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quinta-feira, 2 de abril de 2026

AEEC solicita à Secel salvaguarda da Medicina Calon em MT

 
Secretário Adjunto de Cultura de MT, Jan Moura recebe Livro As Calins do Cerrado, do organizador do livro, o gestor de projetos da AEEC/MT, Aluízio de Azevedo

O gestor de projetos da AEEC-MT, Aluízio de Azevedo, esteve na última sexta-feira (27/03) na Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso (AEEC/MT), ocasião em que se reuniu com o secretário adjunto de cultura do Estado, Jan Moura e a superintendente de Desenvolvimento Criativo, Keiko Okamura.

Na ocasião, Aluízio entregou cinco edições do livro “Calins do Cerrado – Medicina e Sabedorias Ciganas”, publicado em 2025 pela Editora Entrelinhas, por meio do Edital Viver Cultura e com proposição da vice-presidente da AEEC-MT, Jessika Lorrayne Alves Cabral Lima Leme.

Além de Jan e Keiko, também foram presenteados o secretário de Estado de Cultura, David Moura e a Assessoria de Imprensa da Secel/MT, representada pelas maravilhosas Cida Rodrigues e Andéa Haddad, parceiros de primeira hora dos povos ciganos de MT.

Durante o encontro com o Secretário Jan Moura, ficou acertado que o Estado será um grande parceiro para registrar a medicina tradicional cigana (um dos itens principais do livro) como patrimônio cultural e imaterial de Mato Grosso.

Aguardem que vem novidades boas por aí!

#povosciganos #secelmt #aeecmt #mt #calon #rom #sinti

Aluízio de Azevedo e superintendente Keiko Okamura

terça-feira, 21 de maio de 2024

II Encontro de Mulheres Ciganas de MT ocorre dia 25 de Maio em Cuiabá

Evento ocorre dia 25 de maio em Cuiabá, reúne 30 mulheres Calins e valoriza os saberes e fazeres ancestrais das mulheres ciganas. Na foto, participantes do I Encontro produzem garrafada.

No próximo dia 25 de maio (sábado), 30 mulheres Calins participarão do II Encontro de Mulheres Ciganas de Mato Grosso. Uma realização da Associação Estadual das Etnias Ciganas (AEEC-MT), o vento é financiado por meio de seleção no edital público Viver Cultura 2022 da Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT) e coordenado pela presidente da AEEC-MT, Rosana Cristina Alves de Matos.

O II encontro de Mulheres Ciganas de MT integra a programação do IV Encontro de Cultura Cigana de MT e é uma continuidade do movimento que a AEEC-MT iniciou em 2021, com a edição do I Encontro, que ocorreu em Rondonópolis entre 21 e 23 de abril. Os encontros visam promover o reconhecimento dos saberes e práticas ancestrais das mulheres ciganas do tronco étnico Calon como relevantes manifestações do patrimônio cultural cigano, mato-grossense e brasileiro.

Valorizando o aspecto cultural da itinerância, historicamente vinculado às etnias ciganas, o II Encontro ocorre em Cuiabá, segunda maior cidade com população cigana do Estado, reunindo mais de 100 pessoas. O evento ocorre na Chácara Almeida, localizada no bairro Dr. Fábio.

A programação conta com oficina de medicina tradicional Calon, especialidade de muitas mulheres ciganas, especialmente as anciãs, como a Mestra Diva e suas primas Dora, Olga, Cida, Isa, Terezinha, Biga e Irandi. O evento contará ainda com uma pequena mostra da culinária Calon.

A mesa de abertura terá a participação da Coordenadora Geral de Acesso e Equidade da Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Lilian Gonçalves e da técnica ponto focal para a pauta da saúde cigana no órgão, Rafaela Barros. Também conta com a participação da secretária adjunta de Cultura do Estado, Keiko Okamura e da presidente da AEEC-MT, Rosana Matos.

Aliás, Keiko também participará de roda de diálogo, ao lado de Antonieta costa, da Casa das Pretas, mediada pela ex-presidente da AEEC-MT, Fernanda Caiado, com o tema “Mulheres, ativismo social e empreendedorismo cultural”.

