Redação Bem Paraná com assessoria | 01/04/2025 às 09:51
Curitiba ganha um novo
museu no dia 8 de abril, o Dia Internacional dos Povos Ciganos. Nesta data será
inaugurado o primeiro Museu Virtual de Memórias da Imigração Cigana na capital,
o Museu Romanô Curitiba. O projeto, pioneiro no Brasil quando o assunto é
registro dessa cultura, foi idealizado pela cigana Hayanne Iovanovitchi, neta
de Cláudio Iovanovitchi, que faleceu na última semana, no dia 28 de março.
Cláudio era um grande nome na luta pela preservação dos povos ciganos,
representante da Associação de Preservação da Cultura Cigana (APRECI) e o Museu
era um grande sonho.
“Esse museu foi
construído pelas mãos do meu avô, em cada detalhe, cada história e cada
lembrança. Dois dias antes de ele falecer inesperadamente, ele fez a aprovação
final do projeto, e ele estava animado com o lançamento. Agora, estamos lutando
para que ainda mais a cultura cigana e, sobretudo a trajetória dele, seja
valorizada”, lamenta a neta e executora do Museu, Hayanne.
O projeto, que vinha
sendo pensado há mais de um ano, foi viabilizado por meio da Lei de Incentivo à
Cultura da Fundação Cultural de Curitiba (FCC) e tem curadoria de Neiva Camargo
Iovanovitchi e conta com o patrocínio da PESA-Cat – Paraná Equipamentos S.A.
O Museu Virtual de
Memórias da Imigração Cigana em Curitiba, que teve um investimento de cerca de
R$ 80 mil, surge como uma iniciativa inovadora para registrar e preservar a
história da comunidade cigana no estado, que tradicionalmente se baseia na
oralidade e que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), no Brasil chega a quase 1 milhão de pessoas.
“A nossa história, quando
registrada, foi muitas vezes contada por não ciganos, carregada de estereótipos
e fantasias. Com o Museu, finalmente temos a chance de narrar nossa trajetória
com nossa própria voz, sem distorções. Era esse o desejo do meu avô, trazer
protagonismo para os povos ciganos e, sobretudo, entender que o povo de Curitiba
também é formado por essas culturas”, afirma Hayanne.
O acervo, disponibilizado
de forma 100% online, é estimado em cerca de 180 peças e reúne
documentos históricos, fotografias, vídeos e relatos exclusivos, incluindo
materiais inéditos sobre a chegada dos ciganos da etnia Rom ao Paraná. A
curadoria foi conduzida com base na pesquisa de Cláudio, neto de Duchan
Iovanovitch – cigano que chegou da Iugoslávia em terras paranaenses em 1926.
Por muitos anos, Cláudio
conservou e resgatou a história da família a partir de documentos herdados de
seus avós. “A vida do meu avô foi dedicada em valorizar o nosso povo, e apesar da
tristeza, temos certeza que será um momento inclusive, de celebrar a sua vida”,
diz Hayanne. O Museu Virtual contará com recursos de acessibilidade e registros
audiovisuais para proporcionar uma experiência inclusiva e interativa.
A inauguração oficial
acontecerá no dia 08 de abril no Museu Paranaense, a partir das 19h, em um
evento aberto ao público e que contará com uma roda de conversa sobre o
processo de criação do museu e exposição de algumas peças físicas do acervo. A
cerimônia, que seria conduzida por Cláudio, terá a participação da antropóloga
do Museu Paranaense Josi Spenassatto, da proponente do projeto Hay
Iovanovitchi, além de autoridades convidadas do governo estadual e federal.
“Para nós, povos ciganos, vai ser um momento de homenagear meu avô e o legado
que ele deixou. Ainda, vai ser um momento de fortalecer ainda mais a
necessidade de valorizar a cultura cigana”, celebra Hayanne.
O projeto busca ampliar o
conhecimento sobre a cultura cigana e combater preconceitos por meio da
preservação da memória e do acesso à informação verídica. Além do público em
geral, o museu pretende engajar pesquisadores, estudantes, professores e agentes
públicos que trabalham com os direitos dos povos ciganos. “Nossa ideia é
mostrar ao público uma nova perspectiva dos povos ciganos e das nossas histórias.
Tenho certeza que o Museu Romanô trará uma contribuição significativa para a
cultura do estado”, finaliza a idealizadora do projeto.
Sobre Hayanne
Iovanovitchi
Cigana
de etnia Rom, Hayanne Iovanovitchi é trineta de Duchan Iovanovitch e pertence à
quinta geração da Família Iovanovitchi em Curitiba. Bacharel em Direito, atriz
e produtora cultural, é idealizadora do Coletivo de Mulheres Ciganas do Brasil
e membro do Coletivo Ciganagens.
Sobre Cláudio
Iovanovitchi (in memoriam)
Cláudio Iovanovitchi era
importante liderança cigana Rom, fundador da Associação de Preservação da
Cultura Cigana no Paraná (APRECI/PR) e defensor incansável da valorização das
tradições ciganas. Cláudio também integrava o Conselho Nacional de Promoção da
Igualdade Racial (CNPIR) e atuava como vice-presidente do Sindicato dos
Produtores Culturais do Estado do Paraná. Natural de Ponta Grossa e residente
em Curitiba desde a década de 1970, Cláudio desenvolveu uma forte relação com o
teatro e a pesquisa histórica. Deixa um legado importante para a preservação e
difusão da cultura cigana no Brasil.
Serviço:
Evento
de lançamento do Museu Romanô de Curitiba
Data:
08/04/2025
Horário: 19h
Local: Museu Paranaense – R. Kellers, 289 – São Francisco, Curitiba – PR
https://www.museuromanocuritiba.com/
Disponível em: https://www.bemparana.com.br/noticias/parana/curitiba-ganha-museu-virtual-que-resgata-a-memoria-do-povo-cigano/