SGTES/MS, Laize Rezende de Andrade, do chefe da Assessoria Para Equidade Racial em Saúde do gabinete da Ministra, Luís Eduardo Batista e da coordenadora-geral da Caeq/SAPS/MS, Lilian Gonçalves.

Conferência Livre - Já no dia 09 de julho, o Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT, participou da “1ª Conferência Nacional Livre de Equidade no Trabalho, Educação e Comunicação na Saúde”, organizada também pelo CNS, a SGTES e a Caeq/Saps/MS. O evento reuniu a mesma quantidade de pessoas do seminário de forma presencial na Escola de Governo da Fiocruz-Brasília e em torno de mil pessoas de forma online.

Na ocasião, foram escolhidos delegados, diretrizes e propostas que serão levadas e participarão da Conferência Nacional de Equidade no Trabalho, Educação e Comunicação na Saúde, prevista para ocorrer em novembro de 2024.

Confira vídeo de participação de Aluízio de Azevedo na Conferência Livre 


Acesse aqui o texto do CNS sobre o evento.

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

terça-feira, 16 de julho de 2024

Movimento Cigano se reúne com Ministério da Saúde para discutir política nacional


Encontro ocorreu online entre Assessoria de Saúde Cigana da Caeq/Saps/MS e o Coletivo Ciganos, Juntos Somos Mais Fortes

O Coletivo Ciganos, Juntos Somos Mais Fortes se reuniu no último dia 11 de julho (quinta-feira) com a Coordenação-Geral de Acesso e Equidade (Caeq) da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (Saps) do Ministério da Saúde (MS). A roda de diálogo com o coletivo, que é composto por cerca de 30 associações, coletivos ou lideranças de comunidades ciganas e famílias extensas, ocorreu de forma online, com a participação de 20 pessoas.

Entre elas, a coordenadora da Caeq, Lilian Gonçalves e os três técnicos que compõem a equipe da Assessoria de Saúde Cigana da Coordenação-geral, Rafaela Barros, Aluízio de Azevedo e Taciana Silva Negreiros.

Representando os povos ciganos estavam presentes a conselheira do Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, Maura Piemonte, do sul de Minas Gerais e o conselheiro nacional de Igualdade Racial, Marcos Gattas, de Mato Grosso. Também participaram da reunião, Claudio Ivanovitch, da Associação de Preservação da Cultura Cigana no Paraná e do Estado outras quatro lideranças: Aparecida, Tati e Hayanne Ivanovicht, do Coletivo de Mulheres Ciganas (COMCIB) e Nardi Casanova, secretária executiva da Confederação Cigana do Brasil.

Representando a Roda Cigana Rede Humanitária, participou da reunião sua coordenadora Lu Ynaiah e representando o Coletivo Ciganagens estiveram presentes os integrantes Desirèe Mattos, Sara Macedo e Danillo Kalon.  José Eudo e Janete Soares, ambos da Associação de Preservação de Cultura Cigana do Estado do Ceará, também participaram.

De Mato Grosso, participou Rosana Cristina Matos Cruz, presidente da Associação Estadual das Etnias Ciganas de MT (AEEC-MT) e representando as associações de Sousa e demais comunidades da Paraíba como Campina Grande e João Pessoa, Francisco Bozzano. Ainda da Paraíba participaram da reunião: Suênia Soares, de Sousa, maior comunidade cigana da América Latina e Maria Jane, essa última da Associação Cigana de Condado (Ascocic).

Esta foi a primeira reunião da atual gestão do MS e o movimento cigano brasileiro, com o objetivo de aproximar o diálogo com os coletivos e lideranças ciganas, ouvir as demandas e necessidades de saúde destas populações, bem como construir em conjunto a implementação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Povo Cigano/Romani (Portaria 4348 de 28/12/2018).

Aproximação - Durante a reunião, a coordenadora da CAEQ/SAPS/MS, Lilian Gonçalves, destacou o esforço que o Ministério vem fazendo em recompor o diálogo junto aos movimentos sociais, especialmente para a reconstrução das políticas de equidade em saúde, incluindo a política de saúde cigana, a mais nova política de equidade criada no âmbito do MS, em 2018. Para tanto, o MS planeja a realização de mapeamento social com informações sobre a saúde dos povos ciganos, a partir de indicadores, dados e sistemas de informação disponíveis no SUS e em diálogo com o movimento social cigano.

“Essa política foi institucionalizada, mas nunca foi implementada. Então, a gente está com o desafio de implementar a política e de organizar os movimentos sociais populares dos povos ciganos para construir efetivamente a implementação dessa política e se achar necessário até mesmo revisá-la. Mas temos uma visão no MS que talvez revisar uma política que recentemente foi implementada, talvez atrapalhe o processo de implementação”, ponderou Lilian.

A coordenadora-geral de acesso e equidade, informou ainda o desejo do órgão em institucionalizar a participação social dos povos ciganos na implementação da política, incluindo a criação de um plano de ação. Ela pontuou que um dos objetivos da roda de diálogo foi justamente promover um fluxo de comunicação entre o movimento e o Ministério da Saúde.

 “O que a gente está querendo é implementar o comitê dessa política, que nunca foi instituído. Para isso, a gente precisa mobilizar os movimentos dos povos ciganos, trazer essa representatividade para dentro do Ministério da Saúde e implementar essa política em acordo com as necessidades dos povos ciganos. A ideia é que hoje a gente faça uma primeira conversa com os movimentos e acolher um pouco as angústias, as necessidades, as intencionalidades, como é que a gente pode fazer esse alinhamento para já pensar na institucionalização deste comitê”, informou Lilian.

Saúde Cigana – na ocasião, representantes ciganos reforçaram algumas demandas que já haviam encaminhado ao Ministério da Saúde em abril, por meio de um ofício à Ministra Nísia Trindade. Entre as questões estavam a implementação das políticas específicas de saúde, como a portaria 4348 ou a portaria 940 de 2011, que dispensa pessoas ciganas de apresentarem comprovante de endereço nos serviços do SUS. Também falaram sobre a composição do comitê que será criado e relativo aos medicamentos da farmácia popular.

O representante da comunidade Otávio Maia, de Sousa (PB), Francisco Bozzano, ressaltou que esta foi a primeira reunião que o MS realiza com o movimento cigano para discutir a saúde cigana.

“Se for criado for um comitê com pessoas ciganas, que seja por região e não por etnia, porque assim conseguiremos uma representatividade melhor. Espero e acredito neste governo, que vai dar visibilidade para o nosso povo, luta pelos povos tradicionais e foi para este governo que nós do sertão confiamos. Outra coisa que sinto descuidada aqui em Sousa, é quando destinado uma receita para pessoas ciganas da farmácia popular, que o MS pudesse fazer uma investigação nestas farmácias populares, porque o farmacêutico para não fornecer o medicamento, diz que não tem, para a pessoa poder comprar. Isso aconteceu comigo”, ponderou Francisco.

Por sua vez, a representante da Roda Cigana Rede Humanitária, Lu Ynaiah, algumas questões são prementes, como a inclusão dos povos ciganos como públicos prioritários do Plano Nacional de Imunização (PNI). A ativista também destacou a importância do MS realizar reuniões presenciais com os povos ciganos, para inclusive discutir de forma setorial, a partir da interseccionalidades, questões específicas relativas a pessoas ciganas neuro-divergentes, com autismo, saúde da mulher cigana, das pessoas idosas, crianças, adolescentes e LGBTQIAPN+.

“O Ministério poderia promover um plano de ação de forma transversal a partir das realidades regionais, étnicas, sociais e culturais dos povos ciganos que são bastante diferenciadas, pensando por eixos e áreas de atuação. Também acredito que o diálogo presencial, com a realização de um seminário nacional para discutir a saúde das comunidades e povos ciganos é fundamental, até para tratar de algumas demandas pontuais, como o atendimento as pessoas ciganas de forma diferenciada, respeitando por exemplo, os casos de familiares de uma pessoa internada que vão sempre aos serviços de saúde juntos e as regras e protocolos de visitas não conseguem resolver”, destaca Lu.

APS - Além disso, os participantes ciganos trouxeram questões quanto ao atendimento nos serviços da Atenção Primária em Saúde (APS). A enfermeira e Calin, Suênia Soares, pesquisadora de saúde, com mestrado pesquisando o acesso da população Calon de Sousa à APS, por exemplo, reforçou a importância do diálogo entre a gestão do SUS e os povos ciganos.

“Sou mulher cigana e profissional de saúde, então, consigo me colocar nesses dois lugares e externar meu amor pelo SUS, que é grandioso.  Esse diálogo pode subsidiar novas políticas públicas. Por isso, é tão importante que sejamos ouvidos, externar nossas especificidades e necessidades, para que as políticas cheguem de maneira efetiva”.

Segundo Suênia, várias questões necessitam serem levadas em conta na APS. “Quando falamos para preencher de acordo com a raça cor, muitas vezes, podemos sugerir, mas os ciganos têm cautela em se apresentar como cigano, porque na maioria das vezes sofremos preconceito no atendimento, principalmente na APS”.

Para a profissional de saúde, “é preciso trabalhar educação em saúde para profissionais e incluir a educação popular em saúde que traz o indivíduo como protagonistas, trabalhar com os profissionais a busca ativa na comunidade, porque a gente sabe e reconhece que os ciganos têm resistência em procurar os serviços de saúde, seja por causa do preconceito, falta de acolhimento ou uma questão cultural, pois acreditam muito na medicina tradicional”, conclui.

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Saúde irá incluir populações circenses, povos ciganos e populações em situação nômade no ConecteSUS

Imagem do movimento do circo no Brasil
Não será necessário comprovante de domicílio no cadastro do Cartão Nacional de Saúde

Em uma ação interministerial que integra ações nas áreas de Saúde, Cultura, Educação, Direitos Humanos e Assistência Social em benefício da população circense itinerante no Brasil, o Ministério da Saúde amplia o acesso à saúde dessas populações ao identificar a itinerância no Cartão Nacional de Saúde pelo aplicativo ConecteSUS Cidadão. Assim, pessoas em situação nômade terão alcance aos serviços sem necessariamente comprovar endereço.

Para anunciar essa e outras ações, a Secretaria Especial da Cultura e a Funarte lançam a campanha interministerial “Respeitável Circo!”, nesta quarta-feira (20). Durante o evento, a Funarte vai apresentar a cartilha “Respeitável Circo!”, material que busca orientar agentes públicos e instituições.

Normalmente, quando uma pessoa vai se consultar em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) é exigido comprovante de residência. Para essas populações, como os circenses, isso acabava sendo uma barreira uma vez que a itinerância é uma das principais características de sua cultura. Ou seja, essas pessoas não conseguiam atendimento.

Agora, o Ministério da Saúde vai disponibilizar um campo no ConecteSUS onde será possível identificar a pessoa, dispensando a obrigatoriedade da apresentação do comprovante de residência.

A ação visa manter o cuidado contínuo dessas populações no âmbito da Atenção Primária à Saúde e possibilitar o registro e acompanhamento da população itinerante pelos profissionais de saúde e os gestores.

A população circense brasileira compreende mais de 20 mil pessoas, distribuídas em cerca de 800 circos itinerantes de pequeno, médio e grande porte nas cinco regiões do país.

“Respeitável Circo!”

A campanha interministerial tem a finalidade de contribuir para o desenvolvimento da atividade artística circense no país e de qualificar a intervenção dos agentes públicos dos municípios, estados e do Distrito Federal, na implementação de ações regionais.

É de suma importância que as três esferas de governo - União, estados e municípios - bem como a sociedade civil, se empenhem na concretização das ações que visem ampliar a promoção, a atenção e o cuidado em saúde das populações específicas e em situação de vulnerabilidade social, materializando os princípios que alicerçam o Sistema único de Saúde (SUS).

Cartilha da campanha Respeitável Circo!

A cartilha da campanha "Respeitável Circo!" procura facilitar o acesso do artista circense a programas de assistência social, saúde, educação e, também, estimular o incentivo à formação de público. Busca ainda auxiliar na redução dos empecilhos de ordem burocrática para a montagem das lonas nas cidades por onde passam. Na cartilha, são esclarecidos os direitos, deveres e principais necessidades desses artistas. Ela também pretende conscientizar os gestores públicos e privados de que o circo é uma atividade artística e cultural reconhecida por lei e que, como tal, deve ser apoiada de várias formas.

Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2021-1/outubro/saude-ira-incluir-populacoes-circenses-povos-ciganos-e-populacoes-em-situacao-nomade-no-conectesus

Por Ministério da Saúde

sábado, 9 de outubro de 2021

Editora do Ministério da Saúde lança E-book Olhares sobre Educação

Ensaio do Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT publicado na obra aborda a relação das comunidades ciganas e a globalização

A obra pode ser baixada no site da Biblioteca Vitual em Saúde: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/olhares_sobre_educacao_1ed.pdf

A Editora do Ministério da Saúde acaba de lançar o E-book “Olhares sobre Educação” (Brasília, 2021). A obra é uma publicação da Coordenação de Ensino e Pesquisa do Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE), em conjunto com a Superintendência Estadual do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro (SEMS-RJ).

As organizadoras do livro virtual são: Ildenê Guimarães Loula, Pâmela Pinto, Raquel da Silva Teixeira, Rosamelia Queiroz da Cunha. Também contou com a colaboração de Carla Cristina Mendes Alferes dos Santos Danielle do Valle Ingrid Vianna Espinosa Rodrigues

O E-book reúne 13 capítulos, entre eles um escrito pelo pesquisador e servidor do Ministério da Saúde, Aluízio de Azevedo, com o título “Globalização, ou a Substituição da Mandala pelo Caleidoscópio” (p. 40-45). 

A pintura que ilustra a arte da capa, "Mandala das Minorias", é também de Aluízio.

Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT, no capítulo, Aluízio aborda o tema da globalização e da padronização cultural imposta por ela às comunidades ciganas, bem como as táticas de resistência dos romanis, que continuam mantendo suas culturas frente à colonização cultural.

No resumo do ensaio, o autor pontua que apresenta no ensaio “a metáfora da substituição da mandala pelo caleidoscópio para refletir sobre as opressões causadas pela globalização neoliberal aos povos não-europeus, incluindo aí as comunidades ciganas, em seu eixo civilizacional-cultural”.

Azevedo também evidencia no texto “que as comunidades ciganas não sofreram essas violências simbólicas sem lutar”; exemplificando tal cenário “apresentando a ‘tática do coringa’, uma categoria discursiva anticolonial criada pelas pessoas romani para se manterem enquanto culturas distintas, mantendo filosofia e modos de organização próprios, que confrontam os valores de vida ocidentais”.

Na organização do E-book, as organizadoras destacam que o livro “é uma exposição de toda a riqueza de conhecimento expressa por 19 profissionais que, generosamente, aceitaram o convite da Área de Ensino e Pesquisa (ARENP) do Hospital Federal dos Servidores do Estado/SAES/MS (HFSE) tanto para falar sobre temas que foram definidos pela equipe da ARENP, quanto para mediar os debates no ciclo de debates “Olhares sobre a Educação”.

Ciclo de Debates Olhares Sobre Educação

O ciclo ocorreu entre 10 de setembro a 29 de outubro de 2020. Foram convidados 16 profissionais cuja inserção, seja no ensino, na gestão ou na reflexão sobre os temas, poderiam aprofundar as conversas da equipe. Em 04 de dezembro houve um encontro especial que contou com mais três palestrantes.

“O entusiasmo e apoio da Superintendência Estadual do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro (SEMS/RJ), da Assessoria de Comunicação do Ministério da Saúde (ASCOM/MS), da Coordenação Geral de Divulgação e Informação do Ministério da Saúde (CGDI/MS), do Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS) e da Conexão Inovação Pública RJ possibilitaram a realização desses encontros”, diz um trecho da apresentação.

Foram 20 horas de exposições e debates muito ricos durante os quais houve, também, grande contribuição dos mediadores que apoiaram os encontros desse ciclo. Todas as palestras foram transmitidas em tempo real pelo perfil do YouTube do Conexão Inovação Pública MINISTÉRIO DA SAÚDE OLHARES SOBRE EDUCAÇÃO 10 RJ, local que também mantém disponível os vídeos dos encontros.

Texto: Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT