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quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Assista ao Filme Caminhos Ciganos na Mostra Cine Caos Socioambiental online

Filme estará disponível online nas próximas semanas, corra que logo vai sair do ar!

Atenção amantes do cinema Cigano,

Esta oportunidade é para quem ainda não viu o filme Caminhos Ciganos.

O filme estará disponível nas próximas semanas na 10ª edição da Mostra online CineCaos Socioambiental.

Para ver a obra, que tem 24 minutos e aborda comunidades ciganas de Brasil, Portugal, com pitadas da Festa de Santa Sara Kali, em França, basta acessar o link:

Os outros 14 filmes da mostra, que ocorreu também presencial no último dia 10 de agosto (domingo), em Cuiabá, podem ser acessados no seguinte link:

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terça-feira, 23 de abril de 2024

Caminhos Ciganos é selecionado para o FICA 2024

O curta-metragem concorrerá na Mostra de Cinema Indígena e de Povos Tradicionais do 25 Festival Internacional de Cinema Ambiental

Caminhos Ciganos (24’, 2023) foi um dos curta-metragens selecionados para participar no 25º Festival Internacional de Cinema Ambiental (FICA), com o tema “Tecnologia, Inovação e Mudanças Climáticas”.

O filme será exibido na Mostra de Cinema Indígena e de Povos Tradicionais. Novidade neste ano, a mostra é dedicada a exibição de filmes de cineastas indígenas e de comunidades tradicionais, com premiação para longas e curtas-metragens.

53 produções audiovisuais se inscreveram para a Mostra Indígena e de Povos Tradicionais. Do Brasil, de estados como Roraima, Amazonas, Bahia, São Paulo, Mato Grosso e Minas Gerais e apenas seis foram selecionados.

Dirigido por Aluízio de Azevedo e codirigido por Rodrigo Zaiden e Karen Ferreira, Caminhos Ciganos aborda e tece relações, por meio do audiovisual entre diferentes comunidades ciganas brasileiras do tronco étnico Calon e entre distintas comunidades de Brasil e Portugal.

Para saber mais, acesse o site do filme Caminhos Ciganos.

A produção é realizada por meio de seleção no edital Cine Motion 2021 da Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), com o apoio da AEEC-MT, GIZ, Ministério Público Federal (MPF), Assembleia Social, Prefeitura Municipal de Tangará da Serra.

Para conhecer todos os filmes selecionados para as mostras competitivas, basta acessar ao link: https://fica.go.gov.br/filmes-em-competicao/

Panorama da produção cinematográfica ambiental

Neste ano, 1.078 produções foram inscritas para participação no Festival, que será realizado de 11 a 16 de junho, na cidade de Goiás (GO e vai destinar premiações que variam de R$ 5 mil a R$ 35 mil, além de troféus e menções honrosas.

As comissões responsáveis pela avaliação do material audiovisual são formadas por profissionais com notória experiência e conhecimentos na área e, em sua maioria, estão compostas por membros escolhidos a partir de chamada pública, contando também com indicações da Universidade Estadual de Goiás (UEG) e do Conselho Estadual de Cultura do Estado de Goiás.

De acordo com o site do festival, a temática foi escolhida para fazer coro com as metas da COP30, que ocorrerá em 2025, em Belém do Pará, no Brasil.

“o objetivo é trazer para os holofotes o debate sobre o papel da tecnologia na transição em direção a uma economia de baixo carbono e alinhar o festival com os debates que ocorrem rumo à COP-30, em 2025, na cidade de Belém”, diz trecho no site.

O FICA - 25 Anos de História

O primeiro festival de cinema a abordar a temática ambiental do Brasil e um dos pioneiros no mundo, completa bodas de prata no ano de 2024. Consolidado como um dos eventos mais expressivos no gênero, o festival é referência tanto no cenário nacional quanto internacional.

A cada ano, nas telas do histórico Cine Teatro São Joaquim, na cidade de Goiás, é exibido um recorte do que há de mais novo, relevante e inquietante em termos de filmes que tratam da relação entre ser humano e natureza.

O Fica é um fórum de debates ambientais de alto nível, reunindo sempre grandes pensadores e líderes internacionais para discutir o presente e o futuro do planeta e da humanidade.

Por suas sessões de cinema e debates ambientais já passaram os mais importantes nomes do cinema e do meio ambiente no Brasil e no mundo, como Arnaldo Jabor, Cacá Diegues, Eduardo Escorel, Nelson Pereira dos Santos, João Batista de Andrade, Marina Silva, Miriam Leitão, Washington Novaes, entre outros.

Imagem do filme em Saintes-Maries-De-La-Mer, França, na Festa de Santa Sara kali

O Fica é inseparável da cidade de Goiás. Foi parte importante do processo que levou ao reconhecimento da cidade como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco e segue contribuindo com a economia e a cultura da antiga capital do estado, parceira de sua realização.

Realizado pelo Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), o festival conta com a correalização da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Fundação de Rádio e Televisão Educativa e Cultural (Fundação RTVE).

Assessoria de Comunicação do filme Caminhos Ciganos, com informações do Site do FICA

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

Filme “Caminhos Ciganos” viaja no universo romani de Brasil, Portugal e França

Músicos ciganos tocam durante a peregrinação de Santa Sara Kali, em Saintes-Maries-De-La-Mer, França, reunindo ciganos do mundo todo, no dia 24 de maio, quando se comemora a padroeira cigana

Com uma linguagem cinematográfica, que inova ao apresentar cenas e cores vibrantes e uma estética romani tão íntima, que só quem é de dentro consegue captar; o curta metragem “Caminhos Ciganos” registra a longa viagem de um cineasta de etnia Calon, Aluízio de Azevedo, que ocorreu em 2017, no intuito de reconhecer e fortalecer sua identidade e ancestralidade. Aprovado no Edital Audiovisual 2021 – Cine Motion da Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), o trabalho está em fase de finalização e deve ser lançado no início do segundo semestre deste ano.

A trajetória pelo universo cigano inicia em seu microcosmo familiar, com seus tios-avós, os cunhados Eurípedes e Araxides e Stoesse, em Tangará da Serra (MT). De lá, o cineasta, percorreu milhares de quilômetros, de carro, ônibus, avião e barco, entre Brasil, Portugal e França. Mas foi na cidade, sua terra natal, que surgiu ideia de enviar recados de seus parentes, que pertencem ao tronco étnico Calon – os outros dois são os Rom e os Sinti – para os ciganos que encontrasse no caminho.

Trailler - barraco improvisado, sem água e luz, na cidade de Beja, Portugal

Com cenas completamente inéditas do universo cigano, a produção audiovisual entrelaça as sutilezas e surpresas desses encontros, a produção reconecta pessoas separadas por séculos. A exemplo dos irmãos cantores sertanejos Jefferson e Wanderley, do Acampamento Nova Canaã, em Brasília; ou das “Marias” Rosa e Amélia, da cidade de Beja, em Portugal, que apresentam os dramas e os modos de vida romani no país.

Road movie dirigido por cineasta de etnia Calon aborda culturas e identidades ciganas numa narrativa poética e intimista

Acompanhado por dois parceiros de viagem, os codiretores Rodrigo Zaiden e Karen Ferreira e partindo da técnica de câmera na mão, o trabalho é recheado de travellings, conversas coletivas e registros cotidianos de diferentes comunidades ciganas dos três países. Nada convencional, a narrativa traz reconhecimentos identitários mútuos, a r-existência na manutenção de valores e estilos de vida distintos das sociedades majoritárias, bem como o passado comum de perseguição e racismo.

“Em 2017, percorremos inúmeras cidades brasileiras, portuguesas e francesas, no intuito de conhecer outras comunidades ciganas, conviver com elas e imergir em seus cotidianos. Passamos por mais de quatro cidades no Brasil, 10 cidades em Portugal e uma cidade na França. Cruzamos e conversamos com personagens marcantes da vida romani, que encantam pela visão sabedoria e simplicidade e contam como acontecem suas relações com os não-ciganos, a hibridação e/ou a manutenção das identidades Romani”, lembra Aluízio de Azevedo.

Aluízio conversa com o Rom Kalderash, Rosan Mifalu, de Hungria, em frente à Catedral de Saintes-Maries-De-La-Mer, de onde sai a peregrinação de Santa Sara Kali

O diretor e roteirista explica que historicamente, os povos ciganos foram vítimas de políticas colonialistas/racistas, processos de invisibilização e silenciamento. Filmes, livros de literatura e estudos científicos oscilam entre representações de ódio e romantização, ora como bandidos perigosos, ora pontuando aspectos da sensualidade/sexualidade das mulheres, visões equivocadas.

“Essa realidade perpetuou imaginários negativos e impede o acesso à cidadania e serviços como educação, saúde, transporte, moradia ou trabalho formal. Assim, propomos um trabalho de autorrepresentação em todo o processo fílmico, desde a idealização, até a edição e circulação, aprofundando nos olhares ciganos, de maneira a transformar imaginários preconceituosos seculares”, enfatiza.

Saintes-Maries-De-La-Mer – Tendo por método orientador o cinema compartilhado de Jean Rouch, o filme-ensaio traz elementos identitários, como a língua, o trabalho tradicional com as vendas ou a leitura de mãos, a manutenção de manifestações culturais e tradições”, pondera o codiretor Rodrigo Zaiden, ao destacar que um dos pontos altos é a peregrinação de Santa Sara Kali.

Santa Sara Kali durante peregrinação na cidade de Saintes-Maries-De-La-Mer, em França, é acompanhada por multidão até o mar onde é banhada revivendo o mito de como chegou na cidade

“Acompanhamos a tradicional lavagem da padroeira cigana no mar mediterrâneo, junto com os amigos Florance Michel (Sinti de Itália), Rosan Mifalu (Rom de Hungria), e Monet Françoa (Manush de França), que fazem questão de comemorar anualmente. A peregrinação não é apenas uma manifestação de muita fé,  reunindo muita música e dança; elementos que os ciganos mantém em todos os territórios visitados e que brindam o público com sua originalidade”, conta Zaiden, que também atua como produtor e assistente de montagem na produção.

Como uma personagem coletiva que vai ligando personagens e territórios romani; a peregrinação de Santa Sara Kali aparecerá ao longo da narrativa com planos e sequências do ritual e dos acontecimentos profanos e musicais em seu entorno. “Abordamos o universo cigano por uma perspectiva dinâmica, cuja linha condutora são as viagens e vozes romani, que apresentam seus mundos de dentro para fora”, pontua a também codiretora e diretora de fotografia Karen Ferreira, ao enfatizar que:

“Um dos objetivos é o registro fílmico como fortalecimento das culturas e identidades ciganas, visando a quebra de estereótipos negativos. Outro é trazer novos materiais de pesquisa, por meio do diálogo intercultural promovido entre as comunidades visitadas dos diferentes países; para repensar questões relativas as estruturas sociais e a forma que a sociedade ocidental vê e (re)trata os povos ciganos”, complementa karen.

Tio Eurípedes Alves Pereira (in memorian), Tangará da Serra, tem presença marcante no documentário

Estratégia de distribuição – O projeto prevê a realização de circuito de lançamento com exibições presenciais específicas para as comunidades ciganas das quatro cidades/comunidades de Mato Grosso que participam: Tangará, Rondonópolis, Cuiabá. Também conta a criação de uma plataforma digital para divulgar informações como ficha técnica, trailer, teaser, making off, materiais de assessoria de imprensa e marketing (peças gráficas como cartaz, cartões, cards).

O site servirá ainda para ancorar redes sociais no Insta e YouTube, que serão criadas, exclusivas para divulgação do trabalho; espaço para clipagem de todo conteúdo da obra; e ao cabo de três anos de lançamento, a própria obra.

Barraca no Acampamento Nova Canaã, Rota do Cavalo, Sobradinho I, Brasília DF, que é uma das comunidades ciganas brasileiras que participam do filme

Sinopse

Os caminhos que levam ao universo romani em três países, Brasil, Portugal e França, são apresentados numa narrativa poética e intimista, inspirada na estética do premiado cineasta cigano Tony Gatlif, diretor de “Lacho Drom” (1992) e “Gadjo Dilo” (1997). Em destaque as culturas ciganas vistas de dentro, valorizando imaginários próprios. A viagem inicia com a família de um cineasta de etnia Calon em Mato Grosso; que corta o Brasil e atravessa o oceano Atlântico para reencontrar com sua ancestralidade, registrando cada comunidade, suas personagens e cotidianos marcantes, nuances de manifestações culturais, modos de vida e tradições romani, como também denúncias de exclusão e perseguição históricas.

Ficha Técnica

Pesquisa, Roteiro e Direção: Aluízio de Azevedo

Codireção: Rodrigo Zaiden e Karen Ferreira

Produção Executiva: Irandi Rodrigues Silva

Direção de Produção: Rodrigo Zaiden

Produções Local Portugal: Pimênio Ferreira

Produção Local Brasil: Fernanda Alves Caiado

Direção de Fotografia: Karen Ferreira

Fotografia complementar: Rodrigo Zaiden e Aluízio de Azevedo

Montagem: Juliana Corsino e Aluízio de Azevedo

Assistente de Montagem: Rodrigo Zaiden

Edição: Juliana Corsino

Finalização/Colorização: Isabela Padilha

Designer Gráfico e Webdesigner: André Victor

Assessoria de Comunicação e Imprensa: Aluízio de Azevedo

 

segunda-feira, 18 de julho de 2022

Racismo e xenofobia diminuem na França, mas preconceito contra ciganos segue alto, diz relatório

 

Famílias Ciganas vivem situação dramática em França. Foto: AFP

A Comissão Nacional Consultiva dos Direitos Humanos acredita que é necessário evoluir e continuar o trabalho de sensibilização contra os preconceitos nas escolas e universidades

Por RFI, Disponível em G1, 18 de julho de 2022

A tolerância diante das minorias evolui na França, aponta um relatório da Comissão Nacional Consultativa dos Direitos Humanos, divulgado nesta segunda-feira (18). No entanto, alguns grupos, como os ciganos, continuam sendo estigmatizados, afirma o documento que faz um apelo em prol da luta contra os preconceitos. 


"De 1990 a 2022, a aceitação das minorias progrediu globalmente na França", diz o relatório, que ressalta que desde 2015 o nível de aceitação das diferenças aumenta entre os franceses. Por outro lado, a Comissão Nacional Consultiva dos Direitos Humanos acredita que é necessário evoluir e continuar o trabalho de sensibilização contra os preconceitos nas escolas e universidades.


Desde 2008, o relatório é elaborado anualmente, junto com um "parâmetro de tolerância", calculado a partir de entrevistas com cidadãos. Em 2022, esse índice é de 68 de uma escala que vai no máximo até 100. São dois pontos a mais do que em 2019 e 14 em relação a 2013, o que mostra uma clara mudança de comportamento da população em relação às minorias, dizem os autores do documento. 


Por grupos, o índice é de 80 em relação aos negros, 79 aos judeus, 74 aos magrebinos (árabes do norte da África) e 62 aos muçulmanos. A minoria que os franceses mais tem dificuldades para aceitar são os "roms", ciganos do leste europeu, cuja escala de tolerância ficou em 52.


Racismo e xenofobia ainda são presentes


"Os discursos estigmatizantes com bases racistas e xenófobas não desapareceram do espaço público e midiático", ressalta Jean-Marie Burgubur, presidente da comissão. Segundo ele, a pandemia de Covid-19 reativou as teorias conspiracionistas antissemitas e a campanha das eleições presidenciais foi marcada "pelo retorno obsessivo da segurança, suscetível de reforçar os reflexos de xenofobia".


Mesmo que estejam em recuo, os preconceitos perduram, afirma o documento. Uma prova disso é que 38% dos franceses pensam que "o islã é uma ameaça à identidade do país" (contra 44,7% em 2019). Além disso, 45% pensam que "os roms vivem essencialmente de roubos e tráfico" (contra 48,2% em 2019). Entre os entrevistados, 37% pensam que "os judeus têm uma relação particular com dinheiro", uma ideia em alta em comparação a 2019, quando essa percentagem era de 34,1%. 


Ativistas Roma protestam em Paris por inclusão e direitos humanos

Preconceito velado


A Comissão Nacional Consultativa dos Direitos Humanos ressalta que o racismo, o antissemitismo e a xenofobia permanecem subestimadas na França: "1,2 milhão de pessoas seriam vítima, a cada ano, de ao menos um ataque, entre injúrias, ameaças, violências ou discriminações". Segundo números do Ministério do Interior, 7.759 casos de caráter discriminatório foram registrados no país. 


Por isso, a comissão formulou doze recomendações prioritárias, como a formação constante de professores sobre a questão, a adoção de um plano nacional para a instrução dos cidadãos, além de uma melhor capacitação da polícia e dos magistrados. 


Os autores do relatório também recomendam um reforço da luta contra os preconceitos anticiganos, com "um engajamento do governo para fazer evoluir o olhar e as práticas em relação às populações roms". Outra preconização do grupo é o acesso às denúncias online, além de uma maior atenção da problemática das discriminações no mercado de trabalho.


No total, para chegar a essas conclusões, a Comissão Nacional Consultiva dos Direitos Humanos ouviu 1.300 cidadãos franceses nesses últimos meses. As entrevistas que se concentraram nas temáticas do racismo, antissemitismo e xenofobia foram realizadas online e em presencial.


Disponível em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/07/18/racismo-e-xenofobia-diminuem-na-franca-mas-preconceito-contra-ciganos-segue-alto-diz-relatorio.ghtml

sábado, 9 de julho de 2022

Juana Martín, primera mujer española “y gitana” en la alta costura de París, tras su desfile: “Me he dejado la piel”

La diseñadora Juana Martín recibe el aplauso y las felicitaciones de los modelos de sus desfiles, entre ellos la actriz Rossy de Palma, al finalizar su desfile de alta costura en París, el 7 de julio de 2022.LEWIS JOLY (AP)

La diseñadora cordobesa se estrena en la gran cita de la moda con una propuesta preciosista y el negro como bandera que aborda de forma sutil y actual las tradiciones andaluzas

LETICIA GARCÍA, para EL País

París - 07 JUL 2022 - 15:06 , Actualizado:07 JUL 2022 - 15:09 BRT

“Me he dejado la piel. Llevo varias noches casi sin dormir”, comenta Juana Martín tras su desfile celebrado en París la tarde de este jueves 7 de julio, el que la ha convertido oficialmente en la primera mujer española (“y gitana”, como a ella le gusta remarcar) en desfilar en el muy exclusivo calendario oficial de la alta costura de la capital francesa. En 2018, y tras su salida de la pasarela Cibeles, Martín se instaló en París y empezó a presentar sus colecciones en la ciudad; la primera, titulada Camaron, 30 años después, rendía homenaje al mito del flamenco y captó la atención de la prensa especializada. Fue entonces cuando la Federación Francesa de la Alta Costura, el organismo que regula quién puede y quién no desfilar dentro de su estricta semana de la moda (y, por lo tanto, decir que su marca pertenece al selecto grupo de la alta costura), se empezó a fijar en el trabajo de la cordobesa y a interesarse por esa peculiar actualización del folclore andaluz y la artesanía local. El pasado abril le sugirieron participar como diseñadora invitada. Pasó con éxito el largo proceso para hacerlo: un padrino miembro de la federación (casi nunca se suele revelar quién) apostó por ella y el equipo visitó sus talleres y comprobó la capacidad de la diseñadora de crear más de una veintena de piezas a mano.

