domingo, 18 de outubro de 2026

Secel apoia realização do segundo módulo de língua cigana em Tangará da Serra

Encontro promove resgate da língua Chibe para reforçar o pertencimento e a identidade da comunidade cigana de Mato Grosso

Andréa Haddad | Secel-MT, 16 de Outubro de 2026 às 15:29

A programação foi elaborada pedagogicamente em diálogo com a cultura e a identidade Calon. O projeto conta com materiais didáticos inéditos desenvolvidos por uma equipe de consultoria pedagógica formada por mestres do idioma.

“A oficina foi estruturada em formato de gincana. A programação está muito leve e divertida, pensada com carinho para um público com idades entre cinco e 80 anos. Um dos materiais é o Caderno de Atividades em Chibe, que conta com exercícios linguísticos de fixação, como caça-palavras, complete e ligue as frases, numerais e dicas de gênero”, explica Aluízio.

De acordo com a presidente da AEEC-MT, Taize Aracelli Alves Caiado, o Chibe é um dos principais patrimônios culturais imateriais dos ciganos Calon e precisa ser reconhecido nos inventários de línguas brasileiras. “Esta é a segunda edição do projeto em Tangará da Serra, e queremos levar a iniciativa a outros municípios do Estado, principalmente Cuiabá e Rondonópolis, que reúnem grandes comunidades e também precisam fortalecer essa tradição”, ressalta.

Além da presidente da AEEC-MT, a oficina contará com a participação da primeira-secretária e da segunda-secretária da instituição, Irandi Rodrigues Silva e Orceni Rodrigues Angola, ambas integrantes da comunidade local. A programação cultural inclui apresentação especial do grupo de dança “Calins do Cerrado” e a exibição do documentário “Oficina de Chibe”, que registra a primeira edição do projeto, realizada em 2024.

 

Em respeito às diretrizes das lideranças locais de não ensinar o Chibe a não ciganos, o curso é exclusivo para cerca de 50 integrantes da comunidade, entre adultos, crianças e adolescentes. Uma das participantes é Aldi Rodrigues, produtora e mediadora do evento, que destaca o valor imaterial do idioma.

“O Chibe carrega a expressão genuína do sentimento do nosso povo. É a perpetuação da nossa história de sobrevivência, cumplicidade e conexão com os antepassados. Para existir, é preciso proteger e perpetuar”, afirma.

Para Simone Carla Rodrigues, também produtora local, a iniciativa incentiva a troca de conhecimentos entre gerações. “Este segundo encontro acontece justamente porque nossos filhos, sobrinhos e até nós, adultos, ainda não temos o domínio completo do Chibe. Entendemos algumas expressões, mas falamos poucas palavras. Como a língua vem de uma tradição oral, esses encontros nos permitem reviver memórias e fortalecer nossa identidade”, conclui.

Com informações da assessoria 

Disponível em: https://www.secel.mt.gov.br/w/secel-apoia-realiza%C3%A7%C3%A3o-do-segundo-m%C3%B3dulo-de-l%C3%ADngua-cigana-em-tangar%C3%A1-da-serra


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