Por Dr.
Aluízio de Azevedo
Assessor
para Ciência e Comunicação da AEEC-MT
Você sabia
que os povos ciganos, representados no Brasil pelas etnias Calon, Rom e Sinti,
são reconhecidos pelo oficialmente governo brasileiro como povos tradicionais
brasileiros? Esse enquadramento sociocultural e jurídico está baseado no Decreto
Presidencial Nº 6.040, de 7 de fevereiro de 2007, que instituiu a Política
Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais
(PNPCT).
No caso
dos povos ciganos, a afirmação da categoria de povos tradicionais sustenta-se,
sobretudo, na existência de um patrimônio cultural e imaterial riquíssimo e vivo,
transmitido oralmente há séculos entre as gerações. O decreto nos reconheceu pois
preservarmos línguas próprias, estruturas sociais autônomas e saberes
ancestrais, com tradições e manifestações culturais únicas, além de modos de
vida e filosofias próprias.
Essas
identidades se manifestam, por exemplo, nas línguas Chibe dos Calon, Romani dos
Rom e Sintó dos Sinti. Também nos rituais de casamento, nascimento e luto, na conservação
da medicina tradicional cigana e nas manifestações artísticas musicais, de
dança e outras linguagens. A manutenção desses saberes demonstra que as pessoas
ciganas possuem modos de vida, cosmologias e sistemas de comunicação próprios
que definem a condição de povo.
O amparo
legal dessa condição está expresso no artigo 2º do Decreto nº 6.040/2007, que
conceitua povos e comunidades tradicionais como grupos culturalmente
diferenciados, que se reconhecem como tais e possuem formas próprias de
organização social para sua reprodução cultural, social, religiosa e econômica,
utilizando conhecimentos e práticas transmitidos pela tradição.
A
legislação também estabelece o dever do Estado de proteger esses idiomas e
saberes, vetando qualquer tipo de discriminação ou apagamento cultural. Assim,
para transformar essas garantias em direitos efetivos, a criação do Conselho
Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), assegurando assento
permanente às lideranças ciganas na formulação de políticas públicas do governo
federal.
O CNPCT
está vinculado à Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e
Desenvolvimento Rural Sustentável (SNPCT) do Ministério do Meio Ambiente e
Mudança do Clima (MMA).
No CNPCT,
representações do movimento social cigano e demais representações de outros 27
seguimentos classificados pelo Decreto 6.040 como povos e comunidades
tradicionais, atuam quanto ao respeito às línguas maternas no ambiente escolar,
o combate permanente à ciganofobia e a adequação do atendimento público de
saúde e assistência às realidades das comunidades ciganas no SUS.
Também é
neste espaço de controle social, que há luta pela implementação de políticas
públicas de acesso a direitos sociais, como o direito à terra e á habitação, ao
trabalho formal e a previdência e seguridade social.
Em
âmbito estadual, a AEEC-MT
integra o Conselho Estadual de Povos e Comunidades Tradicionais de Mato Grosso
(CEPCT/MT) desde sua primeira gestão (2024/26) e continuará na segunda (2026/28).
Antes disso, ocupou vaga no então Comitê Estadual de Povos e Comunidades
Tradicionais de MT durante a gestão 2023/25.
Neste período,
duas ações marcaram fortemente a participação da AEEC-MT no CEPCT-MT: a
participação em 2024 do então conselheiro representando os povos ciganos,
Aluízio de Azevedo, na COP28, em Dubai; e o reconhecimento que a AEEC-MT, a sua
presidente, Rosana de Matos e tesoureira, Fernanda Caiado, tiveram por meio da
premiação da medalha de honra ao mérito concedia pelo órgão em 2026.
O
Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT) foi formalmente instituído como
órgão colegiado de caráter consultivo pelo Decreto
nº 8.750, de 9 de maio de 2016 — que transformou a antiga comissão criada
em 2004 em um conselho permanente, fortalecendo a implementação da Política
Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais
(Decreto nº 6.040/2007) e posteriormente reorganizado pelo Decreto
nº 11.481/2023.
Caracterizado
por sua composição paritária entre órgãos do Poder Executivo federal e
organizações da sociedade civil, o decreto estabeleceu um espaço institucional
decisivo para que povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas,
ciganos e demais segmentos tradicionais participem diretamente da formulação,
monitoramento e avaliação de políticas públicas voltadas à garantia de seus
direitos territoriais, à salvaguarda dos conhecimentos ancestrais e ao fomento
do desenvolvimento sustentável.
Conheça
abaixo as duas associações que representam os povos ciganos no CNPCT:
Associação CEDRO (Centro de Estudos e Discussões
Romani): Entidade
representativa titular no conselho
ASCOCIC (Associação Comunitária dos Ciganos de Condado
- PB): Entidade
suplente no Conseho
Renovação
e Eleição (Biênio 2026–2028)
Em 2026, o
CNPCT realiza o processo eleitoral para a renovação das representações da
sociedade civil para o biênio 2026–2028. O edital de inscrição de entidades e
escolha de representantes dos segmentos (incluindo o povo cigano) ocorre no
segundo semestre de 2026, com posse agendada para dezembro.
As demandas articuladas pelas lideranças ciganas do CNPCT dialogam diretamente com a Secretaria de Políticas para Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Povos de Terreiro e Ciganos (SQPT), vinculada ao Ministério da Igualdade Racial (MIR), responsável por coordenar as metas do Plano Nacional de Políticas para Povos Ciganos.


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