Musicista, cantora, pesquisadora e
ativista de etnia Rom-kalderash fala com exclusividade sobre o lançamento dos
seus novos projetos
Na próxima terça-feira (01.02), os amantes das artes
ciganas têm um encontro marcado: às 19h (horário de mato Grosso) acontece o
segundo episódio do Programa de entrevistas para web Odova Romani – Vozes
Ciganas, com a ilustre presença da convidada internacional, Aline Miklos, que
entrará na live direto de Buenos Aires, Argentina.
Entre outros temas abordados no programa, a cantora falará
sobre a repercussão e o sucesso que o seu novo CD, Kalo Chiriklo, tem feito,
após o lançamento no segundo semestre do ano passado. Aline também falará sobre
o seu trabalho desenvolvido no ativismo cigano nacional e internacional. O
programa acontece nas páginas do insta do apresentador @aluiziodeazevedo e da
convidada @alinemiklos.
“Este encontro do Programa Odova Romani, de alguma
forma, revive as lives que realizamos no Coletivo Orgulho Romani, durante o
primeiro ano da pandemia, quando entrevistamos vários ativistas e artistas ciganos
de Brasil, Portugal e Espanha, também produzindo conteúdo bastante qualificado
e com foco na autorrepresentação cigana”, comenta o apresentador do programa
Aluízio de Azevedo.
A estreia do programa ocorreu no dia 27 de janeiro
(quinta-feira), com a presença da diretora de mulheres da Associação Estadual
das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), Nilva Rodrigues Cunha. A parte 1
da conversa pode ser conferida aqui e a parte 2 aqui.
A terceira e última convidada da temporada será a presidente
da AEEC-MT e produtora cultural do projeto “Diva e as Calins de Mato Grosso:
Ontem, Hoje e Amanhã”, aprovado na lei Aldir Blanc, Fernanda Caiado. A
entrevista ao vivo com Fernanda vai ao ar no dia 08 de fevereiro (Terça-feira),
às 19h no canal do Insta dos dois convidados.
Odova Romani – Vozes Ciganas é patrocinado pelo Edital
Movimentar da Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso
(SECEL-MT) e tem como objetivo ser uma janela para que mestres da cultura
cigana e artistas romanis possam apresentar suas manifestações e produções
culturais e imateriais.
Gabi Marques realizou doutorado sobre a relação entre a mídia e a comunidade cigana na Espanha
A mídia e a ciência são dois campos
importantes da sociedade moderna que constroem cotidianamente conhecimento e
conteúdos que formam a opinião dos sujeitos e definem alguns parâmetros sobre o
que é ser cidadão ou cidadã.
Estes dois campos, com algumas exceções, estão à
serviço das classes dominantes reforçando processos que aprofundam
desigualdades decorrentes de um modelo patriarcal, racista, classista,
homofóbico e colonial de sociedade. Neste sentido, não é difícil encontrar
exemplos sobre como a ciência e a mídia representam e refletem sobre as
mulheres ciganas em diferentes contextos históricos e geográficos.
No primeiro caso, o racismo
científico contribuiu para construir a ideia de inferioridade do povo cigano.
Para estes autores, a situação sócio-econômica em que se encontram muitas
destas comunidades é consequência do seu modo de vida, de sua cultura, e não
dos processos de perseguição, discriminação e pauperização a que são submetidas
ao longo da história.
Nestas reflexões, o povo cigano é sempre colocado em
contraste e oposição a um padrão de sociedade que segue as normas culturais
brancas como um modelo, valorizando e dando poder a tudo que vem delas.
Somada a esta representação geral do
povo cigano, temos a contribuição da arte e dos meios de comunicação na
construção da imagem da mulher cigana por meio da literatura, da música, do
cinema e do jornalismo difundidos em diferentes meios e suportes. Aqui, a
mulher cigana é vista, principalmente, de duas maneiras.
Por um lado, a figura
da mulher hipersexualizada, atraente, sensual e de uma beleza ligada ao
“exótico”. Por outro, há a infantilização da mulher cigana, frágil, submissa,
que precisa ser salva, sendo esta visão reforçada também por mulheres
não-ciganas em movimentos feministas maioritariamente brancos.