“No sabría decir el número de horas exactas que hemos tardado en hacer cada pieza. Algunas han sido días; otras, varias semanas”, explica Martín, que ha trabajado con sus costureras de Córdoba (“muchas nuevas, porque varias se han jubilado”) y distintos artesanos de París, como Maison Fegler, zapateros de Bretaña que conoció a través de su agencia de comunicación en la ciudad. Juntos han creado modelos planos que evocan el zapato masculino de baile y, a su vez, están brocados o adornados con piezas metálicas de lujo. Martín ha querido llamar a su debut en la costura Andalucía, así de simple, porque sus raíces han sido siempre el punto de partida desde que empezó a diseñar en 1999 y porque quería mostrar al público internacional que su tierra “son muchas cosas”. “Es luz, es optimismo, es teatro, es historia, es expresión”, comenta.

 

Cuatro diseños de Juana Martín en su desfile en la semana de la alta costura de París, el 7 de julio de 2022.CHRISTOPHE PETIT TESSON (EFE)

La actriz Rossy de Palma, amiga de Martín, ha abierto el desfile celebrado en un fabuloso palacete de la rue de Babylone con un abrigo blanco brocado mientras se arrancaba el cantaor Israel Fernández. A partir de ahí se han sucedido más de una veintena de salidas, la mayoría blancas y negras que abordaban de forma sutil y actual tradiciones andaluzas, del flamenco a la caza, el imaginario ecuestre o la orfebrería, presente en motivos de cuero repujado o en los tocados creados por Vivascarrión. “Me interesaba que fuera en colores vivos para significar la idea del sol del Sur y sus distintas tonalidades”, cuenta la diseñadora.

Esa ha sido casi la única concesión al color de Martín en esta colección, en la que, en sus propias palabras, “hay algo de dramatismo lorquiano”. “Me preguntaban cómo iba a reflejar la luz de Andalucía en mis trajes negros, pero en Andalucía sucede así, hasta el negro es luminoso”, explica. Las prendas, basadas en su mayoría en la indumentaria ecuestre y flamenca, desdibujan las fronteras de los géneros, más si cabe tratándose de algo tan tradicionalmente binario como los uniformes. Las chaquetillas masculinas o las mangas de volantes se fusionan en diseños que, en ocasiones, podrían ser unisex. “Pero de eso se trata”, argumenta, “de asumir que ya no tenemos que distinguir entre una prenda y otra, o al menos no deberíamos. Además, la exploración y el proceso creativo son mucho más interesantes“.

El hecho de que Juana Martín sea una diseñadora invitada por la federación no la exime de repetir la temporada que viene si el organismo así lo decide. Incluso puede convertirse en una asidua al calendario junto a Chanel, Dior, Jean Paul Gaultier o Armani. A juzgar por el abrazo y las alabanzas que le ha dedicado a Martín el presidente del organismo, Pascal Morand, puede que la historia se repita. Aunque Juana ya ha hecho historia.

 

Rossy de Palma con un abrigo largo brocado en color blanco de Juana Martín, en la apertura de su desfile de alta costura en París, el 7 de julio de 2022.CHRISTOPHE PETIT TESSON (EFE)

Disponível em: https://elpais.com/estilo/2022-07-07/juana-martin-primera-mujer-espanola-y-gitana-en-la-alta-costura-de-paris-tras-su-desfile-me-he-dejado-la-piel.html?utm_source=Facebook&ssm=FB_CM_EST&fbclid=IwAR0EixL2utFVx-xPeGGOIMjdrx2VxemUjL1awQoPq8Yj3hlto4r4FXUQKzw#Echobox=1657217528