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terça-feira, 10 de março de 2026

Calins do Cerrado Medicinas e Sabedorias Ciganas

Cerca de 30 pessoas participaram do lançamento da obra na Municipal Manoel Severino da Silva. Foto: Maria Clara Aquino

A noite do último dia 06 de fevereiro (sexta-feira) foi de bastante emoção para a comunidade cigana de Rondonópolis e para a AEEC-MT. Neste dia, a AEEC-MT, por meio de sua vice-presidente, Jéssika Lorrayne Alves Cabral Lima Leme, lançou o livro “Calins do Cerrado – Medicinas e Sabedorias Ciganas”.

Vice-presidente da AEEC-MT, Jéssika Lorrayne, de azul, autografa o livro para a prima Suiany Alves, na noite de lançamento, em Rondonópolis. Foto: Maria Clara Aquino.

Cerca de 30 pessoas compareceram ao lançamento, que ocorreu entre 19h e 22h na Biblioteca Municipal Manoel Severino da Silva, localizada na Vila Operária. Entre elas, a presidente da AEEC-MT, Rosana Cristina Alves de Matos Cruz, a tesoureira da instituição, Fernanda Caiado, e a mestra da cultura mato-grossense, Maria Divina Cabral, a Diva e a ativista, Nilva Rodrigues Cunha.

Da esquerda para direita; a mestra da cultura Mato-grossense, Maria Divina Cabral, a Mestra Diva, ao lado da prima Aparecida Alves de Cuiabá e do marido Jair Alves Cabral, conferem o livro impresso. Foto: Maria Clara Aquino.

O lançamento contou ainda com a presença do organizador, Aluízio de Azevedo e duas das autoras, o diretor de cultura da AEEC-MT, Rodrigo Zaiden, que também assinou a produção e a direção de arte da obra e o coordenador de povos tradicionais da prefeitura municipal de Rondonópolis, Djalma Santos.

Duas obras audiovisuais foram exibidas na programação de lançamento do livro: o episódio “Zilma” da minissérie Luzia e As Calins de Mato Grosso, que ainda está inédita e o vídeo institucional V Encontro de Cultura Cigana de MT, que retrata o último encontro realizado pela AEEC-MT, em 2025.

A programação do lançamento finalizou com noite de autógrafos e uma confraternização com coquetel para os presentes.

Aluízio de Azevedo, Aparecida Alves e Nilva Rodrigues Cunha, na noite de lançamento da obra. Foto: Maria Clara Aquino.

Publicado pela Editora Entrelinhas, o livro é financiado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel/MT), por meio do projeto “Mestra Diva – Ensinamentos e Sabedorias da Medicina Calon”, aprovado no Edital de Seleção Pública Viver Cultura – Identidades – Edição LPG 2023.

Um dos temas centrais é a ligação entre as tradições ciganas, como a medicina Calon e a natureza, mais especificamente o cerrado, no caso das Calins que vivem no Estado. O livro traz contos de cinco mulheres ciganas de quatro cidades de MT. Entre elas a Mestra da Cultura Mato-grossense, raizeira Maria Divina Cabral, a Mestra Diva, de Rondonópolis, que também é a entrevistada especial da edição.

O foco da publicação são os saberes tradicionais das mulheres ciganas de etnia Calon, que se autodenominam Calins. Foto: Maria Clara Aquino.

Além disso, participam da obra a professora aposentada Irandi Rodrigues Silva (Chapada dos Guimarães), a assistente social, Terezinha Alves (Cuiabá), a matriarca da comunidade Calon de Tangará da Serra, Venerana Rodrigues Cunha Pereira e a ativista Nilva Rodrigues Cunha (Rondonópolis).

De acordo com Jéssika Lorrayne, este é o primeiro livro publicado na literatura mato-grossense inteiramente produzido por pessoas ciganas. A obra conta ainda com audiodescrição.

Segundo a proponente, a obra é uma continuidade do projeto Diva e As Calins de Mato Grosso: Ontem, Hoje e Amanhã, que reconheceu e homenageou Maria Divina como mestra da Cultura Mato-grossense e se desdobrou na Exposição Multimídia Calin e na minissérie em 5 episódios Diva e As Calins de MT, que podem ser acessadas no seguinte link: www.galeriacalin.com .

#povosciganos #mulheresciganas #calins #literatura #secelmt #aeecmt

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

MT rompe séculos de silenciamento literário e publica livro com sabedorias das mulheres ciganas

Editada pela Editora Entrelinhas, a obra traz contos e frases de cinco mulheres Calins e uma entrevista especial com a Mestra da cultura mato-grossense, Maria Divina Cabral

A Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), a Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel/MT) e a Editora Entrelinhas lançam, no próximo dia 06 de fevereiro (sexta-feira), em Rondonópolis, o livro “Calins do Cerrado – Medicinas e Sabedorias Ciganas”. Rompendo com séculos de invisibilidade e silenciamento na história oficial e na literatura mato-grossense, essa é a primeira obra literária publicada abordando o universo cigano no Estado.

A cerimônia de lançamento ocorre a partir de 19h, na Biblioteca Pública Municipal Manoel Severino da Silva, localizada na Vila Operária (Quadra 20A, Lote 1131, Avenida Filinto Muller).  O evento contará com programação que engloba a exibição do episódio “Zilma” da minissérie Luzia e As Calins de Mato Grosso, que ainda está inédita; e declamação da poesia “Sol”, que encerra o livro, de autoria da vice-presidente da AEEC-MT, Jéssika Lorrayne Alves Cabral Lima Leme, também a proponente e produtora executiva do livro.

O livro foi publicado por meio do projeto “Mestra Diva – Ensinamentos e Sabedorias da Medicina Calon”, aprovado no Edital de Seleção Pública Viver Cultura – Identidades – Edição LPG 2023 da Secel/MT. Um dos temas centrais é a ligação entre as tradições ciganas, como a medicina Calon e a natureza, mais especificamente o cerrado, no caso das Calins que vivem no Estado.

A proponente do projeto do livro, Jéssika Lorrayne e sua avó, Mestra Diva.

Organizado pelo cigano de etnia Calon, Aluízio de Azevedo Silva Júnior, que também pesquisou a educação ambiental dos povos ciganos em seu mestrado no Programa de Pós-graduação em Educação (PPGE) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT); o livro traz contos de cinco mulheres ciganas de quatro cidades de MT. Entre elas a Mestra da Cultura Mato-grossense, raizeira Maria Divina Cabral, a Mestra Diva, de Rondonópolis, que também é a entrevistada especial da edição.

Além disso, participam da obra a professora aposentada Irandi Rodrigues Silva (Chapada dos Guimarães), a assistente social, Terezinha Alves (Cuiabá), a matriarca da comunidade Calon de Tangará da Serra, Venerana Rodrigues Cunha Pereira e a ativista Nilva Rodrigues Cunha (Rondonópolis).

De acordo com Jéssika Lorrayne, este é o primeiro livro publicado na literatura mato-grossense inteiramente produzido por pessoas ciganas. Segundo a proponente, a obra é uma continuidade do projeto Diva e As Calins de Mato Grosso: Ontem, Hoje e Amanhã, que reconheceu e homenageou Maria Divina como mestra da Cultura Mato-grossense e se desdobrou na Exposição Multimídia Calin e na minissérie em 5 episódios Diva e As Calins de MT, que podem ser acessadas no seguinte link: www.galeriacalin.com .

“É muito importante a gente conseguir registrar em forma de contos, frases e fotos um pouco do que foi a história de nossas mulheres mais velhas, como a minha vó Diva e as tias Nerana, Terezinha, Irandi e Nilva, que estão no livro. No caso da minha vó ainda fica mais significativo, pois ela nunca teve a oportunidade de frequentar a escola, mas agora tem um livro que traz seus ensinamentos e sabedorias de vida”, emociona-se Jéssika, ao lembrar que as mulheres do tronco étnico Calon, se autodenominam como “Calins”, palavra na língua Chibe que pode ser traduzida como “Ciganas”.

Irandi Rodrigues (a esquerda), uma das autoras do livro e sua irmã Zilma Rodrigues (in memorian) que estrela um dos episódios da série Luzia e As Calins, que será exibido também no evento. Foto: Karen Ferreira.

Em uma das questões da entrevista, perguntada se “a cultura cigana tem sabedoria”, mestra Diva responde: “Tem sabedoria sim, o estudo deles vem de Deus. Olha, eu não tenho estudo, mas a minha medicina veio de Deus para mim”. Em outro trecho, ela revela a vontade de ter estudado:

“Eu aprendi muito na vida, o que é bom, o que é ruim. O que é mal fica pra lá, o que é bom, você traz pra você. Tudo que você faz hoje aqui na terra, Jesus te acolhe. Se você fazer o mal, você vai plantar arroz e colher feijão? Não! Você vai plantar, você tem que plantar o arroz e colher o arroz. Se você plantar ruindade, você vai colher ruindade. Se você vai plantar amor, você vai colher amor. Eu tinha uma vontade louca de estudar. Eu sei ler o abc, de cor, de trás pra frente e não sei decifrar”.

Conforme explica Aluízio de Azevedo, o trabalho é um híbrido entre literatura popular e livro-reportagem, organizado a partir de entrevistas em audiovisual com cada uma das autoras e depois um processo de transcrição e adaptação para a linguagem escrita. “Tudo isso, respeitando sotaques e modos de falar, inclusive o que na norma culta seria considerado como erro ortográfico. Fizemos questão de manter esse aspecto, para também ser um ato de resistência à colonização da língua”, pondera o autor.

Segundo Aluízio, o material vai preencher um vácuo no âmbito editorial, tanto da literatura mato-grossense, quanto brasileira, pois praticamente não há obras acerca da história e cultura dos povos ciganos e menos ainda obras produzidas por autores de origem cigana.

Para a editora da obra, Maria Teresa Carrión Carracedo, “A publicação de “Calins do Cerrado: Medicina e Sabedorias Ciganas”, livro organizado por Aluízio de Azevedo, é de grande importância para a cultura Cigana em Mato Grosso e para o registro da diversidade sociocultural neste território. As narrativas de lideranças ciganas apresentadas no livro trazem conhecimento ancestral de grande interesse, em edição que recebeu muita atenção em todo os processos. Estou muito feliz por ter sido convidada a participar desse lindo e importante projeto.”

Terezinha Alves, da comunidade cigana de Cuiabá, é uma das autoras do livro. Foto: Karen Ferreira.

Calins do Cerrado – Ensinamentos e Sabedorias Ciganas conta com direção de produção da Kaiardon Produções, direção de arte e consultoria de textos de Rodrigo Zaiden, que também assina a identidade visual do projeto. As fotografias são de Karen Ferreira, Maria Clara Aquino (da comunidade Calon de Tangará da Serra) e arquivos da AEEC-MT.

O projeto contou com Rafael Carracedo Ozelame e Manoel Carrecedo Ozelame como assistentes de edição e o projeto gráfico e arte-finalização é de Ricardo Miguel Carrión Carracedo.

A obra está dividida em 12 capítulos, incluindo a introdução, com o título “Cuidar entre as Calins”, por Aluízio de Azevedo, cinco contos, uma entrevista aprofundada com a mestra Diva, uma poesia e dois tópicos mais contextuais ao final: “Origens e Diásporas dos Povos Ciganos” e “Conheça a AEEC-MT: destaque internacional na defesa dos povos ciganos”.

Irandi Rodrigues Silva apresenta o conto “Lagarta, cobra, chuvas e dentes, da benzeção à vida!”; Terezinha Alves o conto “Árvores que Seguram o Vento”; Nilva Rodrigues Cunha a crônica “Minha mãe fazia fogo no chão”; Venerana Rodrigues Cunha Pereira o conto “As matas respondiam”; e, Mestra Diva a crônica “Na hora que você precisou de mim”.

Respeitando às pessoas que têm baixa visão, cegueira ou dificuldade de leitura, o projeto disponibilizou uma versão do livro em audiodescrição, que pode ser baixado no seguinte link:

Em breve o livro poderá ser acessado no site da Exposição Muiltimídia Calin, no endereço www.galeriacalin.com .

SERVIÇO:

O que: Lançamento do livro Calins do Cerrado – Medicina e Sabedorias Ciganas

Quando: 06/02/2026 – sexta-feira

Horário: 19h

Onde: Biblioteca Pública Municipal Manoel Severino da Silva, localizada à Avenida Filinto Muller, Quadra 20A, Lote 1131, Vila Operária, Rondonópolis-MT.

TEXTO: ASSESSORIA DE IMPRENSA

FOTOS: KAREN FERREIRA E MARIA CLARA AQUINO



quarta-feira, 9 de julho de 2025

Comissão da Câmara dos Deputados aprova Dia Nacional da Mulher Cigana

Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais aprova Dia Nacional da Mulher Cigana: Proposta ainda será analisada por outras duas comissões da Câmara dos Deputados. Foto: Karen Ferreira

Publicado em 08/07/2025 21h03 Atualizado em 08/07/2025 21h07

A Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais (CPOVOS) da Câmara dos Deputados, se manifestou favoravelmente à criação do Dia Nacional da Mulher Cigana, nesta terça-feira (8). De Autoria da deputada Luizianne Lins (PT-CE), o Projeto de Lei (PL) nº 2639/2024 ainda será apreciado no âmbito das Comissões de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial e de Constituição, Justiça e Cidadania. O parecer aprovado é de relatoria da deputada Juliana Cardoso (PT-SP) 

Chefe da Assessoria Especial de Assuntos Parlamentares, Nailah Veleci conta que o Ministério da Igualdade Racial (MIR) está empenhado em articular uma agenda legislativa robusta, que defenda os direitos dos povos ciganos. “Temos adotado a estratégia de fortalecer o debate por meio da tramitação de proposições como o PL das Mulheres Ciganas, que ajudam a sensibilizar o Parlamento”, colocou.  

Ela explica que essa estratégia foi adotada para que futuramente seja possível aprovar projetos maiores, como o Estatuto dos Povos Ciganos. “Esse projeto depende, no entanto, da criação de uma comissão especial e seguiremos atuando com firmeza para garantir que essas pautas avancem no Congresso Nacional”, completou.  

“A criação do Dia Nacional da Mulher Cigana é uma conquista simbólica e política importante, que reconhece a luta e a resistência das mulheres ciganas frente ao racismo, ao preconceito e à invisibilidade histórica”, acrescentou a coordenadora de Políticas para Povos Ciganos, Edilma Nascimento.  

Foto: Aspar/MIR

Proposta – O projeto de lei determina que, na data, os poderes públicos realizem campanhas educativas para promover a cultura cigana e combater estereótipos, além de promover ações de formação e sensibilização de agentes públicos de diversas áreas quanto às especificidades das mulheres ciganas de todas as etnias. Além disso, o texto prevê a veiculação de mensagens institucionais com participação direta dessas mulheres.   

Articulação permanente – Outra conquista da articulação do Ministério foi a instituição, em 2024, do Plano Nacional de Políticas para Povos Ciganos (PNPC), por meio do Decreto Presidencial nº 12.128 de 2024.   

O plano visa combater o preconceito e a discriminação étnico-racial contra os povos ciganos, bem como ampliar seu acesso a serviços públicos e direitos sociais.  Construído com a participação de dez ministérios, o PNPC está estruturado em dois eixos: Direitos sociais e cidadania e Inclusão produtiva, econômica e cultural. O plano está sendo implementado até 2027 e conta com investimentos para uma campanha nacional de valorização da história e cultura ciganas, assim como prêmios literários e a formação gestores e servidores públicos sobre os direitos desses povos. 

Disponível em: https://www.gov.br/igualdaderacial/pt-br/assuntos/copy2_of_noticias/comissao-da-amazonia-e-dos-povos-originarios-e-tradicionais-aprova-dia-nacional-da-mulher-cigana

quarta-feira, 5 de junho de 2024

Luzia e as Calins do Cerrado estreou em 25 de maio

Público mato-grossense conferiu a projeção de dois episódios da série que no total é composto por cinco. Na foto: Audelena (vermelho no centro) ao lado da prima Joeda, filha Carol (blusa branca) e mãe Elídia (fundo)

Estreou no dia 25 de maio (sábado), na praça Silva Freire, em Cuiabá, a minissérie "Luzia e As Calins do Cerrado". Cerca de 40 pessoas compareceu ao evento, que ocorreu em conjunto com o lançamento da Exposição Diquela, que retrata em lambes, a vida Calon a partir de fotografias e textos de pessoas pertencentes a esta etnia de Brasil e Portugal. 

Composta por cinco episódios, esta é a segunda temporada produzida pela AEEC-MT abordando mulheres ciganas Calins. A primeira temporada, Diva e As Calins de Mato Grosso, também em cinco episódios, está disponível no Canal do YouTube da AEEC-MT e no site da Exposição Multimídia Calin, no link www.galeriacalin.com

O termo "Calin" é uma autodenominação das mulheres do tronco étnico Calon, representando um forte senso identitário e valorização de conhecimentos, tradições, narrativas e memórias femininas, que enfrentam não apenas o racismo, mas também o machismo.

A nova temporada da minissérie ampliou sua perspectiva, incluindo Calins de Goiás e chegando a outros territórios Calon do cerrado, como Sinop. Na primeira temporada, estrelaram mulheres de Cuiabá, Rondonópolis e Tangará da Serra, em Mato Grosso. 

Sara Macedo, de Goiás, estrela um dos episódios da minissérie

Agora, o trabalho destaca a importância desse bioma na série e sua ligação com os costumes e estilo de vida dos grupos ciganos vivem em MT, em Rondonópolis e Cuiabá, além de Sinop e em Goiás, na Capital e arredores.

O financiamento desta segunda temporada é realizado por meio do edital Mulheres em Movimento 2023 – por Solidariedade, Justiça e Democracia, uma ação do Fundo Social Elas + - Doar para Transformar: https://fundosocialelas.org/

A produção tem a direção da Kaiardon Produções e apoio no lançamento da Assembleia Social, Casa Silva Freire, Casa das Pretas e Bar Mandioca Pub.

De acordo com a presidente da AEEC-MT e produtora executiva da minissérie, Rosana Matos Cruz, o projeto visa “promover o reconhecimento das mulheres ciganas, por meio da valorização e registro de suas manifestações culturais, práticas e conhecimentos, garantindo que eles continuem a existir, salvaguardados como parte do rol de conhecimentos que a sociedade mato-grossense e a sociedade brasileira possuem”.

Rosana Cristina, presidente da AEEC-MT e produtora executiva da minissérie

Já o diretor da série, Rodrigo Zaiden, pondera que o trabalho fortalece as lideranças ciganas, especialmente as anciãs e seus saberes tradicionais, figuras centrais para a continuidade das próprias comunidades romanis. Em suas palavras, a obra busca “impactar positivamente nas pessoas ciganas, especialmente as mulheres jovens, mais suscetíveis a perda dos costumes tradicionais, sensibilizando-as para a importância da manutenção de suas culturas, identidades e narrativas”.

Personagens - A matriarca Maria Luzia Alves, de Sinop (MT), será a figura simbólica desta temporada e que dá nome à série. Os outros episódios serão estrelados por Zilma Rodrigues (Rondonópolis), Sara Macedo (Goiânia), Audelena Dias (Rondonópolis) e Fernanda Caiado (Cuiabá).

Luzia e As Calins do Cerrado aborda aspectos históricos, a vida rural e nômade em barracas, a organização social nas cidades que dialogam ou contrastam com a sociedade mato-grossense atual, e a visão das mulheres Calins para preservar identidades e cultura no futuro.

Rompendo com paradigmas racistas e machistas, a produção busca um diálogo empoderado com as participantes, respeitando a forma como desejam ser representadas.

A serie será lançada no Canal do YouTube da AEEC-MT no segundo semestre deste ano. Na foto Tia Luzia Alves, de Sinop, que estrela o episódio 1.

Texto: Aluízio de Azevedo
Fotos: Karen Ferreira

Ficha Técnica

Realização: Núcleo de Audiovisual da AEEC-MT

Patrocínio: Edital Mulheres em Ação 2022 – Fundo Elas +

Direção Geral – Rodrigo Zaiden

Codireção – Aluízio de Azevedo e Karen Ferreira

Pesquisa e Roteiro – Aluízio de Azevedo

Produção Executiva – Rosana Cristina Alves de Matos Cruz e Fernanda Caiado

Direção de Fotografia – Karen Ferreira

Edição, Montagem e Finalização – Raquel Beatriz

Captação de Som Direto – Rodrigo Zaiden

Elaboração do projeto, Assessoria de Comunicação e Imprensa – Aluízio de Azevedo

Trilha Sonora Original e Designer de Som – Caju

Parceria Musical Kalo Chiriklo – Aline Miklos

Designer e Identidade Visual – Rodrigo Zaiden

Consultoria de Roteiro – Irandi Rodrigues Silva

Apoio – Assembleia Social, Casa Silva Freire, Casa das Pretas, Secel-MT

Mulheres Ciganas nos Episódios

Luzia Alves

Zilma Rodrigues

Audelena Dias Cabral

Sara Macedo

Fernanda Caiado

quinta-feira, 30 de maio de 2024

AEEC-MT é selecionada na Chamada Resiliência Climática e Equidade de Gênero do Fundo Casa

Patrocínio será para realização do III Encontro de Mulheres Ciganas de MT, em maio de 2025, no município de Rondonópolis

A Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT) foi uma das 26 instituições brasileiras selecionadas na Chamada de projetos “Resiliência Climática e Equidade de Gênero: Fortalecendo Comunidades para Promoção da Inclusão e Diversidade”, do Fundo Casa Sociooambiental. Veja os 26 projetos selecionados aqui.

Lançada em fevereiro de 2024, a chamada é direcionada às associações de comunidades locais e de populações tradicionais lideradas por mulheres, pessoas trans, intersex e não binárias, comunidades urbanas periféricas e coletivos ativistas locais de todo o território nacional.

O projeto aprovado pela AEEC-MT na chamada prevê a realização do “III Encontro de Mulheres Ciganas de Mato Grosso: medicina Calon, cerrado e (in)justiças climáticas”, no mês de maio de 2025, na cidade de Rondonópolis, onde está localizada a maior e mais tradicional comunidade Calon de MT, com mais de 200 pessoas.

I Encontro de Mulheres Ciganas de MT foi realizado em 2021, em Rondonópolis

Além da medicina tradicional, questão central abordada nos encontros de mulheres ciganas de MT, na próxima edição o foco estará também na defesa e conservação do cerrado e na conscientização para as mudanças climáticas. As plantas do bioma compõem o principal estrato da medicina Calon, daí a importância de garantir a sua preservação. Outro tema trabalhado no III Encontro será a preparação das mulheres ciganas mato-grossenses para participação na COP30, que ocorrerá em Belém do Pará no próximo ano.

“Ficamos muito felizes com esta aprovação na chamada do Fundo Casa Socioambiental, pois foram mais de 331 projetos inscritos de todo o país. Os Encontros de Mulheres Ciganas miram sobretudo no fortalecimento da medicina tradicional Calon, um saber vinculado às mulheres ciganas e cuja base está nas plantas do cerrado, um bioma que vem sendo destruído sem a proteção ambiental devida. Se o cerrado acabar, acabará também nossa medicina”, pondera a presidente da AEEC-MT, Rosana Cristina Alves de Matos Cruz.

II Encontro ocorreu em Cuiabá no dia 25 de maio de 2024

Os 26 projetos selecionados são de 11 estados diferentes, sendo 11 do bioma Mata Atlântica. Nesta seleção, destaca-se que 53% dos projetos são da região Nordeste do país. As organizações contempladas receberão até R$50 mil cada para a execução de suas iniciativas que juntas somam R$1,3 milhão em apoio direto.

Encontros de Mulheres Ciganas de MT

O II Encontro de Mulheres Ciganas de MT ocorreu no dia 25 de maio de 2024, com a participação de 25 mulheres Calins de quatro municípios: Cuiabá, Várzea Grande, Tangará da Serra e Rondonópolis. Já o I Encontro ocorreu em Rondonópolis entre 21 e 23 de abril de 2021, em Rondonópolis.

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

terça-feira, 28 de maio de 2024

Povos ciganos ganham visibilidade na mídia mato-grossense em maio

Página do Insta da AEEC-MT ultrapassou as 7,2 mil contas alcançadas neste mês. 17 reportagens e notas foram publicadas pela equipe da comunicação da instituição no blog

A AEEC-MT deu neste último mês de maio, com a realização do IV Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso em comemoração ao Dia Nacional dos Povos Ciganos, importantes passos para consolidar a visibilidade, o fortalecimento e a conservação de saberes, tradições, mitologias, memórias, narrativas, enfim, do patrimônio cultural e imaterial dos povos ciganos mato-grossenses e brasileiros - que se dividem em três grandes troncos étnicos, os Calon, os Rom e os Sinti.

Com uma programação variada que incluiu oficina de Chibe (língua do tronco étnico Calon); II Encontro de Mulheres Ciganas; campanha virtual de fortalecimento das identidades ciganas e combate aos preconceitos e discriminação; lançamento da Exposição Diquela; e lançamento da minissérie Luzia e As Calins do Cerrado, a instituição consolidou importantes movimentos realizados pela comunidade cigana mato-grossense na luta por inclusão social, combate ao racismo, por meio do ativismo social, artístico e cultural.

Exposição Diquela em Cuiabá ocorreu no dia 25 de maio (sábado)

No total, esses eventos mobilizaram mais de 150 pessoas de forma presencial e mais de cinco mil de forma virtual, por meio de divulgações nas redes sociais durante o mês. A Oficina de Chibe, em Tangará da Serra, por exemplo, contou com a participação de 50 pessoas da comunidade local. O II Encontro de Mulheres Ciganas de MT contou com a presença de 25 mulheres de quatro cidades: Cuiabá, Várzea Grande, Tangará da Serra e Rondonópolis.

Comunidade em Tangará comparece à Oficina de Chibe no dia 11 de maio

Além delas, também se fizeram presentes outras 25 pessoas ciganas, entre crianças e esposos ou homens acompanhantes das mulheres e ainda outras/os 10 convidados externos. Por fim, o lançamento da Exposição Diquela reuniu em torno de 50 pessoas, no Espaço Silva Freire, casa de Janoca, no Centro de Cuiabá das quais 20 de Rondonópolis.

Com as ações virtuais, que começaram no dia 01 de maio, com o lançamento da campanha Virtual “O Que você Sabe Sobre os Povos Ciganos?”, a AEEC-MT atingiu a incrível marca de mais de 7,2 mil contas alcançadas nos 30 dias de maio.

Card fotográfico do carrossel de lançamento da Campanha traz casamento Calon em Minas Gerais. Foto de Arquivo da AEEC-MT

A campanha contou com a publicação de nove carrosséis nas redes sociais da AEEC-MT. Cada carrossel contava com três cards: um card título, um com uma fotografia da comunidade cigana mato-grossense e outro com um texto maior sobre o tema geral abordado. Foram abordados assuntos como o próprio dia nacional dos povos ciganos, a diversidade de etnias, as línguas, histórias, culturas, de maneira a combater estereótipos, preconceitos.

Nos últimos 30 dias, a equipe de comunicação da AEEC-MT efetivou mais de 100 publicações, entre cards, reels e storiess. Desde quando começou a campanha “O que você conhece sobre Povos Ciganos?”, ganhamos quase 200 seguidores (ampliação de 19%). O post com maior alcance foi evidentemente o postado no próprio dia 24 de maio, que chegou a 1.512 contas alcançadas (69,5% não-seguidoras), 385 curtidas e 119 partilhamentos, num total de 1.721 impressões.

Repercussão Estadual

O IV Encontro de Cultura Cigana de MT teve ampla divulgação na imprensa mato-grossense, com publicação no site da Secel-MT e nos principais sites de notícia do Estado, como RD NewsRD News, Jornal A Gazeta, Jornal Diário da Serra Jornal Diário da Serra, TV Band, TV Mato Grosso, O Documento, Folha Max, Página Única, Portal MT, Folha do Estado, Paranatinga News, Novidade MT, TV Conquista, Clique F5, Portal MT.

Também saíram publicados textos em veículos de comunicação como Aruanã FM, JB News, Lapada Lapada, Página do E, Cenário MT, Bastidores do Poder, O Roncador, Juína Mais, Poconé Online, Rosário News, Notícia Max, BS News, TV Nativa Alta Floresta, A Folha do Médio Norte, Olho no Araguaia, Primeira Notícia, Cuiabá em Foco, Oeste News, Voz MT, TV Campo Verde, Click Nova Olímpia etc. Para ver todas as notícias acesse aquiaqui

Além disso, foram 17 postagens de notícias e reportagens no Blog da associação e outros cards relativos às programações e atividades do evento. O reels de divulgação do II Encontro de Mulheres Ciganas, por exemplo, alcançou mais de 3 mil views no Insta da AEEC-MT. Já o reels de divulgação da Oficina de Chibe chegou as mais de 1557 views e o Card de divulgação de Luzia alcançou 723 contas.

O lançamento da Serie Luzia e As Calins do Cerrado também foi divulgada com destaque no site do Fundo Elas + Doar para Transformar, patrocinador do projeto. Já a Secel-MT, patrocinou a Oficina de Chibe e o II Encontro de Mulheres, por meio de seleção pública no Edital Viver Cultura 2022.

O II Encontro de Mulheres Ciganas e  Oficina de Chibe: Reavivando a Língua Calon tem o patrocínio da Secel-MT, por meio do Edital Viver Cultura 2022.



segunda-feira, 27 de maio de 2024

IV Encontro de Cultura Cigana de MT encerrou com lançamento de Exposição e Minissérie

 

Exposição Diquela permanecerá 30 dias nos muros do Espaço Silva Freire - Casa de Janoca - Centro de Cuiabá, à Rua 12 de outubro, esquina com a Pedro Celestino

Mesmo com a garoa e o frio de 13 graus (com sensação térmica de menos 10) atípicos na noite do último sábado (25 de maio) em Cuiabá, a AEEC-MT encerrou com chave de ouro a programação do IV Encontro de Cultura Cigana de MT.

Cerca de 40 pessoas compareceram ao Espaço Silva Freire – Casa de D. Janoca, no centro de Cuiabá, para o lançamento de dois produtos culturais da instituição, que integram o IV Encontro: a Exposição Diquela e a minissérie Luzia e As Calins do Cerrado.

O IV Encontro de Cultura Cigana de MT reuniu uma série de eventos durante todo o mês de maio, visando marcar o dia Nacional dos Povos Ciganos (24 de maio).

Em formato de lambes, a Exposição Diquela é composta por fotografias de comunidades ciganas de Brasil (Tangará, Rondonópolis, Brasília) e Portugal (Beja).

Apesar do frio, publico cuiabano comparece ao evento

Assinadas por Karen Ferreira, as fotografias foram afixadas nos muros do Espaço Silva Freire – Casa de D. Janoca, Centro de Cuiabá, onde permanecerão por 30 dias.

O trabalho tem projeto expográfico e identidade visual assinados por Rodrigo Zaiden e Tami e curadoria de Aluízio de Azevedo. Além de fotografias, a exposição conta com frases de pessoas ciganas de MT.

 O evento contou com a participação da Coordenadora Geral de Equidade do Ministério da Saúde (MS) Lilian Gonçalves (à direita) e a ponto focal para saúde cigana do órgão, Rafaela Barros. Ao centro, o Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT e servidor do MS, Aluízio de Azevedo 

Para sua realização, a AEEC-MT contou com o apoio da Assembleia Social da Assembleia Legislativa de MT

Também na noite deste sábado, foram exibidos dois episódios da minissérie “Luzia e As Calins do Cerrado”, realizada pela AEEC-MT, com financiamento do Fundo Elas +, por meio de edital Mulheres em Movimento 2023. Os episódios Luzia e Zilma foram exibidos.

Grupo de Danças Tradição Cigana, de Rondonópolis, marca presença no encerramento do IV Encontro de Cultura Cigana de MT, em Cuiabá

A noite cultural contou com apresentação do Grupo de Danças Tradição Cigana, de Rondonópolis, com a participação especial do artista cigano de Cuiabá, Marcos Gattas.

Pela manhã do sábado, a AEEC-MT, realizou o II Encontro de Mulheres Cigana de MT, que também integra a programação do IV Encontro de Cultura Cigana de MT

Participantes do II Encontro de Mulheres Ciganas de MT confeccionam garrafada para saúde da mulher

Outro evento que integra a programação do IV Encontro foi a Oficina de Chibe, que ocorreu no dia 11 de maio, para 50 pessoas Calon da comunidade de Tangará da Serra.

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Muros do Espaço Silva Freire ganha os lambes da Exposição Diquela

terça-feira, 21 de maio de 2024

II Encontro de Mulheres Ciganas de MT ocorre dia 25 de Maio em Cuiabá

Evento ocorre dia 25 de maio em Cuiabá, reúne 30 mulheres Calins e valoriza os saberes e fazeres ancestrais das mulheres ciganas. Na foto, participantes do I Encontro produzem garrafada.

No próximo dia 25 de maio (sábado), 30 mulheres Calins participarão do II Encontro de Mulheres Ciganas de Mato Grosso. Uma realização da Associação Estadual das Etnias Ciganas (AEEC-MT), o vento é financiado por meio de seleção no edital público Viver Cultura 2022 da Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT) e coordenado pela presidente da AEEC-MT, Rosana Cristina Alves de Matos.

O II encontro de Mulheres Ciganas de MT integra a programação do IV Encontro de Cultura Cigana de MT e é uma continuidade do movimento que a AEEC-MT iniciou em 2021, com a edição do I Encontro, que ocorreu em Rondonópolis entre 21 e 23 de abril. Os encontros visam promover o reconhecimento dos saberes e práticas ancestrais das mulheres ciganas do tronco étnico Calon como relevantes manifestações do patrimônio cultural cigano, mato-grossense e brasileiro.

Valorizando o aspecto cultural da itinerância, historicamente vinculado às etnias ciganas, o II Encontro ocorre em Cuiabá, segunda maior cidade com população cigana do Estado, reunindo mais de 100 pessoas. O evento ocorre na Chácara Almeida, localizada no bairro Dr. Fábio.

A programação conta com oficina de medicina tradicional Calon, especialidade de muitas mulheres ciganas, especialmente as anciãs, como a Mestra Diva e suas primas Dora, Olga, Cida, Isa, Terezinha, Biga e Irandi. O evento contará ainda com uma pequena mostra da culinária Calon.

A mesa de abertura terá a participação da Coordenadora Geral de Acesso e Equidade da Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Lilian Gonçalves e da técnica ponto focal para a pauta da saúde cigana no órgão, Rafaela Barros. Também conta com a participação da secretária adjunta de Cultura do Estado, Keiko Okamura e da presidente da AEEC-MT, Rosana Matos.

Aliás, Keiko também participará de roda de diálogo, ao lado de Antonieta costa, da Casa das Pretas, mediada pela ex-presidente da AEEC-MT, Fernanda Caiado, com o tema “Mulheres, ativismo social e empreendedorismo cultural”.

A programação contará ainda com a Roda de Diálogo “Medicina tradicional cigana: produzindo uma garrafada para saúde da mulher” e vivência com a artista cigana, Jaque Roque.  E palestra sobre saúde da mulher, com a participação da médica da família e comunidade, Ana Carolina Copriva, membro da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares.

Objetivos - Segundo a presidente da AEEC-MT e proponente do encontro, o objetivo é fortalecer as expressões culturais calon, partindo das mulheres. “Queremos fortalecer a nossa autoestima, a partir da revalorização das tradições das Calins e suas manifestações e modos próprios de autorrepresentação. Propomos um movimento de inclusão que gira em torno do reconhecimento dos saberes femininos. Valorizar as mulheres, é fortalecer a cultura Calon”, pondera Rosana.

Presidente da AEEC-MT e proponente do II Encontro de Mulheres Ciganas de MT, Rosana Alves

A produtora executiva do projeto, Fernanda Caiado, revela que a ideia central é a conservação de tradições, narrativas, memórias, histórias e costumes ciganos. Para ela, o fundamental, é trazer as demandas e necessidades das mulheres ciganas, especialmente, na área da saúde, foco da programação desta segunda edição. Para a Calin, garantir a continuidade da cultura Calon, significa enriquecer culturalmente a sociedade mato-grossense.

“Historicamente as etnias ciganas foram excluídas e perseguidas. Foram implementadas políticas persecutórias, nos proibindo de falar a língua, praticar nossos costumes, viver em comunidade. Mas nós resistimos, mantendo conhecimentos e práticas próprias, sem sermos assimilados. O que nós queremos é garantir que esse modo de vida próprio seja mantido e que nossos jovens e crianças tenham a possibilidade de um futuro de inclusão social plena”, avalia Fernanda.

Outro objetivo do projeto é desconstruir imaginários preconceituosos e discriminatórios contra as pessoas ciganas. Os preconceitos e o racismo histórico afetam sobretudo as mulheres Calins, impactadas duplamente: pelas exclusões socioeconômicas e étnico-racial e pelo viés machista, tanto da sociedade em geral, quanto internamente, uma vez que o machismo se manifesta, ainda que de forma diferente, entre algumas famílias ciganas.

“Houve uma tentativa de apagamento das identidades culturais ciganas, que são expressas ainda hoje por um imaginário recheado de estereótipos negativos, que precisam ser quebrados”, comenta o diretor de arte e cultura da AEEC-MT, Rodrigo Zaiden, diretor de produção e arte do II Encontro, lembrando que a proposta rompe com essas opressões e é construído com as participantes, suas narrativas e saberes.

Mulheres Ciganas confeccionam garrafada para saúde da mulher em Rondonópolis no I Encontro de Mulheres Ciganas de MT

I Encontro em Rondonópolis

Durante três dias de abril de 2021 (23 a 25 de abril) ocorreu, de forma inédita em Rondonópolis, o I Encontro de Mulheres Ciganas de MT. O evento foi um dos produtos transmidiáticos do projeto “Diva e as Calins de MT: Ontem, Hoje e Amanhã”, aprovado no edital Conexão Mestres da Cultura (Aldir Blanc, SECEL-MT).

A vivência reuniu 15 mulheres ciganas que trocaram experiências e aprofundaram conhecimentos em torno dos saberes da Mestra da cultura mato-grossense, Maria Divina Cabral, a Diva, condecorada no projeto pelos relevantes serviços prestados para a comunidade cigana e não-cigana como raizeira, benzedeira e conservação das tradições Romanis.

Outras informações: aeecmt@gmail.com

Aluízio de Azevedo, Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT