Em 8 de abril, o mundo celebra (ou ao menos deveria celebrar!) os ritmos ancestrais e o sangue que pulsam em nossas veias: celebramos, não com palavras fáceis, mas com a força indomável dos nossos antigos, o Dia Internacional dos Povos Ciganos. A data foi criada no Primeiro Congresso Mundial Romani, em Londres, ocorrido no ano de 1971, ocasião em que se reuniram representantes ciganas e ciganos de vários países europeus.
A data chegou ao Brasil a
partir da década de 1990, mas ganhou projeção somente nos últimos 15 a 20 anos,
após uma organização maior do próprio movimento social brasileiro. Movimento
este, que em 2006, alcançou inclusive a criação de um Dia Nacional dos Povos
Cignos, celebrado a todo dia 24 de maio. Sabemos que as datas comemorativas por
si só não resolvem os problemas e as exclusões.
Contudo, são momentos
importantes, que marcam não apenas o reconhecimento às contribuições das
culturas e povos ciganos ao mundo e ao Brasil, no caso do Dia Nacional. São uma
oportunidade para reforçar as lutas, mas também para Celebração!
Uma celebração da
resiliência e re-existência dos nossos mais velhos e velhas, que esculpiram
nossas histórias e culturas vibrantes, colorindo as jornadas diaspóricas e nos
impulsionando a desbravar horizontes, sempre caminhando e seguindo em frente,
mesmo diante das maiores adversidades e opressões, sem deixar nos perder
enquanto povos.
Saudamos as Calin e os
Calon, com a música que brota da alma, incendiando paixões e libertando o corpo
em danças que desafiam as leis da gravidade. Aclamamos nossas mulheres e homens,
jovens e crianças, velhos e velhas, que pintam o ar com a paleta de suas emoções.
Em cada giro, uma memória e em cada acorde um valor ancestral, que modelam
nossas vidas e sentimentos e são a base das lutas que travamos em prol dos
nossos direitos e cidadania.
Reverenciamos os Rom, com
a força silenciosa que molda o metal em poesia, transformando a matéria bruta
em obras que transcendem o tempo. Suas mãos, ferramenta de criação, constroem
um legado de beleza e utilidade, mas também de alegria e sensibilidade, nos
circos e espetáculos teatrais.
Honramos os Sinti, que guardam ensinamentos e sabedorias milenares, ecoando através dos séculos, sussurrada ao vento em histórias que encantam e ensinam. Seus costumes florescem como uma mandala viva de cores e formas, revelando a beleza e o sorriso que reside em cada detalhe da vida.
Neste dia, celebramos a
diversidade que nos enriquece, a miríade de etnias que compõem as nações
ciganas. Celebramos a unidade que nos fortalece, a chama das identidades
Romanis que ardem em cada coração, alimentadas pelas músicas que nos unem,
pelas danças que nos libertam, pelas línguas que nos conectam, pelas artes que
nos expressam. Celebramos a beleza e honramos as dores dos nossos antigos, que
moldaram nossas histórias, a resiliência que nos permitiu sobreviver e
florescer.
Celebramos este dia com a
força da verdade, lembrando a importância em reconhecermos, respeitarmos e
valorizarmos as culturas ciganas em sua totalidade. Que os espíritos
itinerantes dos nossos ancestrais continuem a nos inspirar e impulsionar, como
um chamado para a luta e o orgulho em sermos ciganas e ciganos, conservando
nossas tradições, costumes e manifestações culturais próprias.
Que neste 08 dia Abril
possamos gritar contra os estereótipos e desfiramos um golpe certeiro contra o
preconceito e o racismo. Que este dia seja um convite para construir um mundo
onde a diversidade não seja somente tolerada, mas, principalmente, celebrada,
reconhecida e incentivada. Um mundo novo de paz e em que a liberdade não seja
um privilégio, mas um direito inalienável de todos os seres vivos.
Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT)