terça-feira, 3 de novembro de 2026

Escritoras e escritores ciganos lançam 12 novos livros de literatura nos dias 10 e 11 de novembro

A iniciativa protagoniza autores ciganos de literatura infantojuvenil, reunindo narrativas de autores Sinti, Calon e Rom, acompanhada de rodas de conversa nos dias 10 e 11 de novembro na UFG


Nos próximos dias 10 e 11 de novembro de 2026 (terça e quarta-feira), o Centro de Cultura e Eventos Professor Ricardo Freua Bufáiçal, na Universidade Federal de Goiás sediará o lançamento da Coleção Tranças. Trata-se de uma iniciativa inédita que reúne 12 escritores e escritoras ciganos das etnias Sinti, Calon e Rom para apresentar suas primeiras obras de literatura infantojuvenil.
 
O evento contará com duas rodas de conversa abertas, das 10h30 às 12h, nas quais autores e autoras ciganas de diferentes territórios do país debaterão o resgate da memória oral, a cultura falada e a presença de suas vozes no mercado editorial brasileiro. Desta maneira, coloca lideranças, pesquisadores e guardiões da tradição cigana no centro da produção literária nacional, contribuindo para o reconhecimento da memória oral dos povos ciganos e para o reconhecimento de sua contribuição à cultura brasileira.

A publicação da coleção foi viabilizada por meio do I Prêmio Nacional de Literatura Infantojuvenil Quilombola e Cigana, resultado de uma parceria entre o Ministério da Igualdade Racial (MIR), a UFG, via Projeto FDCulT e a Editora Passarinho.

No dia 10, acontece a mesa "Saberes que vivem na oralidade" reunirá autores que abordam o resgate da memória e da cultura falada. A programação conta com a apresentação de Hayanne G. Iovanovitchi (Paramitcha Tsinorrendi, escrito com Cidy Iovanovitchi), além de apresentações sobre as obras de Neiva Camargo Iovanovitchi (O conto cigano de um mundo sem fronteiras), Cícero Pereira (A Melodia de Nina) e Francisca Ilda Mangueira Lacerda (As andanças de Dodô Véio, com apresentação de Suênia Soares).

Já no dia 11, a roda "Os caminhos das nossas histórias" trará reflexões sobre a escrita, identidades e vivências ciganas. A sessão contará com a participação de Lenilson Portela (Jatobá), Pedro Bernadone Lacerda Figueiredo (Super Calon – a jornada de Randu), Sara Macêdo Kali (Camelo), Francisco Soares Figueiredo (As contadeiras de estrela, apresentado por Suênia Soares) e Marcilânia Alcântara (Dom Ramon e seu violão em: o toco e a mãe da lua).

Vozes e histórias: os autores da Coleção Tranças

As obras da coleção traduzem a riqueza de vivências das comunidades Calon, Rom e Sinti por meio da escrita sensível de seus autores e autoras. Conheça-os:

· Camelo, de Sara Macêdo Kali (Calon, GO): Advogada, professora de Direito e ativista do Coletivo Ciganagens, Sara resgata a memória oral e a coragem das mulheres de sua família no interior de Goiás por meio do realismo fantástico tradicional Calon.

· Maria do Chá, de Cauênya Vitória (Calon, PB): Jovem escritora sousense e apaixonada pelas raízes de seus antepassados, Cauênya compartilha as vivências, a força e a beleza da cultura cigana através da história de sua avó materna.

· Jatobá, de Lenilson Portela (Calon, PI): Doutorando em História do Brasil e pesquisador de temas ciganos, o autor piauiense alia o rigor acadêmico ao afeto para apresentar narrativas voltadas às infâncias e à cultura de seu povo.

· As Andanças de Dodô Veio, de Francisca Ilda (Calon, PB): Liderança feminina e guardiã das tradições ciganas em sua comunidade, Dona Ilda transmite afeto e identidade ao narrar as vivências de seus netos com foco no respeito à diversidade cultural.

· Paramitcha Tsinorrendi, de Hayanne Iovanovitchi (Rom, PR):
Advogada, pós-graduanda em Direito Penal e fundadora do Coletivo de Mulheres Ciganas do Brasil (COMCIB), a autora dedica sua escrita à preservação da memória e do patrimônio cultural Rom.

· O sonho da saia colorida, de Cândida Maria da Conceição Oliveira Cabral Teodoro (Calon, PB): Filha de lideranças ciganas de Sousa, a autora traduz em sua escrita o orgulho de sua origem, celebrando a dança e o cultivo das tradições ancestrais desde a infância.

· A menina do rancho, de Anderson Targino (Calon, RN): Advogado, mestrando em Antropologia Social e conselheiro estadual, Anderson articula sua atuação jurídica e cultural para defender os direitos do povo cigano e preservar sua memória histórica.

· A menor máscara do mundo, de Voria Stefanovsky (Sinti, Argentina/DF): Doutora em Literatura e primeira mulher romani a concluir um doutorado na América Latina, a autora resgata sua história de infância no circo para transformar memórias em literatura de superação.

· A melodia de Nina, de Cícero Romão Batista Pereira (Calon, PB): Fundador do site Raty Calon e diretor executivo nacional da Pastoral dos Nômades, Cícero utiliza a comunicação e o audiovisual para promover a inclusão e a valorização das infâncias ciganas.

· O conto cigano de um mundo sem fronteira, de Neiva Camargo Iovanovitchi (Rom, PR):
Artista circense desde a década de 1950, Neiva acumula décadas de dedicação às artes cênicas e à preservação da identidade e dos direitos históricos dos povos ciganos no Paraná.

· Super calon, de Pedro Bernadone Lacerda Figueiredo (Calon, PB): Educador físico, pedagogo e fundador da Rádio Sintonia Cigana, Pedro alia formação multidisciplinar e ativismo para difundir a identidade cigana e empoderar jovens leitores.

· A contadeira de estrela, de Francisco Soares Figueiredo (Calon, PB): Músico, escritor e liderança histórica de Sousa (PB), Francisco registra contos tradicionais e memórias da comunidade com a missão de manter vivas as raízes e os sonhos de seu povo.

Aluízio de Azevedo – Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT
Com informações do site da UFG