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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Câmara dos Deputados debate criação do Estatuto dos Povos Ciganos no próximo dia 26 de maio

Audiência será interativa; envie suas perguntas. Elza Fiúza / Agência Brasil

Fonte: Agência Câmara de Notícias

A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados promove na terça-feira (26) audiência pública para discutir o Projeto de Lei 1387/22, do Senado, que cria o Estatuto dos Povos Ciganos.

A reunião será realizada às 17 horas, em plenário a ser definido.

O debate atende a pedido do deputado Luiz Couto (PT-PB). Segundo ele, o projeto reconhece, valoriza e protege direitos dos povos ciganos no Brasil.

"Apesar da presença histórica no país, essa população ainda enfrenta invisibilidade institucional, discriminação, preconceito e dificuldade de acesso a direitos fundamentais, como educação, saúde, moradia, trabalho e participação em políticas públicas", afirma.

O parlamentar acrescenta que a criação do Estatuto dos Povos Ciganos é uma medida necessária para enfrentar desigualdades históricas e fortalecer a proteção legal dessas comunidades, respeitando suas especificidades culturais e modos de vida.

Da Redação – MO

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias/1274966-comissao-debate-criacao-do-estatuto-dos-povos-ciganos-participe/

terça-feira, 14 de outubro de 2025

Comissão da Câmara Federal debate criação do Estatuto dos Povos Ciganos

Projeto de Lei que cria o Estatuto dos Povos Ciganos tramita desde 2015 no Congresso Nacional e já foi aprovado no Senado

13/10/2025 - 11:01 - Fonte: Agência Câmara de Notícias

A Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados realiza nesta quarta-feira (15) audiência pública para discutir o Projeto de Lei 1387/22, do Senado, que cria o Estatuto dos Povos Ciganos. A reunião será realizada no plenário 3, às 16 horas.

O debate atende a pedido do deputado Pedro Uczai (PT-SC). Ele ressalta que a proposta, do senador Paulo Paim (PT-RS), estabelece diretrizes para assegurar a cidadania plena e o respeito às especificidades culturais dos povos ciganos no Brasil.

“Na audiência, vamos ouvir as demandas dessas comunidades e garantir que o estatuto reflita seus anseios e necessidades, fortalecendo a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva”, diz.

Pedro Uczai acrescenta que a população cigana é historicamente marcada pela invisibilidade institucional e pela discriminação. “Temos de promover o reconhecimento e a proteção dos direitos dos povos ciganos no Brasil”, afirma.

Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias/1210361-comissao-debate-criacao-do-estatuto-dos-povos-ciganos/

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Comissão discute proposta que cria Estatuto dos Povos Ciganos Fonte: Agência Câmara de Notícias


 

A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados promove audiência na quinta-feira (24) para discutir a proposta (PL 1387/22) que cria o Estatuto dos Povos Ciganos.

Entre outros pontos, o texto, do senador Paulo Paim (PT-RS), torna obrigatória a coleta periódica de informações demográficas sobre os povos ciganos, para que sirvam de subsídios na elaboração de políticas públicas.

A iniciativa do debate é da deputada Luizianne Lins (PT-CE). Segundo ela, o estatuto representará um avanço na luta pela efetiva proteção dos direitos individuais e coletivos, pela valorização da cultura cigana e pela superação de desigualdades e preconceitos historicamente enfrentados por essa comunidade.

Paulo Paim e a consultora do Alto Comissariado para os Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) Aline Miklos estão entre os convidados da audiência pública.

A reunião será realizada no plenário 9, às 10 horas.

Da Redação - MO

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias/988644-comissao-discute-proposta-que-cria-estatuto-dos-povos-ciganos/ 

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Ciganos pedem apoio à presidente da comissão de Cultura da Câmara para aprovação de Estatuto

Deputada Federal Rosa Neide garante realização de audiência pública na Comissão de Cultura da Câmara para debater o projeto em tramitação na Casa de Leis

Da Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

Integrantes da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT) participaram nesta quarta-feira (14.09) de reunião com a deputada federal professora Rosa Neide (PT), presidente da Comissão de Cultura da Casa, para discutir a tramitação do projeto de Lei 1.387/2022, que cria o Estatuto dos Povos Ciganos. A reunião ocorreu no escritório da parlamentar em Cuiabá.

Na ocasião, o Secretário da AEEC-MT, professor Aluízio de Azevedo Silva, em conjunto com a diretora de mobilização e a conselheira da instituição, respectivamente, Terezinha Alves e Irandi Rodrigues Silva, protocolaram ofício à deputada solicitando um olhar especial na defesa e aprovação do projeto na Comissão de Cultura e na Casa de Leis. Também protocolizaram ofício endereçado ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), ampliando a solicitação de celeridade em todas as comissões, por onde deve passar para análise dos parlamentares.

Assista abaixo ao vídeo com o número de dança apresentado pelos bailarinos Jaqueline Roque e Marcos Gattas durante a reunião: 



Rosa Neide e sua equipe acompanharam uma apresentação de dança com os bailarinos ciganos, Marcos Gattas e Jaqueline Roque, que também participaram da reunião. Duas lideranças nacionais integrantes da Roda Cigana – Rede Humanitária acompanharam a reunião, de forma online. Marcos Pantaleão, da zona da mata mineira (MG) e Francisco Lacerda de Figueira, da cidade de Sousa, na Paraíba, onde situa-se a maior comunidade cigana da América Latina, com mais de cinco mil pessoas.

O ofício é assinado em conjunto com a Associação Nacional das Etnias Ciganas (DF), demandante do projeto junto ao seu autor, o senador Paulo Paim (PT). Com o número PLS 248/2015, o projeto já foi aprovado no Senado Federal e está tramitando na Câmara dos Deputados desde o final de maio, quando o presidente Arthur Lira (PP), o despachou para ser analisado em várias comissões, incluindo a comissão de cultura.

Os presentes solicitaram à deputada a realização de audiência pública convidando lideranças ciganas de todas as unidades da federação, para debater a matéria, conforme estabelece a OIT 169, no caso dos povos tradicionais. Rosa Neide garantiu que será uma defensora do projeto na Câmara e ressaltou a importância do Estatuto para quebrar estereótipos históricos e ampliar a visibilidade dos povos ciganos, especialmente na educação, onde não são referidos nos livros didáticos e nem constam nos currículos.

“Os povos ciganos brasileiros podem contar com a nosso apoio ao projeto, principalmente nas áreas de educação e cultura. A matéria já chegou na comissão de Cultura e faremos o debate necessário, convocando uma audiência pública para quando voltar o recesso e convidando a todas as ciganas e ciganos brasileiros a participarem para discutir em conjunto”, garantiu Rosaneide, ao lembrar a importância da Lei Paulo Gustavo, que está sendo debatida na comissão, para o acesso à cultura de populações específicas.

“Estamos debatendo a criação da Lei Paulo Gustavo, que terá enfoque no audiovisual e as comunidades ciganas poderão participar, prevendo filmes para divulgação da sua rica cultura, até porque não temos nenhum material educacional e as comunidades ainda são invisíveis perante ao Estado e sofrem preconceitos”, declarou a parlamentar, informando que a secretária da comissão de cultura estava acompanhando a reunião e já está tomando todas as providências necessárias.

De acordo com o secretário da AEEC-MT, Aluízio de Azevedo, o projeto do Estatuto é estratégico para os povos ciganos. “O Estatuto é de suma para todos os três troncos étnicos ciganos brasileiros, os Calon, os Rom e os Sinti e seus inúmeros subgrupos, que atualmente, somam entre 500 mil a um milhão de pessoas, vivendo em todos os Estados Brasileiros. Estamos muito satisfeitos com o resultado da reunião”, destaca.



Estatuto dos Povos Ciganos

A propositura estabelece diretrizes para a garantia de direitos básicos para os povos ciganos em todos as áreas, como saúde, educação, habitação, esporte e lazer, cultura, trabalho, entre outros. De acordo com consulta realizada no último dia 11 de julho no Portal da Câmara, a proposição está sujeita à apreciação do plenário, com regime de tramitação definido como prioridade pelo Art. 151, II, RICD.

Consta também despacho da mesa diretora de 02 de junho, encaminhando às Comissões de Cultura; Educação; Seguridade Social e Família; Direitos Humanos e Minorias; Finanças e Tributação (Art. 54 RICD) e Constituição e Justiça e de Cidadania (Mérito e Art. 54, RICD). Em razão da distribuição a mais de três Comissões de mérito, a mesa diretora determinou a criação de Comissão Especial para analisar a matéria, conforme o inciso II do art. 34 do RICD.

A mesa também solicitou apensar-se a este a(o)PL-2703/2020, de autoria do deputado Filipe Barros (PSL), que também tem como objetivo a criação de um Estatuto Nacional dos Povos Ciganos.

Histórico

O projeto de Lei 248/2015, que cria o Estatuto dos Povos Ciganos, nasceu da vontade popular do movimento social cigano, uma iniciativa provinda do diálogo entre esta Associação Nacional das Etnias Ciganas (ANEC-DF) junto ao senador Paulo Paim.

Para debater a propositura durante sua tramitação no Senado Federal, com o apoio daquela Casa de Leis e do Ministério Público Federal, foi criado um grupo de trabalho no Whats App com a participação de lideranças ciganas brasileiras de várias etnias e diversos Estados, que puderam ler artigo por artigo do documento e contribuir com a análise dos digníssimos senadores.

Por causa da pandemia da Covid-19, o diálogo só ocorreu de forma online, não havendo possibilidade de debate e reflexão e contribuições presenciais. Diante deste cenário, a necessidade uma audiência pública desta Câmara dos Deputados de forma presencial, com transmissão online em tempo real e a participação do maior número de lideranças ciganas brasileiras, para debater o tema.

sábado, 30 de julho de 2022

Alesp adia para setembro debate projeto que cria Estatuto dos Povos Ciganos

Nova data será divulgada em breve

A Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP) adiou para o mês de setembro reunião que ocorreria nesta terça-feira (02.08), às 19h, para debater projeto de lei do Senado (PLS) 248 de 2015, que cria o Estatuto Nacional dos Povos Ciganos. De autoria do senador Paulo Paim (PT), que já confirmou presença, o projeto foi aprovado em instância terminativa no Senado por Unanimidade no último dia 24 de maio – dia nacional dos Ciganos e agora tramita na Câmara Federal, com o número 1.387/22.

O debate foi cancelado pois ocorreria de forma híbrida, sendo presencial no auditório Teotônio Vilela e online, entretanto houve problemas para realizar a parte online.

O encontro é uma iniciativa do deputado Paulo Fiorilio, com o apoio da ANEC-DF e da Roda Cigana – Rede Humanitária, que é coordenada pela ativista e produtora cultural, Lu Ynaiah e congrega mais de 60 Organizações Não-governamentais (ONGs) e coletivos de vários segmentos, mas principalmente, dos povos ciganos.

Lideranças Ciganas de todo país participarão do evento. Entre elas, o Assessor para Ciência e Comunicação da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), Aluízio de Azevedo, também integrante da Roda Cigana e Conselheiro Nacional de Promoção de Igualdade Racial (CNPPIR).

Também já confirmaram presença no evento, o presidente da ANEC-DF, Wanderley da Rocha, o ativista e integrante da Roda Cigana - Rede Humanitária, Marcos Pantaleão (MG), as lideranças da comunidade cigana de Souza (PB), Francisco Alfredo Maia, Cícero Romão Batista, Francisco Vidal Pereira e Francisco Lacerda de Figueiredo e Cícero Romão; o músico e presidente da União Cigana do Brasil (UCB), Marcelo Vacite (RJ), Saulo Yanowich, da Federação Romani (RJ) e o professor doutor, Jucelho Dantas (BA).

Além das lideranças ciganas, ainda participarão no debate, o deputado Lindolfo Pires (PB) e os procuradores da república Luciano Mariz Maia (Distrito Federal), José Godoy (Souza – PB) e Walter Rothemburg (São Paulo - SP), contribuindo com o debate para a aprovação do Estatuto dos Povos Ciganos, que trará políticas afirmativas em todos os serviços cidadãos, como saúde, educação, cultura, esportes, trabalho, habitação, previdência social etc.

A tramitação do projeto 1387/22 pode ser acompanhada no site da Câmara dos Deputados aqui.

Texto: Assessoria de Comunicação AEEC-MT

terça-feira, 19 de julho de 2022

Agência Câmara de Notícias: Proposta do Senado cria o Estatuto dos Povos Ciganos

Projeto torna obrigatória a coleta periódica de informações demográficas sobre essa população

Ciganos continuam excluídos, afirma senador que é autor da proposta de estatuto

Fonte: Agência Câmara de Notícias, 18/07/2022 - 15:08  

O Projeto de Lei 1387/22, já aprovado pelo Senado, cria o Estatuto dos Povos Ciganos.

A proposta agora em análise na Câmara dos Deputados contempla áreas como educação, saúde, esporte, cultura e lazer; prevê o acesso à terra, à moradia e ao trabalho; e determina ações afirmativas em favor dos povos ciganos. 

Conforme o texto, os povos ciganos, cuja presença no Brasil remonta a 1574, são “o conjunto de indivíduos de origem e ascendência cigana que se identificam e são identificados como pertencentes a grupo étnico cujas características culturais o distinguem como tal na sociedade”. 

Autor da proposta, o senador Paulo Paim (PT-RS) disse que a iniciativa contou com participação da Associação Nacional das Etnias Ciganas (Anec). “Os ciganos continuam excluídos sob vários aspectos, sujeitos a preconceito, discriminação e incompreensão com relação à cultura e organização social”, afirmou Paim.

Discriminação

O estatuto prevê combate à discriminação e à intolerância e impõe ao Estado o dever de garantir igualdade de oportunidades e de defender a dignidade e os valores religiosos e culturais dos ciganos, por meio de políticas públicas de desenvolvimento econômico e social e também ações afirmativas.

O projeto de lei aprovado pelo Senado torna obrigatória a coleta periódica de informações demográficas sobre os povos ciganos, para que sirvam de subsídios na elaboração de políticas públicas. Caberá ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial a organização e a articulação de políticas e serviços federais.

Tramitação

O projeto será analisado por comissão especial a ser criada com esta finalidade. Depois seguirá para o Plenário. Em conjunto, tramitará o Projeto de Lei 2703/20, do deputado Filipe Barros (PL-PR), que propõe estatuto similar.

·        Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

Reportagem – Ralph Machado

Edição – Roberto Seabra

Com informações da Agência Senado

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias/890777-proposta-do-senado-cria-o-estatuto-dos-povos-ciganos/

terça-feira, 3 de maio de 2022

Estatuto dos Povos Ciganos é aprovado no Senado e seguirá para a Câmara

O presidente da Associação Nacional das Etnias Ciganas, Wanderley da Rocha (Centro de chapéu) é o principal articulador da proposta da estatuto dos povos ciganos

Da Agência Senado | 02/05/2022, 17h18

Fonte: Agência Senado

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) aprovou, nesta segunda-feira (2), o projeto de lei do senador Paulo Paim (PT-RS), que cria o Estatuto dos Povos Cigano (PLS 248/2015). Foram 10 votos a favor e nenhum contrário.

A proposta recebeu voto favorável do relator na CDH, senador Telmário Mota (Pros-RR), com ajustes promovidos por cinco emendas de sua autoria, cinco da Comissão de Educação (CE) e mais duas da Comissão de Assuntos Sociais (CAS). Como foi aprovado de forma terminativa pela CDH, o projeto seguirá direto para análise na Câmara dos Deputados, se não houver recurso para votação no Plenário do Senado.

Telmário lembrou que o projeto está em discussão desde 2015. O relatório já havia sido lido na comissão em agosto do ano passado. Segundo o relator, texto traz à luz a liberdade para todos os povos ciganos. Ele disse que a aprovação do projeto foi como um “filho difícil de nascer”.

— A aprovação foi difícil, mas foi gloriosa! Que vivam os povos ciganos! – comemorou Telmário.

O presidente da comissão, senador Humberto Costa (PT-PE), classificou o projeto como de “extrema importância”.  O senador Paulo Paim lembrou que os ciganos chegaram ao Brasil em 1574 e até hoje padecem da desigualdade material. De acordo com o autor, o projeto é fruto de uma ampla discussão.

Oportunidades

 O Estatuto do Cigano determina ser dever do Estado e da sociedade garantir a igualdade de oportunidades, reconhecendo a todo cidadão brasileiro, independentemente da etnia ou da cor da pele, o direito à participação na comunidade, em suas diversas atividades, preservando sua dignidade e seus valores religiosos e culturais.

A proposta dispõe sobre educação, cultura, saúde, acesso à terra, moradia, trabalho e ações afirmativas em favor dos povos ciganos. Suas disposições preliminares elencam os objetivos de combate à discriminação e à intolerância; trazem breves definições sobre quem são os ciganos, desigualdade racial, políticas públicas e ações afirmativas; impõem ao Estado o dever de garantir igualdade de oportunidades e de defender a dignidade e os valores religiosos e culturais dos ciganos, prioritariamente mediante políticas públicas de desenvolvimento econômico e social, ações afirmativas e combate à discriminação.

O projeto busca também reconhecer, proteger e estimular o acesso à terra, à moradia e ao trabalho. Além disso, cria o dever de coletar periodicamente informações demográficas sobre os povos ciganos, para subsidiar a elaboração de políticas públicas em seu favor.

Educação

O texto com emenda do relator considera "povo cigano" como o "conjunto de indivíduos de origem e ascendência cigana que se identificam e são identificados como pertencentes a um grupo étnico cujas características culturais o distinguem, como tal, na sociedade nacional.”

Pelo estatuto, a educação básica dos povos ciganos deve ser incentivada, e a disseminação da sua cultura deve ser promovida pelo poder público. As línguas ciganas são reconhecidas como patrimônio imaterial desses povos, aos quais fica assegurado, ainda, o direito à preservação de seu patrimônio histórico e cultural, material e imaterial, e sua continuação como povo formador da história do Brasil.

Os atendimentos de emergência e de urgência são garantidos em favor dos ciganos que não forem civilmente identificados, e as políticas de saúde têm ênfase definida em algumas áreas, como planejamento familiar, saúde materno-infantil, saúde do homem, prevenção do abuso de drogas lícitas e ilícitas, segurança alimentar e nutricional e combate ao preconceito institucional.

Na área trabalhista, o governo deverá adotar ações para vedar a discriminação no emprego e na profissão. O poder público promoverá oficinas de profissionalização e incentivará empresas e organizações privadas a contratar ciganos recém-formados. Haverá incentivo e orientação à população cigana quanto ao crédito para a produção cigana.

O acesso à moradia também será garantido, respeitando-se as particularidades culturais da etnia. Os ranchos e acampamentos são partes da cultura e tradição da população cigana, configurando-se asilo inviolável.

Pluralidade 

Telmário apresentou mudanças próprias e acolheu algumas já aprovadas pela CE e pela CAS. A maioria desses ajustes foi de caráter redacional, buscando, por exemplo, eliminar a citação desnecessária de dispositivos legais em vigor ou a imprecisão na definição de alguns conceitos.

A principal mudança foi substituir a expressão “população cigana” por “povos ciganos”, segundo o relator, "mais condizente com a realidade sociocultural desses grupos étnicos e com normas internacionais pertinentes à matéria, pois um povo é um grupo de pessoas com identidade histórica e cultural própria, ao passo que população é apenas um conjunto de pessoas". A proposta também deixou de se chamar "Estatuto do Cigano", como sugerido por Paim, e passou a ser denominada "Estatuto dos Povos Ciganos".

Ao justificar seu projeto, Paim ressaltou a importância de se estender aos povos ciganos o manto de proteção e respeito que a doutrina contemporânea dos direitos humanos garante a todas as minorias étnicas, de modo a combater a sua marginalização e concretizar o direito democrático de grupos específicos de ter sua diferença legitimamente incluída na pluralidade democrática reconhecida no nosso ordenamento constitucional.

"Os ciganos continuam excluídos sob vários aspectos, sujeitos a preconceito, discriminação e incompreensão com relação à sua cultura e sua organização social", afirma Paim, na justificação. O autor destacou que a proposição teve origem em proposta da Associação Nacional das Etnias Ciganas (Anec), nos moldes do Estatuto da Igualdade Racial, e contempla as especificidades do povo cigano.

Preconceito

Na visão de Telmário, os povos ciganos ainda sofrem com os mesmos preconceitos construídos contra sua cultura e seu caráter ao longo da Idade Média e da era colonial. "Trazidos ao Brasil, em grande parte, à força, considerados indesejáveis, esses povos sofreram aqui o mesmo estigma que fundamentou sua deportação”, registrou o relator.

Telmário apontou que “seus idiomas, seus costumes, seu modo de vida, sua aparência e suas vestimentas ensejavam lampejos de fascinação, mas principalmente estranhamento e desconfiança, ecoando o jogo ambíguo de valores que marcou nossa colonização e a acomodação de povos diversos num equilíbrio assimétrico que ora é tenso, ora é fluido e harmônico, mas geralmente é estabelecido sob a primazia de referências culturais hegemônicas da Europa, negando-se a dignidade e o respeito devidos a minorias como os ciganos”.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2022/05/02/estatuto-dos-povos-ciganos-e-aprovado-e-deve-seguir-para-a-camara

sexta-feira, 29 de abril de 2022

Projeto do Estatuto do Cigano está na pauta da CDH do Senado desta segunda (02.05)

 

Reunião da CDH começa as 14h (horário de Brasília): movimento cigano se mobiliza para aprovação

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado pode votar na segunda-feira (2) o Estatuto do Cigano, que está previsto no Projeto de Lei do Senado (PLS) 248/2015. A reunião da CDH, cuja pauta de votações inclui essa proposta, começa às 14h.


O autor do projeto que cria o estatuto é o senador Paulo Paim (PT-RS). O relator da matéria, senador Telmário Mota (Pros-RR), apresentou relatório favorável à  proposta, que, se for aprovada pela comissão, poderá seguir diretamente para a Câmara dos Deputados (a não ser que haja requerimento para votação no Plenário do Senado).


O que prevê o estatuto

 

O Estatuto do Cigano trata de políticas públicas para esses povos no que se refere a acesso a terra, moradia, trabalho, saúde, educação, cultura e ações afirmativas. Impõe também ao Estado o dever de garantir a dignidade e os valores religiosos e culturais dos ciganos.

 

A proposta busca reconhecer, proteger e estimular o acesso a terra, moradia e trabalho. E cria o dever de coletar periodicamente informações demográficas sobre povos ciganos, para subsidiar a elaboração de políticas públicas.

 

O texto considera "povo cigano" como "o conjunto de indivíduos de origem e ascendência cigana que se identificam e são identificados como pertencentes a um grupo étnico cujas características culturais o distinguem, como tal, na sociedade nacional”. 

 

Pelo estatuto, a educação básica dos povos ciganos deve ser incentivada, e a disseminação da sua cultura deve ser promovida; as línguas ciganas constituem bem cultural de natureza imaterial; e fica assegurado à população cigana o direito à preservação de seu patrimônio histórico e cultural, material e imaterial, "e sua continuação como povo formador da história do Brasil".


Senador Paulo Paim (foto) é o autor do projeto de lei que cria o Estatuto dos Povos Ciganos


Saúde e trabalho

 

De acordo com a proposta, os atendimentos de emergência e de urgência são garantidos aos ciganos que não forem civilmente identificados, e as políticas de saúde têm ênfase definida em algumas áreas, como: planejamento familiar, saúde materno-infantil, saúde do homem, prevenção do abuso de drogas lícitas e ilícitas, segurança alimentar e nutricional.

 

O texto também prevê que o poder público promoverá oficinas de profissionalização e incentivará empresas e organizações privadas a contratar ciganos recém-formados. Haverá incentivo à população cigana quanto ao crédito para sua produção.

 

O acesso à moradia também seria garantido, segundo o projeto, respeitando-se as particularidades culturais da etnia. Os ranchos e acampamentos são partes da cultura e tradição da população cigana, configurando-se asilo inviolável. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2022/04/29/projeto-do-estatuto-do-cigano-esta-na-pauta-da-cdh-desta-segunda

terça-feira, 31 de agosto de 2021

Lido na CDH o relatório do Estatuto do Cigano

 

O relator, senador Telmário Mota, deu parecer favorável ao projeto mas sugeriu mudanças

Foi lido nesta segunda-feira (30), na Comissão de Direitos Humanos (CDH), o relatório do senador Telmário Mota (Pros-RR) ao Projeto de Lei do Senado (PLS) 248/2015, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), que cria o Estatuto do Cigano. O texto recebeu voto favorável do relator, que sugeriu mudanças.

O Estatuto do Cigano determina ser dever do Estado e da sociedade garantiren a igualdade de oportunidades, reconhecendo a todo cidadão brasileiro, independentemente da etnia ou da cor da pele, o direito à participação na comunidade, em suas diversas atividades, preservando sua dignidade e seus valores religiosos e culturais.


O projeto dispõe sobre educação, cultura, saúde, acesso à terra, moradia, trabalho e ações afirmativas para os ciganos. Para o senador Paulo Paim, é preciso estender aos povos ciganos a proteção e respeito garantidos a todas as minorias étnicas. Presentes no Brasil desde 1574, os ciganos ainda enfrentam exclusão nas mais diversas esferas, estando sujeitos a preconceito, discriminação e incompreensão com relação a sua cultura e de sua organização social.


O projeto, que já passou pela Comissão de Educação (CE) e pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS), será analisado pela CDH em decisão terminativa. Isso significa que, depois de aprovado, se não houver recurso para a votação em Plenário, o projeto pode seguir direto para a Câmara dos Deputados.


Após a leitura do relatório, o senador Telmário Mota afirmou que espera a votação assim que for possível atingir o quórum para a votação nominal. Para ele, o projeto trata de pessoas que são discriminadas em todo o mundo.


— Quero, aqui, parabenizar também o autor da matéria, o Senador Paulo Paim. Não há dúvida de que os povos ciganos são profundamente discriminados não apenas no Brasil, mas em outras terras do mundo, e, sem dúvida, garantir a eles esse direito é algo muitíssimo importante.

Para o senador Chico Rodrigues (DEM-RR), o projeto deve ser aprovado pro unanimidade pela comissão e garantir de forma clara os direitos dos povos ciganos.


— A gente percebe que este projeto procura resgatar, dentro dos melhores princípios da Constituição brasileira, a compreensão e o entendimento de que a sociedade deve viver em completa harmonia, independentemente da sua origem, independentemente dos seus costumes, independentemente da sua história — disse o senador.


O senador Paulo Paim lembrou que o projeto surgiu em uma sessão de homenagem no Plenário do Senado, sobre diversos estatutos — da igualdade, da juventude, da criança, do idoso. Durante a sessão, uma senhora cigana se levantou e falou sobre a necessidade dessa garantia de direitos.


— Eu, comovido, claro, com aquele movimento que ela fez, disse: 'Olha, fique tranquila que nós vamos encaminhar o Estatuto do Cigano'. E assim nós fizemos, já faz alguns anos, até que caiu na mão do nosso querido Senador Telmário Mota, que se dedicou, estabeleceu um amplo diálogo e, com esse diálogo, conseguiu hoje chegar a este dia em que o relatório é lido.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)


Fonte: Agência Senado

Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2021/08/30/lido-na-cdh-o-relatorio-do-estatuto-do-cigano?utm_medium=share-button&utm_source=whatsapp 

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

CDH do Senado pode votar Estatuto dos povos ciganos nesta segunda (30.08)

 

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) pode votar, nesta segunda-feira (30), o Projeto de Lei do Senado (PLS) 248/2015, do senador Paulo Paim (PT-RS), que cria o Estatuto dos Povos Ciganos.

O texto possui 16 artigos e recebeu voto favorável do relator, senador Telmário Mota (PROS-RR), que sugeriu mudanças. O Estatuto dos Ciganos determina ser dever do Estado e da sociedade garantir a igualdade de oportunidades a todas as pessoas ciganas.

Também reconhece a todo cidadão brasileiro, independentemente da etnia ou da cor da pele, o direito à participação na comunidade, em suas diversas atividades, preservando sua dignidade e seus valores religiosos e culturais.

O projeto dispõe sobre educação, cultura, saúde, acesso à terra, moradia, trabalho e ações afirmativas para os ciganos. Para o senador Paulo Paim, é preciso estender aos povos ciganos a proteção e respeito garantidos a todas as minorias étnicas.

Presentes no Brasil desde 1574, os ciganos ainda enfrentam, hoje, exclusão nas mais diversas esferas, estando sujeitos a preconceito, discriminação e incompreensão com relação a sua cultura e de sua organização social.

Fonte: Agência Senado

Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2021/08/27/cotas-nas-universidades-para-estudantes-que-moram-em-abrigos-na-pauta-da-cdh

sábado, 22 de maio de 2021

Estatuto dos Povos Ciganos: aprovação já!

Lideranças romani entregam documento a senadores e pedem celeridade na aprovação do projeto 

Neste dia 24 de maio (segunda-feira), comemora-se no Brasil o Dia Nacional dos Ciganos, comunidades tradicionais que estão no país há quase 500 anos, mas que ainda não possuem o devido reconhecimento.

Com o objetivo de comemorar a data e garantir direitos e políticas públicas específicas; lideranças ciganas de todos os estados brasileiros protocolaram junto à Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal, ofício solicitando a aprovação imediata do Projeto de Lei 248 de 2015, que cria o Estatuto dos Povos Ciganos.

O PLS 248/2015 já foi aprovado nas Comissões de Educação e de Assuntos Sociais, ambas com relatoria do ex-senador Hélio José e, atualmente, está tramitando na CDH da Casa, sob relatoria do senador Telmário Motta.

Assinado pela Associação Nacional das Etnias Ciganas (ANEC) e ratificado por associações e lideranças ciganas de todo o país, o ofício solicita ao presidente do Senado que, aproveitando a semana em comemoração aos povos ciganos, coloque o projeto em votação no plenário.

Lideranças ciganas e MPF durante webreunião na última sexta-feira (21.05) em que protocolaram documento à CDH do Senado pedindo aprovação do projeto que cria o Estatuto dos Ciganos

No documento constam também sugestões e análises das lideranças ciganas quanto a proposta do Estatuto, que foram debatidas por meio de um grupo de whats up criado pela assessoria dos senadores Paulo Paim e Telmário Motta, em conjunto com a 6ª Câmara do Ministério Público Federal (MPF), que acompanhou todo o trabalho e mediou a reunião entre as lideranças ciganas e os dois parlamentares.

Após aprovação no Senado, o projeto deverá ir para análise da Câmara dos Deputados, que fará suas sugestões. Depois disso, a propositura, retorna ao Senado, que finaliza o trabalho de análise e envia para a sanção do presidente da república.

De autoria do Senador Paulo Paim, o PLS 248/2015 tem como objetivo garantir políticas públicas afirmativas e reparação histórica para os povos ciganos em todos os setores, como educação, saúde, habitação e direito à terra, geração de trabalho e renda, serviços de previdência social e aposentadoria, cultura, lazer e esporte, transporte público, entre outros serviços fundamentais para a cidadania.

Os povos ciganos se compõem de três grandes troncos étnicos, os Calon, os Rom e os Sinti, que por sua vez, se subdividem em grupos e subgrupos, com culturas, identidades e histórias diferenciadas. No Brasil, temos comunidades ciganas vivendo em todas as unidades da federação, pertencentes aos três troncos, que juntas, somam em torno de 500 mil pessoas, segundo estimativas do governo federal.

Historicamente, as comunidades ciganas foram vítimas de políticas persecutórias e anticiganas, o que atualmente, as colocam, em sua maioria, em situação de exclusão, vulnerabilidade e insivibilidade social. Daí a importância de um Estatuto, que garanta reparações a esses problemas.

Texto: Aluízio de Azevedo

Arte:  Card: Rafael e Nardi Casanova da Confederação Brasileira Cigana