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terça-feira, 10 de setembro de 2024

Pesquisa com povos ciganos analisa interseccionalidade e decolonialidade no SUS

 

Por Laboratório de Comunicação e Saúde/Icict/Fiocruz (Divulgação) (com Ascom Icict)

05/09/2024

Nos dias 15 e 16 de agosto, no campus da Fiocruz-Brasília, aconteceu o I Seminário Geral da pesquisa “Interseccionalidades e (de)colonialidades na Política Nacional de Integração em Saúde dos Povos Ciganos uma abordagem e um caminho para descolonizar o SUS”. O evento marcou o encerramento da fase de implementação da pesquisa, que tem em sua coordenação geral, Inesita Soares de Araujo, pesquisadora do Laboratório de Comunicação e Saúde (Laces)/Icict/Fiocruz e como coordenador adjunto Aluízio de Azevedo, do Ministério da Saúde.

Com o objetivo geral de identificar como se produz a prática colonial de anticiganismo nas instâncias do SUS, bem como as possíveis formas de descolonização, a investigação está sendo desenvolvida pelo Laboratório e conta com financiamento e apoio do Programa de Políticas Públicas e Modelos de Atenção e Gestão à Saúde (PMA), do Ministério da Saúde, por meio de aprovação na Chamada para submissão de propostas nº 01/2023, que privilegiou projetos que buscassem a descolonização do SUS. 

A pesquisa, que começou em março de 2024 e tem previsão de término até fevereiro de 2026, pauta sua atenção nas formas como a população cigana é percebida, acolhida e cuidada pelas instâncias do SUS. Sua principal premissa é a de que as políticas afirmativas atuais, mesmo criadas numa lógica decolonial, reparatória e de justiça social não encontram ressonância junto aos gestores e aos profissionais de saúde, além de serem em parte desconhecidas pelas próprias pessoas ciganas, o que faz com que suas condições de saúde continuem negligenciadas.  

Racismo em saúde

Em sua tese de doutorado defendida em 2018, o coordenador adjunto da pesquisa, Aluízio de Azevedo, cigano da etnia Calon, já havia denunciado práticas de racismo institucional presentes entre profissionais e serviços do SUS em várias dimensões. Há um desconhecimento generalizado de suas especificidades culturais e de gênero, diversidade étnico cultural, modos de vida e tradições. 

“Não se cumpre o princípio da equidade nos cuidados em saúde com os povos ciganos”, denuncia Aluízio, ao lembrar que “as pessoas dos três troncos étnicos ciganos (Calon, Rom e Sinti) não são contabilizadas pelo IBGE no censo populacional e não estão incluídas nos sistemas de informação do SUS, de maneira que na prática da assistência à saúde são discriminadas. A maioria está em exclusão, fora do mercado de trabalho e da educação formal, sem acesso à habitação e outros serviços cidadãos”.

Políticas Afirmativas

O registro da entrada da primeira família cigana Calon no Brasil, deportados de Portugal, justamente por serem ciganos, é de 1574. Tanto lá, quanto cá, foram aplicadas ao longo do tempo inúmeras leis colonialistas, racistas e persecutórias contra os ciganos,
como a proibição de falar a língua, praticar ofícios tradicionais, andar em grupo, viver juntos, entre outras. Também se construiu um imaginário estereotipado e preconceituoso, que permeia o senso comum, produtos artísticos e científicos. 

As primeiras políticas afirmativas para povos ciganos ocorreram a partir de 2011, com a portaria 940, que dispensa pessoas ciganas de apresentarem comprovante de endereço para serem atendidas nos serviços do SUS, devido a característica de itinerância de muitos desses grupos étnicos. Em 2006, o Decreto Presidencial de 25 de maio de 2006 criou o Dia Nacional dos Ciganos; em 2007, o Estado reconheceu os ciganos como Povos Tradicionais brasileiros, por meio da publicação do Decreto Presidencial 6.040. Finalmente, a portaria 4348, de 2018, criou a Política Nacional de Atenção Integral aos Povos Ciganos/Romani, estabelecendo objetivos e ações para os governos federal, estaduais e municipais. 

Pesquisa em outra perspectiva

Segundo Inesita Araujo, apesar de parecer simples “pesquisar com e não para e não sobre as pessoas envolvidas, pode parecer difícil por exigir desapego individual, mas também (e muito) institucional, de convicções e práticas arraigadas por tempo
demais que centralizam e conferem a poucos o monopólio da prerrogativa do fazer científico e da produção de conhecimentos. Exige coragem para desaprender e reaprender”, afirma.  

Como a perspectiva epistemológica que orienta a investigação é a do compartilhamento da produção de conhecimento entre pesquisadores, movimento social dos povos ciganos, trabalhadores e gestores da saúde, as pessoas ciganas, maiores interessadas nas políticas, participam ativamente da investigação em vários níveis: construção do projeto, escolhas metodológicas, processo analítico e produtos decorrentes, constituindo a grande maioria dos integrantes da equipe. Além de compartilharem a coordenação geral da pesquisa, coordenam a pesquisa de campo nos territórios envolvidos, atuam como interlocutores científicos e no campo das políticas públicas, também na atividade de produção e design gráfico. 

Decolonialidade na pesquisa

Participarão das atividades de campo 100 pessoas ciganas, de quatro estados – Goiás, Bahia, Rio de Janeiro e Paraíba – englobando assim as regiões Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste, além de profissionais e gestores de saúde que atuam junto a essas populações. Também serão incluídos gestores dos ministérios envolvidos na elaboração e aplicação das políticas afirmativas.

Uma das participantes é Desirèe Matos, filósofa cigana da etnia Calon, que vai coordenar o trabalho de campo na região Sudeste. Para ela, a pesquisa é inovadora desde a sua concepção até o compartilhamento de conhecimentos e resultados.

“O caráter decolonial com que se propõe tratar do tema saúde dos povos ciganos compreendendo-o não como um ‘objeto’ ou como uma citação estanque ou meramente ilustrativa, confere além de originalidade ao projeto, uma significativa e eficiente estratégia de resistência. Me encontro motivada para iniciar a pesquisa de campo e perceber que o ‘sujeito’ vai se construindo discursivamente, aprendendo as vozes sociais que constituem a realidade em que está imerso”, explica Desirèe.

I Seminário Geral da Pesquisa que ocorreu em Brasília nos dias 15 e 16 de agosto deste ano.

O cigano de etnia Calon e professor da Universidade de Feira de Santana, Jucelho Dantas, destaca que a pesquisa é importante para mostrar a realidade dos povos ciganos, diante da total invisibilidade histórica. Para Jucelho, uma das questões muito caras abordadas na pesquisa é a colonialidade no SUS.

“A colonialidade é muito forte dentro do SUS e não é somente com os ciganos. O tratamento que é dado à população que vai ser atendida no SUS é um tratamento universal. Ou seja, é um tratamento para um povo que é visto como homogêneo, que não tem diferenças nenhuma e a gente sabe que todos os seguimentos sociais e etnias têm suas particularidades. Para nós, ciganos, a imposição dessas normas, dessas regras chocam muito e existe uma repelência”, analisa o pesquisador, concluindo que: 

“Muitos ciganos não querem ir ao posto médico e ao serviço médico porque não se sentem ali abraçados e acolhidos, muito pelo contrário. Então, uma pesquisa como esta tem uma relevância gigantesca, principalmente porque está sendo aberto este canal da decolonialidade dentro de um sistema importantíssimo para nós brasileiros, o SUS, mas que precisa ser trabalhado e adaptado as condições do seu povo”. 

Segundo a coordenadora do projeto: “toda a equipe está muito animada e esperançosa de poder contribuir, através da pesquisa, não só para compreender quais dispositivos institucionais e comunicacionais do SUS operam no sentido da produção da colonialidade junto aos povos ciganos e como eles poderiam ser descolonizados, mas também para avançar um pouco mais no necessário movimento de descolonização da prática de pesquisa no campo da saúde coletiva. 

O estudo deverá resultar, dentre outros produtos, em dois guias nos formatos impresso e digital: um dedicado a gestores, conselheiros e profissionais do SUS, com informações qualificadas sobre a população cigana, suas características, necessidades e direitos; outro, para o movimento e população cigana em geral, sobre seus direitos cidadãos em saúde, protocolos e recursos disponíveis e outras informações cuja relevância foi tenha sido evidenciada na pesquisa. Também está prevista uma proposta de monitoramento das políticas públicas voltadas para as pessoas ciganas.

Novo Plano Nacional é lançado

O Ministério da Igualdade Racial lançou na sexta-feira (2/08) o Plano Nacional de Políticas para Povos Ciganos, que visa “promover medidas intersetoriais para a garantia dos direitos dos povos ciganos”. Ao todo, o plano está estruturado em dez objetivos, que envolvem combate ao anticiganismo, reconhecimento da territorialidade própria dos povos ciganos, direito à cidade, educação, saúde, documentação civil básica, segurança e soberania alimentar, trabalho, emprego e renda e valorização da cultura. O lançamento contou com a presença de representantes de diversos ministérios. (saiba mais, aqui).

Disponível em: https://www.icict.fiocruz.br/content/interseccionalidade-e-decolonialidade-no-sus-em-pesquisa-do-icict-com-povos-ciganos

Disponível em: https://portal.fiocruz.br/noticia/2024/09/pesquisa-com-povos-ciganos-analisa-interseccionalidade-e-decolonialidade-no-sus

sábado, 1 de julho de 2023

Inscrições abertas para disciplina que Assessor da AEEC ministra na Fiocruz RJ

 

Graduados e estudantes de pós-graduação têm entre os dias 03 e 06 de julho para pleitear a inscrição para o curso, que é presencial e ocorre no Campus Maré (Expansão)

 

O Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde (PPGICS) está com inscrições abertas (de 3 a 6 de julho) para as Disciplinas Eletivas 2023.2, para alunos externos de graduação e pós-graduação (Lato e Stricto Sensu). 

 

Entre as disciplinas ofertadas está a que o Assessor para Ciência da AEEC-MT, Aluízio de Azevedo ministrará em conjunto com a professora Inesita Araujo: “Comunicação e desigualdade: cenários e práticas para pensar o presente e o futuro, pelos primas da descolonização e da midiatização”.


A disciplina começará em 29 de agosto e finalizará em 05 de dezembro, contando com 30 horas e 10 encontros, sempre às terças entre 14h e 17h, no campus Maré da Fiocruz.

 

O objetivo geral da disciplina é promover um debate analítico e crítico entre estudantes, professores e convidados, sobre a relação entre a desigualdade e a comunicação no campo da saúde coletiva, considerando-se o seu atravessamento por dois eixos epistemológicos/teóricos: o do pensamento decolonial e o da midiatização.

 

Serão aceitas candidaturas de graduadas/os e matriculadas/os em cursos de pós-graduação lato sensu e stricto sensu até o dia 06 de julho. Outras disciplinas também estão sendo oferecidas e todas presenciais.

 

Interessados podem consultar a grade de disciplinas, com os horários das matérias e as cargas horárias na Chamada Pública que o PPGICS lançou.

 

Para realizar a inscrição, leia atentamente a Chamada Pública e preencha o formulário digital de inscrição, anexado a ela para envio, por e-mail, à Secretaria Acadêmica do PPGICS, colocando no assunto: externo.ppgics@icict.fiocruz.br, com a documentação solicitada (Currículo Lattes anexado).


Veja abaixo o quadro de disciplinas ofertadas:


 

Outras informações: https://www.icict.fiocruz.br/content/pos-graduacao-do-icict-abre-inscricoes-para-disciplinas-eletivas-20232  
 

 

quinta-feira, 2 de março de 2023

Jovens Ciganos participam de curso para combate às fake news em saúde

INTEGRAÇÃO:Exclusivo para juventude romani, encontros começaram nesta terça (28.02) e ocorrerão online até o próximo dia 23 de março

O curso de extensão Juventude Cigana: da Invisibilidade à Comunicação Popular em Saúde teve sua sessão inaugural nesta terça-feira (28.02). É a primeira sessão de uma programação que contará com oito encontros, voltados para o combate às fake news em saúde e a valorização das identidades e culturas ciganas. A formação é voltada para 30 jovens ciganos oriundos de 14 Estados brasileiros e pertencentes aos três troncos étnicos, os Calon, os Rom e os Sinti, que possuem culturas e identidades diferenciadas.

Nascida e criada no interior de Goiás e atualmente moradora de Goiânia (GO), a advogada e mestre em Direito Agrário, Sara Macedo, 26 anos, é uma das 30 jovens selecionadas para participar do curso. Pertencente ao tronco étnico Kalon, ela pondera que a relação entre a saúde dos povos ciganos, a comunicação e a saúde são pontos centrais. 

“A saúde sempre foi um debate que me atravessou de uma maneira muito grande. Toda minha família é usuária do SUS. Ninguém tem plano de saúde, no máximo aqueles planos funerários e a gente sabe que a saúde é um indicador importantíssimo das desigualdades em todas as comunidades historicamente perseguidas”, reflete Sara (foto).

Advogada popular ligada à Pastoral da Terra e atuando em Rondônia e Pará com casos de massacre no campo, Sara lembra que dados fidedignos são importantes para que os trabalhadores do SUS reconheçam os povos ciganos. “Quando a gente fala do SUS e dos profissionais destinados ao trabalho de unidades básicas de atendimento e nos postinhos do interior, a gente sabe que esse pessoal chega a partir dos dados e quando a gente fala da população cigana esses dados não existem. Então, como a gente faz?”, questiona a advogada Romani e complementa:

“A pauta da comunicação ou outra forma de comunicação para os nossos povos, que não fale de nós de maneira estereotipada e criminalizando, mas de outra forma de abordar, como a gente vai ver aqui, a partir da saúde. Este espaço do curso vai ser riquíssimo para a gente criar de fato alternativas de sobrevivência neste mundo”, conclui a participante.

Cursando o último ano do ensino médio e trabalhando como jovem aprendiz na área de direitos humanos, Renata Letícia Beserra de Matos, 16 anos, de Cuiabá, também participou da abertura do curso e está animada com a possibilidade de aprendizado. “A minha expectativa para este curso é poder adquirir mais conhecimento como jovem cigana e fazer com que a cultura da nossa etnia continue crescendo e não seja deixada de lado”, comentou.

Integração entre jovens ciganos brasileiros

Durante a abertura, a presidente da AEEC-MT, Fernanda Alves Caiado, abriu a sessão inaugural destacando a felicidade em reunir participantes ciganos e ciganas de todo o Brasil. Ela também ressaltou a importância do curso, inédito no país, que também objetiva a produção de conteúdos digitais nas áreas de saúde, a consolidação de modelos de comunicação dialógicos e comunitários, que reconheçam e dialoguem com as realidades das comunidades romanis e debatam o conceito ampliado de saúde.

“Estamos muito felizes com a presença de todos esses jovens de vários Estados, para aprendermos e refletirmos conjuntamente o que é fake news e como enfrentá-la, a ligação entre informação, comunicação e saúde e a valorização das identidades e das culturas ciganas. Agradeço a todos que se dedicaram a este momento, em especial à Fiocruz, ao governo do Canadá, à UFMT e todas as organizações parceiras.  Estamos aqui com vocês, por vocês e para vocês. Que o curso fortaleça a comunicação e integração entre os ciganos brasileiros”, ponderou Fernanda.

Também na oportunidade, esteve presente a assessora sociotécnica do projeto pela Fiocruz Brasília, Aedê Cadaxa. Em sua fala, a jornalista e servidora pública, enfatizou que o projeto Juventude Cigana integra um projeto maior, com 15 instituições não governamentais, que trabalham com a proposta da comunicação e saúde, pró direitos humanos. Aedê desejou a todos “momentos de muito aprendizado, troca, conhecimentos e fortalecimento, especialmente porque a partir deste curso poderão criar uma rede de jovens ciganos comunicadores populares”. 


Segundo Aedê (foto acima), o objetivo da chamada é “justamente trabalhar a comunicação popular, comunitária, feita por vocês, por quem vivencia as realidades e busca espaço, a garantia dos seus direitos, respeito à sua cultura e modos de viver. A partir do governo federal, não conseguiríamos potencializar ou trabalhar formadores para trabalhar desta forma. Acreditamos muito no território, nas pessoas fazendo por elas, e é isso que a gente quer que instituições como a de vocês criem redes, formem vocês, para serem as vozes dos seus povos”, ressaltou.

Por fim, Aedê Cadaxa comentou sobre a importância do debate do conceito ampliado de saúde e o envolvimento dos jovens no enfrentamento às fake news neste campo. “Vemos em vocês jovens e que trabalham com as redes sociais muita potência, para que todos posam alcançar uma saúde de forma equânime e universal e não apenas o conceito de saúde que se vincula a doença, mas também o conceito de saúde que tem o direito, à identidade, às escolhas, aos modos de viver, trabalho, transporte, moradia e ser reconhecido como é”, concluiu.

Encerrando a abertura da sessão inaugural, a Coordenadora Pedagógica do projeto pela UFMT, a professora do Departamento de História da instituição, Ana Carolina Borges Nascimento, destacou que está participando com uma ponte para garantir que ele seja registrado e institucionalizado e o certificado saia em tempo hábil. Também representante do Fórum de Entidades em Defesa do Patrimônio Cultural e Imaterial de Seção Mato Grosso, Ana Carolina ponderou sobre a importância de cursos de extensão para trazer os povos ciganos para o ambiente acadêmico e também fortalecer as pautas da visibilidade romani e as questões de cidadania.

“Sabemos que vocês têm pautas e demandas complexas, envolvendo sobretudo as questões de cidadania e de território e também da fake news. Estou para parabenizar e mais para aprender, para escutar, fazer trocas. A discussão que venho envolvendo raça, gênero e este mundo do trabalho está mais realocado para populações indígenas e negras e agora conhecendo mais e trabalhando também com os povos romanis. Minha mãe é descendente de Boé Bororo e eu sou preta, então, espero poder partilhar e me coloco à disposição”, finaliza Ana Carolina.

Professora do Departamento de História da UFMT e coordenadora pedagógica do Projeto Juventude Cigana, Ana Carolina Borges

Juventude Cigana

Organizada pela Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT) e o Departamento de História da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a formação oferece 30 vagas para pessoas ciganas entre 15 e 35 anos. 

Online, o curso é ofertado por meio de chamada pública lançada pela Fiocruz Brasília, em parceria com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e financiamento do Governo do Canadá. Também conta com as parcerias dos coletivos ciganos “Orgulho Romani” e “Ciganagens”, bem como o projeto Mapas da Vida, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR). A solenidade de abertura do curso, que é online, contou com a participação de representantes de todas as instituições parceiras do curso.

Texto: Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

Fotos: Arquivos pessoais e Karen Ferreira


sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

AEEC-MT e UFMT abrem inscrições para curso Juventude Cigana: da Invisibilidade à comunicação popular em saúde

 

A formação é online, gratuita e destinada exclusivamente para jovens romani de todo o Brasil. Inscrições começam nesta sexta-feira, 30/12/22 e vai até 20/01/2023. No Card os oficineiros do curso.

            A Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), em parceria com o Departamento de História da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), abriu inscrições para o curso online e gratuito realizado dentro do projeto “Juventude Cigana: da invisibilidade à comunicação popular em saúde". O objetivo é formar jovens ciganos, ciganas e ciganes para a produção de conteúdos digitais nas áreas de saúde considerando o combate à fake news e a consolidação de modelos de comunicação que se preocupem com as realidades das comunidades romaníes no Brasil.

            O curso é organizado pelos jornalistas e pesquisadores Aluízio de Azevedo e Gabriela Marques, do coletivo Orgulho Romani e  a partir de chamada pública da Organização Pan Americana de Saúde (OPAS) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)  com financiamento do governo do Canadá, que selecionou projetos de comunicação popular em saúde de todo o país.

            Serão realizadas oito sessões online, com especialistas e profissionais, sobre temas relativos à comunicação e saúde das comunidades ciganas, partindo do olhar crítico às mídias e a desinformação em saúde. Entre eles, a informação e a comunicação no campo da saúde; o que é desinformação e fake news, identificando racismo e anticiganismo: discursos de ódio e violências simbólicas; uso seguro das redes: midiatização e juventude; e produção de conteúdo para redes sociais: desafios para a autorrepresentação.

            Os encontros acontecerão entre 28/02 e 23/03 com uma hora e meia de duração cada. As inscrições estão abertas até 31/01 pelo link no formulário do Google Forms: https://forms.gle/saeZ9cXWa4gbXhQc9.                

Participantes com pelo menos 70% de presença receberão certificado ao final da formação emitido pela Universidade Federal do Mato Grosso e uma ajuda de custo como incentivo à participação. Após o encerramento do curso, será elaborado um guia online sobre produção de conteúdos em saúde para populações ciganas.

Critérios para seleção

-        Curso exclusivo para pessoas ciganas;

-        Faixa etária preferencial: 15 a 35 anos;

-        A seleção buscará paridade de gênero e diversidade sexual entre participantes;

-        Disponibilidade para participação nos horários do curso (19h às 20h30 - horário de MT e 20h às 21h30 - horário de Brasília);

-        A seleção buscará equidade étnica entre participantes proporcional às populações ciganas no Brasil;

-        A seleção buscará uma maior distribuição territorial com participantes das cinco regiões brasileiras

-        Em caso de alto volume de inscrições, será elaborada uma lista de espera, podendo haver abertura de mais vagas.

Programação

28/02 - Apresentação do projeto, dos facilitadores, oficineiros e participantes

02/03 – A informação  e a comunicação no campo da saúde - com Aluízio de Azevedo , Dr. em Informação, Comunicação e Saúde - Fiocruz/RJ, conselheiro Nacional de Promoção de Políticas de Igualdade Racial (CNPPIR), assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT.

07/03 –   O que é desinformação e fake news? Como identificar?  - com Roy Rógeres, cigano – jornalista da etnia Calon e tradição circense. Multiartista e mestrando no Programa de Pós-Graduação em Estudos Interdisciplinares Sobre a Universidade(PPGEISU)

09/03 - Definindo e identificando racismo e anticiganismo: discursos de ódio e violências simbólicas - com a Dra. Aline Miklos, cantora, defensora dos direitos humanos, Senior Fellow na Oficina do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OACNUDH/ América do Sul).

14/03 - Fact-checking: fontes, canais, legitimidade e representatividade - com Karla Araújo: jornalista formada pela Universidade Federal de Goiás (UFG), com experiência nas áreas de política, economia, cidades e fact-checking, em trabalho desenvolvido em sites e jornal impresso.

16/03 - Uso seguro das redes: midiatização e juventude - com Gabriela Marques: jornalista e professora, com Mestrado em Comunicação pela Universidade Federal de Juiz de Fora e doutorado em Comunicação Audiovisual e Publicidade pela Universidade Autônoma de Barcelona (Espanha). Trabalha com populações ciganas desde 2015, membro do coletivo Orgulho Romani.

21/03 - Produção de conteúdo para redes sociais: desafios para a autorrepresentação - com Danillo Kalon: artista visual e tatuador. Formação audiovisual, no Riomarket Jovem em parceria com o Festival de Cinema do Rio para jovens periféricos. Produtor Cultural e fotógrafo, artista plástico autodidata.

23/03 – Encerramento, apresentação de propostas e avaliação.

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Serviço

O que: Inscrições Curso “Juventude Cigana: da Invisibilidade à Comunicação Popular em Saúde

Quando: 30/12/2022 a 20/01/2023

Inscrições: https://forms.gle/saeZ9cXWa4gbXhQc9

Formato: online, 15h, terças e quintas entre 28/02 a 24/03/23

Texto: Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

Artes: Rodrigo Zaiden

Dúvidas: aeecmt@gmail.com