quarta-feira, 16 de julho de 2025

Danillo Kalón integra exposição do SESC RJ

“Plantas dos pés, linhas das mãos: terra e território” ocorre em Nova Friburgo, Teresópolis e Três Rios com 10 obras do artista visual de etnia Calon

O artista visual Danillo Kalón, do Coletivo Ciganagens, é um dos artistas convidados que integram a Exposição “Plantas dos pés, linhas das mãos: terra e território”. A abertura da exposição, que faz parte da programação da 23ª edição do Festival Sesc de Inverno, ocorreu no último dia 11 de julho, no Sesc Nova Friburgo, onde ficará por cerca de 30 dias. A curadoria da exposição foi realizada pela mato-grossense Naine Terena.

Danillo, que participou da abertura da exposição em Nova Friburgo, conta com várias peças expostas. O artista visual de etnia Calon apresentou a série Mestpen, composta por seis desenhos/artes impressas em backlights: 01 - Povos Ciganos Existem; 02 - O tronco étnico no Brasil; 03 -  Etnia Cigana; 04 - Povos Ciganos Na luta 01; 05 - Povos Ciganos Na luta 02; e 06 - Brasil Cigano.

Também estão na exposição quatro modelos diferentes de ecobags em serigrafia e algodão cru: 01 – MESTPEN; 02 - Povos Ciganos Existem; 03 - O tronco étnico no Brasil; e 04 -  Etnia Cigana. Além do Sesc Friburgo, a exposição percorre também Teresópolis e Três Rios, até o dia 26/10. Cada unidade exibe um recorte diferente, com narrativas sobre territórios, identidades e subjetividades.

De acordo com Danillo Kallon, as obras reafirmam as identidades e culturas ciganas. “Apesar de mais de 400 anos de diásporas da população cigana ao território brasileiro e de sua contribuição na formação da diversidade étnica e cultural do país, a comunidade segue ainda invisível e a margem, inexistentes para alguns e para outros uma representação errônea, pois nem sempre o que dizem vir dos povos ciganos, de fato vem”, explica.

Assim, segundo Danillo, “As peças seguem um conjunto que afirmam a existência e etnicidade dos ciganos, os três principais grupos étnicos no território brasileiro e a palavra MESTPEN, que significa LIBERDADE, porta esse anseio,  da liberdade a partir da dignidade, do acesso, da oportunidade.

Festival SESC de Inverno - a 23ª edição do Festival Sesc de Inverno, um dos mais importantes eventos multilinguagem do país. Serão mais de 700 horas de programação artística em 25 localidades do estado, com mais de 200 atividades em diversas linguagens e mais de mil artistas envolvidos. A maior parte da programação é gratuita – mais de 95% –, e as atrações pagas terão preços populares.

A 23ª edição do festival propõe uma reflexão a partir do tema “Nosso Lugar”, que parte da ideia de que a terra não é algo a ser possuído, mas sim um lugar ao qual se pertence. Dentro deste conceito, o território é um espaço onde a relação com a terra vai além da posse, tornando-se uma conexão profunda, simbólica, acolhedora e, sobretudo, afetiva.

Por meio das mais de setecentas horas de programação cultural, essa abordagem amplia o debate para além da ecologia dos territórios, no sentido geográfico, explorando a ecologia que permeia o fazer artístico, os territórios afetivos e artístico-culturais.

Programação completa do festival e informações sobre visitações à exposição no site: festivalsescdeinverno.com.br

 

terça-feira, 15 de julho de 2025

Forjaram um folclore tão forte de Nós, que perdemos o direito a ter nossas próprias individualidades

Arte: Danillo Kalón

Por Sara Macedo, Coletivo Ciganagens

É categórico, nós povos ciganos somente somos mencionados na escola formal, no dia 22 de agosto (são raras as exceções). A mentira se tornou verdade, e até no ensino escolar nossa história não é outra. Somos mula sem cabeça e saci-pererê, apenas conto e mística, nem parece que estamos vivos.  

Cigano virou adjetivo relacionado a religião, misticismo recreativo, liberdade pra inglês ver, exotismo predatório, sedução que nos objetifica e desonestidade sem um pingo de crédito. Recurso esotérico de uma população que tem grande fetiche em povos que consideram estar distantes o suficiente da sua própria realidade individual, para não se incomodar em serem transformados em brincadeira mística. 

Nessa estrada folclórica de nós mesmos, em que não conhecem nossas verdadeiras tradições, nossa identidade se transformou num boneco sem vida. Sem direito à discussão de sexualidade, gênero e racialidade própria. O folclore não deixa espaço para isso, pois estamos sempre sendo convocados a responder demandas que nos atacam, carregadas de estereótipos e fantasiação. 

Entendemos a vontade de pessoas ditas “progressistas” em não mais se associar a rituais religiosos cristãos, por todo o saldo de devastação que esses dogmas trouxeram ao mundo. Mas, se apropriar e passar por cima da tradição de diversos povos (que sequer conhecem pessoalmente), revela a face de outra cartilha colonial. Aquela que não pede licença, não dá nenhum retorno às comunidades, e que fala em nosso lugar, se autodeclarando cigano. 

Nesse contexto, não temos temporalidade para debater nossas dissidências sexuais e de gênero dentro de nossas comunidades, fortalecer um orgulho epistêmico, encorajar os nossos primos a adentrar a educação formal, discutir se um feminismo cigano vale a pena, falar sobre demarcação de território cigano, entre tantas outras demandas urgentes. 

Na terra do cigano “pirata” vestido de cetim sem nexo, temos buscado energia e saúde mental para colocar em pauta o que verdadeiramente importa. Que somos diversos, que podemos fazer tudo, que somos também humanos. 

  

quarta-feira, 9 de julho de 2025

Comissão da Câmara dos Deputados aprova Dia Nacional da Mulher Cigana

Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais aprova Dia Nacional da Mulher Cigana: Proposta ainda será analisada por outras duas comissões da Câmara dos Deputados. Foto: Karen Ferreira

Publicado em 08/07/2025 21h03 Atualizado em 08/07/2025 21h07

A Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais (CPOVOS) da Câmara dos Deputados, se manifestou favoravelmente à criação do Dia Nacional da Mulher Cigana, nesta terça-feira (8). De Autoria da deputada Luizianne Lins (PT-CE), o Projeto de Lei (PL) nº 2639/2024 ainda será apreciado no âmbito das Comissões de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial e de Constituição, Justiça e Cidadania. O parecer aprovado é de relatoria da deputada Juliana Cardoso (PT-SP) 

Chefe da Assessoria Especial de Assuntos Parlamentares, Nailah Veleci conta que o Ministério da Igualdade Racial (MIR) está empenhado em articular uma agenda legislativa robusta, que defenda os direitos dos povos ciganos. “Temos adotado a estratégia de fortalecer o debate por meio da tramitação de proposições como o PL das Mulheres Ciganas, que ajudam a sensibilizar o Parlamento”, colocou.  

Ela explica que essa estratégia foi adotada para que futuramente seja possível aprovar projetos maiores, como o Estatuto dos Povos Ciganos. “Esse projeto depende, no entanto, da criação de uma comissão especial e seguiremos atuando com firmeza para garantir que essas pautas avancem no Congresso Nacional”, completou.  

“A criação do Dia Nacional da Mulher Cigana é uma conquista simbólica e política importante, que reconhece a luta e a resistência das mulheres ciganas frente ao racismo, ao preconceito e à invisibilidade histórica”, acrescentou a coordenadora de Políticas para Povos Ciganos, Edilma Nascimento.  

Foto: Aspar/MIR

Proposta – O projeto de lei determina que, na data, os poderes públicos realizem campanhas educativas para promover a cultura cigana e combater estereótipos, além de promover ações de formação e sensibilização de agentes públicos de diversas áreas quanto às especificidades das mulheres ciganas de todas as etnias. Além disso, o texto prevê a veiculação de mensagens institucionais com participação direta dessas mulheres.   

Articulação permanente – Outra conquista da articulação do Ministério foi a instituição, em 2024, do Plano Nacional de Políticas para Povos Ciganos (PNPC), por meio do Decreto Presidencial nº 12.128 de 2024.   

O plano visa combater o preconceito e a discriminação étnico-racial contra os povos ciganos, bem como ampliar seu acesso a serviços públicos e direitos sociais.  Construído com a participação de dez ministérios, o PNPC está estruturado em dois eixos: Direitos sociais e cidadania e Inclusão produtiva, econômica e cultural. O plano está sendo implementado até 2027 e conta com investimentos para uma campanha nacional de valorização da história e cultura ciganas, assim como prêmios literários e a formação gestores e servidores públicos sobre os direitos desses povos. 

Disponível em: https://www.gov.br/igualdaderacial/pt-br/assuntos/copy2_of_noticias/comissao-da-amazonia-e-dos-povos-originarios-e-tradicionais-aprova-dia-nacional-da-mulher-cigana

segunda-feira, 7 de julho de 2025

13 Festival de Cinema Periferias em Portugal homenageia povos ciganos

Documentário com Charles Chaplin é um dos mais esperados desta edição

A 13.ª edição do Periferias – Festival Internacional de Cine (ma) de Marvão e/y Valencia de Alcantara terá lugar de 8 e 16 de agosto

A 13.ª edição do Periferias – Festival Internacional de Cine (ma) de Marvão e/y Valencia de Alcantara terá lugar de 8 e 16 de agosto. Cinema, arte e música vão encher as localidades fronteiriças situadas no meio rural da Reserva da Biosfera Tejo Internacional e do Parque Natural de Alqueva, que não possuem salas de cinema.

A programação desta nova edição, anunciada a 3 de julho na Casa do Comum em Lisboa, é dedicada à riqueza cultural do povo cigano, inclui a exibição de 26 longas-metragens e documentários reconhecidos internacionalmente, além de concertos, passeios noturnos, visitas guiadas, encontros e diversas atividades educativas e de lazer, dirigidas a todos os públicos.

Antes da 13.ª edição do Festival, são realizadas uma série de extensões nas localidades de Arronches, 4 e 5 de julho, Portalegre, 11 e 12 de julho, Cáceres, 17 de julho, Piedras Albas, 25 e 26 de julho, e Alconchel, 1 e 2 de agosto, com uma ampla programação que inclui cinema, música, arte e lazer.

Nesta nova edição, o Periferias consolida-se como evento cultural transfronteiriço de referência na produção de filmes de autor focados na defesa e promoção dos Direitos Humanos, na preservação do meio ambiente e no impulso da arte cultural, com o objetivo de contribuir para uma efetiva descentralização da cultura no meio rural.

A diretora do Festival Internacional de Cinema Periferias, Paula Duque, destacou que este festival, criado em 2013, tem como objetivo promover a cultura cinematográfica e impulsionar a indústria audiovisual, dando a conhecer o valioso património histórico-cultural das aldeias e locais mais emblemáticos da fronteira entre o Alentejo e a Extremadura, transformando-os em verdadeiras salas de cinema ao ar livre.

Neste sentido, Duque sublinhou que o Periferias se define pelo seu compromisso com o território e por aproximar o cinema a zonas que tradicionalmente têm estado à margem dos grandes circuitos de exibição, concebendo arte cinematográfica como instrumento que convida à reflexão, ao pensamento e ao conhecimento.

Esta 13.ª edição de Periferias acolhe grandes títulos cinematográficos de géneros como a ficção, o documentário e a animação, provenientes de diferentes países, promovendo o diálogo e o fortalecimento dos laços entre povos vizinhos, assim como diversas ações dirigidas ao público infantil. Tudo isto, sob o signo da busca de novas oportunidades através do cinema para alcançar a justiça, a integridade e a ética social.

Este ano, o tema central gira em torno da riqueza cultural do povo cigano, com a exibição de longas-metragens, documentários e concertos musicais que têm como objetivo aproximar a história e a cultura cigana, além de reconhecer as contribuições do povo cigano à sociedade, através das artes cénicas e audiovisuais.

Merece atenção especial o documentário “Chaplin, espírito cigano”, realizado pela neta do reconhecido ator inglês, Carmen Chaplin, que é exibido na extensão de Cáceres, no âmbito  desta décima terceira edição, em colaboração com a Filmoteca de Extremadura.

Também se destacam outros títulos como a longa-metragem “A menina da cabra”, de Ana Asensio, o filme documentário “A guitarra flamenca de Yeray Cortés”, dirigido pelo artista madrileno Antón Álvarez (C. Tangana), ou a curta- metragem documental “Entrelaçadas pela interseccionalidade”, do Coletivo Cala, que recolhe os relatos, reflexões e afetos da Associação de Mulheres Ciganas de Plasencia, o Movimento de Mulheres Migrantes da Extremadura e a AMPA de Membrío.

A programação inclui ainda diferentes títulos com importantes reconhecimentos nos melhores festivais de cinema internacionais, provenientes de diferentes países como Espanha, Peru, Portugal, Brasil, México, Chile, Países Baixos, França, Roménia, Argentina, Uruguai, Cabo Verde e Suíça.

Esta 13.ª edição regressa a cenários emblemáticos das localidades fronteiriças de Marvão, Beirã, Valencia de Alcántara, Salorino, La Fontañera, Castelo de Vide, Galegos ou Portalegre, e, pela primeira vez, chegará a Alconchel e a Cáceres.

Tudo isto, com o objetivo de contribuir para uma descentralização cultural impulsionando o desenvolvimento das comunidades com as quais trabalha, assim como fomentar o acesso a uma oferta cultural relevante, priorizando a criação de novos públicos.

A 13.ª edição do Festival de Cinema Periferias arrancará em Marvão com a exibição do filme “O Último Azul“, de Gabriel Mascaro, e encerrará com uma grande gala de encerramento no Centro Cultural de Salorino onde será entregue o Prémio Tejo/Tajo ao melhor filme, após o qual será exibida a longa- metragem “Sorda”, realizada por Eva Libertad.

O festival Periferias conta com os apoios institucionais da Junta de Extremadura, das diputaciones de Badajoz e Cáceres, além da Câmara Municipal de Marvão, entre outras instituições, assim como o patrocínio de Azeites Castelo de Marvão do Lagar Museu António Picado Nunes.

Disponível em: https://www.cinema7arte.com/13-a-edicao-do-festival-periferias-com-programacao-completa-dedicada-a-riqueza-cultural-do-povo-cigano/

quinta-feira, 3 de julho de 2025

Inscrições para cursos EAD da UNEB com cotas para ciganos encerra hoje

Inscrições estão abertas até esta quinta-feira (3 de julho) em 12 cursos

Rodolpho Bohrer·2 de julho de 2025

A Universidade do Estado da Bahia (UNEB), por meio da Unidade Acadêmica de Educação a Distância (Unead), está com inscrições abertas até esta quinta-feira (3 de julho) para 2.296 vagas distribuídas em 12 cursos de graduação na modalidade a distância, com ingresso no segundo semestre deste ano.

De acordo com o edital, os cursos estão organizados em duas categorias: três tecnológicos e nove licenciaturas. Entre os cursos tecnológicos, estão disponíveis as graduações em Gestão Ambiental, Gestão Comercial com Ênfase em Afroempreendedorismo e Gestão de Turismo. Já no campo das licenciaturas, os interessados podem optar por Ciências da Computação, Educação Física, Educação Inclusiva, Geografia, História, Letras – Português, Letras – Inglês, Matemática e Pedagogia.

As inscrições devem ser feitas exclusivamente pelo site inscricao.uneb.br/pseunead2025, onde também está disponível o edital completo. Toda a documentação exigida precisa ser anexada eletronicamente no momento da inscrição. A seleção ocorrerá por meio da análise do desempenho do candidato no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ou, em alternativa, por meio da média geral do histórico escolar do ensino médio.

Política afirmativa

Das vagas disponíveis, 40% são reservadas para candidatos autodeclarados pretos ou pardos. Há ainda a previsão de vagas para diversos grupos sociais: 5% para indígenas, 5% para quilombolas, 5% para ciganos, 5% para pessoas com deficiência, transtorno do espectro autista ou altas habilidades/superdotação, e 5% para pessoas trans, travestis e não binárias.

Para concorrer às vagas reservadas, os candidatos devem atender a uma série de critérios cumulativos, como ter cursado integralmente o 2º ciclo do Ensino Fundamental e o Ensino Médio em escola pública, possuir renda familiar bruta mensal de até quatro salários mínimos, não possuir diploma de curso superior e se autodeclarar conforme o pertencimento étnico-racial ou identidade de gênero conforme descrito no edital.

Disponível em: https://maisminas.org/universidade-publica-oferece-mais-de-duas-mil-vagas/

 

sexta-feira, 20 de junho de 2025

AEEC participa de Encontro de Gestores da Cultura e Esporte de MT

Vice-presidente da AEEC, Jéssika Lorrayne Leme, Primeira-dama Virgínia Mendes e a presidente da AEEC, Rosana Matos Cruz na feira do evento

A Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT) foi uma das organizações convidadas pela Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT) para integrar o pavilhão da Feira Cultural do I Encontro de Gestores da Cultura e do Esporte de Mato Grosso.

A AEEC contou com stand na Feira cultural do evento, onde apresentará seus trabalhos principais, como a manutenção e a conservação dos saberes femininos, especialmente, a medicina tradicional Calon, a produção de eventos culturais, como os Encontros de Cultura Cigana de MT e os Encontros de Mulheres Ciganas de MT.

Além disso, a instituição integrou a programação artística do evento e indicamos a participação do grupo As Babanins, que às 17h do dia 24 de junho, fizeram uma apresentação de dança cigana no palco principal do evento.

A presidente da AEEC-MT, Rosana Cristina Alves de Matos Cruz, a tesoureira, Fernanda Caiado e o Gerente de Projetos, Aluízio de Azevedo, participam do evento representando a organização, pelo município de Cuiabá.

Já  a vice-presidente da AEEC-MT, Jéssika Lorrayne Alves Cabral Lima Leme, veio de Rondonópolis, especialmente, para participarem do Encontro

Organizado pela Secel-MT, o encontro ocorreu no período entre 23 e 25 de junho, no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá e contou com a presença da Ministra da Cultura, Margareth Menezes.

Também estiveram presentes o governador Mauro Mendes, o Secretário da Secel, David Moura, deputados estaduais, vereadores, prefeitos, trabalhadores da cultura, artistas e mestres populares de diversos segmentos.

Músicos, cineastas, artistas plásticos, artistas visuais, profissionais das artes cênicas, do circo e produtores culturais em geral, além de patrocinadores e apoiadores vindos de quase todos os municípios mato-grossenses, estiveram em ebulição durante o Encontro, que teve programação diversificada, intensa e variada, incluindo, a participação da atriz global, Denise Fraga.

Com informações do Site da Secel: www.secel.mt.gov.br/-/encontro-de-gestores-de-cultura-e-esporte-de-mt

segunda-feira, 16 de junho de 2025

Líderes dos povos ciganos e aliados se mobilizam por direitos

Ações reivindicam garantias nas esferas política, social e jurídica

Letycia Bond - repórter da Agência Brasil, Publicado em 13/06/2025 - 07:02, São Paulo

O presidente administrativo da Associação Nacional das Etnias Ciganas (Anec), Wanderley da Rocha, lidera um trabalho para que os direitos de seu povo tenham visibilidade no Congresso Nacional e em outras esferas de poder no Estado Brasileiro. Membro da etnia calon, um dos três grupos do povo romani no Brasil, ele tenta convencer mais parlamentares a se sensibilizarem por suas bandeiras, como a produção de dados oficiais, a aprovação do Estatuto dos Povos Ciganos e a proteção contra a violência e o ódio.https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1645855&o=nodehttps://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1645855&o=node

"Sabemos que, na luta dos povos ciganos, hoje, no Brasil, não estamos pedindo nada a ninguém. Nós estamos cobrando o direito de ter direitos. Como autoridade, [os políticos] eles têm que fazer o que é certo”, disse em entrevista à Agência Brasil.

Rocha fundou a Anec, com o objetivo de reunir roma [como também são chamadas as pessoas do povo romani] de todo o país em uma entidade. Atualmente, a associação chega a mais de 30 grupos em 20 estados, incluindo as três etnias ─ rom, sinti e calon. O alagoano destaca que as três etnias não tinham, até pouco tempo atrás, tanto vínculo entre si, mas decidiram se unir para se proteger a partir da coesão.

"Sabemos que nós temos várias demandas, mas entendemos que a luta é só uma. Graças a Deus, tanto a etnia calon como os sinti, de uns anos para cá, fizeram um acordo, entenderam que o Estatuto [dos Povos Ciganos] valeria agora para a nossa geração presente e a vindoura", comemora.

Estatuto dos Povos Ciganos

Apresentado pelo senador Paulo Paim (PT-RS), o Projeto de Lei nº 1387/22 cria o estatuto a que Rocha se refere. A proposta já foi aprovada na Casa, mas estacionou na Câmara dos Deputados.

O debate sobre o estatuto no plenário do Senado Federal foi uma oportunidade para dar visibilidade a denúncias antigas do povo romani, como o racismo e discriminação, também chamada de romafobia ou ciganofobia. 

"Nesse dia, eles pediram a palavra. [Disseram:] 'Paim, nós somos praticamente invisíveis. Queremos o Estatuto", recordou o parlamentar à Agência Brasil. "O Estatuto é um passo importantíssimo na promoção de direitos e na valorização da cultura das comunidades ciganas no Brasil, é uma iniciativa vital para esse setor", sintetiza.

Paim concorda com a percepção de que o povo romani é, historicamente, alvo de discriminação, marginalização e violação de direitos. Outro avanço que a aprovação do texto poderia trazer, destaca o senador, diz respeito à participação das comunidades na formulação das políticas públicas.

