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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Blog da AEEC ultrapassa 200 mil acessos

 


Neste último mês de junho, o blog da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), que pode ser acessado no link https://aeecmt.blogspot.com/ , ultrapassou no último mês de junho os mais de 200 mil acessos.

Estamos em festa por esse marco, pois a rede social tem sido um dos principais canais de divulgação e registro das ações e atividades da AEEC-MT.

Criado em 2017, o Blog passou a ter movimentos contínuos a partir de 2020, ano em que a AEEC-MT conseguiu sua regularização jurídica com CNPJ.

Desde então, temos ampliado ano a ano o número de postagens, que incluem não apenas as atividades e ações e projetos e demandas de interesses da comunidade cigana de MT, como também é um portal para divulgação e difusão da cultura cigana no Brasil.

Nossa produção é diferenciada, pois sempre traz uma visão de dentro, com foco nos interesses dos povos ciganos, desmistificando preconceitos e estereótipos e combatendo o racismo estrutural e a invisibilidade social, que ainda afetam nossas entidades, comunidades e movimento social.

Vida longa ao Blog da AEEC-MT!

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

MIR realizará campanha de valorização das histórias e culturas dos povos ciganos

 

Ministra do MIR, Anielle Franco e presidente Lula

O governo federal, por meio do Ministério da Igualdade Racial (MIR), está produzindo uma campanha de comunicação de valorização da história e da cultura dos povos ciganos e de combate ao racismo histórico contra as pessoas pertencentes às etnias Calon, Rom e Sinti ou um de seus subgrupos.

Como título “Campanha Nacional de Promoção dos Direitos, Informação e Valorização das Histórias e das Culturas dos Povos Ciganos no Brasil”, a ação será formulada em parceria (Termo de Execução Descentralizado – TED) com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).

Está prevista a criação de um conjunto de cards para redes sociais, que incluem vídeos e fotos com lideranças ciganas. Além disso, será publicada uma cartilha com o Plano Nacional de Políticas Públicas para Povos Ciganos, publicado pelo MIR no último dia 02 de agosto.

Outra ação prevista será a realização de podcasts que contam as origens, as histórias, memórias, culturas e tradições dos povos ciganos. Ao final todas as peças e material serão disponibilizados num site criado específico também para a campanha.

Para desenvolver a campanha, que será publicada nas redes sociais e portal do MIR, foram transferidos para a UFRB um valor total de R$ 335.870,00. Para desenvolver a campanha a UFRB montou um grupo de pesquisa e trabalho composto por lideranças e profissionais ciganos para desenvolver a ação.

 

sábado, 19 de outubro de 2024

Povos ciganos resistem apesar do preconceito e da marginalização

 

Governo federal lança plano para garantir direitos dos ciganos, mas representantes de diferentes etnias denunciam falta de ações efetivas. Foto: Karen Ferreira

Por Micael Olegário | ODS 10

Publicada em 18 de outubro de 2024 - 09:28 • Atualizada em 18 de outubro de 2024 - 19:39

“É muito injusto o que acontece”. A frase é da fotógrafa Rosecler Winter, 61 anos, mais conhecida como Rose, moradora de São Leopoldo, região metropolitana de Porto Alegre. O sentimento de injustiça está atrelado ao cotidiano de preconceitos e marginalização vivenciado pelos povos ciganos no Rio Grande do Sul. Uma rápida pesquisa do verbo “ciganear” em um dicionário permite compreender a profundidade dos pré-conceitos que afetam as etnias ciganas no Brasil. Entre as diferentes definições da palavra estão levar uma vida errante e agir com falsidade.

Descendente de imigrantes alemães, Rose pertence à etnia Sinti, um dos três principais ramos dos povos ciganos no país. A profissão de fotógrafa é uma herança do pai, Nilo Iloire Winter. Legado que também transmitiu ao filho Kim Winter Flores. Para ela, ser cigana é ter que enfrentar olhares de desconfiança constantes. Nos últimos anos, ela foi levada a fechar seu estúdio e perdeu muitos clientes. O motivo: a descoberta de sua origem cigana.

“O cigano é rotulado, não importa a etnia. No momento que sabem que tu é (cigana), a pessoa perde a amizade, perde o trabalho O estúdio fotográfico aqui que é uma coisa de família, já tinha mais de 50 anos, quando foi em 2014, eu tive que fechar”, descreve Rose Winter. Em um dos piores episódios de ódio e preconceito, ela conta ter sido atacada por um grupo de skinheads nazistas perto dos trilhos do Trensurb, em Porto Alegre: “Eles tentaram me jogar nos trilhos do trem chegando e fui salva por um casal LGBT+”. 

Não estamos nas estatísticas do SUS e da educação. Estamos completamente invisibilizados e o Estado, durante anos e anos, só aplicou políticas persecutórias, racistas e violentas. Não quis saber de cigano. Aluízio de Azevedo, Pesquisador e produtor cultural da etnia Calon

Em agosto deste ano, o Ministério da Igualdade Racial (MIR) lançou o Plano Nacional de Políticas para Povos Ciganos. Entre os objetivos do decreto, está o combate ao anticiganismo, o reconhecimento da cultura e dos modos de vida dos ciganos, além da elaboração de políticas públicas para garantir os direitos dessa parcela da população brasileira.

Apesar de representar uma conquista política para os movimentos dos povos ciganos, o documento tem sido alvo de críticas pelo pouco detalhamento e a ausência de medidas práticas. “Esse plano foi criado e construído sem qualquer diálogo com os povos ciganos, foi imposto de cima para baixo. É um plano que, se você for olhar, é uma vergonha do ponto de vista da construção, porque tem duas páginas. Na área da saúde, que é onde eu pesquisei, tem uma única linha”, lamenta Aluízio de Azevedo, pesquisador e produtor cultural pertencente à etnia Calon.

Doutor em Informação e Comunicação em Saúde pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Aluízio aponta que o decreto sequer menciona os resultados das ações do programa Caravana Brasil Cigano, série de encontros de escuta com ciganos de diferentes regiões do Brasil promovidos pelo MIR. 

Integrante da Associação Estadual das Etnias Ciganas do Mato Grosso e do coletivo “Ciganos Juntos Somos Mais Fortes”, o pesquisador descreve a dificuldade em alcançar medidas efetivas para atender às necessidades dos povos ciganos. Uma delas é a carência de dados atualizados sobre a população cigana no Brasil. Estimativas do IBGE de 2011 indicavam entre 800 mil a um milhão. O Censo 2020 não investigou esse recorte da população brasileira.

“A gente também não está na história oficial, nos livros didáticos ou nos currículos escolares. Não estamos nas estatísticas do SUS e da educação. Estamos completamente invisibilizados e o Estado, durante anos e anos, só aplicou políticas persecutórias, racistas e violentas. Não quis saber de cigano”, complementa Aluízio, natural de Tangará da Serra (MT).

Origem e perseguição

No Brasil, as principais etnias ciganas são Rom, Calon e Sinti, entre essas ainda existem diversos subgrupos, clãs e nações. Uma das imagens mais comuns associada a esses povos é a da itinerância. Porém, atualmente nem todas as etnias mantêm essa tradição, muitos já estabeleceram residência fixa, principalmente entre os Rom. Ser cigano também não tem nada a ver com uma crença religiosa, mas sim com a descendência: só é considerado cigano quem possui mãe e pai ciganos. 

A origem desses povos é controversa, porém, a versão mais aceita é de que teriam surgido na região da Índia. Com o passar dos anos, os ciganos se espalharam por outros territórios do Oriente Médio e Europa – até chegar nas Américas no período colonial, na maioria dos casos expulsos e deportados de países como Portugal, França, Itália, Espanha e Alemanha.

Professor e mestre em Patrimônio Cultural pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Sandro Rista explica que a itinerância dos ciganos nunca foi apenas uma escolha, ainda que tenha sido incorporada na cultura desses povos. Ainda segundo ele, a resistência de interagir socialmente de algumas etnias ciganas está ligada a séculos de perseguição. 

Eles acham que vão roubar na cidade deles ou que querem tomar a terra de alguém, são vários os preconceitos e em algumas cidades não tem diálogo nenhum. Núbia Ribas, Produtora cultural e descendente de Calon

Em Minas Gerais, entre o final do século XIX e início do século XX, ciganos eram perseguidos pela polícia e obrigados a fugir de seus acampamentos, episódio que ficou conhecido como as “Correrias Ciganas”. Durante a Segunda Guerra Mundial, estima-se que entre 250 a 500 mil ciganos tenham sido mortos em campos de concentração nazistas, no que se define como “Porajmos” (devorar na língua Romani) ou Holocausto Cigano.

“A gente vê uma falta de critério das pessoas para com ciganos. Falta até uma humanização com os povos ciganos no geral. E talvez isso se resolva no momento em que as pessoas conhecerem os costumes e as tradições. Conhecerem as perseguições históricas”, argumenta Sandro Rista, que faz parte da etnia Rom e atua como professor de História em uma escola pública do município de São Francisco de Assis (RS). 

De acordo com Aluízio de Azevedo, entre os resultados desse histórico de marginalização, os ciganos acabaram excluídos de discussões sobre habitação e da organização da vida nas cidades, justamente também por conta da itinerância. “Fomos excluídos da divisão do território nacional, assim como outros povos e outras pessoas pobres”, comenta o pesquisador, que compara essa situação com a dos povos indígenas, que possuem origens ligadas à itinerância.

Rose Winter descreve o ódio e preconceito enfrentado pelos ciganos; na esquerda, em evento de lançamento do plano para os povos ciganos, na foto da direita, Rose ao lado do filho Kim (Foto: Arquivo Pessoal)

Anticiganismo e diversidade

Descendente de ciganos Calon e produtora cultural em Charqueadas (RS), Núbia Regina Ribas descreve os desafios enfrentados por grupos que seguem itinerantes para montar seus acampamentos em cidades gaúchas – os Calon são a principal etnia que preserva a tradição da itinerância. “Está cada vez mais difícil eles conseguirem espaços para acampar nos municípios, mesmo com as portarias que já existem”, enfatiza Núbia.

Durante a pandemia de Covid-19, Núbia relata que muitas organizações voluntárias negaram ajuda ao descobrir que seria destinada para ciganos. Durante alguns anos, ela fez parte do Instituto Cigano do Brasil e atualmente atua com a Rede Brasileira dos Povos Ciganos (RBPC), na defesa dos direitos e políticas públicas para grupos Calon.

Núbia também critica o plano elaborado pelo MIR e que, segundo a ativista, desconsidera a realidade e as necessidades particulares de cada etnia em seu contexto. Além disso, ela vê com desconfiança novas legislações, uma vez que, as atuais políticas são desrespeitadas pelos municípios, como a portaria n°4.384/2018 que instituiu normas para os atendimentos de saúde aos ciganos. “Eles acham que vão roubar na cidade deles ou que querem tomar a terra de alguém, são vários os preconceitos e em algumas cidades não tem diálogo nenhum”, pontua.

Na visão de Aluízio de Azevedo, para que as políticas públicas para os povos ciganos sejam efetivas, é necessário haver a circulação e apropriação pelos diferentes movimentos e etnias. “Os calons têm um estilo de vida, os Rom têm outro. Então, é importante reconhecer, saber diferenciar, entender que são culturas diferentes”, destaca o pesquisador.

Desde que assumiu o cargo de professor, Sandro Rista afirma nunca ter sido discriminado por um estudante. Por outro lado, enfrentou problemas como uma colega docente que somente o chamava de cigano, nunca pelo nome, mesmo dentro da escola e na presença dos alunos. “Onde ela me via, se fosse na rua ou dentro da escola, era só cigano. Eu pedi: ‘olha, colega a gente trabalha junto, quando a gente tá fora da escola e quer me chamar de cigano, tudo bem. Mas, aqui dentro da escola, ou pelo nome ou por professor, para não gerar problema com os alunos’”, relata ele. 

Sandro admite que o problema não está na palavra em si, mas nos estereótipos construídos em torno dos ciganos, como a trapaça e o roubo. Esses discursos e as práticas de ódio atreladas a eles fazem com que muitos prefiram esconder sua origem, para evitar ataques como o sofrido pela fotógrafa Rose Winter.

“Tem bastante ciganos aqui que não se reconhecem, preferem se dizer alemães para não ter o problema do preconceito”, descreve Rose sobre a realidade de São Leopoldo, cidade conhecida como berço da colonização alemã no Rio Grande do Sul. No estado, a maioria das etnias ciganas estão concentradas em cidades de fronteira com a Argentina e Uruguai, sendo considerados povos tradicionais do bioma Pampa.

Aluízio, esquerda, em uma das gravações do filme Caminhos Ciganos; produção audiovisual é alternativa para preservar cultura (Foto: Rodrigo Zaiden)

Oralidade, cultura e artes visuais

Presidente da Associação Cigana Itinerante do Rio Grande do Sul e gestora do Comitê dos Povos Tradicionais do Pampa, Rose conta que a maioria dos Sinti no Rio Grande do Sul sempre esteve ligada às artes, incluindo muitos grupos de ciganos circenses. Apesar disso, poucos circos se identificam dessa forma. “É triste, mas se as pessoas sabem que aquele circo é de cigano, eles não vão entrar (no município)”, explica a fotógrafa.

Rose conta que durante muitos anos também viajou por diferentes estados e países vizinhos, como Argentina e Uruguai. Desde os 14 anos também faz leitura da sorte, uma das características culturais das ciganas, junto das danças, como a  Rumba Gitana, Ghawaze, Rom e Khalbelia, marcadas pela alegria e mistura de diferentes elementos. 

Os vestidos e o uso de metais preciosos, inclusive nos dentes, são outros aspectos que compõem a cultura dos povos ciganos. Núbia Ribas ressalta, contudo, que existem diferenças no poder aquisitivo de cada grupo e etnia, o que interfere nos acampamentos e nas vestimentas. “As ciganas que tem um poder aquisitivo maior, elas estão sempre vestidas com os vestidos mais de festa. Já as ciganas que não tem tanto poder aquisitivo vão usar uma saia mais simples”, acrescenta.

Na culinária, a simplicidade é valorizada e é acompanhada de diferentes temperos e ervas medicinais, fruto também de uma relação próxima com a natureza e da valorização do benzimento. Outra marca das tradições ciganas é a oralidade. A maioria das línguas e dialetos ciganos são ágrafos, como o Romani, idioma dos Rom, e o Chib, falado pelos Calon. 

A maioria desses elementos das culturas ciganas estão registrados em produções audiovisuais como a série “Diva e as Calins de MT”, produção da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso, dirigida por Aluizio de Azevedo. Segundo o produtor cultural Calon, os documentários e filmes têm sido uma das alternativas para evitar a perda de tradições, um desafio encarado por diferentes culturas orais.

“É uma cultura milenar que enriquece a nossa diversidade brasileira. Muitas das características culturais do brasileiro que se atribuem aos portugueses, de verdade, são dos ciganos. Por exemplo, se você pensar a moda de viola, o sertanejo, isso é um traço muito característico dos calons”, ressalta Aluízio. Uma das produções audiovisuais recentes do produtor cultural é o filme “Caminhos Ciganos”, que também documenta a presença de ciganos em diferentes localidades do Brasil e de Portugal.

Segundo Aluízio, esses movimentos permitem começar a quebrar barreiras entre os ciganos e não ciganos. “É uma construção histórica que vai se desenhando. Antes também os casamentos eram muito mais endogâmicos. Hoje já tem muito mais pessoas ciganas casando com não ciganas. Tem muito mais ciganos frequentando a escola, com acesso à educação”, complementa o pesquisador e ativista.

Entre os depoimentos de Aluízio, Sandro, Núbia e Rose, ecoam as mazelas e os preconceitos que afetam os povos ciganos no Rio Grande do Sul e no Brasil. Do mesmo modo, transparece a diversidade e a riqueza cultural das diferentes etnias e de suas tradições, relegadas a uma posição subalterna na história do Brasil, justamente o país que possivelmente teve o único presidente descendente de ciganos, Juscelino Kubitschek (1956-1961).

Disponível em: https://projetocolabora.com.br/ods10/povos-ciganos-resistem-apesar-do-preconceito-e-da-marginalizacao/

quinta-feira, 6 de junho de 2024

Luzia e As Calins integra programação cultural do Intercom Centro Oeste

Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT participa da mesa de encerramento do evento, que ocorre entre 05 e 07 de junho na UFG, em Goiânia

A serie Luzia e As Calins do Cerrado, produzida pela AEEC-MT via edital Mulheres em Movimento 2023 do Fundo Elas +, terá sua estreia nacional na próxima sexta-feira (07.06) como programação cultural do Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom) etapa região Centro-Oeste.

O episódio exibido no evento, que ocorre entre 05 e 07 de maio na Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia (GO), é o estrelado pela Calin Zilma Rodrigues, do município de Rondonópolis (MT).

O Intercom inicia a partir de 08h, no Auditório Biblioteca Central - Campus Samambaia e a exibição do episódio é a primeira programação do dia, após informes sobre a greve das universidades federais.

No mesmo dia, o Diretor da serie Luzia e As Calins do Cerrado, Aluízio de Azevedo, que também é assessor de comunicação da AEEC-MT, participará da mesa de encerramento do evento, com o título “Jornalismo e Povos originários: experiências transfronteiras e o papel da comunicação popular”.

A Mesa será composta também por Maria de Fatima Pereira Tertuliano - Kalunga e Jornalista (Prefeitura de Cavalcante - GO); Dr. Edson Silva - Jornalista e Professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul; Anapuaka Tupinambá - Rádio Yandê. A Mediação será feita pelo Dr. Nilton José - professor da UFG (Laboratório Magnífica Mundi / FIC / UFG)

Calins - Essa é a segunda temporada da minissérie produzida pela AEEC-MT abordando as mulheres do tronco étnico Calon. Denominada Diva e as Calins de MT, a primeira temporada contou com cinco episódios com ciganas de três municípios de MT: Tangará da Serra, Cuiabá e Rondonópolis.

A nova temporada tambem conta cinco episódios, todos estrelados por mulheres Calin que vivem em dois Estados do cerrado. Além de Zilma Rodrigues, temos também Audelena Dias Cabral (Rondonópolis), Sara Macedo (Goiânia – GO), Fernanda Caiado (Cuiabá) e Luzia Alves Porto (Sinop).

Os cinco episódios da nova temporada serão lançados no segundo semestre no Canal do YouTube da AEEC-MT.

Intercom - O Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação reúne, tradicionalmente, alunos de graduação e pós-graduação, pesquisadores e profissionais da área. No evento, são debatidos tópicos de jornalismo, relações públicas, publicidade, rádio, televisão, cinema, produção editorial e de conteúdo para mídias digitais e políticas públicas de Comunicação, entre outros. 

A partir de 2024, os Congressos Regionais da Intercom têm suas programações baseadas no tripé de sustentação do ensino superior – ou seja, pesquisa-ensino-extensão. Além disso, os encontros também visam trazer para a associação científica, cada vez mais, estudantes de graduação, mestrandos, doutorandos, professores e coordenadores de cursos de graduação, e profissionais do mercado.

Este ano, o Intercom Centro-Oeste será realizado na Faculdade de Informação e Comunicação (FIC) da Universidade Federal de Goiás (UFG) de 5 a 7 de junho, no Campus Samambaia. O tema é "Outros saberes para a comunicação do amanhã: Culturas, Tempos e Tecnologias".

sábado, 24 de dezembro de 2022

A Pandemia da COVID-19 e a Potencialização das Desigualdades: Comunidades Ciganas e Meios de Comunicação

Trabalho também traz a dimensão das desigualdades na comunicação e saúde cigana

A Revista Comunicação e Sociedade, vinculada à Universidade do Minho, Portugal, publicou em seu volume 42 (Dezembro de 2022), texto abordando “A Pandemia da COVID-19 e a Potencialização das Desigualdades: Comunidades Ciganas e Meios de Comunicação”.

De autoria do Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT, Aluízio de Azevedo e da pesquisadora do universo Romani, ativista negra, Gabriela Marques, o trabalho pode ser acessado e baixado no seguinte link: https://revistacomsoc.pt/index.php/revistacomsoc/article/view/3825?fbclid=IwAR2nbaRRRncsrFNmK2jJpQOU2os0wcnYQFMtajVco5QH1x0Bp94XhZOn72U

O trabalho é um dos poucos que traz essa relação entre os povos ciganos, a comunicação e saúde no viés midiático e a pandemia da Covid-19.

Trazendo uma reflexão comparando abordagens de como a imprensa tradicional tratou o tema, especificamente, aprofundando a análise comparativa entre dois jornais, um espanhol e outro brasileiro.

Acompanhe abaixo o Resumo da publicação:

A Revista Comunicação e Sociedade, é vinculada à Universidade do Minho. Foto de reportagem realizada pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva sobre os povos ciganos e a pandemia

Os povos ciganos são uma minoria historicamente excluída, invisibilizada e perseguida nos diferentes países onde se encontram, especialmente se considerarmos o contexto de sua chegada à Europa e os processos de colonização desenvolvidos por esse continente.

Diante disso, trabalhamos neste texto os modos como as comunidades ciganas estão sendo impactadas pela pandemia da COVID-19, a partir de discussões das áreas da comunicação e da saúde, bem como de uma visão crítica dos processos mencionados anteriormente.

Refletimos teoricamente sobre como essas etnias são atravessadas por múltiplas opressões que as colocam em situação de desigualdade e qual o papel da comunicação em sua inclusão social ou na manutenção de sua exclusão. ]

Destacamos como sua invisibilidade e estereótipos históricos foram aflorados durante a pandemia, aprofundando as relações de desigualdades. A partir de um olhar crítico sobre as relações discursivas, analisamos duas reportagens jornalísticas publicadas ainda em 2020, uma, no Brasil, do jornal goiano O Popular, e outra, em Espanha, do jornal ABC de circulação nacional.

A culpabilização das populações ciganas pela disseminação do vírus e seu silenciamento enquanto sujeitos capazes de articular e de refletir discursivamente sobre suas condições e situações no contexto da pandemia foram alguns dos resultados encontrados, mostrando semelhanças nas representações dos povos ciganos no contexto ibero-americano.

Sobre os Autores

Aluízio de Azevedo Silva Júnior: 

Centro de Estudos das Migrações e Relações Interculturais, Universidade Aberta de Lisboa, Lisboa, Portugal. Pós-doutorando do Laboratório de Comunicação e Saúde (LACES) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz, Rio de Janeiro). Orcid: https://orcid.org/0000-0001-8544-4134

Gabriela Marques Gonçalves:

Institut de Comunicació, Universitat Autònoma de Barcelona, Cerdanyola del Vallès, Espanha. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-9964-7757

Como Citar

De Azevedo Silva Júnior, A., & Marques Gonçalves, G. . (2022). A Pandemia da COVID-19 e a Potencialização das Desigualdades: Comunidades Ciganas e Meios de Comunicação. Comunicação E Sociedade, 42, 259–273. https://doi.org/10.17231/comsoc.42(2022).3825

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

Imagem 1 disponível em: https://www.carneiros.al.gov.br/artigo/semas-realiza-acao-de-prevencao-a-covid-19-nas-comunidades-cigana-e-quilombola 

Imagem 2 disponível em: https://www.abrasco.org.br/site/noticias/especial-coronavirus/a-inacreditavel-invisibilidade-que-cobre-os-povos-ciganos/47544/

quinta-feira, 26 de maio de 2022

Estudantes e mestres cigan@s denunciam desigualdades da educação formal no Brasil

Série produzida pelo jornalista, pesquisador e cigano circense, Roy Rógeres aborda a relação entre as comunidades ciganas e a educação formal 

O pesquisador e jornalista, Roy Rogeres, iniciou no mês maio a publicação de uma série com enorme relevância para os povos ciganos abordando a questão da inclusão educacional e a importância desta luta para a justiça social destas comunidades. Vencedor do terceiro edital de jornalismo e educação (Jeduca/Itaú social), o material vem sendo publicado no Portal “Educação e Justiça”.

Com o título “Estudantes ciganos/as denunciam desigualdades da educação formal no Brasil”, a primeira reportagem foi publicada em 13 de maio, tratando questões como anegação do direito de matrícula nas escolas, ausência nos livros didáticos e nos planos pedagógicos escolares, invisibilidade, desconhecimento, situações de preconceito, discriminação, exclusão e evasão são questões proeminentes que perseguem estudantes ciganos/as nas estradas da escolarização”.

A segunda reportagem foi publicada no dia 24 de maio, com gostinho especial, marcando o dia nacional dos povos ciganos, que se comemora nesta data, com o título “Estudantes Ciganos/as superam desigualdades educacionais e se tornam mestres/as e doutores/as”. A Este texto aprofunda o tema educacional, mostrando bons exemplos de pessoas ciganas que conseguiram superar as barreiras da exclusão e do racismo e estão no processo de integração universitária e do universo da pesquisa acadêmica.

Os textos trazem os relatos e relfexões de Roy, ele mesmo um estudante cigano, que superou barreiras e dificuldades, principalmente na infância e adolescência, quando levava a vida itinerante no trabalho circense desenvolvida por sua família, os “Fernandes”. Nas palavras do pesquisador-jornalista-cigano, “as desigualdades educacionais entre grupos étnicos minoritários que formam as Comunidades Tradicionais do Brasil é notadamente um dos problemas sociais que lhes empurram para as margens da sociedade.

De acordo com o autor, a reportagem-denúncia busca problematizar “a negação do direito ao acesso à educação que nós ciganos enfrentamos cotidianamente no Brasil”.  Para isso, partiu “em busca de outras vidas ciganas, jovens, adultos, crianças, com o intuito de narrar itinerários diversos da vida escolar, projetando luz para o direito básico de estudar que continuam a nos negar!”

 

Neste contexto, estudantes ciganos, jovens e adultos, denunciam nesta reportagem uma série de desigualdades educacionais – desvantagens na educação formal – a exemplo da ausência nos livros didáticos e nos planos pedagógicos escolares; o bullying, que gera situações vexatórias de preconceitos, discriminação, exclusão, e desrespeito, além do vasto desconhecimento generalizado, o que resulta em problemas como a invisibilização, a incompreensão das tradições e culturas, o que gera a evasão e o abando escolar, e aumenta, por conseguinte, o analfabetismo e as desigualdades educacionais do Brasil.

