quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Povos Ciganos reivindicam propostas específicas ao novo governo

 

Para assinar a carta basta acessar o seguinte link: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSc1E-IPItFHcohKrSDMfbx2FttAR4vyonpQpDvVhOpckoPpgQ/viewform

Carta ao Presidente Lula e à equipe de transição

Apresentação: em prol do diálogo e da inclusão

Considerando os injustos processos de racialização dos povos ciganos no mundo e no Brasil, vítimas de perseguições e violências históricas, devido às suas origens étnico-raciais, vimos por meio desta solicitar a inclusão de demandas dos povos ciganos nas pautas dos direitos humanos, educação, saúde, cultura, justiça e segurança, trabalho e previdência, entre outros serviços/setores, do futuro governo; bem como a participação de representantes dos ciganos nos Grupos de Trabalho (GTs) de transição de Igualdade Racial e de Direitos Humanos.

A inclusão é de extrema importância para garantir a continuidade de trabalhos de reparação histórica, valorização das culturas e identidades ciganas, assim como o acesso e a garantia de seus direitos, iniciados nos governos do Partido dos Trabalhadores (PT), com a criação do Dia Nacional do Cigano (comemorado em 24 de maio) por meio de Decreto Presidencial de 25 de maio de 2006; o reconhecimento dos grupos ciganos como Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs), com o Decreto 6.040 de 2007 e a realização da I Semana Nacional dos Povos Ciganos, em 2013.

Tais ações contribuíram para o melhor conhecimento dos povos ciganos sobre si e alavancaram a auto-estima destes povos que hoje já não aceitam pacificamente as discriminações e o preconceito. Ressaltamos que o diálogo construído entre ativistas ciganas/os e gestoras/es negras/os dos governos do PT para dar início à elaboração de políticas públicas para essas comunidades ocorreu com o apoio fundamental da Secretaria de Promoção de Políticas de Igualdade Racial (SEPPIR) e sua equipe nos debates para a implementação de políticas públicas inéditas no Brasil.

Esperamos, assim, dar continuidade a esse diálogo com outras/os ativistas dos movimentos sociais identitários, como o movimento negro e indígena na construção de uma agenda antirracista no país. Acreditamos ser de grande importância o diálogo e a presença de representantes das populações ciganas nos GTs de transição de Igualdade Racial e de Direitos Humanos. Destacamos abaixo algumas das principais demandas de políticas públicas afirmativas e reparatórias, que consideramos urgentes de serem pensadas e trabalhadas pelo próximo governo, no intuito de garantir a inclusão cidadã.

Pautas e demandas específicas

Educação: criação de cotas nas universidades (graduação e pós-graduação), com a inclusão no ENEM da opção de optante como pessoa pertencente aos Povos Ciganos. Oferecer projetos de escolarização nos acampamentos e territórios ciganos, com a criação de cursos de Educação de Jovens e Adultos (EJA) nas próprias comunidades. Fortalecimento da educação escolar infantil, especialmente, para o atendimento aos grupos itinerantes, circenses, feirantes e comunidades que vivem acampadas e em territórios reconhecidos como ciganos, de acordo com o previsto no PNE (2014-2024). Formações específicas para professores e profissionais (ensino básico a superior) de educação sobre as culturas, as identidades e a história cigana. Inclusão da história e cultura cigana nos materiais didáticos da educação básica. Incentivo à pesquisa, com linhas de financiamento próprias para os estudos ciganos.

Saúde: inclusão dos ciganos como públicos prioritários da vacinação no Programa Nacional de Imunização (PNI). Garantia de recursos do Ministério da Saúde para implementação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde dos Povos Ciganos/Romani (Portaria MS 4.384 de 28/12/2018), com a criação de uma equipe específica e um comitê de diálogo para auxílio na construção das políticas de saúde, com a presença de lideranças do movimento social cigano e circense, para gestão dessa política. Garantia do cumprimento da portaria do Ministério da Saúde 940 de 2011, com campanha nacional de divulgação, para que a exigência de comprovante de residência não seja um impedimento ao atendimento de ciganos em postos de saúde e unidades hospitalares do SUS.

Cultura: criação de políticas de incentivo a projetos culturais e sociais próprios, executados por produtores e profissionais das próprias comunidades, com vistas a valorização, registro e salvaguarda do patrimônio cultural e imaterial dos povos ciganos e circenses, como suas manifestações culturais e saberes tradicionais, a exemplo das festas de santo, de suas línguas, medicina tradicional, trabalhos tradicionais, como artesanatos etc. Retomada do Prêmio Culturas Ciganas pelo Ministério da Cultura, cuja terceira e última edição foi em 2014. Reconhecer oficialmente o nome do pátio interno do Paço Imperial como “Adro dos Ciganos”, referência utilizada desde o período colonial, conforme demandado pelo movimento cigano desde seus primórdios na década de 1980.

Trabalho, emprego e renda: criação de programas voltados para a formação e a qualificação de pessoas ciganas e circenses para entrada no mercado de trabalho formal, bem como programas de financiamento e incentivo a pequenos negócios, especialmente o comércio de produtos próprios, como o artesanato, remédios naturais, etc, ou de segunda mão, que normalmente, ocorrem de maneira informal. Valorização dos modos de produção, dos produtos e dos conhecimentos, reconhecidos como tradicionais dos Povos Ciganos.

Seguridade social: uma parcela das pessoas ciganas continua sem acesso a direitos sociais básicos por sua triste condição de sub-registro civil, sem documentos como registro de nascimento, RG, CPF, carteira de trabalho, entre outros, o que lhes impossibilita o atendimento sócio-estatal em qualquer nível. Assim, é urgente levar atendimentos de seguridade social aos ciganos e circenses, que alcancem essa inclusão documental, para acessar direitos sociais básicos como bolsa família, auxílios emergenciais, incentivos sociais, previdência social e aposentadoria.

Direito à habitação e à terra: Uma das principais demandas dos povos ciganos é o direito à habitação digna, com infraestrutura necessária de água, luz, esgoto, coleta de lixo etc, especialmente, para os grupos que continuam em situação de itinerância, mas também em acampamentos fixos ou em territórios ciganos urbanos, em geral nas periferias e áreas carentes de estrutura básica. Para atender aos grupos itinerantes e circenses demanda-se a disponibilidade nas cidades de um espaço com essa infraestrutura para recebê-los. Além disso, muitas famílias ciganas são de pequenos agricultores familiares, possuindo a cultura rural como principal elemento, a exemplo, do tronco étnico Calon, que estão culturalmente, muito vinculados aos equinos, criação, doma, compra e venda de animais de tração. Uma forma de manter e preservar esta cultura é pensar formas de se assegurar o acesso à terra a esses grupos e a garantia à regularização fundiária e territorial.

Direitos Humanos: historicamente, os povos ciganos e circenses sofreram processos racistas e discriminatórios, que permeiam um imaginário social bastante negativo e equivocado. Assim, é urgente construir campanhas públicas de combate ao racismo, ao preconceito e às discriminações, que sejam voltadas não apenas ao público em geral, como também a servidores públicos de todas as áreas, instâncias e níveis, para combater o racismo institucional, especialmente, junto às polícias, adotando medidas para prevenir o abuso de poder policial contra ciganos.

Justiça e segurança pública: pensando a justiça, a segurança pública e a integridade das pessoas ciganas, é necessário implementar medidas adequadas para garantir que tenham acesso a medidas judiciais efetivas em casos relacionados a violações dos seus direitos e liberdades fundamentais; para garantir a ação imediata, seja da Polícia, do Ministério Público ou do Judiciário, para que se possa investigar e punir violações a direitos humanos dos ciganos. Necessidade de sensibilizar as polícias para garantir e preservar suas vidas quando submetidos a investigações criminais, e que operações policiais não sejam mais nomeadas por expressões anticiganas. É necessário garantir também a inviolabilidade do lar cigano, ainda que este lar seja uma barraca, em um acampamento à beira de uma estrada ou um circo.

Contexto histórico, cultural e político

Os povos ciganos estão no Brasil desde os primórdios da colonização portuguesa, contribuindo para sua formação. O primeiro registro da chegada de uma família cigana de etnia Calon data de 1574, sendo João de Torres, sua esposa Angelina e filhos expulsos de terras ibéricas com base em políticas e leis anticiganas do período inquisitorial. Durante os mais de 300 anos de colonização, milhares de pessoas ciganas foram expulsas de Portugal e degredadas para o Brasil, geralmente para as províncias mais distantes, simplesmente pelo fato de serem ciganas.

Autoridades portuguesas emitiram inúmeras leis persecutórias, racistas e colonialistas, que visavam ou assimilar os grupos ciganos, ou mantê-los forçosamente nômades, numa política de expulsão constante. Por aqui chegando, autoridades coloniais praticavam as mesmas ordens e leis anticiganas. Essas normativas proibiam o uso das línguas ciganas, a prática de ofícios tradicionais, reunir-se, morar e andar “em bando”, vestir-se de modo próprio, em síntese, de praticar a ciganidade ou permanecer nos mesmos locais, numa política de estigmatização e de expulsão contínua.

A partir do final do século XIX, com mais força durante as grandes guerras mundiais, chegaram ao Brasil milhares de famílias ciganas, principalmente do tronco étnico Rom, e em menor número do tronco Sinti. Assim, vivem atualmente no país grupos pertencentes aos três principais troncos étnicos romani: os Calon, os Rom e os Sinti, espalhados por todos os estados brasileiros.

Enquanto Estado independente, tanto no final do Império quanto no início da República, o Brasil praticou inúmeras políticas persecutórias contra os povos ciganos, sendo os episódios que ficaram conhecidos como “correrias ciganas” uma das faces mais violentas e cruéis dessas ações. Consistiam nas polícias invadirem os acampamentos e assassinar grupos inteiros, provocando a fuga desesperada dos sobreviventes, que se embrenhavam pelas matas, deixando pertences e familiares mortos para trás, sem o direito de praticar sequer rituais fúnebres adequados.

De forte herança colonial, um imaginário estereotipado e extremamente negativo sobre os povos ciganos se perpetuou junto à população brasileira, justificando a perseguição e as discriminações históricas. O resultado é que atualmente, uma imensa parcela das pessoas ciganas vive em situação de desigualdade ou exclusão social, privada do acesso a direitos básicos garantidos pela Constituição Federal, como educação, saúde, segurança social, aparatos de lazer e cultura, trabalho formal, entre outros serviços cidadãos.

Um primeiro esforço de ativistas ciganos para sair da invisibilidade e lutar contra estereótipos negativos que frequentemente recaem sobre o grupo ocorreu no Rio de Janeiro em meados da década de 1980, acompanhando a emergência de outros movimentos identitários internacionais e a redemocratização do País. Demandas por uma política de lugares de memória, como nomear o Adro dos Ciganos no Paço Imperial (o que jamais foi respondido), pela criação de um grupo de estudos ciganos e de eventos temáticos e ainda pela eliminação dos sentidos negativos da palavra “cigano” nos dicionários marcaram o início de suas mobilizações identitárias no Brasil, antes mesmo de qualquer forma de reconhecimento oficial.

Ao longo do tempo, há períodos cíclicos em que a violência contra a pessoa cigana/romani e seus modos de vida emerge com mais força, a partir de várias estruturas e mecanismos que acionam tipos de violências (física, psíquica, estatal, patrimonial) contra esses povos. Nos últimos anos, diante do avanço de ideologias políticas de base conservadora, vimos um aumento sistemático da violência de base étnico-racial e da ação política anticigana contra diversas famílias que habitam o território nacional, sendo os episódios recentes mais graves ocorridos em Vitória da Conquista - BA em julho de 2021, resultando em diversas mortes.

Dos casos de omissão e de uma intervenção mais direta nos eventos de violência radical ocorridos no Estado da Bahia, aos processos de esbulho num momento de total fragilidade, em meio à pandemia de Covid-19, famílias ciganas foram desabrigadas nos municípios de Dois Vizinhos - PR e Guarapuava - PR. Com a presença de policiais e representantes das prefeituras, os chefes ciganos foram intimados a se retirarem com seus acampamentos dos territórios ocupados nos municípios, deixando à força seus locais de "pouso" costumeiro. Desse modo, no período auge da pandemia, não só houve total ausência sanitária no processo de intervenção em cuidados preventivos e imediato, com a negação do Estado em garantir prioridade aos povos ciganos/romani no processo de vacinação, como também recrudesceram os casos de violência, racismo e anticiganismo.

Ao analisar as formas como foram se desenhando as interações oficiais com os Direitos e Povos Ciganos no Brasil nos últimos anos, a partir da lógica da evitação e da exclusão, podemos ressaltar que o Estado fatalmente estaria se valendo da estratégia definida como necropolítica, chegando às raias do etnocídio. Porque negar o direito de políticas de atenção e atendimento a pessoas pertencentes a um ethos, ou negar seu direiro ao justo processo legal em casos criminais, é negar sua existência como sujeitos vivendo em sua coletividade própria. Tal procedimento levou à morte de muitas pessoas ciganas, provocada pela ausência na prática de seus direitos mínimos e básicos.

Resistência, direitos e desafios

Infelizmente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) não faz a contagem dos povos ciganos no censo populacional, o que inviabiliza saber com exatidão o número exato desta população. Desde 2012, o governo federal considera a estimativa de que somam em torno de 500 mil pessoas vivendo em todos os 26 Estados brasileiros e no Distrito Federal. Apesar da invisibilidade histórica e do não reconhecimento estatal, ao longo destes cinco séculos contribuíram para o desenvolvimento econômico e auxiliaram a construir a identidade e a cultura nacionais.

Mantiveram culturas e identidades de resistência, com tradições, filosofias, saberes, costumes, visões de mundo, modos de organização social próprios e distintos entre as diferentes etnias Romani. O reconhecimento a esta contribuição dos povos ciganos à identidade, à cultura e à História nacionais, bem como a busca pela reparação histórica e sua inclusão social, começou a ocorrer a partir do Governo Lula, que iniciou um frutuoso diálogo com o movimento social cigano, emergido no país somente a partir da redemocratização do país, com a criação de inúmeras associações ciganas.

Como vimos, as primeiras políticas públicas afirmativas criadas em prol dos povos ciganos foram editadas a partir de 2006 pelo presidente Lula. Desde então, o Estado brasileiro, por meio do Ministério da Saúde, editou apenas uma política pública, a portaria 4.384 de 2018, que criou a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Povo Cigano/Romani. Mas a política, de fato, nunca saiu do papel e a prova disso foi o descaso que o atual governo tratou os povos ciganos durante a pandemia da Covid-19, incapaz de criar um plano específico de enfrentamento à doença voltada para os povos ciganos.

Aliás, desde 2019, o desmonte de direitos, de ações e de instâncias representativas dos povos tradicionais como um todo, incluindo os povos ciganos, foi uma constante. Mesmo com a recomendação do Ministério Público Federal (MPF), por exemplo, não foram incluídos como públicos prioritários da vacinação. Na ocasião, a ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos veio a público em vídeo e defendeu que os ciganos “não eram povos tradicionais”, por isso não seriam incluídos como público prioritário da vacinação do coronavírus, à revelia do Decreto 6.040.

Outro ponto grave foi a extinção, em 2019, da SECADI/MEC - Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão, com prejuízo para as políticas inclusivas de educação. O próprio ministro da Educação à época manifestou forte preconceito contra ciganos em reunião ministerial, referindo sua oposição ao uso do termo “povo cigano”.

Por fim, a ONU vem alertando desde 2015 para a alarmante situação de alta vulnerabilidade que enfrentam as comunidades ciganas na América Latina, em especial no Brasil. Além disso, a situação estará em evidência internacional em 2023, quando pela primeira vez o congresso mundial mais importante de estudos ciganos, organizado pela Gypsy Lore Society, será realizado fora da Europa e o país selecionado foi o Brasil, com sede na cidade de São Paulo. Outros eventos internacionais relacionados aos povos Romani no Brasil e na América Latina também estão programados para 2023. Junto com a comunidade internacional, esperamos que o novo governo responda às nossas demandas e que os próximos quatro anos sejam de grandes avanços rumo à garantia dos direitos fundamentais dos povos ciganos no Brasil.

Brasília, Distrito Federal (DF), 24 de novembro de 2022.

Assinam esta carta as associações, coletivos, grupo, lideranças, pesquisadores e apoiadores do movimento cigano/romani no Brasil:

- Associação Nacional das Etnias Ciganas (ANEC-DF)

- Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT)

- Coletivo Brasileiro de Estudos Ciganos (COBEC)

- Roda Cigana - Rede Humanitária

- Coletivo Orgulho Romani

- Comitê Estadual dos Povos e Comunidades Tradicionais de Mato Grosso (CEPCT-MT)

- Ginga UFF

- Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Artes (GPEA) da UFMT

- Fórum de Entidades em Defesa do Patrimônio Cultural e Imaterial Brasileiro - Seção Mato Grosso

- Instituto de Estudos Comparados em Administração de Conflitos (INCT-InEAC)

- Laboratório de Etnografia Metropolitana (LeMetro/IFCS-UFRJ)

- Núcleo Fluminense de Estudos e Pesquisas (NUFEP-UFF)

- Observatório da Educação Ambiental, OBSERVARE

- Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGA-UFF)

- Rede Internacional de Educação Ambiental e Justiça Climática, REAJA

- Rede Mato-grossense de Educação Ambiental, REMTEA

- Rede Xaraiés - Mato Grosso

- União Cigana do Brasil (UCB)

- Federação Romani do Estado do Rio de Janeiro

- Confederação Brasileira Cigana - CBC

- Associação estadual Cultural de Direitos e Defesa do Povo Cigano de Minas Gerais-kalon

- Agência nacional de desenvolvimento e recursos assistenciais do Povo Cigano

- Grupo de Pesquisa em Memória, Identidade e Território-GPMIT/UFAL

- Associação Ciganos Itinerantes do Rio Grande do Sul

- Coletivo Ciganagens

- Associação Nacional das Mulheres Ciganas

- Grupo de estudos e pesquisa Consciência da Faculdade de Educação UNB - Campus Darcy Ribeiro

- Grupo de Diversidade Religiosa e Intolerância (GEDRI)

- Centro de Direitos Humanos e Memória Popular do RN

- Associação Estadual das Etnias Ciganas do Estado de Goiás

- Associação municipal cultural de Direitos e defesa do povo cigano de Conselheiro Lafaiete Mg

- Associação Comunitária dos Ciganos de Condado – PB (ASSOCIC-PB)

- Gec-Grupo de estudos culturais/UFPB

- Associação dos Ciganos de Pernambuco

- Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Etnicidade (NEPE) Universidade Federal de Pernambuco

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Projeto Diva e as Calins de MT foi selecionado na etapa regional do prêmio Rodrigo Franco

 

Prêmio está em sua 35ª edição e é realizado pelo IPHAN para premiar iniciativas que auxiliam na preservação do patrimônio imaterial e cultural brasileiro

O projeto “Diva e as Calins de Mato Grosso: Ontem, Hoje e Amanhã” foi selecionado entre os cinco finalistas na etapa regional da 35ª edição do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade. Financiado pela Lei Aldir Blanc, por meio do Edital Conexão Mestres da Cultura, da Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer (SECEL-MT), o projeto premiou a raizeira e benzedeira cigana, Maria Divina Cabral, a Diva, como mestra da cultura mato-grossense.

Realizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a premiação reconhece, em nível nacional, ações de excelência para preservação e promoção do Patrimônio Cultural Brasileiro. Trata-se de um importante reconhecimento ao projeto “Diva e as Calins de MT”, que foi executado pela Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT) e se dividiu em três produtos artísticos multimídia, em torno dos conhecimentos da Mestra Diva. Foram eles:

O I Encontro de Mulheres Ciganas de Mato Grosso, realizado entre 23 e 25 de abril, em Rondonópolis, município onde Diva reside há mais de 40 anos; a “Exposição Multimídia Calin”, que retrata 35 mulheres ciganas mato-grossenses de três municípios, além de Rondonópolis, Tangará da Serra e Cuiabá. E a minissérie “Diva e as Calins de MT”, que em cinco episódios, aborda os saberes femininos a partir da visão da raizeira e benzedeira e de outras quatro de suas parentas, uma tia e três primas, que por suas histórias de vida e conhecimento da cultura Calon, também foram consideradas como mestras da cultura cigana pelo projeto.

A exposição multimídia Calin pode ser acessada no seguinte link: www.galeriacalin.com 


Agora, o projeto Diva e as “Calins de MT: Ontem, Hoje e Amanhã” vai concorrer à etapa nacional do prêmio, com outros 24 projetos, sendo cinco de cada região do país. Os projetos aprovados para a etapa nacional, foram selecionados por comissões regionais, compostos por servidores do IPHAN e curadores convidados. Na etapa nacional serão premiadas 10 (dez) ações na etapa Nacional, 05 (cinco) em cada categoria: cinco pessoas jurídicas e cinco pessoas físicas.

 

O projeto da AEEC-MT concorre na categoria pessoas jurídicas. Uma comissão nacional julgadora fará a seleção dos projetos premiados. Considerando o caráter excepcional de determinadas iniciativas voltadas à promoção do Patrimônio Cultural Brasileiro, em razão de sua originalidade, criatividade e relevância na preservação e salvaguarda de bens culturais, O Prêmio Rodrigo Mello Franco prevê ainda outorga de menção honrosa, atribuindo merecido reconhecimento público.

O resultado da etapa regional do prêmio e outras informações como o edital podem ser conferidos no link: https://www.gov.br/iphan/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/premios/premio-rodrigo-melo-franco-de-andrade

Cartaz da minissérie Diva e as Calins de MT, com a raizeira e benzedeira, Maria Divina Cabral, a Diva

Texto: Aluízio de Azevedo

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

REM-MT e CEPCT-MT promovem oficina para fortalecer diálogo com comunidades tradicionais de MT

 

O Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT, Aluízio de Azevedo (camiseta azul), mediou a oficina, que ocorreu na SEMA-MT

O Comitê Estadual de Povos e Comunidades Tradicionais de Mato Grosso (CEPCT-MT) e o Programa REM-MT (REDD Early Movers Mato Grosso) realizam, nesta terça-feira (25.10.22), das 8h às 12h, na Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA-MT), a Oficina Grupo de Acompanhamento dos PCTs -REM MT. O objetivo é fortalecer o diálogo institucional entre os dois órgãos e as ações em prol dos povos e comunidades tradicionais mato-grossenses. 

Contando com a parceria da Cooperação Técnica Alemã (GIZ) e o apoio de Consultoria da Kaiardon Produções, o evento ocorrerá de forma híbrida, sendo presencial na Sala de Reunião Plenário Cleverson Cabral da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA), ao qual o programa REM-MT é vinculado. Os que não puderem participar presencialmente poderão acompanhar o evento por meio do link. A programação contará com a participação dos conselheiros do CEPCT-MT, bem como lideranças dos PCTs que ainda não estão incluídas no comitê. 

Pela manhã, os participantes conhecerão e aprofundarão o debate acerca dos resultados do “Relatório de análise e diagnóstico sobre a consolidação e estruturação do Grupo de Acompanhamento junto ao Comitê Estadual dos Povos e Comunidades Tradicionais de Mato Grosso (CEPCT-MT) e Coordenação Geral do Programa REM-MT (CGP-REM)”. 

Pela tarde, o encontro visa debater a proposta da SEMA-MT para a fase dois do programa REM-MT, que está sendo construída no âmbito do subprograma II) Agricultura Familiar e de Povos e Comunidades Tradicionais. A ideia é ouvir os PCTs para a construção conjunta desta proposta, inclusive, com a participação integral do CEPCT-MT.

Além disso, o evento tem como intuito aprimorar a comunicação entre os dois órgãos e suas atuações e articulações junto aos diversos segmentos de PCTs, de maneira a ampliar a visibilidade dessas comunidades, que reúnem inúmeros grupos diferenciados no território mato-grossense. Entre eles: povos de matriz africana, quilombolas, povos ciganos, morroquianos, indígenas, retireiros do Araguaia, extrativistas e seringueiros, pescadores e ribeirinhos, pantaneiros, raizeiros e benzedores, quebradeiras de castanhas e de coco babaçu, agricultores familiares entre muitos outros.

Terezinha Alves, representante dos povos ciganos e da AEEC-MT no CEPCT-MT também participou da oficina

Aproximação CEPCT-MT e REM-MT

O Grupo de Acompanhamento junto ao CEPCT-MT e o Programa REM-MT foi composto em 2020, durante oficina destinada aos PCTs e construção do seu diagnóstico socioprodutivo, quando as próprias lideranças presentes elegeram cinco membros para representá-las, funcionando como insumo para estratégia de inclusão dos PCTs ao Programa REM MT. Entretanto, passados mais de 30 meses e uma pandemia, apenas o diálogo e a parceria entre o Programa REM e o CEPCT-MT avançou, mas o grupo não teve prosseguimento.

Neste contexto, nasceu a contratação da consultoria da Kaiardon Produções no âmbito do programa REM MT, com o objetivo de “Apoiar a comunicação dos Povos e Comunidades Tradicionais de Mato Grosso junto ao Programa REM-MT”, a partir do levantamento de possibilidade de efetivação do grupo, bem como a identificação de problemas, lacunas e falhas, tendo como intuito as suas superações, por meio de recomendações às coordenações do Programa REM-MT e do CEPCT-MT.

O relatório foi desenvolvido por meio de uma investigação científica no campo da comunicação, realizada junto à 11 lideranças PCTs de vários segmentos, pelo Doutor em Informação e Comunicação e Saúde pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Aluízio de Azevedo, que pertence à etnia cigana Calon, também uma comunidade tradicional. E durante a oficina, os participantes terão a oportunidade de validar e ajustar olhares acerca do trabalho e de suas próprias análises.

Disponível em: https://www.remmt.com.br/index.php/pt/noticias/item/287-encontro-contara-com-a-participacao-de-liderancas-de-segmentos-como-indigenas-ciganos-povos-de-matriz-africana-quilombolas-ribeirinhos-pantaneiros-extrativistas 

sábado, 24 de setembro de 2022

Tereza Albues: Mestra da Cultura Mato-Grossense

Filme-ensaio Albuesas será lançado na próxima terça (27.09) no teatro do Sesc Arsenal e aborda diferentes aspectos da vida e obra de Tereza Albues

“Minha mãe me pariu de pé, tanta pressa tinha eu de vir ao mundo”. A frase, da genial romancista Tereza Albues, é um dos primeiros impactos que temos ao assistir “Albuesas”, curta-metragem de Glória Albues, que terá estreia na próxima terça-feira (27.09), no teatro do Sesc Arsenal. Quando conheci Glória em 2007 – amiga querida e parceira de primeira hora, dada nossas afinidades, inclusive a ascendência cigana –, sua “mais que irmã, amiga de nascença”, a escritora e poeta, Tereza Albues, lamentavelmente, já não estava mais entre nós.

Com a mesma pressa com que veio ao mundo, também já o deixou (2005), no auge de sua produção literária e reconhecimentos, vítima de um câncer. Embora nunca tenha encontrado Tereza pessoalmente, posso dizer que a conheço bem pelas memórias e narrativas de Glória, que sempre escutei com o maior carinho e admiração. Agora tive a oportunidade de conhecê-la um pouco mais, pela maneira sensível, delicada e poética em “Albuesas”, que mostra a ligação entre as duas irmãs e, ao mesmo tempo, nos desperta uma imensa curiosidade para conhecer mais a autora e suas obras.

A literatura de Tereza Albues é mato-grossense, brasileira e universal, com obras que estão ambientadas em diferentes cenários e países. Entre elas, “A Dança do Jaguar”, também lançada em versão impressa na próxima terça, cuja história se passa toda ambientada em São Francisco, onde a autora viveu, ou “O Berro do Cordeiro em Nova York”, obra que conecta dois mundos, sua terra natal, o pantanal mato-grossense, onde foi “parida de pé”, à moderna Nova York, onde viveu 25 anos e consolidou a carreira internacional, sendo homenageada como patrona das Letras Brasileiras pela Brazilian Endowment for the Arts.

Apesar de todo esse talento, Tereza ainda é pouco conhecida do público em geral, inclusive dentro de seu próprio Estado. Assim, com o filme, Glória honra a memória da irmã e mantém vivo seu legado, imortalizando-a nas telas. Mas atenção, Albuesas não é uma cinebiografia”, como a própria Glória faz questão de ressaltar.

Glória Albues honra a memória da irmã, Tereza Albues, levando ao público a face íntima e pessoal da brilhante escritora

Trata-se de um filme arte, um ensaio leve e fresco, que vai desvendando uma Tereza humana, vivaz e misteriosa. Em 20 minutos, o filme-ensaio adentra não apenas o universo literário, trazendo várias reflexões inéditas de Tereza Albues, como também enfoca seu universo existencial, especialmente, por suas ligações íntimas e afetivas que fazia questão de manter com a sua terra natal.

“São duas realidades distintas, Mato Grosso e a cosmopolita Nova York, que se confrontam e convivem simultaneamente, quase que numa dimensão paralela, num discurso inacabado, misterioso e evocativo como a própria existência e que permite revelar momentos de incisiva reflexão em meio ao preconceito e as humilhações que pontuaram a vida da protagonista”, destaca Glória.


Veja acima o teaser de Albuesas

“As histórias podem não ter sentido, mas qual é o sentido do mundo?”

As histórias contadas por Tereza em seus livros, algumas delas tão belamente trazidas por Glória em Albuesas, podem até não ter sentido, como a própria autora descreve. Entretanto, o mundo, como ela mesma diz, também não faz sentido e esse é o mistério da vida e da arte. “Tem muita tristeza, mas ao mesmo tempo é assim um hino de amor, um hino de luta, porque eu sou uma mulher guerreira, inclusive esse filme, esse filme não, ah tomara que dê filme, né?”

Como previu Tereza sua vida e obra, deu filme e dos bons! Aliás, se levarmos em conta toda a sua produção literária, que ainda guarda ineditamente sete obras completas, seus escritos dão muitos filmes. Em Albuesas, Glória constrói uma linguagem imagética muito próxima do surrealismo. 

Em conjunto com o olhar aguçado da direção de fotografia de Luzo Reis e do cineasta Murat Eyuboglu, com o apoio da câmera de Felipe Albues, que aos nove anos já revelava seu talento captando imagens da tia, como se pode ver no próprio filme, Glória elabora um roteiro que prima pela construção de uma rede de afetos que circundam a personagem (irmã, sobrinho, marido, cunhado e amigos), excluindo entrevistas, textos laudatórios de personalidades, tão presentes em filmes dessa natureza. A montagem aprimora esse contexto trazendo ao filme uma intimidade enternecedora.

"Eu me sinto liquefeita, escorro por todos os cantos de mim, sem pudor, desaguando de sal, as lágrimas...” Tereza Albues (à direita de azul), Robert Eisenstat, Alfredo Martins e Glória Albues, no casamento de Tereza, em São Francisco (1980).

Entre imagens de acervo pessoal e cenas capturadas no Pantanal e em Nova York, a narrativa hibridiza a força da menina preta mato-grossense à brilhante escritora cidadã do mundo e os seus locais de pertencimento, que oram saltam aos olhos por meio de um caminhar furtivo e frio nas ruas congelantes de Nova York e noutra navega nas gigantes asas da “Cabeça Seca”, garça que sobrevoa as águas da Bahia de Chacororé, em pleno pantanal de Barão de Melgaço.

A inspirada trilha sonora original congrega e une algumas realidades e sentimentos, que por vezes, parecem inconciliáveis, como o fogo no pantanal, que remete ao preconceito intrafamiliar sofrido pela autora por ser negra; ou a neve em Nova York, que nos traz a superação da vida acima dos tempos fechados e tempestades.

Mesclando influências do jazz, blues e ritmos latino-americanos aos sons dos bichos do pantanal, especialmente, aves e a onça pintada, o trabalho é fruto de uma parceria entre os músicos sul mato-grossenses Lenilde Ramos (comadre de Tereza) e Anderson Rocha. A força literária dos escritos de Tereza, encontram ecos na comovente narração da atriz Fernanda Marimmon. E a sensível consultoria do cineasta Joel Pizzini acompanha a roteirista e diretora na intencionalidade de realizar um filme que ao fugir do didatismo, transgride a realidade dita objetiva e cria uma linguagem audiovisual intensamente poética , com evidente sucesso.

Tal como Tereza, que viaja “em direção ao infinito e pelo caminho vai recolhendo pedaços de sonhos, em forma de contos e romances”; em Albuesas vamos navegando na fluidez das águas pantaneiras ao encontro das águas do Hudson, ouvindo a sua voz: “Eu me sinto liquefeita, escorro por todos os cantos de mim, sem pudor, desaguando de sal, as lágrimas...”

Capa do livro A Dança do Jaguar

Literatura  - O livro e o filme integram o projeto “Conexão Tereza Albues”, proposto pela editora da Entrelinhas, Maria Teresa Carrión Carracedo, em que ao lado de outras 70 personalidades, Teresa foi reconhecida como Mestra da Cultura Mato-grossense, por meio do edital Conexão Mestres da Cultura, da Lei Aldir Blanc da Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT).

Natural de Várzea Grande (MT), foi em Nova York, que Tereza escreveu toda sua obra, que será reeditada pela editora Entrelinhas, inclusive vários livros ainda inéditos. A Dança do Jaguar, por exemplo, foi lançado somente em formato digital, no Salão do Livro de Paris, em 2002 e agora será publicado em formato impresso.

Em 2020, a Editora Entrelinhas já havia lançado quatro de suas obras, Pedra Canga, Chapada da Palma Roxa, “Travessia dos Sempre Vivos” e O Berro do Cordeiro em Nova York, em edição no formato box, cada um dos livros com a capa assinada por um artista plástico de MT, como era o desejo da autora.

Graduada em Direito, Letras e Jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a escritora tem reconhecimentos importantes, como do editor Ênio Silveira, que publicou seus primeiros livros: "- Tereza tanto pode ser vista como escritora quanto uma força da natureza, por sua prosa de ficção ser tão rica e surpreendente”. Já para o diretor de teatro e ópera Gerald Thomas, “Tereza é uma escritora fenomenal”, “é um terremoto literário”.

Em A Dança do Jaguar, o leitor acompanha uma trama de mistério, suspense e sensualidade ambientada em São Francisco, na Califórnia. A jovem pintora Nayla Malloney aluga um espaço no Solar Maltesa, casa vitoriana de três andares, que aos poucos tem sua história sombria e sinistra revelada. Dividindo o lugar com o excêntrico e recluso botânico Tristan O’Hara, Nayla embarca em uma jornada repleta de aparições, sonhos e pressentimentos.

Serviço

O que: lançamento do filme Albuesas e do livro A Dança do Jaguar

Quando: terça-feira (27 de outubro de 2022)

Onde: Teatro do Sesc Arsenal, em Cuiabá

Horário: 19h

Por Aluízio de Azevedo

Livros de Tereza publicados pela Editora Entrelinhas em 2020


sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Atriz global Carol Macedo divulga Exposição Multimídia Calin

A divulgação pode ser conferida na página do insta de Carol: https://www.instagram.com/carolinemacedo/

A Atriz global, Caroline Macedo, publicou nesta quinta-feira (23.09), em seu canal no Instagram, cinco fotos e um texto divulgando a Exposição Multimídia Calin, que homenageia a mestra da cultura mato-grossense, Maria Divina Cabral, a Diva e mulheres do tronco étnico Calon que vivem em Mato Grosso.

Carol Macedo ficou conhecida nacionalmente com papéis de destaque como Kelly Miranda, da novela Passione (2010) e a funkeira Solange, de Fina Estampa (2011), ou Katiane, da 22 temporada de  Malhação em 2017, ou Inês de Éramos Seis (2019).

Uma admiradora dos povos ciganos, Carol postou cinco fotos da Exposição e lembrou os preconceitos e discriminações que ainda pairam sobre os povos ciganos e destacou a importância de trabalhos que abordem essas comunidades sem estereótipos.

Diz ela no texto: “hoje trago um pouquinho de algo de muita importância para mim, que é bastante ausente das mídias e redes sociais e que muita gente tem curiosidade, mas também preconceitos e discriminação: o universo cigano”.

Segundo a atriz, a Exposição é “um trabalho sensacional, totalmente fora do estereótipo que as pessoas imaginam, porque foi produzido, dirigido e auto representado pela própria comunidade, com profissionais como Fernanda Caiado que preside a Associação cigana de Mato Grosso, a fotógrafa Karen Ferreira e o diretor e cineasta, Aluízio de Azevedo, com direção de arte e coprodução de Rodrigo Zaiden”.

Ao final, Carol Macedo divulga o link da exposição, que pode ser acessado no link: www.galeriacalin.com . Acesse e confira, a dica de Carol é imperdível.

A Exposição Multimídia Calin integra o projeto "Diva e as Calins de Mato Grosso: Ontem, Hoje e Amanhã", aprovado no edital Conexão Mestres da Cultura, da Lei Aldir Blanc, da Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (SECEL-MT).

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT



quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Ciganos pedem apoio à presidente da comissão de Cultura da Câmara para aprovação de Estatuto

Deputada Federal Rosa Neide garante realização de audiência pública na Comissão de Cultura da Câmara para debater o projeto em tramitação na Casa de Leis

Da Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

Integrantes da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT) participaram nesta quarta-feira (14.09) de reunião com a deputada federal professora Rosa Neide (PT), presidente da Comissão de Cultura da Casa, para discutir a tramitação do projeto de Lei 1.387/2022, que cria o Estatuto dos Povos Ciganos. A reunião ocorreu no escritório da parlamentar em Cuiabá.

Na ocasião, o Secretário da AEEC-MT, professor Aluízio de Azevedo Silva, em conjunto com a diretora de mobilização e a conselheira da instituição, respectivamente, Terezinha Alves e Irandi Rodrigues Silva, protocolaram ofício à deputada solicitando um olhar especial na defesa e aprovação do projeto na Comissão de Cultura e na Casa de Leis. Também protocolizaram ofício endereçado ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), ampliando a solicitação de celeridade em todas as comissões, por onde deve passar para análise dos parlamentares.

Assista abaixo ao vídeo com o número de dança apresentado pelos bailarinos Jaqueline Roque e Marcos Gattas durante a reunião: 



Rosa Neide e sua equipe acompanharam uma apresentação de dança com os bailarinos ciganos, Marcos Gattas e Jaqueline Roque, que também participaram da reunião. Duas lideranças nacionais integrantes da Roda Cigana – Rede Humanitária acompanharam a reunião, de forma online. Marcos Pantaleão, da zona da mata mineira (MG) e Francisco Lacerda de Figueira, da cidade de Sousa, na Paraíba, onde situa-se a maior comunidade cigana da América Latina, com mais de cinco mil pessoas.

O ofício é assinado em conjunto com a Associação Nacional das Etnias Ciganas (DF), demandante do projeto junto ao seu autor, o senador Paulo Paim (PT). Com o número PLS 248/2015, o projeto já foi aprovado no Senado Federal e está tramitando na Câmara dos Deputados desde o final de maio, quando o presidente Arthur Lira (PP), o despachou para ser analisado em várias comissões, incluindo a comissão de cultura.

Os presentes solicitaram à deputada a realização de audiência pública convidando lideranças ciganas de todas as unidades da federação, para debater a matéria, conforme estabelece a OIT 169, no caso dos povos tradicionais. Rosa Neide garantiu que será uma defensora do projeto na Câmara e ressaltou a importância do Estatuto para quebrar estereótipos históricos e ampliar a visibilidade dos povos ciganos, especialmente na educação, onde não são referidos nos livros didáticos e nem constam nos currículos.

“Os povos ciganos brasileiros podem contar com a nosso apoio ao projeto, principalmente nas áreas de educação e cultura. A matéria já chegou na comissão de Cultura e faremos o debate necessário, convocando uma audiência pública para quando voltar o recesso e convidando a todas as ciganas e ciganos brasileiros a participarem para discutir em conjunto”, garantiu Rosaneide, ao lembrar a importância da Lei Paulo Gustavo, que está sendo debatida na comissão, para o acesso à cultura de populações específicas.

“Estamos debatendo a criação da Lei Paulo Gustavo, que terá enfoque no audiovisual e as comunidades ciganas poderão participar, prevendo filmes para divulgação da sua rica cultura, até porque não temos nenhum material educacional e as comunidades ainda são invisíveis perante ao Estado e sofrem preconceitos”, declarou a parlamentar, informando que a secretária da comissão de cultura estava acompanhando a reunião e já está tomando todas as providências necessárias.

De acordo com o secretário da AEEC-MT, Aluízio de Azevedo, o projeto do Estatuto é estratégico para os povos ciganos. “O Estatuto é de suma para todos os três troncos étnicos ciganos brasileiros, os Calon, os Rom e os Sinti e seus inúmeros subgrupos, que atualmente, somam entre 500 mil a um milhão de pessoas, vivendo em todos os Estados Brasileiros. Estamos muito satisfeitos com o resultado da reunião”, destaca.



Estatuto dos Povos Ciganos

A propositura estabelece diretrizes para a garantia de direitos básicos para os povos ciganos em todos as áreas, como saúde, educação, habitação, esporte e lazer, cultura, trabalho, entre outros. De acordo com consulta realizada no último dia 11 de julho no Portal da Câmara, a proposição está sujeita à apreciação do plenário, com regime de tramitação definido como prioridade pelo Art. 151, II, RICD.

Consta também despacho da mesa diretora de 02 de junho, encaminhando às Comissões de Cultura; Educação; Seguridade Social e Família; Direitos Humanos e Minorias; Finanças e Tributação (Art. 54 RICD) e Constituição e Justiça e de Cidadania (Mérito e Art. 54, RICD). Em razão da distribuição a mais de três Comissões de mérito, a mesa diretora determinou a criação de Comissão Especial para analisar a matéria, conforme o inciso II do art. 34 do RICD.

A mesa também solicitou apensar-se a este a(o)PL-2703/2020, de autoria do deputado Filipe Barros (PSL), que também tem como objetivo a criação de um Estatuto Nacional dos Povos Ciganos.

Histórico

O projeto de Lei 248/2015, que cria o Estatuto dos Povos Ciganos, nasceu da vontade popular do movimento social cigano, uma iniciativa provinda do diálogo entre esta Associação Nacional das Etnias Ciganas (ANEC-DF) junto ao senador Paulo Paim.

Para debater a propositura durante sua tramitação no Senado Federal, com o apoio daquela Casa de Leis e do Ministério Público Federal, foi criado um grupo de trabalho no Whats App com a participação de lideranças ciganas brasileiras de várias etnias e diversos Estados, que puderam ler artigo por artigo do documento e contribuir com a análise dos digníssimos senadores.

Por causa da pandemia da Covid-19, o diálogo só ocorreu de forma online, não havendo possibilidade de debate e reflexão e contribuições presenciais. Diante deste cenário, a necessidade uma audiência pública desta Câmara dos Deputados de forma presencial, com transmissão online em tempo real e a participação do maior número de lideranças ciganas brasileiras, para debater o tema.

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Exposição Fotográfica: estudantes ciganos de Goiás são destaque em evento da UFSCAR

 Minissérie Diva e as Calins de MT: exibida na abertura do evento, às 14h30 (Brasília) na Biblioteca

Produtos Culturais abordam a etnia Calon dos Estados de Goiás e Mato Grosso. Interessados podem conferir a exposição no período entre 08h e 21h.

A comunidade acadêmica da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), terá a oportunidade de conferir a partir desta segunda-feira (12.09), no piso 2 da Biblioteca Central, a exposição fotográfica “Quebrando o Estereótipo Cigano: enxergando através dos olhos das crianças Calon em Trindade, Goiás”.

Contando com fotos de autoria de estudantes ciganos da etnia Calon, do município de Trindade Goiás (GO), a exposição tem curadoria e organização de Mariana Sabino Salazar, do departamento de Espanhol e Português, da Universidade do Texas em Austin, Estados Unidos. Mariana está cumprindo uma extensa agenda de trabalho no Brasil e aproveitou para pesquisar a temática que aborda no trabalho de doutorado na instituição.

A sua pesquisa sobre estereótipos e autorrepresentação também será discutida no curso Tópicos de Cinema na América Latina, quando o Prof. Arthur Autran e Mariana abordarão amplamente o estereótipo do negro e a cigana nos cinemas mexicano e brasileiro.

A abertura do evento ocorrerá na terça-feira (13/09) e contará com a exibição de três curtas-metragens abordando mulheres ciganas de Mato Grosso. Os curtas são episódios da série Diva e as Calins de Mato Grosso, que integra o projeto “Diva e as Calins de MT: Ontem, Hoje e Amanhã”. Aprovado no Edital Conexão Mestres da Cultura, da Lei Aldir Blanc, da Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de MT (SECEL-MT), o projeto premiou, por seus relevantes serviços prestados, como mestra da cultura mato-grossense, a raizeira e benzedeira cigana, Maria Divina Cabral, a Mestra Diva.

A Exposição segue até o dia 14/10 e é aberta também ao público em geral. De acordo com Mariana, será uma oportunidade muito rico levar para a academia trabalhos imagéticos que foram construídos por uma equipe cigana, como no caso do projeto Diva e as Calins, que foi executado pela Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso, com produção da Kaiardon Produções.

As fotografias expostas foram tiradas por alunos do 3º e 4º ano matriculados na Escola Municipal Juvenil de Freitas em Trindade durante a oficina “estereótipo e autorrepresentação” organizada por Maria Lucia Rodrigues a Mariana durante maio de 2022. “O nosso propósito é questionar a imagem do cigano na cultura popular brasileira. Uma imagem criada e promovida por pessoas pouco informadas que não pertencem a este grupo. Para desmontar o estereotipo do cigano, acredita-se na autorrepresentação como um potente antídoto. Nessa exposição, um grupo de crianças calon se mostram com seus próprios sonhos e dúvidas, assistindo a escola, fazendo parte da vida comunitária, divertindo-se com outras crianças”, explica a pesquisadora.

As crianças calon participaram de uma aula de fotografia e usaram câmeras descartáveis para obterem as imagens dessa exposição. Fotografaram em dois lugares e momentos específicos: Em um dia de atividades escolares e durante a celebração de Santa Sara Kali (dia do Povo Cigano no Brasil), celebrado a 24 de maio. Os seus nomes são: Renan Gabriel Suarez, Leandro Filho, Marcos Vinicius, Vitória Zamoro, Bruna Soares, Vitor Zamoro, Fernando Ferreira e Kave Soares.

Sinopse Diva e as Calins de Mato Grosso

Dirigido pelo cigano cineasta, Aluízio de Azevedo e com cinco episódios (8’ a 9’), a série homenageia, além de Diva, cinco mulheres ciganas raizeira e benzedeira, que reside no município de Rondonópolis (MT), também consideradas como mestras ciganas, cada uma delas foi homenageada com um episódio: sua tia Nerana Rodrigues (Tangará da Serra) e três primas, Irandi Rodrigues Silva (Cuiabá-Tangará da Serra), Nilva Rodrigues Cunha (Rondonópolis) e Terezinha Alves (Cuiabá).

Serviço

O que: Abertura da Exposição “Quebrando o Estereótipo Cigano: enxergando através dos olhos das crianças Calon em Trindade, Goiás”.

Quando: 13/09 Abertura e entre 12/09 e 14/10 aberta à visitação

Onde: Piso 2 da BCO

Horário da Abertura: 14h30 (horário de Brasília)