Participação social

Para a fundadora e presidenta da Associação Internacional Maylê Sara Kalí (AMSK), Elisa Costa, o governo federal tem conduzido de forma problemática o delineamento do Plano Nacional de Política para Povos Ciganos, instituído em agosto de 2024, pois teria falhado ao não escutar seus beneficiários extensamente.

Ela questiona, por exemplo, que, entre as 20 entidades não governamentais que têm assento no Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial, 18 representam vertentes do movimento negro, e apenas uma, os roma, que é a Associação Nacional das Mulheres Ciganas. A outra instituição que é membro do conselho é a Central Única dos Trabalhadores (CUT).

"Nossa luta pela consulta pública [no Plano Nacional de Política para Povos Ciganos] é porque o governo não tem noção de quem somos", pontua. "A gente continuou sem dados, temos hoje microdados de análise. Se você pensar, temos uma população em situação de grande vulnerabilidade social", diz a líder da AMSK, que estima que a Bahia tem a maior população romani do Brasil.

A diretora de Políticas para Quilombolas e Ciganos, do Ministério da Igualdade Racial (MIR), Paula Balduino de Melo, afirma que a representação dos ciganos se dá pelo Comitê Gestor do Plano Nacional de Política para Povos Ciganos. O comitê tomou posse no final do mês passado. Foram eleitas, por meio de votação, figuras como Wanderley da Rocha, entrevistado nesta reportagem; Rosecler Winter, porta-voz dos sinti; e a calin ─ termo para designar mulheres e meninas do povo calon ─ Nardi Terezinha Casanova. Também foi eleito o líder dos rom Cláudio Domingos Iovanovitchi, porém ele morreu em março deste ano. 

Sem dados

A falta de dados oficiais básicos, como a própria contagem populacional, é uma das críticas históricas das lideranças dos romani ao poder público. Segundo os ativistas, um dos argumentos já ouvidos é o de que a itinerância de alguns grupos dificulta a apuração dos dados. Apesar disso, a realidade é que o nomadismo não é uma característica inerente a todas as comunidades ciganas, e boa parte delas se mantém fixa em um mesmo endereço. 


"Agora, nós não temos dados sobre qual é a maior concentração no país, de uma forma geral. E não ter um levantamento oficial já é uma forma, inclusive, reproduzida e reconhecida por nós até no contexto internacional, de ampliação do anticiganismo, da romafobia", afirma Elisa Costa, que também é diretora do escritório da International Romani Union (IRU) no Brasil. 

Na falta de uma base de dados, a AMSK desagrega dados do Cadastro Único (CadÚnico) e do programa Bolsa Família para mensurar a população romani no país. A entidade verifica o total de pessoas que, mediante autodeclaração, dizem pertencer a Grupos Populacionais Tradicionais e Específicos (GPTE), com marcação “família cigana” em situação de vulnerabilidade social.

Também no final de maio deste ano, foi realizado em Brasília um seminário sobre o Mapeamento Inicial de Famílias Ciganas, Rotas e Redes de Acesso a Políticas Públicas, feito pelo MIR. A pesquisa também usou o CADÚnico, como a AMSK, somado a dados das pesquisas municipais/estaduais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (Munic e Estadic), da Secretaria Especial de Cultura e Artes Integradas (Secai) e do Sistema Único de Saúde (SUS), além de coletas de dados feitas em visitas a ranchos e acampamentos ciganos.

A diretora Paula Balduino de Melo diz que o IBGE participou da apuração dos dados do mapeamento. “Além disso, estamos firmando um acordo de cooperação técnica entre o MIR e o IBGE, que prevê a produção de dados relacionados aos povos ciganos”, antecipou, acrescentando que, caso exista um Censo específico, considera eventuais contribuições do instituto essenciais e que a pasta tem procurado salvaguardar as metas do PNPC, mesmo com cortes orçamentários.

Questionado sobre as críticas dos militantes roma, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não repondeu à reportagem. O problema da falta de pesquisas do instituto sobre esse tema também já foi apontado pelo Ministério Público Federal (MPF), que fez uma recomendação pedindo a inclusão do povo romani no último Censo Demográfico.

Ministério Público Federal

A atuação do Ministério Público na cobrança de maior visibilidade para o povo romani, como no caso do IBGE, é um indício de omissões do Estado nesse trabalho. Essa é a avaliação do subprocurador-geral da República Luciano Mariz Maia, que, em sua época de procurador, foi um aliado na luta pelos direitos dessa população. 

"Não havendo uma agência oficial, não havendo uma Funai [Fundação Nacional dos Povos Indígenas], uma Fundação Cultural Palmares para os ciganos, nós tivemos que construir informação antropológica sobre os grupos ciganos, informação sociológica também e um aprofundamento jurídico. Por isso, o MPF terminou se tornando, no Brasil, a instituição com o maior conjunto de informações antropológicas e jurídicas sobre os ciganos no país. De fato, foi uma mudança muito grande", ressalta. 

Mariz Maia começou a atuar nesse âmbito em 1991, depois de ganhar visibilidade com um projeto em favor dos indígenas potiguara, que vivem no estado em que ele atuava, a Paraíba, e também no Ceará, em Pernambuco e no Rio Grande do Norte.

"Houve uma grande repercussão e isso fez com que o senador Antonio Mariz, que, há muitos anos, defendia os ciganos, identificasse a possibilidade de o Ministério Público cuidar também dos ciganos, enquanto minoria. A experiência com os indígenas vinha de muito tempo já, mas a experiência com os ciganos não existia", comenta Mariz Maia, que também leciona na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e foi recentemente eleito para integrar o Subcomitê de Prevenção à Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes (SPT), da Organização das Nações Unidas (ONU).

"O senador disse assim: tem quem cuide de índio, tem quem cuide de negro, tem que cuide de homossexual, mas não tem quem cuide dos ciganos”, lembra o subprocurador-geral, que, então, perguntou o que teria de ser feito. “Ele disse: ‘vá você conhecer, que aí irá identificar’. Fui, conheci a comunidade dos ciganos em Sousa (PB), em agosto de 1991 e, desde então, temos caminhado juntos".

No sertão paraibano, a comunidade de Sousa, dos calon, é uma das maiores da América Latina e contou com o suporte do Ministério Público Federal (MPF) para a regularização fundiária. Em abril de 2021, o órgão ajuizou uma ação para que fosse declarada a usucapião coletiva de imóveis de quatro comunidades ciganas, em Sousa, distante 432 quilômetros da capital. 

De acordo com o MPF, 522 famílias ciganas tinham fixado residência lá, há 40 anos, "por questões de sobrevivência". Eram, ao todo, 1.845 pessoas, a maior comunidade cigana geograficamente fixada do Nordeste brasileiro, e a área que pleiteavam tinha 171.319,08 m² e fazia parte de um território maior reivindicado.

Ter desempenhado função semelhante em prol dos indígenas potiguaras e, seguidamente, dos ciganos demonstrou a Mariz Maia que os dois enfrentam dificuldades diferentes apesar de algumas semelhanças, pois cada minoria étnica tem suas particularidades. 

"Enquanto indígenas e quilombolas são vinculados à terra, e a terra recebe deles a identidade e também dá a eles a identidade, os ciganos são grupos étnicos que constroem suas fronteiras identitárias por outras razões. Pelo modo de se expressar, eles têm sua língua própria, pelo modo de construir seus hábitos e se organizarem coletivamente, de manterem, de maneira geral e muito intensa, os casamentos dentro da comunidade", explica.

Ao comparar os contextos, o docente paraibano qualifica como "muito mais judicializada" a atuação do MPF no caso dos ciganos. "Nossa atuação acaba sendo de articulação, de coordenação, de um empoderamento das lideranças locais, fazendo com que possamos mediar contatos com prefeituras, secretarias de estado, lideranças governamentais dos vários níveis, para que os ciganos possam localizar suas demandas. Nós damos o respaldo para apresentar a base jurídica dessas demandas e poderem se converter em políticas públicas", detalha Mariz Maia.

Diversidade e violência


Também da Paraíba, o procurador da República José Godoy dá continuidade ao trabalho de acolher as queixas e necessidades do povo romani, em especial, dos calon. Em 2017, fez uma viagem para conhecer as comunidades de Sousa e Patos, que ficam a três horas de carro uma da outra. Na oportunidade, foi apresentado por Mariz Maia e esteve em Condado, que fica entre as duas cidades.

Godoy concorda que o fato de os povos ciganos serem atendidos pelo MPF já expõe o vazio deixado pelas gestões municipais e estaduais. 

"Isso já é sintomático, porque os órgãos locais não os atendem, a não ser que a gente chame. A Defensoria Pública, nos casos em que eles são vítimas, e infelizmente, até nisso tem dificuldade de fazer a defesa deles, quando são criminalizados nas suas atuações. Então, a atuação do MPF já demonstra que não têm acesso a outros órgãos, que deveriam fazer seu papel”. 

Com uma rede de contatos que vai além de seu estado, ele se mantém atualizado sobre o que passa em comunidades de todo o país. "Acho que os povos ciganos, no Brasil, têm uma diversidade muito grande. Não só de moradia, mas diria um pouco quanto a se organizar e até as condições sociais. Aqui no Nordeste, há ciganos muito pobres. Na Bahia, nem tanto, há povos ciganos com uma condição financeira não tão vulnerável. Em São Paulo, tem alguns com condição financeira até interessante. Então, vai ter uma variação", diz ele.

"A única coisa que os une realmente é o preconceito e a violência policial contra eles. Eles sofrem muito preconceito, mais do que qualquer outro [grupo minorizado] com o qual eu tenha trabalhado. Nenhum chega ao nível de preconceito que os ciganos sofrem. E violência policial. Os ciganos da Bahia não são pobres, mas sofreram um processo de assassinato brutal pela polícia. Aqui na Paraíba, tem histórico de violências terríveis. Em todos os espaços, eles são muito violentados", assinala.

Na Bahia, os roma foram vítimas recorrentes de crimes nos últimos anos. Em 2021, uma chacina deixou oito vítimas, executadas por policiais. Em 2022, pelo menos cinco ciganos foram assassinados no estado, e, em 2023, seis pessoas foram mortas dentro de casa, das quais quatro eram do povo romani. 

Perseguição por poderes locais

Godoy acredita que essa atmosfera de perseguição e ódio fez, há algum tempo, com que muitos ciganos quisessem passar despercebidos por não ciganos. Nos últimos anos, entretanto, o procurador acredita que eles intensificaram a luta para serem atores e sujeitos de direitos e não objetos dos preconceitos e das violências.

Para Godoy, os povos ciganos estão legalmente ainda mais desamparados do que os indígenas e os quilombolas. 

"Os povos ciganos ficam à margem do Direito, à margem da cidadania. Há cidades, muitas cidades, que têm legislação contra cigano. É surreal. É inconstitucional? É, mas a força dos poderes locais atua contra eles."

Em 2023, o procurador interveio ao saber que a prefeitura de São João do Rio do Peixe (PB), de gestão de Luiz Claudino de Carvalho Florêncio (PSB) e Regilanio Geraldo de Morais (PSB), havia expulsado ciganos da cidade. Em 2024, Florêncio e Morais, mais conhecidos como Luiz Claudino e Regis Morais, foram reeleitos no primeiro turno, com 82,79% dos votos, e continuam no comando da cidade. A Agência Brasil procurou a prefeitura municipal de São João do Rio do Peixe, mas não teve retorno até o fechamento desta reportagem.

Alguns entrevistados confirmaram à reportagem a existência de leis contra os roma em certas localidades, mas tiveram receio de que a divulgação desses municípios aumentasse o número de apoiadores dessas medidas.

Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2025-06/lideres-romani-e-nao-ciganos-aliados-se-mobilizam-por-direitos

terça-feira, 3 de junho de 2025

III Encontro de Mulheres Ciganas de Mato grosso

Evento reuniu mulheres de cinco cidades de MT e três convidadas dos Estados de Goiás, São Paulo e Bahia

Cerca de 130 pessoas, das quais em torno de 80 mulheres ciganas, do tronco étnico Calon que vivem em diversas cidades do Estado, como Rondonópolis, Cuiabá e Várzea Grande, participaram nos  dias 23 e 24  de maio, em Tangará da Serra (a 240 km de Cuiabá) do “III Encontro de Mulheres Ciganas de Mato Grosso: medicina Calon, cerrado e (in)justiças climáticas”.

Realizado pela Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), o evento ocorre marcando o Dia Nacional dos Ciganos, comemorado desde 2006 a todo 24 de maio. A ação integra as programações paralelas realizadas pela associação durante todo o mês, denominada “ V Encontro de Cultura Cigana de Mato Grosso - Maio Cigano”, que também integra outras ações, como a Mostra de Audiovisual Calon Lachon, a Assembleia Geral da AEEC-MT 2025, que ocorrem na mesma data e mais o dia 25 de maio.

Neste ano, o Encontro de Mulheres tem financiamento do Fundo Casa Socioambiental, por meio de seleção na Chamada de projetos “Resiliência Climática e Equidade de Gênero: Fortalecendo Comunidades para Promoção da Inclusão e Diversidade” e apoio da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES/MT).

Além de contar com a participação de mulheres ciganas vindas de vários municípios mato-grossenses, a novidade é que o Encontro também terá a presença de algumas convidadas especiais do movimento cigano nacional.

Participaram do Encontro em Tangará: a Conselheira Nacional de Igualdade Racial representando os povos ciganos, Edvalda Bispo dos Santos; a integrante do Coletivo Ciganagens e advogada, Sara Macedo e a coordenadora da Roda Cigana Rede Humanitária, Lourdes Corrêa, que também é representante dos povos Rom no Comitê Nacional de Acompanhamento do Plano Nacional de Políticas Públicas para Povos Ciganos do Ministério da Igualdade Racial (MIR).

O encontro contou a presença de uma comitiva da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT), composta por três técnicos: dois do Grupo Técnico de Equidade da pasta, Milton Fleury e Dr. Foguinho e a representante da Escola de Saúde Pública (ESP) da SES/MT, Rita Meurer. Também contou com a participação do presidente do Conselho Estadual de Igualdade Racial de MT (CEPIR/MT), Manoel Silva.


De acordo com a presidente da AEEC-MT, Rosana Cristina Alves de Matos Cruz, “o objetivo é promover tanto um intercâmbio intergeracional, entre mulheres ciganas de diferentes idades, mas especialmente, promovendo a conexão entre as jovens e as velhas, quanto um intercâmbio entre mulheres ciganas de diferentes cidades e Estados”.

“Também buscamos com o encontro fortalecer a formação política pela inclusão das mulheres ciganas e suas lutas e demandas, que incluem a promoção da justiça climática e ambiental. Ao final do evento queremos elaborar uma carta das mulheres ciganas em defesa do Cerrado e da manutenção das tradições ciganas”, explica Rosana.

Programação – O Encontro de Mulheres Ciganas de MT trará nesta edição duas temáticas principais: a primeira delas será as questões climáticas e ambientais, que estão diretamente ligadas à segunda, a medicina tradicional Calon e à saúde das mulheres ciganas.

Um dos pontos altos do evento, foi a oficina promovida pela Mestra da Cultura Mato-grossense, a raizeira e benzedeira, Maria Divina Cabral, a Mestra Diva, “preparando uma garrafada para a saúde da mulher".

Além disso, o evento teve uma intensa programação cultural, composta pela vivência de dança "Saia Cigana", ministrada pela Calin Sara Macedo e exclusiva para mulheres; bem como a oficina de circo e teatro para as 20 crianças que participaram do evento.

O encontro contou ainda com o lançamento de produções audiovisuais inéditas, sendo uma delas, a minissérie “Luzia e As Calins do Cerrado”, cujo foco são as mulheres ciganas que vivem no Cerrado, especialmente, nos Estados de Mato Grosso e Goiás.

Participação - Uma das produtoras locais do III Encontro de Mulheres Ciganas de MT, Aldi Rodrigues Angola, comentou que "foi bem emocionante ver a minha família chegar de outros municípios de MT, contemplar, ficar junto, comemorar a vida, duas tias estavam fazendo aniversário". 

"É bom reencontrar as pessoas que compartilham da mesma etnia que você, é muito importante, porque o preconceito é bastante, então, quando a gente vê as pessoas da nossa família, é um aconchego, me senti muito feliz. Nós teremos algumas pessoas importantes que irá nos visitar e ver o movimento dos ciganos. É também um encontro político, para buscar melhoria para nossas comunidades", destacou Aldi.

Segundo Lourdes Corrêa, uma das coisas que mais impressionou foi o respeito as pessoas mais velhas. "Achei bem interessante a reunião da família, a questão do respeito, principalmente, no que se refere a questões de religiões diversas convivendo harmonicamente, de estar se resgatando a questão cultural, como as vestimentas, as danças ciganas, a Chibe e outras manifestações. Achei muito importante também a participação dos mais velhos, das matriarcas ciganas e o respeito as histórias de vidas e conhecimentos daqueles que mais viveram e mais têm a compartilhar".

Já a estudante de enfermagem, Simone Carla Rodrigues de Oliveira, também foi uma oportunidade para trazer visibilidade aos povos ciganos. 

"Para mim foi muito bom, até porque já tinha muito tempo que eu não via alguns de meus parentes, nem me lembrava de alguns deles e nem é tão longe, porque Rondonópolis é bem ali, só cinco horas de viagem. Só que a rotina, o dia a dia da gente nunca permite que nós consigamos visitá-los ou vice-versa. E também para dar um pouco mais de visibilidade para os ciganos, porque nós somos povos esquecidos", enfatizou simone.

Assessoria para Ciência e Comunicação da AEEC-MT

Fotos: Maria Clara Aquino


 

quinta-feira, 29 de maio de 2025

Seminário apresenta resultado de pesquisa sobre famílias ciganas

Pesquisa representa um avanço na construção de políticas públicas para os povos ciganos brasileiros

Do MIR, Publicado em 29/05/2025 18h22

Ministério da Igualdade Racial (MIR) realizou, nessa quarta-feira (28), o Seminário Dados do Mapeamento Inicial de Famílias Ciganas, Rotas e Redes de Acesso a Políticas Públicas, na sede I do Banco do Brasil, em Brasília.

Realizada em parceria com universidades das cinco regiões brasileiras, a pesquisa que reúne o mapeamento representa um avanço significativo na obtenção de dados para a construção de políticas públicas de assistência aos povos ciganos brasileiros.

A coordenadora-geral de Políticas para Ciganos, Edilma Souza, afirma que o mapeamento foi idealizado pelo MIR em uma tentativa de cobrir uma lacuna histórica de informações. “O seminário com os dados preliminares foi um momento de confluência entre as regiões. Esse é um projeto inovador que traz a possibilidade de governo e sociedade conhecerem a realidade dos povos ciganos. A pesquisa visa excluir com esse apagão da referência da contribuição social dos povos ciganos brasileiros e contribuir para a construção de políticas públicas”, enfatiza.

O objetivo principal da pesquisa é produzir dados que orientem o Governo Federal a construir políticas públicas que possam atender os direitos da população cigana e orientar o de Políticas para Ciganos (IBGE) para o censo 2030.

A pesquisa compilou dados do Cadastro Único para Programas Sociais (CADÚnico), das pesquisas municipais/estaduais do IBGE (Munic e Estadic), dados da Secretaria Especial de Cultura e Artes Integradas (SECAI) e do Sistema único de Saúde (SUS), além de coletas de dados feitas em visitas a ranchos e acampamentos ciganos.

O evento contou com a presença do secretário de Políticas para Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Povos de Terreiros e Ciganos Ronaldo dos Santos; da diretora de Políticas para Quilombolas e Ciganos, Paula Balduíno; e de pesquisadores (ciganos e não-ciganos) responsáveis pelo mapeamento de cada uma das regiões.

Cada equipe apresentou os dados produzidos nessa ação sobre a presença cigana no território nacional. Os achados poderão servir de subsídio para a elaboração de políticas públicas adequadas às necessidades e especificidades dos modos de vida dos povos ciganos.

Dentre os temas pesquisados estão moradia; educação; saneamento básico, atenção a pessoa idosa; saúde; cultura e identidade; energia e internet; previdência social; trabalho e renda; e acesso a atendimento por órgãos de defesa dos direitos.

Disponível em: https://www.gov.br/igualdaderacial/pt-br/assuntos/copy2_of_noticias/seminario-apresenta-resultado-de-pesquisa-sobre-familias-ciganas

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Vice Presidente da AEEC participa de oficina preparatória para COP30

Jéssika durante oficina voltada para a relação entre os Povos Tradicionais e as questões climáticas 

A vice-presidente da AEEC-MT, Jéssika Lorraynbe Cabral Lima Leme, participou nos últimos dias 27 e 28 de maio, da II Oficina Sobre Povos Tradicionais de Mato Grosso e Clima.

O evento ocorreu no hotel fazenda Mato Grosso, reunindo povos ciganos, quilombolas, de matriz africana, pantaneiros, indígenas, pescadores, entre outros segmentos.

Organizada pelo @ICV, a oficina tem como objetivo preparar representantes dos povos e comunidades tradicionais (PCTs) de Mato Grosso para a COP30, que ocorrerá em novembro, em Belém do Pará, no Brasil e é a maior conferência que debate as questões climáticas do mundo.

Jéssika é representante dos povos ciganos e da AEEC-MT no Conselho Estadual de Povos e Comunidades Tradicionais de MT (CEPCT/MT).

Durante a reunião ficou acordado que os PCTs de MT trabalharão seis eixos principais na COP30.

São eles: 1) territórios vivos, soberania popular e alimentar; 2) Reparação histórica, combate ao racismo ambiental; 3) transição justa, popular e inclusiva; 4) contra as opressões, pela democracia e pelo internacionalismo dos povos; 5) cidades justas e periferias urbanas vivas; e 6) Feminismo popular e resistências das mulheres nos territórios.

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