segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Como os povos ciganos ajudaram a construir a identidade brasileira: ouça podcast do Jornal O Estado de Minas

 

Culinária, música e festas típicas: estudos mostram influências dos povos ciganos na construção da cultura brasileira, apesar de sofrerem apagamento histórico (foto: Soraia Piva/EM/D.A Press)

Por Izabella Caixeta*, 29/07/2022 10:20 - atualizado 29/07/2022 10:25

Ouça aqui o Podcast!

O Brasil é conhecido pela sua miscigenação e as influências de vários povos que migraram para o território nacional e ajudaram a construir o que hoje reconhecemos como identidade brasileira. Enquanto algumas referências culturais são exaltadas, outras sofrem apagamento, como é o caso da cultura cigana, que ajudou a moldar aspectos da música, da dança e da culinária.

Os primeiros registros de ciganos no Brasil são de 1574, quando o cigano João Torres, sua mulher e filhos foram degredados de Portugal para o Brasil. Em Minas Gerais, a presença cigana é notada a partir de 1718, vindos da Bahia, de onde chegaram deportados de Portugal.

Atualmente existem no Brasil três grupos ciganos: os Rom, os Sinti e os Calón. Cada grupo possui língua e costumes próprios. Dentro de cada grupo ainda é possível existir subgrupos. Sendo assim, o correto é denomina-los como povos ciganos.

"Há muitos pontos comuns entre os povos ciganos que nos ligam e nos levam esse nome de cigano como genérico. Assim como os povos indígenas são chamados de indígenas, um leque de etnias, os povos ciganos são da mesma forma", explica Aluízio de Azevedo, cigano da etnia Calón, jornalista e pesquisador das comunidades ciganas.

Presença cigana na cultura brasileira

Aluízio explica que muito do que se acredita ser herança portuguesa é, na verdade, herança cigana Calón, que pode ser observada em diversos aspectos da sociedade nos dias de hoje.

Comidas muito tradicionais mineiras, como o feijão tropeiro, galinhada e as carnes secas, são típicas de culturas nômades. "A própria carne de porco, que é uma especialidade de todos os povos ciganos - não só dos ciganos Calón, aí eu amplio para todos em todos os lugares do mundo -, é uma grande especialidade. E a comida mineira tem na base dela a carne de porco em todas as formas", conta Aluízio.

Na música já foram identificadas influências ciganas na moda de viola, por exemplo, mas também no sertanejo e até mesmo no ritmo mais nacional de todos: o samba. Uma tese de doutorado do professor Samuel de Araújo comprova por meio de pesquisas, fotos, textos e relatos que os ciganos ajudaram na construção do samba.

Além disso, na dança temos o exemplo da catira, uma dança que bate as botas no ritmo da música, muito típica em Minas Geris e Goiás, muito próxima do flamenco e dança espanhola, também de origem cigana.

É possível que tenham influências dos ciganos Calón também na tradicional festa junina. Aluízio observa uma semelhança entre as Festas de Santo, muito comuns em comunidades ciganas, no casamento cigano e na festa junina. Os trajes usados na festa popular, tanto por homens quanto por mulheres - cinto, bota e chapéu para os homens e vestido rodado colorido e com fitas para as mulheres-, se parecem com roupas tradicionais da etnia Calón.

Além das comidas típicas feitas de milho e a fogueira serem pontos muito presentes em casamentos ciganos, cerimônia interpretada durante as quadrilhas juninas.

"Acredito que essas coisas foram todas apagadas ao longo da história e precisam vir à tona. Precisam ser reconhecidas. Porque nós contribuímos para história do Brasil, para a identidade nacional e nós somos invisibilizados, nos livros didáticos, dos currículos, dos livros de história. E quanto somos abordados é de uma forma preconceituosa", afirma Aluízio.

O que é ser cigano?

"Ser cigano é nascer cigano. É uma origem étnica, uma descendência, se passa de pai para filho, mãe para filho, avós para netos... não é uma coisa que você possa se tornar cigano, é uma coisa hereditária, ancestral", conta Aluízio.

"Acredito que essas coisas foram todas apagadas ao longo da história e precisam vir à tona. Precisam ser reconhecidas. Porque nós contribuímos para história do Brasil, para a identidade nacional e nós somos invisibilizados": Aluízio de Azevedo, cigano da etnia Calón, jornalista e pesquisador.

Apesar das diferenças culturais entre as tinias ciganos, com seus próprios costumes, língua e vestimentas tradicionais, existem pontos em comum para que sejam considerados cigano. Aspectos com o nomadismo, morar em barracas, semelhanças na forma tradicional de viver, na organização familiar e na valorização da família e do grupo estão presentas nas três etnias. Além disso, a perseguição, o racismo e a exclusão social também é comum a todos os povos ciganos.

Origens dos povos ciganos

Não é possível traçar a origem dos povos ciganos até sua formação, os primeiros registros datam do século 10 e em Portugal há registros do século 15. "Nós não somos povos originalmente europeus, aliás, há uma dúvida quanto a essa origem. Se seria do Egito ou se seria da Índia. A memória oral cigana fala Egito, as pesquisas acadêmicas falam Índia: talvez as duas coisas. O fato é que não são povos europeus", afirma Aluízio.

Os Calón tiveram longa permanência com a Península Ibérica, de onde vieram deportados para o Brasil durante quase 300 anos. Sendo assim, a língua Caló tem muita influência do português e do espanhol. Os povos Rom tem longa convivência com países do leste europeu, como Romênia e Croácia, e os Sinti estão mais localizados na Europa Central, como Alemanha, Itália e França.

Existe um tronco ancestral comum entre as línguas, como o latim está para o português, espanhol, italiano e francês. Mas assim como ocorre com as línguas latinas, as diferenças chegam ao ponto de serem completamente diferentes e um povo não entender a língua do outro.

O ponto em comum é que todas são línguas apenas orais, não existindo na forma escrita. Costumes, histórias e conhecimentos no geral são passados oralmente para os mais novos. Nas sociedades itinerantes e sem registros escritos, como os povos ciganos, seus próprios corpos carregam as memórias através do tempo.


Os povos ciganos e o nomadismo

Um dos pontos mais relacionados aos povos ciganos, o nomadismo, está fortemente relacionado à origem desses grupos, juntamente com a origem do preconceito e do racismo. Vários países ditaram leis proibindo "ser cigano": proibindo falar as próprias línguas, de andar em bando e expulsando dos territórios.

Aluízio conta que em Portugal, até a década de 2000, existia uma lei que proibia ciganos de fixarem um acampamento por mais de 72 horas no mesmo lugar, forçando-os a seguir adiante.

"O nomadismo foi mais uma condição social política, colocada pelos estados por onde nós passamos. Mas também, ao logo do tempo, foi tanto nos dado isso que a gente acabou incorporando isso e transformando em uma questão cultural", explica Aluízio.

Atualmente, mais de 80% dos ciganos brasileiros não são mais nômades. São itinerantes. A itinerância, diferentemente do nomadismo, tem uma rota pré-estabelecida e um mesmo ponto de partida e de chegada.

Estereótipos e preconceito

Existe um imaginário social comum de quando você fala que você é cigano as pessoas sempre colocam ciganos como perigosos, ladrões ou trapaceiros. Ou então questões ligadas ao misticismo: belas mulheres, leitura de mão ou de bolas de cristal.

Esse tem imaginário preconceituoso atravessa o racismo institucional e o próprio racismo estrutural. Hoje a maioria das comunidades ciganas estão em uma situação de exclusão social devido a essas leis persecutórias e ao imaginário negativo que ainda persiste.

"O nomadismo foi mais uma condição social política, colocada pelos estados por onde nós passamos. Mas também, ao logo do tempo, foi tanto nos dado isso que a gente acabou incorporando isso e transformando em uma questão cultural": Aluízio de Azevedo, cigano da etnia Calón, jornalista e pesquisador.

"Por eu ter uma cor mais clara e não me vestir a lá cigana no dia a dia, eu tenho uma certa passibilidade. Mas quando eu digo que sou cigano, dependendo da pessoa os olhares começam a mudar, elas se tornam mais vigilantes, vem sempre as piadinhas, as brincadeiras 'ah então lê a minha mão', ou então 'cigano é tudo rico', 'dono do ouro'. Alguma coisa espiritual também aparece", diz Aluízio.

Aluízio ainda conta que quando vai a alguma loja com a mãe ou a avó, existe uma vigilância das pessoas, como se esperassem serem roubadas, e afirma que essas situações são muito desgastantes.

"Todos os produtos simbólicos e culturais acabam reproduzindo isso de alguma forma né? Daí a importância que a mídia tem para poder combater esses estereótipos, quebrar esse racismo, mostrar que nós temos culturas valorosas, super antigas, com conhecimentos e inclusive reconhecidos como povos e comunidades tradicionais", aponta Aluízio.

*Estagiária sob supervisão do subeditor Rafael Alves

Ouça e acompanhe as edições do podcast DiversEM

Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/diversidade/2022/07/29/noticia-diversidade,1383156/como-os-povos-ciganos-ajudaram-a-construir-a-identidade-brasileira.shtml

sábado, 30 de julho de 2022

Alesp adia para setembro debate projeto que cria Estatuto dos Povos Ciganos

Nova data será divulgada em breve

A Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP) adiou para o mês de setembro reunião que ocorreria nesta terça-feira (02.08), às 19h, para debater projeto de lei do Senado (PLS) 248 de 2015, que cria o Estatuto Nacional dos Povos Ciganos. De autoria do senador Paulo Paim (PT), que já confirmou presença, o projeto foi aprovado em instância terminativa no Senado por Unanimidade no último dia 24 de maio – dia nacional dos Ciganos e agora tramita na Câmara Federal, com o número 1.387/22.

O debate foi cancelado pois ocorreria de forma híbrida, sendo presencial no auditório Teotônio Vilela e online, entretanto houve problemas para realizar a parte online.

O encontro é uma iniciativa do deputado Paulo Fiorilio, com o apoio da ANEC-DF e da Roda Cigana – Rede Humanitária, que é coordenada pela ativista e produtora cultural, Lu Ynaiah e congrega mais de 60 Organizações Não-governamentais (ONGs) e coletivos de vários segmentos, mas principalmente, dos povos ciganos.

Lideranças Ciganas de todo país participarão do evento. Entre elas, o Assessor para Ciência e Comunicação da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), Aluízio de Azevedo, também integrante da Roda Cigana e Conselheiro Nacional de Promoção de Igualdade Racial (CNPPIR).

Também já confirmaram presença no evento, o presidente da ANEC-DF, Wanderley da Rocha, o ativista e integrante da Roda Cigana - Rede Humanitária, Marcos Pantaleão (MG), as lideranças da comunidade cigana de Souza (PB), Francisco Alfredo Maia, Cícero Romão Batista, Francisco Vidal Pereira e Francisco Lacerda de Figueiredo e Cícero Romão; o músico e presidente da União Cigana do Brasil (UCB), Marcelo Vacite (RJ), Saulo Yanowich, da Federação Romani (RJ) e o professor doutor, Jucelho Dantas (BA).

Além das lideranças ciganas, ainda participarão no debate, o deputado Lindolfo Pires (PB) e os procuradores da república Luciano Mariz Maia (Distrito Federal), José Godoy (Souza – PB) e Walter Rothemburg (São Paulo - SP), contribuindo com o debate para a aprovação do Estatuto dos Povos Ciganos, que trará políticas afirmativas em todos os serviços cidadãos, como saúde, educação, cultura, esportes, trabalho, habitação, previdência social etc.

A tramitação do projeto 1387/22 pode ser acompanhada no site da Câmara dos Deputados aqui.

Texto: Assessoria de Comunicação AEEC-MT

sexta-feira, 29 de julho de 2022

Comunidade Cigana de Rondonópolis apresenta demandas ao Secretário Municipal de Cultura

 

Secretário Municipal de Cultura de Rondonópolis Pedro Augusto e as calins, Érica Rodrigues Cunha (esquerda), Nilva Rodrigues Cunha e Débora Rodrigues.

A diretora de Mulheres da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), Nilva Rodrigues Cunha, participou, na manhã desta quarta-feira (27.07), de reunião com o secretário municipal de Cultura de Rondonópolis, Pedro Augusto Carvalho.

Nilva e suas primas, as duas irmãs Débora Rodrigues e Érica Rodrigues Cunha, também integrantes da AEEC-MT, protocolaram junto à secretaria um ofício com as principais demandas da comunidade no município.

Entre as demandas, estavam: a concessão de um espaço para funcionamento da filial da AEEC-MT em Rondonópolis, a possibilidade de um convênio com a prefeitura municipal para funcionamento do local, bem como inclusão das famílias ciganas que residem no município, no programa de habitação e o apoio para a realização de projetos culturais desenvolvidos pela Associação.

Entre esses projetos, está a estruturação do Grupo de Danças Tradição Cigana, bem como a publicação de um livro sobre a trajetória e o trabalho da mestra da cultura mato-grossense e cigana, a raizeira e benzedeira, Maria Divina Cabral, que também é conhecida como Diva e mora há mais de 40 anos em Rondonópolis.

Na ocasião, o secretário Pedro deixou a Secretaria Municipal de Rondonópolis à disposição da comunidade cigana da cidade. Em suas palavras:

“A gente tem o maior prazer de receber a toda a comunidade cigana de Rondonópolis, em especial a AEEC, Asssociação das Etnias ciganas e vamos aproximar a nossa relação sim. O que a Secretaria puder ajudar, vai ajudar, porque nós temos interesse de manter essas culturas e a secretaria está à disposição dona Nilva, da Érica, da Débora, estive conversando com o Aluízio e a Fernanda, para todos vocês. A gente está se inteirando e tenho certeza que dessas conversas aqui vai sair bom fruto. E a secretaria está à disposição para receber vocês quando quiserem”.

Veja o vídeo da visita



Texto: Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

terça-feira, 19 de julho de 2022

Agência Câmara de Notícias: Proposta do Senado cria o Estatuto dos Povos Ciganos

Projeto torna obrigatória a coleta periódica de informações demográficas sobre essa população

Ciganos continuam excluídos, afirma senador que é autor da proposta de estatuto

Fonte: Agência Câmara de Notícias, 18/07/2022 - 15:08  

O Projeto de Lei 1387/22, já aprovado pelo Senado, cria o Estatuto dos Povos Ciganos.

A proposta agora em análise na Câmara dos Deputados contempla áreas como educação, saúde, esporte, cultura e lazer; prevê o acesso à terra, à moradia e ao trabalho; e determina ações afirmativas em favor dos povos ciganos. 

Conforme o texto, os povos ciganos, cuja presença no Brasil remonta a 1574, são “o conjunto de indivíduos de origem e ascendência cigana que se identificam e são identificados como pertencentes a grupo étnico cujas características culturais o distinguem como tal na sociedade”. 

Autor da proposta, o senador Paulo Paim (PT-RS) disse que a iniciativa contou com participação da Associação Nacional das Etnias Ciganas (Anec). “Os ciganos continuam excluídos sob vários aspectos, sujeitos a preconceito, discriminação e incompreensão com relação à cultura e organização social”, afirmou Paim.

Discriminação

O estatuto prevê combate à discriminação e à intolerância e impõe ao Estado o dever de garantir igualdade de oportunidades e de defender a dignidade e os valores religiosos e culturais dos ciganos, por meio de políticas públicas de desenvolvimento econômico e social e também ações afirmativas.

O projeto de lei aprovado pelo Senado torna obrigatória a coleta periódica de informações demográficas sobre os povos ciganos, para que sirvam de subsídios na elaboração de políticas públicas. Caberá ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial a organização e a articulação de políticas e serviços federais.

Tramitação

O projeto será analisado por comissão especial a ser criada com esta finalidade. Depois seguirá para o Plenário. Em conjunto, tramitará o Projeto de Lei 2703/20, do deputado Filipe Barros (PL-PR), que propõe estatuto similar.

·        Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

Reportagem – Ralph Machado

Edição – Roberto Seabra

Com informações da Agência Senado

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias/890777-proposta-do-senado-cria-o-estatuto-dos-povos-ciganos/

segunda-feira, 18 de julho de 2022

Racismo e xenofobia diminuem na França, mas preconceito contra ciganos segue alto, diz relatório

 

Famílias Ciganas vivem situação dramática em França. Foto: AFP

A Comissão Nacional Consultiva dos Direitos Humanos acredita que é necessário evoluir e continuar o trabalho de sensibilização contra os preconceitos nas escolas e universidades

Por RFI, Disponível em G1, 18 de julho de 2022

A tolerância diante das minorias evolui na França, aponta um relatório da Comissão Nacional Consultativa dos Direitos Humanos, divulgado nesta segunda-feira (18). No entanto, alguns grupos, como os ciganos, continuam sendo estigmatizados, afirma o documento que faz um apelo em prol da luta contra os preconceitos. 


"De 1990 a 2022, a aceitação das minorias progrediu globalmente na França", diz o relatório, que ressalta que desde 2015 o nível de aceitação das diferenças aumenta entre os franceses. Por outro lado, a Comissão Nacional Consultiva dos Direitos Humanos acredita que é necessário evoluir e continuar o trabalho de sensibilização contra os preconceitos nas escolas e universidades.


Desde 2008, o relatório é elaborado anualmente, junto com um "parâmetro de tolerância", calculado a partir de entrevistas com cidadãos. Em 2022, esse índice é de 68 de uma escala que vai no máximo até 100. São dois pontos a mais do que em 2019 e 14 em relação a 2013, o que mostra uma clara mudança de comportamento da população em relação às minorias, dizem os autores do documento. 


Por grupos, o índice é de 80 em relação aos negros, 79 aos judeus, 74 aos magrebinos (árabes do norte da África) e 62 aos muçulmanos. A minoria que os franceses mais tem dificuldades para aceitar são os "roms", ciganos do leste europeu, cuja escala de tolerância ficou em 52.


Racismo e xenofobia ainda são presentes


"Os discursos estigmatizantes com bases racistas e xenófobas não desapareceram do espaço público e midiático", ressalta Jean-Marie Burgubur, presidente da comissão. Segundo ele, a pandemia de Covid-19 reativou as teorias conspiracionistas antissemitas e a campanha das eleições presidenciais foi marcada "pelo retorno obsessivo da segurança, suscetível de reforçar os reflexos de xenofobia".


Mesmo que estejam em recuo, os preconceitos perduram, afirma o documento. Uma prova disso é que 38% dos franceses pensam que "o islã é uma ameaça à identidade do país" (contra 44,7% em 2019). Além disso, 45% pensam que "os roms vivem essencialmente de roubos e tráfico" (contra 48,2% em 2019). Entre os entrevistados, 37% pensam que "os judeus têm uma relação particular com dinheiro", uma ideia em alta em comparação a 2019, quando essa percentagem era de 34,1%. 


Ativistas Roma protestam em Paris por inclusão e direitos humanos

Preconceito velado


A Comissão Nacional Consultativa dos Direitos Humanos ressalta que o racismo, o antissemitismo e a xenofobia permanecem subestimadas na França: "1,2 milhão de pessoas seriam vítima, a cada ano, de ao menos um ataque, entre injúrias, ameaças, violências ou discriminações". Segundo números do Ministério do Interior, 7.759 casos de caráter discriminatório foram registrados no país. 


Por isso, a comissão formulou doze recomendações prioritárias, como a formação constante de professores sobre a questão, a adoção de um plano nacional para a instrução dos cidadãos, além de uma melhor capacitação da polícia e dos magistrados. 


Os autores do relatório também recomendam um reforço da luta contra os preconceitos anticiganos, com "um engajamento do governo para fazer evoluir o olhar e as práticas em relação às populações roms". Outra preconização do grupo é o acesso às denúncias online, além de uma maior atenção da problemática das discriminações no mercado de trabalho.


No total, para chegar a essas conclusões, a Comissão Nacional Consultiva dos Direitos Humanos ouviu 1.300 cidadãos franceses nesses últimos meses. As entrevistas que se concentraram nas temáticas do racismo, antissemitismo e xenofobia foram realizadas online e em presencial.


Disponível em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/07/18/racismo-e-xenofobia-diminuem-na-franca-mas-preconceito-contra-ciganos-segue-alto-diz-relatorio.ghtml

sábado, 9 de julho de 2022

Juana Martín, primera mujer española “y gitana” en la alta costura de París, tras su desfile: “Me he dejado la piel”

La diseñadora Juana Martín recibe el aplauso y las felicitaciones de los modelos de sus desfiles, entre ellos la actriz Rossy de Palma, al finalizar su desfile de alta costura en París, el 7 de julio de 2022.LEWIS JOLY (AP)

La diseñadora cordobesa se estrena en la gran cita de la moda con una propuesta preciosista y el negro como bandera que aborda de forma sutil y actual las tradiciones andaluzas

LETICIA GARCÍA, para EL País

París - 07 JUL 2022 - 15:06 , Actualizado:07 JUL 2022 - 15:09 BRT

“Me he dejado la piel. Llevo varias noches casi sin dormir”, comenta Juana Martín tras su desfile celebrado en París la tarde de este jueves 7 de julio, el que la ha convertido oficialmente en la primera mujer española (“y gitana”, como a ella le gusta remarcar) en desfilar en el muy exclusivo calendario oficial de la alta costura de la capital francesa. En 2018, y tras su salida de la pasarela Cibeles, Martín se instaló en París y empezó a presentar sus colecciones en la ciudad; la primera, titulada Camaron, 30 años después, rendía homenaje al mito del flamenco y captó la atención de la prensa especializada. Fue entonces cuando la Federación Francesa de la Alta Costura, el organismo que regula quién puede y quién no desfilar dentro de su estricta semana de la moda (y, por lo tanto, decir que su marca pertenece al selecto grupo de la alta costura), se empezó a fijar en el trabajo de la cordobesa y a interesarse por esa peculiar actualización del folclore andaluz y la artesanía local. El pasado abril le sugirieron participar como diseñadora invitada. Pasó con éxito el largo proceso para hacerlo: un padrino miembro de la federación (casi nunca se suele revelar quién) apostó por ella y el equipo visitó sus talleres y comprobó la capacidad de la diseñadora de crear más de una veintena de piezas a mano.

“No sabría decir el número de horas exactas que hemos tardado en hacer cada pieza. Algunas han sido días; otras, varias semanas”, explica Martín, que ha trabajado con sus costureras de Córdoba (“muchas nuevas, porque varias se han jubilado”) y distintos artesanos de París, como Maison Fegler, zapateros de Bretaña que conoció a través de su agencia de comunicación en la ciudad. Juntos han creado modelos planos que evocan el zapato masculino de baile y, a su vez, están brocados o adornados con piezas metálicas de lujo. Martín ha querido llamar a su debut en la costura Andalucía, así de simple, porque sus raíces han sido siempre el punto de partida desde que empezó a diseñar en 1999 y porque quería mostrar al público internacional que su tierra “son muchas cosas”. “Es luz, es optimismo, es teatro, es historia, es expresión”, comenta.

 

Cuatro diseños de Juana Martín en su desfile en la semana de la alta costura de París, el 7 de julio de 2022.CHRISTOPHE PETIT TESSON (EFE)

La actriz Rossy de Palma, amiga de Martín, ha abierto el desfile celebrado en un fabuloso palacete de la rue de Babylone con un abrigo blanco brocado mientras se arrancaba el cantaor Israel Fernández. A partir de ahí se han sucedido más de una veintena de salidas, la mayoría blancas y negras que abordaban de forma sutil y actual tradiciones andaluzas, del flamenco a la caza, el imaginario ecuestre o la orfebrería, presente en motivos de cuero repujado o en los tocados creados por Vivascarrión. “Me interesaba que fuera en colores vivos para significar la idea del sol del Sur y sus distintas tonalidades”, cuenta la diseñadora.

Esa ha sido casi la única concesión al color de Martín en esta colección, en la que, en sus propias palabras, “hay algo de dramatismo lorquiano”. “Me preguntaban cómo iba a reflejar la luz de Andalucía en mis trajes negros, pero en Andalucía sucede así, hasta el negro es luminoso”, explica. Las prendas, basadas en su mayoría en la indumentaria ecuestre y flamenca, desdibujan las fronteras de los géneros, más si cabe tratándose de algo tan tradicionalmente binario como los uniformes. Las chaquetillas masculinas o las mangas de volantes se fusionan en diseños que, en ocasiones, podrían ser unisex. “Pero de eso se trata”, argumenta, “de asumir que ya no tenemos que distinguir entre una prenda y otra, o al menos no deberíamos. Además, la exploración y el proceso creativo son mucho más interesantes“.

El hecho de que Juana Martín sea una diseñadora invitada por la federación no la exime de repetir la temporada que viene si el organismo así lo decide. Incluso puede convertirse en una asidua al calendario junto a Chanel, Dior, Jean Paul Gaultier o Armani. A juzgar por el abrazo y las alabanzas que le ha dedicado a Martín el presidente del organismo, Pascal Morand, puede que la historia se repita. Aunque Juana ya ha hecho historia.

 

Rossy de Palma con un abrigo largo brocado en color blanco de Juana Martín, en la apertura de su desfile de alta costura en París, el 7 de julio de 2022.CHRISTOPHE PETIT TESSON (EFE)

Disponível em: https://elpais.com/estilo/2022-07-07/juana-martin-primera-mujer-espanola-y-gitana-en-la-alta-costura-de-paris-tras-su-desfile-me-he-dejado-la-piel.html?utm_source=Facebook&ssm=FB_CM_EST&fbclid=IwAR0EixL2utFVx-xPeGGOIMjdrx2VxemUjL1awQoPq8Yj3hlto4r4FXUQKzw#Echobox=1657217528

segunda-feira, 27 de junho de 2022

Orgulho LGBTQIAP+ Cigan@: uma pauta urgente!

Acesse o manifesto Ververipen Pride 2020 sobre o movimento LGBTQIAP+ Cigan@: 

Neste dia 28 de junho, comemora-se o dia internacional do orgulho da diversidade sexual. É um mês que tradicionalmente ocorrem as maiores paradas das diversidades de gênero em todo o mundo, cuja cidade de São Paulo é a mais badalada, reunindo milhões de pessoas. Mas este dia não é apenas para manifestar o orgulho das pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneras, Queers, Intergênero, Assexuais, Pansexuais e mais... (LGBTQIAP+). 

A data foi estabelecida a partir do episódio que ficou conhecido como a rebelião de Stonewall, quando a comunidade LGBTQIAP+ reagiu confrontando a polícia após uma série de repressões e violências históricas.

Desde a década de 60, com o emergir dos movimentos juvenis e no bojo das transformações sociais decorrentes do modelo democrático que defende as liberdades individuais, as questões de gênero e sexualidade surgem nos cenários nacional e internacional e vêm ganhando o centro dos debates políticos cuja pauta principal é o combate aos preconceitos inúmeros e à LGBTQIAPfobia, já que o Brasil é, infelizmente, o país com maiores índices de violência contra essa comunidade, especialmente as pessoas trans.

Um primeiro ponto a se reconhecer nesse debate é compreender a diversidade de gêneros como um fenômeno complexo que engloba condições culturais e sociais, para além das biológicas e que desembocam num espectro muito mais amplo do que o clássico binômio homem-mulher.

Cada dia surgem mais pessoas se identificando e/ou se afirmando de formas diferenciadas do que constam em seus registros de nascimento, buscando o movimento de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros, Queers, Agêneros, Intergêneros e Pansexuais (LGBTQIAP+), que no início eram apenas três (GLS) e hoje está com nove caracteres, sendo oito letras e o sinal de positivo ao final, justamente para indicar que essa diversidade não se restringe às citadas.

Super importante e legítimo este movimento para garantir e reconhecer as manifestações de gênero em suas inteirezas. Somando-se a esta estratégia será preciso também trazer sombras e luzes para outras questões que atravessam o movimento, mas quase sempre estão ausentes dos debates e merecem urgentemente ganhar novas perspectivas e avanços. O que acontece quando a pessoa LGTQIAP+ pertence à uma comunidade tradicional em situação de vulnerabilidade social, caso dos povos ciganos? E se ela for uma mulher cigana trans ou lésbica?


Intersecções

Reconhecemos que os modos de construção dos gêneros, da sexualidade, das relações familiares e sociais variam imensamente de um povo para outro, de cultura para cultura e de uma classe social para outra. Ainda que o padrão masculino-feminino seja o mais comum, não há um padrão ou forma única de ver essas manifestações ou outras de sexualidade e gênero. O salto adiante, é compreender que as opressões ocorrem não apenas do ponto de vista do machismo e do gênero. Elas se manifestam em camadas.

Ser mais ou menos excluído ou sofrer mais ou menos preconceito pela condição de gênero varia quanto à idade, a cor da pele, à etnia, a sexualidade e a condição social. Homens gays brancos normativos e cristãos tendem a ser mais bem sucedidos e sofrer menos preconceito. Pessoas negras, indígenas, ciganas ou de etnias não europeias tendem a ser mais marginalizadas, assim como as mulheres e pessoas trans, que pertencem a essas etnias.

O machismo se manifesta não apenas com as mulheres, como também no maior preconceito para com os gays afeminados ou as mulheres e homens trans na sociedade em geral e dentro da própria comunidade LGBTQIAP+. Há um culto ao falo no imaginário gay que, de alguma forma, reproduz a misoginia ao ridicularizar o papel do passivo, que ocuparia o “papel da mulher” e super/valorizar o do ativo que ocuparia o papel do “homem”. Caso essas pessoas forem pobres, a exclusão estará completa.

No cotidiano as opressões interseccionadas funcionam como barreiras duplas, triplas, quádruplas para o acesso a serviços cidadãos. É um xadrez complexo, mas que precisa ser reconhecido tanto pelo movimento LGBTQIAP+, quanto pelos outros movimentos, pois se tangenciam e devem dar as mãos para lutar conjuntamente contra todas as opressões. Também não há como fazer políticas públicas afirmativas e reparatórias, sem levar em conta as especificidades da complexidade humana, sem essa premissa.

Movimento LGBTQIAP+ Cigano



No caso dos povos ciganos, o próprio movimento social é bastante recente no Brasil, sendo construído nos últimos 30 a 40 anos. Há ainda muitas lacunas e faltam representações que abarquem à diversidade de grupos, subgrupos e famílias espalhadas por todo o território nacional. Um desses vazios é justamente o movimento de gênero e sexualidade ou o estabelecimento de um debate mais firme quanto às questões como a misoginia e o machismo, que pouco têm sido olhadas ou completamente ignoradas pelo movimento cigano “clássico”.

É preciso pensarmos e debatermos todas as questões pertinentes, incluindo as formas de resistência em suas variadas dimensões. A libertação e a emancipação plenas só ocorrem quando as opressões em todos os níveis cessarem: colonialismo, machismo, capitalismo, todas as formas de discriminações, xenofobia, misoginia, racismo, Lgbtqiapfobia etc. Essas pautas têm de necessariamente estar nas prioridades estratégicas dos movimentos sociais como um todo, incluindo no movimento cigano.

Precisamos nos inspirar em outros países e irmãos ciganos como Espanha e Romênia, onde essa união de temas e pautas já é uma realidade. Há inclusive associações de mulheres ciganas e LGBTQIAP+ ciganes. Em Espanha, por exemplo Demetrio Gómez, ativista e defensor dos direitos ciganos, fundou o Fórum de jovens ciganos Europeus e é presidente da plataforma e associação “Ververipen, Rroms por la diversidade”, que faz um brilhante trabalho nessa temática LGBTQIAP+ Cigana. Que esses exemplos floresçam por aqui, pois os Povos ciganos não escapam de questões inerentes a condição humana.



Texto: Aluízio de Azevedo, Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT, Conselheiro Nacional de Igualdade Racial representando os Povos Ciganos

Fotos: Ververipen, Rroms por la Diversidade: https://ververipendiversity.wordpress.com/

sábado, 25 de junho de 2022

Estudos Romani: Mesa da ABA debate contranarrativas ciganas

 

Evento ocorrerá em data a ser definida no período entre 28 de agosto e 03 de setembro

A 33ª Reunião Brasileira de Antropologia (ABA) contemplará em sua programação a mesa redonda 46 “Povos Ciganos, contranarrativas ciganas, produção de conhecimento e perspectivas comparadas”.

Coordenada pela professora doutora Edilma Nascimento, a mesa é composta por outros três participantes, entre eles, o Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT, Aluízio de Azevedo.

As outras duas palestrantes são a calin Marcylânia Alcântara, professora da Secretaria Municipal de Educação de Sousa (Paraíba) e a professora universitária Juliana Miranda Soares Campos, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Com o tema “Defender Direitos e Fazer Antropologia em Tempos Difíceis a reunião da ABA ocorrerá de forma online no período entre 28 de agosto a 03 de setembro e traz uma programação recheada de discussões antropológicas e suas interfaces.

Inscrições e outras informações no site do evento: https://www.33rba.abant.org.br/

terça-feira, 21 de junho de 2022

Educação escolar para os povos ciganos é tema de debate nesta quarta (22)

Evento online reforça a importância da inclusão educacional das pessoas romani

Os desafios enfrentados pelos povos ciganos na trajetória e formação escolar, bem como a busca por caminhos para a superação desta condição de exclusão educacional. Estes serão os tema principais debatidos no seminário “A educação escolar: desafios, enfrentamentos e caminhos para os povos ciganos”, que ocorrerá nesta quarta-feira (22.06) de forma online.

Entre os convidados para o seminário está o Assessor para Ciência e Comunicação da AEEC-MT, Aluízio de Azevedo. Também farão parte da mesa os professores Jucelho Dantas (UNEB – Bahia), Marcilânia Alcântara (Secretaria Municipal de Educação de Sousa – Paraíba), Claudia Nunes (UFMG), bem como a representante da Andras dos povos ciganos, Valdinalva Caldas. A mediação fica por conta da professora Edilma Monteiro (UFMA).

Realizado pela Universidade Federal de Jataí (UFJ), o encontro acontece a partir de 16h (horário de Brasília) pelo canal do You Tube do Núcleo de Assessoria Jurídica Universitária Popular Josiane Evangelista (NAPUJ), que pode ser acessado no seguinte link: https://www.youtube.com/channel/UCW8KZNpvo-QpEGcMCXzWFxA/featured .

Ascom AEEC-MT

quarta-feira, 15 de junho de 2022

Orientação do MPF estimula diálogo entre procuradores da República e os povos ciganos

 

Objetivo é aprimorar a atuação institucional em defesa dessas populações tradicionais

 

A Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais do Ministério Público Federal (6CCR/MPF), órgão superior vinculado à Procuradoria-Geral da República, publicou, nesta terça-feira (14), orientação interna que visa aprimorar a atuação em defesa dos direitos dos povos ciganos.

 

O normativo recomenda que, ressalvada a independência funcional, procuradores e procuradoras da República promovam o diálogo intercultural com essas populações, especialmente por meio de visitas às comunidades, inclusive as itinerantes, que vivem em ranchos e acampamentos. O objetivo é obter informações sobre as demandas, assim como prestar esclarecimentos para a promoção e garantia de direitos individuais, sociais e culturais dos ciganos.

 

A Orientação 4/2022 é um desdobramento do webinário Direitos Humanos e Povos Ciganos no Brasil: resistência contra o preconceito e a discriminação, realizado em 20 de maio. O evento integrou a programação do Maio Cigano, mobilização promovida anualmente pelo MPF com o objetivo de dar visibilidade às necessidades e desafios dessas populações. Além de procuradores que atuam na temática, o debate contou com a participação de ciganos, estudiosos e representantes da sociedade civil.

 

Durante o webinário, foram relatados diversos exemplos de violência policial contra indivíduos e comunidades de povos ciganos, de discriminação e de ausência de políticas públicas direcionadas a essas populações, entre outros problemas. O quadro, segundo o documento, torna “necessária uma atuação coordenada do Ministério Público, em âmbito nacional, regional e local, visando prevenir atrocidades e o monitoramento do acesso dos povos ciganos às políticas públicas”.

 

Deliberação – A redação final da Orientação 4/2022 foi aprovada em 8 de junho, durante sessão ordinária do colegiado da 6CCR. Na ocasião, a coordenadora da 6CCR, Eliana Torelly, ressaltou o caráter participativo da diretriz consolidada e reiterou a importância da iniciativa, que oficializa e reafirma a preocupação institucional com os direitos dos povos ciganos. A subprocuradora-geral da República Ana Borges também destacou a relevância da atuação do MPF para a defesa dos direitos dos povos ciganos contra a discriminação.

 

O Colegiado registrou, ainda, a importância do primeiro inquérito sobre povos ciganos instaurado no âmbito do MPF, há mais de 30 anos, pelo subprocurador-geral da República Luciano Mariz Maia. Na época, o então procurador da República na Paraíba abriu investigação para apurar as violações aos direitos e interesses dos ciganos naquele estado nordestino. “O estigma e o preconceito contra os ciganos no Brasil ainda são grandes, mas esse inquérito tornou clara a obrigação do MPF de proteger esse povo”, afirmou o subprocurador-geral Aurélio Rios.

 

Íntegra da Orientação

 

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