A programação contará ainda com a Roda de Diálogo “Medicina tradicional cigana: produzindo uma garrafada para saúde da mulher” e vivência com a artista cigana, Jaque Roque.  E palestra sobre saúde da mulher, com a participação da médica da família e comunidade, Ana Carolina Copriva, membro da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares.

Objetivos - Segundo a presidente da AEEC-MT e proponente do encontro, o objetivo é fortalecer as expressões culturais calon, partindo das mulheres. “Queremos fortalecer a nossa autoestima, a partir da revalorização das tradições das Calins e suas manifestações e modos próprios de autorrepresentação. Propomos um movimento de inclusão que gira em torno do reconhecimento dos saberes femininos. Valorizar as mulheres, é fortalecer a cultura Calon”, pondera Rosana.

Presidente da AEEC-MT e proponente do II Encontro de Mulheres Ciganas de MT, Rosana Alves

A produtora executiva do projeto, Fernanda Caiado, revela que a ideia central é a conservação de tradições, narrativas, memórias, histórias e costumes ciganos. Para ela, o fundamental, é trazer as demandas e necessidades das mulheres ciganas, especialmente, na área da saúde, foco da programação desta segunda edição. Para a Calin, garantir a continuidade da cultura Calon, significa enriquecer culturalmente a sociedade mato-grossense.

“Historicamente as etnias ciganas foram excluídas e perseguidas. Foram implementadas políticas persecutórias, nos proibindo de falar a língua, praticar nossos costumes, viver em comunidade. Mas nós resistimos, mantendo conhecimentos e práticas próprias, sem sermos assimilados. O que nós queremos é garantir que esse modo de vida próprio seja mantido e que nossos jovens e crianças tenham a possibilidade de um futuro de inclusão social plena”, avalia Fernanda.

Outro objetivo do projeto é desconstruir imaginários preconceituosos e discriminatórios contra as pessoas ciganas. Os preconceitos e o racismo histórico afetam sobretudo as mulheres Calins, impactadas duplamente: pelas exclusões socioeconômicas e étnico-racial e pelo viés machista, tanto da sociedade em geral, quanto internamente, uma vez que o machismo se manifesta, ainda que de forma diferente, entre algumas famílias ciganas.

“Houve uma tentativa de apagamento das identidades culturais ciganas, que são expressas ainda hoje por um imaginário recheado de estereótipos negativos, que precisam ser quebrados”, comenta o diretor de arte e cultura da AEEC-MT, Rodrigo Zaiden, diretor de produção e arte do II Encontro, lembrando que a proposta rompe com essas opressões e é construído com as participantes, suas narrativas e saberes.

Mulheres Ciganas confeccionam garrafada para saúde da mulher em Rondonópolis no I Encontro de Mulheres Ciganas de MT

I Encontro em Rondonópolis

Durante três dias de abril de 2021 (23 a 25 de abril) ocorreu, de forma inédita em Rondonópolis, o I Encontro de Mulheres Ciganas de MT. O evento foi um dos produtos transmidiáticos do projeto “Diva e as Calins de MT: Ontem, Hoje e Amanhã”, aprovado no edital Conexão Mestres da Cultura (Aldir Blanc, SECEL-MT).

A vivência reuniu 15 mulheres ciganas que trocaram experiências e aprofundaram conhecimentos em torno dos saberes da Mestra da cultura mato-grossense, Maria Divina Cabral, a Diva, condecorada no projeto pelos relevantes serviços prestados para a comunidade cigana e não-cigana como raizeira, benzedeira e conservação das tradições Romanis.

Outras informações: aeecmt@gmail.com

Aluízio de Azevedo, Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

domingo, 7 de janeiro de 2024

Em Janeiro: AEEC encerra participação no Move MT 2 e produz segunda temporada da série com as Calins

O Grupo de Danças Tradição Cigana é o beneficiário principal da iniciativa aprovada pela AEEC no programa Move MT 2, com a criação do Núcleo de Artes Cênicas

O ano de 2024 começou a todo vapor na Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT). O mês de janeiro encerra consolidando e concluindo etapas de dois ciclos de produção iniciados em 2023.

No dia 18 de janeiro, o Núcleo de Artes Cênicas (NAC) Tradição Cigana encerrará sua participação no programa Move MT 2, uma realização da Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT) executada em parceria com a Oi Futuro e o Instituto Ekloos.

Nessa data, o NAC e outras 19 iniciativas que participam do Move MT 2, participarão de banca de pitching com representantes das três instituições executoras. Cinco iniciativas serão selecionadas para receber recursos do programa e iniciarem suas atividades. Elas também participarão de um intercâmbio na Oi Futuro do Rio de Janeiro.

O programa começou em julho e ofereceu formações e mentorias em diversas áreas como captação de recursos, comunicação, preparação para pitching, elaboração de projetos, gestão, planejamento e avaliação de projetos, ações e atividades.

Quatro pessoas do NAC/AEEC-MT participaram do programa: a coordenadora do grupo de Danças Tradição Cigana, Audelena Dias Cabral e o integrante do grupo, José Arthur Pereira dos Santos, o coordenador de arte e cultura da AEEC-MT, Rodrigo Zaiden e o Assessor para Ciência e Comunicação, Aluízio de Azevedo.

O objetivo principal da participação da AEEC no Move MT 2 é a profissionalização e estruturação do grupo de Danças Tradição Cigana, que nasceu há mais de 10 anos na comunidade Calon do município de Rondonópolis.

Vem aí: Luzia e As Calins do Cerrado

Já durante os dias 11 a 25 de janeiro, a equipe do núcleo de audiovisual da instituição estará em campo nos Estados de Goiás e Mato Grosso para captar a segunda temporada da série com as mulheres Calins do Cerrado.

Desta vez, o projeto tem o patrocínio do Fundo Social Elas +, por meio de aprovação no Edital “Mulheres em Movimento 2023”. “Calin” é o modo como as mulheres do tronco étnico Calon se autodenominam e pode ser traduzido como “cigana”.

Assim como na primeira temporada da série, Diva e as Calins de Mato Grosso (2022),a temporada 2024 conta com cinco episódios e trará uma matriarca cigana da etnia Calon, Luzia Alves Porto, como personagem central.

Episódio Terra da série Diva e as Calins de MT, com a agricultora Nerana Rodrigues, de Tangará da Serra. Projeto foi vencedor do prêmio Rodrigo Mello Franco 2022.

Residente no município de Sinop, os ensinamentos, saberes, memórias e narrativas de Luzia, perpassam o imaginário comum das outras mulheres ciganas, que estrelarão os outros quatro episódios. Além de mulheres Calins de MT, o projeto trará um episódio abordando mulheres ciganas que vivem no Estado de Goiás, tendo a ativista e pesquisadora Calin, Sarah Macedo, como participante central.

Além desta etapa de captação em janeiro, o núcleo de audiovisual da AEEC realizou em setembro de 2023 gravações em Rondonópolis com Zilma Rodrigues Cunha, que também estrelará um episódio nesta segunda temporada.

A previsão é de que a produção seja lançada em maio de 2024, marcando o Dia Nacional dos Povos Ciganos, comemorado no Brasil desde 2006. O projeto contempla ainda a construção do novo portal da AEEC-MT, que também será lançado na mesma data.

A cantora, compositora e multiartista Romi, Aline Miklos, também fará a trilha sonora original da segunda temporada da série, que conta ainda com a direção de fotografia de Karen Ferreira, com direção geral de Rodrigo Zaiden e roteiro e codireção de Aluízio de Azevedo.

Para assistir a primeira temporada da série Diva e As Calins de MT, basta acessar a página do YouTube da AEEC-MT ou o site do projeto, no link: www.galeriacalin.com.

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

segunda-feira, 15 de maio de 2023

Episódio 3 da Série Diva e as Calins chega ao YouTube nesta quinta

O episódio 3 traz a história de vida de Nilva Rodrigues Cunha, Calin de Rondonópolis,

Em comemoração ao Dia Nacional dos Ciganos (24 de maio), nesta semana lançaremos o terceiro episódio da série Diva e as Calins de MT

O terceiro episódio traz a história de vida da Calin, Nilva Rodrigues Cunha, que mora em Rondonópolis

Não percam, a estreia está prevista para 14h desta quinta-feira (18.05) no seguinte link: https://www.youtube.com/watch?v=aVsRzV9uUYM  

Durante cada semana de maio lançaremos um dos cinco episódios da minissérie no canal do YouTube da AEEC-MT.

Os outros dois episódios, com a Mestra Diva e Terzinha Alves podem ser acessados no Canal do YouTube da @aeecmt no link: https://www.youtube.com/@aeecmt7993

A série integra o projeto “Diva e as calins de Mato Grosso: Ontem, Hoje e Amanhã”, aprovado no Edital Conexão Mestres da Cultura, da lei Aldir Blanc, da Secel-MT

O projeto pode ser acessado na integra no www.galeriacalin.com

Sinopse

O terceiro episódio aborda a história da ativista e negociante, Nilva Rodrigues Cunha, que reside em Rondonópolis. Prima-irmã de Diva; ela é diretora de mulheres da AEEC-MT, é ativista política há mais de 30 anos e uma das principais mantenedoras da tradição cigana no aspecto dos trajes tradicionais femininos. Nilva domina a língua cigana e é uma contadora de histórias natas, transformando-se numa referência de luta e articulação política dentro e fora da comunidade cigana mato-grossense.

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Ficha Técnica

Realização: Lei Aldir Blanc, SECEL-MT

Apresentação: Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT)

Direção Geral: Aluízio de Azevedo

Codireção: Rodrigo Zaiden e Karen Ferreira

Roteiro e Pesquisa: Aluízio de Azevedo

Produção Executiva: Fernanda Alves Caiado e Lucélia Márcia Pereira de Lima

Assistente de Produção Executiva: Jéssika Lorraine

Produção: Kaiardon Produções

Produções locais: Nilva Rodrigues, Suiany Pereira, Rosana Cristina Alves de Matos, Audelena Dias Cabral

Direção de Fotografia: Karen Ferreira

Direção de Arte: Rodrigo Zaiden

Direção de Programação: Terezinha Alves

Edição: Juliana Corso

Montagem: Aluízio de Azevedo e Juliana Corso

Trilha Sonora Original: Aline Miklos e Arian Houschmand

Finalização e Colorização: Isabela Padilha

Assessoria de Comunicação: Aluízio de Azevedo

Lay out e Identidade Visual: Vicente Albuquerque de Maranhão

Assistente de arte e caracterização: Alisson Rangel

Som Direto e Desenho de som: Manoel Neto

Parceria musical:  projeto Kalo Chiriklo / Banda Pájaro Negro: Ramajana, Canto Del Gitano, Clavo Santo, Fantasía e Vanushka

Contabilidade: Adriana Rodrigues Angola

Texto: Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

Fotos: Karen Ferreira


terça-feira, 2 de maio de 2023

AEEC-MT lança série Diva e as Calins de MT em comemoração ao Dia Nacional dos Ciganos

 

A Mestra da cultura mato-grossense, raizeira e benzedeira de etnia Calon, Maria Divina Cabral, a Diva, ao lado das filhas, netas e bisnetas, estreia o primeiro episódio da série que leva seu nome

No próximo dia 24 de maio comemoramos no Brasil o Dia Nacional dos Povos Ciganos. Para comemorar a data, que foi estabelecida por meio do Decreto presidencial de 25 de maio de 2006, a Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT) lançará a minissérie “Diva e as Calins de Mato Grosso”.

O primeiro episódio traz a história de vida da Mestra da Cultura Mato-grossense, a raizeira e benzedeira de etnia Calon, Maria Divina Cabral, a Diva. A estreia está programada para ocorrer às 14h da próxima quinta-feira (14.05), no seguinte link: https://youtu.be/atq6-dEt_XY

Durante cada semana de maio lançaremos um dos cinco episódios da minissérie no canal do YouTube da AEEC-MT, que pode ser acessado no seguinte link: https://www.youtube.com/@aeecmt7993.

A série, que integra o projeto “Diva e as calins de Mato Grosso: Ontem, Hoje e Amanhã”, traz a força, a beleza e a sabedoria de cinco mulheres ciganas, que tanto estruturam suas famílias e comunidades, quanto fazem a diferença na realidade social do Estado e do país.

Tradição e identidade

Cada episódio da série enfoca na história de vida de uma mulher cigana que vive em MT. O primeiro traz a história de Diva e os outros quatro são compostos por uma tia, Venerana Rodrigues (Tangará da Serra, episódio 5) e três primas: Terezinha Alves (Cuiabá – Episódio 2), Nilva Rodrigues (Rondonópolis, episódio 3) e Irandi Rodrigues (Tangará e Cuiabá – Episódio 4).

“Assim como a raizeira, consideramos que essas outras quatro lideranças, são mestras da cultura cigana. É que os saberes femininos e elementos das identidades ciganas se ramificam em inúmeros outros elementos culturais, a exemplo da união familiar, da liderança política, da língua e da filosofia de vida”, explica o diretor e roteirista, Aluízio de Azevedo.

Segundo o codiretor e diretor de arte, Rodrigo Zaiden, “Diva e as Calins de MT” aborda aspectos que tangem a circularidade do tempo. “A vida rural e nômade nas barracas, mais próxima à natureza, por exemplo, no passado; os modos de organização social nas cidades e cosmovisão que se hibridizam ou confrontam ao estilo de vida das sociedades mato-grossense/brasileira nos dias de hoje; ou ainda a visão que as mulheres Calins (modo como as mulheres do tronco étnico Calon se autodenominam) almejam conquistar e/ou conservar como traços identitários e culturais no futuro”, pondera.

Para a diretora de fotografia e codiretora, Karen Ferreira, a série busca suprir uma lacuna de representação artística no campo do audiovisual acerca dos povos ciganos, que historicamente foram ou invisibilizados e silenciados, ou sofreram inúmeras violências físicas e simbólicas, como a construção de estereótipos extremamente negativos ou exclusão social. Mas que mesmo assim, resistiram como identidade e culturas de resistência.

“Um dos maiores desafios da obra foi retratar as mulheres ciganas a partir do modo como elas queriam ser vistas. Outro desafio, em sua opinião, "foi romper com preconceitos e estereótipos existentes no imaginário social sobre as mulheres ciganas”. A diretora de fotografia lembra que "a proposta nasceu dentro da própria comunidade, buscando romper com paradigmas racistas e machistas, a partir de um material transmidiático, baseado em múltiplas linguagens, mas, sobretudo, ancorado no diálogo com as participantes e nos modos como elas queriam ser representadas”.

Realizado por meio da Lei Aldir Blanc, da Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (SECEL-MT), o projeto premiou a raizeira e benzedeira Maria Divina Cabral, a Diva, como mestra da cultura mato-grossense.

Além da minissérie, o projeto contou também com o I Encontro de Mulheres Ciganas, que ocorreu em Rondonópolis em 2021; e a Exposição Multimídia Calin, que trouxe 30 mulheres ciganas residentes nas cidades de Rondonópolis, Cuiabá e Tangará da Serra e pode ser acessada no link www.galeriacalin.com.

Saberes e Re-existências

O primeiro episódio (Card abaixo) adentra ao universo romani trazendo como foco a história da Mestra Diva, que nasceu a 25 de setembro de 1954, em uma barraca, num acampamento na cidade de Mineiros (GO). Filha de Lázaro Alves Pereira e Lourdes Rodrigues Pereira, casou-se dentro da tradição cigana, com o seu primo (filho da irmã do pai), Jair Alves Cabral, construindo e mantendo um profundo conhecimento da filosofia Calon e seu sistema de ação e organização sociocultural. 



A mestra viveu boa parte de sua vida nos lombos dos cavalos, trafegando pelos Estados da região Centro-oeste, até fixar residência com a família e parte de sua comunidade no município de Rondonópolis (a 210 km ao sul de Cuiabá), onde se concentra a maior comunidade cigana de MT – 150 pessoas. Atualmente, a calin mora em uma modesta residência de apenas três cômodos, na Vila Poroxo e ajuda a todos que chega com rezas, benzeções, aconselhamentos e remédios naturais. O principal deles é garrafada, composta por diversidade de raízes do cerrado, indicada para várias enfermidades. 

O segundo episódio (Card acima) traz as narrativas da assistente social Terezinha Alves (Cuiabá). Prima de Diva, também nascida em uma barraca, ela foi a primeira calin em MT a cursar o ensino superior, graduando-se em serviço social na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Uma das fundadoras e diretora de mobilização da AEEC-MT, Terezinha atualmente representa os povos ciganos como conselheira do Conselho Nacional de Igualdade Racial (CNPIR), bem como no Comitê Estadual dos Povos e Comunidades Tradicionais de Mato Grosso (CEPCT-MT).

O terceiro episódio (Card acima) aborda a história da ativista e negociante, Nilva Rodrigues Cunha, que reside em Rondonópolis. Prima-irmã de Diva; ela é diretora de mulheres da AEEC-MT, é ativista política há mais de 30 anos e uma das principais mantenedoras da tradição cigana no aspecto dos trajes tradicionais femininos. Nilva domina a língua cigana e é uma contadora de histórias natas, transformando-se numa referência de luta e articulação política dentro e fora da comunidade cigana mato-grossense.

O quarto episódio (Card acima) enfoca nas memórias da professora aposentada, Irandi Rodrigues Silva (Cuiabá-Tangará da Serra), exemplo de superação de todas as barreiras da exclusão e dos estereótipos acerca das mulheres ciganas. Prima-irmã de Diva, Irandi aprendeu a ler e a escrever o nome aos 8 anos, com um graveto no chão, após uma moça não cigana casar-se com o seu tio acompanhar o grupo e ensiná-la. O primeiro contato com lápis e caderno foi aos 13 anos, quando o pai contratou essa tia para ensiná-la e os seis irmãos o básico da escrita em casa. Após casar-se estudou, graduou-se e trabalhou 25 anos alfabetizando numa escola estadual. 

 

O quinto e último episódio (Card acima) traz a história de vida da agricultora Venerana Rodrigues Pereira (Tangará da Serra). Tia de Diva, Tia Nerana, como é mais conhecida, é casada com Eurípedes Alves Pereira, é uma das mais respeitadas matriarcas calin em MT. Reconhecida pela amorosidade, pela generosidade e as mãos boas para as plantas, tia Nerana fala sobre como era a vida das mulheres ciganas no passado e como elas atualmente, conseguem estudar e se empregam no mercado de trabalho formal.

 

Ineditismo e reconhecimento nacional pelo IPHAN

 

Pelo ineditismo no reconhecimento e na conservação do patrimônio imaterial brasileiro e da diversidade cultural nacional, a iniciativa e seus produtos transmídias, incluindo a série, foi uma das cinco vencedoras do prêmio Rodrigo Mello Franco / 2033, concedido pelo IPHAN.

“Ter este reconhecimento de que estamos fazendo preservação do patrimônio cultural brasileiro, no primeiro projeto que executamos com recursos públicos, nos encheu de orgulho em sermos ciganos e ciganas e mantermos nossas raízes e costumes”, emociona-se a presidente da AEEC-MT e produtora executiva da série, Fernanda Alves Caiado.

Para ela, o diferencial do projeto “foi unir arte, tecnologia e tradição para registrar e fortalecer conhecimentos ciganos, que são transmitidos de forma oral e centrados nas mulheres, por meio de uma interlocução com Diva e suas parentas que vivem em três municípios: Rondonópolis, Cuiabá e Tangará da Serra”.

 

Ficha Técnica

Realização: Lei Aldir Blanc, SECEL-MT

Apresentação: Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT)

Direção Geral: Aluízio de Azevedo

Codireção: Rodrigo Zaiden e Karen Ferreira

Roteiro e Pesquisa: Aluízio de Azevedo

Produção Executiva: Fernanda Alves Caiado e Lucélia Márcia Pereira de Lima

Assistente de Produção Executiva: Jéssika Lorraine

Produção: Kaiardon Produções

Produções locais: Nilva Rodrigues, Suiany Pereira, Rosana Cristina Alves de Matos, Audelena Dias Cabral

Direção de Fotografia: Karen Ferreira

Direção de Arte: Rodrigo Zaiden

Direção de Programação: Terezinha Alves

Edição: Juliana Corso

Montagem: Aluízio de Azevedo e Juliana Corso

Trilha Sonora Original: Aline Miklos e Arian Houschmand

Finalização e Colorização: Isabela Padilha

Assessoria de Comunicação: Aluízio de Azevedo

Lay out e Identidade Visual: Vicente Albuquerque de Maranhão

Assistente de arte e caracterização: Alisson Rangel

Som Direto e Desenho de som: Manoel Neto

Parceria musical:  projeto Kalo Chiriklo / Banda Pájaro Negro: Ramajana, Canto Del Gitano, Clavo Santo, Fantasía e Vanushka

Contabilidade: Adriana Rodrigues Angola

 

Texto: Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

Fotos: Karen Ferreira

 

 

Prêmio Rodrigo Franco 2022: Em MT, mulheres ciganas são protagonistas de minissérie

Diva e as Calins de Mato Grosso traz a cultura cigana com base na história de uma família do interior do estado

Com o objetivo de promover a emancipação das mulheres ciganas, por meio da valorização e registro de suas culturas e saberes, a Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT) produziu a minissérie para a web Diva e as Calins de Mato Grosso - ontem, hoje e amanhã. Dividida em cinco episódios, a série traz a força, a beleza e a sabedoria das mulheres ciganas que vivem nos municípios de Rondonópolis, Cuiabá e Tangará da Serra . O projeto foi um dos vencedores da 35ª edição do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2022.

De acordo com a presidente da AEEC-MT e produtora executiva do projeto, Fernanda Caiado, a websérie dialoga com o modo de vida da comunidade cigana no passado e futuro. “A série aborda aspectos que tangem ao passado, como a vida rural e nômade nas barracas, mais próxima à natureza; os modos de organização social que confrontam o estilo de vida das sociedades mato-grossense/brasileira nos dias de hoje; ou ainda a visão que as mulheres Calins almejam conquistar e/ou conservar como traços identitários e culturais no futuro”, explicou.

O termo Calins está relacionado ao modo como as mulheres ciganas do tronco étnico Calon se autodenominam. “Existem troncos étnicos ciganos, o Calon, Rom e Sinti. As mulheres do tronco Calon se autodenominam Calin, daí veio o nome do projeto”, contou o diretor e roteirista, Aluízio de Azevedo.

Cada episódio foca na história de vida de uma mulher cigana: Diva, sua tia e três primas. As mulheres são mestras da cultura cigana, que se ramifica em inúmeros outros elementos culturais, a exemplo da união familiar, da liderança política, da língua e da filosofia de vida.

O diretor da minissérie destacou que o objetivo principal é romper com paradigmas racistas e machistas, além do preconceito que, historicamente, atinge as comunidades ciganas pelo mundo. “A sociedade enxerga a comunidade cigana de dois modos. O primeiro é a romantização das belas mulheres que estão sempre viajando, com liberdade e misticismo. A outra é a visão de que ciganos são trapaceiros, que são sequestradores, sujos. Nem uma nem outra é correta”, explicou Aluízio de Azevedo.

Realizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Prêmio Rodrigo tem como objetivo valorizar e promover ações que atuam na preservação dos bens culturais do Brasil. Em 2022, teve como tema a Sustentabilidade Socioeconômica do Patrimônio Cultural e foram escolhidos 10 projetos vencedores. 

Assessoria de Comunicação Iphan

Guilherme Gomes - guilherme.gomes@iphan.gov.br

Disponível em: https://www.gov.br/iphan/pt-br/assuntos/noticias/em-mato-grosso-mulheres-ciganas-sao-protagonistas-de-minisserie 

 

 


sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

AEEC-MT e UFMT abrem inscrições para curso Juventude Cigana: da Invisibilidade à comunicação popular em saúde

 

A formação é online, gratuita e destinada exclusivamente para jovens romani de todo o Brasil. Inscrições começam nesta sexta-feira, 30/12/22 e vai até 20/01/2023. No Card os oficineiros do curso.

            A Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), em parceria com o Departamento de História da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), abriu inscrições para o curso online e gratuito realizado dentro do projeto “Juventude Cigana: da invisibilidade à comunicação popular em saúde". O objetivo é formar jovens ciganos, ciganas e ciganes para a produção de conteúdos digitais nas áreas de saúde considerando o combate à fake news e a consolidação de modelos de comunicação que se preocupem com as realidades das comunidades romaníes no Brasil.

            O curso é organizado pelos jornalistas e pesquisadores Aluízio de Azevedo e Gabriela Marques, do coletivo Orgulho Romani e  a partir de chamada pública da Organização Pan Americana de Saúde (OPAS) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)  com financiamento do governo do Canadá, que selecionou projetos de comunicação popular em saúde de todo o país.

            Serão realizadas oito sessões online, com especialistas e profissionais, sobre temas relativos à comunicação e saúde das comunidades ciganas, partindo do olhar crítico às mídias e a desinformação em saúde. Entre eles, a informação e a comunicação no campo da saúde; o que é desinformação e fake news, identificando racismo e anticiganismo: discursos de ódio e violências simbólicas; uso seguro das redes: midiatização e juventude; e produção de conteúdo para redes sociais: desafios para a autorrepresentação.

            Os encontros acontecerão entre 28/02 e 23/03 com uma hora e meia de duração cada. As inscrições estão abertas até 31/01 pelo link no formulário do Google Forms: https://forms.gle/saeZ9cXWa4gbXhQc9.                

Participantes com pelo menos 70% de presença receberão certificado ao final da formação emitido pela Universidade Federal do Mato Grosso e uma ajuda de custo como incentivo à participação. Após o encerramento do curso, será elaborado um guia online sobre produção de conteúdos em saúde para populações ciganas.

Critérios para seleção

-        Curso exclusivo para pessoas ciganas;

-        Faixa etária preferencial: 15 a 35 anos;

-        A seleção buscará paridade de gênero e diversidade sexual entre participantes;

-        Disponibilidade para participação nos horários do curso (19h às 20h30 - horário de MT e 20h às 21h30 - horário de Brasília);

-        A seleção buscará equidade étnica entre participantes proporcional às populações ciganas no Brasil;

-        A seleção buscará uma maior distribuição territorial com participantes das cinco regiões brasileiras

-        Em caso de alto volume de inscrições, será elaborada uma lista de espera, podendo haver abertura de mais vagas.

Programação

28/02 - Apresentação do projeto, dos facilitadores, oficineiros e participantes

02/03 – A informação  e a comunicação no campo da saúde - com Aluízio de Azevedo , Dr. em Informação, Comunicação e Saúde - Fiocruz/RJ, conselheiro Nacional de Promoção de Políticas de Igualdade Racial (CNPPIR), assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT.

07/03 –   O que é desinformação e fake news? Como identificar?  - com Roy Rógeres, cigano – jornalista da etnia Calon e tradição circense. Multiartista e mestrando no Programa de Pós-Graduação em Estudos Interdisciplinares Sobre a Universidade(PPGEISU)

09/03 - Definindo e identificando racismo e anticiganismo: discursos de ódio e violências simbólicas - com a Dra. Aline Miklos, cantora, defensora dos direitos humanos, Senior Fellow na Oficina do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OACNUDH/ América do Sul).

14/03 - Fact-checking: fontes, canais, legitimidade e representatividade - com Karla Araújo: jornalista formada pela Universidade Federal de Goiás (UFG), com experiência nas áreas de política, economia, cidades e fact-checking, em trabalho desenvolvido em sites e jornal impresso.

16/03 - Uso seguro das redes: midiatização e juventude - com Gabriela Marques: jornalista e professora, com Mestrado em Comunicação pela Universidade Federal de Juiz de Fora e doutorado em Comunicação Audiovisual e Publicidade pela Universidade Autônoma de Barcelona (Espanha). Trabalha com populações ciganas desde 2015, membro do coletivo Orgulho Romani.

21/03 - Produção de conteúdo para redes sociais: desafios para a autorrepresentação - com Danillo Kalon: artista visual e tatuador. Formação audiovisual, no Riomarket Jovem em parceria com o Festival de Cinema do Rio para jovens periféricos. Produtor Cultural e fotógrafo, artista plástico autodidata.

23/03 – Encerramento, apresentação de propostas e avaliação.

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Serviço

O que: Inscrições Curso “Juventude Cigana: da Invisibilidade à Comunicação Popular em Saúde

Quando: 30/12/2022 a 20/01/2023

Inscrições: https://forms.gle/saeZ9cXWa4gbXhQc9

Formato: online, 15h, terças e quintas entre 28/02 a 24/03/23

Texto: Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

Artes: Rodrigo Zaiden

Dúvidas: aeecmt@gmail.com