Tudo isso nos leva a falar sobre o
conceito de interseccionalidade, criado pela pensadora negra Kimberlé Crenshawh
há mais de 30 anos, pensando em como o racismo, o patriarcado e a opressão de
classe têm consequências estruturais na vida de determinadas mulheres que
enfrentam uma situação de vulnerabilidade e desigualdade que lhes dificulta
ainda mais o acesso a bens sociais e coletivos.
Esta realidade nos mostra como a
ciência e a mídia precisam ser repensadas e apropriadas para a construção de
discursos que levem em consideração a ancestralidade a que estas mulheres estão
ligadas, bem como sua cultura e sua história, para a construção de um futuro
onde as mulheres ciganas possam garantir sua autonomia a partir da sabedoria de
seu povo.
Gabriela
Marques Gonçalves - jornalista, professora e pesquisadora, com doutorado
pela Universidad Autónoma de Barcelona (Espanha) pesquisando o consumo
mediático e cultural da população cigana da Catalunha, Membro do coletivo Orgulho Romani.
No próximo dia 25 de
janeiro (terça-feira), às 19h, no Cine Teatro Cuiabá, os amantes das artes, da
cultura e sensibilizados com as questões da imigração negra e da vida cigana,
terão a oportunidade de assistir dois produtos audiovisuais que abordam esses
temas: o curta metragem “Intersecção – A História de Quem Migra” e a minissérie
em cinco episódios “Diva e as Calins de MT”.
As obras audiovisuais
foram produzidas pela Kaiardon Produções e patrocinadas pela lei Aldir Blanc,
da Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (SECEL-MT),
por meio dos editais MT Nascentes e Conexão Mestres da Cultura,
respectivamente.
Dirigido por Rodrigo
Zaiden (Chapada dos Guimarães-MT), com direção de fotografia de Maira Zenun
(Lisboa – Portugal) e produção executiva de Rauta (Belo Horizonte-MT); “Intersecção
– A História de Quem Migra” aborda a imigração negra e seus cruzamentos em
Cuiabá e Lisboa.
Já Diva e as Calins de
Mato Grosso é realizada pela Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato
Grosso (AEEC-MT), com direção de Aluízio de Azevedo, direção de fotografia de
Karen Ferreira e produção executiva, de Fernanda Caiado e Lucélia Márcia
Pereira de Lima.
A minissérie é um dos
produtos transmídias do projeto “Diva e as Calins de Mato Grosso: Ontem, Hoje e
Amanhã”, que premiou a raizeira e benzedeira cigana, Maria Divina Cabral, a
Diva, como mestra da cultura mato-grossense. E retrata a história de vida de
Diva e outras quatro mulheres ciganas, Nerana, Irandi, Terezinha e Nilva, todas
de sua idade e também consideradas como mestras da cultura cigana da etnia
Calon.
Serviço
O que:
Lançamento do curta metragem “Intersecção – A História de Quem Migra” e da
minissérie “Diva e as Calins de MT”
Onde: Cine
Teatro Cuiabá
Quando:
25 de janeiro (terça-feira)
Horário:
19h
Entrada:
1 kg de alimento não perecível
Texto: Assessoria para Ciência
e Comunicação da AEEC-MT e Kaiardon Produções
Em cinco capítulos, a obra enfoca na Mestra da cultura mato-grossense, Maria Divina Cabral, a Diva (cartaz) e será lançada no Cine Teatro Cuiabá, às 19h
Minissérie Diva e as Calins de MT
aborda a medicina romani, manifestações culturais e memórias de cinco ciganas que
vivem em MT
Em dezembro de 2020, a raizeira e
benzedeira cigana, Maria Divina Cabral, a Diva, 67 anos, foi premiada pela
Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (SECEL-MT),
como mestra da cultura mato-grossense. A calin, modo como as mulheres ciganas
do tronco étnico Calon se autodenominam, foi uma das 70 vencedoras do Edital
Conexão Mestres da Cultura, da Lei Aldir Blanc, com o projeto “Diva e as Calins
de Mato Grosso: Ontem, Hoje e Amanhã”.
Treze meses depois, o projeto,
proposto pela Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT),
encerra com chave de ouro lançando no próximo dia 25 de janeiro, às 19h, no
Cine Teatro Cuiabá, o seu quarto e último produto: a minissérie para a web,
Diva e as Calins de Mato Grosso. Em cinco episódios, a série traz a força, a
beleza e a sabedoria das mulheres
calins, que tanto estruturam suas famílias e comunidades, quanto fazem a
diferença na realidade social do Estado e do país.
Cada episódio enfoca na história de vida de uma mulher
cigana: Diva, sua tia e três primas. Mulheres, que como a raizeira, também são
mestras da cultura cigana, que se ramifica em inúmeros outros elementos
culturais, a exemplo da união familiar, da liderança política, da língua e da
filosofia de vida.
“Em seu conjunto, “Diva e as Calins de MT” aborda aspectos que tange ao
passado, como a vida rural e nômade nas barracas, mais próxima à natureza; os
modos de organização social nas cidades e filosófica que se hibridizam ou
confrontam o estilo de vida das sociedades mato-grossense/brasileira nos dias
de hoje; ou ainda a visão que as mulheres Calins almejam conquistar e/ou
conservar como traços identitários e culturais no futuro”, explica a presidente
da AEEC-MT e produtora executiva do projeto, Fernanda Caiado (de vestido amarelo florido no cartaz).
A Diretora de Mobilização e Assistente Social Terezinha Alves (vestido creme ao centro) é uma das cinco mulheres que tem suas histórias contadas na série
“Queremos romper com
paradigmas racistas e machistas, a partir de um material transmidiático,
baseado em múltiplas linguagens e ancorado no diálogo com as participantes e nos
modos como elas queriam ser representadas”, explica a diretora de fotografia,
Karen Ferreira. “Unindo as artes e a tecnologia, registramos e fortalecemos os
conhecimentos tradicionais ciganos, que são transmitidos oralmente; por meio de
uma interlocução com Diva e suas parentas - mãe, filhas, netas, bisnetas e
primas, que vivem em três municípios: Rondonópolis, Cuiabá e Tangará da Serra”,
complementa, o diretor e roteirista, Aluízio de Azevedo.
Episódios - O
primeiro episódio adentra ao universo romani trazendo como foco a história de
Diva, que nasceu a 25 de setembro de 1954, em uma barraca, num acampamento na
cidade de Mineiros (GO). Filha de Lázaro
Alves Pereira e Lourdes Rodrigues Pereira, casou-se dentro da tradição cigana,
com o seu primo (filho da irmã do pai), Jair Alves Cabral, construindo e
mantendo um profundo conhecimento da filosofia Calon e seu sistema de ação e
organização sociocultural.
A mestra viveu boa parte de sua vida nos lombos dos
cavalos, trafegando pelos Estados da região Centro-oeste, até fixar residência
com a família e parte de sua comunidade no município de Rondonópolis (a 210 km
ao sul de Cuiabá), onde se concentra a maior comunidade cigana de MT – 150
pessoas. Atualmente, a calin mora em uma modesta residência de apenas três
cômodos, na Vila Poroxo e ajuda a todos que chega com rezas, benzeções,
aconselhamentos e remédios naturais. O principal deles é garrafada, composta
por diversidade de raízes do cerrado, indicada para várias enfermidades.
O segundo episódio traz as narrativas da assistente
social Terezinha Alves (Cuiabá). Prima de Diva, também nascida em uma barraca,
ela foi a primeira calin em MT a cursar o ensino superior, graduando-se em
serviço social na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Uma das
fundadoras e diretora de mobilização da AEEC-MT, Terezinha atualmente
representa os povos ciganos como conselheira do Conselho Nacional de Igualdade
Racial (CNPIR), bem como no Comitê Estadual dos Povos e Comunidades
Tradicionais de Mato Grosso (CEPCT-MT).
O terceiro episódio aborda a história da ativista e
negociante, Nilva Rodrigues Cunha (cartaz acima), que reside em Rondonópolis. Prima-irmã de
Diva; ela é diretora de mulheres da AEEC-MT, é ativista política há mais de 30
anos e uma das principais mantenedoras da tradição cigana no aspecto dos trajes
tradicionais femininos. Nilva domina a língua cigana e é uma contadora de
histórias natas, transformando-se numa referência de luta e articulação
política dentro e fora da comunidade cigana mato-grossense.
O quarto episódio enfoca nas memórias da professora
aposentada, Irandi Rodrigues Silva, de Cuiabá-Tangará da Serra (Cartaz abaixo), exemplo de
superação de todas as barreiras da exclusão e dos estereótipos acerca das
mulheres ciganas. Prima-irmã de Diva, Irandi aprendeu a ler e a escrever o nome
aos 8 anos, com um graveto no chão, após uma moça não cigana casar-se com o seu
tio acompanhar o grupo e ensiná-la. O primeiro contato com lápis e caderno foi
aos 13 anos, quando o pai contratou essa tia para ensiná-la e os seis irmãos o
básico da escrita em casa. Após casar-se estudou, graduou-se e trabalhou 25
anos alfabetizando numa escola estadual.
O quinto e último episódio traz a história de vida da
agricultora Venerana Rodrigues Pereira (Tangará da Serra). Tia de Diva, Tia
Nerana, como é mais conhecida, é casada com Eurípedes Alves Pereira, é uma das
mais respeitadas matriarcas calin em MT. Reconhecida pela amorosidade, pela
generosidade e as mãos boas para as plantas, tia Nerana fala sobre como era a
vida das mulheres ciganas no passado e como elas atualmente, conseguem estudar
e se empregam no mercado de trabalho formal.
A Agricultora Venerana Rodrigues Cunha estrela um dos cinco episódios da minissérie, que será disponibilizada na plataforma do projeto: www.galeriacalin.com
Produtos e o projeto – “Diva
e as calins de Mato Grosso: Ontem, Hoje e Amanhã” visa fortalecer a cultura
cigana mato-grossense, por meio da realização de atividades que reconhecem os
saberes das mulheres da etnia Calon, Assim, além de condecorar Diva como mestra da cultura e um prêmio
de R$ 20.000,00 e realizar a websérie, o projeto em torno da raizeira cigana
realizou também outros três produtos.
O segundo produto
cultural foi o “I Encontro de Mulheres Ciganas de Mato Grosso”. Realizado em
abril, o evento contou com a participação de Diva e outras 14 mulheres do seu
ciclo de convívio, que vivem na cidade de Rondonópolis-MT, local de realização
do evento. O encontro contou com duas oficinas que giraram em torno dos saberes
da Mestra Diva, que ensinou às outras mulheres participantes os princípios da
medicina cigana, incluindo fazer uma garrafada à base de ervas do cerrado.
O Encontro foi utilizado
como disparador para auxiliar tanto na realização da série, quanto no terceiro
produto: a exposição virtual multimídia “Calin”, que pode ser acessada no link www.galeriagalin.com.
Todos estes produtos são ancorados nesta plataforma virtual, que é o quarto
produto, agregando também ao sítio eletrônico da Associação Estadual das Etnias
Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), garantindo a continuação e a divulgação do
projeto.
Vem aí o primeiro
programa de entrevistas feito por e para os povos ciganos
“Odova Romani –
Vozes Ciganas” é um programa de entrevistas para web que visa produzir conteúdo
multimídia de qualidade acerca do universo cigano/romani. O projeto tem como
foco a criação de espaço comunicacional para que artistas romanis apresentem os
seus trabalhos, obras e produtos dos variados campos artísticos como dança,
música, cinema, artes plásticas, artes visuais, literatura etc.
Selecionado no Edital
Movimentar da Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso
(SECEL-MT), também é um espaço em que mestres das culturas ciganas podem
apresentar/comentar sobre seu patrimônio imaterial e cultural. A exemplo das
manifestações populares e tradicionais, festas de casamento e santo; aspectos
identitários, modos de organização social.
Podendo ser traduzido na
língua romanon, do tronco Calon, como “outro ou outra cigana”, o programa será
ancorado pelo cigano mato-grossense desta etnia, Aluízio de Azevedo e contará
com três episódios.
A ideia é levar
informações qualificadas às pessoas romanis, que ao se verem representadas
podem rever e reafirmar valores, culturas e modos de vida. O projeto, que tem
como parceira a Asssociação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso
(AEEC-MT), objetiva a visibilização da diversidade de artistas e mestres
romanis, bem como a multiplicidade de manifestações culturais e etnias ciganas.
Já o público não-cigano
terá a oportunidade de ver representações não estereotipadas ou preconceituosas
acerca do universo romani, descontruindo esse imaginário social negativo dos
brasileiros e mato-grossenses acerca dos troncos étnicos romanis.
“O programa traz uma
conversa leve e descontraída, de aproximadamente uma hora; cuja linha narrativa
fluirá de forma com que @s convidad@s expressem livremente o que pensam sobre
si mesmos e o mundo ao qual pertencem. Além, é claro de falar sobre a relação
com o universo não-cigano”, explica Aluízio.
Convidadas - Os
episódios ocorrerão em terças-feiras seguidas, sempre às 19h (horário de MT) e contam
com a presença de três mulheres ciganas bastante expressivas.
A primeira delas ocorrerá
no dia 27 de janeiro (quinta-feira) com a mestre da cultura cigana, corretora e
ativista, Nilva Rodrigues Cunha, que reside no município de Rondonópolis. Do
tronco étnico Calon, ela é diretora da AEEC-MT e recentemente foi uma das
personagens principais da minissérie “Diva e as Calins de Mato Grosso”,
aprovado no edital da Lei Aldir Blanc (SECEL-MT).
Ativista Nilva Rodrigues Cunha
A segunda convida será
Aline Miklos, no dia 01 de fevereiro. Cantora, compositora, pesquisadora e
ativista cigana da etnia Rom-Kalderash, que acabou de lançar o trabalho
multiartístico “Kalo
Chiriklo”. Brasileira, tendo residido na França e atualmente,
em Argentina, Aline é uma das principais ativistas romanis sul-americanas e
mantém um diálogo com a Seção de Povos Indígenas Minorias e o Escritório de
Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU).
A cantora, compositora e pesquisadora Aline Miklos
Encerrando o programa no
dia 08 de fevereiro, a convidada será a presidente da AEEC-MT, Fernanda Caiado,
que nos últimos cinco anos dirigindo a instituição conquistou um espaço
importante no movimento cigano brasileiro. Fernanda foi produtora executiva do
projeto Diva e as calins de Mato Grosso.
Fernanda Caiado, presidente da AEEC-MT fecha a primeira temporada do programa Odova Romani
Apresentador –
Da etnia Calon, Aluízio de Azevedo é cineasta, roteirista, poeta, artista
plástico e pesquisador. Especialista em cinema, mestre em educação ambiental e
mitologias ciganas (UFMT) e doutor em comunicação e saúde das comunidades
ciganas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz – RJ).
Apresentador Aluízio de Azevedo
Sua investigação de
doutorado que utilizou o método fílmico, recebeu o prêmio Eduardo Peñuela de
melhor tese em comunicação do ano de 2019, concedido pela Associação Nacional
dos Programas de Pós-graduação em Comunicação (Compós) e menção honrosa no
prêmio Fiocruz de teses 2019.
O programa conta também
com a produção e direção de arte de Rodrigo Zaiden.
Assessor para Ciência e Comunicação, publica o texto “Decolonizando
a cultura cigana: um ensaio sobre a autorrepresentação e a identidade cigana”
A revista International Journal Of Roma Studies acaba
de publicar o seu terceiro número deste ano. E entre os artigos trazidos pela
publicação científica consta um texto do assessor para ciência e comunicação da
Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), Aluízio de
Azevedo.
Com o título “Decolonizando a Cultura Cigana: um
ensaio sobre a autorrepresentação e a identidade cigana”, Aluízio aborda no
trabalho a decolonização do conceito de “cultura cigana” e do próprio conceito de
“ciganos” e a importância da autorrepresentação para o rompimento de
estereótipos e preconceitos criados e mantidos no imaginário ocidental sobre as
pessoas romani.
A partir de um mirante teórico dos estudos culturais
latino-americanos, Aluízio propõe sair do conceito tradicional de cultura, para
pensar as relações interculturais, isto é, o contato entre ciganos e
não-ciganos. Além disso, o artigo propõe uma perspectiva decolonial à essa
identidade genérica “cigana”, pensando a como uma luta anticolonial e numa
dimensão política.
A Mestra da Cultura Mato-grossense e mestra da medicina tradicional cigana, Maria Divina Cabral, a Diva, é uma das principais fotografadas para a Exposição Multimídia Calin
A
resistência, a diversidade e a beleza das mulheres ciganas do tronco étnico
Calon que pertencem as comunidades romanis de três municípios: Rondonópolis,
Cuiabá e Tangará da Serra. Este é o tema central que os interessados no
universo romani poderão conferir na Exposição Multimídia Calin, disponível para
ser acessada no link: https://galeriacalin.com.
A
exposição “Calin” é um dos produtos transmídias que integram o projeto “Diva e
as Calins de Mato Grosso: Ontem, Hoje e Amanhã”; aprovado no edital Conexão
Mestres da Cultura, da Lei Aldir Blanc, da Secretaria de Estado de Cultura,
Esportes e Lazer de Mato Grosso (SECEL-MT). Proposto pela Associação Estadual
das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), o projeto homenageia a raizeira e
benzedeira cigana, Maria Divina Cabral, a Diva, como Mestra da cultura
mato-grossense.
Trata-se
da primeira exposição multimídia com foco no universo das mulheres ciganas do
tronco étnico calon no país. Ao trazer as “Calins de Mato Grosso”, o projeto
visa mostrar a diversidade das mulheres ciganas que vivem no Estado, registrar
e valorizar seus valores, tradições e saberes. Também é uma forma de combater
estereótipos e preconceitos sobre as mulheres ciganas.
A negociante Cleide Alves Cabral é filha da Mestra Diva e uma das participantes da Exposição Calin
“O
material multimídia exposto é resultado de um encontro sutil e delicado entre
nossa equipe e o modo como nos vemos, nos mostramos e, principalmente, queremos
ser vistas. Assim, brindamos o público com novas autorrepresentações do
universo romani, especialmente, do tronco étnico Calon. Esperamos que a
plataforma se transforme numa referência nacional, quiçá internacional”, comemora
a presidente ada AEEC-MT e coordenadora geral do projeto, Fernanda Alves Caiado.
O
trabalho registrou mulheres de diferentes idades, propondo novas possibilidades
do que é ser calin, cigana, mulher, mato-grossense, brasileira... A exposição
une as famílias de Maria Divina Cabral, a Mestra Diva e suas parentas Nerana
(Tangará da Serra), Irandi (Cuiabá), Terezinha (Cuiabá) e Nilva (Rondonópolis),
mulheres que também consideramos como mestras da cultura cigana, pois conservam
os saberes, as filosofias e as identidades da cultura cigana.
A estudante de administração da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Taize Aracelli Caiado Siqueira
Conceito
-
Em fotos, vídeos e textos, “Calin” vislumbra a criação de novas narrativas para
que mais e mais mulheres ciganas se inspirem e possam criar os próprios caminhos.
O site é composto por menus explicativos apresentando a exposição, o projeto, a
mestra Diva, as mulheres que participam do trabalho; bem como traz vídeos e
links para o blog e redes sociais da AEEC-MT.
“Apresentamos
um universo ora onírico, ora de realidade, que se revela através da compreensão
feminina de uma cultura milenar de resistência, cuja medicina tradicional se
baseia na natureza. Como as raízes profundas das árvores retorcidas e sertanejas
do cerrado, que resistem ao fogo e a seca, produzindo flores e frutos; as
mulheres ciganas produzem cultura e cura que precisam chegar a mais e mais
pessoas, ainda mais nesses tempos em que vivemos de pandemia, em que a saúde
tornou-se uma questão central”, enfatiza a fotógrafa e curadora, Karen
Ferreira.
A odontóloga Lara Karoline Alves Teixeira e sua filha Laura Teixeira Locatelli – Tangará da Serra
“Calin”
é o modo como as mulheres do tronco étnico Calon se autodenominam. Assim, o
nome da exposição, que também vai no projeto, é também uma forma de promover e
valorizar os saberes ancestrais das mulheres ciganas mato-grossenses.
“A
escolha por este nome sintetiza a desconstrução da palavra “cigana”, na busca
por uma produção em artes visuais dialógica, que de fato represente as Calins a
partir de suas percepções e modos de ver e viver a vida, enquanto ciganas,
trabalhadoras, ativistas, estudantes... Este é um trabalho muito importante
para a quebra de preconceitos e estereótipos que historicamente estiveram
associados às ciganas, mas que são equivocados e racistas” conclui o diretor de
arte e curador da exposição, Rodrigo Zaiden.
Nilva Rodrigues Cunha - Rondonópolis
Produtos
transmídia - A
plataforma virtual da exposição conta com uma abertura que se baseia na
bandeira cigana, cuja roda vermelha que demarca o seu centro, dividindo a parte
azul celeste acima, da verde abaixo. A Galeria Calin abrange quatro salas
principais, a primeira delas, “Diquela Calin”, é composta por 34 fotografias e
abre o site após a abertura animada.
As
outras salas são “Tali Lachin”, “Lage no Mui” e “I Encontro de Mulheres Ciganas
de Mato Grosso”. Este último evento é outro dos produtos transmídias do projeto
“Diva e as Calins” e ocorreu entre os dias 22 e 24 de abril de 2021, em
Rondonópolis, ocasião em que a Mestra Diva ministrou oficinas sobre medicina
tradicional cigana para 15 mulheres das comunidades ciganas de Rondonópolis e
de Cuiabá.
Audelena Dias Cabral é coordenadora do grupo de danças Tradição Cigana - Rondonópolis
O
terceiro e último produto transmídia do projeto Diva é a websérie “Diva e as
Calins de MT”, cujo teaser também está linkado no site da exposição, em
conjunto com outros pequenos vídeos. A websérie é composta por cinco episódios,
com cinco minutos, sendo que cada um deles traz uma mulher cigana, sendo o
primeiro deles, a mestra Diva. As outras mulheres abordadas nos quatro
episódios são: Nerana, Irandi, Terezinha e Nilva.
A resistência, a diversidade e a
beleza das mulheres ciganas do tronco étnico Calon que pertencem às comunidades
romanis de 3 municípios: Rondonópolis, Cuiabá e Tangará da Serra. Este é o tema
central da Exposição Multimídia Calin, disponível para ser acessada no link: https://galeriacalin.com.
A exposição “Calin” é um dos produtos transmídias que
integram o projeto “Diva e as Calins de Mato Grosso: Ontem, Hoje e Amanhã”;
aprovado no edital Conexão Mestres da Cultura, da Lei Aldir Blanc, da
Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (SECEL-MT).
Proposto pela Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT),
o projeto homenageia a raizeira e benzedeira cigana, Maria Divina Cabral, a
Diva, como Mestra da cultura mato-grossense.
Essa é a primeira exposição
multimídia com foco no universo das mulheres ciganas do tronco étnico calon no
país. Ao trazer as “Calins de Mato Grosso”, o projeto visa mostrar a
diversidade das mulheres ciganas que vivem no estado, registrar e valorizar
seus valores, tradições e saberes. Também é uma forma de combater estereótipos
e preconceitos sobre as mulheres ciganas.
“O material multimídia
exposto é resultado de um encontro sutil e delicado entre nossa equipe e o modo
como nos vemos, nos mostramos e, principalmente, queremos ser vistas. Assim,
brindamos o público com novas autorrepresentações do universo romani,
especialmente, do tronco étnico Calon. Esperamos que a plataforma se transforme
numa referência nacional, quiçá internacional”, comemora a presidente ada
AEEC-MT e coordenadora geral do projeto, Fernanda Alves Caiado.
O trabalho registrou
mulheres de diferentes idades, propondo novas possibilidades do que é ser calin,
cigana, mulher, mato-grossense, brasileira. A exposição une as famílias de
Maria Divina Cabral, a Mestra Diva e suas parentas Nerana (Tangará da Serra),
Irandi (Cuiabá), Terezinha (Cuiabá) e Nilva (Rondonópolis), mulheres que também
consideradas mestras da cultura cigana, pois conservam os saberes, as
filosofias e as identidades da cultura cigana.
Conceito
Mestra Diva ministra oficina de medicina tradicional cigana no I Encontro de Mulheres Ciganas de MT ocorrido entre os dias 22 e 24 de abril, em Rondonópolis
Em fotos, vídeos e
textos, “Calin” vislumbra a criação de novas narrativas para que mais e mais
mulheres ciganas se inspirem e possam criar os próprios caminhos. O site é
composto por menus explicativos apresentando a exposição, o projeto, a mestra
Diva, as mulheres que participam do trabalho; bem como traz vídeos e links para
o blog e redes sociais da AEEC-MT.
“Apresentamos um universo
ora onírico, ora de realidade, que se revela através da compreensão feminina de
uma cultura milenar de resistência, cuja medicina tradicional se baseia na
natureza. Como as raízes profundas das árvores retorcidas e sertanejas do
cerrado, que resistem ao fogo e a seca, produzindo flores e frutos; as mulheres
ciganas produzem cultura e cura que precisam chegar a mais e mais pessoas,
ainda mais nesses tempos em que vivemos de pandemia, em que a saúde tornou-se
uma questão central”, enfatiza a fotógrafa e curadora, Karen Ferreira.
“Calin” é o modo como as
mulheres do tronco étnico Calon se autodenominam. Assim, o nome da exposição,
que também vai no projeto, é também uma forma de promover e valorizar os
saberes ancestrais das mulheres ciganas mato-grossenses.
“A escolha por este nome sintetiza a
desconstrução da palavra 'cigana', na busca por uma produção em artes visuais
dialógica, que de fato represente as Calins a partir de suas percepções e modos
de ver e viver a vida, enquanto ciganas, trabalhadoras, ativistas,
estudantes.Este é um trabalho muito importante para a quebra de preconceitos e
estereótipos que historicamente estiveram associados às ciganas, mas que são
equivocados e racistas” conclui o diretor de arte e curador da exposição,
Rodrigo Zaiden.
Para saber mais sobre o projeto “Diva e as Calins de Mato
Grosso: Ontem, Hoje e Amanhã”, acesse a plataforma da Exposição Multimidia Calinou o Blog da AEEC-MT.
Não será necessário comprovante de domicílio no
cadastro do Cartão Nacional de Saúde
Em uma ação interministerial que integra ações nas
áreas de Saúde, Cultura, Educação, Direitos Humanos e Assistência Social em
benefício da população circense itinerante no Brasil, o Ministério da Saúde
amplia o acesso à saúde dessas populações ao identificar a itinerância no
Cartão Nacional de Saúde pelo aplicativo ConecteSUS Cidadão. Assim, pessoas em
situação nômade terão alcance aos serviços sem necessariamente comprovar
endereço.
Para anunciar essa e outras ações, a Secretaria
Especial da Cultura e a Funarte lançam a campanha interministerial “Respeitável
Circo!”, nesta quarta-feira (20). Durante o evento, a Funarte vai apresentar a
cartilha “Respeitável Circo!”, material que busca orientar agentes públicos e
instituições.
Normalmente, quando uma pessoa vai se consultar em uma
Unidade Básica de Saúde (UBS) é exigido comprovante de residência. Para essas
populações, como os circenses, isso acabava sendo uma barreira uma vez que a
itinerância é uma das principais características de sua cultura. Ou seja, essas
pessoas não conseguiam atendimento.
Agora, o Ministério da Saúde vai disponibilizar um
campo no ConecteSUS onde será possível identificar a pessoa, dispensando a
obrigatoriedade da apresentação do comprovante de residência.
A ação visa manter o cuidado contínuo dessas
populações no âmbito da Atenção Primária à Saúde e possibilitar o registro e
acompanhamento da população itinerante pelos profissionais de saúde e os
gestores.
A população circense brasileira compreende mais de 20
mil pessoas, distribuídas em cerca de 800 circos itinerantes de pequeno, médio
e grande porte nas cinco regiões do país.
“Respeitável Circo!”
A campanha interministerial tem a finalidade de
contribuir para o desenvolvimento da atividade artística circense no país e de
qualificar a intervenção dos agentes públicos dos municípios, estados e do
Distrito Federal, na implementação de ações regionais.
É de suma importância que as três esferas de governo -
União, estados e municípios - bem como a sociedade civil, se empenhem na
concretização das ações que visem ampliar a promoção, a atenção e o cuidado em
saúde das populações específicas e em situação de vulnerabilidade social,
materializando os princípios que alicerçam o Sistema único de Saúde (SUS).
Cartilha da campanha Respeitável Circo!
A cartilha da campanha "Respeitável Circo!"
procura facilitar o acesso do artista circense a programas de assistência
social, saúde, educação e, também, estimular o incentivo à formação de público.
Busca ainda auxiliar na redução dos empecilhos de ordem burocrática para a
montagem das lonas nas cidades por onde passam. Na cartilha, são esclarecidos
os direitos, deveres e principais necessidades desses artistas. Ela também
pretende conscientizar os gestores públicos e privados de que o circo é uma
atividade artística e cultural reconhecida por lei e que, como tal, deve ser
apoiada de várias formas.