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sábado, 24 de dezembro de 2022

A Pandemia da COVID-19 e a Potencialização das Desigualdades: Comunidades Ciganas e Meios de Comunicação

Trabalho também traz a dimensão das desigualdades na comunicação e saúde cigana

A Revista Comunicação e Sociedade, vinculada à Universidade do Minho, Portugal, publicou em seu volume 42 (Dezembro de 2022), texto abordando “A Pandemia da COVID-19 e a Potencialização das Desigualdades: Comunidades Ciganas e Meios de Comunicação”.

De autoria do Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT, Aluízio de Azevedo e da pesquisadora do universo Romani, ativista negra, Gabriela Marques, o trabalho pode ser acessado e baixado no seguinte link: https://revistacomsoc.pt/index.php/revistacomsoc/article/view/3825?fbclid=IwAR2nbaRRRncsrFNmK2jJpQOU2os0wcnYQFMtajVco5QH1x0Bp94XhZOn72U

O trabalho é um dos poucos que traz essa relação entre os povos ciganos, a comunicação e saúde no viés midiático e a pandemia da Covid-19.

Trazendo uma reflexão comparando abordagens de como a imprensa tradicional tratou o tema, especificamente, aprofundando a análise comparativa entre dois jornais, um espanhol e outro brasileiro.

Acompanhe abaixo o Resumo da publicação:

A Revista Comunicação e Sociedade, é vinculada à Universidade do Minho. Foto de reportagem realizada pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva sobre os povos ciganos e a pandemia

Os povos ciganos são uma minoria historicamente excluída, invisibilizada e perseguida nos diferentes países onde se encontram, especialmente se considerarmos o contexto de sua chegada à Europa e os processos de colonização desenvolvidos por esse continente.

Diante disso, trabalhamos neste texto os modos como as comunidades ciganas estão sendo impactadas pela pandemia da COVID-19, a partir de discussões das áreas da comunicação e da saúde, bem como de uma visão crítica dos processos mencionados anteriormente.

Refletimos teoricamente sobre como essas etnias são atravessadas por múltiplas opressões que as colocam em situação de desigualdade e qual o papel da comunicação em sua inclusão social ou na manutenção de sua exclusão. ]

Destacamos como sua invisibilidade e estereótipos históricos foram aflorados durante a pandemia, aprofundando as relações de desigualdades. A partir de um olhar crítico sobre as relações discursivas, analisamos duas reportagens jornalísticas publicadas ainda em 2020, uma, no Brasil, do jornal goiano O Popular, e outra, em Espanha, do jornal ABC de circulação nacional.

A culpabilização das populações ciganas pela disseminação do vírus e seu silenciamento enquanto sujeitos capazes de articular e de refletir discursivamente sobre suas condições e situações no contexto da pandemia foram alguns dos resultados encontrados, mostrando semelhanças nas representações dos povos ciganos no contexto ibero-americano.

Sobre os Autores

Aluízio de Azevedo Silva Júnior: 

Centro de Estudos das Migrações e Relações Interculturais, Universidade Aberta de Lisboa, Lisboa, Portugal. Pós-doutorando do Laboratório de Comunicação e Saúde (LACES) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz, Rio de Janeiro). Orcid: https://orcid.org/0000-0001-8544-4134

Gabriela Marques Gonçalves:

Institut de Comunicació, Universitat Autònoma de Barcelona, Cerdanyola del Vallès, Espanha. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-9964-7757

Como Citar

De Azevedo Silva Júnior, A., & Marques Gonçalves, G. . (2022). A Pandemia da COVID-19 e a Potencialização das Desigualdades: Comunidades Ciganas e Meios de Comunicação. Comunicação E Sociedade, 42, 259–273. https://doi.org/10.17231/comsoc.42(2022).3825

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

Imagem 1 disponível em: https://www.carneiros.al.gov.br/artigo/semas-realiza-acao-de-prevencao-a-covid-19-nas-comunidades-cigana-e-quilombola 

Imagem 2 disponível em: https://www.abrasco.org.br/site/noticias/especial-coronavirus/a-inacreditavel-invisibilidade-que-cobre-os-povos-ciganos/47544/

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Intercom lança livro Comunicação e Ciência na era Covid-19: dois capítulos abordam ciganos

Obra conta com capítulo com foco na experiência do coletivo #OrgulhoRomani e a pauta cigana na comunicação pública em meio à covid-19

A Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação) acaba de lançar o livro “Comunicação e ciência na era covid-19”, que contém um capítulo abordando a questão cigana durante a pandemia e a atuação de militantes-pesquisadores vinculados ao Coletivo Internacional #OrgulhoRomani.

O capítulo “Orgulho Romani” e a pauta cigana na comunicação pública em meio à covid-19” é assinado por dois dos três membros do Coletivo: a jornalista, ativista negra e pesquisadora das comunidades ciganas e a mídia, Gabriela Marques; e pelo jornalista, ativista e pesquisador da comunicação e saúde, Aluízio de Azevedo, que também é assessor para ciência e comunicação da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT).

O coletivo Orgulho Romani também é formado pela musicista, cantora, ativista e pesquisadora cigana, Aline Miklos.

Uma publicação do GP de Políticas e Estratégias de Comunicação da Intercom, o livro contou com a organização de suas coordenadoras: Elen Geraldes, Gisele Pimenta, Kátia Belisário, Rafaela Pinto e Ruth Reis.

Um dos capítulos, o ensaio “Comunicação popular, meio digital e pandemia: experiência de uma pesquisa-intervenção”, de autoria de Breno da Silva Carvalho e Ana Gretel Echazú Böschemeier, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), também abordam em seu texto um projeto de boas práticas de enfrentamento à covid-19 voltada para comunidades e movimentos sociais incluindo ciganos, indígenas e quilombolas nos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará.

Com 245 páginas e 16 capítulos com experiências variadas sobre a comunicação pública, a universidade, a ciência e a pandemia; a obra será lançada nesta quinta-feira (07.10), entre 16h e17h, na sala 21 da Plataforma do Congresso da Intercom) e será fechada aos inscritos no evento.

Entretanto, o livro pode se baixado na página do GP Políticas e Estratégias de Comunicação da Intercom:

https://www.portalintercom.org.br/eventos1/gps1/gp-politicas-e-estrategias-de-comunicacao

Texto: Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Manifesto pela inclusão dos povos ciganos como públicos prioritários do Plano Nacional de Imunização da Covid-19


A Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT) e a Associação Otávio Maia (Souza – Paraíba), representantes dos povos ciganos, protocolizaram junto ao Conselho Nacional de Igualdade Racial (CNPIR) um “Manifesto pela inclusão dos povos ciganos como públicos prioritários do Plano Nacional de Imunização da Covid-19”.

A entrega do documento ao presidente do CNPIR, o Secretário Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Paulo Roberto, ocorreu nesta quinta-feira (17.06), durante a terceira reunião extraordinária do Conselho.

No Documento, os conselheiros de igualdade racial da AEEC-MT e da Otávio Maia reafirmam o posicionamento “na defesa pela urgente-urgentíssima inclusão dos povos ciganos como públicos prioritários no plano nacional de imunização da Covid-19” e solicitam a convocação da coordenação geral do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde para prestar informações sobre esta demanda.

O pedido dos conselheiros ciganos também vai no sentido da coordenação do PNI incluir os povos ciganos como públicos prioritários em todas as campanhas de imunização realizadas pelo Ministério da Saúde e o Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com o manifesto, o pedido se justifica, “porque todos os dias recebemos mensagens de lideranças de inúmeras comunidades ciganas brasileiras que jovens, mulheres, homens, crianças e idosos das três etnias ciganas estão morrendo por Covid-19 ou necessitando de atendimento especializado”.

Os conselheiros da AEEC-MT e da Otávio Maia entendem que o pedido tem fundamentação legal, por meio do Decreto 6.040, que inclui os povos ciganos como povos e comunidades tradicionais, um direito reconhecido, inclusive, pelo Ministério Público Federal (MPF). Veja a recomendação do MPF aqui.

O órgão enviou no dia 20 de maio ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, recomendações para que inclua os povos ciganos no grupo prioritário do Plano Nacional de Operacionalização Vacinação contra a Covid-19. Os documentos foram elaborados pela Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais do MPF (6CCR).

A pasta tinha dez dias para informar ao órgão as providências adotadas, porém, até esta data, 17 de junho, as pessoas ciganas ainda não haviam sido incluídas como público prioritário no plano nacional de imunização da Covid-19.

O coordenador da Coordenação Geral de Equidade da Secretaria de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, Marcus Peixinho, que compareceu à última reunião do CNPIR ocorrida em 10 de junho, desconhecia o documento do MPF.

Durante a reunião, Peixino também informou que o Ministério da Saúde fechou contrato para a compra de 100 milhões de doses de vacina da Covid-19, que chegarão no mês de setembro, uma possível data em que as pessoas ciganas seriam incluídas, com a probabilidade pequena, de talvez, entrarem antes.

Veja abaixo o documento na íntegra

Manifesto pela inclusão dos povos ciganos como públicos prioritários do Plano Nacional de Imunização da Covid-19

 

Senhor Paulo Roberto, Secretário Nacional de Promoção das Políticas de Igualdade Racial (SNPPIR)

Mui Digníssimo presidente do Conselho Nacional de Igualdade Racial (CNPIR),

Diante do que nos foi exposto na reunião do último dia 10 de junho deste CNPIR, pelo representante do Ministério da Saúde, o coordenador da Coordenadoria de Equidade, Marcus Peixinho, de que, possivelmente, as comunidades ciganas somente vão ser incluídas no rol de públicos prioritários do PNI Covid-19  no mês de setembro, quando o Brasil receberá prováveis 100 milhões de doses de vacinas de um contrato recém fechado;

Nós conselheiros reunidos e representantes das comunidades ciganas abaixo assinados, vimos por intermédio deste documento reafirmar nosso posicionamento na defesa pela urgente-urgentíssima inclusão dos povos ciganos como públicos prioritários no plano nacional de imunização da Covid-19. Aproveitamos o ensejo para também solicitar ao Ministério da Saúde que nas próximas campanhas de imunização, inclua os povos ciganos como públicos prioritários.

Nosso pedido se justifica, porque todos os dias recebemos mensagens de lideranças de inúmeras comunidades ciganas brasileiras que jovens, mulheres, homens, crianças e idosos das três etnias ciganas estão morrendo por Covid-19 ou necessitando de atendimento especializado.

Todos os dias chega ao nosso conhecimento que comunidades inteiras estão contaminadas, por falta de uma atenção do poder público com o estabelecimento de um plano específico de enfrentamento e combate ao Covid-19 voltado para as comunidades ciganas.

Todos os dias temos notícias de pessoas ciganas passando dificuldades, inclusive alimentares, principalmente, aquelas que ainda vivem de forma nômade e as que vivem do comércio, das negociações e das vendas; muito impactadas pelas medidas de isolamento social.

Todos os dias vemos aumentar os casos de racismo e preconceito contra nós ciganos em todas as esferas institucionais, por parte das polícias, dos profissionais e gestores da saúde, dos profissionais da educação, enfim, da sociedade como um todo; manifestações estas que ganham novas proporções por meio das redes sociais.

Pouquíssimas pessoas ciganas tiveram acesso ao programa de distribuição de cestas básicas do governo federal ou dos governos estaduais e municipais. Não fosse o brilhante trabalho das próprias associações e redes ciganas, os povos ciganos nossas comunidades estariam completamente abandonadas pelo poder público em todos as suas esferas governamentais.

Não aguentamos mais ver todos os dias nossos primos, irmãos, filhos e o futuro cigano perecerem por falta de uma política pública que realmente nos inclua de fato como cidadãos brasileiros e nos reconheçam como povos e comunidades tradicionais, com o olhar afirmativo e equitativo por parte das políticas públicas que merecemos, principalmente, no âmbito da saúde.

Quiçá já tivéssemos sido incluídos como públicos prioritários do PNI, muitas vidas ciganas que foram ceifadas pelo coronavírus, poderiam ter sido poupadas e hoje ainda estariam contribuindo para a manutenção e o fortalecimento das culturas e etnias romanis e ao enriquecimento da diversidade cultural, política, econômica e social brasileira.

Diante deste cenário, solicitamos uma urgente reunião e convocação da Coordenação Geral do Plano Naconal de Imunização do Ministério da Saúde, com a presença do Secretário da Secretaria Nacional de Promoção da igualdade Racial (SNPIR), Paulo Roberto, da ministra da Família, da Mulher e dos Direitos Humanos, Damares Alves e da Coordenadora Geral do PNI do Ministério da Saúde, neste Conselho para debater essa temática.

Convidamos a gestão do SNPPIR e do MFMDH a reforçar e intermediar esse diálogo conosco na sensibilização da gestão do Ministério da Saúde para essa demanda. Gostaríamos também, com a licença dos demais conselheiros e direção do CNPIR, de convidar algumas lideranças ciganas para participar deste encontro para que possam dar o seu depoimento de como estes processos estão ocorrendo em suas comunidades.

Sabemos que o SUS é tripartite e a responsabilidade de execução do PNI é dos municípios. Todavia, o Ministério da saúde edita as orientações e normas técnicas relativas às políticas públicas de saúde e sua orientação certamente será seguida pelas secretarias estaduais e municipais de saúde.

Daí a importância que a gestão do Ministério da Saúde volte os seus olhos para as políticas de equidade do Sistema Único de Saúde e de suas próprias normativas e outras do governo federal, reconhecendo a necessidade da urgente inclusão dos povos ciganos como públicos prioritários do PNI-Covid-19.

Entre essas normativas, citamos a portaria Nº 4.384, de 28 de dezembro de 2018, do Ministério que instituiu no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Povo Cigano/Romani; o Decreto 6.040, de povos e comunidades tradicionais, que coloca ciganos ao lado de ribeirinhos, indígenas, quilombolas e povos de terreiros, como povos e comunidades tradicionais, portanto, com direitos equivalentes.

Por fim, lembramos que no dia 20 de maio o Ministério Público Federal enviou ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, recomendações para que inclua os povos ciganos no grupo prioritário do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19. Os documentos foram elaborados pela Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais do MPF (6CCR). A pasta teria dez dias para informar ao órgão as providências adotadas, mas até agora, não adotou providência nenhuma.

A recomendação do MPF ressalta que a Lei 14.021/20, aprovada em julho do ano passado, estabelece os povos e comunidades tradicionais como grupos em situação de extrema vulnerabilidade e alto risco, sendo, portanto, destinatários de ações emergenciais para o enfrentamento da pandemia de covid-19. E esclarece que, além de sermos reconhecidos como “povos e comunidades tradicionais”, nos termos do art. 3º, inciso I, do Decreto 6.040/2007”; “inclusive, compõem o Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), instituído pelo Decreto 8.750/2016”.

Conselheiros Nacionais de Igualdade Racial

- Terezinha Alves – Conselheira Titular – Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT)

- Aluízio de Azevedo Silva Júnior – Conselheiro Suplente – Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso

- Marcilânia Gomes Alcântara Figueiredo – Conselheira Titular- Associação Otávio Maia.

- Cicero Romão Batista – Conselheiro Suplente – Associação Otávio Maia.

- Associação Nacional das Etnias Ciganas – Presidente Wanderley da Rocha – Brasília – DF

 

  


quarta-feira, 1 de julho de 2020

Nota de Pesar pelo falecimento de José Roberto Martins Júnior


José Roberto Martins Júnior, o Jhotinha, morava no bairro do CPA em Cuiabá e estava internado desde o último dia 20 de junho

Com profundo pesar, a Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT) comunica o falecimento de José Roberto Martins Júnior, nesta quarta-feira (01.07), devido a complicações causadas pela Covid-19.

As nossas condolências e sentimentos aos seus pais Abigail Alves Martins e José Roberto Martins e irmão Izidorio Martins. Que nosso senhor Jesus Cristo conforte os vossos corações neste momento de luto.

Jhotinha, como também era carinhosamente chamado pela família e amigos, tinha 30 anos e estava internado no Pronto Socorro Municipal de Cuiabá (PSMC) desde o último dia 20 de junho (sábado).

Ressaltamos que nos abster de prestar as últimas homenagens do ritual fúnebre, um princípio central na cultura cigana calon, é de uma dor absurda, porque perdemos o contato e o conforto da presença física dos nossos entes queridos. 

Entretanto, diante do cenário pandêmico e as recomendações dos órgãos de saúde respeitamos e entendemos que o momento é de isolamento social.

Deste modo, a AEEC-MT reforça a todo o poder público a importância de realizar um plano emergencial de prevenção e enfrentamento ao Covid-19 voltado especificamente para os povos e comunidades tradicionais, especialmente, as comunidades ciganas.

Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT)



quarta-feira, 17 de junho de 2020

Bom exemplo: Prefeitura de Rio das Ostras convoca população cigana para atendimento no CadÚnico


Na unidade de Cantagalo os atendimentos acontecem às segundas e quintas, das 9h às 16h.  Em Mar do Norte apenas às segundas das 9h às 16h

Por: Departamento de Jornalismo - ASCOM

A Prefeitura de Rio das Ostras está convocando a população cigana que possa está residindo no Município para se inscrever no Cadastro Único do Governo Federal (CadÚnico) e outros programas e benefícios sociais assistenciais, principalmente no período de pandemia do Coronavírus. O chamamento também consiste em avaliar o estado de vulnerabilidade que estas famílias podem estar passando nesta fase.

A ação também tem o objetivo de avaliar se os ciganos estão cumprindo os protocolos sanitários da Organização Mundial de Saúde (OMS), como lavar as mãos regularmente com sabão e de forma correta; uso do álcool em gel; distanciamento em locais públicos e isolamento social.

Os atendimentos à população cigana acontece nas Unidades do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) no Âncora, Nova Cidade, Cidade Beira-Mar e Rocha Leão às segundas, terças, quintas e sextas, das 9h às 16h.

Na unidade de Cantagalo os atendimentos acontecem às segundas e quintas, das 9h às 16h.  Em Mar do Norte apenas às segundas das 9h às 16h.

O chamamento está acontecendo depois que a equipe técnica da Secretaria de Bem-Estar Social fez um levantamento dos locais de assentamentos por meio das famílias que já estavam registradas no CadÚnico.

Os servidores fizeram um levantamento do povo cigano através do CadÚnico e prontuários, a fim de localizar os endereços de acampamentos e referenciamento aos Centro de Referência de Assistência Social. A partir daí realizou busca ativa aos endereços e não foi localizado.

Ao fazerem as visitas os servidores não encontraram estes cidadãos, o que estimulou a convocação da população ao atendimento presencial.

 “Toda a população é importante para nós! Muitas vezes precisamos ir até eles para levantar as demandas necessárias que estão precisando neste momento. Estamos diante de um momento muito difícil da maior crise sanitária dos últimos cem anos e temos que ajudar a preservar tantas vidas”, disse Eliara Fialho, secretária de Bem-Estar Social de Rio das Ostras.


sábado, 6 de junho de 2020

Livro mostra os impactos do coronavírus nas populações em situação de desigualdade



Realizada por pesquisadores da UFMT, obra traz capítulo escrito pelo Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT que aborda povos ciganos

Com o objetivo de ofertar um breve panorama sobre 22 grupos sociais em situação de vulnerabilidade durante a pandemia, o Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte (GPEA) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) lançou nesta sexta-feira (05.06), data em que se comemora o dia internacional do meio-ambiente, o livro “Os condenados da pandemia”.

A obra visa debater a desigualdade social, que faz com que a COVID-19 afete mais gravemente cidadãos que habitam regiões socioeconômicas desfavorecidas. Além disso, apresenta a COVID-19 não como um fenômeno natural, mas como resultado de uma ação antropogênica, com destaque para os seres humanos destruindo o ambiente.

O primeiro capítulo traz um cenário abrangente da conexão entre a pandemia e a ecologia. E os que seguem estão divididos em seções de diversos grupos, com questões familiares, que abordam a violência doméstica contra mulheres, pedofilia e negligência com idosos, identidade, com destaque para grupos mais acometidos pela COVID-19. Entre eles ciganos, indígenas, negros e LGBT+, e os trabalhadores, apresentando a precarização do trabalho e da saúde de profissionais, como entregadores, garis e até os desempregados.

“Nosso objetivo foi tentar denunciar que o coronavírus não tem nada de democrático, ele pode contaminar universalmente, mas as mortes são, na maioria das vezes, de pessoas pobres. Queremos revelar que não bastam notícias ou informações, mas precisamos de um amplo programa educativo que consiga mostrar os perigos de uma pandemia e a razão de os moradores das periferias serem mais atingidos”, explica a coordenadora do GPEA, Michèle Sato.

De acordo com a docente, o dia internacional do meio ambiente foi escolhido para a publicação pelo fato das pessoas desconhecerem que a pandemia é originada pelas destruições ambientais.

“O GPEA tem estudos e pesquisas sobre o clima que comprovam a ação humana. Por isso, deixamos de dizer mudanças climáticas e passamos a usar o termo crise, colapso ou emergência climática para denunciar que existe interferência humana na própria crise civilizatória”, destaca.

Os envolvidos com a produção são pesquisadores do GPEA e do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da UFMT.

O livro pode ser baixado no seguinte link: https://editorasustentavel.com.br/os-condenados-da-pandemia/

Com informações da Ascom da UFMT



RESUMO

Buscamos oferecer um breve panorama de 22 grupos sociais em situação de vulnerabilidade, denunciando que há um falso discurso sobre a “democracia” do coronavírus, na afirmação de que é um vírus que atinge todos, sem distinção de classes. É um erro porque se o contágio for universal, as mortes são localizadas. Na cartografia das desigualdades, a Covid-19 mata principalmente os que habitam a geografia da fome.

Palavras-chave: Pandemia. Grupos expostos. Emergência climática. Educação ambiental.


Saiba Mais:

Entrevista com organizadora da obra, professora doutora Michèle Sato

1. Quais são os objetivos do livro e qual foi a motivação para sua produção?
Nosso objetivo foi tentar denunciar que o coronavírus NÃO tem nada de democrático, ele pode contaminar universalmente, mas as mortes são, na maioria das vezes, de pessoas pobres. O segundo objetivo foi elucidar que a covid-19 NÃO é um fenômeno natural, mas tem ação antropogênica, do ser humano destruindo o ambiente. Finalmente, queremos revelar que não bastam notícias ou informações, mas precisamos de um amplo programa educativo que consiga mostrar os perigos de uma pandemia e a razão dos moradores da periferia serem mais atingidos.

2. Qual foi o fio condutor dos artigos escolhidos para a publicação?
A emergência climática está invisibilizada nas noticias sobre a Covid-19, contudo, é exatamente a destruição das florestas, rios, ou poluição dos ares que forja que o humano se aproxime mais da natureza, invadindo territórios e caçando hospedeiros para comércio cruel. O inimigo maior não é a pandemia, mas o que ameaça a vida no planeta é a destruição ambiental.

3. A quem o livro pode interessar, sejam eles pesquisadores ou a comunidade em geral?
Público em geral, com linguagem mais acessível e muitas imagens atrativas para facilitar a leitura.

4. Por qual motivo a data do dia internacional do meio ambiente foi escolhida?
Porque as pessoas desconhecem, na maioria das vezes, que a pandemia é originada das destruições ambientais. O Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte (GPEA) tem estudos e pesquisas sobre o clima que comprovam a ação humana, por isso, deixamos de dizer “mudanças” climática e passamos a usar o termo “crise, colapso, ou emergência” climática, para denunciar que existe interferência humana na própria crise civilizatória.

5. Qual a importância de apresentar as situações de vulnerabilidade vivida por parte da população durante o atual contexto?
Não existe ética de responsabilidade moral ainda na sociedade global, há inúmeras desigualdades, injustiças e violações de direitos humanos. Os grupos não são invisíveis, eles fazem parte dos números do IBG. Contudo, eles são INVISIBILIZADOS pelo mercado. A vida não tem preço, e importa, qualquer que seja a cor. Seja um George Floyd que não consegue respirar, seja um menino Miguel que foi deixado para morrer do 9º. Andar de um apartamento no Recife.

6. A senhora pode destacar 2 ou 3 artigos presentes na obra?
O primeiro capítulo é mais longo porque conseguimos dar um cenário mais abrangente da conexão entre pandemia e ecologia. Daí o restante sãp seções de diversos grupos, agrupados em: A) FAMÍLIA: pessoas pertinho da gente, com violência doméstica contra as mulheres, pedofilia ou negligência com os idosos. B) IDENTIDADE: diversos grupos mais acometidos pela Convid-19, como ciganos, indígenas, negros, LGBT+ e demais grupos. E C) são os trabalhadores como entregadores, gari, supermercados e inclusive os “desempregados”, que mal possuem condições para comprar máscaras, ter acesso à água limpa, e muito menos “ficar em casa”.  Outras informações podem ser encontradas no blog go GPEA, UFMT: https://gpeaufmt.blogspot.com/

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Ativistas ciganos participam de reunião com Ministério dos Direitos Humanos e cobram ações emergenciais e estruturais


Criação de políticas públicas com inclusão de orçamento e financeiro no plano plurianual e lei de diretrizes orçamentárias foi uma das reivindicações de Valdinalva Caldas, presidente da do Concelho Estadual de Promoção e Igualdade Racial de Minas Gerais (à direita) e seu esposo, Itamar Pena Soares (Centro)

O ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) realizou, no último dia 28 de abril, reunião online com lideranças ciganas de 18 Estados para debater o impacto da pandemia nas comunidades romani brasileiras. Coordenado pela Secretária Nacional de Políticas Promoção da Igualdade Racial (SNPIR), Sandra Terena, o encontro contou com a participação do Assessor para Ciência e Comunicação da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), Aluízio de Azevedo.

Na ocasião, os representantes dos povos ciganos falaram sobre as demandas gerais das comunidades romani brasileiras, bem como de questões específicas relativas aos seus Estados e grupo familiar. A cigana da etnia kalon, por exemplo, Valdinalva Caldas, cobrou a implementação de um plano nacional para os povos ciganos e a criação de políticas públicas com orçamento e financeiro carimbado no plano plurianual do governo federal e na Lei de Diretrizes Orçamentárias.

Vice presidente da Associação Estadual Cultural de Direitos e Defesa do Povo Cigano de Minas Gerais e representante dos ciganos na Comissão Estadual dos Povos e Comunidades Tradicionais de MG, no último dia 06 de maio, Valdinalva falou com a AEEC-MT acerca deste assunto: “De imediato fiquei muito satisfeita e também esperançosa, quando o governo federal, na pessoa da secretária nacional, solicitou uma reunião com as lideranças ciganas do país. Mas ainda aguardamos retorno”.

Em suas palavras: “um governo que tenha compromisso com a população cigana, mostra o seu compromisso incluindo os povos ciganos nas leis orçamentárias, como o plano plurianual e lei de diretrizes orçamentárias. Se os povos ciganos não estiverem incluídos nessas leis orçamentárias, então, não existe compromisso, fica apenas num mero discurso. O primeiro passo que busco é isso: trabalhar políticas públicas com fundo financeiro”.

Na pele - Valdinalva contraiu o Covid-19, passou pela quarentena na barraca e está curada. “Fui diagnosticada com o Covid-19 desde o dia 28 de março, fiquei de quarentena, tive os sintomas, fui tratada dentro da barraca. Acredito que peguei no acampamento, porque não sai para local nenhum. Por ser de risco fiquei isolada na barraca e nem de reuniões participava. Acredito que é pela infraestrutura inadequada, já que não temos saneamento básico, nem mesmo banheiros com privadas e chuveiros”.

“O meu quadro ficou moderado, apesar deu ser do grupo de risco, por ter diabetes e hipertensão. Mas como nós ciganos, acreditamos na lei da natureza, quando eu comecei a prostar, descobri que realmente ataca o pulmão e o coração e comecei a trabalhar minha imunidade com ervas naturais para fortalecer o pulmão e o coração e combater o vírus e estou curada”, emociona-se a kalin, que vive no acampamento Cigano de São Pedro, em Ibirité (MG).

Ciganofobia - De acordo com o membro da Associação Integral de Apoio aos Ciganos (ASAIC), Igor Shimura, uma das principais reclamações está relacionada a ciganofobia associada ao COVID-19.

Igor Shimura falou sobre a importância de políticas públicas de Estado e destacou o combate a ciganofobia

“Relatos de casos de expulsão de itinerantes sob o argumento de que ‘seriam vetores do Coronavírus’, mostra o quanto o preconceito toma como esteio um momento delicado onde todos estão correndo riscos, principalmente quem mora em espaços públicos, em lugares de trânsito, como é o caso de acampamentos ciganos. Diante disso a demanda é por socorro na proteção e garantia de direitos previstos na Constituição Federal e leis como a 7.716/89 que pune o preconceito relacionado a etnia” explica Igor.

Políticas públicas - O ativista diz que percebe “no governo Federal, através da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção de Igualdade Racial,  interesse em ouvir e atender a população cigana no Brasil"; mas salienta que "no entanto me parece que seu paradigma está configurado para a realização de "ações" (o que caracteriza uma visão de "programas de governo") e não para políticas públicas, que promoveria uma mudança estrutural importante, atemporal, concreta e que perpassa governos”.

Por outro lado, Shimura destaca que “em relação aos participantes, percebi que todos tem muito a dizer, a relatar e a apresentar como demanda. Estão esperançosos em receber ajuda emergencial de cestas básicas e kits de higiene, o que sem dúvida é necessário. Mas observo que, assim como o Governo Federal, não são todos que estão focados em políticas públicas. Acredito que o isolamento social como medida contra a disseminação da COVID-19 é uma oportunidade para trabalhar a criação de alguma estrutura finalística que atenda ciganos e enfim colocar fim ao "isolamento social contra ciganos" que já perdura há quase 500 anos!”

A representante da União Cigana do Brasil (UCB) no Estado do Paraná, Nardi Casanova, também pondera a importância de um órgão deste porte sugerido por Igor de que o governo federal crie um órgão exclusivo para dialogar e efetivar políticas públicas em favor das comunidades romani. “Temos quase um milhão de ciganos no Brasil e penso que é o momento de construir a Fundação dos Ciganos, assim como temos a FUNAI para os indígenas e a Fundação Palmares para o povo negro”.
Nardi Casanova, do Paraná, pontuou a importância da criação de um órgão federal exclusivo para o diálogo e execução de políticas públicas em favor dos povos ciganos

Demandas emergenciais - Nardi enfatiza a importância da participação do movimento social cigano, via associações, no acompanhamento das ações efetivadas pelo MMFDH, a exemplo de distribuição de cestas básicas e kits de higiene. E reforça que as principais demandas no Estado vão “desde o pedido de leite em pó, fraldas e alimentos, até remédios e produtos de higiene e limpeza”. E lembra que no Paraná várias ações já foram postas em prática.

Já Valdinava de Minas Gerais pontuou a necessidade de que o governo federal trabalhe mais com as associações representativas ligadas dos povos ciganos. “Até este momento não tivemos retorno. E estamos esperando a resposta e a próxima reunião. As demandas emergenciais são cestas básicas e kits de limpeza pessoal”.

Por sua vez, Igor relata as mesmas demandas: “os representantes ciganos estão buscando soluções para problemas imediatos, como suprir as comunidades com alimentação e kits de higiene. Há também a preocupação com o auxílio emergencial, que nem todos conseguem acessar, já que há situações sociais que limitam o cadastro, como falta de documentos, desinformação e em alguns até mesmo a falta de leitura. Acredito que são medidas que até atendem emergencialmente, caso se concretizem, mas quando olhamos o cenário de ciganofobia nacional, as ações podem ser consideradas praticamente como paliativas”, conclui.

A reunião contou com a participação do secretário adjunto da pasta, Esequiel do Espírito Santo; da coordenadora geral de Promoção de Políticas para Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Indígenas e Povos Ciganos, Isabel Paredes; e do coordenador-geral de Gestão do Sinapir, Luciano Moura.

Texto: Aluízio de Azevedo
Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Artigo: Levantando-se contra o anticiganismo durante a pandemia


Acampamento cigano de Nova Canaã*

**Por Drs. Aluízio de Azevedo Silva Júnior and Margareta (Magda) Matache

Em todo o mundo, uma tendência violenta e perturbadora de atos racistas anti-romani por parte da polícia, formuladores de políticas, mídia e outros está colocando em risco as famílias e comunidades romani durante a pandemia do COVID-19.

Também somos atacados quando nos manifestamos contra essa injustiça. Por exemplo, um artigo sobre o racismo anticigano publicado pelo “Libertatea”, um conhecido jornal romeno, foi rapidamente rebatido por vozes racistas, de extrema-direita e populistas. Somente a conta do Facebook do editor Libertatea recebeu mais de 650 mensagens em 24 horas, a maioria delas odiosa ou ofensiva.

Uma mensagem dizia: “os únicos líderes que conseguiram fazer uma mudança real [na Romênia] foram Antonescu [o líder pró-nazista que ordenou a deportação de Ciganos para a Transnístria nos anos 40, o que resultou na morte de mais de 25.000 pessoas] e Ceausescu [o ditador]. ” Os comentários da supremacia angustiaram e inspiraram um romeno anti-racista a criar uma nuvem de palavras intitulada "27 minutos de racismo".

Este incidente é apenas um exemplo da onda de ódio e racismo antiromani observada durante a pandemia do COVID-19, situação que põe em evidência os desafios que os romani enfrentam. Durante séculos, as desigualdades estruturais perturbaram a vida das comunidades ciganas em todos os lugares. Excluídos historicamente, as pessoas romani foram afetadas pela pobreza racializada, enfrentaram sérios desafios econômicos e têm acesso limitado a água, alimentos e serviços de saúde pública imparciais.

Felizmente, um número considerável de ativistas, organizadores da comunidade, estudiosos e aliados se mobilizaram para apoiar comunidades ciganas pobres com comida e suprimentos durante este período desafiador. Mas isso é apenas uma gota no oceano!

Embora esse apoio atenda às necessidades imediatas de saúde e segurança de um pequeno número de pessoas, a maioria das comunidades ciganas continua vivendo na exclusão, pobreza e medo. À medida que o racismo antiromani se espalha sem controle, mais pessoas ciganas têm medo de compartilhar seu senso de herança identitária, optando por mantê-lo de maneira privada e segura sob os telhados de suas casas.

O mundo desconhece amplamente as lutas que ativistas romani nas Américas e em outras partes do mundo enfrentam hoje, durante a crise e todos os dias. Em resposta, ativistas e estudiosos têm documentado o racismo antiromani. Da Espanha à Eslováquia, Bulgária e Romênia, contamos, compartilhamos e arquivamos as histórias de ódio, notícias falsas e medidas anticiganas. Outros estão tentando se manifestar usando os poucos fóruns públicos que encontram, incluindo as mídias sociais.

Mas é preciso fazer mais para proteger a saúde e os direitos das pessoas ciganas no momento. Por exemplo, o racismo antiromani corre solto no Brasil, lar da maior população cigana da América Latina.

No final de março, os municípios de Cachoeira do Sul, Imbituva e Dois Vizinhos expulsaram grupos itinerantes do tronco étnico Kalon de seus territórios. Além disso, em abril, a cidade de Guarapuava também tentou expulsar outro grupo romani. Como os municípios da Bulgária, Romênia e Eslováquia, autoridades desses municípios brasileiros justificaram suas ações injustas culpando e retratando incorretamente as pessoas ciganas como vetores principais da transmissão de coronavírus. Felizmente, a expulsão foi interrompida pelo Ministério Público.

Nós não podemos ficar de braços cruzados enquanto nossas comunidades são colocadas como bode expiatórias e submetidas a tratamentos desumanos. A hora da ação urgente é agora. No início deste mês, associações, grupos de pesquisa e ativistas ciganos no Brasil denunciaram o racismo anticigano e emitiram um chamado à ação.

Durante esses tempos perigosos, os povos ciganos - especialmente advogados e estudiosos - devem criar uma ponte para fortalecer a solidariedade, organização e mobilização em nossa comunidade global. Até o momento, houve apenas algumas oportunidades de colaboração em diferentes continentes, explorando as possibilidades de um movimento romani global sustentado, como o primeiro congresso romani mundial de 1971. Mas precisamos nos mobilizar pela justiça e por uma participação política, econômica e cultural justa e robusta das pessoas ciganas.

Os ciganos também precisam de mais aliados, entusiastas para se manifestar contra o racismo antiromani. Precisamos de anti-racistas de todas as origens para liderar pelo exemplo. Vamos todos nos solidarizar com nossas irmãs e irmãos romani!

** Dr. Aluízio de Azevedo Silva Júnior, é ativista Romani, doutor em Comunicação e Saúde Cigana

** Dr. Magda Matache é diretora do Programa Romani do FXB Centro da Universidade de Harvard


*Crédito: Aluízio de Azevedo Silva Júnior.

Disponível originalmente em: https://fxb.harvard.edu/2020/04/30/standing-up-against-anti-romani-racism-covid19/

sexta-feira, 24 de abril de 2020

AEEC-MT participa de Podcast da ANPOCS sobre coronavirus e ciganos



A Associação Nacional de Pós-Graduação em Ciências Sociais (ANPOCS) publicou nesta sexta-feira (24.04) podcast sobre a situação das comunidades ciganas brasileiras frente à pandemia provocada pelo COVID-19.

O Assessor para a Ciência e Comunicação da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), Aluízio de Azevedo (etnia Kalon), foi um dos quatro ativistas ciganos entrevistados no programa.

Os outros entrevistados foram os ativistas Aline Miklos (Buenos Aires, etnia Rom - Kalderash), Jucelho Dantas (BA – Etnia Kalon) e Suênia Soares (MG – Etnia Kalon).

A peça foi produzida pela pesquisadora Edilma Nascimento e a iniciativa também é realizada pela Associação Brasileira de Antropologia (ABA), Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS), ABCT e Associação dos Cientistas Sociais da Região do Mercosul.

O podcast faz parte de um boletim diário que faz parte da série “Cientistas Sociais e Coronavirus” e pode ser ouvido no site da ANPOCS, seguinte endereço: https://anchor.fm/cienciassociaisecorona/episodes/Cincias-Sociais-e-Coronavrus---Ciganos-em-quarentena-ed723o

De acordo com o site, a proposta desta série é a de "inverter o vetor do boletim cientistas sociais e Coronavirus. Complementarmente, aqui a proposta não é privilegiar a análise dos especialistas, mas sim a de amplificar as histórias sobre as variadas experiências da quarentena. Ouviremos enfermeiros, médicos, porteiros, entregadores e coveiros, ecoando suas experiências neste momento. No melhor estilo antropológico, estes episódios apostam na possibilidade de que, mais uma vez, histórias particulares nos afetem".

Assessoria de Comunicação da AEEC-MT

terça-feira, 14 de abril de 2020

Investigadores y activistas advierten sobre muestras de racismo durante la pandemia en contra de grupos romaníes en Brasil y exigen un plan de emergencia




AVISO PUBLICO

Las asociaciones romaníes / gitanas, los grupos de investigación, los activistas e investigadores que firman al margen acuden a las autoridades y organismos competentes de los gobiernos federal, estatal y municipal; al Ministerio Público Federal (MPF); a los medios de comunicación; y a la población brasileña, a denunciar la negligencia y la forma racista en que algunas ciudades brasileñas tratan a las comunidades romaníes nómadas / itinerantes durante la pandemia del Covid-19. Según la Asociación Social de Apoyo Integral a los Gitanos (ASAIC), en la última semana de marzo, las autoridades municipales de Cachoeira do Sul (RS), Imbituva (PR) y Dois Vizinhos (PR), expulsaron de sus territorios de desembarco a grupos de gitanos Calon que viven de manera itinerante. 

Además, en la ciudad de Guarapuava (PR), el 2 de abril de 2020, hubo un intento por expulsar a un grupo de romaníes, pero debido a la intervención del Ministerio Público, esta expulsión no pudo llevarse a cabo. Las autoridades justifican sus actos de manera discriminatoria, afirmando que los romaníes son vectores de transmisión del coronavirus.

Al hacerlo, estas autoridades locales violan los derechos humanos y el acceso a la salud a todos los pueblos, garantizados por la Constitución Federal de 1988, el Estatuto de Igualdad Racial (Ley 12.288 de 2010), la Política Nacional para el Desarrollo Sostenible de los Pueblos y Comunidades Tradicionales (Decreto No. 6.040, de 2007); y las directrices de la Organización Mundial de la Salud (OMS) y del Ministerio de Salud.

Las comunidades gitanas/romaníes han estado presentes en Brasil desde el comienzo de la colonización portuguesa, contribuyendo a la construcción de las identidades y las culturas nacionales. Sin embargo, estas comunidades fueron ignoradas por el Estado y sufrieron políticas persecutorias y racistas desde su llegada; situación que permanece hoy y cuyo resultado es la exclusión social. Estos grupos romaníes viven en las afueras, en casas / campamentos fijos, o continúan siendo nómadas; en muchos casos, no tienen acceso a un territorio para aterrizar con infraestructura adecuada, servicios de agua entubada o electricidad, lo que hace que las acciones de seguridad e higiene, tan necesarias y recomendadas por agencias de salud y profesionales, sean inviables.

Todavía hay un gran número de romaníes que no han tenido acceso a la educación y, por lo tanto, no saben leer ni escribir. De los pocos que han tenido acceso, una parte considerable no ha completado la instrucción primaria y son raros los que han terminado la universidad. Todos ellos sufren discriminación por parte de las instituciones estatales y privadas, lo que dificulta sus procesos de integración. Por ello, la mayoría vive de negocios informales, como la venta de ropa, autos y otros bienes; del intercambio de productos de segunda mano; de la lectura de manos y del tarot; de las actividades de circo y de los parques de atracciones, que reúnen a trabajadores romaníes y no romaníes; o de la mendicidad. Todas estas actividades fueron suspendidas debido al contacto físico y la posible propagación de COVID-19.

Muchos romaníes tampoco tienen acceso a la seguridad social y, lo que es peor: algunos ni siquiera tienen certificado de nacimiento, lo que dificulta el acceso e inclusión en programas como Bolsa Família, a través del CadÚnico. Por ello, miles de comunidades romaníes están experimentando dificultades, incluida la alimentación. Además, las comunidades romaníes tendrán que renunciar a prácticas importantes en sus culturas, como el duelo y velorio para ayudar a prevenir Covid-19. Ahora corresponde a los funcionarios del gobierno hacer su parte también.

Hasta la fecha, el gobierno federal y los gobiernos estatales y municipales no han desarrollado políticas específicas destinadas a la ayuda de la población romaní/gitana en la prevención y el tratamiento del coronavirus. Tampoco emitieron pautas sobre cómo los miembros de estos grupos étnicos (sinti, kalon y rom), que suman entre 500,000 y un millón de personas y que viven en los 27 estados, accederán a políticas sociales diseñadas para combatir la crisis socioeconómica causada por la pandemia.

En este escenario, solicitamos la elaboración urgente de un plan de emergencia para ayudar a los romaníes y las poblaciones de circo, que trabajan en parques de atracciones y similares, con políticas específicas para prevenir y combatir el COVID-19. Solicitamos un programa que abarque cuestiones de salud vinculadas a acciones sociales y económicas – como el programa de ingresos básicos aprobado por el Congreso Nacional y sancionado por la Presidencia de la República – y que también proporcione cestas básicas y materiales de limpieza (jabón, alcohol, cloro, etc.) a comunidades itinerantes o en situación de exclusión.

Desde el punto de vista de la salud, el plan debería reforzar la lucha contra el racismo institucional en las unidades del Sistema Único de Salud (SUS) y el respeto de las políticas de equidad. Como acción urgente, sugerimos que el gobierno divulgue ampliamente la Ordenanza 940 de 2011 del Ministerio de Salud – que exima a los miembros de la población romaní de presentar comprobantes domiciliarios o la tarjeta SUS – así como los canales de atención del SUS para denunciar el racismo o la discriminación en los establecimientos de salud, como el número de teléfono 136.

Aprovechamos la oportunidad para exigir la implementación de la “Política nacional de atención integral para los romaníes/gitanos” (Ordenanza 4.348 del 28 de diciembre de 2018), que establece una serie de recomendaciones, objetivos, directrices y poderes para los gobiernos de los estados y municipios para cumplir con las especificidades de salud de las comunidades romaníes, incluyendo “reducir y combatir la ciganofobia o romafobia”.

Sugerimos que el plan de emergencia para combatir Covid-19 en beneficio de las poblaciones romaníes sea acompañado de políticas de comunicación eficaces, que incluyan información y orientación en formato audiovisual (audio y video) para que tenga los efectos esperados en esta población con alta tasa de analfabetismo.

Finalmente, nuestra carta se une a otros documentos producidos al respecto, tales como: la moción de la Asociación Comunitaria de Gitanos del Condado de Paraíba dirigida al Ministerio de Mujeres, Familia y Derechos Humanos y firmada por nueve asociaciones y otros investigadores; la carta de la Asociación Internacional Mayle Sara Kali (AMSK / Brasil), destinada a la SEPPIR, MPF y  SNDCA; la carta de la Confederación Gitana Brasileña (CBC) al Ministerio de la Mujer, la Familia y los Derechos Humanos; la carta del Obispo diocesano de Eunápolis, Don José Edson Santana de Oliveira, de la Pastoral dos Nômades; y la nota de la Dirección de la Unión Nacional de Docentes de Instituciones de Educación Superior (ANDES) en repudio a la gitanofobia.

Brasília, Distrito Federal, Brasil, 08 de abril de 2020.

ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA DOS CIGANOS DE JACOBINA-BA (ACCJ)
ASSOCIAÇÃO ESTADUAL DAS ETNIAS CIGANAS DE MATO GROSSO (AEEC-MT)
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DAS ETNIAS CIGANAS (ANEC-DF)
ASSOCIAÇÃO SOCIAL DE APOIO INTEGRAL AOS CIGANOS (ASAIC)
ASSOCIAÇÃO DOS CIGANOS DE PERNAMBUCO (ACIPE)
ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL MAYLÊ SARA KALÍ – AMSK/BRASIL E SEUS NÚCLEOS ESTADUAIS.
ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DA CULTURA ROMANI (AICROM-BRASIL/GO)
ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS ROMANI
CENTRO DE CULTURA E TRADIÇÕES CIGANAS DO RIO GRANDE DO NORTE (ACIGAROM)
CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA CIGANA (CBC)
CENTRO DE DIREITOS HUMANOS E MEMÓRIA POPULAR – NATAL/RN
CENTRO DE ESTUDOS E RESGATE DA CULTURA CIGANA
CERCI -  CENTRO DE ESTUDOS E RESGATE DA CULTURA CIGANA
COMITÊ ESTADUAL DOS POVOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS DE MATO GROSSO (CEPCT-MT)
GRUPO DE ESTUDOS CULTURA, IDENTIDADE E CIGANOS (GECIC- UNEB- DCH IV- JACOBINA-BA)
GRUPO DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO – CONSCIENCIA (PPGE-UNB)
GRUPO PESQUISADOR EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ARTES E COMUNICAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO MATO GROSSO (GPEA/UFMT)
INSTITUTO DE CULTURA, DESENVOLVIMENTO SOCIAL E TERRITORIAL DO POVO CIGANO NO BRASIL (ICB)
LABORATÓRIO DE ANTROPOLOGIA, POLÍTICA E COMUNICAÇÃO (LAPA/UFPB)
LABORATÓRIO DE ETNOGRAFIA METROPOLITANA -LEMETRO/IFCS-UFRJ
NÚCLEO DE ESTUDOS DE POPULAÇÕES INDÍGENAS (NEPI/UFSC)
PASTORAL DOS NÔMADES
ROMANI ARCHIVE AND DOCUMENTATION CENTER (RADOC)
ROMANI FEDERAÇÃO
ROMANIPE - CANADÁ
UNIÃO CIGANA DO BRASIL (UCB)
ZOR - ASOCIACIÓN POR LOS DERECHOS DEL PUEBLO GITANO/ROMANI – ARGENTINA
Alexsandro Castilho – Presidente da Aicrom/BRASIL
Aline Miklos - Cigana, cantora, produtora cultural, doutoranda em História da Arte (EHESS/USP), vice-presidente de ZOR – Asociación por los derechos del Pueblo Gitano/Romani.
Aluízio de Azevedo Silva Júnior – Cigano, jornalista, especialista em cinema, mestre em educação ambiental e mitologias ciganas e doutor em comunicação e saúde, pesquisando as comunidades ciganas no Brasil e em Portugal, membro da AEEC-MT
Antônio Pereira - Chefe da Comunidade dos Pereira. Diretor Regional da Associação Social de Apoio Integral aos Ciganos - ASAIC. Titular representante dos povos Ciganos no Conselho de Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais – CPICT/DEDICH/SEJUF - Governo do Estado do Paraná
Brigitte Grossmann Cairus - Doutora em História, Pesquisadora do Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação - LEER , USP e do Grupo de Pesquisa Ethos, Alteridade e Desenvolvimento - GPEAD da FURB
Camila Gonçalves de Jesus Lopes - Mestre em Educação pela Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS, Membro do Núcleo de Leitura e Multimeios da UEFS, Professora da Educação Básica da rede pública municipal de Camaçari-BA
Cândida Miclos Moco – enfermeira, cigana e ativista pelo direito dos povos romanis.
Carliane  Sandes Alves Gomes - Doutoranda em Geografia Cultura (PPGEO-UERJ) e Bolsista FAPERJ
Cassi L R Coutinho - Doutora em História Social
Claudio Motta - Responsável no Acampamento Jair Alves, suplente no Conselho de Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais – CPICT/DEDICH/SEJUF - Governo do Estado do Paraná
Gonzalo Damián Cristo – cigano, argentino, presidente de Zor – Asociación por los Derechos del Pueblo Gitano/Romani
Dom José Edson Santana Oliveira – Pastoral Nômade
Edilma do Nascimento J. Monteiro - Doutora em Antropologia pela UFSC e Integrante do Comitê de Antropólogas Negras e Antropólogos Negros da ABA
Elez Bislim – ativista pelos direitos dos povos romanis.
Felipe Berocan Veiga – Chefe do Departamento de Antropologia da UFF
Flávio José de Oliveira Silva - Professor e Pesquisador, Doutor em Educação
Francielle Felipe Faria de Miranda - Docente da ECOM/PUC Goiás e Pesquisadora
Gabriela Marques Gonçalves – Jornalista e Pesquisadora, Doutora em Comunicação
Geysa Andrade da Silva – Docente da Universidade do Estado da Bahia e da Rede Pública do Estado da Bahia, Mestre em Estudos Linguísticos (MEL/UEFS) e doutoranda em Língua e Cultura (PPGLinC/UFBA)
Igor Shimura - Presidente da Associação Social de Apoio Integral aos Ciganos - ASAIC.
Irandir Souza da Silva – doutoranda do PPGES/UFSB. Docente da Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC / Ba e participante do grupo de pesquisa Os sujeitos do Atlântico Sul. Pesquisa sobre: Territorios, Ciganidade em comunidades ciganas no litoral Sul da Bahia.
Inesita Soares de Araujo – comunicóloga, professora doutora do Programa de Pós-graduação em Informação, Comunicação e Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz, Rio de Janeiro) e líder do Laboratório de Comunicação e Saúde (LACES) do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica (ICICT).
Jamilliy Rodrigues Cunha – Doutora da Antropologia pela Universidade Federal de Pernambuco e pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas e Etnicidade – NEPE.
José Ruiter V. Cerqueira Júnior – Leshjae Kumpania
Jucelho Dantas da Cruz – Representante dos Povos Ciganos no Cespct/Sepromi-BA
Juliana Grisolia – Produtora Cultural e Pesquisadora
Juliana Miranda Soares Campos – Antropóloga e Doutoranda na UFMG
Laudicéia da Cruz Santos - Mestra em Educação e Diversidade (MPED/UNEB-DCHIV), Membro do GECIC- Grupo de Estudos Cultura, Identidade e Ciganos (UNEB-DCHIV) e Professora da Rede Pública do Estado da Bahia
Lenilda Damasceno Perpétuo – Secretaria do Estado de Educação do Distrito Federal – SEEDF e Pesquisadora na Comunidade Cigana Calon Nova Canaã / Doutoranda PPGE-UNB
Lucimara Cavalcante Romi – Mestra em Desenvolvimento Sustentável
Maria Patrícia Lopes Goldfarb – Professora de Antropologia da UFPB e pesquisadora das comunidades ciganas na Paraíba – Líder do Grupo de Estudos Culturais (CNPq)
Michel Luiz Kriston – Birevo Kalderash Moldovaia
Márcia Yaskara Guelpa (Yaskara Kalorri) - Presidente do Cerci -  Centro de Estudos e Resgate da Cultura Cigana
Maria do Carmo da S.Medeiros - Centro de Direitos Humanos e Memória Popular, Pastoral dos Nômades, Conselho Estadual de Políticas de Igualdade Racial RN
Mariana Sabino Salazar – Doutoranda e docente na Universidade do Texas em Austin / The University of Texas at Austin. Voluntaria no Romani Archives and Documentation Center.
Marcilânia Gomes Alcântara Figueiredo- Cigana Calin- Professora da Educação Básica no município de Sousa- Coordenadora do Projeto ‘Contos Ciganos’ e professora/ mestra de dança cigana.
Marco Antonio da Silva Mello – Professor do Departamento de Antropologia Cultural do IFCS-UFRJ
Marcos Toyanski - Doutor em Geografia Humana pela USP, pesquisador e coordenador de projeto sobre ciganos no Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação (LEER/ USP).
Marilene Gomes de Sousa Lima - Doutoranda em Linguística (PROLING/UFPB)
Miriam Geonisse de Miranda Guerra - Docente aposentada da UNEB-DCH IV, Pesquisadora sobre Povos Ciganos e Membro do GECIC-Grupo de Estudos Cultura, Identidade e Ciganos (UNEB-DCH IV)
Pedro Nicolich – Presidente da ROMANI Federação e Academia Brasileira de Letras Romani
Rodrigo Corrêa Teixeira - Programa de Pós-Graduação em Geografia, Departamento de Relações Internacionais - PUC Minas
Ricardo Marcelo Luiz (Marcelo Cigano) – Cigano, músico acordeonista
Sabrina de Souza Lima - Mestra em Educação e Diversidade ( MPED /UNEB- DCHIV), Membro do GECIC/Grupo de Estudos Cultura, Identidade e Ciganos (UNEB_DCHIV), Professora da Rede Pública do Estado da Bahia e do Município de Jacobina-BA
Suzeth Miklos de Freitas – cigana, médica.
Stéphanie Lyanie de Melo e Costa -Doutora em Informação e Comunicação em Saúde.