sábado, 16 de setembro de 2023

Caminhos Ciganos estreou em Tangará da Serra

Comunidade Calon de Tangará da Serra compareceu em peso

A programação do “setembro cigano em MT”, começou às 10h do dia 01 (sexta-feira), com o circuito de lançamento do curta-metragem Caminhos Ciganos (2023 – 24’), em Tangará da Serra, cidade natal do diretor e roteirista da obra, Aluízio de Azevedo, que também coordenou os eventos ocorridos no Estado. 

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Acompanhe a página do filme no Instagram: https://www.instagram.com/filmecaminhosciganos/ 

Exibido no Centro Cultural do Município, o curta foi produzido por meio do edital Audiovisual 2021 – Cine Motion da Secel-MT.

Cerca de 40 pessoas da comunidade cigana local participaram da exibição do filme e de uma confraternização na Estância Modelo, que contou com almoço e homenagem às matriarcas, as tias: Leida, Orceni, Maria Barbosa, Lúcia (in Memoriam), Cida, Coraci, Nerana, Irandi e Nelsa. 

A programação cultural ainda contou com a participação da cantora gospel cigana, Fernanda Martelli 

E animação do músico e cantor Caju.

Na ocasião, emoção tomou conta dos participantes. A comerciante, Simone Carla Rodrigues, por exemplo, pondera a importância do trabalho para quebrar preconceitos.

Parte da família na confraternização de lançamento, que ocorreu na estância Modelo

 “Adorei tudo, o almoço em família e estar com os meus primos foi muito bom. Fazia um tempinho que a gente não conseguia reunir todo mundo. O projeto está sendo maravilhoso, porque através dele as pessoas podem ver os ciganos com outros olhos. Até então, as pessoas viam os ciganos como um povo que roubava e matava, eles não viam a nossa cultura em si”, pondera Simone. 

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Filme viaja no universo romani de Brasil, Portugal e França

De acordo com Aluízio, “em plano sequência de quase três minutos, começamos o filme assistindo de maneira completamente íntima vendo a ligação totêmica e identitária entre tio Eurípedes e o cavalo e a carroça que arreia e cuja partida leva o espectador a percorrer os caminhos ciganos entre Brasil e Portugal e imergir num dos pontos centrais relacionados historicamente aos povos ciganos, o nomadismo, cuja ligação paira no imaginário social ocidental como um aspecto cultural identitário próprio, mas cujo resultado é fruto de uma política perpétua de expulsão”.

Aluízio de Azevedo, natural de Tangará da Serra, dirigiu e roteirizou o curta, que começa na cidade

Para o produtor audiovisual, o principal diferencial do filme é que ele partiu da própria comunidade cigana, que sentiu a necessidade de se auto representar, diante de um imaginário social estereotipado e preconceituoso. “Já começamos desconstruindo essa falsa ideia do mito da liberdade do nomadismo, para mostrar que na maioria das vezes, as pessoas e comunidades ciganas foram forçadas a migrar, por meio de políticas de expulsão. A própria forma com que os Calon chegaram ao Brasil, deportados de Portugal durante todo o período colonial é o exemplo mais antigo e histórico desta questão”, pondera Zaiden.

Codiretor, diretor de produção e diretor de arte do curta, Rodrigo Zaiden

Por sua vez, a codiretora e diretora de fotografia, Karen Ferreira, destaca a proximidade e aspecto relacional que permeiam todo o filme. “Começamos dentro do universo cigano, trazendo elementos simbólicos como cavalos, carros, barraca e valores culturais, que demonstram os dois lados da mesma moeda: a violência e a perseguição histórica contra os povos ciganos por parte dos não-ciganos e do próprio estado, mas também a resistência de culturas e tradições milenares, que permaneceram e que se reconstroem entre o mundo capitalista e a própria comunidade tradicional” revela.

Co-diretora, diretora de fotografia e montadora, Karen Ferreira com meninas da comunidade de Nova Canaã, em Brasília - DF

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Sinopse

Os caminhos que levam ao universo romani em três países, Brasil, Portugal e França, são apresentados numa narrativa poética e intimista, inspirada na estética do premiado cineasta cigano Tony Gatlif, diretor de “Lacho Drom” (1992) e “Gadjo Dilo” (1997). Em destaque as culturas ciganas vistas de dentro, valorizando imaginários próprios. A viagem inicia com a família de um cineasta de etnia Calon em Mato Grosso; que corta o Brasil e atravessa o oceano Atlântico para reencontrar com sua ancestralidade, registrando cada comunidade, suas personagens e cotidianos marcantes, nuances de manifestações culturais, modos de vida e tradições romani, como também denúncias de exclusão e perseguição históricas.

Ficha Técnica

Realização: Edital Cine Motion – SECEL-MT

Pesquisa, Roteiro e Direção: Aluízio de Azevedo

Codireção: Rodrigo Zaiden e Karen Ferreira

Produção Executiva: Irandi Rodrigues Silva

Coordenador de Produção: Rodrigo Zaiden

Produção: Kaiardon Produções

Produção Local Portugal: Pimênio Ferreira

Produção Local Brasil: Fernanda Alves Caiado

Direção de Fotografia: Karen Ferreira

Fotografia complementar: Rodrigo Zaiden e Aluízio de Azevedo

Montagem: Karen Ferreira, Aluízio de Azevedo e Juliana Corsino

Assistente de Montagem: Rodrigo Zaiden

Edição: Juliana Corsino

Finalização/Colorização: Isabela Padilha

Designer Gráfico e Webdesigner: André Victor

Assessoria de Comunicação e Imprensa: Aluízio de Azevedo

Produtora do Circuito de Lançamento: Francieska Dinarte

Secretária: Irandi Rodrigues Silva

Administrativo: Afra Catarse

Apoio: Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT)

Imune-MT e Casa das Pretas

Prefeitura Municipal de Tangará da Serra

Vereador de Tangará da Serra Professor Sebastian

Vereador de Rondonópolis Dico


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