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sábado, 30 de maio de 2026

Exposição Diquela encerra em Cuiabá com visita de alunos do curso de geografia da UFMT

 
Exposição Diquela começou no dia 05 de maio e encerrou neste sábado (31.05), em Cuiabá, no Ateliê Kaiardon. Foto: Tami Lage.

A programação da Exposição Diquela e da Mostra Calon Lachon em Cuiabá, que ocorre no Ateliê Kaiardon desde o dia 05 de maio, encerrou neste sábado (30.05), com a visita especial da professora Marcia Alves e os alunos da disciplina de geografia urbana do curso de licenciatura em geografia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Durante a visita, cerca de 20 estudantes e a professora Marcia Alves conferiram fotografias de pessoas e comunidades ciganas de três municípios de Mato Grosso: Rondonópolis, Cuiabá e Tangará da Serra.

São fotos de arquivo da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), que organiza a Exposição e a Mostra de Audiovisual, além de trabalhos fotográfricos de outras três fotógrafas: Maria Clara Aquino, Karen Ferreira e Ju Queiroz.

A exposição conta com uma sala que exibiu 12 telas (foto abaixo mostra duas delas) do artista plástico de etnia Calon e um dos curadores da Diquela, Aluízio de Azevedo.

Também durante a visita da turma de geografia da UFMT realizou uma roda de conversa com Aluízio e com Rodrigo Zaiden, diretor de arte e expografista da exposição Diquela. Logo depois, os estudantes assistiram, como parte da Mostra Calon Lachon, o terceiro episódio da série Calon Lachon, que tem o título Fé em Duvele, que tem direção de Aluízio, Zaiden e Karen Ferreira. 

O designer gráfico e produtor da exposição, Tami Lage, também esteve no encerramento da exposição.  Aliás, Tami será o próximo artista a ocupar o espaço do ateliê Kaiardon, com exposição que inaugura neste domingo (31.05).

Além da atividade deste sábado com estudantes da geografia da UFMT, a programação da Exposição Diquela e da Mostra Calon Lachon no Ateliê Kaiardon ocorreu nos dias 15, 22 e 29 de maio. A Exposição Diquela e a Mostra Calon Lachon integram o VI Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso, que ocorre durante todo o mês de maio, marcando o dia nacional dos Povos Ciganos (24 de maio).

O projeto guarda-chuva acontece nos três maiores municípios de MT com comunidades ciganas, Rondonópolis, Cuiabá e Tangará da Serra, durante todo o mês do maio, com eventos e programações presenciais e online.

Entre elas, o IV Encontro de Mulheres Ciganas, a Exposição Diquela, a Mostra Calon Lachon, a campanha para redes sociais de valorização da cultura e da história dos povos ciganos, Ancestralidade Viva, que também vista o combate ao racismo e preconceitos contra as pessoas ciganas.

O projeto neste ano contou também com um grande encontro presencial, que ocorreu nos dias 01, 02 e 03 de maio, em Rondonópolis, na Chácara da Amizade, que reuniu mais de 300 convidados de nove cidades de MT (Cuiabá, Tangará, Chapada, Várzea Grande, Sinop, Guiratinga, Nova Xavantina, Alto Garças e Pedra Preta) e cinco estados (Bahia, Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo e Mato Grosso do Sul), sendo 20 pessoas só de Goiás, das cidades de Mineiros, Itaberaí e Goiânia.

Estreando no evento, neste ano, ocorreu o I Seminário Estadual de Direitos Humanos dos Povos Ciganos, em parceria com o Conselho Estadual de Direitos Humanos de Mato Grosso (CEDH/MT).

A realização do evento é da AEEC-MT, com patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel/MT), por meio do Edital Rede de Pontos de Cultura e do Ministério da Igualdade Racial / PNUD, por meio de aprovação no Processo Seletivo do Edital nº 01/2025, no âmbito Secretaria de Políticas Para Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Povos de Terreiros e Ciganos BRA/24/009 – Apoio à implementação da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola, e fortalecimento dos povos ciganos, de matriz africana e de terreiros.

sábado, 15 de março de 2025

Câmara de Cuiabá aprova criação do dia Municipal dos Ciganos

De autoria do vereador Mario Nadaf (PV - foto de terno), o projeto foi aprovado em segunda votação por 19 vereadores da Casa Parlamentar

A Câmara municipal de Cuiabá aprovou, no último dia 11 de março (terça-feira), após segunda votação em plenário, projeto de lei que institui o Dia Municipal dos Ciganos, a ser comemorado anualmente, no dia 24 de maio, mesma data do Dia Nacional dos Ciganos.

Proposto pelo vereador Professor Mario Nadaf (PV), o projeto de lei inclui o Dia Municipal dos Ciganos no Calendário Oficial de Eventos do Município de Cuiabá e foi aprovado com o apio de 19 vereadores da Casa Legislativa Cuiabana.

O projeto foi articulado pelo representante dos povos ciganos no Conselho Nacional de Promoção de Igualdade Racial (CNPIR), Marcos Gattas, por meio do seu Instituto Cultural das Etnias ciganas em Mato Grosso.

“Para a gente foi uma grande surpresa de ir duas sessões e das pessoas entenderem que hoje os povos ciganos tem decretos nacionais e leis que nos amparam e agora vem mais este no município. Os vereadores compreenderam que nós queremos políticas públicas específicas e o direito de viver e passar. Muito importante para nossa cultura, para saúde, para educação dos povos ciganos. Temos esperança que seremos vitoriosos nas nossas lutas e militâncias”, destaca Marcos.

Justificativa para aprovação do projeto

A justificativa do vereador para aprovação do projeto, destaca que a propositura “tem como objetivo principal incluir a data de 24 de maio como Dia Municipal dos Ciganos no Calendário Oficial de Eventos do Município de Cuiabá. Inicialmente, o povo cigano só foi reconhecido como minoria étnica no Brasil com a Constituição de 1988”.

Além disso, a justificativa destaca que “a escolha da data deve-se ao fato de o dia 24 de maio ser dedicado à Santa Sara Kali, padroeira dos povos ciganos. A população cigana inclui os grupos Rom, Sint e Calon formados pela diáspora de um povo nômade originário do norte da Índia, que passou por várias regiões do Oriente Médio e Europa, e depois espalhou-se por outros continentes”.

Por fim, o documento, pontua que “a população cigana está em constante movimento, seja pela sobrevivência ou pelo simples direito de existir em conformidade com suas tradições e valores. Não raro, é vista como intrusa e como ameaça à sociedade. Instituir uma data para homenagear os ciganos é também uma ação política, um esforço para que essa população se aproxime do Estado, tornando-se alvo de políticas públicas de inclusão, além de ser uma forma de se promover sua participação em conselhos e órgãos colegiados”.

terça-feira, 21 de maio de 2024

II Encontro de Mulheres Ciganas de MT ocorre dia 25 de Maio em Cuiabá

Evento ocorre dia 25 de maio em Cuiabá, reúne 30 mulheres Calins e valoriza os saberes e fazeres ancestrais das mulheres ciganas. Na foto, participantes do I Encontro produzem garrafada.

No próximo dia 25 de maio (sábado), 30 mulheres Calins participarão do II Encontro de Mulheres Ciganas de Mato Grosso. Uma realização da Associação Estadual das Etnias Ciganas (AEEC-MT), o vento é financiado por meio de seleção no edital público Viver Cultura 2022 da Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT) e coordenado pela presidente da AEEC-MT, Rosana Cristina Alves de Matos.

O II encontro de Mulheres Ciganas de MT integra a programação do IV Encontro de Cultura Cigana de MT e é uma continuidade do movimento que a AEEC-MT iniciou em 2021, com a edição do I Encontro, que ocorreu em Rondonópolis entre 21 e 23 de abril. Os encontros visam promover o reconhecimento dos saberes e práticas ancestrais das mulheres ciganas do tronco étnico Calon como relevantes manifestações do patrimônio cultural cigano, mato-grossense e brasileiro.

Valorizando o aspecto cultural da itinerância, historicamente vinculado às etnias ciganas, o II Encontro ocorre em Cuiabá, segunda maior cidade com população cigana do Estado, reunindo mais de 100 pessoas. O evento ocorre na Chácara Almeida, localizada no bairro Dr. Fábio.

A programação conta com oficina de medicina tradicional Calon, especialidade de muitas mulheres ciganas, especialmente as anciãs, como a Mestra Diva e suas primas Dora, Olga, Cida, Isa, Terezinha, Biga e Irandi. O evento contará ainda com uma pequena mostra da culinária Calon.

A mesa de abertura terá a participação da Coordenadora Geral de Acesso e Equidade da Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Lilian Gonçalves e da técnica ponto focal para a pauta da saúde cigana no órgão, Rafaela Barros. Também conta com a participação da secretária adjunta de Cultura do Estado, Keiko Okamura e da presidente da AEEC-MT, Rosana Matos.

Aliás, Keiko também participará de roda de diálogo, ao lado de Antonieta costa, da Casa das Pretas, mediada pela ex-presidente da AEEC-MT, Fernanda Caiado, com o tema “Mulheres, ativismo social e empreendedorismo cultural”.

A programação contará ainda com a Roda de Diálogo “Medicina tradicional cigana: produzindo uma garrafada para saúde da mulher” e vivência com a artista cigana, Jaque Roque.  E palestra sobre saúde da mulher, com a participação da médica da família e comunidade, Ana Carolina Copriva, membro da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares.

Objetivos - Segundo a presidente da AEEC-MT e proponente do encontro, o objetivo é fortalecer as expressões culturais calon, partindo das mulheres. “Queremos fortalecer a nossa autoestima, a partir da revalorização das tradições das Calins e suas manifestações e modos próprios de autorrepresentação. Propomos um movimento de inclusão que gira em torno do reconhecimento dos saberes femininos. Valorizar as mulheres, é fortalecer a cultura Calon”, pondera Rosana.

Presidente da AEEC-MT e proponente do II Encontro de Mulheres Ciganas de MT, Rosana Alves

A produtora executiva do projeto, Fernanda Caiado, revela que a ideia central é a conservação de tradições, narrativas, memórias, histórias e costumes ciganos. Para ela, o fundamental, é trazer as demandas e necessidades das mulheres ciganas, especialmente, na área da saúde, foco da programação desta segunda edição. Para a Calin, garantir a continuidade da cultura Calon, significa enriquecer culturalmente a sociedade mato-grossense.

“Historicamente as etnias ciganas foram excluídas e perseguidas. Foram implementadas políticas persecutórias, nos proibindo de falar a língua, praticar nossos costumes, viver em comunidade. Mas nós resistimos, mantendo conhecimentos e práticas próprias, sem sermos assimilados. O que nós queremos é garantir que esse modo de vida próprio seja mantido e que nossos jovens e crianças tenham a possibilidade de um futuro de inclusão social plena”, avalia Fernanda.

Outro objetivo do projeto é desconstruir imaginários preconceituosos e discriminatórios contra as pessoas ciganas. Os preconceitos e o racismo histórico afetam sobretudo as mulheres Calins, impactadas duplamente: pelas exclusões socioeconômicas e étnico-racial e pelo viés machista, tanto da sociedade em geral, quanto internamente, uma vez que o machismo se manifesta, ainda que de forma diferente, entre algumas famílias ciganas.

“Houve uma tentativa de apagamento das identidades culturais ciganas, que são expressas ainda hoje por um imaginário recheado de estereótipos negativos, que precisam ser quebrados”, comenta o diretor de arte e cultura da AEEC-MT, Rodrigo Zaiden, diretor de produção e arte do II Encontro, lembrando que a proposta rompe com essas opressões e é construído com as participantes, suas narrativas e saberes.

Mulheres Ciganas confeccionam garrafada para saúde da mulher em Rondonópolis no I Encontro de Mulheres Ciganas de MT

I Encontro em Rondonópolis

Durante três dias de abril de 2021 (23 a 25 de abril) ocorreu, de forma inédita em Rondonópolis, o I Encontro de Mulheres Ciganas de MT. O evento foi um dos produtos transmidiáticos do projeto “Diva e as Calins de MT: Ontem, Hoje e Amanhã”, aprovado no edital Conexão Mestres da Cultura (Aldir Blanc, SECEL-MT).

A vivência reuniu 15 mulheres ciganas que trocaram experiências e aprofundaram conhecimentos em torno dos saberes da Mestra da cultura mato-grossense, Maria Divina Cabral, a Diva, condecorada no projeto pelos relevantes serviços prestados para a comunidade cigana e não-cigana como raizeira, benzedeira e conservação das tradições Romanis.

Outras informações: aeecmt@gmail.com

Aluízio de Azevedo, Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

domingo, 17 de setembro de 2023

Caminhos Ciganos projetado em praça pública e grupo Tradição Cigana são destaques em Cuiabá

 

A última etapa das programações do Setembro Cigano em MT 2023, ocorreu no dia 09 de setembro, com o lançamento do Filme Caminhos Ciganos na Praça da Mandioca, em Cuiabá.

Confira reportagem Oficina do MPF e Assembleia Geral da AEEC-MT marcam programação em Rondonópolis

Cerca de 60 convidados, sendo metade da comunidade cigana prestigiaram o evento, que contou com a parceira da Casa das Pretas, Imune e Assembleia Social.

O evento contou com a participação do secretário adjunto de cultura da Secel-MT, Jan Moura e da superintendente de Desenvolvimento Criativo, Keiko Okamura.

Confira Reportagem: Eventos celebram a cultura cigana e pautam demandas políticas em Mato Grosso

Além de ter financiado o filme, por meio do edital cine Motion 2021, a Secel-MT financiou também o III Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso, através de convênio direto com a AEEC-MT.

Confira reportagem Caminhos Ciganos estreou em Tangará

Um dos pontos altos da programação na Capital, foram as apresentações de artistas ciganos, que contou, por exemplo, com a participação do Grupo de Danças Tradição Cigana, que veio de Rondonópolis, exclusivamente para abrilhantar o evento.

Também na Capital, a programação cultural contou com as apresentações de Jaque Roque e Marcos Gattas, que apresentaram números de dança cigana e a animação do cantor e músico Caju da Rabeca.

Fechando a programação, os presentes participaram de confraternização que ocorreu na Casa das Pretas.



Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

Para mais informações: (65) 99911-3473 e aeecmt@gmail.com

domingo, 25 de julho de 2021

AEEC-MT realiza reunião para construir projeto para concorrer ao edital Fundo Demas 2021

Encontro ocorreu no bairro do Tijucal, em Cuiabá e decidiu que o projeto aliará o fortalecimento institucional à formação audiovisual para jovens ciganos

A diretoria da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT) realizou neste sábado (24 de julho) reunião com famílias ciganas que residem em Cuiabá para a construção coletiva do projeto de implementação do núcleo de audiovisual da instituição, que concorrerá ao Edital lançado pelo Fundo Demas, cuja inscrição se encerra no próximo dia 30 de julho.

O encontro contou com a participação de 12 pessoas representando seis famílias ciganas pertencentes a uma única família extensa da etnia Calon, que vivem na região do Coxipó, em Cuiabá, há mais de 40 anos. Ocorrida na casa da matriarca Olga Alves Pereira de Matos, no bairro Tijucal, a reunião contou com a presença da presidente da AEEC-MT, Fernanda Caiado, que também reside na mesma região (Residencial Santo Antônio).

Na ocasião, ficou decidido que o projeto será estruturado seguindo a linha 1 do edital “Fortalecimento das Organizações Locais e suas Articulações”, com foco nos itens “apoio à aquisição de equipamentos de gestão, ação e incidência” e “apoio ao fortalecimento de ações à afirmação cultural, identitária, religiosa e/ou artística de resistência e luta contra o racismo, desmatamento, crise climática e violência”; se concentrando em três objetivos/ações principais.

São eles: compra de equipamentos audiovisuais para composição do núcleo de audiovisual da AEEC-MT; realização de oficinas audiovisuais para cinco jovens ciganos; que depois serão contratados para a execução prática de vídeos institucionais relacionando a temática da valorização da cultura cigana, o reconhecimento das identidades da juventude romani; e o combate ao preconceito social e o racismo ambiental das comunidades romanis.

Também durante a reunião firmou-se um acordo no sentido de fortalecimento da rede de povos e comunidades tradicionais de Mato Grosso, especialmente no compartilhamento de experiências e diálogo com outras associações como a Xaraés, que atua no município de Cáceres junto a populações ribeirinhas e pantaneiras, para o desenvolvimento de ações de comunicação, focadas no audiovisual e redes sociais e o Fórum de Entidades em Defesa do Patrimônio Cultural e Imaterial Brasileiro – Seção Mato Grosso.

De acordo com a presidente da AEEC-MT, ao longo dos quatro anos de existência da instituição, um dos principais focos de atuação “é a criação de conteúdo comunicacional e audiovisual abordando o universo cigano, com temáticas acerca do combate ao racismo e aos estereótipos; e a luta pelos direitos humanos dos povos romanis”.  “Caso aprovemos esse projeto, teremos a oportunidade de aliar o fortalecimento desta ação, com a criação do núcleo de audiovisual, com a formação e o envolvimento de jovens, de maneira a fortalecer o senso comunitário e identitário cigano no município de Cuiabá”, pondera.

Texto: Aluízio de Azevedo

Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT