quinta-feira, 8 de abril de 2021

“A gente tem muito para comemorar. O nosso povo tem uma história linda”, pondera Fernanda Caiado

"Temos uma história enraizada em todos nós, em nossas veias correm sangue de pessoas nômades, que lutaram, de pessoas que batalharam para a gente estar onde nós estamos". (na foto Fernanda e sua avó Sereviana Alves Pereira)

Para a presidente da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), Fernanda Alves Caiado, a data é muito importante, por se tratar de um reconhecimento internacional ao povo cigano.

“Essa data significa pra gente que os ciganos não são reconhecidos só na nossa região, né, são reconhecidos internacionalmente. É muito bom ser lembrado, ter essa data que lembra a luta de um povo e não só de um grupo pequeno, mas de toda uma história de um grupo de pessoas que resolveu sair, que lutou, que luta e que acredita. É muito bom saber que nós somos mundialmente reconhecidos. Isso é muito importante!” pondera Fernanda.

De acordo com Fernanda, as pessoas ciganas “têm muita coisa a comemorar.” “Primeiro é um reconhecimento da história do nosso povo e também saber que hoje nós já alcançamos algumas coisas que antes não tínhamos. Por mais que ainda exista muito preconceito, por mais que ainda exista muita gente que faz distinção, hoje somos reconhecidos como um povo. Temos uma história enraizada em todos nós, em nossas veias correm sangue de pessoas nômades, que lutaram, de pessoas que batalharam para a gente estar onde nós estamos”, explica ela, ao complementar:

“De pessoas que enfrentaram por muitos momentos fome, sede, que passaram por duras penas, para que hoje possamos ser reconhecidos enquanto um povo. A gente tem muito para comemorar. Também comemorar a vida em tempos tão difíceis, a gente tem poucos casos de ciganos que perderam a vida para Covid. A gente tem que comemorar isso também, comemorar a vida, comemorar estarmos bem. O nosso povo tem uma história linda. Somos pessoas que passaram por dificuldades, que vencemos e que hoje graças a Deus estamos todos bem”.

Concluindo sua fala, a presidente da AEEC-MT reforça que ainda temos muito o que caminhar: “É claro que queremos ainda muitas outras coisas. É apenas um começo tudo isso, sermos reconhecidos como um povo já é um grande começo. Agora é plantarmos mais para colhermos mais. Que todos tenham um feliz dia internacional dos ciganos”.

Texto: Aluízio de Azevedo
Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

“O que mais temos a comemorar é a capacidade que a gente sempre teve de transformação, de adaptação e de renascer das cinzas”, diz Aline Miklos

 

A cantora, compositora, ativista e pesquisa Rommi brasileira, Aline Miklos ressalta que acha importante a data “porque é o dia da institucionalização da nossa luta”.

“Além da luta do dia a dia, do cotidiano, a gente precisa de uma institucionalização para que essa luta seja reconhecida pelo Estado e pela sociedade. A gente tem que utilizar essa data para reivindicar os nossos direitos para o Estado, para mim isso é fundamental e importante”, pondera Aline.

Para a cantora, a resiliência das comunidades e etnias romani é o ponto central que temos a comemorar: “a primeira coisa vem na cabeça é o nosso sincretismo, a nossa resiliência. Por mais que esteja hoje na moda, uma palavra chave, a mais importante hoje em dia, com a pandemia, com tudo que está acontecendo é a resiliência. O que mais temos a comemorar é a capacidade que a gente sempre teve de transformação, de adaptação e de se renascer das cinzas”.

“Muito importante ser lembrado hoje em dia no contexto que estamos vivendo, mas não só, como também, a resiliência está relacionada com os 50 anos de realização do primeiro congresso internacional romani, que estabeleceu várias coisas, mas a gente precisa também readaptar essas coisas e renovar essas discussões e psnar muito no que vamos fazer para os próximos 50 anos”, destaca.

Ouça aqui o novo CD lançado por Aline Miklos, Kalo Chiriklo: https://www.youtube.com/playlist?list=PLRjsCGDQ4xosKP9NuK7fpL720blhTUhZD

Texto: Aluízio de Azevedo
Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

"O meu sonho é que essa data vá para os calendários das escolas e das pessoas em suas casas", almeja Daiane da Rocha

As crianças precisam saber de uma história real, de um povo real, que merece ser respeitado", diz Daiane 

Fomos ouvir o relato de pessoas ciganas sobre o dia internacional dos ciganos, que se comemora a 08 de abril e Daiane da Rocha Bian, secretária geral da Associação Nacional das Etnias Ciganas (ANEC) concedeu o seu depoimento.

Residindo em Brasília (DF), onde possui importante atuação junto ao conselho de Mulheres, Daiane da Rocha Bian, considera que as datas comemorativas, como o dia Internacional dos Ciganos, ou o Dia Nacional dos Ciganos, que no Brasil ocorre em 24 de maio, “é importante para reafirmar as lutas constantes de um povo existente, que faz parte da história humana”.

“O meu sonho é que esta data vá parar os calendários, que as pessoas tenham acesso ao calendário oficial, marcando o dia do cigano. Isso é muito importante para que a sociedade e o governo parem para pensar, que as pessoas ciganas sejam lembradas, respeitadas. Significa o reconhecimento de uma cultura, de uma luta, do povo cigano no mundo, de sua trajetória e de toda a sua participação na humanidade, no dia a dia, na construção mesmo da história do mundo”, emociona-se Daiane.

Pondera a secretária geral da ANEC, que será importante a data seja conhecida e comemorada nas escolas. “Também almejo que o dia nacional e o dia internacional do povo cigano vão para dentro das escolas. Da mesma forma como comemoram o dia do índio, que elas também comemorem os nossos dias e que as professoras falem para seus alunos: ‘olha você sabe que hoje é o dia internacional dos ciganos’; fazendo um trabalho didático nas séries menores, no pré, para que as crianças saibam sobre o nosso povo, de maneira que seja construída uma história real junto as criança, de um povo real que merece ser respeitado!”

Texto: Aluízio de Azevedo

Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

“Foi o movimento que lançou algumas bases comuns a todos os ciganos”, reflete Marcos Toyansk

Marcos Toyansk defendeu a tese de doutorado sobre o Associativismo Cigano Internacional

O também cigano da etnia Calon e pesquisador do movimento internacional cigano, o doutor Marcos Toyansk, destaca que o I Congresso Internacional Romani foi um marco para a criação de um movimento internacional cigano.

Um momento que foi possível reunir ciganos de várias partes da Europa, embora a Europa do leste não tenha participado integralmente, com poucas exceções, como a Iugoslávia, o evento foi acolhido pela Inglaterra depois que uma organização cigana foi proibida de ter atividades na França. Naquele momento, há relatos de que os franceses não queriam melindrar os alemães, pois estavam estreitando relações e o movimento tinha a intenção de reivindicar reparações e compensações pela perseguição e extermínio na Segunda Guerra, além do confisco de bens”, pondera Toyansk

Informa Marcos que foi em 1971 que o “movimento que lançou algumas bases comuns a todos os ciganos, desde a importância do holocausto, como ponto central e máximo da perseguição aos ciganos. A noção de que todos os ciganos são perseguidos e discriminados em todos os lugares no mundo, mesmo que não seja em todos os lugares ao mesmo tempo e com a mesma intensidade. Criou símbolos para esta unificação, termos, bandeiras, coisas que já existiam antes, mas que colocou ali de uma forma compartilhada” e complementa:

“Não foi, claro, a primeira iniciativa com o objetivo de unir os ciganos na Europa e no mundo. Temos movimentos políticos que aconteceram nos Balcãs nos anos 30, que já mantinham movimentos associativos ciganos, mas foi o primeiro internacional que reuniu também gente da Espanha, da Inglaterra e de outros lugares da Europa e com o tempo foi agregando. No início da década de 80 tem a participação dos alemães, que também participam do Congresso e da pressão de muitos outros aliados para que o governo alemão reconheça o genocídio cigano durante a segunda guerra. E depois na década de 90 o ingresso de ciganos do Leste”.

Baixe aqui a tese de doutorado de Marcos Toyansk: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-22022013-124150/pt-br.php 

Iugoslávia

Por fim, Toiansky lembra que uma particularidade interessante na realização do I Congresso Internacional Romani é a forte participação da Iugoslávia. “A história da Iugoslávia, porque fazia parte como membro fundadora do movimento dos países não alinhados, então nem Moscou e nem Washington e com relações boas, na medida do possível, com os dois e o primeiro presidente da União Romani Mundial, que veio depois do Congresso Romani Mundial foi o Slobodan Berbeski que era justamente Iugoslavo.

Slobodan Berbeski foi o primeiro presidente da União Romani Internacional

Saiba mais sobre Slobodan Berbeski aqui: https://www.romarchive.eu/en/collection/p/slobodan-berberski/

Texto: Aluízio de Azevedo
Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

quinta-feira, 18 de março de 2021

Segundo encontro da Agenda 2021 da ONU para a proteção dos Ciganos nas Américas

Oficial de Direitos Humanos do Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Belen Rodriguez de Alba, conduziu o webinar

Evento ocorreu nesta quinta-feira (18/03) e reuniu ativistas de vários países latino-americanos, como Brasil, Argentina e Colômbia

Ocorreu nesta quinta-feira (18/03) mais um webinar do “ciclo da Agenda 2021 para a proteção dos Romani/Ciganos em Américas”, evento realizado pela Seção de Povos Indígenas e Minorias do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU).

O evento, que ocorreu entre 08 e 09h30 (horário de Mato Grosso), contou com a participação de representantes de organizações da sociedade civil de países como Brasil, Argentina, Chile e Colômbia, entre elas a Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), representada pelo Assessor para Ciência e Comunicação, Aluízio de Azevedo.

A integrante do Coletivo Internacional #OrgulhoRomani e membro da ZOR – Asociación por los Derechos del Pueblo Giano/Romani” de Argentina, Aline Miklos, também participou do encontro, que contou com três mesas principais. A primeira delas, “diálogo sobre o trabalho do perito da ONU em violência contra as mulheres”, foi realizado pela Oficial do Escritório de direitos humanos da ONU para as mulheres, Renata Pretulan.

A segunda mesa foi apresentada pela Oficial de Direitos Humanos do Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Belen Rodriguez de Alba, e tratou sobre a forma de “apresentar uma queixa ao Relator da ONU sobre minorias ou outros relatores (racismo, pobreza)”.

Por fim, ocorreu a mesa de Estratégia de Advocacia, com dois focos: a possibilidade de enviar informações ao Comité dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais após o relatório do Estado do Brasil; e a possibilidade de enviar informações de ONG para o processo de UPR na Argentina previsto para Novembro de 2022.

Este é o segundo webinar produzido pela Seção de Direitos Humanos da ONU com o intuito de formar os ativistas ciganos sobre os mecanismos de direitos humanos internacionais e da instituição, que dispõe de várias estratégias para cobrar a inclusão social e o respeito aos direitos das populações em situação de vulnerabilidade social, causada pelo racismo, machismo ou exclusão e desigualdade de qualquer natureza.

O primeiro ocorreu no dia 11 de fevereiro e finalizando o ciclo do primeiro semestre, em abril a organização realizará um terceiro webinar, que contará com também duas sessões, uma de formação e outra de “advocacy, ambas tratando acerca das questões de gênero e interseccionalidade.

Outras informações sobre a Seção de Direitos Humanos da ONU es suas páginas virtuais, como o site institucional, www.ohchr.org, conta no Twitter @UNHumanRights ou Facebook @unitednationshumanrights.

Assessoria de Comunicação AEEC-MT

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

RECONHECIMENTO: Calin Maria Divina Cabral recebe prêmio de mestra da cultura mato-grossense

Presidente da AEEC-MT, Fernanda Alves Caiado, entregou o prêmio à benzedeira e raizeira cigana

Por sua contribuição à manutenção da cultura cigana e ao enriquecimento da diversidade cultural de Mato Grosso; a mestra da medicina tradicional da etnia Calon, Maria Divina Cabral, 66 anos, recebeu, nesta sexta-feira (12.02), o prêmio de “Mestra da Cultura Mato-grossense”.

Diva, como é mais conhecida, é a figura central do projeto “Diva e as Calins de Mato Grosso: Ontem, Hoje e Amanhã”, aprovado no Edital Conexão Mestres da Cultura da Lei Aldir Blanc; uma iniciativa da Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de MT (SECEL-MT), em parceira com o Governo Federal.

“Essa homenagem evidencia o reconhecimento da pluralidade cultural mato-grossense. Mais do que gratidão pela atuação da cigana Diva, os produtos dessa homenagem ficarão registrados na história, serão uma referência que mostram o quanto nosso estado é grandioso em todos os aspectos”, expressa o titular da Secel, Alberto Machado.

O cheque do prêmio no valor de R$ 20.000,00 foi entregue pela presidente da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), Fernanda Alves Caiado, na residência de Diva, em Rondonópolis. O encontro contou com a participação de sua mãe Lourdes, a anciã mais antiga da comunidade no município e de quem aprendeu a arte da medicina cigana, além de seu marido, Jair, filhas, netas e bisnetas.

“Procuro benzer a todos que aparecem. Fiz garrafadas para quatro mulheres nessa semana. Benzi um menino de verme e de quebranto no mês passado, que ele estava magro e agora já está muito forte e melhorou. Teve também minha neta que eu dei banho de mal de malssimioto, que é o verme na carne. Semana passada uma vizinha pediu para benzer um cachorro dela que tava doente e eu benzi, com minha fé em Deus, o cachorro curou”, conta Diva, ao revelar que suas rezas são sempre acompanhadas de medicamentos naturais extraídos de plantas do cerrado e da mata.

Presidente da AEEC-MT, Diva e o marido Jair

De acordo com a presidente da AEEC-MT, o projeto “Diva e as Calins de MT: Ontem, Hoje e Amanhã” tem como objetivo fortalecer as tradições e saberes ciganos, especialmente, aqueles mantidos pelas mulheres, partindo do reconhecimento de Diva como mestra da cultura mato-grossense e suas parentas, como tias, filhas, netas, sobrinhas, primas, etc.

“Hoje para nós enquanto associação e para a Diva foi um orgulho poder entregar esse prêmio, porque ela realmente representa a mulher cigana, não apenas na questão de fazer algo na representação cultural, que no caso são os produtos de medicina tradicional  e natural que ela produz; mas também pela mulher que ela é”, emociona-se Fernanda Caiado e complementa:

“Nós temos o exemplo dela que é uma guerreira, que mantém a casa, cuida da família através de um conhecimento que ela adquiriu pela nossa cultura e isso para gente é um orgulho e nós estamos muito felizes mesmo por poder participar desta parte da história da Diva”, conclui.

Texto: Aluízio de Azevedo, Assessor para Ciência e Comunicação

Fotos: Karen Ferreira

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

AEEC-MT participa da agenda 2021 da ONU para proteção dos direitos dos Povos Ciganos nas Américas

Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT, Aluízio de Azevedo, representará a instituição na série de encontros virtuais que começa nesta quinta-feira (11.02)

A Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT) foi convidada pela Seção de Povos Indígenas e Minorias do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos para integrar o “ciclo da Agenda 2021 para a proteção dos Direitos dos Romani/Ciganos em Américas”.

Belen Rodriguez de Alba
De acordo com a Oficial de Direitos Humanos do Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Belen Rodriguez de Alba, a Agenda 2021 da ONU para os povos ciganos das Américas propõe um roteiro que tem dois eixos principias: “(1) uma série de capacitações que terão como objetivo entender e aprofundar os mecanismos de direitos humanos existentes em nível internacional (2) e uma agenda de “advocacy” (defesa de direitos).

Essas atividades ocorrerão nos meses de fevereiro, março e abril para 23 ativistas de comunidades ciganas de países como Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Estados Unidos e Canadá. O convite Seção de Povos Indígenas e Minorias da ONU foi direcionado ao Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT, Aluízio de Azevedo, que em 2020 já havia participado de outro seminário organizado pela Seção.

A integrante do Coletivo Internacional #OrgulhoRomani e membro da ZOR – Asociación por los Derechos del Pueblo Giano/Romani” de Argentina, Aline Miklos, também participará do ciclo. O Coletivo e a ZOR são importantes parceiras da AEEC-MT em nível internacional. Também está prevista a participação da reconhecida feminista cigana norte-americana, Ethel Brooks.

Programação - O primeiro “Webinario para pessoas e representantes pertencentes a populações Romani/Ciganas nas Américas”, ocorrerá no dia 11 de fevereiro de 21, entre 8h e 10h30 (horário de Cuiabá). O encontro contará com uma sessão de formação, ministrada por três moderadores: Belen Rodriguez de Alba, abrirá a sessão com o tema “Introdução ao sistema de proteção internacional de direitos humanos e perspectiva histórica da proteção das minorias em âmbito da ONU.

Na sequência, será debatido o tema “Trabalho do Relator da ONU para Minorias”, ministrado pela Oficial do Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Marina Narvaez. Encerrando a sessão, a também Oficial do Escritório de Direitos Humanos da instituição, Renata Pretulan, que abordará o tema “Trabalho da especialista da ONU sobre violência contra a mulher.

Este webinário contará ainda com uma sessão de estratégias de “Advocacy”, um termo que em português pode ser traduzido como “defesa de direitos”. Esta atividade debaterá “Direitos Humanos e Políticas Públicas para Povos Romani nos Países da América Latina”. A sessão estratégica sobre "Advocacy" será moderada pelo ativista cigano Rafael Saavedra, membro da Fundacion Secretariado Gitano, de Espanha. Como estratégia de trabalho, serão criados grupos de trabalhos por países, para debater o tema e um moderador assumirá a organização desta parte do webinário.

A Agenda de jornadas de formação da ONU para representantes e integrantes de comunidades romani nas Américas terá continuidade em 11 de março, com outras duas atividades: a sessão de formação “Proteção internacional dos direitos das minorias: quem constitui uma minoria, marco legal e instrumentos de proteção”; e a sessão de “advocacy”, quando os grupos de trabalhos por países reportarão as discussões iniciais de cada país.

Finalizando o ciclo do primeiro semestre, em abril a organização realizará um terceiro webinário, que contará com também duas sessões, uma de formação e outra de “advocacy, ambas tratando acerca das questões de gênero e interseccionalidade.

Assessoria de Comunicação AEEC-MT

 

domingo, 7 de fevereiro de 2021

REPRESENTATIVIDADE: AEEC-MT passará a compor o Comitê Estadual dos Povos e Comunidades Tradicionais

Um dos representantes será o vice-presidente da AEEC-MT, Uanderson Pereira dos Santos, que nesta foto está ao lado da sua esposa Audelena Dias Cabral

Órgão tem como objetivo a formulação de políticas públicas específicas para estas populações, também consideradas minorias étnicas, culturais ou sociais

A Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT) passará a compor, em 2021, o Comitê Estadual dos Povos e Comunidades Tradicionais (CEPCT-MT), indicando os representantes das comunidades ciganas.

Vinculado à Secretaria de Estado de Trabalho, Ação Social e Cidadania (SETASC-MT); além dos Romani, o órgão congrega representantes de comunidades quilombolas, índigenas, morroquinas, retireiros, pantaneiros, pescadoras e ribeirinhas, de terreiro, entre outras, sempre vinculadas a alguma organização social sem fins lucrativos.

O objetivo do CEPCT-MT é levantar as demandas das comunidades tradicionais, suas necessidades, dialogar com elas, bem como propor, em conjunto com esses povos, políticas públicas específicas e apropriadas às suas diversidades culturais, territoriais e modos de vida.

Os dois indicados da AEEC-MT representarão as comunidades ciganas mato-grossenses de todas as etnias (Rom, Sinti e Calon) no Comitê. São eles, a diretora de mobilização da AEEC-MT, Terezinha Alves, da comunidade cigana de Cuiabá como titular; e o vice-presidente da associação, Uanderson Pereira dos Santos, da comunidade romani de Rondonópolis (a 220 km de Cuiabá), como suplente.

A assistente Social Terezinha Alves

Terezinha Alves, 59 anos, natural de Guiratinga (MT), é assistente social formada pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e tem uma história de vida inspiradora: ela é a primeira cigana dos filiados na AEEC-MT a concluir uma graduação, nos anos de 1994. Tem larga experiência com projetos sociais e na militância social em prol das comunidades periféricas, especialmente, as ciganas.

Uanderson Pereira dos Santos, 34 anos, natural de Rondonópolis (MT), é agrônomo e sua esposa Audelena Dias Cabral, são dois dos principias líderes da comunidade no município de Rondonópolis e no Estado. Eles coordenam o Grupo de Danças Tradição Cigana, uma das principais atividades da associação no município.

Terezinha e Uanderson também são os representantes da AEEC-MT no grupo de trabalho que reúne lideranças ciganas nacionais, criado pelo Senado Federal em parceria com a Sexta Câmara do Ministério Público Federal (MPF), para debater a proposta de projeto de Lei que cria o Estatuto dos Povos Ciganos, em tramitação no Congresso Nacional.

Texto: Assessoria de Comunicação AEEC-MT

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Feminismo cigano: Existimos e resistimos! – Entrevista a Maria Gil

Cigana, atriz e portuguesa Maria Gil, ativista do movimento "Mulheres e Ciganas Existem e Resistem!"

Por HELENACARLAG

Combinei encontrar-me com a Maria Gil nos jardins do Palácio de Cristal. Um dos locais mais bonitos do Porto, Portugal. Amplo e verde, permite-nos usufruir de todos os raios de sol a que nós, mulheres, temos direito! Afinal, estamos no Verão! E, vamos falar de feminismos, mais propriamente de feminismo cigano. A Maria Gil é mulher e cigana. “Não é mulher vírgula cigana”, explica, “é mulher e cigana, o e é muito importante porque acrescenta algo. Ao facto de eu ser mulher, acrescento o cigana, é uma soma e o resultado desta soma é o que eu sou e me orgulho muito de ser”. Para além disto, também é feminista desde os dez anos de idade e sente na pele a intersecção destas três fortes camadas: mulher e cigana e feminista. 

Helena Ferreira (HF) – Diz-me como te tornaste mulher e resistente no seio de uma comunidade que, por um lado, é vítima de violência constante ao longo dos séculos por parte do patriarcado “branco” heteronormativo e por outro, é vítima do seu próprio patriarcado dentro da sua comunidade.

Maria Gil (MG) – A minha primeira resistência começou aos dez anos de idade, quando comecei a questionar porque me tratavam de forma diferente em relação aos rapazes e em relação às meninas da comunidade dita “branca”. Por exemplo, nunca percebi porque é que não podia estudar até porque o meu pai que era cigano sempre me disse que eu teria que estudar mas, entretanto este quadro alterou-se com a sua morte. De repente, fico sem pai, com uma mãe extremamente fragilizada e conservadora, que uniu a sua dor à necessidade de defender a sua versão da tradição e que aos sete anos me veste de negro e me tira da escola. Aí tomei a consciência da gravidade da situação, porque estava a ser alvo de uma superprotecção mal direccionada. Quando regresso à escola, com oito anos, volto uma menina vestida de negro e sou alvo de bullying por parte das outras crianças. Perdi o direito à cor e perdi o chão. Estou a falar nisto porque é muito importante que todas as mães e pais percebam que tirar as crianças da escola, principalmente as meninas, é uma violência e que só as estão a encaminhar para situações de fragilidade social e a dependências de terceiros.

"O patriarcado cigano, como todas as comunidades ciganas de uma forma geral, encontra-se entrecruzado pelas conjunturas de marginalidade, subalternidade e exclusão social"

HF – Existe a ideia pré-concebida de que a comunidade cigana é extremamente machista… Mais que a nossa, a dos ditos “brancos”?

MG – Não. O patriarcado cigano, como todas as comunidades ciganas de uma forma geral, encontra-se entrecruzado pelas conjunturas de marginalidade, subalternidade e exclusão social. Neste sentido, reivindicar a masculinidade e responder às normas que lhes são impostas é de vital importância para a afirmação da própria identidade, estigmatizada e desconsiderada pela sociedade dos payos (pessoas que não são ciganas). Por isso, não os posso considerar mais machistas, mas sim homens que se movem pelas circunstâncias que o meio social lhes proporciona que, por vezes, são extremamente violentas. Transgredir as leis e as normas na nossa comunidade ganha uma visibilidade absoluta. Há sempre a tendência para apresentar a nossa população como um grupo homogéneo, como se o sexismo e a opressão patriarcal fossem prerrogativas de culturas exoticizadas como a nossa. Por exemplo, se ocorrer uma violação dentro da comunidade cigana, os ciganos passam a ser todos violadores e é uma notícia que tem grande impacto na comunicação social.

HF – Sim, dá a sensação que assistimos ao aumento da violência contra a população cigana na Europa, o que se comprova com as declarações racistas que temos presenciado nos últimos dias no nosso pequeno país. Como sentes isto?

MG – Acho que toda esta violência social geral que se tem vindo a desenvolver, tem como ponto de partida o patriarcado. Não se chegava a este ponto de violência racial se as sociedades não colocassem na sua organização as relações de alteridade, de superioridade de uns seres humanos sobre os outros. E todos estes acontecimentos tornam urgente a necessidade de um activismo sempre presente e de um feminismo cigano em estado de alerta. Por exemplo, devíamos estar já nesta fase, na primeira década do século XXI, a discutir a partilha de responsabilidades e a afirmação nos processos de integração e de negociação com a sociedade dita maioritária, isto é, termos voz de igual para igual e isso não acontece. Os payos, e as payas também, ainda pretendem falar por nós, dizer-nos o que está certo e o que está errado. A cultura dominante impõe-nos uma identidade e insere-nos numa gaveta e a questão é como constróis e desconstróis a tua própria identidade e resistes a ser colocada nessa gaveta. Por outro lado, e em simultâneo, tens as lutas dentro da tua própria comunidade, pela visibilidade das mulheres e igualdade de género, o que não é fácil porque o machismo é tão perverso que gera nas mulheres um sentimento de protecção e elas sentem-se umas patetas alegres (vítimas felizes), porque o homem toma conta delas. São estas patetas alegres que defendem a divisão entre as mulheres sérias e as outras. As sérias são as firmes, as castradoras, as grandes defensoras do patriarcado contra aquelas que assumem as suas identidades, que ousam e que são verdadeiras consigo mesmas e com a dupla sociedade que enfrentam(a dos payos e a cigana) e que fazem as suas opções. Tenho a certeza que se as patetas alegres tivessem noção que são oprimidas, mais mulheres ciganas seriam feministas e livres.

HF – Existem vários estereótipos instaurados no nosso imaginário social: todas as mulheres ciganas são feirantes (vendedoras ambulantes), não estudam, casam cedo e com ciganos, e são mães de famílias numerosas.

MG – Isso é tão ridículo como eu dizer que as mulheres payas portuguesas têm todas bigode e vestem todas de preto. Sempre existiram mulheres ciganas resistentes, embora não tenham sido apelidadas de feministas. A verdade é que não têm que ser apelidadas de feministas ou considerarem-se assim. Existem mulheres ciganas em todas as profissões e que estudam. Já existem muitas mulheres ciganas licenciadas e doutoradas e que não casam nem têm filhos. Ou seja, que fazem as suas escolhas e lutam por elas. Tenho, no entanto, que referir que o grande desafio é criticar as estruturas patriarcais internas e, ao mesmo tempo, tentar evitar reforçar os estereótipos negativos sobre a nossa comunidade, por exemplo, porque defendo que todas as meninas devem estudar, não posso permitir que isso seja visto pelos payos logo como: “Pois, eles não deixam as meninas estudar porque as casam muito cedo”, ou seja, evitar que as reivindicações de género se tornem um instrumento de alterização e de estigmatização de um grupo subalterno e racializado. Tenho ainda que falar aqui da interseccionalidade que mostra o cruzamento de diferentes opressões: de género, classe, “raça” e sexualidade, sofridas pelas mulheres ciganas. As formas de discriminação interagem umas com as outras, há que afirmar a consequente necessidade de uma luta plural contra o racismo, a opressão de classe e contra o machismo tanto interno, como externo às comunidades.

HF – Passava dias a falar contigo, mas temos que terminar por agora, claro, porque vamos voltar a conversar, com toda a certeza. E, para terminar, tenho que te perguntar: O que podemos nós, mulheres “brancas” feministas fazer para apoiar as mulheres ciganas?

MG – Deixar de lado o paternalismo e sobretudo valorizar a nossa voz, porque a temos, como vês. Não podem impor-nos a vossa cultura. Deixem-nos evoluir conscientemente, construir e desconstruir a nossa identidade, tornar-nos mulheres, como referiu a Simone de Beauvoir. Não nos salvem, não precisamos de ser salvas. Nós somos a semente das Mulheres e Ciganas que não foram queimadas e esterilizadas. Existimos e resistimos.

Disponível em: https://cientistasfeministas.wordpress.com/2017/08/05/feminismo-cigano-existimos-e-resistimos-entrevista-a-maria-gil/ 


Assista aqui a uma entrevista da TV Portuguesa à Maria Gil: https://www.youtube.com/watch?v=4N-E1qDDiHc


terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Maria Divina Cabral: mestra da cultura cigana Calon e mato-grossense

Projeto que contempla a mestra foi aprovado no edital Conexão Mestres da Cultura da Lei Aldir Blanc

Com enorme satisfação, a Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT) comunica a aprovação do projeto “Diva e as Calins de Mato Grosso: ontem, hoje e amanhã” no edital Conexão Mestres da Cultura da Lei Aldir Blanc, que reconheceu a raizeira e membra desta associação, Maria Divina Cabral, como uma mestra da cultura mato-grossense.

O resultado foi publicado nesta terça-feira (08/12) na página eletrônica da Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (SECEL-MT). Também foram aprovados outros 74 mestres e a lista pode ser acessada no link: http://www.cultura.mt.gov.br/documents/362998/15771026/Resultado+Final+Mestres+da+Cultura/e127afee-9d52-0432-a8bc-76831f79f499.

Diva, como é mais conhecida, nasceu na cidade de Mineiros (GO) e viveu boa parte de sua vida nos lombos dos cavalos, trafegando pelas cidades dos Estados da região Centro-oeste, até que no início da década de 70 fixou residência com sua mãe, pai, irmãos e parte de sua comunidade no município de Rondonópolis (a 210 km de Cuiabá, no sul do Estado).

Atualmente, a Calin mora em uma modesta residência de apenas três cômodos, na Vila Poroxo e ajuda a todos que chega com rezas, benzeções, aconselhamentos e remédios naturais. A comunidade Calon de Rondonópolis é a maior comunidade cigana de MT, reunindo em torno de 150 pessoas.

Além de premiar a mestra Maria Divina Cabral com um prêmio no valor de R$ 20 mil, o projeto contempla ainda a realização de um encontro de mulheres ciganas em Rondonópolis, que servirá como dispositivo para a construção de uma websérie documental “Diva e as Calins” e a criação de uma exposição fotográfica virtual sobre as mulheres ciganas mato-grossenses de vários municípios.

Assista ao vídeo “Uma Família Cigana” e conheça mais sobre Diva e sua família: https://www.youtube.com/watch?v=29EiQeQa_nc

Maria Divina Cabral – mestra da cultura cigana Calon mato-grossense

A cigana da etnia Calon (também pode ser escrito como Kalon ou Calom), Maria Divina Cabral, 66 anos, é uma mestra da cultura cigana em todos os sentidos. Diva, como é mais conhecida, nasceu a 25 de setembro de 1954, em uma barraca num acampamento na cidade de Mineiros (Goiás). Filha de Lázaro Alves Pereira e Lourdes Rodrigues Pereira, casou-se dentro da tradição cigana, com o seu primo (filho da irmã do pai), Jair Alves Cabral, construindo e mantendo um profundo conhecimento da filosofia Calon e seu sistema de ação e organização sociocultural.

A Calin (modo como as mulheres ciganas se autodenominam) viveu boa parte de sua vida nos lombos dos cavalos, trafegando pelas cidades dos Estados da região Centro-oeste, até que no início da década de 70 fixou residência com sua mãe, pai, irmãos e parte de sua comunidade no município de Rondonópolis (a 210 km de Cuiabá, no sul do Estado). Mãe de duas filhas, Selma e Cleide, avó de quatro netas (Lorraine, Suani, Leidiane e Cristiane) e três bisnetas (Cristina, Paula e Isabela); atualmente é a principal e mais importante raizeira e benzedeira cigana no Estado, mantendo viva a medicicna tradicional na comunidade Calon mato-grossense.

Integrante fixa do conselho de anciãos da etnia Calon e membra fundadora da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), Diva é respeitada e ouvida por todos da comunidade, por sua experiência e sabedoria na condução e salvaguarda de diversos costumes, narrativas e saberes da filosofia kalon. A sua participação e influência na comunidade, que reúne em torno de 300 pessoas no Estado, não se limita a Rondonópolis, chegando a outras comunidades Calon de municípios como Tangará da Serra, Cuiabá, Sinop, Guiratinga, Pedra Preta, Campo Novo dos Parecis e Alto Araguaia.

Apesar de não ter sido alfabetizada e nunca ter frequentado uma sala de aula, Diva é versada na língua romanó-kaló, que no Brasil é também conhecida como chibe, sabe todas as simpatias, ervas apropriadas e rituais de cura infantis, aplicando-os em crianças ciganas e não-ciganas, produz remédios e unguentos naturais para mulheres e homens que tem problemas de fertilidade e os mais variados tipos de enfermidade, sendo conhecedora de uma variedade incrível de plantas medicinais do cerrado e da floresta amazônica.

Os saberes da medicina tradicional Calon foram aprendidos pela anciã Calin ainda na infância, quando acompanhava sua mãe, dona Lourdes, ou as suas avós, Maria e Jordelina, ao cerrado ou à floresta, para fazer a colheita das plantas, ervas e matérias primas necessários para a confecção dos remédios naturais.

A raizeira começou fazendo garrafadas para si mesma ainda muito jovem, depois para os parentes e logo estava atendendo também aos não-ciganos, que passaram a cada vez mais procurá-la. Há cerca de 10 anos, desde quando sua mãe, dona Lourdes, de 84 anos se aposentou das funções de raizeira por problemas de saúde, Diva assumiu as suas funções e entre os cuidados com a matriarca, que mora no mesmo lote, vem mantendo viva a chama da medicina cigana no Estado.

Atualmente com 65 anos, a Calin mora em uma modesta residência de apenas três cômodos, na Vila Poroxo e ajuda a todos que chega com rezas, benzeções, aconselhamentos e remédios naturais. Já auxiliou a milhares de pessoas em Mato Grosso e até mesmo de outros lugares do país, como Goiás e Minas Gerais. Sempre é chamada para reuniões de aconselhamento entre os seus familiares, mesmo os mais distantes. Também é consultada sobre questões referentes aos inúmeros aspectos culturais e identitários Calon, como as leis do casamento, do luto e do funeral, o que a torna, definitivamente, uma mestra da cultura popular cigana mato-grossense e brasileira.

Em 2011, Maria Divina participou do filme documental É Kalon – Olhares Ciganos (35’), que foi patrocinado pelo Fundo Estadual de Cultura de Mato Grosso. E em 2015, foi lançado o curta-metragem “Uma Família Cigana”, que conta a história de sua família, com foco nela e em sua mãe, D. Lourdes. Entre 2014 e 2018, Diva foi uma das principais interlocutoras da tese de doutorado “Produção Social dos Sentidos em Processos Interculturais de Comunicação & Saúde: a apropriação das políticas públicas de saúde para ciganos no Brasil e em Portugal”, defendida na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz, Rio de Janeiro) em agosto de 2018. O trabalho foi vencedor do prêmio Compós – Eduardo Peñuela de teses e dissertaçãoes 2019 como melhor tese de comunicação do país, concedido pela Compós – Associação Nacional de Cursos de pós-graduação em comunicação; e recebeu menção honrosa no prêmio Fiocruz de teses 2019.

Desde 2017, Diva é membro fundadora e uma das principais representantes da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), uma instituição sem fins lucrativos, que foi criada neste mesmo ano e é filiada à Associação Nacional das Etnias Ciganas (ANEC), cuja sede é em Brasília. Também em 2017 Diva participou do longa-metragem etnodocumental, “Calon Lachon”, que está em fase de produção e registrou, além da comunidade mato-grossense, também uma comunidade em Brasília, diversas comunidades Calon de nove cidades portuguesas e a peregrinação de Santa Sara Kali, que ocorre todo ano no dia 24 de maio na cidade francesa de Saintes-Maries-De-La-Mer. A produção está em fase de edição e vai ser lançada em 2019, tendo a raizeira como uma das principais personagens.