 

As denúncias a que Roy se refere estão muito bem retratadas nos relatos de várias pessoas ciganas, como o depoimento de sua irmã, a artista circense, Irisma Fernades, que relata dificuldades para completar os estudos e a sua experiência com a escolaridade. Também fazem parte do time de estudantes ciganos entrevistados os três filhos de Irisma, Igor Mateus Fernandes, Jeniffer Fernandes e Ysmynny Fernandes. Todos são artistas circenses, que relatam os problemas encontrados no ensino formal.

 

Marcilânia Alcântara, de Souza (PB), superou as barreiras, formando-se em pedagogia e hoje é professora do ensino fundamental


Também fizeram parte do time de estudantes que contribuíram com seus relatos, memórias e relações com a educação formal, Sarrara Keylane Fernandes, Marcilânia Alcântara e Daiane da Rocha Biam. Todas elas conseguiram concluir ou estão cursando o ensino superior, mas ainda assim não escaparam do racismo e do preconceito enfrentado ao longo da trajetória escolar.

 

Já no segundo texto, cinco pesquisadores/as ciganos/as são acionados por Roy para realizar suas avaliações e depoimentos sobre o processo e o percurso acadêmicos. Entre eles estão: Jucelho Dantas, Cláudia Nunes, Sara Macêdo e Aluízio de Azevedo (este último Assessor para Ciência e Comunicação da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso).

 

A reportagem-denúncia produzida por Roy ainda traz análises de pesquisadores do campo da educação, como Lenilda Perpétuo, Edilma Monteiro, Edluza Oliveira e Natally Menini. E mais: está recheada de informações, análises, reflexões que mostram como as desigualdades sociais, o histórico de perseguição, exclusão e racismo por parte do estado brasileiro e da população majoritária, como fatores fundamentais para a exclusão educacional dos povos ciganos.

 

Para ler a primeira reportagem completa, acessa o seguinte link: https://www.educacaoejustica.com/post/estudantes-ciganos-as-denunciam-desigualdades-da-educa%C3%A7%C3%A3o-formal-no-brasil

 

A segunda reportagem completa pode ser lida neste link: https://www.educacaoejustica.com/post/estudantes-ciganos-as-superam-desigualdades-educacionais-e-se-tornam-mestres-as-e-doutores-as

 

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Programa Odova Romani - Vozes Ciganas estreia 27 de janeiro

 

Vem aí o primeiro programa de entrevistas feito por e para os povos ciganos

Odova Romani – Vozes Ciganas” é um programa de entrevistas para web que visa produzir conteúdo multimídia de qualidade acerca do universo cigano/romani. O projeto tem como foco a criação de espaço comunicacional para que artistas romanis apresentem os seus trabalhos, obras e produtos dos variados campos artísticos como dança, música, cinema, artes plásticas, artes visuais, literatura etc.

Selecionado no Edital Movimentar da Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (SECEL-MT), também é um espaço em que mestres das culturas ciganas podem apresentar/comentar sobre seu patrimônio imaterial e cultural. A exemplo das manifestações populares e tradicionais, festas de casamento e santo; aspectos identitários, modos de organização social.

Podendo ser traduzido na língua romanon, do tronco Calon, como “outro ou outra cigana”, o programa será ancorado pelo cigano mato-grossense desta etnia, Aluízio de Azevedo e contará com três episódios.

A ideia é levar informações qualificadas às pessoas romanis, que ao se verem representadas podem rever e reafirmar valores, culturas e modos de vida. O projeto, que tem como parceira a Asssociação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), objetiva a visibilização da diversidade de artistas e mestres romanis, bem como a multiplicidade de manifestações culturais e etnias ciganas.

Já o público não-cigano terá a oportunidade de ver representações não estereotipadas ou preconceituosas acerca do universo romani, descontruindo esse imaginário social negativo dos brasileiros e mato-grossenses acerca dos troncos étnicos romanis.

“O programa traz uma conversa leve e descontraída, de aproximadamente uma hora; cuja linha narrativa fluirá de forma com que @s convidad@s expressem livremente o que pensam sobre si mesmos e o mundo ao qual pertencem. Além, é claro de falar sobre a relação com o universo não-cigano”, explica Aluízio.

