Uma
parceria entre a Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso
(AEEC-MT) e o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) – Campus Cuiabá (Centro)
viabilizou neste mês de setembro uma programação educacional e artística que
aborda a história e a cultura dos povos ciganos no Brasil e em Mato Grosso.
Realizadas
por meio da Comissão de Acolhimento, Apoio, Orientações e Combate à
Discriminação para questões de Gênero, Raça e Diversidades e do Laboratório de
Criação Artística (LASCA) do IFMT e da Coordenação de Arte e Cultura da
AEEC-MT, as atividades ocorrem entre os dias 15 e 28 de setembro.
Estão
previstas para esses dias uma mostra de filmes com a exibição de trabalhos
audiovisuais com a temática cigana, a exemplo do curta metragem Caminhos
Ciganos (com direção e roteiro de Aluízio de Azevedo e codireção de Rodrigo
Zaiden e Karen Ferreira, 2024); do média metragem “É Kalon – Olhares Ciganos”
(direção e roteiro de Aluízio de Azevedo, 2012); e dos cinco episódios da
Minissérie Diva e As Calins de Mato Grosso, também produzidos por Aluízio,
Rodrigo e Karen (2022).
Os
estudantes do IFMT podem ainda conferir uma pequena exposição com fotografias
de pessoas das comunidades ciganas de Tangará da Serra, uma tela de Aluízio de
Azevedo.
Além
disso, a programação conta palestras realizadas pela instituição, a exemplo da
presidente da AEEC-MT, que participará da programação no dia 17/09
(quarta-feira) pela manhã e com a participação de Aluízio de Azevedo no dia 28
de setembro (segunda-feira), encerrando a programação.
“A
parceria com o IFMT é a continuidade de alguns movimentos que a AEEC-MT vem
fazendo de aproximação junto as escolas públicas, no sentido de fortalecer o
ensino das histórias e culturas dos povos ciganos, que está ainda completamente
ausente dos currículos escolares e dos livros didáticos”, explica a presidente
da AEEC-MT, Taize Aracelli Alves Caiado.
De
acordo com Aluízio de Azevedo, “as atividades visam mostrar que os povos
ciganos fazem parte da história e da cultura brasileira, possuem uma ampla
diversidade étnico-cultural, se dividindo em três grandes grupos étnicos, os
Calon, os Rom e os Sinti. Já Rodrigo Zaiden reforça, curador e expositor gráfico das exposição, lembra que “esses grupos possuem manifestações culturais
próprias, falam línguas diferentes, possuem modos de vida singulares, mas todos
enfrentam questões problemáticas, como o racismo, a invisibilidade e o
silenciamento”.
Segundo
o professor Cláudio Dias, “os povos ciganos constituem uma população que também
constitui o nosso país, têm a ver com a nossa cultura, que contribuiu com a
nossa cultura e que há muito desconhecimento sobre essas identidades culturais,
esses povos e suas histórias e essa semana vai colaborar para as pessoas
entenderem melhor quem são os povos ciganos e participação deles na construção
da cultura e para a formação do nosso país e do nosso Estado”.
“A
Semana dos Povos Ciganos, com a Mostra de Filmes e a exposição fotográfica, vem
somar no trabalho que está sendo feito pela Comissão de Diversidade do IFMT
durante esse ano, em entender essa diversidade que constitui o nosso país, como
as diversidades também de gênero, as diversidades em relação à orientação
sexual e também em relação à constituição do nosso país entre vários povos,
várias etnias, várias culturas diferentes, então falamos dos povos indígenas,
temos aí o nosso seminário Áfricas para mês de novembro, e agora pela primeira
vez uma semana dos povos ciganos”, conclui Cláudio.
Caminhos
Ciganos na Escola
Os
povos ciganos formam uma das maiores diásporas globais. Estudos
genéticos e linguísticos apontam que a sua origem ocorreu na Índia por
volta dos anos 1000 (dC). Em 1300 já estavam onde hoje é a Turquia, de onde
imigraram para toda Europa e mundo. Chegaram ao Brasil expulsos pela coroa
portuguesa por meio de políticas persecutórias durante todo o período colonial,
constituindo parte fundamental da formação histórica, cultural e social do
Brasil.
Três
grandes grupos
étnicos ciganos são reconhecidos como povos tradicionais brasileiros, os
Calon que possuem uma longa trajetória na península Ibérica e foram os
únicos a chegarem por aqui durante os 300 anos de colonização portuguesa; são
falantes da Chibe e possuem tradições e organização social próprias; os Rom
que migraram em ondas da Europa de Leste, a partir dos séculos XIX e XX, falam
o Romani, também possuem costumes comunitários, além de instâncias próprias de
mediação, conhecido como Kris Romani; e os Sinti, que chegaram a partir
do século XIX oriundos da Europa Central, conhecidos pela expressiva tradição
nas artes itinerantes. Esses grupos, se subdividem em inúmeros outros
subgrupos, estão em todos os estados e regiões do Brasil e foram se integrando
e trocando com outros povos tradicionais como os quilombolas e os indígenas.
Em
Mato Grosso, as comunidades ciganas circulam há mais de 100 anos e desde
a década de 50 fixaram residências em cidades como Rondonópolis, Cuiabá e
Tangará da Serra. Para defender direitos sociais, econômicos, políticos
e culturais e com a missão de combater o anticiganismo, preconceitos e
estereótipos; lideranças ciganas de MT, em 2017, se organizaram politicamente
criando a Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso, a AEEC-MT, que
vem desenvolvendo ações no campo da comunicação, educação e saúde, criando pontes
culturais e atuando em territórios nacionais e internacionais.
Com
o intuito de apresentar um fragmento das culturas ciganas, trazemos a
mostra CAMINHOS CIGANOS NA ESCOLA, resultado de anos de pesquisa que envolve
registros fotográficos, textuais e audiovisuais. Transitando por diversos
territórios, contamos uma historia não linear, que busca criar outros
imaginários e realidades para nossas comunidades, que são plurais em suas
formas particulares de viverem suas histórias. O que você conhece dos povos
ciganos?
Quer
saber mais, acesse o Blog da AEEC-MT ou o Insta.
Texto:
Aluízio de Azevedo, Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT e Rodrigo
Zaiden, Coordenador de Arte e Cultura da AEEC-MT
Fotógrafas
da Exposição: Karen Ferreira e Ju Queiroz


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