segunda-feira, 1 de junho de 2026

Ancestralidade Viva: Olga Alves de Matos - O tempo que a gente É!

Olga é um baluarte da cultura cigana em Cuiabá. Foto: Jeomara Viegas.

Olga Alves Pereira de Matos é filha de um cigano e de uma não cigana e viveu os primeiros anos da infância acompanhando a rotina itinerante da família. Naquele período, seu pai trabalhava com a compra, venda e troca de animais, levando a família por diferentes regiões até se estabelecerem em Mato Grosso. Criada em Guiratinga, mais tarde mudou-se para Cuiabá aos 18 anos, cidade onde vive até hoje,.

Ao lado das irmãs, trabalhou como empregada doméstica e, posteriormente, encontrou no bordado uma nova profissão após realizar um curso na área. Passou a atuar em uma fábrica de uniformes, atividade que considera uma etapa importante de sua vida.

Foi também na igreja que encontrou outro dos grandes pilares de sua história. Membro da Assembleia de Deus desde a infância, conheceu seu esposo, Adonias José de Matos, no coral da congregação. Os dois se aproximaram por meio das atividades da igreja e construíram uma união duradoura, formando uma família com os filhos Rosana e Raul.

Olga durante o VI Encontro de Cultura Cigana de MT, em Rondonópolis. Foto: Tami Lage

Olga descreve sua vida como abençoada. Recorda com carinho o esforço dos pais para garantir o sustento da família e destaca o cuidado do marido ao longo dos anos. Para ela, a convivência familiar sempre foi uma das suas maiores riquezas.

Entre as lembranças mais difíceis está a perda do neto Renato Vitor, falecido aos 18 anos em um acidente de moto. Mesmo diante da dor, encontrou na fé a força para seguir em frente. Segundo ela, foi Deus quem lhe deu paz nos momentos mais difíceis e a ajudou a transformar a angústia em esperança.

De sua herança cigana, guarda principalmente o valor da união familiar. Embora muitas tradições tenham se transformado ao longo das gerações, ela acredita que o amor entre os parentes e o gosto por reunir a família permanecem. Por isso, considera importantes os Encontros de Cultura Cigana, que ajudam a combater preconceitos ainda existentes.

Irandi, Olga, Coraci, Luzia e Cida: matriarcas da comunidade Calon de MT. Foto: Tami Lage

Quem convive com Olga logo percebe uma de suas características mais marcantes: a tranquilidade. Ela se define como uma pessoa de fácil convivência, que evita conflitos e prefere refletir antes de responder. Essa postura, segundo ela, acompanha sua vida desde a infância e é algo de que se orgulha.

Hoje, mesmo convivendo com o Parkinson, que afetou sua voz e parte de sua rotina, Olga segue participando da vida da igreja, acompanhando os encontros da comunidade e valorizando os momentos ao lado da família. Com gratidão, resume sua caminhada de forma simples: uma vida guiada pela fé, pelo amor e pela certeza de que foi cuidada por Deus em todos os momentos.

TEXTO: LÍVIA FREIRE