Convidadas - Os episódios ocorrerão em terças-feiras seguidas, sempre às 19h (horário de MT) e contam com a presença de três mulheres ciganas bastante expressivas.

A primeira delas ocorrerá no dia 27 de janeiro (quinta-feira) com a mestre da cultura cigana, corretora e ativista, Nilva Rodrigues Cunha, que reside no município de Rondonópolis. Do tronco étnico Calon, ela é diretora da AEEC-MT e recentemente foi uma das personagens principais da minissérie “Diva e as Calins de Mato Grosso”, aprovado no edital da Lei Aldir Blanc (SECEL-MT).

Ativista Nilva Rodrigues Cunha 

A segunda convida será Aline Miklos, no dia 01 de fevereiro. Cantora, compositora, pesquisadora e ativista cigana da etnia Rom-Kalderash, que acabou de lançar o trabalho multiartístico “Kalo Chiriklo”. Brasileira, tendo residido na França e atualmente, em Argentina, Aline é uma das principais ativistas romanis sul-americanas e mantém um diálogo com a Seção de Povos Indígenas Minorias e o Escritório de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU).

A cantora, compositora e pesquisadora Aline Miklos

Encerrando o programa no dia 08 de fevereiro, a convidada será a presidente da AEEC-MT, Fernanda Caiado, que nos últimos cinco anos dirigindo a instituição conquistou um espaço importante no movimento cigano brasileiro. Fernanda foi produtora executiva do projeto Diva e as calins de Mato Grosso.

Fernanda Caiado, presidente da AEEC-MT fecha a primeira temporada do programa Odova Romani

Apresentador – Da etnia Calon, Aluízio de Azevedo é cineasta, roteirista, poeta, artista plástico e pesquisador. Especialista em cinema, mestre em educação ambiental e mitologias ciganas (UFMT) e doutor em comunicação e saúde das comunidades ciganas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz – RJ).

Apresentador Aluízio de Azevedo

Sua investigação de doutorado que utilizou o método fílmico, recebeu o prêmio Eduardo Peñuela de melhor tese em comunicação do ano de 2019, concedido pela Associação Nacional dos Programas de Pós-graduação em Comunicação (Compós) e menção honrosa no prêmio Fiocruz de teses 2019.

O programa conta também com a produção e direção de arte de Rodrigo Zaiden.

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Intercom lança livro Comunicação e Ciência na era Covid-19: dois capítulos abordam ciganos

Obra conta com capítulo com foco na experiência do coletivo #OrgulhoRomani e a pauta cigana na comunicação pública em meio à covid-19

A Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação) acaba de lançar o livro “Comunicação e ciência na era covid-19”, que contém um capítulo abordando a questão cigana durante a pandemia e a atuação de militantes-pesquisadores vinculados ao Coletivo Internacional #OrgulhoRomani.

O capítulo “Orgulho Romani” e a pauta cigana na comunicação pública em meio à covid-19” é assinado por dois dos três membros do Coletivo: a jornalista, ativista negra e pesquisadora das comunidades ciganas e a mídia, Gabriela Marques; e pelo jornalista, ativista e pesquisador da comunicação e saúde, Aluízio de Azevedo, que também é assessor para ciência e comunicação da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT).

O coletivo Orgulho Romani também é formado pela musicista, cantora, ativista e pesquisadora cigana, Aline Miklos.

Uma publicação do GP de Políticas e Estratégias de Comunicação da Intercom, o livro contou com a organização de suas coordenadoras: Elen Geraldes, Gisele Pimenta, Kátia Belisário, Rafaela Pinto e Ruth Reis.

Um dos capítulos, o ensaio “Comunicação popular, meio digital e pandemia: experiência de uma pesquisa-intervenção”, de autoria de Breno da Silva Carvalho e Ana Gretel Echazú Böschemeier, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), também abordam em seu texto um projeto de boas práticas de enfrentamento à covid-19 voltada para comunidades e movimentos sociais incluindo ciganos, indígenas e quilombolas nos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará.

Com 245 páginas e 16 capítulos com experiências variadas sobre a comunicação pública, a universidade, a ciência e a pandemia; a obra será lançada nesta quinta-feira (07.10), entre 16h e17h, na sala 21 da Plataforma do Congresso da Intercom) e será fechada aos inscritos no evento.

Entretanto, o livro pode se baixado na página do GP Políticas e Estratégias de Comunicação da Intercom:

https://www.portalintercom.org.br/eventos1/gps1/gp-politicas-e-estrategias-de-comunicacao

Texto: Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT